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História Kintsugi - Tobirama Senju - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Diferente da outra fic, a frequência de postagens dessa vai ser de uma vez por semana por conta do tamanho dos capítulos!

Capítulo 2 - 7 de janeiro: Laços de ódio


Fanfic / Fanfiction Kintsugi - Tobirama Senju - Capítulo 2 - 7 de janeiro: Laços de ódio

Tem gente que chama de insônia. Eu chamo de pensar em você.

Soulstripper


Tsunade já havia lido a infância de seu tio e do avô, havia uma quebra de tempo muito grande até o próximo pergaminho, que era datado anos depois, como se ele tivesse desistido de escrever e retomado após isso.

7 de janeiro

Faz cinco anos que não escrevo.

Hashirama havia sugerido voltar com essa prática afim de amenizar minha dor, mas nada pode diminuir isso, inclusive, a raiva que sinto ao lembrar do maldito acordo de meu irmão com Madara Uchiha.

Todas as noites eu sonho com ela, daquele dia, aqueles malditos olhos vermelhos como um demônio depois de fincar a espada em minha amada.

Hashirama construiu a vila. Ele conseguiu instalar o sistema ninja e a parte burocrática, como seu conselheiro, tive de tomar de conta. Nunca havia estado tão ocupado como eu estava, mas isso foi bom, eu consegui me esquecer um pouco daquela última batalha antes da trégua com os Uchihas.

Venho trabalhando todos os dias na criação de um novo jutsu, o Edo Tensei*, tenho testado em animais mas eles nuncam voltam com a consciência completa. Me sinto frustado, Kami sabe o quanto eu queria acertar esse jutsu para finalmente revive-la. Não importa o preço, não importa se o preço desse jutsu é um sacrifício. Posso usar do mesmo sangue que tirou a vida de Yuna, posso usar um maldito Uchiha de sacrifício e faria com todo o prazer.

Hashirama ainda não sabe sobre esse meu jutsu secreto, e prefiro assim, ele é piedoso demais se deixando levar pelos os sentimentos.

Terminei de escrever em meu diário, o joguei na pilha de pergaminhos antigos sem sequer me importar em os selar. Fechei a porta de correr do meu quarto, o lugar se encontrava muito vazio se não fosse pela a caixa com meus pergaminhos de estudo misturados com alguns antigos em que eu relatava meu dia. Funcionava como um ritual, ali eu poderia desabafar de tal forma como eu não poderia fazer com ninguém mais, nem sequer meu irmão.

Fazia frio lá fora, a lua já estava ao longe clareando algumas nuvens em seu redor, as estrelas brilhavam em pontos contrastando com o céu azul escuro.

Era meu costume, em um mesmo horário olhar a lua, era uma lembrança não somente dela mas também da promessa de sangue que fiz. Suspirei, eu seria o próximo hokage, deveria me recompor.

Andei pela a noite sem rumo, a brisa fria arrepiava minha nuca, mesmo com a blusa de gola alta e manga longa meu corpo inconscientemente tremia ao sentir o toque do vento. Coloque as mãos nos bolsos da calça e entrei floresta a dentro, mais a frente havia uma grande cachoeira e uma cerejeira. Esse era meu refúgio, ninguém conhecia esse lugar, apenas eu.

O cenário era escuro, a noite era sem lua e as nuvens cinzentas faziam questão de estar presentes indicando que logo a chuva iria cair, sentei ao pé daquela árvore olhando para a água que caia em minha frente. Estava mais frio ainda por conta do ambiente úmido e da queda d'água ali, tudo estava escuro tal como minha alma.

Era fato que uma das razões por eu ter escolhido vir aqui fora minha falta de sono somado com um misto de medo de me entregar ao sossego daquela noite. Um aperto no peito se fazia presente, o desbrio se espalhando em meu ser e um pânico crescendo aos poucos, o ar da noite seria o melhor láudano para os ataques de pavor que tomavam de conta nas últimas noites. Era como se meu corpo antevisse algum mal agouro que por ventura pudesse ocorrer em um futuro não muito distante.

- Já é a quarta vez que você some assim. - Uma voz conhecida soou atrás de mim, sequer me dei o trabalho de olhar para trás sentindo meu irmão sentar ao meu lado, diferente de mim ele estava bem agasalhado. Fingi não sentir frio porém quando uma pequena lufada soprou e o toque chegou a mim, arrepiei e Hashirama me estendeu um de meus casacos.

Tsc

O desgraçado me conhecia bem.

Aceitei com relutância vestido a peça, Hashirama deu uma risada leve percebendo minha birra mas logo voltando ao semblante sério.

- Tobirama... Eu sei que - O interrompi, já sabia todo o discurso dele preparado.

- Hashirama, estou bem. - Falei sucinto, ele entendeu o recado se contentando a um aceno de cabeça, sabia que não poderia tocar no assunto.

- Tudo bem. - Ele falou e levantou as pernas abraçando a mesma e olhando para o além, seu longo cabelo acariciava a grama atrás de si. - Amanhã espero que você controle sua irritação.

- Tsc. - Virei o rosto para a cachoeira desviando o olhar que me sondava - Você sabe quanto o desprezo.

- Mas ainda assim Uchiha Kento é o atual líder do clã depois que... - Meu irmão desviou o olhar fitando o céu, se martirizando, ainda tinha uma profunda tristeza ao saber que tinha matado o melhor amigo de infância.

- Entendo. - Falei sucinto, não planejava estender a conversa, enterrava meus sentimentos o mais profundo que podia, iria suceder meu irmão e não posso hesitar em me doar afim de proteger a vila. Para isso eu teria que ser calmo e centrado, não poderia dar espaço aos sentimentos.

Me concentrei no céu, os primeiros pingos caiam mostrando que uma chuva torrencial iria se fazer presente ali, Hashirama de forma silenciosa havia feito um grande guarda chuva que estava preso ao chão, evitando que a água nos molhasse.

- Bom, vou indo. - O senju mais velho proferiu fazendo um selo de mão, prestes a se teletransportar de volta para casa. - Espero poder contar com você amanhã.

- Não se preocupe. - Respondi mesmo não sentindo o chakra do meu irmão por perto, me permiti apenas observar a chuva, que de firma pesarosa caia como se estivesse externando meus próprios sentimentos.

___~___


Minha face estava dura, meu olhar era gélido quando fitei o Uchiha sentado frente a frente com meu irmão, a conversa dos dois era boa tal como a esposa do mesmo e Uzumaki Mito estavam sentadas do outro lado engatadas em conversas particulares de âmbito feminino.

Eu havia proferido poucas palavras ali, me contentava em apenas observar, entendia que a aldeia precisava daquele acordo e como os shinobis deveriam trabalhar em conjunto. Eu não poderia colocar minhas opiniões a frente a paz da aldeia, mas tinha algo nesse Uchiha em particular que me incomodava.

Espantei esses pensamentos voltando a realidade sendo questionado por dois pares de olhos em minha direção.

- Perdão.- Perguntei tentando disfarçar minha breve viagem em meus pensamentos. - O que estavam dizendo?

- É sobre a construção do complexo Uchiha, cada clã foi devidamente separado em suas áreas, entretanto - Hashirama deu uma pausa para apontar o mapa - Esse foi o local que escolheram mas o Clã Hyūga também propôs a construção de seu complexo nesse local.

Observei o mapa, era uma área privilegiada para treinos e preparação. Analisei a situação, por conta do seu Taijutsu único esse seria um local perfeito para o complexo Hyūga, assim os Uchihas poderiam ir para uma área mais florestal em que poderiam treinar os pontos cegos do seu dojutsu*.

- Aqui. - Apontei e circulei com os dedos a área, os dois líderes se inclinaram para frente afim de observar melhor a área.

- Poderia saber a razão? - Kento perguntou, voltei a minha posição inicial assumindo um tom sério.

Expliquei meu ponto de vista de forma fria e coerente, ele acenou com a cabeça acatando minha opinião e logo fechou um acordo com Hashirama em um aperto de mão logo saindo dali com a esposa a tiracolo.

- Tá vendo? Não doeu ser cordial com um Uchiha. - Hashirama falou colocando um braço em meu ombro com aquele sorriso idiota de sempre, revirei meus olhos e retirei o braço dele dali.

- Tenho que resolver algumas coisas. - Falei sucinto, Hashirama fez uma linha fina com a boca indicando sua insatisfação.

Tsc

- Vai se trancar naquele laboratório o dia inteiro de novo? - Questionou me olhando sério, ele estava realmente irritado diferente das outras vezes em que se demonstrava apenas preocupado comigo. Suspirei, e voltei meu olhar que antes estava perdido, em sua direção.

- Vou. - Falei seco, simplesmente dando as costas para ele e seguindo para a porta de correr, abrindo a mesma.

O silêncio se fazia presente ali, Hashirama estava prestes a falar algo e estava ponderando, eu o conhecia o suficiente para saber disso. O barulho da porta de madeira correndo foi o único a ser ouvido ali.

- Uzumaki Yuna morreu, aceite isso. - Meu corpo se enrijeceu ao ouvir tal nome, parei em frente a porta segurando a mesma, ouvi Hashirama suspirar pronto para continuar. - Você não pode se isolar assim do resto do mundo e tentar fazer ela voltar. Ela não vai. Quanto mais rápido você aceitar isso, melhor será para todos.

Raiva tomou conta do meu ser ao ouvir as palavras proferidas por meu irmão mais novo, senti a raiva passear por minha veias e se espalhar por todo meu corpo sendo exposto pela a minha tez avermelhada, meu coração batia forte juntamente com minha respiração desregulada. De forma inconsciente, movido pela a súbita fúria, eu havia quebrado aquele pedaço da porta que eu segurava pela a força exercida ali.

Olhei para aquele pedaço de madeira quebrado e soltei expirando o ar que estava preso em meus pulmões, eu não havia percebido que havia segurado a respiração. Sem olhar para trás, segui em frente, deixando Hashirama plantado no meio daquela sala e ignorando totalmente a presença de Mito, finalmente respirei um ar puro.

Eu evitava o máximo de contato com Uzumaki Mito pelo o fato de que elas eram muito parecidas além de serem irmãs de sangue. A ruiva entendia isso, não queria mais causar nenhuma dor ao cunhado em respeito a falecida irmã.

Suprimindo o luto em meu interior mais íntimo andei pela agitada Konoha exibindo um sorriso falso para os aldeões que me cumprimentavam, afinal, eu ainda era o irmão do hokage e o próximo para o posto. Isso havia sido decidido há muito tempo pelo o conselho.

Finalmente cheguei aos limites da vila, meu laboratório ficava há alguns metros adiante em uma área mais afastada. Haviam poucas pessoas ali e entre elas, os anciões que sequer se importavam com minha presença. Era bem melhor assim.

Abri a porta em minha frente, havia uma longa escadaria que dava ao subterrâneo, a iluminação não era muito boa porém aquele era meu segundo lugar de paz.

Edo Tensei.

O jutsu estava exposto na parede com seus vários passos, eu já havia descido ao inferno só para tentar compreender os limites da vida e morte, assim configurando o jutsu. Mas eu fazia isso de bom grado, por ela, não importava o preço que fosse, eu a queria em meus braços novamente.

Tenho certeza que Kami-sama iria entender minha situação, a loucura que eu cometia ali por amor, meu coração tamborilava de excitação apenas por pensar na possibilidade de tê-la novamente.

O cenário do laboratório era simples, ali era o lugar em que eu fazia os experimentos na prática diferente de meus aposentos em que me dedicava a construção da teoria.

Lembrei da primeira vez que tentara, havia perdido o controle do jutsu ceifeiro da morte e minha vida quase fora arrancada ao tentar retirar a alma da Uzumaki selada ali. Passei horas desacordado, em uma luta dentro de meu inconsciente ao tentar não deixar o ceifeiro invocado levar minha alma consigo.

Fora um verdadeiro inferno na terra.

Mas aprendi muitas coisas com o acontecimento, uma delas fora que o invocar não pelo o jutsu em si mas de outra forma, essa que eu só conseguia descobrir meses depois enquanto revirava o antigo templo de máscaras do clã Uzumaki com o pretexto de que pretendia criar um novo jutsu de selamento.

Peguei o primeiro vidro, estava ali minha primeira vitória com tal jutsu, um pequeno rato estava ali revivido. Não tinha consciência, era apenas controlado por mim, mas já era um passo.

Tsc

Fazia um ano que não tinha nenhum progresso além desse.

Suspirei e me sentei na bancada afim de analisar os procedimentos em que eu retomaria afim de terminar os trabalhos da noite anterior, faziam dois dias que eu não pregava o olho com medo das imagens voltarem com tudo.

Três batidas foram ouvidas na porta, consegui reconhecer o chakra, eu sabia que ele era um dos poucos que conhecia esse lugar mas de qualquer forma eu não queria ser incomodado.

Me levantei com uma carranca no rosto abrindo bruscamente dando de cara com um jovem de cabelos castanhos embaraçados, ele tinha cara de pateta mesmo sendo um dos meus alunos mais promissores, os grandes olhos castanhos pidões estavam ali como em um silencioso pedido para ver minhas pesquisas.

Ele era o único que sabia sobre o Edo Tensei e as vezes me ajudava a procura de alguma coisa que faltava em meus testes, em troca, eu lhe ensinaria meus jutsus secretos. O moleque não era bobo.

- O que quer, Saru? - Questionei com os olhos semicerrados observando o jovem genin no auge dos seus doze anos.

- Precisa de ajuda com algo sensei? - Se ofereceu prontamente, suas mãos estavam atrás das costas como se estivesse segurando algo. Levantei a sobrancelha o olhando seriamente.

- O que você tá escondendo aí atrás, Hiruzen? - O chamei pelo o primeiro nome em sinal de seriedade, o Sarutobi sabia que a coisa iria ficar séria se eu não o chamasse pelo o apelido.

- Nada - Mostrou as mãos dando de ombros, invadiu meu laboratório sem pedir licença, revirei os olhos.

Garoto abusado.

- Se eu soubesse que você iria ter tanta liberdade assim, eu nunca teria deixado você entrar pela primeira vez aqui. - Reclamei fechando a porta atrás de mim que espalhou um eco pelo o ambiente, Saru observava tudo com curiosidade, as mãos nas costas em sinal de que não iria tocar em nada, seria melhor assim.

Admito que gostava da presença do aluno, de todo o time, ele era meu preferido pois sempre se interessava por meus jutsus além de dominar todas as cinco naturezas de chakra.

- Sensei. - Quebrou o silêncio chamando minha atenção, me encostei na bancada da mesa levantando as mangas da minha camisa até os cotovelos, não havia ventilação adequada ali além de uma pequena janela, cruzei os braços esperando ele começar - Sei de algo que vai lhe interessar.

- E o que seria? - Levantei uma sobrancelha em dúvida ainda lhe fitando.

- Hajime Uzumaki estava no complexo Sarutobi, ele conversava com meu pai quando sem querer ouvir algo interessante que talvez possa lhe ajudar com seu jutsu secreto aí. - Ele acenou com a cabeça para os papéis rabiscados colados na parede que jaziam atrás de mim. Eu conhecia a mania de bisbilhotar que Saru tinha, era muito comum eu conseguir informações com ele. - No templo dos Uzumaki tem um jutsu de selamento em que leva a alma do pobre coitado direto para o plano...

Ele com o dedo apontou para baixo como se ao falar "inferno" ele seria arrastado dali, ainda tinha traços infantis relacionados ao medo de fantasmas e figuras sobrenaturais, me deixei rir com o gesto do garoto.

- Tá, como eu faço pra encontrar isso? - Questionei contendo o riso que saia de forma inevitável, Hiruzen era o único que sempre conseguira o animar.

- Aí eu não sei né - Deu de ombros, petulante, como sempre - Não sou de ouvir a conversa dos outros.

Revirei os olhos com o descaramento do jovem em minha frente, talvez Mito soubesse disso, mas eu queria manter distância da jinchuuriki o máximo possível.

Eu precisava de um lugar calmo para saber o que iria fazer, querendo ou não, a informação do pestinha tinha grande chance de ser verídica. Mas algo me incomodava, qual a razão do ancião Uzumaki está falando sobre tais jutsus com Sasuke Sarutobi?. Franzi o cenho, um incômodo me dominou, eu sabia que ele estava na vila mas eu não sabia que ele tinha conexões com o clã Sarutobi.

- Ei, Saru. - Chamei o mais novo saindo de meus devaneios, percebi que o mesmo mexia em alguns papéis, bisbilhotando, se assustou com meu chamado. Balancei a cabeça, ele não mudava. - O que o ancião Uzumaki estava fazendo com seu pai?

- Ah, isso? Ele vai casar o filho dele com a minha irmã. Segundo aquele velhote tarado ela teria "filhos bonitos". - Fez àspas com as mãos, havia uma careta em sua face nesse momento, tentando imitar o ancião.

- Tenha mais respeito pelos mais velhos, Saru. - O repreendi comprimindo um riso que teimava em querer sair. - Qual a razão do apelido?

- Ele é um velho tarado mesmo! Eu peguei ele espiando por debaixo da saia da minha irmã sensei! Logicamente o repreendi. - Arregalei os olhos não acreditando que ele fizera isso, deixei escapar um leve barulho ao tentar prender o riso, mas não aguentei.

Ele devolveu o olhar também fazendo barulhos estranhos ao rir, eu estava ficando sem ar com a forma violenta em que meus risos saiam, uma pequena lágrima se fez presente eu meu olho, me concentrei e regulei a respiração voltando a pose séria.

- Por essa informação, vou te ensinar um dos meus melhores jutsus. - Decretei, ele me olhou com um brilho infantil no olhar e um sorriso contagiante.

- Qual? Multiplicação de papéis bomba? Jutsu deus voador do trovão? - Levantei uma sobrancelha com um riso frouxo, faltava ainda muito para ele aprender.

- Clone das sombras. - Falei e ele fez uma carranca, obviamente decepcionado. - Mas se não quiser, não ensino.

Dei de ombros fingindo não me importar e me virei pronto para sentar e retomar as anotações, como um raio, o garoto sentou em cima da mesa rapidamente exibindo uma felicidade muito grande e obviamente forçada.

- Todo e qualquer jutsu mesmo que pareça inútil um dia servirá para algo! - Revirou uma de minhas frases, juntei as sombrancelhas e quem estava com uma carranca agora era eu.

- Tá chamando os meus clones de inúteis? - O fitei com um olhar mortal, logo o jovem shinobi levantou as duas mãos ficando na altura do rosto as balançando para o lado e pro outro como se desculpasse.

- Nunca sensei, como falei, mesmo que pareça - Frizou, levantei minha sobrancelha, ele estava piorando na explicação - nenhum jutsu é inútil.

- Tsc, você não tem jeito. - Falei organizando os papéis, o jovem estava tateando a madeira até encontrar um símbolo de selamento ali, juntei os lábios ficando em uma fina linha, havia sido pego pelo o bisbilhoteiro.

- Você também não, sensei. - Com um símbolo que eu havia o ensinado a tempos, conseguiu desfazer o que estava selado ali, maldita hora que fui o ensinar a quebrar meus selamentos. Ele balançou a garrafa para um lado e para o outro em frente ao seu rosto. - Hashirama sensei com jogos de azar e Tobirama sensei com saquê, qual é fetiche em se auto-sabotarem?

Tomei a garrafa da mão ele em um suspiro irritado, o garoto estava começando a tirar minha pouca paciência, selei novamente ali e me levantei, afim de o fazer treinar até pedir a Kami por perdão pelos seus atos de fofoqueiro enxerido.

- Vamos, Saru. - Falei fechando a luz precária que havia ali, estava começando a escurecer, o sol começava a se pôr no horizonte iluminando o monumento hokage em tons alaranjados e violetas.

- Pra onde sensei? - Questionou saindo do laboratório enquanto eu tentava trancar aquele lugar.

- Treinar. - Revirei os olhos vendo sua lerdeza, o que tinha de inteligência sobrava em ser lento, eu precisava exercitar isso nele.

Coloquei minha mão em seu ombro concentrando chakra suficiente para fazer o jutsu deus voador do trovão afim de nos teletransportar para a cachoeira, fechei meus olhos e fiz o selo único, de modo rápido já estávamos ouvindo a água cair violenta mais atrás.

O mesmo guarda chuva que Hashirama havia feito antes ainda estava ali, intacto, suspirei ao lembrar do que havia acontecido mais cedo, com certeza eu iria escutar muita coisa quando chegasse.

Afastei os pensamentos afim de seguir com o treino de Sarutobi, afinal, criar clones não é tão fácil como parece, seu chakra diminui a medida em que você se multiplica.

Explique o processo básico, o controle de chakra era essencial, se colocasse muito chakra em um só clone o original ficaria com pouco estando suscetível à fadiga extrema levando ao clone rapidamente estourar.

- Enquanto você tenta aí, vou ficar observando seu treinamento. - Me sentei debaixo da sombra da cerejeira esticando meu corpo cansado na relva verde dali, as folhas da cerejeira caiam, dando um toque mágico ao lugar.

Saru treinava arduamente, aproveitei que o mesmo estava concentrado com as mãos em forma de selo concentrando o chakra e fazendo grunhidos pela força que colocava em uma posição pouco agradável aos seus olhos e decidi tirar um cochilo ali mesmo, aproveitando a deixa.

Fechei meus olhos ouvindo o leve farfalhar da árvore acima de mim, a água caindo impetuosa enquanto eu sentia alguns pingos caírem sobre minhas pernas que estavam mais próximas dali.

Acordei em um susto, olhei para cima, as estrelas se faziam presentes na noite de lua cheia. O brilho do astro refletia nas águas que agora caiam de forma mais calma que outrora, os gafanhotos cantavam em uma melodia triste no ambiente. Olhei ao meu redor não sentindo o chakra do Sarutobi.

Concentrei meu chakra e moldei afim de iniciar um jutsu de rastreamento, varri toda a extensão da floresta até chegar no início da vila, que não era muito longe de onde estávamos, o chakra dele mesmo fraco, por conta da distância, poderia ser reconhecido.

Meu pupilo petulante havia me deixado dormir ali no meio da floresta.

Supus que ele havia percebido meu sono profundo enquanto ele treinava sem lhe dar a devida atenção e como vingança havia me deixado ali. Fiz uma linha fina de irritação, aquele moleque não deixava de me surpreender.

Fiz uma massagem nas têmporas me preparando para sair dali, afinal o ambiente estava frio enquanto eu apenas usava uma das minhas várias camisas escuras de gola alta com apenas a armadura de malha por debaixo da peça.

Droga, Hiruzen.

Meus músculos doíam pela posição desconfortável, definitivamente eu estava no fundo do poço ao ponto de dormir no meio da mata sucumbindo ao cansaço. Segui para trás da cerejeira me encostando no tronco, minha barriga roncou, faziam horas desde minha última refeição.

Senti outra presença no local, não reconheci o chakra e sequer seus traços para no mínimo obter a informação sobre qual clã era. Franzi o cenho e me escondi, preparado para qualquer ataque.

Dirigi meu olhar por todo o local fazendo uma varredura pelas árvores, lugares escuros e até mesmo debaixo da água com meu jutsu de rastreamento.

Naturalmente, eu não era um ninja tipo sensor, mas eu havia conseguido desenvolver um jutsu que chegava perto daqueles que já haviam nascido com tal dom.

O chakra estava mais forte detrás da cachoeira, eu não havia tido ainda a ousadia de analisar o provável inimigo, fiz um clone rapidamente me teletransportando de volta para meu laboratório, esperava a informação de volta chegar e caso acontecesse algo eu estaria perto o suficiente para reforços.

Novas informações foram adquiridas em minha mente, senti um calor subir em minha face, enrubescendo minha tez.

O clone que havia ficado em meu lugar avistou uma mulher que se banhava na cachoeira. A luz do luar refletia na pele alva que ela expunha tal como os cabelos negros como um corvo que desciam por seu corpo lhe cobrindo os seios que estavam parcialmente expostos assim como desenhava suas curvas, o corpo magro e bem torneado estava ali em sua incontestável vulnerabilidade com o satélite natural a observar os detalhes além de mim mesmo.

Quando ela virou, fiquei estático com suas orbes negras fitando a cerejeira e possivelmente a mim que estava a observando, engoli em seco com o seu olhar penetrante como se estivesse realmente me vendo ali, escondido. Minha boca havia ficado seca com a possibilidade de ser descoberto tal como meus lábios que estavam ressecados devido ao tempo frio que ressoava na noite. Passei a língua entre os lábios, molhando-os afim de voltar a ver o que se passava novamente na cachoeira, porém a figura havia desaparecido em um estalo.

- Já não está grandinho demais para espiar mulheres tomando banho? - Senti uma fina lâmina em meu pescoço, sabendo que ela estava na verdade, posta atrás de mim pronta para me atacar. Engoli em seco, sequer estava em posição de revidar pois estava errado em invadir sua privacidade, mesmo sendo sem querer, eu havia continuado ali assumindo uma gande parcela da culpa.

- Perdão. - Pronunciei sucindo levantando as duas mãos em rendição, ela aparentava ser uma kunoichi experiente por manusear tão bem a kunai, apesar da minha própria está querendo se armar com a visão que eu tinha perto de mim.

Tobirama seu idiota, isso não é hora de brincadeira.

Me censurei fazendo o favor de desviar o olhar do que estava posto em minha frente. Ela usava apenas o Kimono meio fechado sem nada por debaixo talvez pela rápida ação de pegar no flagra aquele que estava espiando.

Que no caso era eu.

Só podia está no fundo do poço mesmo, por Kami, eu nunca havia sequer passado por situação similar por toda minha vida.

Desfiz o jutsu com um selo voltando para o original, que estava no laboratório fazendo as informações rapidamente chegarem em minha mente.

Haviam várias perguntas circulando em minha cabeça, mas a principal era.

Porque diabos eu não conseguia esquecer seus olhos?



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