História Kingdom - Capítulo 5


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Categorias EXO
Personagens Baekhyun, Chanyeol, Personagens Originais, Sehun
Tags Chanhunbaek, Deathfic, Drama, Fem!chanyeol, Fem!sehun, Histórico, Shortfic
Visualizações 17
Palavras 4.833
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Drama (Tragédia), Mistério, Romance e Novela, Slash, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Capítulo bônus para explicação de alguns pontos. Espero que gostem!
Boa leitura! ^^

Capítulo 5 - Bônus


As flores de primavera voavam por todo o reino de Goguryeo. As crianças brincavam felizes com as plantas e uma vez ou outra recebiam broncas dos mais velhos. Perto de um lago local, uma casa tinha as suas portas abertas e uma linda mulher respirava profundamente o ar de primavera. Deu uma leve coçada em seu nariz e se voltou sorridente para dentro da casa.

— Tia!

— O que foi?

A mulher de antes entrou em uma pequena sala e viu a que tinha lhe respondido. Suas roupas em vermelho e azul vivos, o cabelo negro e liso preso apenas por um tipo de presilha dourada. Ela estava em frente ao espelho e passava uma boa quantidade de pó de arroz em seu rosto.

— Quer ajuda? — A mulher se aproximou da chamada tia.

— Não. — Ela a olhou desconfiada através do reflexo do espelho. — Por que está animada?

— Quem disse que estou animada? — Ela fez um bico que foi recebido por um riso da tia.

— É visível. — Ela largou o pote em cima de uma pequena mesa e se virou para a mulher corada a sua frente. — Chanyeol, você está muito ansiosa para ver aquele homem!

A mulher, chamada Chanyeol, ficou boquiaberta e em seguida riu soprado.

— Está bem. A tia está certa.

— Eu sempre estou certa. — Ela respirou fundo. — Aliás, quando vocês vão se casar?

— Tia! Nós não podemos casar… — A tia se levantou e olhou nos olhos de Chanyeol.

— Por que?

— Ele é um soldado e soldados não podem se casar. Eles não possuem tempo. São sempre ocupados.

— Entendo, mas então, vamos começar a preparar as coisas. Hoje eu quero muitos clientes.

Chanyeol assentiu freneticamente e foi correndo até a maior parte da casa, onde se situava as mesas para os clientes do restaurante. As duas começaram a se organizarem e logo o local se encheu. Uma hora ou outra, Chanyeol pegava o seu Gayageum e tocava uma melodia que certamente animava os clientes. Ela sorria cada vez que ouvia um elogio pelas suas habilidades com instrumentos musicais e seu sorriso aumentou ainda mais quando ouviu um ressoar de palmas. Ela largou o instrumento e foi correndo para a pessoa que vinha a admirar mais e mais.

— Dongsun! — Ela o abraçou forte e foi retribuída.

— Sentiu a minha falta?

— Claro que sim! — Eles se afastaram um pouco.

— Então, vamos lá fora para conversarmos.

As árvores refletiam no lago e davam uma sensação reconfortante. Dongsun e Chanyeol estavam dentro de um dos barcos que tinham na costeira e o homem remava até o centro do lago. Chanyeol olhava encantada para o rosto do seu amado. Os lábios cheios, os olhos bem puxados, o formato de seu nariz e de seu rosto por completo. Tudo era perfeito. Sorriu abertamente e Dongsun a olhou confuso.

— Aconteceu alguma coisa?

— Não, não. Apenas estou vendo o quão atraente você é.

O homem riu e parou de remar o barco. Ficaram se olhando por um tempo, apenas para ter certeza de que realmente não iriam esquecer das feições um do outro. Lee Dongsun era um soldado real, logo quase não ía para casa. Porém, dessa vez, algum milagre aconteceu com o Rei, a ponto dele dispensar alguns soldados. Dongsun não pensou duas vezes antes de ir diretamente para o restaurante da tia Lyn e encontrar a pessoa na qual ele ama. Os dois tinham se conhecido no restaurante há um ano atrás e a partir disso passaram a viver como um casal, mas sem o casamento. Lee Dongsun já explicou o quão difícil seria para eles casarem devido o seu cargo, mas Chanyeol aceitou calmamente.

“Não precisamos casar para provarmos que nos amamos.”

Essas foram as suas palavras em uma noite fria que os dois pararam para conversar sobre o futuro. Depois, se beijaram e terminaram a noite bem.

— Então, como estão as coisas no palácio?

— Nada de incomum, por enquanto.

— Espero que assim continue.

— Não se preocupe. — Passou a mão na cabeça de Chanyeol. — Eu sou um hábil soldado e não me deixarei ferir gravemente.

A mulher fez um bico e em seguida sorriu abertamente. Dongsun se aproximou e a beijou. Um beijo demorado e sem qualquer malícia. Doce e aconchegante como a primavera. Se deixaram levar pelo momento e depois de tanta conversa e diversão, incluindo momentos doces entre os dois, o pôr do sol se fez presente. O casal observou o céu alaranjado junto com o sol que cada vez mais ia se perdendo no horizonte. Sorriram e deram um último beijo antes de Dongsun remar até a costa do lago. Ele deu a mão para Chanyeol e a ajudou sair do barco, para em seguida irem até o restaurante. O lugar já estava se fechando e quando tia Lyn viu os dois juntos, sorriu de orgulho. Ela conhecia Chanyeol melhor que qualquer um e era visível que a moça estava feliz por ter o seu amado ao seu lado, porém também era visível que o seu coração doía por não poder se casar com ele e formar a sua própria família.

— Tia, a senhora precisa de ajuda? — Chanyeol perguntou ao ver a mulher observá-los.

— Hum? — Murmurou avoada. — Ah… me ajude a limpar as mesas, por favor.

— Está bem!

Ela sorriu abertamente e foi ajudar a tia. Dongsun ficou observando Chanyeol por um momento e logo foi ajudá-la a arrumar as mesas. Rapidamente os três limparam a casa e foram se preparar para dormir. Dongsun e Chanyeol dormiram no mesmo quarto, enquanto Lyn dormiu no quarto reserva que tinha na casa.

A noite caiu como uma pena, assim como o sono dos três. Sonhos e pesadelos passavam por suas mentes de maneira a não verem o dia seguinte nascer e o subir do sol no vasto céu azul.

— Tia Lyn? — Chanyeol perguntou ao sair do seu quarto e ver a mulher organizando uma grande cesta.

— Oh, minha querida! — Ela sorriu. — Dormiu bem?

— Sim. — Esfregou um de seus olhos e se ajoelhou ao lado da tia. — E a senhora?

— Também. Aliás, você estava tão entretida com o soldado Lee, ontem a noite, que até esqueci de te dizer. — Chanyeol olhou curiosa para ela. — Eu vou ao palácio. — Dessa vez ela ficou boquiaberta.

— Sério?! O que irá fazer lá?

— Há um homem que a muito tempo conheci. Ele se chama Cheon e trabalha para o Rei. — Chanyeol sorriu encantada. — Ele disse boas coisas sobre mim para o Rei e o mesmo exigiu a minha presença em seu palácio. Eu irei levar alguns doces para ele, assim como a Rainha e seus filhos, os Príncipes.

— Que ótima notícia! Eles vão adorar.

As duas se abraçaram e Chanyeol a ajudou a organizar as grandes cestas. Colocaram elas sobre uma carroça e tia Lyn acenava de longe para uma Chanyeol animada. Depois de não conseguir mais vê-la, ela entrou dentro da casa e foi para o quarto. Quando ela tinha saído, Dongsun ainda estava dormindo e ela não o quis acordar.

— Oh? — Ela olhou surpresa para o seu amado, já que o mesmo já estava vestido no quarto.

— Dormiu bem? — Ele sorriu e deu um beijo na testa de Chanyeol enquanto a mesma assentiu.

— Muito melhor porque você estava do meu lado. E você?

— Digo o mesmo. A tia Lyn saiu?

— Sim. Ela foi para o palácio! — Disse com os olhos brilhando.

Rapidamente contou sobre a novidade da tia Lyn e Dongsun também não deixou de ficar feliz. Embora o seu cargo seja difícil e que quase sempre ele está correndo risco de vida, ele sabe que a família real é boa. Os Príncipes, ás vezes, fazem algo errado, mas logo são corrigidos pela Rainha, que é bem autoritária e responsável. O Rei ás vezes tem algumas crises de estresse, mas quem - no lugar dele - não teria? A família real a anos vem a fazer com que Goguryeo seja próspera, mesmo com as guerras que são travadas com os chineses. Porém, apesar disso, Goguryeo é a mais rica dos três reinos e definitivamente não sairá desse posto tão cedo.

— Então… — Dongsun olhou para Chanyeol. — Lyn não voltará tão cedo. O que iremos fazer essa tarde?

— Sem a tia Lyn, não poderei abrir o restaurante… — Ela fez um bico. — Vamos andar por aí.

Chanyeol segurou na mão de Dongsun e saiu o arrastando até a rua. Os dois se divertiram à beça pela área de comércio e uma vez ou outra eram elogiados pelos proprietários, tudo por serem um lindo casal. O sol logo ia começar a se pôr, logo os dois voltaram para a casa enquanto riam das suas aventuras pelo reino. Chanyeol se jogou na cama e sorria abertamente para o teto. Dongsun se deitou ao seu lado e entrelaçou a sua mão na da mesma.

— Me diverti bastante hoje!

— Eu também! Isso poderia durar para sempre… — Dongsun olhou para Chanyeol.

— Por que ficou tão deprimida do nada?

— Eu… — Ela mordeu o seu lábio inferior. — Eu gostaria de me casar com você, mas não podemos. Logo, essa diversão não irá durar para sempre.

— Ei, pare com isso! — Ele se sentou e olhou nos olhos marejados de Chanyeol. — Não chore!

Chanyeol engoliu em seco e assentiu rapidamente. Não queria chorar por algo bobo na frente de quem ela mais gostava. Porém, os seus olhos insistiam em arder e fazer a sua garganta doer em mágoas.

— Está tudo bem. Nós iremos ficar juntos, mesmo que eu seja um soldado.

Ele se aproximou e beijou os lábios de sua amada. Enquanto a sua mão esquerda estava apoiada na cama embaixo dos dois, a sua direita passava pelo rosto de Chanyeol. O pôr do sol e a noite foram curtos, tudo porque ambos estavam felizes.

❀❀❀

— Parabéns! — O choro alto podia ser ouvido há casas de distância. — É uma menina, senhorita Chanyeol!

A mulher sorriu sem forças e pegou o pequeno ser humano em seu colo. Balançou ela calmamente enquanto dizia palavras aconchegantes.

— Qual será o nome? — Tia Lyn perguntou com os olhos marejados.

— Chanhee. Park Chanhee.

— Bem vinda, minha nova sobrinha.

Lyn beijou a testa da recém nascida e ajudou Chanyeol a limpá-la. Assim foi nos próximos meses, até que Lee Dongsun, finalmente, apareceu. Enquanto Chanyeol tocava uma de suas músicas, o homem entrou desesperado no restaurante, chamando a atenção de algumas pessoas, incluindo Chanyeol, que não demorou muito para abraçá-lo e dizer o quanto estava feliz. Pegou em sua mão e o levou até o quarto, mostrando a criança enrolada em um pano de seda que a Rainha deu de presente para a tia Lyn. Dongsun sorriu abertamente e pegou a criança no colo, a dando beijos e dizendo o quanto a amava. Chanyeol sorria e dava gargalhadas com as ações do soldado e por um instante passou pela sua cabeça se não seria bom ele renunciar do seu cargo de soldado e vir viver com a sua filha. Porém, ela balançou a cabeça e tirou esse pensamento de sua mente. Chanyeol é uma mulher sonhadora que ainda não sabe os limites de seus sonhos e tende a colocar expectativas onde não existe.

❀❀❀

Uma semana tinha se passado desde que Dongsun veio visitar Chanyeol e Chanhee. Agora, ele iria visitá-las novamente e a moça fez questão de preparar um ótimo banquete para ambos. Chanhee olhava atenta para todos os movimentos da mãe e não deixou de sorrir quando viu que seu pai havia entrado no restaurante. Ele a pegou no colo e ambos deram boas gargalhadas enquanto Chanyeol observava encantada a sua família.

— Como estão as coisas no palácio? — Chanyeol perguntou e Dongsun travou. — Querido? Aconteceu alguma coisa? — O seu coração disparou em alerta.

— Eu vou demorar, novamente, para vir para casa. O Rei mandou uma parte dos soldados para a fronteira e entre esses soldados, está eu.

— Não! — Chanyeol falou alto e claro. — O Rei sabe que você tem uma filha! Por que ele te mandaria para lá?!

— Chanyeol, acalme-se!

— Não, eu não vou ficar calma! O pai da minha filha vai estar mais longe ainda dela e ainda correndo risco de vida. O que esse Rei tem na cabeça?

— Não fale dessa maneira da Vossa Magestade! — Dongsun a alertou. — As paredes possuem ouvidos e se não tomar cuidado…

Chanyeol respirou fundo e se acalmou. Essa foi a primeira vez que extravasou em frente ao seu amado e definitivamente não iria se perdoar. Lee Dongsun é um soldado, logo é a sua obrigação cuidar do reino de Goguryeo. A moça olhou para Chanhee e sorriu, para em seguida pedir desculpas por ter gritado e consequentemente assustado a pequena criança.

— Tudo bem. Vá e fique seguro. — Chanyeol olhou para o homem à sua frente e sorriu pequeno. — Eu vou estar rezando para você, então, com certeza, você voltará mais cedo que o planejado.

Dongsun suspirou aliviado e foi até Chanyeol, a lhe dando um beijo e um abraço apertado. O resto da noite foi bem, mas o coração de Chanyeol ainda estava apertado e com um pressentimento estranho.

❀❀❀

Chanyeol saiu correndo pela rua, esbarrando em outras pessoas e recebendo xingamentos em troca de seu desespero.

— Dongsun! — Gritou e saiu em frente a multidão.

Havia uma grande faixa com nomes de soldados que foram feridos até morrerem na fronteira e Chanyeol procurou sem querer ver o nome de Lee Dongsun. Passou o seu olhar desesperadamente pelos nomes e eles travaram em um nome que estava no meio dos outros. Soldado Lee Dongsun, durma em paz.

A mulher caiu no chão e começou a derramar lágrimas silenciosas. O seu corpo, a sua mente, o seu coração, tudo estava em uma dor terrível.

— Seu idiota… — Ela murmurou. — Você voltou cedo demais.

Chanyeol! — A voz da tia Lyn, que antes estava tão distante, foi ficando mais próxima a ponto de conseguir levantá-la. — Levante do chão!

— Tia! — Gritou. — Dongsun… O meu Dongsun está morto! O que será da Chanhee sem ele?

Tia Lyn olhou para a faixa e engoliu em seco. Em seguida, abraçou Chanyeol enquanto a mesma gritava de tanto chorar.

— Pare de chorar, criança. Você ainda tem a Chanhee e eu… Ela crescerá bem. — Afagou os seus cabelos e depois de muito tempo ela se acalmou o suficiente para saírem de perto daquela multidão que a observava com olhares de pena. Chegaram em casa e Chanyeol foi direto para o quarto, trancando a porta e chorando pelo resto do dia.

Lyn cuidou de Chanhee todo esse tempo e agradecia mentalmente pela criança ainda não ter mente formada a ponto de entender o que estava acontecendo.

— Quanto mais você cresce, mais você esquece as coisas. Você nem vai lembrar daquele homem… — Passou a mão na cabeça da criança que sorria para ela. — Você também é forte… irá ser uma incrível mulher. Sua mãe terá orgulho de você. Eu terei orgulho.

Sorriu triste e rapidamente secou uma lágrima insistente que escorreu pelo seu rosto.

❀❀❀

— Vamos, você consegue! Me desarme!

— Tio, você é muito maior do que eu!

— Ei, qual o seu nome?!

— Tio… — A menina colocou as suas mãozinhas no joelho e seu tio gritou a mesma pergunta. — Park Chanhee!

— Exato, você é ela! Me desarme!

Chanhee foi para cima do homem que era quase mais de um metro maior que si e desarmou a sua espada de aluminío.

— Você conseguiu! — O homem pegou a menina no colo e rodou enquanto davam risadas.

Chanyeol observava de longe junto com Lyn. Depois do deprimente ocorrido, tia Lyn fez de tudo para que a moça se animasse e cuidasse de sua filha. No começo foi difícil, mas como o tempo é o melhor remédio, logo teve forças para cuidar de seu bem mais precioso. Depois de um tempo, um dos irmãos de Lee Dongsun - Lee Dongmin - apareceu no restaurante. Ele também era um soldado, mas pediu para sair assim que seu irmão faleceu. Graças às suas habilidades com espadas, arcos e qualquer outra arma, ele ensina Chanhee a como se defender. Tia Lyn disse que seria ótimo se ela fosse uma mulher forte. Apesar de Chanyeol estranhar no começo, até porque é muito raro existir uma mulher soldado, ela acabou por aceitar e sentir cada vez mais orgulho da sua pequena. Ela já tinha dez anos e possuía uma incrível habilidade em aprender rápido. Realmente, era uma menina preciosa.

— Chanyeol.

— Hum? — Chanyeol se voltou para tia Lyn.

— O palácio… é um bom lugar para você. — A moça franziu o cenho.

— Por que está dizendo isso?

— O Rei possui quatro filhos, mas o Príncipe herdeiro se destaca de todos os outros.

Chanyeol riu soprado. Esse era um dos dons da tia Lyn. Conseguir colocar uma pessoa rica e popular em um pódio.

— Não é óbvio? Ele é o Príncipe herdeiro. Óbvio que iria se destacar. — Lyn riu e concordou com a afirmação.

— Mas… ele é realmente muito legal, divertido e único. Quando eu comecei a ir para o palácio, eu achava que ele apenas seria mais um mimado igual os irmãos, mas é muito diferente. Ele possui algo que os outros Príncipes não possuem.

— E o que seria? — Chanyeol perguntou curiosa e Lyn sorriu para a mesma.

— Bondade. — A moça torceu a boca.

— Achei que seria algo maior.

— Mas é! Chanyeol, entenda. No nosso mundo, não há muitas pessoas boas. As pessoas vivem cada vez mais em meio a escuridão e tendem a fazer coisas terríveis apenas por diversão. O Príncipe herdeiro que, aliás, se chama Baekhyun, ele é incrível. Vive em meio a pressão e comentários maldosos, mas nunca fez nada terrível. Na verdade, eu ouvi da Rainha que a pior coisa que ele já fez foi enganar uma das servas, apenas para ele comer mais cedo os doces que ela tinha feito.

Chanyeol deu risada e foi acompanhada por Lyn.

— Então… — Chanyeol começou a dizer. — a senhora está planejando que eu me case com ele? — Lyn sorriu pequeno. — Me desculpe, mas eu não quero dividir alguém.

— Ele não tem esposas. — Chanyeol ficou boquiaberta. — Ele é o único Príncipe que não possui uma esposa e o Rei está ficando louco com isso. Ouvi dizer que ele quer arrumar, em quatro anos, uma mulher para o Baekhyun. Essa pode ser a sua chance.

— Tia… eu não quero me envolver com ninguém.

— Pare de ser idiota! Dongsun morreu, mas morreu como um guerreiro e não tem o porquê de você ficar se restringindo. Não estou dizendo que precisa de um homem em sua vida, mas não quero que se feche a ponto de não dar a chance a ninguém. Você é incrível e com isso é capaz de tudo.

— Mas eu tenho uma filha.

— A família real não precisa saber disso. Eu já mencionei você algumas vezes para a Rainha, mas nunca disse que estava apaixonada e muitos menos que tinha uma filha.

— Não quero deixá-la sozinha.

— Ela não está sozinha. Neste momento, — Ambas olharam na direção de Chanhee, que duelava novamente com Dongmin. — ela precisa evoluir e ser uma mulher maior do que já é. Dongmin ensina ela quase todos os dias e eu já ouvi ela dizer a ele que queria muito que você também tivesse sucesso na vida.

— Ela disse isso?

— Sim. Ela também vê que você está infeliz e que precisa de algo novo em sua vida. A sua filha é a melhor coisa que te aconteceu, portanto não a decepcione. Chanhee é inteligente e tenho certeza que ela irá entender o seu lado, caso queira ir para o palácio e casar-se com Baekhyun.

❀❀❀

Chanyeol passou dias, semanas, meses e anos pensando sobre a oferta, e cada vez mais ela não parecia ser tão ruim. Chanhee treinava cada vez mais conforme ia crescendo. Agora ela já estava nos seus quatorze anos e não possuía nenhum pouco de vontade de desistir. Um dia até chegou a dizer que gostaria de ser um soldado, mas sua mãe a olhou com receio, fazendo a menina ficar menos motivada. Porém, depois da tia Lyn conversar com ela e esclarecer que ser um soldado seria muito difícil e que ela iria correr muito risco de vida, ela mesmo assim continuou com o pensamento em mente. Chegou até a dizer que tinha três opções para o seu futuro: Se tornar uma soldado; se tornar Rainha; trabalhar no restaurante da tia Lyn.

Chanyeol riu com o fato da filha ter incluído o termo Rainha, mas não disse nada que pudesse fazê-la chorar. Quem sabe, no futuro, caso ela se case com o Príncipe Baekhyun, ela não possa arrumar algo para a filha.

— Algo terrível aconteceu! — Lyn entrou na casa, assustando Chanhee e Chanyeol.

— O que aconteceu? — Chanyeol perguntou assustada.

— O Rei está morto.

O tempo parecia ter parado e Chanyeol já sentia o que poderia vir para frente. Byun Baekhyun se tornaria o Rei e tia Lyn empurraria Chanyeol para ele como se ela fosse uma mercadoria.

Dito e feito. Porém, foi mais fácil que o imaginado. O próprio Rei exigiu a presença de Lyn no palácio, tudo graças a amizade que a mulher construiu na época em que o antigo Rei era vivo. Chanyeol foi convocada para ir ao palácio, mas o seu coração estava apertado. Não queria sair de perto de sua filha, mas a mesma estava mais que animada para que a mãe fosse encontrar o Rei.

— Mãe, vai logo! Você se esqueceu que ele é o Rei do nosso reino e que, além de muito inteligente e bonito, é bondoso, como a tia Lyn disse? — Chanhee abraçou Chanyeol, vendo que a mesma começaria a chorar logo. — Eu confio em você e sei que vai dar tudo certo. Eu vou estar aqui, torcendo para você. Eu continuarei a lutar arduamente e me tornarei uma grande mulher. Confie em mim e, principalmente, em você.

Chanyeol abraçou fortemente a filha e sem demorar mais, se despediu de Chanhee e seguiu o seu caminho até o palácio. Estava ansiosa, com medo e encantada ao mesmo tempo. Uma mistura de sentimentos que nem ela entendia muito bem. De tanto a tia Lyn falar sobre o atual Rei Baekhyun, ela acabou criando uma espécie de afeto pelo mesmo e necessitava conhecê-lo pessoalmente, mas o medo e falta de confiança falava mais alto. Porém, com impulso que sua filha lhe deu, tudo ficou mais claro e fácil. Nada que uma boa atuação, onde ela será um pouco desastrada e desatenta, onde não saberá o porquê de ter ido ao palácio, não resolva.

— Uau! — Tia Lyn exclamou ao chegar em casa. — Chanhee, a sua mãe é uma atriz.

— O que ela fez? — Se sentou ao lado da tia, a olhando curiosa.

— Ela se passou, completamente, por uma pessoa desastrada. Entrou na sala do trono, simplesmente, exclamando e perguntando como conseguimos entrar lá. — Chanhee riu.

— A minha mãe é incrível. — Lyn assentiu. — Mas, então, ela conseguiu?

— Ela ficará lá por um tempo. O Rei, e a sua mãe também, irão decidir se vão se casar ou não. Só resta torcermos que o Baekhyun goste dela. Chanyeol me disse que iria atuar menos enquanto estivesse lá, porque ela não gosta de falsidade.

— Então, ela só atuou no começo para chamar a atenção da Vossa Majestade?

— Sim. — Lyn sorriu orgulhosa.

Tudo estava dando certo, assim como elas planejaram.

Mesmo que depois de um tempo, Oh Sehun, a segunda esposa do Rei, tenha ido visitar o restaurante de Lyn, tudo deu certo. Chanhee ficou brincando com algumas crianças do povoado e nem sequer apareceu na casa. Realmente, tudo estava dando certo.

❀❀❀

— O que diabos está acontecendo?! — Lyn gritou ao ouvir altos barulhos pelas ruas.

— Tia! — Chanhee apareceu. — O palácio está sendo atacado!

— O que?!

Lyn já ía saindo de casa, quando Chanhee a abraçou e pediu para não sair, porque senão ela poderia morrer. A mulher respirou fundo e foi checar as portas e janelas da casa. Todas estavam fechadas e considerando o local que o restaurante era localizado, não iriam encontrá-los. As horas passavam e Lyn batia o seu pé freneticamente. Estava tendo uma crise de nervosismo e não sabia se aguentaria ficar dentro de casa por mais tempo. Porém, uma batida na porta chamou a atenção das duas. Lyn se aproximou de Chanhee e pediu para que ela ficasse quieta.

Tem alguém aí? — Lyn franziu o cenho ao parecer ter reconhecido a voz. — Lyn? Sou eu, o Cheon! Abra a porta. Eu trouxe um soldado e ele possui notícias do Rei e da Rainha.

Lyn começou a chorar de desespero e abriu a porta, abrindo caminho para Cheon e para o soldado. Os dois entraram e a mulher não sabia como começar a conversar. Chanhee, vendo o desespero da tia, tomou a frente.

— Cheon? — O homem olhou confuso para a menina, que mais parecia uma versão criança da Rainha. — O que aconteceu com o Rei e a Rainha?

— Ah, bem… — Ele olhou para o soldado que estava ao seu lado.

— Bem, senhorita, — O soldado tornou a falar enquanto entregava um pergaminho para a tia Lyn. — eles, infelizmente, estão mortos. A Rainha, antes de falecer, mandou entregar esse pedaço de pergaminho para a senhora Lyn.

Chanhee sentiu como se tivessem dado uma facada em seu estômago e começou a chorar desesperadamente. Cheon se assustou e não sabia o que fazer, já que Lyn também começou a chorar enquanto lia a folha. O mundo das duas tinha caído. A partir do momento que Chanyeol foi-se embora, nada mais iria fazer sentido. Chanhee se aproximou da tia e pegou o pergaminho, lendo-o em voz alta.

Tia Lyn, nesse momento, eu não sei o que acontecerá comigo, com o Baekhyun ou com a Sehun, mas saiba que independente do que acontecer, eu quero que Chanhee fique sabendo e que lute para tomar o reinado, pois eu a dou o título de herdeira do reino de Goguryeo. Adeus.

As duas voltaram a chorar alto e se abraçaram, enquanto Cheon e o soldado se entreolharam confusos.

— Mas… o que aconteceu aqui? Quem é Chanhee? — Perguntou depois de um tempo.

— Ela é a Chanhee. — Lyn olhou para a menina em seu lado, que chorava silenciosamente. — Park Chanhee, filha da Rainha Chanyeol.

— Como?! A Rainha Chanyeol tinha uma filha antes de se casar com o Rei Baekhyun?

— Sim. Ela é filha de um soldado e, por favor Cheon, não grite para o mundo que isso foi uma traição. A culpa é minha.

— Por que… — Cheon colocou a mão na cabeça. — Está bem, eu vou ficar quieto. Mas ainda não entendi uma coisa. Como que uma criança vai lutar para tomar o reinado? Os chineses estão com tudo agora.

— Ela é uma guerreira. Treinará e lutará até o fim. Conquistará de volta o trono de sua mãe e será uma incrível Rainha. Ela ainda tem quatorze anos, mas acredito que daqui, pelo menos, dez anos ela consiga montar o seu próprio exército e derrotar os chineses.

Cheon ficou boquiaberto, mas não contestou mais nada. O tempo passava devagar graças a tristeza, mas no dia seguinte, além da tristeza, algo maior invadiu o coração de Chanhee. O ódio, a sede de vingança e o espírito de luta. Passou a treinar todos os dias com o seu tio Dongmin e o soldado que veio acompanhado de Cheon. Com o passar dos anos, Cheon foi encontrando mais soldados fugitivos e com isso eles foram formando o seu exército, calculando tudo perfeitamente para nada passar percebido.

Chanhee se tornou uma mulher realmente incrível e aos seus vinte anos já estava ainda mais animada para o dia em que ela iria invadir o palácio e matar aquele que roubou a vida do Rei e de sua mãe, a Rainha.

❀❀❀

O dia tão aguardado chegou. Chanhee já estava com vinte e quatro anos, ansiosa para invadir logo aquele lugar que tanto quis ver de perto. O seu pequeno exército já estava pronto, contando com apoio emocional de tia Lyn e Cheon.

Chanhee respirou fundo e vestiu a sua máscara, indo em direção do palácio, atenta a qualquer um que tentasse ferir ela ou os seus companheiros de guerra. Ao ficar cara a cara com o Rei, usou a sua aparência absurdamente parecida com sua mãe, a fim de torturar o atual Rei chinês e leu em voz alta a carta deixada por sua mãe, dizendo que era ela a herdeira do trono. Assim, a sua vingança foi concluída e Goguryeo viveu em paz por mais vários anos.

Ninguém nunca soube que a Rainha Chanyeol, na verdade, se matou para ficar ao lado do marido. Uma atitude egoísta, já que no momento ela nem sequer pensou em sua filha.

Isso é o que algumas pessoas pensam, mas, na verdade, ela morreu como uma guerreira. Chanyeol sabia que não teria como fugir da morte naquele dia. Todos conheciam a Rainha e o exército chinês estava atrás dela. Não queria ter que ir para o restaurante da tia Lyn e correr o risco de morrer em frente de sua filha e acabar levando ela e sua tia juntas.

Um ato para proteger quem realmente ama. Esse foi o esperado da Rainha Chanyeol.

 

— Realmente, o esperado da mãe da minha sobrinha adotiva. — Lyn disse enquanto olhava para o céu.


Notas Finais


XOXO~ ♥


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