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História Kimi ga kureru Amai Kimochi - Capítulo 17


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Capítulo 17 - Despistando os Amigos


O céu era vasto, pleno, se espalhava e se alastrava largamente como se um artista tivesse deixado a lata de tinta azul cair no chão de seu atelier e a tinta percorreu os cantos e recantos mais recônditos, criando uma pintura que por si só não precisava de pinceladas e retoques. Era perfeita e majestosa do exato jeito em que a tinta caiu.
Era assim que Natsu olhava para o céu sempre que se deitava na relva verde. Ao seu lado, Gray estava sentado de pernas cruzadas uma vez mais bem vestido no maior estilo e brincando com Happy com uma varinha de cordões coloridos que aguçavam a atenção do gatinho e ele fazia de tudo para agarrar aqueles fios que se mexiam e se agitavam livremente na mão de Gray.
—Quer pegar os fiozinhos?—falava Gray, o sorriso todo brincalhão.—Quer pegar, Happy? Pega esses fiozinhos, gatinho fofo.
Happy se divertia. O gatinho ficava sobre as duas patinhas traseiras para agarrar os fios coloridos da varinha com as patinhas dianteiras — ele se jogava todo na relva e mordia os fios, agarrando-os ainda mais com as quatro patinhas peludas. E Gray só se derretia de amor pelo gatinho fofo e ficava lhe fazendo carinho na cabecinha e afofando a barriguinha peluda.
Natsu sorriu em diversão e voltou à encarar o céu vasto acima de si. Uma tonalidade suave de azul ideal para aquele dia de outono, onde nuvens brancas pareciam deslizar com o vento, fazendo sombras disformes toda vez que cruzavam o plácido raiar do Sol.
Hoje eles haviam deixado Shinagawa e rumado para o Parque Ueno de táxi — o que seria mais confortável para Happy do que um trem cheio de gente.
Lá, Natsu, Gray e o gatinho Happy relaxaram sobre a relva de uma imensa planície verdejante que estava coberta da folhagem seca das árvores ao redor.
Gray brincou mais um tempo com Happy até que o gatinho achou melhor descansar um pouco — ele se deitou de barriguinha para cima, com as patinhas dobradinhas e fechou os olhinhos fofos. Sorrindo de amor, Gray beijou a barriguinha de Happy e colocou a varinha de fios coloridos sobre sua pelagem macia.
O cozinheiro se deitou perto do artista, seus corpos musculosos deitados na relva formando um ângulo de 90° com o gatinho bem no meio. Os dois marmanjos observaram o céu. Às vezes, um corvo cruzava o céu, crocitando e planando pelo ar. Às vezes, ouviam os sons da grande Tokyo distantes ao redor daquele belo oásis de natureza outoniça que era o Ueno.
—Aquela nuvem parece um picolé...—Gray ergueu o braço musculoso, apontando para o céu.
Maji ka?—Natsu riu.—Eu jurava que era um rato.
Nanka iya na!—Gray começou a rir.—Picolé de rato?
—Talvez exista.—comentou Natsu.—Na Tailândia.
—Bom, não somos muito diferentes disso. Tem gente que briga pra comer os olhos do atum, ou da lula.
—Eu posso gostar de comer, mas comer isso...
O rosado fez uma careta de nojo super engraçada que fez o moreno rachar o bico.
—Já imaginou?—o cozinheiro começou a atentar.—Colocar aquela bola mole na boca feito um ovo cozido molenga e estourar aquela coisa no dente e sair aquele caldo de...
—Gray!—o artista berrou aos risos.—Kitanai kuchi damare zo!
Iie! Iie!—o cozinheiro se deitou mais perto do artista.—Kesshite boku no kitanai kuchi damaranai yo! Lembra daquele maluco que queria integrar à culinária japonesa a sua requintada receita de baratas gratinadas?
Kamisama, Gray!—o artista se deitou de bruços e apontou o dedo em riste para o cozinheiro.—Omae korosu yo!
—E que tal bolsas de espermatozóides de peixe!
Natsu berrou e simplesmente pulou em cima de Gray. Happy nem se assustou e continuou intacto e sereno de barriguinha pra cima.
Enquanto isso, Natsu subiu em cima de Gray. Subiu no colo dele e ficou numa brincadeira maluca de esganar o pescoço dele com suas mãos, mas ele estava rindo demais pra fazer qualquer força para tal ato. Já o moreno, sapeca do jeito que era, começou a fazer cócegas pelo corpo musculoso do rosado, que se contorceu em seu colo.
As cócegas foram tão irresistíveis que Natsu soltou do pescoço de Gray e desabou sobre ele. Os dois marmanjos musculosos se abraçaram e ficaram rindo por alguns instantes de bobeira total.
Quando a bobeira passou, restou o momento. Natsu e Gray se olharam e, de repente, se viram presos no olhar um do outro. As cores de seus olhos se misturaram como magia e é como se ambos estivessem se comunicando pelo olhar. Sabiam o que estavam pensando e mesmo assim estavam muito confortáveis nos braços um do outro.
Natsu levou a mão aos cabelos de Gray e os tocou. Sentiu-os tão lisos e macios, mesmo naquele corte repicado e arrepiado que o deixava muito sexy. Gray apertou a cintura de Natsu com suas mãos e se deliciou com o delineamento fino e gostoso da cintura e imaginava como seria tocar a pele por baixo da roupa dele.
Os dois ficaram se olhando profundamente sem nada à dizer um ao outro. Mas será mesmo? Eram necessárias palavras para descrever as batidas de seus corações, ou palavras não eram suficientes?
—Gray...?—foi Natsu quem falou.—Já imaginou como seria voar?
—Acho que já estou voando...—sussurrou Gray.—Agora...
Natsu começou a sorrir. Gray sorriu também.
Boku mo...—respondeu o rosado.
Yokatta...—riu levemente o moreno.
Eles olharam para seus lábios ao mesmo tempo e tiveram o desejo de saber o gosto que tem. E então, seus cérebros enviaram o comando aos seus corpos e seus rostos começaram a se aproximar lentamente em direção um do outro até que...
O celular de Gray começou a tocar. Os dois marmanjos levaram um susto, ficaram terrivelmente vermelhos e Natsu saiu de cima de Gray. Os dois sentaram-se e o moreno pegou o celular no bolso da calça.
Hai?—disse ele enquanto o rosado fazia de tudo para não olhá-lo tamanha a vergonha.—Sting? O que você quer?
Natsu pôde ouvir perfeitamente um falatório desesperado no celular.
—Olha, Sting, eu não sou sua mãe pra ficar te alimentando o dia todo.—retrucou Gray.—Aprenda à cozinhar antes que eu me ocupe de verdade em algo mais especial do que dar comida na sua boca... algo mais especial? Ah, voar, por exemplo.
Natsu olhou para Gray na hora.
—Quando eu começar a voar nem venha me encher o saco!—falava Gray.—É! Isso! Estou falando em sentido figurado! Tá! O mabo toufu pode esperar, ele não vai criar asas e sair voando. Jaa na!
Ele encerrou a ligação e logo desligou o celular. Guardou-o no bolso e olhou para Natsu.
Secretamente, Natsu estava todo esperançoso para que Gray se chegasse pra ele todo meigo e lhe dissesse “onde estávamos?”. Mas ele não fez isso.
—Meus amigos glutões não conseguem viver sem mim.—disse e se deitou na relva novamente.
Natsu assentiu e se deitou na relva também. Happy agora lambia as patinhas e mexia a caudinha peluda e fofa.
Os dois marmanjos olharam para o céu.
—Aquela nuvem ali parece um narutomaki.—disse Natsu.
Maji ka?—questionou Gray.—Jurava que era uma estrela do mar cheia de pernas.
Natsu riu.
:
Para o almoço, eles decidiram trocar o vasto Ueno pelo exuberante Koishikawa Korakouen no bairro Bunkyou.
O jardim estava maravilhoso naquele outono. As árvores estavam tingidas em tonalidades vibrantes e chamativas de vermelho, laranja e amarelo, todas cores tão quentes em um clima fresco de outono após o calor sufocante do verão.
As pessoas gostavam de passear por lá. Percorrer lentamente os caminhos sinuosos delimitados por pequenas cercas de arcos no chão para admirar a beleza das lindas campinas verdes cobertas de folhagem seca, das árvores que se erguiam frondosas e majestosas com pássaros que cantavam pelas suas copas e sobretudo os montes, as lagoas e as pedras que eram inspiradas em influências chinesas antigas como os versos poéticos vindos da China.
Após muito caminhar, passando por caminhos e cruzando pontes de riachos, Natsu e Gray escolheram o caminho perfeito para almoçar: um banco de madeira de frente para uma grande lagoa cercada de árvores coloridas e com pedras claras que despontavam de sua superfície espelhada.
Sentaram-se ali. Natsu colocou Happy sobre o banco e pegou sua mochila para lhe dar seus petiscos de peixe deliciosos. Enquanto isso, Gray abria sua própria mochila e pegava dois bentou carinhosamente feitos por ele próprio e envoltos em furoshiki azul e vermelho.
Tabemashou ka?—Gray sorriu com os dois bentou nas mãos.
Oishii!—exclamou Natsu, pegando seu próprio bentou de furoshiki vermelho.
Gray pegou os hashi descartáveis de bambu e ele e Natsu desfizeram os nós do furoshiki de seus bentou.
Pois bem, Natsu abriu a tampa e sentiu-se derreter de prazer.
O bentou trazia sabores suculentos como filés de sauro grelhado ao molho tare com cebolinha picada sobre uma cama de arroz cozido com furikake, tamagoyaki, batata doce assada e fatiada, castanhas, um pedaço grande de abóbora kabocha frita e cogumelos matsutake assados com tomates-cereja e repolho picado.
—Gray, que delícia!—elogiou Natsu todo sorridente.—Está tão lindo, tão organizado...
—Beleza e organização é comigo mesmo.—brincou Gray pegando duas garrafas de Calpis da mochila.
—Ah, eu tenho que comer agora mesmo.—Natsu já foi partindo seus hashi pronto para devorar.
Entretanto, seu celular começou a apitar desenfreadamente com novas mensagens no LINE.
Happy, que já estava de barriguinha cheia, olhou para o bolso da calça de seu dono. E Gray, de boca cheia, olhou também.
Yabai.—rosnou Natsu ao ver as mensagens na tela do celular.—Minhas amigas querendo saber onde estou pra me levar para o karaoke.
—Elas gostam disso?—questionou Gray.
Natsu o olhou e começou a sorriu.
—E eu pensando que era o único japonês fora dos padrões que detestava karaoke...—sussurrou ele.
Gray sorriu meio acanhado e ruborizou, voltando à olhar para o seu bentou.
—O que eu digo pra elas?—perguntou Natsu.
—Ah.—fez Gray e sorriu de forma malévola.—Diz que está na Wako...
—Na Wako? Ginza? Mas eu raramente vou lá.
—Bom, parece que você está lá agora fazendo compras na Wako, não?
O rosado encarou bem o moreno e percebeu que ele também tinha o desejo de continuarem juntos sem interrupção nenhuma.
—Boa.—Natsu começou a digitar rapidamente no celular.—E... foi!
—Queria ver a cara delas quando tiverem de andar por toda aquela loja enorme pra te procurar.—riu Gray.
—Sabe.—Natsu guardou o celular já desligado no bolso.—Por quê não faz isso com seus amigos também? Daí ficamos em paz o resto do domingo.
Gray ficou parado por um momento e logo em seguida sorriu. Prontamente, pegou o celular do bolso e o ligou. E assim que foi ligado, a tela do celular se encheu de mensagens do LINE e ligações perdidas.
—Decididamente...—Gray riu.—Sting e Rogue só querem a minha comida... vamos lá.
Ele digitou uma rápida mensagem e enviou. Rapidamente, desligou o celular e o guardou no bolso.
—E então?—indagou Natsu.
—Então...—Gray sorriu maldosamente.—Disse eu à eles que estou em Ikebukuro atrás de um ingrediente raro chinês.
—Você é malvado, Gray.—Natsu começou a rir.
—Somos malvadinhos.—riu Gray.
Eles saborearam seus bentou enquanto contemplavam a lagoa espelhada e translúcida perante eles. Happy já se aconchegando confortavelmente entre Natsu e Gray.
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Lá pelo meio da tarde Natsu e Gray tiveram de voltar para Shinagawa quando Happy se mostrou exausto e sonolento após tantas andanças. Foram para o apartamento do artista, onde lá chegando já tiraram as camisas, andando pelo chão confortavelmente descalços.
Enquanto Gray se aconchegava no sofá da sala com Happy já todo enroladinho e dorminhoco ao seu lado, Natsu colocou a chaleira no fogo para ferver água para o chá verde. Ele colocou o pó verde dentro do bule de porcelana e tampou. Seguiu para a sala e foi se sentar com Gray no sofá.
Os dois se olharam — e eles não resistiram em dar uma boa olhada em seus corpos musculosos descamisados que tanto atraíam seus olhares.
—Com que frequência você malha, Gray?—quis saber Natsu.
—Uma hora e meia durante a semana.—respondeu Gray.—Às vezes, de manhã, no horário de almoço, no apartamento à noite... e você?
—Quase isso também. Sempre que dá vontade, ou sempre que me sinto enorme como uma grávida de nove meses. Daí eu malho feito louco aqui em casa, já que detesto academia até o ponto de estar todo suado e querendo me jogar na cama.
Yokatta. Queria ter todo esse tempo livre... por um tempo... porque eu gosto de trabalhar, gosto de estar em contato com a culinária.
—Cuidado pra não dar em karoshi.—brincou o rosado.
Daijoubu da.—riu o moreno.—Eu sei me cuidar...
Então, eles ficaram se olhando. Olhar fixo, olho no olho. O silêncio desceu sobre a sala de estar. Natsu e Gray mordiscaram os lábios levemente e sentiram seus corações acelerarem um pouco mais.
Os dois pensavam profundamente um no outro e queriam se chegar mais perto, se não fosse o gato dorminhoco entre si. Eles não tinham se esquecido da tentativa falha do beijo que poderiam ter saboreado no Ueno antes do celular tocar pra acabar com a graça.
Mesmo assim, eles se conheceram nesta sexta-feira. Parecia cedo e promíscuo demais para um beijo? Ou talvez fosse caso de “estava escrito nas estrelas”? Afinal, eles eram tão parecidos um com o outro e já conheciam boa parte um do outro.
Nessas de ficarem apenas pensando, refletindo, analisando o que poderiam fazer, a chaleira começou a apitar na cozinha e Natsu foi correndo para a cozinha. Gray ficou todo vermelho com o que pensou.



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