1. Spirit Fanfics >
  2. Kingdom Come >
  3. Capítulo 3

História Kingdom Come - Capítulo 3


Escrita por:


Notas do Autor


Apareci!
Gostaria de agradecer aos favoritos e aos comentários também.

Agora, sobre a fanfic... Nesse capítulo eu queria deixar um pouco visível o "interesse" que Elaine tinha para com Ban, até então, mas ela logo vai tirar isso da cabeça. Pretendo também, até o capitulo 5, mostrar o desenvolvimento de amizade de Kilia com Elaine, Elizabeth e Diane, após o 6 haverá um pulo de tempo.

Peço desculpas pelos erros ortográficos (cap não revisado). E boa leitura =3

Capítulo 3 - Capítulo 3



Capítulo 3


Elaine Fairy 
18:12 


Estávamos na cozinha. Eu bebericava a água lentamente, sentia o líquido saudando minha garganta seca e dando um sabor alternativo ao azedo que prevaleceu em meu paladar, enquanto isso eu admirava Elizabeth – bem prendada –, ela manuseava equilibradamente uma espátula com dois mistos para a bancada de mármore bege, ao meu lado. 

Eram mistos de picles. Eu odeio picles. Mas Liz os faz com tanta dedicação que nem me importo de pedir para ela tirar dos meus, assim como eu não me importo de ficar catando-os dos meus mistos. 

Todos os ingredientes estavam a sua disposição, eu estava focadíssima no meu celular, deslizava a tela com os olhos atentos, talvez eu buscava uma fofoca capaz de nos fazer fofocar por minutos estendidos, ou apenas para ler os comentários engraçados. Éramos abraçadas pelo Spotify que nos proporcionava o mais novo álbum da Selena Gomez, comentaríamos sobre isso também  e quem sabe, em um futuro bem distante e inimaginável, não poderíamos relacionar futuros relacionamentos com Lose To You To Love Me e Croeded Room? 

– Eu já vou indo, Elaine. – Tia Gerharde se levantou da cadeira de assento fofinho, mostrando que já havia terminado seu lanche. Ela olhava fixamente para o celular. – E obrigado pela comida, Elizabeth. 

De perfil, Liz virou-se, sorrindo.  – De nada. 

Tia Gerharde estava passando um tempinho aqui em casa após uma discussão – desnecessária, mas engraçada – com tio Gloxinia, isso se repetia várias e várias vezes. Dessa vez ela alegou que ele era um charlatão enquanto jogavam cartas tarot (que eram lidas por Gloxinia),  após uma interpretação errada por parte dela, brigaram. 

E sim, tio Gloxinia lê cartas Tarot nas suas horas vagas. Ou quando estava sem nada para fazer. 

Me desapoiei do balcão de mármore bege, guiando-a até a porta. Dei uma risadinha, girando a chave. – Está saindo com algum gatinho, titia? – Minha voz saiu em um tom de provocação, mas ela nem percebeu muito, pois me olhava como se eu tivesse dito uma coisa muito feia. 

– Está louca, Elaine? Isso são palavras para se dirigir para uma mulher como eu? – Ela abriu a porta, tempo de colocar a mão direita no peito. Dramática. – Eu vou fazer compras, não preciso de homem! – Alterou a voz, pude perceber seu rosto ficando avermelhado. – Eu vou comprar aquele shopping todinho! Onde que um homem faria isso por mim, Elaine? 


Agora foi minha vez de por minha não sob meu peito enquanto a outra se remexia, um sinal de “tudo bem, tudo bem". Tia Gerharde havia terminado seu último casamento seis meses atrás e bem... ele a traiu. Eu entendia seu sufoco em relacionamentos. E em homens. 

– O que é um Pálio? – Ela perguntou retoricamente, avaliando os carros que estavam estacionados pelas proximidades. – Ah, ali. 

Eu puxei ela para um abraço rápido, no qual foi correspondido com um beijo em minha testa. – Cuidado, titia. Qualquer coisa, liga. – Murmurei, sentindo o abraço acabar as pressas. 

– Aproveite a festa! – Acenou. 

Avistei ela correndo, atravessando a rua toda desajeitada e entrando no carro mediano, vermelho. Quando ela fechou as portas e foi-se embora, fiz o mesmo. Caminhei até a cozinha novamente, jogando as chaves no balcão, desajeitadamente. 

– Já decidiu com que roupa você vai? – Liz questionou quando sentiu minha presença. Ela equilibrava, perfeitamente, 3 mistos  na espátula, colocando-os no pratinho posto na mesa. 

Eu peguei meu copo e dei uma lavada rápida, pensativa. Eu não tinha pensado sobre a vestimenta, muito menos pensei em comprar uma já que King comentou sobre “algo casual, de amigos”. 

– Para ser sincera... não. – Rimos. – Pega os mistos que eu pego o refrigerante com os copos. – Pedi. – Vamos ficar lá no quarto mesmo. 

– Tudo bem. 

Antes de irmos comprar uma saia “mais comportada”, eu, Liz e King ficamos enrolando pelo shopping. Almoçamos, obviamente. King também nos mimou com algumas compras concebidas – por milagre, eu e Elizabeth compramos conjuntos íntimos e roupas estilo VSCO Girl, ficou super lindo! Uma pena Diane não ter vindo também. 

Depois disso ele nos deixou em casa, trocou-se e disse que iria procurar uma roupa casual para si, porém não retornou ainda. O lado positivo era que a casa estava em nossas mãos, o negativo é que estávamos com preguiça, o suficiente de ficar trancadas em meu quarto sem fazer nada. 

Enquanto Liz subia as escadas, eu coloquei meu celular na cintura e peguei 2 copos, juntamente com o refrigerante e fui para o corredor. Antes de subir, eu avaliei tudo que meu campo de visão poderia visualizar afim de encontrar algo desarrumado, porém não. Ignorando isso, comecei a subir as escadas quando meu celular começou a vibrar de dois em dois segundos, agora pronto. Apressei meus passos e caminhei até o final do corredor, entrando na última porta aberta. 

– Pega meu celular, por favor. – Eu remexi minha cintura e Liz logo entendeu. 

Eu olhava para a mesma, puxando minha pequena mesinha de vidro para o centro. 

– É uma chamada de vídeo da Diane. – Respondeu. – Vou aceitar. 

Eu deixei o refrigerante na mesinha, pegando o misto da mesa e colocando lá também. Liguei o ar, porque ninguém merece viver no calor, e liguei a televisão também, deixando-a em “tela preta" para decidirmos o que fazer com ela. 

– Oi, Diane. – Elizabeth fechou a porta, sentando-se ao meu lado, saudosa. 

Credo, que horror. – Diane, como sempre, começou debochando. – Bebeth, você nasceu feia assim ou fez cursinho? 

– Eu aprendi com você, alma sebosa. – Liz respondeu de uma forma engraçada, revirando os olhos. 


Arrumando o vaso de porcelana que enfeitava minha mesinha, ela apoiou meu celular lá. 

– Oi, eu estou aqui também. – Murmurei, despejando um pouco de refrigerante no meu copo verde, de florezinhas amarelas. 

Ah, Elaine, que desprazer em ver você. – O rosto de Diane só faltava entrar pela tela do meu celular. Se pudesse, ela já estava aqui. 

– Por que liga então, sua vaca? – Questionei, rindo. 

Eca gente, que humor é esse? 

– Ela tá falando assim porque transou, certeza. – A platinada sugeriu, tirando sorriso dos lábios de Diane. 

Na chamada, podíamos ver que ela estava apenas de sutiã e um short jeans preto, curto. – Eliza, como sempre, orgulho total. – Brincou. 

– Como assim? Ela acertou? – Perguntei, olhando-a. – Como assim? 

– Olha para cara de safada dela, Elaine. Ela deu. Anda na rua e vem seis carapanãs atrás dela. 

Eu semicerrei os olhos. – E como você sabe que é assim, bonita? – Ela se encolheu, pegando um misto e comendo. – Caralho, como assim? 

Ele mandou mensagem. – Diane estava, novamente, com o rosto próximo a câmera. – O nome dele é Howser... e ele está me chamando para beber. Interessante. – Ela estava com os olhos semicerrados, mas retornou a sua posição. 

– Gata, por favor, tem o negócio da intimidade e tudo mais, mas não somos obrigadas a te ver assim. – Estremeci. – Aliás, você foi para seu curso ou foi transar? 

Elizabeth me cutucou, acenando para a porta que acabará de abrir. 

Só está falando dos meus peitos porque você não tem. – Diane os aproximou da câmera, balançando-os como uma louca. 

King estava me olhando, parado. Não sabia dizer se naquele ângulo ele podia ver a dissimulada da Diane, em pensamentos positivos, definitivamente não. Elizabeth pegou meu celular, desligando-o, e voltou a comer seu misto como se nada tivesse acontecido. 


– Voltei. – Ele falou. – Eu atrapalhei alguma coisa? – Perguntou de sobrancelha arqueada. 

Me levantei com meu copo em mãos, caminhei até meu irmão o levando para o corredor. – Um posso entrar séria ótimo. – Disse, bebendo meu refrigerante, ou apenas o que sobrou dele. 

– Desculpa, eu não ia saber que sua colega ia estar balançando os peitos! – Eu pude perceber que seu rosto estava tingido de vermelho, nas bochechas, deixando evidente sua timidez. – Mas eu só ia te avisar que comprei um vestido para o jantar, e que se for enrolar, é melhor ir se arrumando. 

– E cadê ele? – Eu sorri, animada. King sabia aonde e como encontrar os melhores modelos de roupas. 

Ele foi até uma sacola que estava ao lado da porta, bem no cantinho, algo que passou despercebido por mim quando sai. 

– Na verdade, mandei um modista fazê-lo especialmente para você. – King coçou a nuca, me entregando. – Eu espero que você goste. 

Sorri, em agradecimento. 

– Aliás, irmã, se quiser, chama a Elizabeth. – Disse por fim, virando-se. 

Deixei ele descer as escadas e corri para o quarto, onde Liz já estava comendo como uma desesperada, sem freio, sem nada. 

– Amada? – Ela me olhou, e eu arqueei a sobrancelha. – A comida não vai fugir, pode comer. 

– É que bateu fome, de verdade. – Ela sorriu sem graça, limpando a boca. – Ligo para a Diane de no---, ah, ela já está ligando. 

Elizabeth foi recebida com um xingamento, algo completamente natural e nada fora dos eixos. Me sentei na cama tirando o vestido da sacola, ele estava dobradinho e bem arrumado. 

Por que vocês desligaram? Estavam com inveja é? 

Eu me aproximei do celular. – Tu é muito fodida mesmo, meu irmão viu você pagando esse vexame, Diane. – Disse. 

Ah, então seu irmão não é uma lenda. – Ela comentou em um tom brincalhão. 

Diane entrou no colégio no mesmo ano que King viajou, então enquanto ela frequentava minha casa, no máximo via tio Gloxinia e tia Gerharde. Vendo elas conversarem entrosadas, eu estiquei meu vestido para vê-lo. 

É, tinha me esquecido que meu irmão tem bom gosto. 

– Uau, que lindo. – Liz elogiou, virando a opção da vídeo chamada de câmera frontal, para câmera traseira. 

Era curto, pequeno e todo rendado, do jeitinho que eu gosto. 

Não pude assistir a expressão de Diane, mas ouvi um assobio. – É, estou gostando dele, muito bonito, me empresta depois? 

Dei uma risadinha. – Você não me emprestou aquele salto vermelho, lembra? 

Amada? Você ia parecer uma criança, e se caísse e quebrasse o nariz? Torcesse o tornozelo? Gente, tem que se situar né? 

– Engraçadinha. – Murmurei. – Aliás, Liz, você pode ir comigo se quiser. 

– Sério?! – Ela pareceu surpresa, mas logo assentiu. – Óbvio que eu vou, comida farta a minha disposição. 

Por que a Elizabeth pode ir e eu não? Já vi quem é a preferida. – Dramatizou. 

– Meu irmão só conhece ela de amiga, gata. Na próxima aparece aqui e não inventa desculpas de “vou ir para o curso”. – Disse, admirando o vestido. – E imaginar que trocou uma tarde conosco para transar. 

Não tenho culpa se ele estava dando mole. Aliás, falando em caras lindos, viram os status da novata? 

Eu e Elizabeth logo se entreolhamos e ela abriu em uma velocidade surreal o Instagram, que deu até uma travada. Como havíamos pesquisado o nome dela antes, o user de Kilia era um dos primeiros na lista de recentes. 

Entramos no status e demos de cara com o primeiro status após o último. Kilia estava de costas exibindo um vestido colado – e longo – da cor marsala, a legenda era “como é difícil ser eu”. Rimos. No próximo, era um emoji raivoso e seus dedos todos sujos em tom aquarela, provavelmente ela estava se maquiando, e por fim, o último foi uma surpresa para nós. Era ela e o suposto irmão, Ban segurava seus ombros de uma forma íntima, ele usava uma blusa social vermelho vibrante que caiu perfeitamente nele. Uau, a genética foi boa com eles. 

Né que ele é super gato? – Diane deu um gritinho, batendo palmas. 

Por um segundo Elizabeth sorriu, ela me olhava como se fosse contar um segredo meu. – E sabe do melhor, Diane? – Fez um suspense, a olhei. – Ela está interessada nele. 

Pude ouvir risadas doutro lado, e em minha frente também. Senti minhas bochechas esquentarem, fiquei envergonhada. 

Vacilamos, Elizabeth. – A voz de Diane estava carregada de sarcasmo, dava para ouvir da cozinha. – Se fôssemos mais espertas, era para perguntarmos na hora do intervalo qual a relação de Kilia com esse cara. 

Eu me sentia completamente envergonhada. Porra. Por que estou assim? 

– Né! – Concordou. – Além do mais, achamos que ele ou é irmão ou é namorado. 

Tanto faz, mas se for namorado, a garota é sortuda, mas a Elaine ia ficar admirando o coitado de longe igual fazia com o Helbram. 

Eu não mereço passar por isso. 

– Parem de falar de mim como se eu não estivesse aqui. – Bufei. – Eu só achei Ban familiar, e bonito, nada demais. 

– No shopping você disse que toparia ir nos beijinhos com ele. – A safada da Elizabeth me dedurou, entre risadinhas. 

– Quem não toparia?... – Eu disse retoricamente. – Vão dizer para mim que acham ele feio? 

– Aceitável, mas não faz meu tipo. 

Acho ele gostosão, mas é aquele ditado caso Kilia e ele terminarem... jogou na vila, o peixe fuzila. 

Eu não aguentei, rimos por alguns segundos. – Uma hora ele é irmão, ou é namorado, tá difícil para nós. – Disse, deixando o vestido acomodado na cama, sem intenções de bagunça-lo. 

Se duvidar minha cara, ele aparece como pai, primo, avô, chofer. 

– Eu não duvido também não. – Liz confirmou, me dando o celular. 

Assim que peguei, pude ouvir vozes abafadas, que sugeri ser mãe de Diane. – Gente, minha mãe está me chamando. – Ela jogou o celular na cama e ouvi o ranger no armário, provavelmente tomou coragem para se vestir. – Ai gente, ‘tô nervosa, o que eu fiz? Ai, tchau. – Encerrou a chamada de forma divertida. 

– Diane é uma piada. – Liz disse, parada em frente ao meu guarda-roupa, analisando minhas roupas sociais. 

– Uma vaca, isso sim. – Disse. – Eu vou tomar banho, é melhor nos apressar mesmo. 

Peguei minha toalha no gancho e rumei para o banheiro. Kilia e Ban estavam com roupas sociais, iriam sair... e eu esperava que nos encontrássemos de repente, do nada. Isso é uma ideia boba? 

Eu neguei, remexendo minha cabeça de lá para cá afim de ajustar meu cérebro. A ideia não era boba, boba era eu de querer me encontrar com eles... com ele. 


... 


19:34 

Já se imaginou entrando atrasado em um casamento? Você, por exemplo, é a madrinha de casamento da noiva e chega apressada na igreja por entre salvos e buquês. Todas as atenções vão ser guiadas para si, você consequentemente seria alvo de risadinhas, de cochichos... eu me sentia assim, não como a noiva, muito menos como madrinha, me sentia uma intrusa no jantar atrasando meu irmão. 

– Com qual? – Liz ergueu dois pares de saltos em minha direção. O primeiro era dourado fechadinho, o segundo era preto aberto. 

Eu analisei o look feito por ela. Apesar de não sermos exatamente do mesmo tamanho e de termos uma massa corporal diferente, com a ajuda de uma cinta e com a necessidade de um vestido que fica longo em mim, isso faria de Elizabeth uma menina completamente sexy e bonita. Ela optou por um vestido azul pastel de gola alta, que valorizou suas curvas e realçou seu tom de pele, assim como seu longo cabelo esbranquiçado, mas não tanto quanto seus olhos. 

– Dourado, e leva minha bolsinha douradinha, se quiser. – Sugeri, e ela assentiu. 

Eu estava no meu sentada no banquinho que era conjunto do meu camarim amarelo, eu estava finalizando meu delineador enquanto tentava, inutilmente, por os saltos em meu pé. 

– Meninas, já estão prontas? – King apareceu no meu quarto pela quarta vez, e ele bocejou. 

– Sim! 

– Não. – Disse, mas vi o olhar de repreensão dele pelo reflexo, suspirei. – Sim. 

Ele saiu e deixou a porta aberta como sinal de “vamos logo". Após Diane desligar o celular e ficarmos fazendo, novamente, teorias com o suposto homem ao lado de Kilia, nem percebemos os minutos passarem e logo já nos encontrávamos desesperadas rodando o quarto, similares a baratas tontas. 

– Batom vermelho escuro ou rosa claro? – Perguntei, indecisa. 

Elizabeth pegou um batom de tampa florida. – Esse vai ficar perfeito. – Ela pediu em um tom mudo autorização para passa-lo em mim, dei os ombros. 

Tocando delicadamente em meu queixo, ela o ergueu e começou a passa-lo lentamente, escondendo a palidez que solava ali, após últimos retoques ela virou meu rosto para o espelho. Fiz careta. 

– Nem sei o que dizer. – Comentei, sincera. 

Apesar de ter uns, batom vermelho vivo nunca foi minha praia. 

– Ah, fica lindo em você. – Elogiou. – Realçou sua pele, e seu vestido. 

Eu decidi nem contestar por conta de King, mas peguei os salto preto, estilo boneca, meu celular e uma bolsinha de mão. Com a pressa nem arrumamos nossa bagunça do rango de mais cedo, porém faria depois. 

– Amiga, uma foto. – Ela me puxou, parando-me em frente ao espelho do corredor. 

Timidamente eu coloquei a mão na cintura, sorrindo minimamente para a foto. Ela bateu uma, duas... cinco fotos e corremos para o primeiro andar onde ouvíamos vozes. 

– Pensei que teríamos que ir e deixar as donzelas presas. – Tio Gloxinia estava apoiado na parede, sorrindo. – Oi, Elizabeth. 

Ela deu um aceno. – Olá, Gloxinia. 

– Oi, tio. – Passei por ele, desfilando. – O que achou? 

Ele riu. – Feiosa. 

No final do corredor King vinha abotoando sua blusa social verde água, totalmente concentrado, vendo isso, Gloxinia tomou as rédeas. – Vamos? 



Chapéu de Javali 


20:10 


O caminho foi calmo, apesar de King ficar reclamando do horário e eu dizendo que os melhores sempre chegam atrasados. Elizabeth teclava com seu pai sobre ter saído e nem ter avisado, tive que enviar um vídeo junto ao tio Gloxinia para confirmar sua presença conosco. 

Eu recebia mensagens constantes, certeza que era Diane no nosso grupo querendo saber para onde iríamos e dramatizando por não ter vindo. Mas por alguma razão eu também me sentia estranha, sentia um arrepio passando por mim e me ocorreu três vezes. 

– Você está bem? – Elizabeth me cutucou, eu apenas assenti, admirando o local. 

O Chapéu de Javali era novo, grande e me trazia uma atmosfera de aconchego. Não deixei de reparar alguns carros de luxos preenchendo o estacionamento, deduzi que hipoteticamente, também era um restaurante de luxo. 

Suspirei, entrelaçando meu braço no de Elizabeth. – Sinto que vou desmaiar, acho que é fome. – Digo. 

Não sabia exatamente o que sentia, mas eu estava sentindo a necessidade de desmaiar. 

Assim que King sinalizou que era para um jantar reservado, o segurança deixou-nos passar sem restrições e seguimos por entre uma sala gigante, toda retrô com lustres espalhados pelo local. Fiquei admirando o teto que quase tropecei. 

– Aqui é muito bonito. – Disse, babando. 

– Se tornou meu restaurante preferido desde que provei a comida. – Acrescentou, me guiando. – Acorda, querida, quero tropeçar com você não. 

Eu endireitei minha postura vendo que as pessoas olhavam para nós, porém isso não me importou muito quando fomos guiados por um homem de cabelos grisalhos para o segundo andar, e subindo as escadas, já estávamos em nosso destino. 

– E o bonitão do Harlequin veio! – Via mulher alterar a voz, animada, e todos caíram na gargalhada. 

Ela tinha uma expressão sensual, e estava bebericando um líquido vermelho em uma taça diagonal, perfeita para vinhos. 

– Ela é bonita. – Elizabeth disse. Eu concordei. 

Eu analisei o local quando vi um par de olhos castanhos me fitarem, eu gelei e por alguma razão meu coração bateu fortemente. – Ai meu Deus, Liz, olha quem está ali. – Eu sussurrei, me segurando para não apontar para ambos platinados. 

– Caralho, estou surpresa. Elaine, disfarça. 

Nossa atenção mudou quando Gloxinia me estendeu a mão, segurei no pulso de Elizabeth, porém King a guiou para uma cadeira na ponta esquerda. – Essa é minha sobrinha, Elaine, deve ser familiar para alguns. 

Eles tinham um sorriso cativante e artificial em seus lábios, mas não foi exatamente isso que me chamou atenção, e sim o único rosto que me era familiar. Eu sorri sem mostrar os dentes, acenando, totalmente desconfortável com tal atenção e percebendo isso, Gloxinia me guiou até uma cadeira ao lado de Elizabeth. 

– Viu a Kilia? Ela está olhando para cá. – Elizabeth se aproximou, apontando disfarçado para a mesma, doutro lado da mesma. 

Eu iria ignorar, mas ela deu uma saudação erguendo sua taça preenchida pelo líquido vermelho, e eu? Eu acenei com minha bolsinha de mão. 

– Que isso, Laine? – Questionou King, me olhando estranho. 

– Nem eu sei. 

Estava tudo indo rápido por ali, isso fez até eu me lembrar que amanhã eu teria aula, mas tais pensamentos foram cortados quando ouço um tintilar do contato de um garfo com a taça, era a mulher sensual novamente. 

– Já que todos estão aqui, podemos começar oficialmente nossa comemoração. – Ela se levantou, exibindo um decote generoso na região do busto em um vestido lilás escuro. - Garçom, já pode ligar o som. 

 

 


Eu descobri que o Chapéu de Javali tinha sete andares, todos eles reservados para eventos, e que ele tinha uma bela visão para os prédios altos e coloridos da classe alta de Liones. A “festa" havia começado faz uma hora e eu estava na janela com Elizabeth, nós, bebericando refrigerante como se não houvesse amanhã. 

Meu celular havia descarregado enquanto conversávamos com Diane, e como ela não tinha internet, nem tentamos. Ficamos apenas vendo os demais homens de roupas luxuosas e as mulheres fabulosas conversando entre si, incluindo Kilia, que parecia bem amigada a Gloxinia. 

Me senti incomodada. 

– Estamos com tanta renda que parecemos parte da decoração. – Liz soltou, rindo. 

Ri também. – Acho que vou dar umas beliscadas naquela mesinha, quer ir? 

Ela pegou meu pulso e marchamos até lá com cuidado, obviamente, andar de salto, para nós, ainda estava em outro patamar. Sentia minhas pernas tremendo e com o medo súbito de cair, isso me deixou nervosa. 

Quando chegamos na mesinha, ficamos avaliando as iguarias até que ouvimos barulho de salto alto se aproximando. Olhei para Liz. – Fizemos algo errado? – Perguntei, assustada e sem se virar. 

– Não. – Me respondeu. – Age naturalmente. 

Quando nos viramos, demos de cara com a fuça bela de Kilia, juntamente a Ban, ambos sorriam para nós. 

– Oi, Elaine, Elizabeth... – Saudou. – Não imaginava ver vocês por aqui. 

Eu sorri amarelo. – Nem nós, convite de última hora pelo meu irmão. – Respondi. 

– E quem diria que você é a sobrinha querida do Gloxinia. – Ela sorriu jogando seu cabelo, ora ondulado, para o lado. – Ah, esse daqui é o Ban, e Ban, essas são Elaine e Elizabeth. 

Ele se aproximou. – As meninas da carona. 

Elizabeth e eu nos entreolhamos, meio que assentindo. – Essas mesmas. – Respondeu por mim. 

– Então vocês querem atracar os petiscos é? – Brincou. – Não é coisa que se faça enquanto se tem um banquete na mesa principal. 

Ficamos sem ter o que falar, isso fez com que Kilia sorrisse em união para nós e corresse plenamente até a mulher de cabelos curtos, negros. – Calma, é meu pai. – Elizabeth olhou para a tela de seu celular e também se foi, não tão longe, mas longe o suficiente para eu me sentir na defensiva. 

Ela me olhou e sussurrou um “me espera", eu assenti. 

– Então o King tem uma irmã mais nova. – Ele disse, não parecia surpreso com tal afirmação. 

– Se eu me recordo, você já trabalhou com ele na filial de Los Angeles, certo? – Questiono, curiosa. – Desculpe se fui invasiva, ou algo do tipo. 

Ele soltou uma risada, me olhando. – Sim, eu entendo sua curiosidade, pequena Elaine. Eu também estava curioso, sabia que já tinha visto esse rostinho de bebê. – Ele não pareceu nenhum pouco tímido dizendo aquilo, eu fiquei sem graça tanto pelo “rostinho de bebê” quanto por “pequena Elaine". – Sem negatividade, seu rosto de bebê é idêntico de Harlequin. 

– Eu imagino. – Dei um meio sorriso.


– E como Kilia foi hoje no primeiro dia de aula? – Ele entortou a cabeça para o lado direito, parecia esperar por uma resposta negativa por sua feição ter se fechado. 

Kilia conversou durante todas as aulas, fomos chamadas atenção por isso, mas acho que posso ocultar. 

– Foi ótima, ela parece ser uma menina muito legal e incrível. – Disse, vendo-a vir pulando em nossa direção. 

– Oi, anjo. 

– Para de me chamar assim. 

Eles falavam de um assunto pessoal deles, e eu dei um passo para trás disposta a ir até Elizabeth, que ainda estava com o celular engatado no ouvido. Ali, eu me senti uma intrusa, intrusa o suficiente para ouvir algo que nem eu queria ouvir. 

– Papai, temos uma surpresa para você, para de ser tão idiota. – Kilia fazia força para fazê-lo andar, e ele parecia se divertir com isso. 

– Papai? – Escapuliu. 

Quando percebi que falei alto demais, fiz minha maior expressão de surpresa como se não estivesse interessada. Mas eu estava surpresa para porra, ao ponto de puxar Elizabeth e contar o que eu acabei de ouvir. 

Kilia entrelaça seus braços, sorrindo amável. – Eu esqueci de apresentar vocês adequadamente, né? – Hipoteticamente, mais ou menos. – Elaine, esse é Ban, meu pai. 

Ouvir aquilo pela segunda vez me deixou desacreditada. Eu sorri com as sobrancelhas arqueadas. – Prazer, senhor Ban. – Disse, erguendo minha mão direita. 

Eu estava fodidamente surpresa. 

Ele sorriu, gentilmente aceitando minha saudação. – Prazer, Elaine. 

Seu aperto era forte, mas agradável, quente e me transmitiu um outro arrepio. Nosso aperto de mãos foi cortado quando Elizabeth chegou até mim, com uma expressão nada agradável. 

– Desculpa interromper, mas podemos conversar? – Ela praticamente me puxou dali. Fomos para perto da porta de saída. – Meu pai está me esperando, preciso ir. 

– Vamos lá, eu te acompanho e preciso de contar uma coisa que descobri. – Eu estava surpresa, chocada, amarrotada e passada. 

Até o interesse que eu tinha recaiu todinho. 

– Não, Elaine, pode ficar aqui e tudo bem. – Ela sugeriu, convicta. – Você parecia bem paradinha, bebe alguma coisa, aproveita a noite, amiga. 

Eu segurei Elizabeth pelos ombros, todos estavam conversando entre si e nem davam muita atenção para nós. – Elizabeth, é sobre o cara da Kilia. 

– Já se chamaram para um date? – Liz cruzou os braços com um sorriso divertido. – Você foi ágil. 

Ri. – Na verdade, esses dates não vão mais acontecer, sabe por quê? – Ela negou, sussurrando um “por que?”. – Por que aquele cara que está acompanhado ela é o pai dela. 
 


Notas Finais


Vestido de Elaine: https://pin.it/3frhhkbbmwpkue

Vestido de Elizabeth: https://pin.it/6d3j2d3hrmzgf5

E para quem gosta de ouvir um determinado momento acompanhado de uma música, a playlist da fanfic: https://open.spotify.com/playlist/0oJdn1qFSKS3XqLAIE5HgP?si=w7n2MPZUT2Cj49B7o_EoRg (as músicas serão colocadas após o cap. 6


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...