História Kill this love - Capítulo 40


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Categorias Blackpink
Personagens Lisa, Personagens Originais, Rosé
Visualizações 18
Palavras 2.802
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: LGBT, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Yuri (Lésbica)
Avisos: Homossexualidade, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 40 - Capítulo 40


    Se tem uma verdade universal é que as coisas nunca podem estar perfeitamente bem em todos os aspectos. Como minha vida amorosa estava perfeita, a vida profissional tinha que ficar ruim.

    A YG estava por sua pior crise. Com os boatos, confirmados depois, do envolvimento do SeungRi com venda de mulheres para prostituição e a suposta participação de outros idols e pessoal da YG nesse meio fez com que as ações despencassem. Estávamos na Espanha ainda para o nosso último show na Europa quando recebemos a notícia que o YG, o CEO da empresa, nosso chefe supremo, havia abdicado do cargo. 

    Quando terminou a turnê pela Europa e voltamos para a Coréia percebemos o tamanho do estrago e o medo tomou conta da gente. Muitos trainees haviam saído da YG também, pessoas foram demitidas e tivemos uma reunião de emergência com nossa equipe no qual fomos atualizadas de tudo e, mais ainda, doutrinadas a não cometer nenhuma gafe durante esse período porque, de acordo com nosso manager, somos o pilar que sustenta a YG agora. 

    Saímos da reunião e voltamos direto para o dormitório. Eu nem estava andando junto com as meninas, estava mais atrás, pensando em como aquilo poderia afetar meu solo. De todas do Blackpink, sempre houve menos investimento em mim e com a crise imagino que haveria menos ainda. 

    - Eu não acredito que ele disse que nós temos que agradecer a YG por estarmos mantendo ela viva. - A Lisa diz, com tanta raiva que parecia mais que estava cuspindo fogo. - Se eu pudesse também sairia dessa merda de empresa. 

    - Mas não pode. - Jennie rebate, ríspida. - Acho melhor a gente permanecer calma e cuidar da nossa imagem mais ainda. 

    Eu odiava ter que concordar com a Jennie. Nós carregamos o nome da YG, o que significa, tudo o que eles fazem nos afeta e vice versa. Agora, temos nossa imagem ligadas a homens que cometiam cafetinagem. E, por incrível que pareça, na Coréia, isso era melhor do que ter nossa imagem ligada à causa LGBT.

    - Não acredito que a gente faz qualquer coisa e eles nos xingam mas deixaram todo esse negócio do SeungRi rolando. Minha vontade é pegar aquele contrato nosso e rasgar, depois tacar fogo na empresa. 

    - Lisa a gente te entende, mas você está muito nervosa. - Jisoo tenta acalmar os ânimos na sala. A Lisa com raiva e a Jennie com medo não era uma boa combinação. - Além do mais, eles provavelmente não só sabiam disso como participavam. 

    Pior ainda era concordar com a Jisoo. O pessoal da nossa empresa era muito machista e nós mesmo já passamos por situações que podem ser consideradas abusos e ninguém fazia nada. Houve uma vez que eu estava tirando fotos promocionais e o diretor começou a achar que estava me elogiando, mas na verdade estava me deixando constrangida, ele até chegou a passar a mão em mim quando veio me mostrar a posição que queria para a foto. A Lisa estava nos bastidores e ela viu tudo, mas não pôde fazer nada, além de compartilhar olhares de raiva comigo. Fomos ensinadas a aceitar em silêncio e isso já estava me deixando com raiva, à Lisa também.

    - Talvez até aquelas meninas queriam sim. Não sei, só temos que cuidar da nossa vida e não acabar nos sites de fofoca. 

    Quando a Jennie soltou aquele comentário, a Lisa ficou uma fera e as duas começaram a discutir em tom alto.

    - Jennie, podia ser você, qualquer uma de nós naquela situação.

    - Eu cuido para isso não acontecer, Lisa. Você é mais nova e não entende essas coisas.

    E os insultos começam. As duas ficam trocando farpas e a Jisoo me olha meio perdida, mas eu também não estava totalmente disposta a separar a briga, ainda mais depois de ouvir a Jennie xingar minha namorada. 

    - ...você não percebe quando é demais, Lisa? É melhor para de preocupar em fazer militância e cuidar da sua própria vida. As pessoas ficam por aí dizendo que você é sapatão, mas você também não colabora. Fica com todo esse chamego mais a Chaeng e…

    - O que tem, Jennie? E se a Lisa for sapatão? O que tem haver eles pensarem isso dela? - Pergunto, me levantando e ficando entre a Lisa, agora um pouco humilhada, e a Jennie. 

    - Olha o escândalo que a YG está passando. Não vamos dar palco para outro. Vocês tem que tomar mais cuidado de não ficarem parecendo um casal. Qualquer um pensaria que são namoradas e isso não seria bom. 

    Vejo de relance a Jisoo fazer algum gesto atrás da Jennie como se dissesse para eu deixar pra lá, mas olho para a Lisa, agora do meu lado, e sua expressão de tristeza é o suficiente para me fazer levar a briga adiante. 

    - Quer saber? Se eu quiser ficar abraçada com a Lisa em público eu fico e estou cagando pra o que vão dizer. Se eu quiser brincar com ela, se eu quiser beijar ela eu faço e fodas a YG. 

    A Jennie não presta atenção na minha fala, tirando a parte do fodas a YG, então ela não percebeu nenhuma referência ou não estranhou nada. Talvez mais pelo calor do momento. 

    - Claro, sou a única que importa com o Blackpink. Isso é meu sonho e eu vou lutar pra manter ele vivo, ninguém tira isso de mim, entendeu?

    Apesar da ameaça da Jennie, ela está chorando e eu fico com dó. Dó e raiva, porque eu sei o quão importante o Blackpink é para todas nós, o quanto lutamos e treinamos para chegar até aqui, mas raiva por ela não reconhecer ou nem saber dos esforços que faço por esse grupo, de como não briguei com a Lisa por isso, do medo que tenho toda vez que estou feliz ao lado da Lisa. 

    Fico balançando minha cabeça negativamente por um tempo, pensando em algo para dizer, mas as lágrimas chegam junto com o choro entalado na garganta, então apenas vou para meu quarto e bato a porta com toda a força que consigo. Sei que elas continuam discutindo por um tempo, mas cubro meu rosto com o travesseiro, não fazendo esforço nenhum para ouvir. 

    Quando estou pronta para dormir, ouço uma batida na porta e a Lisa põe a cabeça para dentro, pedindo autorização para entrar. Eu nego, precisava ficar sozinha naquele momento e qualquer coisa poderia me irritar, não queria ficar irritada com a Lisa também. Mesmo assim, mais tarde, ouço mais uma batida na minha porta e a Lisa entra, agora já pronta para dormir. Ela não fala nada, apenas me dá um beijo no rosto e se deita ao meu lado. Minha namorada é muito fofa, eu sei.

   

    Acordei no outro dia antes da Lisa e fui para seu quarto me arrumar, evitando acordá-la também tão cedo. Eu não queria encontrar com as meninas para tomar café da manhã, principalmente com a Jennie, então desci mais cedo. 

    Enquanto eu estava no refeitório, recebi várias mensagens da Jisoo perguntando onde eu estava, que precisava falar comigo, então respondi honestamente, mas saí do refeitório antes delas chegarem. Aproveitei meu momento na academia e na aula de pilates para refletir um pouco e me acalmar. No outro dia eu iria viajar para a Austrália, antes das meninas, assim eu poderia aproveitar mais a visita à minha cidade natal, então eu só precisava me esconder por mais um dia e foi isso que eu fiz. 

    Voltei para o dormitório quando eu tive certeza que ninguém estaria lá e comecei a arrumar minhas malas, praticamente já prontas por causa da nossa recente viagem pela europa. Eu estava muito ansiosa para voltar à Austrália, rever minha família e meus amigos, mas todo o problema com a YG e minha discussão com a Jennie me desanimaram um pouco. 

    Batidas na porta. Olho para o relógio e já é de noite. A Jisoo entra no meu quarto, antes conferindo se não havia mais ninguém lá dentro.

    - A Lisa não está aqui, Jisoo. 

    - É sempre bom conferir, não estou preparada para ver certas coisas. - A Jisoo tenta tirar um sorriso do meu rosto, mas não consegue. Mesmo assim, me acalma saber que ela sempre vai tentar resolver as coisas. - Você está chateada com a Jennie, não é?

    - Não estou chateada com ela, juro. Eu entendo a Jennie, entendo seu medo do Blackpink acabar, entendo tudo o que deve estar passando pela cabeça dela, mas acho injusto. Ela é muito injusta comigo. - Começo a chorar um pouco. - E imagina se ela soubesse de mim e da Lisa? Olha como ela reagiu só com os boatos, imagina se soubesse da verdade.

    - Chaeng, você tem que entender que as coisas também não são fáceis para a Jennie, ela se esforça muito, talvez mais que a gente. Eu sei que a gente não fica falando disso, mas a Jennie sempre luta contra suas doenças para dar uma melhor performance,  ela teve que terminar um namoro por conta da YG e ainda sofre muito com o julgamento dos fãs. Com certeza ela não estava certa em falar nada daquilo, mas com certeza não falou por maldade. Estamos todas cansadas. 

    Eu já sabia daquilo que a Jisoo me disse, mas ouvir ela falar foi totalmente diferente. Parecia que ela estava carregando a dor da Jennie, provavelmente a própria Jennie deve ter chorado isso para ela, contado suas mágoas e agora a Jisoo está tentando me fazer entender. Mas uma coisa eu nunca conseguiria perdoar: a homofobia da Jennie.

    - Eu entendo, mas você viu como ela falou com a Lisa? Mesmo sabendo que a Lisa é lésbica? 

    - Chaeng, nós sabemos que ela não está errada, mesmo tendo sido grossa. Vocês tem que se esconder e sabem disso, não adianta ficar fingindo que vivemos num mundo colorido e lindo. 

    A fala da Jisoo parece um soco no estômago. Depois de ter confessado para ela e de ter ficado longe da Coréia, tudo parecia ter se resolvido, mas só estávamos longe do problema e sempre temos que retornar para ele. 

    - Eu sei. - Respondo cabisbaixa. 

    - E eu falei com a Lisa. - A Jisoo tenta me contar do jeito mais cauteloso possível. - Ela também acha melhor a Jennie não ficar sabendo de nada por enquanto, pelo menos nessa fase. 

    Não acreditei que a Lisa realmente abriu mão de seu princípio de contar para as meninas por medo da Jennie, mas também não seria eu quem insistiria nessa história. Apenas confirmo com a cabeça e continuo arrumando minhas coisas. 

   

    Acabou que como sempre, nós todas voltamos a nos falar normalmente. No dia da minha viagem para a Austrália, me despedi de todas as meninas, até da Jennie e o clima entre nós ainda estava estranho, mas eu esqueci, pelo menos por enquanto, de todos esses problemas. 

    Voltar a sua casa, a sua terra natal, é algo muito emocionante. A empresa me deixou ir mais cedo para a Austrália, assim eu tive tempo de dar uma volta na minha cidade natal, até visitei minha antiga escola, e ainda pude encontrar minha família. Eles fizeram uma festa quando me receberam, reuniram todo mundo, atualizei minha irmã dos babados, mas meu pai não parecia estar muito feliz com minha carreira. Passou o almoço inteiro perguntando quando sairia meu solo, que eu precisava me destacar mais, mas nem eu sabia responder essas coisas. 

    Depois da minha calorosa recepção, fui para minha antiga casa com meus pais descansar um pouco. Mesmo quando eu estava com minha família, sempre havia um membro da equipe, pelo menos da de segurança, me perseguindo. Só que no meu quarto eu tinha a privacidade de que eu precisava.

    - Mana, posso entrar? - Confirmo com a cabeça e minha irmã entra, se sentando ao meu lado na cama. - Você estava um pouco desanimada hoje. Está tudo bem?

    Eu não digo nada, apenas a abraço e começo a chorar. Sempre quando sonhamos com algo tão grande, igual eu sonhei com ser cantora, nunca imaginamos todos os males que vem junto com a possível realização do sonho. Eu sentia falta da minha família, sentia falta de poder andar pelas ruas sozinha, sentia falta de me preocupar com coisas bobas…

    Depois de um tempo, quando já estou mais calma, minha irmã me solta e pega um embrulho embaixo da minha cama. 

    - Como eu sei o quanto você trabalha, imagino que não deve ter tempo e nem pode mesmo arranjar um namorado. - Ela me entrega o presente rindo. - Então pensei em algo que pudesse preencher esse vazio por um tempo. 

    Abro a caixa de papelão e fecho imediatamente após ver o que tinha no interior, vermelha de vergonha. Minha irmã fica rindo por um bom tempo do meu susto. 

    - Meu deus, não acredito que você comprou isso. Como acha que vou levar um desses para Coréia? - Pergunto, ainda vermelha por causa do presente. 

    - Sei lá. - Ela dá uma pausa na risada e tenta voltar a falar sério. - As coisas não estão fáceis, não é, Roseanne?

    - Nunca estiveram. 

    Fico conversando mais um tempo com minha irmã sobre diversos assuntos, incluindo minha discussão com a Jennie. Eu adorava falar com ela, ouvir a opinião da minha irmã mais velha, e enquanto ela me atualizava sobre seu noivado eu ficava pensando se poderia falar da Lisa para ela. 

    - Vou deixar você dormir agora, irmã. Até amanhã. E vê se usa meu presente. 

    - Sai daqui. - Digo jogando um travesseiro na direção dela. - Boa noite.

Durante todos os dias que fiquei sozinha na Austrália em nenhum deles consegui falar com a minha irmã sobre minha sexualidade e a Lisa, então também desisti de contar. Só no dia do show que as meninas chegaram na Austrália. Eu também tive que me mudar para o hotel para a logística ficar mais fácil. 

Como eu já disse, não rolou nenhum estranhamento entre a Jennie e eu porque somos como irmãs que brigam de vez enquanto e a raiva passa com o tempo, um tempo curto. Entretanto, entre a Lisa e eu havia sim um clima estranho, como se precisássemos conversar sobre algo, mesmo assim agimos totalmente normal. 

Eu sempre falo que o show é maravilhoso, mas dessa vez foi muito especial porque eu nunca tinha tocado no meu país natal. Confesso que pela primeira vez me senti a mais amada das meninas, normalmente a gente não fazia comparações, mas dessa vez foi mais forte que eu. 

Depois do fim do show, voltamos para o hotel porque toda a equipe estava exausta da viagem. Eu e a Lisa, como sempre, estávamos dividindo o quarto, então eu já estava na expectativa de uma noite para matar saudades. 

- É estranho porque a gente vive juntas, trabalha juntas, fica vinte quatro horas juntas e quando ficamos alguns dias longe parece uma eternidade. - A Lisa diz, ficando com um pouco de vergonha. Era fofo que mesmo depois de termos tanta intimidade, ainda temos aquele receio de falar algumas coisas. - Acho que nunca vou enjoar de você.

    Vou até ela e lhe dou um beijo. No início ela tenta relutar um pouco, talvez ainda não estivesse na vibe depois do que a Jennie disse, mas logo fiz ela entrar no clima. 

    - Eu estava morrendo de saudades de você, Lisa. 

    Digo, voltando a beijar a Lisa. Estamos um pouco desengonçadas, não sei se por causa da nossa pressa ou porque estávamos meio que conversando enquanto uma tirava a roupa da outra. 

    - Fiquei com medo de você querer terminar depois da discussão com a Jennie. 

    A Lisa tira minha blusa e beija minha clavícula, descendo até minha barriga, ficando de joelhos e abrindo o zíper do meu jeans. 

    - Lisa, eu nunca vou querer terminar. - Puxo ela para cima, assim podendo falar em seu ouvido. - Estou viciada demais em você.

    Ela me permite tirar sua blusa e volta a me beijar, agora me puxando muito mais para perto. Nossos corpos estão tão grudados que juro poder sentir seus batimentos cardíacos.

    - Lisa, seu celular está tocando. - Digo, mas a frase sai mais como um gemido. 

    - Você tem certeza que quer que eu atenda agora?

    É quase injusto ela perguntar aquilo exatamente quando desce sua mão pela minha bunda e, por trás, chega na região mais sensível do meu corpo. 

    - Pode ser urgente. 

    - Nada é mais urgente que isso. 

    Voltamos a nos beijar e no mesmo minuto a porta do nosso quarto abre. A Jennie entra falando algo que eu não entendi, tudo o que eu pensava era porque a Lisa não trancou a porta. Por que eu não tranquei a porta? 



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