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História Kimetsu Academy - O amor floresce entre as chamas - Rengoku. - Capítulo 17


Escrita por:


Notas do Autor


Uma nova etapa vem vindo por ai :D

Tenham uma boa leitura 🍑

Capítulo 17 - Conversa.


Fanfic / Fanfiction Kimetsu Academy - O amor floresce entre as chamas - Rengoku. - Capítulo 17 - Conversa.

 

Uma pessoa importante é aquela que fica ao seu lado nos momentos felizes ou tristes.

Assim que Urie entrou no cômodo foi logo fechando a porta. Um pouco antes de me sentar na cama resolvi abrir a janela, não demorando muito para sentir uma brisa refrescante dançando com meus cabelos e invadindo o quarto. Meu irmão soltou um suspiro pesado ao se acomodar na cadeira da minha escrivaninha. Podia claramente observar as olheiras profundas e a expressão cansada dele, até mesmo seu cabelo que sempre era tão brilhante e macio, parecia estar mais descuidado. Era fato de que as noites em claro no Hospital estavam lhe deixando meio doente. Cruzou os braços e permaneceu de olhos fechados por alguns segundos, parecia apreciar o momento de silêncio. Me aconcheguei melhor na cama, um tanto quanto nervosa. Por algum motivo segurava a minha pelúcia, talvez precisando de um apoio emocional a mais naquele momento.

– Faz bastante tempo que a gente não conversa, não é? – comentei com uma risadinha desanimada. De fato, muitas coisas estavam acontecendo ultimamente e o contato de irmão/irmã não era mais o mesmo. Sentia falta daquilo, afinal Urie era a única família que eu tinha, sempre corri para seus braços quando alguma coisa me incomodava.

– Verdade, sinto muito por isso. – disse ao abrir os olhos e me encarar com um sorriso gentil. – É que infelizmente o trabalho tem sido puxado, mas acredito que logo vou ter uma folga disso tudo. – ele continuava sorrindo, mas agora tinha um misto de curiosidade em seu olhar, sinceramente eu não sabia se Urie poderia ligar os pontos, mas mesmo que ele descobrisse tudo, eu sabia que podia contar com seu apoio independente de qualquer coisa.

– Ei Urie. – murmurei.

Infelizmente eu sentia como se tivesse uma bola em minha garganta, me impossibilitando de falar qualquer coisa. Respirei fundo, tentando manter a calma. Não é como se o mundo fosse acabar agora. Pensei. Meu irmão aparentava ainda estar bastante tranquilo e olhava para a minha estante de livros caprichosamente embalados após eu ler um por um várias vezes. Talvez aquela fosse a sua tática para fazer com que eu adquirisse coragem.

– Hmm, eu... fui beijada. – disse por fim, sentindo um calor nas bochechas.

Urie pareceu pensativo e do nada franziu seu cenho, uma das sobrancelhas arqueou levemente e ele deu uma risadinha debochada.

– Eu sei, ainda lembro que o seu professor estava podre de bêbado e te beijou na saída do Karaokê. – ele parou por um instante e me encarou aparentando um pouco de ansiedade em suas palavras. – Aconteceu de novo? – acabou por descruzar os braços e segurar os apoios da cadeira, quase se levantando.

– Não! – murmurei com um tom mais elevado que o normal. Talvez agora não seja a hora certa de contar que ele me beijou de novo. Pensei ao abaixar a cabeça. – Não foi ele... – levantei meu olhar, esperando que Urie fosse ficar furioso, mas ele respirou fundo e pareceu mais calmo.

– Quem foi dessa vez?

– Não posso contar... – nossos olhos se encontraram e ele pareceu entender que eu não estava pronta no momento.

– Ai ai... – disse suspirando, agora olhava para cima, pensativo. – Minha irmãzinha cresceu tanto. Há uns anos atrás só se importava em ler seus livros, estudar o máximo que conseguia, mantinha distância de todos, não teve um amigo sequer durante toda a infância por conta de que as crianças a achavam muito estranha, muitas vezes apanhando delas. Achei que conseguiria lidar com tudo isso, mas foi muito difícil sabe, ser seu irmão mais velho, ter responsabilidades muito cedo, cuidar de uma criança sendo que eu também era uma, não foi uma tarefa simples. – seu olhar voltou a encontrar o meu. – Passou tão rápido que eu não sei nem explicar o que eu sinto nesse momento.  

Permaneci em silêncio, um tanto quanto comovida com suas palavras, realmente nossa infância não foi nada fácil, a falta que sentíamos dos nossos pais doía diariamente, mesmo que fizesse muito tempo, ainda machucava.

– Mesmo assim Ysa, sabe que pode me contar qualquer coisa, posso ser meio rabugento na maioria das vezes, ou até inconsequente. Mas eu te amo demais, você é a única pessoa no planeta que eu posso dizer isso do fundo do meu coração e com toda a minha alma. – ele abriu um sorriso tão sereno que me fez sentir vontade de chorar. Meus olhos ardiam e meu coração estava apertado. Urie era o melhor irmão que eu poderia ter em toda a vida. Percebi que ele se levantou e se aproximou da cama, sentou-se ao meu lado e com uma risadinha colocou seus braços ao meu redor. Seu abraço era tão quentinho e aconchegante, quase como receber o colo de uma mãe. Senti as lágrimas caindo, deixando pequenos pingos em sua camisa branca.

– Ué, porque está chorando? – disse ele ao me abraçar ainda mais forte. Alguns minutos se passaram e ele continuava me apertando.

– ... n... spirar...

– Que? – Urie parecia confuso.

– N... sigo... spirar...  

– Ah, desculpa. – me soltou de seu abraço de urso, dando uma gargalhada. Após aquilo eu finalmente consegui respirar. – Então vai me contar o que aconteceu afinal? Você tem fama de beijoqueira pelo visto, mas, parece que não é só isso. – ele continuava rindo com suas próprias piadinhas. Limpei meus olhos com o dorso da mão esquerda e respirei fundo, dando uma leve fungada.

– Bom é que... – engoli em seco. – Eu estou em dúvida... – disse ao sentir meu rosto se esquentando.

– Sobre quem beija melhor?

– Que?

– Ué, não é isso? – ele colocou a mão no queixo, parecendo pensativo.

– N-Não exatamente.

– Ah, então você já sabe a resposta dessa pergunta. – Urie começou a rir. Era bizarro como ele conseguia deixar de ser o irmão mais fofo do mundo para se tornar o mais babaca em segundos. Essa dualidade talvez fosse o seu charme, me perguntava como Shinazugawa aguentava ele.

– Eu sei, mas isso não importa, eu estou confusa só isso. – murmurei.

– Qual a causa dessa confusão? Pelo que eu entendi tem duas pessoas que te beijaram, é isso?  – disse ele ao cruzar os braços mais uma vez, aparentando seriedade.

– Sim...

– Você não sabe qual delas escolher?

– Isso.

– Ysa, você é muito inteligente pra umas coisas, mas pra outras parece uma porta cheia de cupim, credo. – ele começou a rir, automaticamente senti meu rosto ficando quente.

– Não fala assim comigo! – disse ao fazer um biquinho emburrada.

Ele segurou meu biquinho com o polegar e o indicador, agora sorria de forma gentil.

– Você não precisa escolher ninguém, entenda uma coisa, você tem 15 anos é só uma adolescente, bastante chata por sinal, mas tem uma vida toda pela frente. Talvez não sejam os seus “primeiros beijos”, você pode encontrar outras pessoas daqui alguns anos. Não fica pensando demais nisso, só vai causar mais sofrimento, vai com calma, curte o que está acontecendo, se quiser namorar, pode ir em frente, mas não se preocupa tanto assim. – ele colocou as mãos em meus ombros, apertando-os. – Deixa rolar naturalmente, não se força a nada.

Soltei um suspiro, realmente conversar com Urie era de muita ajuda.

– Por acaso você pensa no Rengoku? – disse ele sem hesitar. Meu rosto corou no momento em que ouvi aquele nome. Instintivamente meu coração começou a saltar em meu peito.

– Talvez.

– Ysa... olha só, eu sei que você se encantou por ele, não posso dizer nada até porque eu acredito que todo mundo que o rodeia acha que ele é um cara incrível. E ele é. Mas não dá pra negar que acho isso bastante estranho. Ele é um cara muito atraente, divertido, animado até demais, só que eu acredito que a maioria das meninas da sua idade já devem ter sentido algo por um professor. Faz parte. Você não é a primeira e nem a última. – ele respirou fundo e me encarou. –  Não sou a favor disso, mas também não sou contra, acredito que você já tem idade suficiente para entender que isso pode ser uma paixonite passageira.

– Eu sei... – comecei a falar, mas ele levantou a mão, interrompendo meu pensamento.

– Só... toma cuidado Ysa. Não quero que você fique sofrendo. Mas saiba que eu estou do seu lado pra qualquer coisa. Confio que vai saber seguir o seu coração. – ele sorriu de forma amigável.

Não tive como responder, apenas o abracei o mais forte que consegui naquele instante. Assim que finalizamos a conversa, Urie se levantou e foi até a porta. Assim que a abriu percebemos que Shinazugawa estava de braços cruzados e escorado na parede externa do meu quarto.

– Tudo certo entre os dois? – disse ele ao ficar mais relaxado.

– Claro, foi só um probleminha com “garotos” – murmurou Urie ao colocar sua mão no rosto do parceiro. Shinazugawa sorriu satisfeito com o carinho, colocando os braços ao redor da cintura do meu irmão. Por alguns instantes eles se encararam e após isso se beijaram. Foi bastante fofo até, mas eu não queria ficar observando a intimidade dos dois. Resolvi ir para a cozinha já que sentia um cheiro gostoso vindo de lá e percebi que Genya estourava algumas pipocas. Inosuke estava ao seu lado, mas comia uma banana. Ambos olharam para mim quando entrei no cômodo. Genya pegou suas pipocas e enfiou uma porção na boca enquanto comentava sobre um filme legal que ia começar, saiu correndo para bem longe dali quando Inosuke tentou afanar algumas. Fingi que nada aconteceu e fui até a geladeira, à procura de alguma bebida refrescante. Não havia nada de impressionante ali então peguei um copo de suco. Senti um leve sobressalto ao fechar a geladeira e perceber que Inosuke me encarava meio emburrado.

– Dá pra parar com isso? – disse.

– Com o que?

– Ficar se assustando ou pensativa demais. – comentou ele ao mudar sua expressão. – Não quero que fique achando que eu estou forçando algo, só expressei meus sentimentos. Esse climão todo é um saco. – disse por fim ao colocar a mão em minha cabeça e acariciar como eu sempre fazia com ele.

– Sinto muito por isso.

– Vamos continuar como sempre estivemos. Você é minha amiga acima de tudo, relaxa. – ele abriu um sorriso contagiante e eu respondi com outro. – Agora vamos pra sala, Genya prometeu que o filme vai ser ótimo. – começamos a rir ao correr juntos para a sala, pulando no sofá e quase fazendo com que Genya derrubasse todas as pipocas.

O filme não foi tão bom assim, inclusive ele mesmo se sentiu enganado pelos comentários positivos demais na internet. Suspiramos em uníssono frustrados pela alta expectativa. Pelo menos foi bom darmos um tempo para nos divertirmos, assim Urie teria um momento a sós com o Shinazugawa, que andava tão mal-humorado por não ter seu amor por perto que quase devoraria os nossos fígados. Percebi que Inosuke estava dormindo, talvez tivesse caído no sono logo na metade do filme, Genya também estava bocejando. Não muito tempo depois, estávamos os três dormindo como pedras no sofá, cada um tendo um preguiçoso descanso.  

Infelizmente aqueles dias pacatos estavam quase no fim.

Eu já havia juntado um bom dinheiro com o trabalho de meio período. Como logo as aulas iriam voltar, precisei me afastar do emprego, pois não queria me distrair com outras coisas e sabia que essa nova etapa seria ainda mais difícil. Não tinha um motivo especial para o dinheiro guardado, então simplesmente coloquei em um pote bem escondido dentro do armário no quarto.

Estava anoitecendo e a brisa parecia bem fresca lá fora. Era fácil ouvir o burburinho das pessoas caminhando pela rua. Urie estava ajudando os meninos a vestirem suas *yukatas. Shinazugawa apenas observava dando risadinhas. Apesar de estar bastante elegante com sua yukata preta, sua marca registrada ainda era deixar a parte da frente aberta, mostrando seus músculos (de que era bastante orgulhoso por sinal), Inosuke o copiava descaradamente, também deixando-a aberta. Os dois eram idiotas musculosos vestindo yukatas, a única coisa que mudava era a cor já que a de Inosuke era azul. Meu celular não parava de vibrar enquanto eu bisbilhotava alguns vídeos engraçados na internet. Urie havia me ajudado primeiro, então eu estava pronta antes do que todos. A yukata que ele escolheu para mim era muito bonita, o tecido de algodão era branco como a neve, o *obi era vermelho escuro. Ambos combinavam com a minha pele pálida, talvez me dando um aspecto meio fantasmagórico que fazia bem o meu estilo. Como meu cabelo ainda estava muito curto, não pude usar nenhum adorno maior. Shinazugawa havia me dado uma presilha de flor de cerejeira, que ficou bastante delicado.

Ao abrir as mensagens percebi que todos os meus amigos estavam indo para o *Natsu Matsuri. Muichiro havia enviado para o grupo uma foto das férias que passou na praia, parecia estar mais bronzeado. Zenitsu mandava muitos emojis de tristeza, dizendo estar com saudade de Nezuko. Tanjiro estava bastante animado e comentou que seu pai estava melhor (Nezuko não falou nada pois segundo Tanjiro ela estava demorando séculos para se vestir). Enviei um emoji feliz, comemorando a recuperação do pai do menino e combinamos de nos encontrarmos perto da cerejeira mais velha da cidade, que ficava ao lado do templo (onde estaria ocorrendo o festival). Passei pelas mensagens novamente, dando uma olhada rápida na conversa com Rengoku. Não havia recebido nada de novo desde a última vez que conversamos. Aquilo me deixou um pouco triste, talvez ele não quisesse mais falar comigo. Balancei a cabeça negativamente, esquecendo daquilo. Tinha que me divertir e aproveitar o momento e não ficar pensando em bobagens.

Assim que todos estavam prontos, fomos desligando as luzes e indo para fora. O barulho característico do *geta ao bater no chão era um pouco engraçado. Estávamos em dúvida sobre ir de carro ou irmos caminhando até o evento, mas a brisa estava tão gostosa e relaxante que todos votaram por irem a pé. Demoramos em torno de 20 minutos para chegar na entrada do templo. O local estava bastante iluminado com lanternas de papel. A luz amarela refletia lindamente pelas folhas das árvores. As barraquinhas fervilhavam de pessoas querendo comprar alguma guloseima. Algumas das barracas estavam cheias de crianças, tentando pegar peixinhos dourados sem rasgar as redes de papel. Um menininho chorava por ter rasgado a rede na primeira tentativa e seu pai logo foi lhe consolar, oferecendo um pouco de raspadinha. Abafei um riso ao achar a cena fofa do menino fungando e abraçando o pai.

Olhei para todas as barracas ao redor, sentindo minhas narinas serem preenchidas com o cheiro delicioso de comida de rua. Inosuke e Genya logo foram para uma barraca que vendia máscaras e procuravam por alguma mais assustadora. Urie e Shinazugawa estavam abraçados enquanto esperavam por sua vez para comprar uma maçã caramelizada. Como eu havia marcado o encontro com meus amigos para mais tarde, achei que seria válido aproveitar um pouco. Avisei à Urie que iria dar um passeio e me distanciei deles. Bisbilhotava muito curiosa por entre cada barraquinha, procurando algo divertido para fazer, o tiro ao alvo parecia interessante mas estava cheio de gente. Talvez tivesse que esperar um pouco. Decidi por me sentar já que o geta estava deixando meus pés levemente desconfortáveis. Como tinham muitos casais por ali ocupando a maioria dos bancos, caminhei mais um pouco, encontrando o lugar perfeito perto de uma árvore bastante velha. Ali ainda era iluminado, mas tinha menos circulação do pessoal agitado que se concentrava no meio do festival. Ainda vai demorar até os fogos de artifício. Pensei. Soltei um longo suspiro ao me sentar em um banco de pedra. Estava ligeiramente entediada, mas não queria usar o celular. Comecei a balançar as pernas como uma criança, coloquei minha cabeça para trás, encarando as estrelas que começavam a aparecer. Fechei meus olhos por um instante, curtindo aquela vibe mais relaxante. Um cheiro bastante conhecido chegou ao meu nariz, fazendo meu coração dar um salto. Abri os olhos e percebi que alguém estava de pé atrás de mim, sua cabeça alguns níveis acima da minha já que eu estava sentada. Seu olhar brilhante fez meu rosto corar.

– Olá! – disse ele ao dar uma risadinha. Aquele sorriso animado era a coisa mais linda de todo o mundo e sua aura tão intensa era como se eu estivesse sendo abraçada pelo sol. Não poderia imaginar que o encontraria ali.


Notas Finais


Urie sendo o príncipe sensato. ♥

* Yukata (浴衣) é uma vestimenta japonesa de verão, é uma forma casual de quimono usada por homens, mulheres ou crianças, normalmente feita de tecido de algodão ou tecido sintético.
* Obi (帯) é o cinto/faixa de tecido que amarra a Yukata.
* Natsu Matsuri (夏祭り) é o festival de Verão.
* Geta (下駄) são calçados tradicionais japoneses. Um tipo de sandália de madeira que deixa os pés acima do nível do chão.

Abaixo coloco o link de uma música muito bonita e que eu gosto bastante, a original é de 1892 mas essa versão é um pouco mais séria e triste talvez (?) lembro de conhecer ela por causa de um mangá, Dengeki Daisy que recomendo com toda a certeza. 🌼

https://www.youtube.com/watch?v=uJkOMUkp3P0


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