História Kenyako-Kawaii Love - Capítulo 11


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Categorias Digimon
Personagens Cody Hida, Davis Motomiya, Kari Kamiya, Ken Ichijouji, Takeru "T.K." Takaishi, Yolei Inoue
Tags Amizades, Ansiedade, Conflitos, Digimon, Diversão, Dúvidas, Kenyako, Mudanças, Primeiro Amor, Romance
Visualizações 66
Palavras 3.907
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Comédia, Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Fluffy, Romance e Novela, Shoujo (Romântico)
Avisos: Spoilers
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Sinto pela terrivel demora, foram muitas sequencias de fatos chatos e complicados, peço a quem eu devo leitura que não pensem que esqueci vcs, jamais, estou voltando, demorando mais do que gostaria, mas não morri, não desisti, ainda vivo.

Espero que gostem do capitulo e muito love na vida de vocês.

Capítulo 11 - Primeira namorada


 

POV Miyako

    — É, eu adoro trocar mensagens e compartilhar o diário com você, mas ainda me sinto distante. Desde que me mudei para nossa escola, nós mal conseguimos nos falar pessoalmente. Eu não quero te ver sofrendo pela minha covardia e timidez.

— Ken-kun, você sabe que nunca vão nos deixar em paz na escola, se nós começarmos…

— Que seja, você está falando com alguém que tem o sono atormentado pela culpa das coisas que fez no passado. Sabe, coisas ruins? Ter coleguinhas de escola me atormentando por estar vivendo algo que me deixa feliz, não vai ser tão difícil assim.— Aquela declaração me deixou perplexa, reflexiva. — Eu gosto de você, Miyako-san, quero ficar perto de você, de verdade, se você quiser.—ele fez uma pausa para respirar e eu estava estática. Ken se levantou abruptamente .— Saia comigo, por favor! Seja minha… Minha… na-mo-ra-da ?

 

POV Ken

 

    Finalmente eu tinha desabafado tudo e feito aquela pergunta. Não sabia ao certo, se era uma boa idéia, pela nossa idade talvez… Mas se eu pudesse ao menos ter um tempo para passear com a Miyako-san, andar de mãos dadas, saber sobre a sua semana e contar sobre a minha, para mim já seria o suficiente, não tinha pretensão de nada mais que invadisse seu espaço pessoal.

    Agora estava feito, eu estava de pé diante dela e ela sentada sobre a cama, com o rosto corado e as mãos sobre a boca, trêmula e sem condições de me responder. Talvez eu tenha me precipitado… Claro que me precipitei, ela está doente, abatida com o problema que tem sofrido com a Hikari-san, sou um imbecil egoísta, deveria ter esperado o melhor momento, só pensei em minha ansiedade infantil para resolver isso, agora ela está coagida a me dar uma resposta e não era essa minha intenção.

    Cerro os punhos com força, queria estapear a mim mesmo a princípio, em seguida me senti tão envergonhado que acabei dando as costas para ela.

    — Vou para casa. — foi tudo o que consegui dizer e sai caminhando como se  blocos de pedras prendessem as minhas pernas. Eu tinha sido inconveniente e me sentia péssimo, poderia ter deixado essa pergunta para um momento mais oportuno, o que eu fiz?

    — Ken-kun? — ela me segurou pelo tecido da blusa, me fazendo parar onde estava. Meu mundo parou quando ela me abraçou por trás e apoiou a cabeça na curvatura do meu pescoço, um misto de sensações e emoções que não sei descrever, reviraram dentro de mim.

    — Miy-a-ko-san? — a voz saiu falha, arranhando minha garganta onde um nó parecia ter se formado, minhas mãos espalmam-se no ar, os dedos esticados e tensionados.

    — Eu quero muito...— fungou esfregando o rosto contra minha blusa, secando as lágrimas. — Eu aceito ser sua namorada.

    Engulo certa quantidade de saliva e coloco minha  mão sobre as dela, que me envolvia pelo peito, acaricio lentamente, dessa vez eu quem seco algumas lágrimas atrevidas que escorreram sem permissão, usando a manga da blusa.

    — Obrigado.— é tudo o que consigo dizer, não consigo mais reagir, fico sentindo seu abraço e sua respiração contra minha pele, eu estava tão emocionado, aliás nós estávamos.

    — Eu sei que talvez a gente devesse...— ela praticamente sussura oscilante.— se beijar agora, mais é que não quero que o meu primeiro beijo seja com gosto de remédio, sopa e usando um camisolão de panda. — enterrou o rosto contra minhas costas, aquele comentário me fez rir dissipando um pouco da tensão.

    — Miyako-san, não diga esse tipo de coisa, é embaraçoso. — coço o queixo envergonhado.

    — Não é, se somos namorados devemos pensar em beijo, é normal. Você não pensa, Ken-kun?

    — Miyako-san? — a repreendo encabulado, embora eu realmente pense, mas é que...— Só...— acaricio sua mãos novamente, girando o polegar sobre ela.— Cada coisa a seu tempo.

    — Sim, eu sei, eu sei… O que vamos fazer sobre isso?

    — Sobre beijo?

    — Não, seu bobo, sobre o nosso relacionamento. Bem… eu nunca namorei com ninguém e tudo que sei são coisa que li em revistas e vi em doramas, mangás. — ela é sempre tão sincera, me encanta a cada dia mais.

    — Tampouco eu.— rimos juntos. Óbvio que ela já deveria saber.— Podemos guardar somente para nós, a princípio.

    — Tem medo de que as pessoas saibam? — seu tom saiu triste e os braços quebram o enlace, desfazendo o abraço, a senti se afastar.

    — Não, não, não...— giro nos calcanhares a encarando, estava cabisbaixa, como se estivesse prestes a chorar e eu entro em desespero, procurando as palavras certas.— Não é como você pensa, não medo, é cuidado, é apenas que…

    Procuro as palavras, mas elas me faltam, o ar me falta, não consigo  dizer nada, embora queira muito…

    Neste momento ouvimos as vozes do casal Inoue se aproximando e nos afastamos, não demora para que eles entrem no quarto e a Sra. Inoue corre para abraçar a filha, perguntando como ela está e várias outras coisas.

    Fico ali parado apalermado, em modo automático apenas respondendo aos pais dela quando eles me agradecem e me convidam para o jantar, esboço um sorriso ameno, mas me sinto péssimo por não ter conseguido colocar em palavras claras o que eu realmente queria dizer para Miyako em relação a manter nosso namoro em segredo, a Sra Hida também entra no local e em seguida Iori-kun e Takeru-kun, tudo fica agitado demais, os Digimons tentando fazer parte da conversa e eu ali sentindo vontade de chorar por ter sido um idiota.

    Quando sinto que já estou a ponto de explodir e chorar ali mesmo, a campainha toca e para minha sorte era o meu pai que veio me buscar. Todos me agradecem e Miyako-san me diz um “obrigada por tudo” mas sai gélido, sem vida, de forma que me sinto meu corpo congelar e se quebrar em milhares de pedacinhos minúsculos.

    Após sair da residência dos Inoue, minha volta para casa foi silenciosa, assim como o jantar da minha mãe pareceu não ter me feito nada bem e a noite foi passada em claro. Fiquei me martirizando pela minha patética habilidade de comunicação e porque, com certeza fiz a garota que eu gosto chorar. Então posso dizer que estive em um relacionamento por alguns meros minutos e que estraguei tudo.

    No dia seguinte eu não tive vontade sair da cama, mas me levantei e segui a rotina diária, quando a encontrei naquela manhã, ela estava abatida, como se também tivesse passado a noite chorando, o que me fez sentir ainda pior. Os cabelos estavam presos em um rabo de cavalo baixo, usava um suéter bege e uma saia preta, com meia calça azul marinho, até os trajes estavam menos alegres.

    Como eu pudi? Sou tão imbecil, Miyako-san já está passando por problemas com a melhor amiga, já não parece muito bem e eu só contribui para piorar as coisas. Como posso dizer que gosto dela e, além de não ser capaz de ajudá-la a solucionar seus problemas ainda acrescento mais?

    Com esses pensamentos acabo ignorando mesmo Daisuke-kun dizendo algumas coisas, na classe quase não consigo prestar atenção na matéria e na troca de um dos horários recebemos a notícia de que o professor vai se atrasar e talvez nem possa vir.

    Noto que Hikari-san e Rina-san estavam falando sobre Miyako-san, mesmo sendo errado não consigo deixar de me esforçar para ouvir.

    — Sinto que estamos nos afastando aos poucos e não sei o que fazer. — a castanha desabafa com tristeza em sua voz.

    — Então se abra com ela e pergunte o que está havendo.— aconselha a garota de cabelos verdes.

    — As vezes fico com medo de estar sendo invasiva. Sei que por ela ser mais velha seu corpo já está mudando e os hormônios da adolescência estão começando a agir. Veja bem, os seios dela já estão começando a crescer.— explica Hikari-san, e eu me engasgo e sinto meu rosto arder por estar ouvindo esse tipo de coisa.— Talvez ela queira começar a andar com as garotas mais velhas…

    É engraçado perceber como ambas estão sofrendo com o problema sendo algo que pode ser resolvido com uma simples conversa, uma simples conversa, como se conversar e desabafar fosse algo simples?

    — O que foi cara? Você está estranho hoje. — Motomiy me acorda com um leve tapa na nuca e se senta ao meu lado. — Sei que você é bem reservado em relação a certos assuntos ou...—coça o queixo. — Talvez me julgue imaturo e bobo, como todos os outros, mas sabe… Sobre esse lance com garotas, se quiser conversar…

    — Ninguém te acha um bobo.

    — Ah, para Ken, não tape o sol com a peneira. Sei da minha fama — ele da um sorriso desanimado. — Enfim, isso não é sobre como as pessoas me veem, é sobre você.

    — Eu estou bem...— digo sem muita convicção, sinto um nó se formando em minha garganta.

    — Parceiros de jogress, se lembra?

    — Bom...— fico sem alternativas, então olho ao redor antes de desabafar. — Miyako-san.

    — O que aquela estabanada fez contigo?

    — Na verdade, eu quem fiz com ela.— me inclino em sua direção sussurrando e ele se espanta com o que ouve, quase caindo da cadeira, chamando a atenção dos outros alunos para nós.— Daisuke-kun! — o repreendo envergonhado.

    — Tá, tá, é que não consigo imaginar você aprontando alguma com a magricela, mas se está dizendo. Conta aí, o que fez com ela? Foi ontem quando vocês ficaram sozinhos na casa dela...— ele fez biquinho fazendo som de beijos.

    — Não ficamos sozinhos, tinham os Digimons e a Sra. Hida e Takaishi estavam lá.

    — Eu sei, eu sei, mas… Conta logo, o que fez para ela?

    — Bem...É que, eu gosto dela…

    — Ah não me diga! Isso todo mundo já sabe, comece pela novidade.

    — Oras, Daisuke-kun, não atropele as coisas...— ele gesticula para que eu continue. — É que, eu pedi que ela fosse minha… namorada.— sussurro a última palavra, olhando para baixo, segurando a vontade de chorar.

    — Não creio! Você teve toda essa coragem? Mas não me diga que ela não aceitou?— ele fez todo um drama se jogando na cadeira. — Isso não tem lógica, Miyako era louca por você mesmo antes de saber que você era o Kaiser. Sabe, aquele dia do nosso primeiro jogo, ela me fez apertar a mão dela só porque você tinha apertado a minha e ela queria sentir seu calor, perfume, sei lá aquela garota é demente!— Com certeza ele disse isso para me animar, não consigo imaginar essa cena.

    — Ela aceitou sim. — suspiro fracassado.

    — E o que deu ruim?

    — Eu sugeri mantermos em segredo, mas era para protegê-la, sabe, ainda sou perseguido pela mídia, sei o quanto as pessoas podem ser cruéis e invasivas, não quero isso para ela.

    — Explicou tudo com essas palavras?

    — Não pude, a família dela chegou bem no momento.

    — Ah, mas vocês são dramáticos demais, estão aí pelos cantos chorando de amor, sendo que é só conversarem e esclarecerem tudo, o namoro já foi até aceito.

    — E se ela não entender, se desfazer, dizer que não quer mais.

    — É um risco que você vai ter que correr.

    — Não sei se posso.

    — Sabe, neste verão eu chamei a Hikari-chan para ir ao festival comigo, liguei para ela, mas ela marcou comigo no parque e me pediu para não levar o Chibimon.

    — Então vocês.. Mas esse ano você não deu nenhuma cantada boba nela, pensei que tinha desistido.

    — Então… Me arrumei e perfumei, vesti uma roupa nova e fui ao encontro dela, mas quando cheguei lá encontrei uma Hikari-chan muito séria.

    FLASHBACK Daisuke

    — Daisuke-kun… Me perdoe!

    — O que, porque?

    Quando ela levantou o rosto eu notei que estava chorando e comecei a me desesperar.

    — Eu nunca deveria ter deixado as coisas chegarem a isso. — daclarou entre lágrimas.

    — Chegar a isso? O que quer dizer, Hikari-chan.

    — Fui muito cruel e imatura, fiz piada de seus sentimentos, ri e me diverti com situações sérias. Eu nunca gostei de você, da maneira que você gosta de mim, mas eu gostava da sensação de me sentir disputada.

    — Hikari-chan? — eu estava horrorizado demais.

    — Mas eu juro que não tinha sentimentos por outra pessoa naquela época, mesmo assim nunca percebi o quanto estava sendo cruel, não colocando um ponto final nas suas tentativas, eu lhe dei falsas esperanças e aqui estamos.— ela se aproximou e quedou a cabeça para baixo encostando o topo contra meu peito. — Eu sentia um vazio, um frio, uma solidão, uma sensação de que a minha existencia era um erro. Aquelas besteiras que pra você eram sérias, para mim era uma forma de tentar achar graça de algo e me sentir viva.

    — Então eu fico feliz que pude ajudar de alguma forma.— respondo ainda abalado e ela se afasta e me encara.

    — Não pode estar falando sério?

    — Sim. Eu sempre vi sua tristeza, mas também vi a forma como tentava lutar contra ela, senti raiva quando você e o Takeru-kun não compartilhavam suas experiências anteriores conoscos, sempre falando entre si e nos excluindo do passado, mas depois entendi o peso que as dores do passado tinha para os dois.

    — É verdade, nós vimos coisas, vivemos coisas que… Éramos crianças bem pequenas e vimos amigos se sacrificando, não era algo que queríamos compartilhar com vocês, realmente.

    — Hm, eu te vi entrar no grupo de dança, vencendo a timidez, se agarrando em algo que a divertisse. Você era uma garota triste, lutando contra suas dores, me encantei com isso, mas…

    — Mas eu agradeço e me desculpo… me desculpo pela forma como agi, mas ainda estava perdida dentro de mim mesma, desculpe ter sido tão cruel, o ponto é que nunca passaremos de bons amigos, amizade essa que tenho muito zelo.

    — Tudo bem, está desculpada sim, para mim a amizade segue como antes, obrigado por se abrir e ser sincera.

    Flashback fim

    — E foi assim… Ao menos com você é correspondido.

    — Como você conseguiu superar e agir como se nada tivesse acontecido?

    — Nos primeiros dias fiquei bem deprimido, mas eu tinha o Chibimon comigo se preocupando e todo um verão pela frente, poderia ficar chorando, mas optei por ser forte e ir me divertir, agora já nem dói. — deu de ombros e olhou discretamente para a castanha.— Se eu sobrevivi você também vai.

    — Tem razão. Vou falar com ela no final da aula.

    — Só se for depois do treino.— ele ergue o indicador alertando.

(...)

    O horário do almoço chegou e Miyako-san e Hikari-san não estavam presentes, ninguém sabia dizer o motivo, mas tenho para mim que Rina-san sabe e não quer falar nada.

    Ainda não me sentia com a coragem do Daisuke-kun, mesmo assim queria ao menos poder vê-la, saber que estava melhor e se alimentando corretamente. Peguei meu celular e olhei o numero dela na agenda, queria poder ligar, mas sei que ela deve estar conversando com a amiga, fiquei passando algumas fotos e vídeos que ela tinha me enviado há um tempo atrás, do Poromon fazendo bagunça, se sujando de glacê na cozinha ajudando a fazer cupcakes.

    As mesmas garotas que me trouxeram sobremesas no outro dia, vieram me pedir o numero do celular e eu travei novamente. Imagine como seria minha vida de agora em diante? Já abro o meu ármario e me deparo com rios de cartinhas, que francamente nem leio, imagina pegar o celular e encontrar rios de mensagens?

— Meninas, por favor… — começa Takeru-kun.

— Parem de sufocar o coitado. — Daisuke-kun declarou.

— Tudo bem. — saí da minha zona de conforto, não posso aceitar ser defendido para sempre. — Infelizmente garotas, não posso compartilhar algo tão pessoal para quem não sou íntimo. Não me entendam mal.— eu tive que falar, desabafar, não dava para baixar a cabeça para sempre e ceder a tudo.

    Sabia que tinha dado início a uma guerra, algo dentro de mim já estava preparado para aquele momento, não demorou até que as fofocas começaram a surgir, que sou rude com mulheres, que fui cruel com as garotas e as humilhei, os olhares sobre mim começaram a pesar.

    O intervalo terminou e fomos para as nossas salas, como é proibido usar o celular na classe, algumas alunas que trocavam mensagens obviamente maldosas sobre o que eu disse antes, tiveram os aparelhos apreendidos e foram mandadas para a orientação, passaram por mim  me encarando como se me culpassem. Engraçado como de uma hora para outra a “adoração” se torna ódio.

    Era disso que eu queria proteger a Miyako-san, desse efeito borboleta que as coisas que acontecem na minha vida possuem. Não quero que ela seja julgada, apontada ou exposta, que tenha que suportar tudo isso, mas a quero comigo e não sofrendo por pensar que eu talvez…

    Balanço a cabeça negativamente, tentando me livrar dos pensamentos.

    — Está com algum problema, Ichijouji-kun? — a professora questiona e a classe começa a rir. — Silêncio!

    — Não senhora. — respondo constrangido e decido prestar mais atenção na matéria.

    E no final das aulas eu estava comprometido com o treino, mas antes de entrar em campo enviei uma mensagem para Miyako-san, pedindo que me esperasse, infelizmente não tive tempo para ver se recebi a resposta.

    Tentei me concentrar em jogar, até que Daisuke-kun me deu um olhar malicioso e sorriu sugestivo, apontando com a cabeça para as arquibancadas, quando olhei para a lateral, vi Miyako-san sentada e ela deu um sorriso acenando com a mão, retribui o gesto.”então ela veio, não está zangada comigo”

    Faço o melhor que posso, ainda mais que tenho público, mesmo assim não sou nem a metade do jogador que era quando tinha a influência das sementes, noto olhares e comentários e sinto que são em relação ao meu desempenho. Quando chegamos ao fim do treino nos dirigimos para o vestiário, Daisuke-kun tenta me convencer de que fui muito bem, mas sei que não.

    Quando saímos do vestiário encontramos Miyako-san com duas caixinhas de suco entregando uma para cada um.

    — Não pense que isso vai me fazer esquecer que você sumiu com o meu almoço hoje. — provoca Daisuke.

    — Seu almoço? O almoço que você me rouba todos os dias?

    — Não é roubo desde que a  sua mãe disse que colocaria mais para você dividir comigo.

    — Pois creio que vocês deviam me perguntar antes de decidirem essas coisas por mim. Não somos namorados para dividir obento. — Miyako coloca as mãos na cintura, com uma expressão zangada.

    — Mas com o “Ken-chan” você dividiu a comida antes de serem um casal, não foi? — cantarola fazendo gestos de garota apaixonada e depois corre para não apanhar.

    Engasgo quando ele fala isso, acabo cuspindo um pouco do suco.

    — Seu IDIOTA! — ela grita enfurecida.

    — Até amanhã pombinhos e Ichijouji vou querer saber os detalhes! — ele grita isso antes de virar a esquina e os poucos alunos que ainda estava em frente a escola nos encaram surpresos e nós coramos.

    — Err… Esse Motomiya. — murmuro.

    — Muito sem noção, vou espancar ele amanhã.— ela sussurra olhando para baixo.

    — Obrigado pelo suco e por ter esperado, espero que não lhe cause problemas.

    — Não precisa agradecer, acho que precisamos conversar, né?

    — Então, você quer ir…

    — O parque fica cheio a uma hora dessas, os alunos que saíram de suas escolas estão por lá para ver o pôr- do- sol e bem… Tem muitos casais também. — ela sussurra a última fala. — Mas tem um playground aqui perto, é bem tranquilo.

    — Tudo bem, pra mim está bom.

    Seguimos pelas ruas calmas e chegamos ao local desejado, ela se sentou em um dos balanços e fez sinal para que eu me sentasse ao seu lado.

    — Parece cena de Sakura Card Captor! — exclama quebrando o silêncio.

    — Perdão, não sei ao que você se refere.

    — É um anime antigo sobre uma garota que… Bem, talvez depois possamos assistir juntos, eu já assisti, mas ia adorar assistir novamente.

    — Eu adoraria…

    Sorrimos um para o outro, uma brisa agradável sopra agitando nossos cabelos, sinto o perfume adocicado dos seus produtos de cabelo, ela gosta tanto de doces que até estes tem cheiro de balas, goma de mascar… Sorrio ainda mais com essa observação, mas sinto que é a minha vez de quebrar o silêncio.

    — Miyako-san?

    — Hm?

    — Nós ainda estamos… Nós somos… — pigarreio quase me engasgando e noto que ela se diverte com isso. — Não deboche da minha falta de jeito com as palavras, isso é cruel.

    — É mesmo cruel, mas é que você fica fofo.— abre um sorriso vigoroso.— Nós ainda estamos…

    — Na-na-na...— é tão difícil falar essa palavra. — namorando?

    — Bom, creio que sim, não me lembro de termos terminado.

    — É que eu deixei você chateada ontem. Sabe, eu não fui bem claro no que eu queria dizer, na verdade nunca quis que você passasse por certas coisas que tenho que passar. Ser eu é algo muito complicado, as pessoas estão sempre olhando, comentando, cobrando e inventado, as vezes os comentários são cruéis, pesados, comparativos e por mais que eu tente não me ferir…

    — Ken-kun? — ela sai do seu balanço e senta junto comigo pousando a mão sobre a minha.

    — Eu não quero isso pra você… Que seja apontada, que cochichem sobre você. Veja aquela garota namora com aquele garoto, Ichijouji Ken, que da noite para o dia deixou de ser gênio. Se eu tenho que passar por isso Miyako-san, talvez seja uma punição pelos meus erros passados…

    — Não, Ken-kun, não diga isso. Não é punição, as pessoas são mesmo bobas e alienadas, julgam, inventam, falam do que não sabem…

— Eu já ouvi alguns alunos mais velhos, no metrô, especulando entre si, dizendo que fugi de casa para chamar a atenção da mídia, que sou mimado e uma grande desonra para minha família e mesmo para o país que se orgulhava do seu “prodígio”.— quando me dou conta as lágrimas já escorriam pelos meus olhos.

    — São uns idiotas, Ken-kun, com certeza nunca passaram nem a metade das provações pelas quais você passou. Você é tão forte, eu te admiro tanto por isso. Quem desses idiotas esteve de frente com o poder das trevas? Quem deles já teve a mente manipulada por tanto tempo? — ela me envolve com um dos braços e  acaricia meu rosto secando as lágrimas. — E mesmo com a dor e a culpa te torturando você não se entregou a depressão, veio para junto de nós, nos encarou de frente, se desculpou e se pôs a reparar seus erros. Quantas pessoas são tão fortes assim?

    — Miyako-san...— olho em seus âmbares e noto que também estão marejados. — As vezes é muito pesado, eu tento continuar em frente, erguer a cabeça, mas estão sempre a atirar pedras, se não fosse por vocês, eu…

    — E vão continuar jogando, mas você é forte, você supera porque é incrível e já salvou o mundo dessas pessoas idiotas, mesmo que elas não saibam, você nunca deve se esquecer.

    — Eu só não quero que elas te façam chorar, que te importunem de alguma forma, sabe?

    — Talvez eles tentem, mas não é sua culpa, eu estou escolhendo passar por isso, por você. Porque eu não quero desistir de ser sua namorada. Já enfrentamos digimaus juntos, podemos lidar com eles. — rimos em meio às lágrimas e nós abraçamos, mesmo sentados naquele balanço.

    — Obrigado, Miyako-san…

    A apertei forte contra mim, de forma que podia sentir seus batimentos acelerados, mais uma vez as cores do mundo se misturaram em uma pintura suave, as borboletas agitaram-se em meu estômago, meus dedos correram pelos fios perfumados de seus cabelos lilases. Nos afastamos brevemente sem romper o abraço totalmente e colamos nossas frontes, acariciei a maçã de seu rosto com o polegar e encarei hipnotizado dentro de seus âmbares reluzentes e ela suspirou profundamente e os fechou lentamente… Eu entendi o “convite”e repeti o ato e aproximando mais nossos rostos...


 



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