1. Spirit Fanfics >
  2. Killer City -Klance >
  3. I'm not afraid

História Killer City -Klance - Capítulo 6


Escrita por:


Capítulo 6 - I'm not afraid


Fanfic / Fanfiction Killer City -Klance - Capítulo 6 - I'm not afraid

Keith 


Acordei em uma cama que não era minha, em um quarto que não era o meu, sem minha máscara, sem camiseta e com uma memória bizarra da noite passada. 


Logo após o beijo, ouvimos batidas na porta do quarto. Eu ainda estava desnorteado com o que havia acabado de acontecer, então, só observei Lance se afastar e abrir a porta, totalmente imóvel perto da janela, enquanto pegava a máscara do chão e a colocava novamente no meu rosto. Era Allura. 

-Ele acordou. -ela falou e depois se afastou. 

-Melhor irmos conferir. -Lance disse, me tirando do transe. 

Apenas assenti, nervoso, e saí com ele do quarto indo na direção da sala. O rapaz estava sentado no sofá, abraçando a mochila que estava junto com ele. Allura chegou da cozinha com um copo d'água e o entregou para ele, que aceitou de bom grado. 

-O que aconteceu? -ele perguntou. 

-Bom, ela tropeçou na ponte e caiu em cima de você. -Lance explica, apontando para Allura. 

-Ah, desculpe por isso. -ela falou. 

-Tudo bem. -o rapaz respondeu. -Meu nome é Takashi Shirogane. Mas, podem me chamar de Shiro. E vocês, quem são? 

Nos entre olhamos, decidindo se realmente devíamos contar os nossos nomes. Eu sou o primeiro a tomar uma atitude. 

-Meu nome é Keith Kogane. -falei, me levantando e apertando a mão dele. 

-Eu sou o Lance. Lance McLain. -Lance diz, imitando o meu comportamento. 

-Eu sou a Allura. Allura Althea. -ela fala com um sorriso, mas sem se aproximar. 

-Bom, obrigado por me ajudarem. Acho que agora eu tenho que ir. Não quero abusar da generosidade. -ele diz enquanto se levanta.

-Você não tem para onde ir, não é? -Lance pergunta com um tom indiferente e expressão neutra. Shiro não respondeu, e nem precisava. -Hmm...

-Como você...-ele começou, mas foi interrompido. 

-Palpite. -Lance dá de ombros. -Pode ficar aqui na minha casa. Tem outro quarto sobrando. 

-O quê? Não, não precisa. 

-Você vai ficar aqui. Não tem problema, sério. 

Então, os três começaram a falar ao mesmo tempo. Shiro tentando argumentar para ir embora e Lance e Allura tentando convencê-lo a ficar. No meio dessa confusão, meus sentidos se arrepiaram. Ouvi passos na terra lá fora, que eram totalmente inaudíveis para o resto das pessoas, mas que eram altos e claros para mim. A cicatriz por baixo da minha máscara começou a arder, e isso significava que algo ruim aconteceria. 

-Gente. -chamei não tão alto, apenas o suficiente para eles ouvirem. Eles voltam a atenção para mim e eu levanto o dedo em frente ao rosto, em sinal de silêncio. Eles olham para os lados. Eu comecei a ouvir mais coisas. Vozes. Falas. 

"É o The Killer." -disse uma 

"Tem certeza?" -perguntou a outra. 

"Eu não erro." -o outro diz novamente. Ouvi um deles engatilhar a arma. Só eu estava ouvindo aquilo. Apenas eu consigo ouvir aquilo. 

-Para o chão! -eu falei, e puxei Lance para o chão, assim como Allura puxou Shiro. Os tiros passaram por cima de nós, quebrando algumas coisas. Allura puxou Shiro para a cozinha e eu e Lance nos esgueiramos para trás dos sofás. Dois caras armados arrombaram a porta. Eu saquei a minha faca e pulei de trás do sofá, indo na direção de um deles. Ele antecipou os meus movimentos, segurou o meu pulso antes que eu o acertasse com a faca, me deu um chute na barriga e uma cotovelada nas minhas costas, me derrubando no chão e ficando com pé pressionado nas minhas costas. 

Lance saiu de trás do sofá com uma arma em mãos, apontada para o cara que estava me prendendo. 

-Oi, Eyeless. -o homem disse casualmente. 

-Dá o fora daqui, James. -Lance ordena com um tom de voz ríspido. 

-Você realmente acha que vamos deixar você ficar com o prêmio só para você? Fizemos um trato. Tínhamos um plano. -fala o outro. 

-Tínhamos é o escambau. Eu não concordei em nada, Kinkade. 

-Quem cala consente. Mas, vou ser generoso. -o tal James falou. -Se você nos ajudar agora e vier conosco, poupamos a vida dos outros dois que estão escondidos na casa, e te perdoamos. 

-Vou falar de novo, James. Vá embora. -Lance relaxa os ombros e engatilha a arma. -Você sabe que eu não erro. 

-Sei. -James encosta a ponta da arma no meu pescoço. -Mas, de qualquer jeito, terei tempo de puxar o gatilho. Se eu morrer, ele vai comigo. 

Lance fica aflito. Percebo que a mão dele vacila por um instante ao tremer. 

-O que vai ser, Eyeless? -Kinkade pergunta. 

Segundos angustiantes se passaram, até Lance dar um sorriso sarcástico. 

-É uma graça você achar que eu confie em você. -Lance diz irônico. Ele aponta a arma para a própria cabeça com um sorriso sombrio. Eu fiquei desesperado. Não queria presenciar um suicídio. Não de novo. 

-Nossa, que desperdício. -diz Kinkade. 

Lance aperta o gatilho e eu fecho os olhos. Mas abro novamente ao notar que não houve barulho de tiro. Lance ainda estava com aquele sorriso. 

-Há! Esqueceu as balas? -James pergunta enquanto ri. 

-Sempre sei onde estão as minhas balas. -Lance afirma. 

Houve um tiro e a arma de James caiu ao lado da minha cabeça e o corpo dele sobre o meu. Kinkade ficou confuso e, em pouco tempo, Shiro entrou em ação, pegando a arma da mão do cara e acertando a cabeça dele com o objeto, fazendo-o ficar inconsciente. Allura estava na porta da casa com uma arma na mão. 

-A Allura me contou tudo. -Shiro afirmou. -Quero entrar para o grupo de vocês. 

-Oi? -eu falei surpreso. -Assim, do nada? Sem mais nem menos? 

-Olha, eu também não fiz coisas lá tão boas na minha vida. Quando ela mencionou a parte do "assassinos", eu quase saí correndo para a delegacia, admito. -ele ergue as mãos em sinal de rendição. -Mas, depois de ouvir o resto, eu entendi o lado de vocês. E eu também quero me juntar. 

-Olha, esse dia deu lucro. -Lance falou. 

-Alguém tira esse cara de cima de mim? -peço. 

Lance chuta o corpo como se não fosse nada e me ajuda a levantar. Meu casaco e minha camisa são pretos, mas estão manchados. 

-O que fazemos com eles? -Allura pergunta. 

-Eu me livro do difunto. -diz Shiro, pegando um dos pés do cadáver e o arrastando para fora da casa. -Você tem uma pá, Lance? 

-Sim, no quintal. -o cubano responde. 

-Ok, já volto. -e Shiro sai da casa arrastando o corpo. 

-Eu levo esse aqui para o porão. -Lance fala, colocando Kinkade sobre os ombros. -Me espera no quarto, Keith. 

-Ok. -eu digo, e vou para o quarto. 

Ao entrar, vou na direção da janela e vejo Shiro com o corpo sobre um dos ombros e com uma pá em uma das mãos, entrando na floresta. Dou um suspiro e fecho as cortinas. Batidas na porta chamam minha atenção. 

-Pode entrar. -respondo e Allura abre a porta. 

-Keith, eu achei a lavanderia e estava pensando se você não queria lavar seu casaco e sua camisa. Estão cheios de sangue. -ela fala. 

-É uma boa idéia. -digo, tirando o meu casaco e a camiseta, entregando-os para ela. 

-Boa noite, Keith. -ela diz. 

-Boa noite, Lura. -digo. Ela sorri antes de sair. Acho que ela gostou do apelido. 

Me jogo na cama, apreciando a maciez do colchão e fechando os olhos. Depois de alguns minutos, ouvi a porta abrir e fechar.

-Cansado? -Lance pergunta. 

-Um pouco. Mas essa não foi a minha pior luta, nem de longe. -respondo, ainda com os olhos fechados. 

Sinto outro peso na cama junto comigo e uma mão subindo suavemente pela minha perna. Abro os olhos e Lance está ao meu lado, me encarando. A mão dele sobe para o meu rosto, passa pela minha orelha e retira novamente a minha máscara. O polegar dele passa por cima da minha cicatriz e eu aprecio o toque. 

-Vamos fazer um trato? -ele pergunta.

-O quê? -pergunto. 

-Na rua, ou perto de outras pessoas, não importa. Mas, sempre que estivermos sozinhos, não quero te ver de máscara. Combinado? 

Apenas assenti. Ele me puxou para perto, eu me aconcheguei em seu corpo, e ele passou uma das mãos pela minha cintura. Sentir o perfume dele me tranquilizou o suficiente para que eu fechasse os olhos de vez, e encerrasse aquele dia incrivelmente bizarro de um jeito bom. 



Encaro a máscara em cima da cômoda por alguns segundos. Levanto da cama, vou até o armário e pego um dos casacos de Lance. A essa altura do campeonato, ele não vai se incomodar. 

Saio do quarto e, de cara, já sou envolvido por um cheiro incrivelmente bom de comida.

Ao passar pela sala, vejo Shiro abaixado perto da porta, aparentemente, concertando a fechadura que foi arrombada na noite anterior. Quando ele me vê, dá um sorriso. 

-Bom dia, Keith. -ele cumprimenta. Dou um aceno e um sorriso tímido. Sigo para a cozinha e encontro Lance de frente para o fogão, cozinhando alguma coisa. Ele se vira para pegar algo no balcão e me vê. 

-Bom dia! -diz animado. 

-Bom dia, Lance. O que você está fazendo? -pergunto enquanto me sento no balcão. 

-Uma das minhas armas de conquista e sedução. -ele diz sorrindo e dando uma piscadela. 

-Como é? 

-Eu te falei que iria te conquistar e te seduzir de manhã, de tarde e de noite até você dizer sim. 

-Dizer sim para o quê, exatamente?

-Para o meu pedido de namoro. 

-Como é que é? Lance, você realmente me pediu em namoro? 

-Claro. 

-Por quê? 

-Sempre achei que tivemos uma ligação especial. 

-Lance, nós nos conhecemos antes de ontem. 

-Foi uma ligação instantânea! 

-Ligação de quem? -Allura perguntou, entrando na cozinha junto com Shiro. 

-A ligação que existe entre nós. -Lance respondeu, apontando para mim e para ele. 

-Oh, estão namorando? -Shiro perguntou. 

-Eu pedi ele em namoro ontem. 

-E ele aceitou? -Allura perguntou. 

-Não! -me apressei em responder. 

-Ainda. -Lance completou. 

Shiro e Allura se sentaram ao meu lado e a platinada pegou um dos copos que estava no balcão. 

-Shiro, o que você fez com o corpo do James? -Allura perguntou. 

-Enterrei em um canto do cemitério. Sete palmos abaixo da terra. -ele respondeu. -Assim, realmente, não vão achá-lo. Pelo menos, não tão cedo. 

-Hmm...inteligente. -ela falou. 

Lance colocou um prato com panquecas e caldo quente na frente de cada um de nós. E estava uma delícia. 

Naquela hora, com todos conversando e fazendo brincadeiras e piadas, me senti em paz pela primeira vez. Eles estavam conversando animadamente comigo. Não falaram nada sobre a minha cicatriz. Parecia que ela não existia. Eu posso ficar sem a minha máscara com eles. E não estou falando da máscara preta que esconde o meu "sorriso eterno". Estou falando da máscara de personalidade que cada pessoa usa. Aquela que você põe todos os dias ao acordar, que te obriga a sorrir o tempo todo e ser legal com todo mundo. Aquela que rasga o seu rosto em um sorriso falso, que queima a sua garganta com uma risada forçada e embaça a sua visão com lágrimas que não podem ser derrubadas na frente das outras pessoas. É a máscara mais difícil de se usar. 



Depois do almoço, estamos descendo as escadas para o porão. 

Kinkade está amarrado em uma cadeira, com a ferida na testa feita pelo golpe de Shiro. Ao nos ver, ele dá um sorriso irônico. 

-Você só pode estar de sacanagem. -ele diz. -Sério que você trocou o James e eu por um bando de idiotas? O The Killer até que vai, mas esses dois são totalmente inúteis. 

-Idiotas que mataram seu parceiro e apagaram você. -Lance rebateu. 

-Touché. -ele deu uma risada. -Mas, de qualquer forma, eu não sou o último que vai tentar matar vocês. 

-Como assim? -Allura perguntou. 

-Vocês não viram? Houve uma postagem anônima nas redes sociais ontem à noite. Foi colocado um preço na cabeça de cada um dos assassinos de Killer City. Os preços pelas cabeças do Eyeless e do The Killer são os maiores. 

-Então, agora, os assassinos vão tentar se matar? -Shiro perguntou. 

-Isso aí. Melhor prepararem suas armas. Essa cidade está prestes a virar uma chacina. 

Ficamos em silêncio. Lance faz sinal para subirmos para cima. 

Quando chegamos no topo da escada, ele fecha a porta que dá passagem para o porão. Todos nos encostamos na parede, aflitos pela informação que acabamos de receber. 

-E agora? -Allura pergunta. 

-É, o que a gente faz? -Shiro pergunta. 

-Ficamos juntos. -eu digo. -Somos mais fortes juntos. 

-Sim. -Lance diz. -Uma hora, isso vai parar. Até lá, ficaremos juntos, reduziremos as nossas saídas, evitaremos contato com outras pessoas e manteremos as armas perto e carregadas, sempre. Esse post não vai atrair apenas assassinos de Killer City. Vai atrair mercenários do mundo inteiro. As coisas vão ficar tensas. 

-Ok, e o que fazemos com ele? -Allura pergunta, se referindo ao besta idiota que está no porão. 

-Vou dar um trato nele. Shiro, se livra do corpo depois? 

-Claro. -o outro responde. 

-Enquanto eu estou lá em baixo, vou dar algumas tarefas para vocês. -Lance começa a andar e nós o seguimos. -Allura, Keith, eu vou dar uma quantia em dinheiro para vocês comprarem tudo que acharem necessário. Comida, roupas, aparelhos de comunicação, munição para armas, etc. Quero também pedir outro favor para vocês. 

-Qual? -pergunto. 

-Eu tenho dois amigos muito próximos e de confiança. Vou mandar uma mensagem para eles e quero que vocês os encontrem e os tragam para cá, ok?

-Ok. -Allura responde. 

Lance pega uma caixa de cima de uma prateleira, tira um maço de dinheiro e entrega para mim. Pega o celular e digita algumas mensagens. 

-Ok, já mandei mensagem para eles. Vão estar esperando na antiga estação de trem. A Acxa tem cabelo roxo e vai estar com uma mochila azul. O Hunk sempre está com uma faixa laranja amarrada na cabeça. A namorada e a filha dele, a Shay e a Lizy, vão estar junto. 

-Entendido. -digo. 

-Shiro, carregue todas as armas que eu tenho e afie até as menores facas da cozinha. Esconda todas elas pela casa. Depois você mostra 'pra gente. 

-Certo. -Shiro responde. 

-Keith, quando vocês voltarem, eu vou te levar até a sua casa para pegar as suas coisas.

-'Tá. -respondo.

-Ok, vamos nessa. Se preparem para sair. 

Dizendo isso, Shiro vai carregar todas as armas presentes na casa, Allura vai colocar uma roupa descente, já que ela não pode sair por aí de baby doll, e eu vou para o quarto, colocar a minha máscara e o casaco que Allura lavou ontem à noite. Levo um pequeno susto ao sentir mãos envolvendo a minha cintura. 

-O que você está fazendo? -pergunto, mesmo já tendo noção da resposta. 

-Minha sedução da tarde. -ele respondeu, colocando a cabeça no meu ombro.

-Sua sedução é o quê, exatamente? 

-Carinho. -ele responde e dá um beijo na minha nuca.

Eu coloco as minhas mãos sobre as deles, acariciando-as. 

-Tem certeza de que quer seduzir e conquistar alguém como eu? 

-Sim. 

Detesto admitir, mas adorei essa sensação. A sensação de sentir que ele estava realmente preocupado comigo. Sentir que ele queria que eu voltasse bem. Que ele queria que eu estivesse em segurança. Talvez ele não precise de tanto esforço para me conquistar e me seduzir.  



















Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...