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História King Of My Heart - Capítulo 15


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Notas do Autor


Olá pessoal, desculpem a demora, mas para quem não sabe eu sou enfermeira e radiologista e estou trabalhando em dois empregos, o de enfermagem eu estou trabalhando 12 horas por dia no setor de COVID (das 19 ás 07 da manhã), e na radiologia com 5 horas de trabalho por dia, também com contato com COVID (das 07 da manhã, a meio dia) então me desculpa ai, mas são em torno de 17 horas de trabalho por dia, quando chego em casa tudo o que eu quero é cair na cama e só me levantar para voltar pro serviço.
P.S. é no mesmo hospital
P.S. eu tenho escrito nos momentos mais calmos que tenho durante o serviço por isso demorou tanto pra sair um capitulo.
P.S. lavem as mãos, usem álcool em gel, mascaras e evitem aglomerações. Amo vocês.

Capítulo 15 - A verdade vos libertará


Fanfic / Fanfiction King Of My Heart - Capítulo 15 - A verdade vos libertará

P.O.V - Vincenzo

Lucy logo havia pegado no sono, mas ainda assim eu me recusava a sair do lado dela, ela se entrega tão facilmente, como poderia confiar em alguém tão rapidamente? Mas apesar de tudo ali estava ela dormindo serenamente em meus braços, encolhida como um pequeno gatinho. Tento tirar uma foto nossa e aquilo me lembra de Clara, adquiri o costume de tirar fotos graças a ela que era amante da fotografia.

Levanto-me tampando Lucy com um fino lençol seguindo para o escritório para preparar a surpresa que prometi, sento-me a mesa e logo vejo uma foto de Clara comigo, será que eu deveria guardar a foto? Ou ainda não? Me sentia mal em deitar com Lucy enquanto ainda tem fotos de Clara pelos cantos, e se estava ruim para mim imagino para Lucy que as via o tempo todo.

- Clara eu sempre me lembrarei de você, mas talvez já esteja na hora. – Digo pegando o porta retrato e juntando com os demais que havia espalhado pela casa colocando todos dentro de uma gaveta no escritório.

A sensação era de um adeus, não ver mais as fotografias pela casa era como me despedir dela mais uma vez, mas mesmo sem Lucy eu deveria fazer aquilo, deveria deixar Clara partir e eu deveria seguir em frente.

Pego o celular e peço a um amigo um favor, apesar de estranhar o pedido ele me atende então depois é apenas organizar as pequenas coisas, mas aquilo exige mais algumas horas de trabalho, olho para a hora e vou até o quarto de Lucy, pego algumas roupas dela e coloco em uma pequena mala e as deixo no carro antes de voltar e acorda-la.

- Que horas são? – Ela pergunta enquanto se espreguiça na cama.

- Quatro horas da tarde, precisamos ir se não quiser perder a surpresa. – Ela abre um pequeno sorriso para mim enquanto mantem os olhos fechados demonstrando que ainda estava bem sonolenta. – Está se sentindo melhor?

- Sim, a insolação já passou.

- Use a roupa que deixei no banheiro ok, estarei lhe esperando na área da piscina, não se preocupe será apenas nós dois.

Saio do quarto e sigo para o meu e começo a me arrumar apesar de estar ansioso está viajem eu queria que fosse perfeita, mas ainda estava preocupado com o pai dela, Anne havia me falado que ele havia virado uma fera e queria levar todas as coisas de Lucy embora e que iria leva-la de volta para Minas, então precisava convencer Lucy nestes sete dias a trabalhar para mim e a ficar comigo, mas isto iria exigir que ela enfrentasse o pai e estava mais do que claro que aquilo era uma relação abusiva e é difícil sair desse tipo de relação.

P.O.V - Lucy

Me arrasto para o banheiro e a primeira coisa que vejo é um belíssimo vestido vermelho pendurado em um cabide contrastando com o banheiro branco, ele era maravilhoso com um grande decote na frente e uma renda transparente no fim da saia, vejo as sandálias Jimmy Choo também belíssima e uma bolsa pequena rosa escura.

De fato Vince tem um bom gosto, depois do longo e demorado banho, de tentar fazer uma maquiagem apresentável com os meus clássicos lábios vermelhos eu descido por fazer um rabo de cavalo alto já que era um dos poucos penteados que dominava e hoje eu já havia usado o coque frouxo.

Visto o vestido e calço as sandálias, dentro da bolsa levo apenas o celular e passaporte, vou até a área da piscina e encontro Vince usando um terno azul marinho sem a gravata, apesar de ainda ser cinco e pouco da tarde logo ficaria de noite e o vento do oceano tornaria o ambiente frio.

- Você esta radiante. – Ele diz puxando a minha cintura e depositando um beijo em meus lábios. – Vamos? – Ele pergunta me oferecendo o braço que eu seguro enquanto caminhamos até o carro, Vince abre a porta do carro e me ajuda a entrar.

Não sei para onde estávamos indo e Vince desviava de todas as perguntas que eu fazia com a intenção de descobrir, mas logo chegamos em uma baia, havia atracados diversos barcos e navios, diferenciando pelo tamanho e o quão luxuoso era, mas apesar disso imagino que vamos para algum dos restaurantes que tem bem em frente, o ar era romântico, e a vista esplendorosa.

Vince me ajuda a descer do carro e entrelaço o braço ao seu enquanto caminhamos na frente dos navios, de fato era um mais belo que o outro, alguns ele precisava parar porque eu queria olhar mais de perto, mas Vince parecia um pouco apresado então logo continuamos até o final da baia, já não havia mais restaurantes e apenas poucos barcos atracados. Até que eu vejo o ultimo.

- Uau! – Digo mega animada soltando o braço dele e andando mais rápido até chegar em frente ao grande navio, era lindo, deveria ter entre uns 50 metros de comprimento, no mínimo, pelo que dava para ver, ele era todo em metal e parecia um grande deus dos mares...

- Vamos? – Vince me estende a mão e me puxa enquanto caminha para a pequena prancha que ligava a parte de tras do navio e enfim percebo o que está acontecendo.

- Nós? – Começo a falar mas minha voz falha. – Nos vamos entrar nele?

- Você não quer?

- É claro que quero, mas...

- Confie em mim. – Ele diz estendendo a mão que eu a tomo para mim enquanto enlaço os dedos.

Subimos no grande navio enquanto eu continuo maravilhada com o que via, logo após a ponte somo recepcionados por um homem uniformizado de branco, um verdadeiro capitão, de quepe e tudo mais, com um belíssimo bronzeado, os olhos azuis cristalinos e os cabelos completamentes brancos combinando com as rugas que apareciam em seu rosto evidenciando os anos vividos.

- Capitão, está é Lucy minha namorada. – Vince diz depois de ambos terem se cumprimentado, mas a palavra namorada acabou rancando de mim um rubor tão forte nas bochechas que tinha quase certeza que estava da cor do vestido que usava. – Lucy este é o capitão Olímpio.

- Muito prazer Capitão. – Digo estendendo a mão a qual ele pega e a leva até os lábios dando um breve beijo.

- O prazer é todo meu senhorita Lucy.

Depois das apresentações Vince me guia, entramos dentro do grandioso navio, os tons claros e azuis predominavam toda a parte, havia uma grande escada em espiral que ligava os andares no centro do navio, os tons dourados davam um ar luxuoso como se estivéssemos em um cruzeiro de luxo, Vince me puxa escadas acimas e chegamos no ultimo andar, e naquele espaço havia apenas polcas poltronas com mesas ao seu centro e no final do grande hall havia uma maravilhosa piscina com vista para o mar grego, mas a melhor parte era o por-do-sol que estava em tons alaranjados cobrindo todo o ceu como se alguém grande pintor tivesse ido e pintado calmamente cada um daqueles traços dando uma vida extra ao céu.

Vince me abraça por tras e eu me permito descansar contra o seu peito, e apoio os meus braços sobre o seu, por um momento eu desejei que o tempo congelasse, que o mundo parasse de girar para aquele momento durar para sempre, mas o céu vai assumindo as cores azuis e a lua assumindo o seu lugar ao céu e a estrelas começam a aparecer, o navio já estava em alto mar e o vento frio do mar bate contra o meu peito e sinto meu corpo arrepiando.

- Vamos entrar? – Vince pergunta sussurrando em meu ouvido e novamente meu corpo arrepia, mas desta vez não era por frio. – Você está arrepiada.

- É pelo frio. – Digo e me viro para ele e abraço a sua cintura. – Eu quero eternizar este momento, quero gravar este sentimento na minha alma. – Ele sorri e vejo que ele esta preste a falar, mas lhe dou um beijo.

- Me interrompendo? Vou perdoar apenas porque foi uma doce interrupção.

- Não estava interrompendo, apenas quis beijar o meu namorado, não posso? Ou ouvir errado o que disse ao capitão.

- Não  menti, mas preciso que me diga. Aceita namorar comigo? – O seu corpo deixava claro o quão nervoso ele estava pelo pequeno musculo que tensionava em seu maxiliar;

- Pensei que já tivesse lhe dado a resposta. – Ele me olha bravo e eu tento esconder o riso.

- Isso não vale Lucy. – Ele diz fazendo um bico pequeno.

- Vincenzo Ettore Nero Diocleciano Menandro Salvatore eu Lucy Vieira Léon Pontes da Silva de Denizart aceito namorar com você. – O sorriso dele é grande em seu rosto enquanto ele me beija me puxando pela cintura. Seus grandes e fortes braços me tirando do chão – Tem certeza que quer isso Vince? – Pergunto quando nos separamos. – Anna me contou sobre a Clara.

- Clara foi o meu primeiro amor, ela me ensinou muito, mas já está na hora de seguir em frente, e tudo que eu vejo é você. Você é o meu divisor de aguas, existia um Vincenzo antes de você e eu gostaria de conhecer este novo eu que você traz a tona. Eu não posso mudar o passado, seria mentira se dissesse que o que vivi com Clara não foi marcante, mas com ela eu vivi uma década de ouro, mas estou pronto para viver uma era de sol com você, estou pronto para voar ao seu lado se você permitir, não quero lhe prender jamais, não sou uma gaiola para manter preso ninguém, quero ve-la içar voo e voar com você.

- Jamais pediria que esquecesse Clara, um novo amor nunca apagará outro, mas acredito que um amor possa curar feridas profundas. – Respiro fundo e toco o seu peito, com uma mão em cada lado. – Vincenzo eu tenho que te contar algo, estou adiando isso a algum tempo, queria lhe contar depois da viajem, mas você me pediu em namoro, e apesar de já estarmos namorando só podemos de fato dizer que sim um ao outro depois que lhe contar isso, então depois que lhe contar tudo bem se não quiser namorar comigo, vamos fingir que o pedido nunca aconteceu e continuarmos sendo amigos. – Digo encarando as minhas mãos em seu peito sentindo meus olhos arderem pelas lagrimas que já davam sinal.

- Lucy você está me assustando. – Levanto a vista e encaro os seus olhos.

- Eh, isso também me assusta. – Digo respirando fundo.

Sentamos nas poltronas que haviam perto de nós, Vincenzo está segurando as minhas mãos e eu tento encontrar forças, coragem e uma forma de começar a contar essa historia.

- Eu vivi parte da minha vida em uma cidade no campo, para ser mais exata a onze quilômetros da cidade, em um sitio que pertencia ao meu pai. Era final de outono e a cidade estava em alerta vermelha, nas redondezas havia um assassino, já havia matado seis garotas de idades entre nove e dezessete anos. Em uma tarde após ficar na aula de musica muito tempo eu perdi o ultimo ônibus que ia para a minha casa, era cinco e quarenta da tarde, o ceu já estava fechando e não havia como voltar para casa, como era uma cidade pequena o mais natural é que você espere no ponto de onibus por uma carona, depois de uns vinte minutos passou um conhecido da família, já havia trabalhado para o meu pai diversas vezes, era conhecido por ser muito brincalhão, um excelente musico, eu entrei no carro e ele me levou e até certo ponto acreditei que estava indo para casa. Em um certo ponto da viagem ele parou o carro, eu pensei que alguma peça havia quebrado, mas então ele colocou um pano tampando a minha boca e o meu nariz. – Paro não aguentando mais as lembranças. – Vince eu posso pular essa parte? – Digo em prantos com as lagrimas escorrendo pelo meu rosto e ele apenas confirma com a cabeça. – Ele me levou para uma pequena cabana abandonada, o cheiro era horrível, de tudo eu me lembro mais é do cheiro, carne podre, ele me manteve presa por cinco dias, cinco dias de tortura.

Puxo a minha mão que vince segurava tento respirar fundo, olho agora o ceu estrelado e me lembro daquela manha, Vince me mostra um lenço que aceito e apesar de não querer mais falar eu precisava terminar de contar.

- Ele participou ativamente de todas as buscas, colou cartazes pela cidade e nas cidades vizinhas também, deu suporte a minha família, consolou a minha mãe. – Paro secando as lagrimas com o lenço e as lagrimas caem pesada ao imaginar que ele tocou na minha mãe. – O meu avô foi quem percebeu e me encontrou, ele percebeu que ele não voltava para casa depois das buscas, junto com mais dois policiais amigos da família ele o seguiu, na manhã do sexto dia meu avô me salvou. Ele foi preso, mas morreu na prisão, morto pelos próprios detentos, ele tinha uma paixão pelo numero 7, tudo para ele era esse numero. Eu era a sua ultima vitima pelo que ele dizia, ele não me estuprou por que eu era virgem, ele ia mandar o meu útero para casa assim como ele fez com as outras. – Respiro fundo e seco as lagrimas olhando para Vince. – Eu tinha treze anos, depois disso eu parei de escrever, mudei de cidade, e meu pai que antes já era controlador virou possessivo, as brigas começaram a ficar mais frequentes, meu pai culpava a minha mãe pelo que me aconteceu, por que eu só ficava presa dentro do quarto e eu fazia aula de musica por que a minha mãe permitiu, depois de longas brigas veio o divorcio. Eu decidi enterrar esse passado, fingir que aquele ano nunca aconteceu, eu segui em frente, comecei a ousar mais, roupas mais curtas, batons vermelhos, sai mais vezes e até pensei em me mudar para o exterior. Aquele homem destruiu uma parte de mim que eu nunca vou recuperar, mas ele não ia destruir o resto de mim.

Paro e olho Vince de relance que tem os olhos fixo em mim, me levanto e caminho até o beiral do convés, me sentia mais leve agora que contei para ele, é verdade quando dizem que a verdade liberta, eu me sentia livre agora.

- Se quiser a gente pode esquecer o pedido. – Digo olhando o oceano a minha frente apesar de ser agora apenas uma grande tela preta.

- Esquecer? Não vou cometer a estupidez de te perder. – Encaro ele que agora está de pé e vem ao meu encontro me abraçando. – Obrigada por confiar em mim, nas como disse eu quero ve-la içar voo e voar ao seu lado, você me permite? – Confirmo com a cabeça e lhe beijo enquanto os meus fantasmas e medos vão embora. – Seria indelicado... – Ele diz quando nos separamos. – Dizer que estou com muita fome? – Dou uma pequena risada e nego com a cabeça. – O jantar já deve estar servido vamos descer? – Confirmo com a cabeça novamente e ele entrelaça os nossos dedos e voltamos para dentro do navio, descemos para o segundo piso e nos sentamos a mesa que já está posta com um maravilhoso jantar.


Notas Finais




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