1. Spirit Fanfics >
  2. Kill me on friday >
  3. After All

História Kill me on friday - Capítulo 10


Escrita por:


Notas do Autor


Se você está lendo isso no exato momento que postei, vai dormir vc é corno não morcego 🦇 Brinks kkkkk vc pode ser um morcego se quiser

Cap grande pq demorei a postar, espero que gostem ❤️

Capítulo 10 - After All


Levi estava numa fase do sono em que se tem a plena percepção dos sentidos, apenas se sentia cansado demais para se levantar e permaneceria assim, cochilando mais um tempo. 

 

Estava bem consciente quando Eren, que se encontrava aninhado ao seu peito, face com face, girou o corpo involuntariamente. Seu quadril de algum jeito se encaixou na pelves de Levi, abriu os olhos e encontrou o pescoço de Eren, fios castanhos deslizando, sentiu vontade de tocar ali.

 

Eren se mexeu e roçou em algo embaixo, Levi resolveu se levantar de vez. Tomou um banho gelado e pegou uma cerveja, fez o mesmo percurso que se tornou rotina, comprou o capuccino que Eren gostava e pegou brownies. Eram 8:00 da manhã, o clima era frio mas não a ponto de fazê-lo bater o queixo.

 

Quando voltou, jogou a lata de cerveja no lixo, Eren ainda dormia. Se sentou na beirada da cama, não queria acorda-ló, queria continuar a observar seu rosto sonolento, cenho relaxado desabituado à aquele olhar meio feroz e entediado com tudo, seus cabelos estavam desalinhados e aquilo era bonito.

 

Sentiu um calor no peito.

 

A aliança descansava na superfície do criado-mudo, abandonada. Seria mesmo abandonada? Se assim fosse, uma pequena onda de alívio o assolou.

 

— Meu deus, você parece um psicopata. 

 

A voz rouca de Eren ecoou, Levi virou o rosto e o garoto estava na mesma posição, seus olhos abertos de um jeito preguiçoso.

 

Eren continuou com um sorriso fino.

 

— Você costuma ficar assim o tempo todo?

 

— Assim como? — perguntou afim de esclarecimento 

 

Eren virou o corpo de barriga para cima, encarou o teto.

 

— Você encara muito as pessoas. Como a Monalisa. 

 

Foi sua vez de sorrir.

 

— Monalisa. — repetiu Levi, pensando naquela comparação. — Eren, você é tão...

 

Eren o encarou, Levi deixou as palavras no ar e uma absurda curiosidade implantada no garoto.

 

— Observar é meu trabalho, embora já fizesse isso antes. Eu era as crianças que te observam no ônibus ou no metrô. — se levantou — Levante logo, eu não queria te acordar, mas que bom que fez isso, o café iria esfriar.

 

Eren olhou o relógio digital ao lado e arregalou os olhos.

 

— Oito e quinze da manhã?! — disse exasperado — Você me acordou nesse horário?! Eu deixei de dormir meu precioso sono até três da tarde...

 

— Não sei como aguenta dormir isso tudo. E eu não te acordei.

 

Eren se levantou meio indignado, não acordava cedo daquele jeito desde seu último dia no Orfanato, pensar naquilo o relembrou de algo. Pegou o copo de cappuccino quentinho e deu um gole, os dois estavam sentados na mesa de escrivaninha.

 

— Vamos encontrar Armin a tarde, vou logo botar a merda do Windows para atualizar. Estou enrolando há meses. — declarou mordendo um brownie

 

— Porque irá levar? 

 

— É meu trabalho. — respondeu com um riso de lado

 

Ficaram em silêncio.

 

— Porque não se especializa nisso? — perguntou Levi quando já estava na metade do café 

 

Eren o olhou de imediato.

 

— Eu sou especializado nisso.

 

— Sim, mas falo de um certificado. Uma faculdade. 

 

— Um monte de gente vendo uma pessoa falar? Me dá medo.  — suspirou e fez uma pausa — Também não é como se eu não tivesse cogitado isso, mas no momento há outras prioridades. Com o dinheiro dos bicos que faço, guardo numa conta, pretendo morar com minha irmã. 

 

— Porque não arruma um trabalho de meio período? Seria mais fácil. — sugeriu 

 

— Eu até trabalhei em uns mas...me mandaram embora, talvez pelo meu temperamento com pessoas ou por eu ser um puta tapado quando se trata de socializar.

 

— Para mim, você pareceu sociável quando te vi a primeira vez. 

 

Eren sorriu, ainda sem olhá-lo. Tomou um gole de café, estava sentado de modo desengonçado na cadeira, chinelo de pano e camisa gigante.

 

— Deixa eu reformular então, não sei conviver em sociedade. Acabo explodindo, antes era assim, agora eu...só quero jogar no pcde madrugada e acordar às três da tarde. — ergueu o rosto e encarou Levi, sorrindo de um jeito terno

 

Levi estendeu a mão e passeou pelo cabelo de Eren, tirando alguns fios rebeldes dali, aproximou o rosto e o beijou. Gosto de cafeina. Eren nunca pensou que ficaria tão desconcertado na presença de alguém, normalmente era duro na queda e se mascarava de indiferença, mas Levi tinha o poder de derreter isso com aquele olhar.

 

Se separaram mas Eren não quis aquilo, o telefone de Levi vibrou no bolso do sobretudo e o garoto o impediu que puxasse o aparelho, se aproximou mais e iniciou um beijo molhado. Levi fez uma sequência de selinhos no pescoço de Eren, que suspirou.

 

— Preciso atender. — disse entre um beijo e outro 

 

Eren bufou emburrado, cruzando os braços e amuando-se na cadeira. 

 

Levi se levantou e tirou o celular do bolso logo o atendendo, se afastou por um momento e no outro voltou dizendo que Hanji perguntava se podiam almoçar, Eren fez um sinal positivo com o dedo polegar ainda chateado.

 

Pegou o notebook da mochila jeans e abriu, apertou no canto da tela clicou em atualizar. Só esperava que fosse rápido.

 

 

[...]

 

Eren colocou as mãos no bolso quando entrou no restaurante, era simples e aconchegante, não haviam tão poucas pessoas mas foi o suficiente para o garoto se sentir incomodado, pelo jeito de se vestir era tipicamente nomeado como um delinquente, tênis desamarrado, calça meio rasgada e blusa com capuz. Contraste com a figura de Levi que era bem mais formal, camisa de botões e aquele sobretudo que não largava, os dois chamaram a atenção no local...mas não tanto quando Hanji gritando e sacudindo o braço para que a vissem no canto da mesa.

 

Se sentaram lá.

 

— Quero batatas fritas. — disse Eren a ninguém em específico 

 

— Precisa de algo mais saudável, essas coisas deixam a saúde péssima com um tempo. — aconselhou Hanji 

 

— Espero que seja uma piada, — disse Levi em seguida — uma fumante dando conselhos de saúde parece cômico para mim.

 

Eren sorriu erguendo as sobrancelhas, fizeram os pedidos e o homem careca sorriu demais para Eren que fechou o rosto.

 

— Não se lembra de mim? — perguntou o atendente, gravata borboleta e bloco nas mãos meio enrugadas

 

Eren arregalou levemente os olhos.

 

— Pixis, o que caralhos faz aqui? Você sumiu. 

 

Dot Poxis sorriu com ruguinhas nos olhos.

 

— Estou trabalhando aqui, larguei o emprego de zelador na Igreja pois ficava muito longe da minha casa. — explicou, Levi o olhou de um jeito estranho e Hanji como sempre percebeu 

 

— Faz pouco tempo que arrumou esse emprego, não é? — perguntou Levi com uma fria gentileza — Costumo almoçar aqui com minha namorada e nunca te vi antes.

 

Eren uniu as sobrancelhas e encarou Levi de esguelha, tentando entender aquela atitude. Ao contrário de Dot Pixis que sorriu coçando o pescoço, meio sem graça.

 

— A-Ah, sim claro...achar uma oportunidade de emprego que não ficasse muito distante da minha casa foi difícil. — explicou e no fim suspirou, voltando a olhar Eren — Poxa...você cresceu tanto, como se chama mesmo o nome daquele...

 

— Jean e não, não sei onde ele está. — respondeu

 

— Bom...que ele esteja bem. — sorriu — Em fim, o que vão pedir?

 

Enquanto ele anotava um silêncio estranho se pendurou, Levi encarava o homem de meia idade em seus mínimos movimentos. 

 

Quando ele saiu, Eren se virou para o homen.

 

— Quem merda foi essa? 

 

— Você me apresentou como sua namorada? — perguntou Hanji — E se Erwin souber disso? 

 

Levi suspirou, meio perdido em si mesmo, enquanto Dot Pixis seguiu rumo a cozinha, o olhar gentil que bordava seu rosto a pouco tempo, se esvaindo...como se nunca tivesse existido.

 

— Não confio nele. — disse simplista — E eu tentei ser o mais civil possível.

 

— Eu conheço aquele velho há anos. — disse Eren tentando entender o que se passava com Levi 

 

— Temos o velho hábito de achar que conhecemos alguém, porque acha que ele arrumou o emprego a tão pouco tempo? E justo aqui? — esfregou a têmpora — Em fim, preciso esfriar a cabeça.

 

— Sim, você precisa. — Eren por baixo da mesa, tocou a mão de Levi que virou o rosto em sua direção, uma troca de olhares se seguiu e Hanji nunca presenciou Levi parecer tão rígido e tão calmo na presença de alguém.

 

— Seus instintos não falham, sei mais do que ninguém...mas...eu não acho que aquele...

 

— Tudo bem, devo estar ficando paranóico. — Levi disse somente para acalmar a amiga, não buscava confusões, mas o pensamento era convicto sobre aquele homem — Tenho psiquiatra a noite, Erwin me ligou e me obrigou a ir.

 

— Que horas você chega? — perguntou Eren 

 

— Dez horas eu acho, deixarei as chaves do quarto com você. — Eren assentiu 

 

O pedido chegou, quem trouxe foi Dot Pixis, Eren se alegrou com o balde de batatas fritas e uma porção de asas de frango assada, Hanji se serviu da macarronada e Levi dos ovos mexidos, bacon e panquecas.

 

— Ketchup? Eu odeio isso! — disse Eren indignado, olhou para Pixis — Traga a mostarda.

 

Dot Pixis sorriu e recolheu o Ketchup, Eren bufou.

 

— Quem é que gosta daquela merda vermelha na comida? — se perguntou 

 

— Eu gosto. — disse Hanji com molho de tomate no canto da boca, Eren fez uma careta e pensou em reclamar daquilo, mas não era o melhor em ter bons costumes, se o fizesse, seria o fumante dando dicas de saúde.

 

Ligeiramente relembrou da visão que teve, quem seria aquele homen? Já tinha morrido? Porque estava se lembrando agora? Será que deveria contar para Levi? O encarou por alguns segundo, o homem cortava as panquecas e parecia alheio a sua confusão mental, no final decidiu não  comentar sobre aquilo, o detetive logo veria o psiquiatra e afirmava estar com “paranóias”, achou melhor não arrumar mais um problema para ele.

 

Pensou também que logo veria Armin, só esperava não ser idiota na frente do loiro, já que o mesmo tinha em mente que só queriam conversar e lembrar dos velhos tempos.

 

— Aquele velho está demorando. — ralhou o garoto impaciente 

 

Depois de um tempo Dot Pixis chegou e disse que precisou buscar no depósito, Eren pegou de suas mãos e disse que daria uma estrela, o que fez o homem sorrir relembrando o gênio forte do garoto.

 

Depois que almoçaram, se despediram, Eren disse que iria em “casa” para pegar o notebook e correr para o Starbucks, Levi disse que não aguentaria morrer de tédio e iria visitar a família de Hanji, a mulher ouviu aquilo com muita alegria.

 

Hanji os deixou na pousada e parou apenas para Eren pegar as coisas, fazia meio frio e Levi o aconselhou a usar um casaco mais grosso, com um revirar de olhos ele obedeceu, Hanji observou aquilo com um olhar analítico.

 

Eren foi deixado em frente ao Starbucks, era eminente que estava meio nervoso.

 

— Hey, pense que será uma conversa normal. — disse Levi, Eren sorriu um pouco, o rosto meio vermelho

 

Observou Hanji partir e levar Levi pela estrada, soltou um suspiro e segurou na alça da bolsa, entrou no lugar e agradeceu por ter posto o moletom, os funcionários não desligavam o ar-condicionado nem quando o tempo ficava frio.

 

Se sentou no fundo, tirou o notebook da bolsa e quando clicou no jogo outra pessoa entrou no estabelecimento, Eren pôs os óculos e enxergou a caricatura baixa e magra do garoto loiro, cabelo com franja que cobria a testa e um caminhado retraído, Eren levantou a mão e rapidamente Armin o viu.

 

— Oi, Eren. Como vai? — disse ele de um jeito meio robótico, um modo estranho de falar que o deixava meio engraçado 

 

— Estou bem. Quem bom que chegou, estava perto de iniciar uma partida de League of Legends. — Armin sorriu, Eren suspirou — Está morando aonde? 

 

— Na verdade estou vivendo em Chester, estou fazendo uma faculdade lá. 

 

— Isso é bom! Em que está se formando? — perguntou

 

— Análise de sistema. — respondeu contendo a empolgação, as bochechas meio vermelhas, era conhecido por se expressar em demasiado 

 

— E o que diabos faz em Liverpool?

 

Armin sorriu amarelo.

 

— Foi muita sorte você me ligar quando eu estava aqui, na verdade estou de férias da faculdade e ainda ajudo o padre com as crianças. — explicou — Houve missões com as crianças, fizemos uma ação coletiva, ficou sabendo?

 

Eren pensou em responder “não” mas seria muito imprudente, até porque era apegado a Mikassa e estava a par de tudo. Ou quase.

 

— Sim, eu soube. Já voltaram, né? — perguntou sem deixar transparecer preocupação 

 

— Ontem, voltamos ontem. O padre não te avisou? Mikassa não parava de perguntar por você. 

 

Eren arregalou os olhos, olhou um ponto fixo e voltou-se para Armin.

 

— Acho que perdi as ligações dele... — Armin assentiu, ponderando o caso — Então, o que ela perguntava? Como ela está? 

 

— Está bem e tem muitas saudades suas. Perguntou quando podia te ver e eu achei que você fosse correndo para lá.

 

— E eu vou. — retrucou  — Então...como andam as coisas lá? Nunca mais fui, continua sendo chato ou muito mais chato.

 

— Você sempre teve um pensando ácido sobre a Igreja, não acho que seja chato, pelo contrário, estamos saindo em algumas missões e tem sido bem divertido. — respondeu animado

 

Eren reviraria os olhos se não estivesse preocupado. Realmente o padre estava esvaziando o local, quando olhou Armin novamente o encontrou pensativo.

 

— Nessa madrugada suspeitamos que houvessem ratos. 

 

Eren uniu as sobrancelhas.

 

— Ratos? 

 

— Uhum. — assentiu — Ouvimos uns ruídos estranhos pelas parades, especialmente...no chão.

 

— No chão? 

 

— Uhum. — assentiu — O padre já vai cuidar disso, aqueles ratos são uma praga mesmo. Em fim, vou pedir um café você quer? 

 

— Não, obrigado. 

 

Armin sorriu sem nenhum motivo e saiu para o balcão, Eren ficou pensativo sobre a fala do loiro que dizia ouvir ratos debaixo do chão. Havia barulho e achava que isso tinha a ver com a súbita paixão por ajudar os pobres que Zackly teve.

 

— Você está morando só? — perguntou Armin trazendo dois copos, Eren ergueu a sobrancelha — Beba, não aguento ver alguém sem comer nada na minha frente.

 

— Isso é resultado das missões? — disse meio irônico, pegando o copo 

 

— Você está morando só? — perguntou, parecendo não ter ouvido a piada 

 

— Sim. — respondeu 

 

— Você não tinha aquele amigo...? Qual era mesmo seu nome? 

 

Eren bufou.

 

— Porque todos que me encontro perguntam por aquele idiota? 

 

Armin deu de ombros, estranhamente bebendo café de canudo.

 

— Vocês andavam juntos, eu era pequeno e ainda me lembro. 

 

— Quantos anos tem agora? 

 

— Completo dezessete em novembro. — respondeu 

 

— Não era tão pequeno assim. 

 

— Mas tinha dislexia, o que dá no mesmo. — retrucou 

 

Por algum motivo do universo, Eren resolveu naquele momento passar o olhar pelo local e encontrou aquele casaco de caça bem no balcão, Jean se virou e ficou incrédulo também, a medida que se aproximava percebeu sua fina barba e seu cabelo um pouco maior.

 

— O que faz aqui? 

 

— Eu que pergunto. — retrucou Eren 

 

Armin ainda encarava aquele rapaz que seria Jean, lembrava vagamente dele pela infância e pouco se assemelhava agora, traços firmes e uma voz mais grossa.

 

— Quem é esse? — perguntou Jean 

 

Armin acenou balançando os dedos.

 

— Sou Armin, sabe? Aquele garoto disléxico.

 

Jean resmungou um “hum” meio esganiçado, cruzou os braços e voltou-se para Eren.

 

— Preciso falar com você, urgente. — Eren conhecia aquele diálogo 

 

— Acho que vou indo. — disse Armin — Foi bom te ver Eren...e...hã, acho que você também Jean. Tchau para vocês. 

 

Eren observou o loiro ir, e Jean pegar o seu braço. Foram para fora do Starbucks, já começava a escurecer, o céu ainda azul, mas azul de um jeito cansado.

 

— O que quer? 

 

— Entra no carro. — foi o que Jean disse 

 

— Eu não vou entrar. — retraiu cruzando os braços 

 

— Não fode, Eren! — Eren se assustou pelo tom, Jean raramente ficava irritado assim, seu maxilar estava trincado e ao mesmo tempo que seus olhos esbanjavam fúria...vinha uma mágoa que Eren conhecia bem — Você passa semanas sem olhar na minha cara, não me manda uma mensagem. E quando tento te ver você me expulsa, por que tem que ser assim? 

 

Eren sentiu uma batida do coração faltar, Jean parecia querer chorar.

 

— Então faz o favor de entrar na merda desse carro e falar comigo, ok? 

 

Jean se virou, abriu a porta e a bateu em seguida, esperava no volante Eren entrar que depois de um tempo, o fez. Não bateu à porta do carro, ficou em silêncio, ouviu o carro roncar e o levar pela estrada.

 

Não disseram uma palavra até chegarem na casa de Jean, estava escura e indicava que não havia ninguém. Saíram do carro e entraram.

 

Jean acendeu a luz e permaneceu ali, olhando fixo para o chão, encostado na parede.

 

— O que quer falar? — perguntou Eren, uma voz baixa e desabituada 

 

Jean se aproximou rápido e segurou o seu ombro, passando a acariciar ali, Eren soltou um suspiro meio abatido. 

 

— Não...não podemos fazer mais isso. — Jean se aproximou e beijou seu pescoço enquanto segurava sua cintura, Eren não se segurou quando Levi enfiou a perna entre suas coxas, roçando sua intimidade 

 

— Você sempre diz isso, porque ainda insiste? 

 

— Você não entende... — Jean encontrou seus lábios e o beijou, enfiando sua língua junto. Eren percebeu que não era aquilo que queria mais, o toque, o beijo, as carícias...não era como Levi. 

 

Empurrou os ombros de Jean e o olhou nos olhos.

 

— Eu estou gostando de outra pessoa. Me desculpe.

 

Jean respirava apenas pela boca, olhou Eren de um jeito que o mesmo não soube explicar. Se estava excitado, surpreso ou magoado por ouvir aquilo...não saberia dizer.

 

Jean se afastou, ficando de costas, passou a mão nos cabelos e apenas não quis acreditar naquilo, se sentou em um divã ali perto e Eren se limitou a sentar em uma poltrona próxima.

 

O cheiro de cigarro o invadiu, Jean acabava de tragar um.

 

— Sabe que eu...

 

— Sim, é por isso que estou fumando. — respondeu ainda sem olhá-lo

 

Jean ficou alguns minutos em silêncio até falar.

 

— Porque não fazemos...uma última vez? 

 

Eren suspirou, olhando as próprias mãos entrelaçadas.

 

— Já perdi as contas do quanto prometemos isso, Jean. — respondeu — Se continuarmos...só irá machucar você, e eu não quero isso.

 

Jean soltou a fumaça de um jeito dramático, deixou que a mesma saísse da boca sem um sopro, a sombra branca queria formar alguma forma inexistente.

 

— É aquele policial, não é?

 

Eren ponderou antes de responder.

 

— Sim.

 

Não mentia para Jean, eram amigos de longa data. Imaginar que a amizade que construíram ia se esvaindo apenas por momentos libidinosos, o machucava também. Gostava muito de Jean, era o tipo de pessoa que um dia chamou de irmão, até se beijarem pela primeira vez quando tinha doze anos. 

 

Jean ainda não o olhava.

 

— Espero que dê errado. 

 

Eren sorriu de um jeito amargo, não quis dizer que já tinha beijado o policial.

 

— Você vai achar alguém que te ame por completo, no momento eu não posso fazer isso e se por acaso tivéssemos algo há mais, eu seria um completo filha da puta com você. — a quietude do local era tanta que sua voz mesmo estando baixa ficava absurdamente alta, podia ouvir o cigarro queimando quando Jean puxava a fumaça 

 

Após um tempo sem dizer nada, Jean soltou um riso.

 

— Se lembra quando acordamos na madrugada e fomos para o terraço? 

 

Eren sorriu e assentiu.

 

— Fala de quando adormecemos no banco vendo a lua? — Jean confirmou — A Madre ficou puta com a gente.

 

— Quando ela não ficava? — retrucou o olhando dessa vez — Você vivia aprontando nas missas, nós dois na verdade.

 

Eren gargalhou.

 

— Se lembra quando tropeçamos e derrubamos a mesa da ceia? 

 

Jean ficou incrédulo.

 

— Caiu vinho no meu olho! No meu olho, ouviu? Fiquei cego por umas seis horas!

 

— Você era meio burro.

 

 — Eu era burro? Você só inventava o que não prestava e o padre descobria na maioria das vezes.

 

— Mais eu era o número um da sala, com licença. 

 

— Eu era o número dois.

 

— Você colava de mim! — protestou e depois ficou pensativo — Se bem que suas técnicas era infalíveis. 

 

Jean se encheu de orgulho e Eren sorriu um pouco, se olharam por um longo tempo, os rostos ternos um para o outro.

 

— Quem quer que for gostar de você, terá muita sorte. — disse Eren 

 

— Digo o mesmo. Então... — Jean se levantou e apagou o cigarro em um cinzeiro, olhou Eren e abriu os braços — um abraço talvez? Um beijo, você que manda.

 

Eren revirou os olhos, se pôs de pé e se aproximou de Jean, se encaixaram como há muito tempo não faziam. Jean acariciou seus cabelos e beijou sua testa, aquela mania que Eren já havia se esquecido, ele sempre recebia isso quando Jean queria protegê-lo.

 

Eren nunca esteve sozinho, e seu repelimento por novas amizades, surgiu por sempre gostar de ter Jean ao seu lado e não visualizar outra pessoa no seu lugar.

 

Eren sentiu seu ombro molhar, Jean tinha o rosto enterrado ali, o apertou forte, querendo chorar também.

 

Quando se afastou limpando o rosto, Eren era estranhamente recebido com um sorriso.

 

— Enfim...foi gay demais para mim. — disse sugando a água do nariz

 

Eren foi deixado no Starbucks por Jean, foram ouvindo The Beatles e alguns pops chiclete, o clima totalmente divergente a quando vieram. Se surpreendeu quando encontrou Levi e Hanji parados em frente o café, esperando por algo, o rosto de Levi foi confuso quando o viu sair do carro de Jean, o mesmo agarrou seu braço.

 

— Não some, imbecil. — disse entre dentes, Eren assentiu e Jean bufou — Fique bem...por favor.

 

Eren sorriu.

 

— Fique bem também.

 

Se despediram, Hanji fumava cigarro e se aproximou, Eren recuou uns bons passos para longe da mulher fumante. Levi estava frio e Eren entendia.

 

— Fui resolver umas coisas, bem...eu falei com Armin. — disse Eren segurando a alça da mochila — Ele disse que as crianças voltaram da missão, e também...que ouviram um barulho subterrâneo na noite.

 

Levi franziu o cenho sem movimentar minimamente o rosto.

 

— Que tipo de barulho?

 

— Ele disse ser ratos. — explicou — Mas não acho que...

 

Uma fisgada, bem no peito.

 

Eren perdeu o fôlego, seu passo de repente ficou fraco e se manter em pé ficou difícil. Seu mundo girou e algo se revirava na sua barriga, como se suas tripas empurrassem algo para fora.

 

— Eren...? O que você...

 

Hanji soltou um arfar quando Eren se curvou e cuspiu no chão, vermelho bordou a calçada e sua visão borrou. Seu corpo  afundava para algum lugar longe dali, a única certeza que tinha foi que agora estava nos braços de Levi, o mesmo...estava aterrorizado.

 

Será que estava morrendo? 

 

Deveria ser isso, se lembrou da primeira vez que Levi o beijou e da primeira vez que o viu, seu coração inconscientemente acelerou após ver o homem pela brecha da porta, seu modo sorrateiro como andava, o sobretudo, as ideias malucas, seu cheiro...Se recordou de tudo.

 

Talvez houvesse dado um sorriso naquele momento, estranhamente estava em paz, estava nos braços de Levi, as coisas pareciam estar resolvidas entre ele e Jean. Lembrou de Mikassa, será que ela ficaria bem?

 

Eu estou mesmo morrendo? 

 

Levi o sacudia mas não conseguia sentir nada, moveu os olhos e Hanji tinha o celular na orelha, mãos trêmulas. Olhou para o detetive de novo, Eren leu os seus lábios, afinal, Levi repetia aquilo mais de uma vez.

 

— Você não pode morrer, Eren.

 

 

 


Notas Finais


O que acharam?

E esse Dot Pixis? O reencontro de Armin e Eren? Ratos? O momento legalzinho e meio doloroso de Eren e Jean?

Esse final....;-;-;-;-; sorry, como já disse antes (frase de muito sucesso desde então) “Nem tudo é um mar de pênis”


Bjs ❤️❤️❤️❤️


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...