História Kimetsu no Yaiba - Duality (Interativa) - Capítulo 4


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Categorias Demon Slayer: Kimetsu no Yaiba
Tags Demon Slayer, Interativa, Kimetsu No Yaiba
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Palavras 3.219
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shounen, Sobrenatural, Survival, Suspense, Universo Alternativo
Avisos: Adultério, Álcool, Bissexualidade, Estupro, Heterossexualidade, Homossexualidade, Incesto, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Mais um capítulo, espero que apreciem. Peço perdão por algum erro ortográfico ou gramatical, estava bem cansado ao revisar. Por favor, avise-me para que eu possa os corrigir.

Estarei experimentando recomendar músicas para escutar durante o capítulo.
No momento certo (apenas leiam, vocês vão saber o momento certo), escutem a música (link disponibilizado nas notas finais).

Capítulo 4 - 1.2 - Estrelas artificiais num mundo superficial (de merda)



Kotetsu acordou sentindo a maciez e confortabilidade de uma agradável cama. Ele se viu num ambiente iluminado pela luz do sol. Ela atravessava o papel translúcido que agia como parede e criava um efeito bonito. Outras idênticas camas formavam uma fileira ao lado da sua própria. Numa delas, Takeru estava a descansar, aparentemente desacordado. Talvez estivesse sonhando com uma vida melhor, com um belo pôr-do-sol ou com seu filho, pois ele aparentava estar tendo um bom sonho.

“A enfermaria?” — pensou Kotetsu. Ergueu-se de forma a ficar sentado na cama e olhou o estado de seu corpo.

Kotetsu notou sua mão esquerda com um pequeno curativo, mas o que lhe chamara mais atenção fora a enorme faixa que dava voltas em seu punho, estendendo-se por todo o antebraço. Ele não sentia dor. Pode-se dizer que ele não sentia nada naquele braço. Era um efeito colateral por ter usado aquele golpe despreparado.

— Você, desgraçado, é o Kotetsu Ishimaru, correto? — A atenção de Kotetsu foi roubada pela voz irritada de uma pessoa que estava no canto da sala. Sua identidade era desconhecida, pois essa pessoa utilizava um manto que cobria suas feições.

— Sim, e daí? — Kotetsu respondeu sem recuar, com firmeza. — Quem é você?

— Não importa. Vim aqui para te colocar na linha. Como se atreve a utilizar uma técnica de respiração em outra pessoa? Qual o seu posto? Quem é o seu mestre? — A figura estava tentando colocar Kotetsu na parede com suas palavras. Metaforicamente falando, é claro. A voz daquela pessoa era estranha, como se parecesse forçada ou fosse influenciada por algum problema de saúde. Também parecia ser uma voz jovem pelo tom… parecia a de um garoto de 10 a 12 anos…? Não dava para saber, mas a figura seria alta demais para um garoto dessa idade, e seu manto negro realmente fazia jus quanto a esconder a aparência do desconhecido. A parte que não estava coberta pelo capuz do manto estava coberta por um tipo de máscara, o que deixava apenas seus olhos à vista.

“Um membro do corpo de extermínio...? Porra! Agora não!” — Kotetsu amaldiçoou internamente.

— Eu não sei do que você está falando — respondeu Kotetsu num tom inocente e levemente carregado de curiosidade. Má sorte sua atuação não ter funcionado perante a contraparte, apenas a tornou mais desconfiada do que antes.

— Não minta pra mim, miserável, ou acionarei as forças disciplinares para checar se o conhecem ou não — a figura ameaçou, aproximando-se ainda mais da cama de Kotetsu, prevendo a possibilidade dele tentar fugir. Ele poderia muito bem ser um criminoso renegado do Corpo de Extermínio, portanto não poderia dar brechas, muito menos pegar leve.

A jovem enfermeira do local estava apenas assistindo o desenrolar dos acontecimentos em silêncio. O seu paciente já tinha sido tratado, tudo o que ele ainda precisava eram algumas horas de descanso e uma boa alimentação para repor as energias.

“Mas que droga…” — Kotetsu entrou em conflito. Não tinha muito o que fazer, continuar negando não daria muito certo. Ele precisava de outro tipo de aproximação. “Eles estão sempre com esse ar de superioridade e arrogância. Irritantes.”

— Okay, okay. Você me pegou. Eu sou só um aprendiz fracassado, okay? Fiz o exame de admissão há três anos, mas fugi do local para salvar minha vida — Kotetsu deu de ombros, suspirando como se tivesse aceitado sua derrota.

— Ah, é? Então por que eu não te vi lá no exame de admissão?

— Eu estava diferente. Pessoas envelhecem e mudam de aparência, sabia?

— Isso não justifica o fato de você estar utilizando um princípio de respiração para fortalecer o seu corpo numa luta contra uma pessoa normal.

— Pessoa normal? Um lutador experiente com uma katana prestes a cortar o meu braço?!

“Aliás, por que diabos estou me explicando pra essa pessoa?!?” — Kotetsu se perguntou.

— E isso não é de sua conta, agora saia daqui antes que eu te expulse à força — disse Kotetsu em um tom ameaçador e atrevido.

— Uhh? Expulsar-me? Ahahahaha! — A figura riu com gosto, era uma risada um pouco exagerada. — Gostaria de ver você tentando, desgraçado. — Assumiu uma postura de batalha ofensiva defensiva; com uma mão pronta para defender golpes mais baixo, e com a outra pronta para defender a parte superior.

— Beleza, não diga que eu não avisei.

— P-parem! — Uma terceira voz, fraca e baixa, fez-se presente no recinto, mas Kotetsu já havia agilmente investido em direção ao inimigo. Ele fez uma finta, ameaçando um chute lateral alto, pela esquerda, em direção ao pescoço do adversário. Kotetsu tinha em mente parar o chute no ar e dar um soco direto o mais rápido possível com sua mão esquerda, sem desperdiçar tempo com movimentos espalhafatosos e desnecessários. Seria simples e objetivo.


Uma pena que não ocorreu como ele planejou. O desconhecido tomou a iniciativa para avançar em direção de Kotetsu ao mesmo tempo. Agora a distância era curta demais para ele sequer fazer algo, sem falar que a figura havia tomado uma aproximação pela direita do rapaz.


— Xeque-mate — o desconhecido parou o braço a alguns poucos milímetros do pescoço de Kotetsu.


— …

— Com esse nível de habilidade, você deveria simplesmente desistir de lutar nesse torneio, seu inútil. Você não pode ganhar. — a voz do desconhecido pôde ser ouvida através da máscara.

— Vocês membros do Corpo de Extermínio são tão arrogantes! Foda-se! Quer fazer uma aposta? — Kotetsu provocou, ainda irritado com o esnobismo dos exterminadores. Era sempre assim, todos os que conheceu.

“Tão facilmente provocado e manipulável…” — A figura pensou com um pouco de irritação, mas tinha em mente o seu objetivo vindo ali, portanto não fez nada além do necessário. “Ele deveria apenas tentar de novo o exame. Respirações foram feitas para matar demônios, não para ganhar dinheiro lutando com outras pessoas em torneios do submundo…”.

— Hmph. — A figura deu meia volta e começou a sair do aposento. A saída dava para um jardim bem verde e exótico.

— Qual o seu nome? Só pra saber de quem eu devo chutar a bunda da próxima vez?

— Você não o merece. — Dito isso, a figura misteriosa saiu do local, deixando para trás um Takeru inconsciente, um Kotetsu irritado e uma enfermeira confusa.

“Melhor eu ficar de olho nesse cara.” — A figura tinha a noção de que Kotetsu seria problemático.

[...]


[Escute a música das notas finais para uma melhor experiência (eu acho)]


— Certo, certo. Eu vou relaxar, e voltarei a tempo de receber meu pagamento. Okay, okay. Tô indo nessa. Ao cair da noite, irei conversar com o daimiô. Tô bem, tô bem. Fui!


Kotetsu, após pegar suas coisas e a recém-adquirida katana com a inscrição “Takumi”, dispensou a enfermeira e pôs-se apressadamente a dar o fora dali, sem um segundo olhar para Takeru. Ela era, a enfermeira, que havia tentado parar a luta anteriormente, mas sua voz era tão fraca que não deu nem pra perceber, no calor do momento. Sua presença era quase transparente, e ela não tinha uma aparência ou porte que se destacavam. Parecia uma pessoa comum. 


Kotetsu andou pelo jardim, mas não ficou apreciando a beleza do mesmo. A única beleza que ele queria apreciar no momento era a de um delicioso prato de soba, udon ou lámen. Ele escutava o barulho da vida — pessoas andando, crianças correndo, músicos tocando. 


Quando saiu da propriedade, que pressupôs ser uma das diversas do daimiô, de uso destinado ao torneio, Kotetsu deparou-se numa rua bem movimentada.

Pessoas de roupas variadas — quimonos, yukatas, haoris, armaduras, etc… — passavam de um lado para o outro da rua feita de pedra, formando uma multidão que se mexia como correntes marítimas. Uma rua de pedra não era algo muito comum, a maioria das ruas eram de terra batida, mesmo que bem cuidadas.

Não demorou muito tempo para Kotetsu perceber que estava no distrito comercial; as placas chamativas, as diversas lojas — das mais variadas, desde os antiquários às ferrarias —, os comerciantes de rua, o cheiro da comida que dominava a atmosfera local em busca de um cliente e os artistas de rua que expressavam a sua beleza interior em troca de uns trocados apontavam para tal.


Kotetsu mergulhou na multidão, nadando como um peixe naquela correnteza de pessoas. Tomou cuidado para não ser assaltado, mãos leves eram comum em multidões como essa. Depois de andar um pouco, adentrou um beco e foi até um humilde restaurante. Não era grande, era composto de seis bancos frente ao balcão, que dava vista para a cozinha. O cliente acompanhava o preparo do alimento ao vivo, assim poderia comer com confiança; este era tipo um “lema” do estabelecimento.

— E aí, velho! — Chegou fazendo barulho. Já havia um outro cliente ali, mas este estava sentado na extremidade da fileira de bancos, distante. Era uma garota que estava experimentando alguns bolinhos de arroz. Ela era bonita; possuía longos, sedosos e brilhantes cabelos negros como azeviche. Seus olhos eram de um verde hipnótico e vívido, carregando um olhar um tanto quanto ambíguo; alegre e irritado. Vestia um haori bonito, escuro e de estampa estrelada, e estava acompanhada por uma katana embainhada. Seu corpo era voluptuoso, mas Kotetsu não era do tipo pervertido ou paquerador, então não deu um segundo olhar para a mesma; não se importava. Entretanto, não podia-se dizer o contrário.

Quando Kotetsu entrou no estabelecimento, a jovem se virou para ver quem era. Ela quase se engasgou com o bolinho de arroz que estava a mastigar, mas conseguiu disfarçar com uma tosse ao desviar o olhar.

“Mas o que esse desgraçado está fazendo aqui? Ele não deveria estar se recuperando?” — o pensamento cruzou pela cabeça dela. Aquela jovem não era ninguém além da figura desconhecida que havia acompanhado a luta e conversado com o garoto na tal da “enfermaria” destinada aos lutadores. Seu nome era Sayori.

— Bem-vindo, moleque — cumprimentou o cozinheiro, que também era o dono do restaurante.  — Vai pedir o quê?

— Lámen, Udon ou Soba. Vê o mais barato aí. — Kotetsu sentou-se na cadeira. Estava bem faminto, e o cheiro das refeições estava atiçando seu apetite. Enquanto esperava a comida, pegou a katana recém-obtida e ficou a encarando em silêncio. Seu olhar percorreu a lâmina gasta e repousou na inscrição “Takumi”.

— Silêncio não é algo muito comum vindo de você, moleque. O que aconteceu? — Enquanto escorria a massa, o cozinheiro perguntou.

— Estou apenas apreciando a beleza dessa katana enquanto penso numa forma de honrá-la, velho intrometido.

— Oh. Quanta paixão. É admirável. Eu costumava ter essa paixão quando também era jovem. Só que, a medida que o tempo passa, a paixão desbota, murcha como uma rosa e depois se desintegra.

— Onde você quer chegar? Você está se referindo a cozinhar, certo? Eu ainda posso ver o brilho nos seus olhos, não minta.

— Minha paixão acabou e evoluiu e se transformou em amor e apreciação. Paixão é um sentimento intenso, é como um fogueira enorme, que arde com fervor e esquenta toda a floresta. Entretanto, seu fogo é tão intenso que pode fazer com que as pessoas ao seu redor se queimem… a não ser que se afastem. O amor é aquela fogueira confortável que dura várias noites. É aquela fogueira que as pessoas se juntam ao redor e compartilham momentos, lembranças e sentimentos..

— Não entendo. O fogo pode até afastar as pessoas um pouco, mas também afasta os predadores. E aquele que não teme o fogo o superará um dia.

— Ah… Você é tão jovem e cheio de espírito… Mas não se fala enquanto come, então retomaremos nossa conversa em breve. — O velho serviu uma simples tigela de udon, mas o cheiro estava até que bem agradável.

Sayori estava escutando a conversa.

— Nenhum outro cliente entrou até agora. Tá indo à falência, velho? — Kotetsu começou a comer, mas não parou de falar.

— Não irei falir e nem fechar as portas enquanto alguém na cidade ainda precisar se alimentar. — O velho do lámen assumiu uma postura pensativa. — Mas um fiel cliente meu não tem vindo aqui há 8 dias. Ele era um cliente assíduo, Akihiko…

— Akihiko? Qual o sobrenome dele? — Sayori rompeu o seu silêncio, assustando um pouco Kotetsu, que havia esquecido que aquela garota estava ali.

— Yamashita. Por quê?

— Fique com o troco. — Ela se levantou, deixou um pagamento generoso e foi embora.

O velho do lámen ficou confuso ao ver a atitude suspeita da garota, mas pegou o dinheiro. Ficou levemente espantado ao ver que a garota havia deixado mais que o triplo do necessário.

— Desde quando vocês jovens estão tão generosos assim? — Ele fez uma pergunta retórica.

Kotetsu não retrucou, apenas fez uma careta.

*Slurp*. O silêncio pensativo do recinto era apenas preenchido pelo som de Kotetsu comendo. Ele terminou a tigela rapidamente, deixando-a limpa.

— Depois eu pago, tio. Volto com o dinheiro em breve. — Kotetsu se levantou e saiu.


O velho suspirou, mas não ficou irritado e nem respondeu nada. Já sabia daquilo ao ver o garoto enfaixado. Era a mesma coisa com o Akihiko…

[...]


— Pai! Você acordou! Você tá bem…? — A criança que estava no jardim deu um pulo e saiu correndo para abraçar seu pai quando o viu caminhando, ainda que com uma expressão cansada, da enfermaria.

— Estou… — Takeru disse com um sorriso no rosto para seu filho Kazuo. 


— Senhor! — A enfermeira surgiu no jardim logo atrás de Takeru. — Você precisa descansar. Seus órgãos internos ainda não estão… em sua melhor condição. — A enfermeira utilizou de eufemismo, pois sabia a delicadeza da situação com o filho do paciente ali. A verdade é que Takeru poderia ter uma hemorragia interna se fizesse muitos movimentos bruscos.

Takeru apenas ignorou a enfermeira e saiu andando até a rua enquanto conversava com Kazuo.

— Eu ainda tenho um trabalho pra fazer…

— Pai… Eu não quero que você acabe que nem o tio…

— O que você está dizendo? Seu tio está bem. Você sabe o porquê de eu ter entrado no torneio. Eu posso ter perdido o torneio, mas talvez eu tenha provado o meu valor. — Takeru parou e se abaixou, ficando olho a olho com seu filho. Ele tinha um olhar gentil, mas um pouco preocupado.

— Eu quero que você vá até aquele restaurante que seu tio frequentava, ok? Vá. Eu e o seu tio nos encontraremos lá…

— Não, eu quero ir com você!

— Kazuo… Tem certeza? Lembra daquele lámen que eu trouxe para você no dia que a tia Mayu estava te ensinando a escrever? Foi lá que eu comprei. Se você chegar no restaurante, ele lhe dará um bom prato de lámen de graça.

— Mas… Eu quero ver o tio…

— E você o verá… um dia. Eu estou indo atrás dele, ok? Você pode dizer ao tio do lámen “O ronin quer cobrar aquele favor de um tempo atrás” por mim. É uma mensagem importante, e só posso confiá-la a você. Seja um herói, Kazuo. Agora vá.

Kazuo encarou seu pai por alguns segundos, mas depois se foi.

"Chegou a hora de ter uma conversinha com o daimiô. Mas primeiro..."

Takeru misturou-se com a multidão e desapareceu. 

[...]

Estava a anoitecer.

Sayori conversava com um homem. O ambiente era uma ferraria, o calor do forno a fazia suar, assim como todos os trabalhadores daquele local. O cheiro de suor invadia suas narinas, mas ela não tinha frescura quanto a isso. Tinha algo importante a fazer.

— Ah. Sim, o tal sujeito “Yamashita”, caloteiro. Ele veio aqui encomendar uma katana. Disse algo sobre ir conversar com o daimiô para receber um pagamento, e então voltaria aqui para pagar a katana que reservamos para ele. Ele não voltou, e eu deixei de vender minha “Kyoushimaru” por culpa dele. — O ferreiro, um homem bronzeado, calvo e musculoso, parecia estar de mal-humor. — Por acaso aconteceu algo com ele? Nesse caso, posso perdoá-lo.

O homem virou a cabeça para olhar Sayori, mas ela já havia sumido.

— Tsc. Que falta de educação…

Sayori estava voltando para o restaurante o mais rápido possível. 


“Todas as cinco pessoas desaparecidas… estavam participando do torneio…” — a garota formulou um plano mentalmente, e ela precisaria de Kotetsu. Era improvável que ele ainda estivesse lá depois de horas terem se passado.


[...]


— É. O garoto da luta de ontem está no portão — um dos guardas da propriedade do daimiô comunicou através da parede de papel. Ele ofegava um pouco, pois havia corrido até o local para informar o daimiô. Ele era novo naquele posto, dado àqueles de relativa confiança. O homem tinha uma aparência comum para um japonês. Cabelo preto liso, nariz pequeno, pele branca, olhos puxados. Ele era jovem, mas não era necessariamente musculoso. Vestia um uniforme padrão para os guardas pessoais do daimiô, uma armadura de bronze espessa. Faltava apenas o elmo de samurai. — Quer vê-lo.

O barulho da água de uma bonita fonte em formato de cobra acabou distraindo o guarda, que estava esperando uma resposta do seu empregador. Ele estava um pouco nervoso, pois não podia vacilar naquele trabalho. Tinha quatro bocas para alimentar em casa, inclusive uma filha recém-nascida. O peso da família recaía sobre ele.

— Mande-o… entrar. — A voz do daimiô parecia pesarosa e deprimida, mas ainda foi o suficiente para trazer o lacaio de volta à realidade.

Era uma noite de lua cheia, que parecia observar com superioridade o desenrolar dos acontecimentos no planeta terra. O guarda fez como instruído, voltando pelo caminho de pedra que viera anteriormente. Ele não tinha tempo para observar a beleza daquele jardim bem cuidado, com diversas flores. O aroma de pólen tomava conta do jardim.

A propriedade era rodeada por um alto muro de madeira, parecia ter uns 5 ou 6 metros. O portão de ferro não era muito alto, mas uma equipe de 6 a 8 guardas de elite patrulhavam a área, e mais 2 ficavam estacionados no portão, controlando a entrada e saída. A construção onde o daimiô fica, em si, era enorme, num tradicional estilo japonês. Entretanto, não era tão ornamentado e decorado assim; o jardim roubava os holofotes.

— O daimiô concedeu permissão para você entrar.  — Após ouvirem que o daimiô havia permitido, os guardas do portão liberaram acesso para Kotetsu.

— Acompanhe-me, eu o levarei lá.

Kotetsu assentiu com a cabeça. Ele só queria um pagamento, por que precisava ir se encontrar com o daimiô em pessoa? Apesar de ter essa dúvida, ele estava bem despreocupado e relaxado. Andou pelo jardim enquanto o apreciava. Seu olhar era atraído principalmente pelos bonsais; achava-os… atrativos. Ele gostava do verde e da natureza, apesar de o lembrar de sua vila. Ele queria esquecer, então voltou-se para o guarda e comentou:

— Lua bonita, né?

— Ahn? Oh. É, eu acho que sim.

Um silêncio constrangedor durou por alguns segundos, era apenas sorte que não demoraram para chegar na porta do daimiô. O jardim era grande, mas não tão comprido em linha reta.

— Mestre, trouxe o garoto.

— Excelente. Volte à sua posição agora — disse o daimô com calma. Sua voz parecia bem digna e poderosa.

— Ah… Entendido, Mestre. — O guarda foi dispensado e voltou a fazer patrulhas.

— Agora… Ishimaru Kotetsu. Entre, entre. — A porta deslizou para o lado, revelando o famoso daimiô. Ele era um homem bem gordo e alto, de barba bem feita. Seu cabelo liso e escuro estava preso num coque na nuca. Ele vestia um folgado quimono verde floral, extravagante e bem ornamentado. — Precisamos conversar. Eu tenho uma proposta irrecusável para você. — O daimiô abriu um sorriso amarelo.

Estrelas artificiais num mundo superficial (de merda) - Parte 2 

Fim.


Continua...


Notas Finais


Trilha sonora: https://www.youtube.com/watch?v=DhHGDOgjie4

Espero que tenham gostado. Lembrem-se que o prazo para a entrega de fichas é até o dia 03/11.
Esse fim de semana irei assistir Joker, portanto apressei o capítulo logo hoje.
Agora, cansado, irei assistir os animes que lançaram hoje.
E, por falar nisso, estão assistindo algum anime dessa temporada? Qual(is)?
Btw Beastars tá muito bom, recomendo.


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