História Kill this love - Capítulo 33


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Categorias Blackpink
Personagens Lisa, Personagens Originais, Rosé
Visualizações 13
Palavras 1.815
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 33 - Capítulo 32


    Não tinha como a minha vida estar mais perfeita. 

    Faz dois meses que eu estou namorando oficialmente com a Lisa e tudo tem sido perfeito, ainda mais que coincidiu com a turnê mundial do Blackpink. Resumindo, estamos fora da YG, fora do nosso dormitório e fora da Coréia, o que para nós significava liberdade. Ou seja, eu nunca estive tão feliz desde que entrei na YG. 

    No início, principalmente por causa da nossa falta de experiência, a Lisa nunca namorou e eu só uma vez, mas acho que não contava muito, estava um pouco estranho, mas um estranho bom. Primeiro que houve um estranhamento em como iríamos chamar uma a outra. Nos filmes, e nos meus sonhos idealizadores, namorados e namoradas se chamam de meu amor, meu bem, enfim, apelidos carinhosos, mas eu e a Lisa estávamos acostumadas a chamar uma à outra pelo nome ou apelido. Também, não podíamos nos chamar de amor, porque se acostumássemos com isso, iríamos acabar chamando a outra assim em público. 

    Outro estranhamento, o principal e o que mais afetaria nosso relacionamento no futuro, é a proibição implícita de tocar em certos assuntos que poderiam acabar com nosso namoro. Como por exemplo, o nosso futuro. Pesquisando sobre casais LGBT+, eu descobri que um estereótipo de sapatão é já pensar no casamento, nas quantidades de filhos e os respectivos nomes ainda no primeiro encontro. Eu a Lisa não podíamos nos dar a esse luxo, porque sabíamos que nosso relacionamento, assim como o Blackpink, era finito. Não que uma pessoa já entra em um namoro pensando que ele vai acabar um dia, mas essa pessoa não tem certeza se vai acabar, provavelmente ela pensa que vai se casar e viver felizes para sempre. Eu e a Lisa sabíamos que isso não aconteceria com a gente, por isso, nunca falávamos sobre o futuro. 

    Na verdade, nada importava para mim além daquele momento que eu estava vivendo. Depois que firmamos namoro, não podemos aproveitar direito os benefícios do relacionamento porque estávamos lotadas de trabalho, tínhamos que deixar as gravações das músicas e das danças prontas antes de viajarmos para a Tailândia. Como nesse novo álbum, o merchandise e da Lisa mais a Jennie interpretando a parte mais, digamos, assassina do amor, e eu e a Jisoo, a parte mais amorosa, acabou que trabalhamos mais em separado. Também porque a Lisa estava cheia de trabalho com o grupo de dança da X Academy. 

    Assim que chegamos na Tailândia, no nosso dia de passear pela cidade, a Lisa foi liberada para visitar seus pais e dormir com eles naquela noite enquanto eu e as meninas iríamos às compras. No outro dia, fizemos toda a passagem de som no estágio e, de noite, já apresentamos nosso show, lotado. Apresentar na Tailândia é um dos meus lugares favoritos porque eu sei o quão importante é para a Lisa e o quão emocionada ela fica, mas, naquele dia em especial, eu estava mais preocupada em voltar para o hotel. 

    Seria a primeira noite que eu e a Lisa iríamos passar juntas depois de firmar nosso namoro. Nem no ano novo nós duas pudemos dormir juntas, então eu tinha até comprado uma lingerie especial para aquele momento. Só que, no final do show, tive uma surpresa que eu não esperava.

    Os pais da Lisa vieram ao nosso camarim nos cumprimentar e chamar para jantar na casa deles. Quando eles entraram na sala, eu e a Lisa trocamos um olhar do tipo “e agora? ferrou!”. Não que eu nunca tivesse conhecido os pais dela, ao contrário, eles até gostavam bastante de mim, mas nunca conversei com eles na situação de serem meus sogros. 

    - Rosé, como você está linda! - A mãe da Lisa exclama, me abraçando. Eu retribuo o abraço meio sem jeito. - Vocês sempre estão, na verdade. 

    - Obrigada, senhora Manoban. 

    - Vocês poderiam jantar lá em casa hoje, meu marido preparou uma comida especial. 

    A Lisa olha para mim e imediatamente nega o pedido com uma desculpa esfarrapada do tipo “temos show amanhã, temos que descansar”, mas nada importa. Quando nos damos conta estamos a caminho da casa dos Manoban. A Lisa foi no carro junto com seus pais e a Jennie, por questões de segurança preferi ir em, outro com a Jisoo e algumas outras pessoas da equipe. 

    Chegando lá, foi um típico momento de descontração. Todos estavam comendo e bebendo, no nosso caso nada com álcool, mas eu e a Lisa estávamos nervosas e suando, eu menos. Eu estava mais ansiosa, só que a Lisa realmente estava nervosa, aliás, ela estava levando a namorada para sua casa, jantar com sua família. Parecia muito que estávamos sendo testadas. 

    - ...eu tenho muito orgulho de vocês. Lembro quando a Lisa era bem pequena e pediu para entrar no grupo de dança. 

    Achei muito irônico a mãe da Lisa comentar isso, pelo que sei, eles foram totalmente contra a Lisa ir para a YG tentar viver como idol. Entretanto, eu estava concentrada demais na minha comida, deliciosa por sinal já que o pai da Lisa é cozinheiro profissional, para prestar muita atenção. Isso até nosso manager soltar o comentário que todo casal lésbico ouve antes de sair do armário:

    -...elas realmente cultivaram uma amizade muito grande, especialmente a Lisa e a Rosé. 

    - Sim, Rosé, sempre te achei uma ótima influência para a minha filha. 

    Eu engasguei com aqueles comentários a ponto da Jennie, sentada ao meu lado, me oferecer um copo d’água. Olhei para a Lisa e ela havia engolido em seco, estava vermelha de vergonha. 

    - Terminei de comer, vou levar os pratos de vocês para a cozinha e trazer a sobremesa. - Lisa diz, recolhendo os pratos vazios ou com resto de comida. Achei um desperdício quem deixou um pouco, eu poderia comer outro prato cheio. 

    - Eu te ajudo. - Ofereço minha ajuda e vou com a Lisa para a cozinha. Fiquei imaginando se eu fosse um homem e namorado da Lisa, a minha sogra estaria falando bem de mim na mesa, como eu era um menino educado que ajuda nas tarefas domésticas. 

    Não falamos nada uma com a outra, apenas nos olhamos e demos uma risada disfarçada. Por mais que estivéssemos tensas, era engraçado os pais da Lisa e mais todo mundo achar que só éramos amigas. Estávamos nos achando as ninjas por conseguir esconder das pessoas nossa relação. 

    Voltamos para a mesa com a sobremesa e eu ajudei a Lisa a servir. Depois do fim do jantar, a Lisa me convidou mais as meninas para irmos conhecer seu quarto. Eu esperava algo totalmente diferente do meu quarto antigo, cores neutras e escuras, pôsteres de idols femininas, não sei, algo mais masculino, mas isso era apenas um preconceito que eu ainda mantinha, mesmo conhecendo a Lisa. Seu quarto também era lotado de bichinhos de pelúcia e bonecas, as cores da sua roupa de cama também eram as consideradas femininas, rosa e amarelo. Ela nos apresentou algumas coisas do quarto, ficando sem graça com a intimidade, e, mesmo com a Jennie e a Jisoo também no recinto, rolou um clima super fofo entre nós.

    Não sei explicar, mas conhecer o quarto da Lisa, as coisas da infância da Lisa, me tornou automaticamente muito mais próxima dela. As pessoas acham que o sexo é o auge da intimidade, mas não é verdade, aquilo sim, conhecer aquele espaço em que a Lisa nasceu, isso sim foi íntimo. Enquanto as outras meninas remexiam no restante das coisas, a Lisa veio para o meu lado e falou baixinho só para eu ouvir. 

    - Eu nunca imaginei voltar aqui namorando uma garota. Muito menos uma tão bonita quanto você. 

    A minha vontade real era beijá-la, mas apenas peguei sua mão atrás das minhas costas e apoiei minha cabeça em seu ombro, o que já era íntimo demais. Quando a Jisoo se virou para perguntar sobre um boneco, no impulso eu consertei minha postura e virei de costas fingindo ver um pôster para ela não notar a vermelhidão das minhas bochechas. 

    Quando estava perto da hora de voltarmos para o hotel, já estávamos todos reunidos na sala, mas a Lisa quis voltar ao seu quarto para despedir. Eu sentia que ela estava um pouco estranha, meio triste, mas não sabia o que fazer. Quando ela fechou a porta, por mais que parecesse estranho, eu fui atrás dela no quarto. Aliás, o que as pessoas iriam pensar? Que estávamos transando?

    - Oi, Lisa. Posso entrar? - Como ela não diz nada, nem olha para a minha cara direito, eu entro e fecho a porta, trancando-a com a cadeira. - O que você tem?

    - Nada. - Me sento ao seu lado na cama e pego nas suas mãos que estavam segurando um bichinho de pelúcia. Ela me olha e não preciso dizer nada para saber que pode confiar em mim. - Não sei, Chaeng. Eu fico pensando se um dia meus pais iriam me aceitar, sabe? Como eles reagiriam se soubessem de nós duas. 

    A Lisa já havia me contado a sua história. Seus pais se separaram antes dela ir para a YG e seu padrasto nunca foi muito bom com ela. Seu pai biológico também nunca se importou com a Lisa, ela nunca teve contato com ele depois que saiu da Tailândia. Ela já sofreu muito bullying por ter uma personalidade mais masculina e sua mãe também nunca gostou disso. Por ser filha única, a Lisa era um pouco sozinha e não tinha com quem confessar seus segredos ou ao menos conversar, ao contrário de mim que sempre tive minha irmã. 

Conhecendo toda sua história, eu tenho certeza que seus pais, assim como a maioria, não aceitaria a sexualidade da Lisa e provavelmente iriam querer ela longe do Blackpink. Entretanto, eu me comovi com ela pensando na reação dos pais. Eu, ao contrário, me preocupava antes com a reação dos nossos fãs, do mundo. Isso que viver em prol do trabalho faz com você.

Eu não sabia o que falar e às vezes não tem nada mesmo, então apenas abracei a Lisa. 

- É engraçado que, anos atrás, eu sonhava tantas coisas nesse quarto, mas nenhuma delas chegou aos pés do que estamos vivendo agora. 

- Eu não te julgo. Sonhava em me casar com outro idol e viver uma vida de princesa ao lado do meu príncipe, igual nos contos de fada. 

- Quer dizer que eu não sou seu príncipe?

- Se você fosse um príncipe, não estaríamos juntas. 

Nós duas rimos baixo para o pessoal na sala não ouvir. A Lisa olha para porta e depois se vira para me beijar. 

    - Eu te amo muito, Chaeyoung. - Lisa diz, acariciando minha bochecha. - Queria que todo mundo soubesse disso. 

    Não me preocupei com o que ela disse depois do meu nome, estava mais concentrada no que aconteceria agora. Eu deveria ter prestado mais atenção.

 



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