História Kingdom - Capítulo 5


Escrita por: e queensea

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Palavras 5.418
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Fantasia, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


P.O.V. ggukka (autora)
Olha só quem voltou, ao fim de umas malditas e torturadoras TRÊS SEMANAS de espera. Sim, podem me jogar as pantufas e um travesseiros que eu não vos condeno por isso.
Devemos começar por isso mesmo, por um grande pedido de desculpas pela extensa demora que vos fizemos passar. Eu estive fora de casa na semana passada, pelo meio tive uns dias de desmotivação (Emma, eu sei que tu tá lendo isso - obrigada por me apoiar e estar sempre do meu lado, te amo) e nossa co-autora também tem estado ocupada ultimamente, contudo ela beta à velocidade da luz e aqui estamos nós.
Sim, eu sei que hoje não é quinta nem sexta - hoje é sábado, dia 25 de agosto - mas decidimos trazer, excecionalmente o capítulo fora do dia. Já passou muito tempo e como a culpa de o capítulo não estar pronto ontem foi minha culpa, não vossa (sério, me desculpem mesmo), decidimos trazê-lo hoje.
Espero que o novo capítulo compense a demora. Revelações? Talvez... digamos que não prevemos uma grande extensão para a fanfic, pelo menos para os segredos e revelações chocantes que temos para vocês (ou talvez eu esteja sendo capeta e iludindo vocês de que vão saber de tudo rapidinho... também pode ser isso)
Sem mais delongas, espero que gostem 💕

Capítulo 5 - 02; Dyn'ha


Fanfic / Fanfiction Kingdom - Capítulo 5 - 02; Dyn'ha

“As Terras de Prata são dotadas dos Bosques mais belos do domínio humano e, segundo rezam as lendas e falados antigos, as criaturas mais dóceis e mágicas que existem habitam neles. Um destes maravilhosos domínios verdes é a famosa Floresta de Dyn’ha, situada a noroeste do Palácio de Prata, a residência da família Real.

Esta floresta é conhecida por dar a conhecer aos demais visitantes, alguns dos segredos mais bem guardados da história. Rezam também os contos que as árvores murmuram entre si e se curvam perante aqueles de bom coração, que vivem com um propósito piedoso.”


De: Os manuscritos das folhas Sagradas _ por Lord Dominic do Carvalho Dourado, décima segunda linhagem de magos élficos de Gonahiem.




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Caminho Principal Noroeste, Terras de Prata

Hoseok costumava optar por uma galopada rápida, quando montava seu corcel acastanhado. Speedy, como o havia intitulado, recebera este nome não apenas pelas céleres galopadas que dava durante as viagens, mas também por ser, de longe, o cavalo mais veloz de todo o reino. Hoseok gostava de encurtar a duração dos percursos que fazia e, por este mesmo motivo, sempre que seu companheiro permitisse, fazia o caminho cortando o ar e deixando atrás de si um rastro de poeira castanha esbranquiçada. Sentir o vento bater no seu rosto e não correr o risco de encontrar alguém indesejado e ter que parar, eram as vantagens que o soldado via nas ágeis e rápidas galopadas. Contudo, naquele dia, tanto ele como seu amigo Speedy sabiam que não podia ser assim.

Jeon Vahilla nunca montara a cavalo, o que requeria cuidados redobrados durante a viagem. Hoseok montara a Princesa em frente de seu corpo, para poder agir caso a mesma começasse a escorregar do cavalo - ou até mesmo para evitar que isso chegasse, sequer, a suceder. O ritmo do cavalo acastanhado era intermédio, nem muito rápido nem demasiado lento, permitindo a ambos desfrutar da viagem de maneiras diferentes. Vahilla observava os prados que ladeavam o caminho térreo com um encanto de criança; aqueles prados que via, minúsculos, no cimo da torre do Palácio, no seu quarto, na sua clausura eterna. Cada detalhe era crucial para a memória da mulher - cada flor que via perdida longe dos campos floridos, cada esquilo que conseguia observar, saltando de uma árvore para a outra; cada pedacinho da Natureza que, da torre, não tinha a alegria de presenciar - afinal, muito provavelmente, aquela seria a primeira e única vez que teria a doce sorte de sair para tão longe de sua residência Real. Faltar um detalhe era imperdoável, principalmente porque queria desenhar tudo o que vira e, assim, conseguir imaginar que os desenhos eram a realidade dos bons momentos que iria passar nos bosques.

Os cabelos de Vahilla cheiravam a alfazema, ou talvez fosse a rosmaninho; Hoseok não sabia muito bem - plantas nunca haviam sido o seu forte, principalmente quando as Princesas possuíam os odores de flores tão olfativamente parecidas. O escudeiro nunca tivera um contato tão íntimo com a filha do Rei, como no momento em que segurava as rédeas do corcel, por debaixo dos braços da Princesa e rente à cintura fina da mesma, sentindo sua costas apoiadas no peitoral desarmado, revelando o quão reduzida era a estatura da mulher com vinte e duas primaveras.

- Posso guiar? - a voz da Princesa soou distante ao Capitão, por se encontrar perdido no dilema do cheiro daqueles cabelos reais. - Hoseok?

- Hmm… O quê? - foi impulsiva a resposta que deu, ao ser pego de surpresa pelo dedo da mais nova cutucando seu queixo. O tom escarlate que o rosto do Jung ganhou, perante a forma informal com que tratara a Princesa, fez a mesma se rir. - Isto é… sim, majestade?

- Primeiro, pare com essa de Majestade. Me faz sentir velha e chata, como meu pai. - Vahilla levou a mão na boca, com os olhos muito abertos por ter deixado escapar tais palavras. - Por favor, não conte a ninguém o que eu disse.

Hoseok assentiu, com um sorriso divertido. - E como devo eu chamá-la?

- Vahilla, só Vahilla. É o meu nome, correto? - respondeu, olhando de novo para a estrada. - Agora, eu posso guiar? Parece ser tão divertido… Prometo ter cuidado.

O Jung hesitou antes de responder ao pedido da Infanta. Não duvidava do quão cuidadosa ela fosse, nem do quão rápido aprenderia a montar o cavalo com ele lhe ensinando - apenas temia que, de algum modo, ou por algum azar o seguimento da viagem ao comando da mulher não corresse da melhor maneira e ela acabasse ferida. Hoseok tinha de a entregar inteira, sem uma única poeira ou um único cabelo desalinhado. Ninguém poderia, jamais, sonhar que Jeon Vahilla estivera fora de seu quarto.

Com toda a certeza o dia seguinte de Jung Hoseok iria amanhecer na praça da vila, com sua cabeça longe do resto do corpo. Era de engolir em seco, apenas as imagens dessa situação.

- Por favor, Hoseok. - Vahilla se viu obrigada a insistir, perante um silêncio tão longo de seu Guarda.

- Está bem, Vahilla - a primeira pronúncia do nome da Princesa soou de forma estranha. Dito em voz alta, o nome era ainda mais peculiar. - Mas tenha muito cuidado e preste atenção no que eu lhe disser.

E, após tal aviso, Hoseok cedeu a liderança da viagem à filha preferida do rei, que imitou a forma como, anteriormente, Hoseok segurava as rédeas. Escutando as indicações e explicações do homem com toda a atenção e absorvendo todas as vírgulas entre suas palavras, o resto da viagem foi concretizada com a mesma calma - ou talvez com um pouco de agitação, já que Vahilla pregou um valente susto ao seu novo amigo, quando iniciou uma velo galopada, fazendo com que o mesmo quase caísse do dorso do cavalo acastanhado. Para alívio do homem ruivo, a agilidade e velocidade anormal dos movimentos de seu corpo o impediram de ser projetado do animal e ficar estático, tentando regularizar sua respiração e pulsação. Ao se aperceber do sucedido Vahilla se curvou um pouco para a frente, tremendo os ombros e dando o que pareciam ser pequenos soluços. Rir da desgraça dos outros era algo que ela condenava, principalmente por ter sido educada por sua irmã Soora a não fazer. Mesmo assim, era impossível não reagir ao quase acidente espalhafatoso de Jung Hoseok senão com fortes e livres gargalhadas.

E foi o que fez, permitindo ao ruivo descobrir que de adorável o riso da Princesa não tinha nada. Era gargalhadas com uma certa harmonia, cativantes e num tom alegremente elevado - um riso tão parecido ao seu e que fez o Jung se rir também.

Speedy foi novamente guiado pelo ruivo quando eles se aproximaram da entrada da Floresta de Dyn’ha, abrandando a galopada veloz para um passo calmo, e quase parado. Em todas as quatro entradas da Floresta - cada uma situada numa das direções, Norte, Sul, Este e Oeste - existiam duas grandes estátuas ladeando o que parecia um portão criado pela própria Natureza, com os ramos das árvores se inclinando e se enrolando entre si até formar um grande arco. Cada uma das estátuas representava um dos oito deuses adorados e venerados na religião Vanhanna.

- Benedictus. - murmuraram quase ao mesmo tempo, levando a mão direita fechada, até o peito, na zona do coração, prestando culto e respeito aos deuses.

- A Deusa Aedona e o Deus Canais sempre foram aqueles a quem mais eu prestei culto. - Hoseok confessou, olhando cada uma das suas estátuas com porte mais que os grandes e velhos carvalhos se Dyn’ha.

- Soora sempre me disse que nossa mãe nos ensinou a prestar culto a todos os deuses da forma igual. - mesmo parecendo abstraída de tudo ao seu redor, tamanho era o fascínio por presenciar as esculturas dos deuses, Vahilla respondeu quase de imediato. - Mas Aedona e Canais, também me fascinam.

- Aedona, a Deusa do Sol e Canais, o Deus da Água são, para mim, os Deuses da Vida. Sem água ou sol as flores não crescem, os animais não vivem. A Vida me fascina e acho que é por isso que os respeito tanto.

Vahilla ergueu as sobrancelhas, agradavelmente surpreendida por descobrir que seu Guarda era tão conhecedor e filosófico - e por partilhar a mesma opinião que ela.

- Não fazia ideia de que a cultura te interessava, Hoseok. - disse, por fim. - Você sempre me pareceu mais do tipo físico do que espiritual.

Hoseok se riu. - Ser um soldado tem suas desvantagens. - confessou, dando um movimento nas rédeas fazendo Speedy seguir o caminho térreo para o interior da floresta de Dyn’ha. - Ninguém levaria a sério um soldado que fosse tão crente e conhecedor da nossa cultura. Por vezes temos de ser impiedosos pelo Reino.

Vahilla ficou em silêncio, absorvendo a tranquilidade da Floresta. Não lhe agradava nem um pouco saber que muitos sofriam pelas lâminas dos soldados de seu pai, mesmo que, por vezes, a força e violência fossem o único caminho para manter Thunderelle em paz. Imaginar o sangue derramado naqueles que haviam sido grandes palcos de dolorosas batalhas fazia seu corpo todo se arrepiar. Mas ela preferiu não comentar tais pensamentos que a atormentavam - mesmo sendo Hoseok alguém tão compreensivo, Vahilla tinha medo de ser julgada por ser tão pacifista. Ela sabia que aquele era um grande defeito seu, assim como a ingenuidade de que Soora, sua irmã passava a vida a criticar e condenar. Mas o que poderia ela fazer, se era aquilo que seu coração lhe dizia para sentir?

- Princ… Vahilla. - rapidamente, Hoseok se corrigiu, torcendo um pouco o nariz. - Ainda à pouco, você mencionou a Rainha Lychia.

- É verdade, sim senhor.

- Me desculpe a pergunta, e a indelicadeza da pergunta. - Hoseok tossiu para clarear a garganta. - Como era a Rainha? Seguia aquilo que dizem os relatos?

Um silêncio desconfortante seguiu a pergunta do Capitão que, temendo ter aberto uma ferida no coração da Princesa, desmontou do cavalo, que chegara ao destino pretendido e observou a mulher. Não havia dor em seu olhar, mas a tristeza era inconfundível - porém não parecia ser a tristeza da perda e sim a tristeza de algo mais forte. Hoseok sabia muitíssimo pouco sobre a Rainha Lychia e sobre a Princesa Vahilla, principalmente sobre a Princesa, de quem sempre fora impedido saber informações ou fazer perguntas. Mas a curiosidade era o maior ponto fraco do dotado de agilidade.

- Eu não sei. Não me lembro. - reforçou num tom sumido. - Soora é quem me fala dela, mas nem mesmo ela me conta sobre sua morte. Ela se recusa a me contar qualquer coisa sobre meu passado, então eu não me lembro de quase nada. As aias disseram que eu herdei a doença de memória da minha mãe, então eu venho a perder a memória dos anos passados, Hoseok. Minhas memórias começam quando eu tinha meus catorze anos.

Por leves momentos Hoseok sentiu um grande desconforto por ter obrigado a Princesa a se recordar de tais factos, se sentindo uma pessoa horrível por ter destruído a felicidade e sucumbido com o sorriso radiante de Jeon Vahilla. Estendeu as mãos até à cintura fina, sentido o tecido azulado e leve do vestido que lhe havia comprado, ao comerciante simpático das Florestas de Cordélia, e a ajudou a desmontar de Speedy que sacudiu sua crina levando o focinho comprido até o braço da Princesa, em busca de algum gesto carinhoso por parte da mesma. Novamente o sorriso de Vahilla rasgou o seu rosto descolorido pela falta de luz, parecendo afastar a mesma de maus pensamentos.

Observando o redor da floresta com rápidos movimentos oculares, o soldado desarmado de sua armadura - para não levantar suspeitas - não teve proeza suficiente para compreender que, desde metade do caminho eles eram seguidos por uma figura feminina.



{•••}



Palácio de Prata, Terras de Prata

Os passos ecoavam os corredores escuros e silenciosos o Palácio, revelando o pouco movimento existente nas zonas mais altas do Palácio. As vestes escuras de Jeon Soora se misturavam com o tom escuro das paredes interiores, que se tornavam cada vez menos húmidas a medida que a altitude da localização da Princesa mais velha se elevava. Apesar de parecer uma prisão a torre e o quarto de Vahilla eram as zonas mais agradáveis do Palácio, chegando mesmo a possuir um calor reconfortante e apelativo. O único problema era, realmente, aquele quarto ter se tornado a pior das prisões para a irmã gêmea de Soora.

A Princesa mais velha sempre fora perspicaz e se orgulhava disso, era com o uso de tal característica que conseguia fugir do olhos dos Guardas e escapar para a torre, fora do horário estipulado para as visitas. De entre todos os títulos que os criados já lhe haviam dado, o que mais a agradava e aquele com o qual ela mais se identificava era “A Rebelde”, afinal sua rebeldia era tão factual que levara o pai, Jeon Dahko II a deserdar sua filha mais velha. Certamente que tudo foi feito em segredo - ninguém poderia saber que o Rei era cruel até para com sua família, ou melhor, não podia haver riscos de Vahilla compreender a maldade do homem. Soora não fazia qualquer questão de manter aquela farsa pelo bom nome de seu maldito Pai; um homem asqueroso como o Rei não merecia nada a não ser uma morte solitário e dolorosa. Mas a Princesa mais velha precisava de fazê-lo, para assim garantir a segurança de sua irmã que, por vezes parecia ser vários anos mais nova que ela, ao invés dos poucos minutos que as separavam.

Os nós dos dedos de Soora bateram ao de leve na porta escura do quarto da irmã, mas do interior não houve qualquer resposta. Julgando a irmã perdida em seus desenhos, a mais velha intensificou as batidas sentindo pequenas pontadas nos nós dos dedos. Com um novo período de silêncio, a mulher olhou para a parte inferior da porta, concluindo que a luz não escapava pela pequena falha da porta. Negando com a cabeça, Soora levou a mão até uma ranhura na parede retirando do esconderijo uma pequena chave prateada. Chave essa que encaixou na fechadura e rodou, destrancando a mesma.

- Hilla, não acredito que você ainda está dormindo. - repreendeu, entrando no quarto e abrindo os cortinados, permitindo que a luz preenchesse o cômodo com um forte odor de rosmaninho. - Com um dia tão bonito e você debaixo desses cobertores. O Inverno está muito próximo, então aproveito o que resta do calorzinho do Outono… Vahilla, você está me ouvindo?

Soora sentiu o objeto de prata escorregar por seus dedos causando um som seco e repetitivo ao atingir a superfície sólida do chão de pedra. Uma sensação de grande pânico preencheu todo o peito da filha mais velha do rei; tão forte que alcançou um patamar em que a princesa pensou vir a desmaiar por falta de ar. Apoiando o corpo desamparado contra a parede mais próxima, Soora procurou manter a calma após constatar que Vahilla não estava no seu quarto - provavelmente, nem estaria no castelo. Pequenas gotas de suor frio, deslizaram pela testa pálida de Jeon Soora, acompanhando a expressão petrificada e esforçada para não gritar. Pegando a chave caída ao mesmo tempo que respirava fundo e se convencendo mentalmente da mentira de que estava tudo bem, a mulher de traje escuro voltou a fechar as cortinas e a trancar o quarto, desta vez, levando a chave escondida no corpete do vestido, entre a cavidade de seu peito - o único lugar onde a poderia guardar, sem esta vir a ser descoberta.

Desceu as escadas da torre, sem se preocupar em não ser escutada pelos guardas quando seus sapatos pisavam as escadas, transmitindo um som seco que se prolongava por toda a escadaria espiral.

- Minha irmã não quer ser incomodada, hoje. - ditou, ríspida ao ser barrada pelos guardas reais. - Ela não se sente bem e eu saberei se os senhores a forem incomodar. Não testem minha paciência, por favor.

E, após tais palavras, onde estava presente o aviso e a ameaça, Soora estalou os dedos, ordenando que os guardas se afastassem do caminho. Caminhou firme e confiante por todo o longo corredor, até que os dois homens a perdessem de vista ao virar para o corredor seguinte e quase gritar com a figura que parecia aguardá-la, reta e atenta. Um pequeno e ladino sorriso se formou nos lábios de Min Yoongi, que estudava o gesto assustado e um pouco raivoso de Jeon Soora, a mulher com quem, secretamente, se havia matrimoniado.

Depois de ter sido desagradavelmente surpreendida pelo desaparecimento de sua irmã, a mulher se esquecera que havia ordenado a Yoongi que aguardasse o seu regresso naquele corredor - lugar este, onde o mesmo poderia agir caso fosse necessário e onde poderia estar sem causar quaisquer suspeitas.

- Yoongi, este não é o momento indicado para se rir de mim. - resmungou, passando por ele e enterrando os dedos no antebraço de seu esposo, o puxando pelo corredor.

No meio do caminho, a Princesa parou e soltou o braço do homem, retirando a chave do seu esconderijo improvisado e a pousando na palma da mão, vestida por uma luva branca, de seu Guarda Pessoal. A expressão de Yoongi se manteve séria, porém algumas questões surgiram nos pensamentos do mesmo, começando no facto de sua amada trazer tal objeto no interior de seu corpete negro.

- Vahilla desapareceu. - Soora disse simplista, tentando não ficar ainda mais nervosa com os olhos escuros de Yoongi, que haviam duplicado de tamanho com a confissão. - Exatamente o que você escutou. Eu não sei onde ela está, e se alguém descobre e isso chega aos ouvidos de Dahko, metade da vila estará condenada à forca.

- Não seja tão dramática. - o Min pediu, segurando as mãos da mulher. - Com certeza haverá uma explicação para esta ocorrência. Vahilla está bem…

- Como você pode saber isso?

- Porque Hoseok não foi visto essa manhã, no Quartel. - Soora ergueu os olhos, encontrando algum conforto na expressão serena de Yoongi. - Suspeito que Hoseok a tenha aproveitado a ausência de Sua Majestade para retirar sua irmã do Palácio, por umas horas.

As sobrancelhas de Soora se uniram, enrugando a testa sua testa lisa. - Você sabia que isto ia acontecer?

Yoongi negou, porém hesitou antes de responder. Se a visão não o enganava, ele jurava ter visto um movimento suspeito nas pesadas cortinas aveludadas de uma das janelas do corredor. Era impossível que as cortinas se balançassem sozinhas; afinal não haviam correntes de ar em corredores cujas janelas sempre estavam cerradas.

Min Yoongi era conhecido por ter uma visão aguçada que, segundo os boatos, provinha de longos e intensos treinos nas Terras de Ferro. Ninguém ao certo tinha conhecimento do passado do mais temível soldado do exército de Dahko II; não se sabia nada sobre os parentes, se tinha família, como e porque se mudara para as Terras de Prata ou como se tornara tão impiedoso e habilidoso a manejar sua espada de ferro negro. Os populares se limitavam a acreditar nos boatos que corriam desde sua chegada, há cerca de sete anos atrás.

- Yoongi…? - a voz da mulher despertou o soldado de suas suspeitas, fazendo com que seus olhos se piscassem algumas vezes, afastando os pensamentos.

As cortinas estavam imóveis, mas isso não tranquilizou o homem, que era cuidadoso demais para prosseguir a conversa naquele lugar. E, sem quaisquer explicações de sua mudança repentina, Min Yoongi conduziu a mulher para fora do corredor, deixando o mesmo completamente vazio.

Excetuando na zona atrás dos cortinados, onde Min Hwa-Young se condenou mentalmente por ter sido tão descuidada na sua missão.



{•••}



Floresta de Dyn’ha, Terras de Prata

Quando Kim Taehyung a nomeara para a missão mais importante dos últimos tempos, Haneul não esperava que ela fosse muito agitada. Passar despercebida era quase um dom natural que ela adquirira em sua terna infância, excetuando no dia em que envergonhou seu pai, o Conde Nao Chau, durante um baile no Palácio de Prata, para o qual a família fora convidada. Todo esse infeliz feito se deveu a um molestante pequeno Príncipe, o filho mais novo do Rei. Jeon Jungkook era o nome do causador da vergonha que sua família passara no requintado baile, quando, após as provocações do herdeiro do trono Vallhiano, Haneul gritou algumas barbaridades permitindo a todo o salão escutar.

Depois desse dia traumatizante, a jovem mestiça nunca mais viu o Príncipe mas não iria esquecer de modo algum sua aparência juvenil, e o sorriso travesso que permitia a visibilidade para os dentes entortados. Não que Haneul tivesse algum interesse sentimental no homem, longe disso. Ela apenas se recordava muito bem das pessoas, ainda mais daquelas que a faziam passar por uma situação menos simpática.

Fazia um tempo que Haneul se acomodara nos ramos fortes e longos de um dos pinheiros com mais de mil anos de existência. Na posição onde se instalara podia ver tudo o que se passava na clareira onde a princesa e o escudeiro real haviam parado para descansar. Jung Hoseok era conhecido entre os rebeldes por ter sido, em grande parte a maior ameaça para todos os planos que Kim Taehyung elaborava. Parecia que o ruivo estava constantemente um passo à frente deles, levando à frustração da maioria, ódio de muitos e confusão de outros que, como Haneul, se surpreendiam por seu líder não fazer nada a não ser mencionar o quão bom ele era. Mas sendo sincera consigo mesma, Haneul tinha que concordar com Taehyung, quando o mesmo fazia tais afirmações. Era incrível como alguém poderia estar sempre presente na altura em que os rebeldes intentavam contra a política tirana de Jeon Dahko II. Era como se o mesmo adivinhasse ou previsse os passos cuidadosos da seita rebelde.

Haneul não conseguia odiar o mesmo, ou sentir qualquer tipo de repulsa pelo soldado, afinal uma pessoa não pode ser condenada por fazer o seu trabalho de forma tão exemplar e por defender aquilo em que acredita - pelo menos, Jung Hoseok dava a acreditar que tinha crença no regime ditador e tirano do rei, já que era tão leal às suas tarefas. Haneul estivera presente no dia de sua formatura como soldado real e, sequencialmente, nomeação como Escudeiro da Princesa Vahilla. Nem mesmo nesse dia a Princesa fora vista, o que tornava os boatos maiores e as suspeitas de Haneul também. Porém para infelicidade de Haneul, a curiosidade de ter o rosto de Jeon Vahilla revelado ainda não lhe fora saciada, já que o cuidadoso escudeiro lhe pedira para não retirar o capuz do manto azul celeste. Haneul reconheceu os trajes que a Princesa vestia, haviam sido elaborados com tecidos que seu pai e Dmitrei Holloway, pai de sua amiga Suria, comerciavam. Se recordou de, dias antes, a Holloway ter comentado consigo que o pai se aventurara em, ele próprio, elaborar um vestido e um capote, encomendado por um homem elegante e educado. Pelos vistos, era novamente Jung Hoseok que se aproximava de território rebelde.

- Hoseok, porque eu não posso tirar o capuz? - a voz da Princesa afastou Haneul de seus pensamentos. Contudo, ela não podia negar que se identificara com a pergunta feita pela mulher. - Está muito calor…

- É uma questão de segurança, Princesa. - a voz do escudeiro soou um tanto quanto desconfiada. - Eu preciso ir verificar o perímetro. Por favor, não saia daqui nem tire o capote.

Os olhos de Haneul seguiram o caminho percorrido pelo ruivo, até o mesmo ter desaparecido, entrando numa zona de densa vegetação. A garota estranhou a atitude do Jung, afinal ele não era descuidado, e deixar a Princesa sozinha - apenas acompanhada do cavalo acastanhado - poderia ser um isco para atrair espiões imprudentes. Todavia Haneul não era imprudente e se realmente quisesse sequestrar a Princesa naquele momento e naquele lugar, nem mesmo Jung Hoseok a conseguiria impedir.

Porém a curiosidade falava mais alto que a razão ou a prudência e a mestiça acabou por escorregar suave e silenciosamente pelos ramos do grande pinheiro para, escondida na vegetação conseguir ver o rosto da Princesa - um dos objetivos cruciais de sua missão; identificar quem era Jeon Vahilla, para não haverem riscos de, durante a rebelião, capturarem pessoa errada.

Vahilla era obediente, segundo a elfo pudera perceber nos poucos minutos que se passaram após a ausência do escudeiro. Ela se manteve sentada na grama verde, observando Speedy deslizar seu focinho pelas verduras em busca do pasto ideal. Por momentos, Haneul se chegou a perguntar se estava espionando uma Princesa ou uma simples camponesa; ela não demonstrava qualquer tipo de incômodo em se sentar diretamente na grama, de ter ficado com as mãos brancas sujas de poeira escura, que provavelmente teria sujado seu nariz, quando a mesma o coçara.

Haneul queria ver seu rosto, ela tinha de o ver. E foi por isso que se esticou um pouco mais, esquecendo que os ramos menores possuíam menos seguridades que os ramos menores. Suas costas atingiram o chão com um som leve, amparados pelos arbustos de morangos silvestres. Infelizmente isso não foi o suficiente para que a Princesa não se assustasse e olhasse na direção de Haneul que, escondida no meio das verduras tinha os olhos da princesa fixados nos seus.



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Palácio de Prata, Comemoração Real

13 anos atrás

- Você não vem dançar, Haneul? - Léia Marchand era dona de um humor quase inabalável e isso se revelava, principalmente, naquelas festas requintadas.

Mas Haneul não tivera uma educação que lhe permitisse ser tão descontraída, ou tão festiva. Talvez, em parte, proveniente também de sua própria personalidade. Ela não tinha um gosto especial por festas e, se tivesse opção de escolha na matéria, teria ficado em casa rodeada de livros e um ou outro dos animais que acolhia em casa e que cuidava dos ferimentos. Eram apenas dez anos de idade, portanto Haneul sabia que festas não iriam faltar ao longo de sua vida, principalmente porque o Rei costumava dar inúmeras daquelas celebrações sem contexto, enquanto o povo se arrastava desamparado e esfomeado pelos cantos da vila.

- Não, Léia. - Haneul sorriu de forma simples e educada, sem exageros. - Na verdade, eu vou procurar os meus pais.

E, vendo a outra garota se afastar e voltar para a zona mais desperta do salão, onde inúmeros convidados dançavam ao som das músicas animadas que eram tocadas pelos músicos reais, num canto do salão. Durante sua busca pelos pais, Haneul acabou por pousar os seus olhos nos tronos reais. Os filhos do rei, a mais velha e o mais novo se encontravam sentados, observando tudo - conversando entre si uma vez ou outra, por terem uma postura a manter. Quanto ao monarca, por mais que Haneul se esforçasse por procurar em todos os cantos do salão, não o encontrou - não que isso realmente a incomodasse, mas ela supôs que, se encontrasse o rei, encontraria seus pais.

No meio de tantas buscas, e porque seus ouvidos começavam a protestar de tão incomodante e repetitiva aquela música se tornara, Haneul acabou por entrar num corredor escuro, sentindo o frio do lugar confortar seu estômago já embrulhado. À medida que andava, o som da música atrás de uma grande cortina aveludada se tornava menos intenso e isso apenas a levou a prosseguir caminho. Decidiu que ficaria na pequena salinha vazia onde o corredor a levou, até que alguém a viesse procurar, afinal de interessante aquela celebração não tinha nada.

Ajeitando a saia do vestido, Haneul se sentou no chão de pedra e encostou a cabeça contra a parede, respirando fundo e aproveitando cada pedacinho de tranquilidade.

- Me deixem ir! - sobressaltada com o susto, Haneul massajou o ponto de sua cabeça que colidira contra a parede.

Porque a curiosidade era parte de si, Haneul espreitou na pequena frecha da porta entreaberta da salinha vazia, que dava para um corredor extenso, apenas iluminado de pequenas velas. Aparentemente ela acabara de localizar o rei, e o mesmo não se encontrava sozinho. Com este se encontravam dois guardas reais, que seguravam, cada um, um dos braços de uma garota jovem, trajada naquilo que parecia ser uma camisa de dormir.

- Majestade, encontramo-la fora da torre. - um dos guardas expôs a situação,  enquanto a garota se sacudia com convicção, tentando se libertar.

- Eu não quero ir para o quarto, de novo! - as lágrimas adornavam o rosto contorcido da garota, que não devia ter menos de um ano de idade que Haneul. - Porque o senhor não me deixa andar livremente?

- Porque você não é como as outras pessoas. - a voz do rei, soou o que parecia um misto de doçura fingida e moléstia por ter sua noite interrompida. - Já tivemos esta conversa muitas vezes, e eu já lhe expliquei várias vezes portanto não me conteste. A tranquem de volta na torre.

As últimas palavras foram uma ordem dirigida aos guardas que seguravam a pequena fera descontrolada que se debatia, tentando se soltar. Por leves momentos a criança se aquietou, mas tudo porque pareceu ficar ainda mais aterrorizada. Haneul cobriu sua boca para não se permitir dizer nada que pudesse revelar sua posição, observando o desespero daquela menina misteriosa. Era sempre assim, quando via alguém sofrendo tendia em partilhar essa dor. E os gritos se seguiram por ainda muitos segundos, enquanto a menina de traje de dormida era arrastada para a tal de torre. Haneul se escondeu quando o rei se virou na direção da porta entreaberta, e sentiu seu coração acelerar com o medo de vir a ser descoberta. Contudo, alguns momentos se passaram e nada aconteceu, permitindo à mestiça abrir um dos seus olhos e suspirar aliviada.

Todavia, muitas dúvidas surgiam em sua mente. Dúvidas essas que perdurariam por longos anos.

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Floresta de Dyn’ha, Terras de Prata

Tempo presente

- Está tudo bem, Vahilla? - Haneul ficou imóvel ao escutar a voz de Jung Hoseok, que havia corrido na direção da princesa e agora desembainhava sua espada reluzente. - Viu alguma coisa suspeita?

Aparentemente não fora apenas Haneul a ser surpreendida pela aparição repentina do escudeiro, já que Vahilla levara sua mão ao peito, expelindo o ar dos pulmões de forma aliviada. Haneul tinha a certeza de que fora vista, era impossível tal não ter sucedido, afinal os orbes reais se haviam ficado nos seus por longos e intermináveis minutos. Ela seria descoberta e deitaria tudo a perder - mas, caso as coisas se complicassem, ela sabia que tinha enviado um esquilo com um relatório da missão ao seu líder.

- Hoseok, está tudo bem. Era apenas um animalzinho inofensivo, um coelho ou algo do género. - a voz da Princesa soou incrivelmente convincente. Tão convincente que Haneul começou a acreditar que era mesmo verdade o que a mulher falara. - Eu gostava, se pudesse ser, de ver um pouco mais dos bosques.

De cenho ainda franzido para os arbustos de morangos silvestres, o escudeiro voltou a guardar sua arma e a se curvar de forma respeitosa, na direção da princesa.

- Claro, Princesa.

E, levando dois dedos à boca, um assobiou chamou a atenção do cavalo, que trotou até os dois humanos. O escudeiro ajudou a mulher a subir para a sela do cavalo e, depois de se certificar que a mesma estava confortável puxou as rédeas do animal, os guiando para a zona interior da floresta.

Longos momentos de silêncio se seguiram e, finalmente, Haneul saiu de sua posição de queda, se levantando e sacudindo a poeira das vestes acumuláveis na natureza. Então fora Jeon Vahilla que, sem saber,  Haneul vira naquela noite de baile, sendo arrastada de forma cruel pelo corredor escuro e frio. Como poderia ela, então, não ver a maldade de seu pai e ser conhecida por ser? Não fazia qualquer sentido e apenas deixava Haneul ainda mais revoltada. Ou talvez um pouco assustada, com o que o homem poderia ter feito com sua filha na tal de torre.

Um pequeno guinchar de esquilo chamou a atenção de Haneul para um pequeno ramo do pinheiro. O animal de cor avermelhada trazia, presa em seu corpinho pequeno, uma mensagem - a resposta de Taehyung. Estendendo o braço para que a criatura subisse, a mestiça acariciou o esquilinho e retirou o papelzinho enrolado em canudo.


“Recebi sua mensagem, e julgo termos as informações necessárias. Suponho que entretanto tenha identificado o nosso alvo.

Excelente trabalho, pode regressar à sede. Jinhyuk e Sun Hye tratarão do resto.

-K”


- Ah, meu bom amigo... - a mulher guardou a mensagem na bolsa pequena que tinha no cinto. - Me perdoe, mas eu terei que manter algumas informações em segredo, até que eu mesma as compreenda.



Notas Finais


P.O.V. queensea (co-autora)
Só tenho uma coisa a dizer...
Queria saber escrever tão apetitosa e maravilhosamente bem como esta criança.
Desculpem, mas não tem como este capítulo maravilhoso escrito pela nossa autora não compensar a demora - porra eu até me arrepio toda porque eu fico imaginando as coisas que ela escreve como se estivessem bem aqui, oh!, na minha frente.
Eu estou gostando das tretas que aí vêem, e destas viagens às memórias de Haneul, hmm? Que gostinho tão doce, não é?

"Não queen não é, a menina tava lá sendo arrastada para a sala da tortura. Isso não tem nada de doce"

Bem visto, kkkk
Bom, como não sei o que dizer mais me resta um ¡Adiós! e um beijinho para todo o mundo. Logo voltamos <3


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