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História Kiss in Tokyo - Capítulo 22


Escrita por:


Notas do Autor


Mais um capítulo 💙

Era pra ter postado mais cedo, mas tenho que confessar: dormir a tarde inteirinha, me julguem. Kakakkaka

Ahh, queria falar também que criei uma conta no Instagram desse perfil aqui do Spirit. Nele eu posto aesthetic dos personagens, spoilerzinhos das minhas fics, enquetes, perguntas. Tá muitoo legal. Inclusive o tema da minha one quem escolheu foi o pessoal lá no insta que falou sobre o que gostariam que eu escrevesse. Enfim! Vou deixar o link nas notas finais.

Boa leitura ^^

Capítulo 22 - Campeonato parte ll


Foram poucas as vezes que me senti em dúvida sobre determinada coisa que eu queria. Nunca era sobre algo grande, minhas indecisões giravam em torno do sorvete que eu iria experimentar no dia ou qual a cor do batom que combinaria melhor com a maquiagem. Para as outras coisas, sempre tive certeza absoluta das minhas vontades, como por exemplo, quando descobri sobre essa competição. Nem hesitei em me inscrever porque sabia que queria, mas agora, ouvindo a voz séria e encarando o olhar firme de Kakashi, eu pensei uma segunda vez se aquilo realmente valia a pena. 

 

Sinceramente, gostaria de dizer o quanto desistir era honroso e nobre. Ter ciência de suas fraquezas é sem dúvida alguma inteligente, e aceitar que não pode mais avançar é corajoso. Infelizmente não faço o tipo que carrega a bravura no peito… É algo mais próximo da inconsequência e orgulho, para não dizer ego. 

 

A verdade é que só embarquei nessa para mostrar minha capacidade as pessoas. Pelo menos era isso que eu queria acreditar. Mas lá no fundo, tudo que eu queria era provar para mim mesma que era forte o suficiente, que podia fazer aquilo, que era capaz. Me convencer que era boa em algo, realmente boa. 

 

Não era a melhor escolha para se fazer. Mas sempre fui conhecida pelas minhas péssimas decisões. Talvez fosse ingenuidade achar que conseguiria levar a vitória para Konoha, afinal, ainda não havia visto o tal garoto lutar. Mas eu arriscaria. E seria uma escolha minha, total e unicamente. Quem poderia me culpar por riscos que eu mesma escolhi correr? 

 

-Não. - proferi em alto e bom som, vendo a última luta da primeira fase ter início. 

 

-Desculpe? - a voz de Kakashi parecia mais ameaçadora que o normal. 

 

-Pode me xingar depois que isso acabar ou me dar quantas punições quiser, mas eu não vou desistir dessa luta. Sinto muito treinador, mas eu preciso

 

-Você não precisa, você quer. São coisas opostas e deveria saber suas diferenças, Sakura. Não acredito que vai dar continuidade a isto só por orgulho. 

 

-Não é orgulho! Eu tenho que fazer, prometi que conseguiria, não vou parar agora por medo. 

 

Kakashi encarou fundo os meus olhos, me fazendo tropeçar no vazio que eles carregavam. As vezes me esqueço o quão duro ele pode ser. Suas palavras eram afiadas, e falar o que pensava nunca foi realmente um problema para si.

 

Busquei em sua feição dura qualquer gota de apoio pela minha escolha, mas estava nítido sua não-aceitação quanto a isso. 

 

-Tem razão. Não é orgulho. Deve ser bem difícil ter que lutar contra o próprio ego, pelo visto você perdeu dessa vez. 

 

E então silêncio. 

 

Não importava o quão alto as pessoas gritavam. Só havia silêncio para mim. Kakashi sempre soube colocar bem as palavras. Ele quase todas as vezes me convencia com elas. Quase. Isso porque mesmo com a frase rondando sem parar minha cabeça, aquilo ainda sim não foi o suficiente para me fazer mudar de ideia. 

 

Eu tenho uma lista longa de defeitos, talvez teimosia faça parte disso. 

 

Suspirei, esperando que o homem de cabelos platinados ao meu lado pudesse dizer alguma coisa. Ele apertou com o indicador e o polegar a ponte do nariz e balançou a cabeça em negação de um lado para o outro. 

 

-Temos que saber a diferença entre a insistência e a pirraça Sakura. Só reflita sobre isso. Agora, foque na sua próxima luta. Esqueça o que eu disse, guarde sua força bruta para depois, caso pegue Haku na fase final… Os garotos que se classificaram não tem técnica mas são furiosos, se não partir para o Jiu-jitsu vai correr o risco de te baterem, e bom, pra ter alguma chance com o moleque de cabelos longos, você precisa, no mínimo, estar em perfeito estado, sem hematomas no rosto, porque acredite, ele vai te dar o suficiente. Então por favor, não seja atingida. Puxe seu adversário para o tatame e finalize de uma vez, de preferencia, por trás, enforcamento, algo assim. Seja rápida, dessa vez não pode durar até o segundo tempo, tem que fazer ao menos Haku pensar que é tão boa quanto ele.  

 

Acenei positivamente com a mente atenta sobre tudo que ele dizia. 

 

Kakashi descreveu superficialmente os lutadores que ganharam e que podiam estar na semi-final comigo. 

 

Devo ter comido umas duas barrinhas proteicas enquanto observava ansiosa a última luta da primeira fase. Levamos a melhor nessa, mas foi com raça. Do jeito que o rapaz saiu do octógono duvido que aguente mais alguns socos. 

 

Estralei as articulações, e ouvimos pela segunda vez aquela manhã os discursos do árbitro enquanto anunciava a segunda fase do campeonato. 

 

Obviamente iria ser mais difícil. Se os caras não fossem bons não tinham passado. Mas ninguém sabia que eu tinha o jiu-jitsu comigo. E até aquele momento, não vi ninguém utilizar um golpe sequer da arte suave. 

 

Sem kimono era mais difícil, pelo menos pra mim. Mas eu tinha uma meta, e três minutos exatos contados. 

 

Quando o sorteio para a escolha das duplas começou, meu coração bateu mais rápido, e eu preferi fingir que não era medo de Haku. Mas quando vi meu nome ser dito seguido de "Daimaru" alguma coisa que não fiz questão de memorizar, o ar encheu meus pulmões mais uma vez, e Kakashi até mesmo se encostou na cadeira mais relaxado. 

 

A sorte que pairou em mim foi contra a do garoto que havia saído do octógono a pouco tempo. Kakashi foi ao seu encontro, provavelmente tentando lhe passar alguma estratégia. Ele já estava machucado da luta anterior. Olhos inchados, alguns hematomas tomando forma pelo tronco... Mas não desistiu, e ouviu nosso treinador de maneira atenta. Do outro lado, estava Zabuza, massageando as mãos do garoto de cabelos tão longos quanto o meu, antes de colocar a luva. 

 

Haku. 

 

Quando o árbitro anunciou o início, quase prendi minha respiração por ansiedade. 

 

Ele sabia que era melhor que seu oponente. Todos ali sabiam. Mas ele não o subestimava. Os olhos negros estavam atentos a qualquer mínima respiração desregulada do seu adversário, e tão rápido quanto pude acompanhar, Haku foi para cima do rapaz que era uns bons centímetros maior, sem medo ou hesitação alguma. Seus socos eram potentes, não só rápidos como também violentos. . 

 

Ele não dava trégua, foram tantos seguidos que temi pelo outro competidor. Estava tão perto dos dois naquela primeira fileira que meu estômago embrulhou com o cheiro forte de ferro que o sangue do garoto tinha. Haku só parou quando ele desmaiou, exausto demais para continuar de olhos abertos. 

 

Poucas pessoas gritavam em comemoração a sua vitória. Foi apavorante presenciar aquilo. Não ousei dizer nada. E não esperei que Kakashi dissesse quando voltou. Ele sabia que naquele momento, eu estava assustada o suficiente, e precisava de foco para minha luta. 

 

Mesmo me negando a acreditar que isso estava acontecendo, pude sentir meus dedos trêmulos. O medo é realmente ridículo. E bom, é verdade o que dizem sobre como o pavor cheira e que existem animais que podem sentir isso vindo de você, porque assim que engoli seco e pressionei minha palma na coxa descoberta, Haku me encarou. Seu sorriso vazio deixou claro que a próxima a sair daquele octógono carregada era eu. 


 

-Você é a próxima. - Kakashi falou enquanto estendia uma garrafinha de água a minha frente e eu não hesitei em toma-la de sua mão, dando bons goles. 

 

-Esse Daimaru é realmente grande. - minha voz saiu baixa, enquanto olhava fixamente na direção de um cara alto, careca e com os braços do tamanho das minhas coxas. 

 

Girei as articulações algumas vezes antes e conferi se algum lugar estava doendo. Por sorte, não. 

 

-Será que ele é mais rápido que eu? - perguntei ao homem de cabelos platinados ao meu lado enquanto íamos em direção a entrada do octógono. 

 

Ele não respondeu de imediato, pareceu ponderar um pouco antes de falar algo. 

 

-Daquele tamanho, provavelmente não. Você tem essa vantagem, é pequena e flexível, mas não confie nisso Sakura. - Kakashi colocou sua mão pesada sobre meu ombro, fazendo com que eu olhasse para si. - Eu já lhe disse isso centenas de vezes, mas dessa vez preciso que leve a sério. Presuma que aquele grandão ali é mais rápido e bem mais forte que você, acredite que com socos não vai derruba-lo, preciso que esse tal de Haku ao menos pense que pode ser derrotado. Por isso eu necessito que confie na técnica ao invés da força bruta. Essa é a nossa luta, é onde os mais fracos vencem os mais fortes. 

 

Meu queixo tremeu, e pode parecer bobagem, mas a minha vontade era de abraçar forte o homem a minha frente e deixar que algumas lágrimas caíssem. Talvez eu estivesse um pouco sentimental demais, mas não há como me culpar por emocionar. Antes das lutas nossas emoções são intensas, e tudo está na flor da pele. 

 

-Obrigada mestre. - me curvei, demonstrando todo meu respeito por ele. 

 

Quando me levantei, respirei fundo, e entrei de cabeça erguida no octógono, onde meu adversário já se preparava. 

 

Fiz o mesmo, e enquanto o árbitro ditava as instruções, Kakashi me sussurrava quais possíveis golpes usar. 

 

Sem socos. Sem chutes potentes. Só arte suave. 

 

O sino tocou, e Daimaru veio sem remorsos para cima de mim. 

 

Sem exageros, talvez ele fosse o dobro do meu tamanho, tanto de largura quanto de altura. Mas sua afobação era boa pra mim. Ele viu meu corpo pequeno e juntando com a minha primeira luta - onde não demonstrei um terço do que sabia realmente fazer -, me julgou mal. Eu entendo o que Kakashi diz sobre não superestimar seu próprio talento, ninguém é inalcançável. 

 

E bom, quando o garoto avançou em mim a fim de me intimidar, eu apenas respirei fundo e olhei atenta cada gesto seu. 

 

Quando o adversário é mais forte ou pesado, ele tem automaticamente toda vantagem num combate próximo ou agarrado. Então, no chão, mesmo eu sendo boa com o jiu-jitsu, não poderia me demorar muito ali. Uma pequena distração, poderia fazer ele rolar para cima de mim, não ia demorar para me esmagar, e eu sinceramente duvido muito que Daimaru, com aquele seu jeito mal encarado, fosse só me imobilizar. 

 

O grandalhão começou seus ataques como previstos, numa sequência ridiculamente rápida de socos. Ele queria me encurralar, daquela maneira eu não tinha tempo de defesa, e enquanto aos poucos íamos caminhando para uma das extremidades do octógono, soube que seu plano era me prensar contra uma das grades. Com tantos jabs direcionados a minha cara, achar uma margem para revidar era impossível, pelo menos era isso que ele esperava. Quando senti uma lufada de ar quente sua, eu soube que era o momento. Um cara daquele tamanho cansa rápido, com essa sucessão exagerada de socos, era certo que ele ficaria ofegante rapidamente. 

 

Sorri torto, atrapalhada pelo protetor bucal, e quando seu punho veio mais uma vez em minha direção, eu me abaixei. 

 

Daimaru estava em posição simples de luta. Perna esquerda na frente, a direita atrás dando apoio. Tudo que eu queria era desestabiliza-lo, por sorte, ele não esperava que eu reagisse, então foi fácil. 

 

Inclinei meu corpo em sua direção, minha orelha grudou em sua coxa suada, um pouco acima do joelho, e minhas duas mãos foram para o seu tornozelo. A ideia era criar uma espécie de alavanca, empurrar o joelho com a minha cabeça para que ele se esticasse, e depois puxar seu tornozelo, o resto, a gravidade faria por mim. 

 

Assim que ele caiu no tatame, fez barulho. Quando não se é treinado para levar quedas, pode machucar, mas eu não o esperei se recuperar, era minha única chance. 

 

Fui para cima do corpo largo, passando um dos meus braços atrás da cabeça e deixando meu joelho precionar sua barriga, dificultando sua respiração. Ele focou em tirar essa parte da minha perna de cima de si, felizmente, esse era o ponto. O joelho era só uma distração para que não percebesse minha mão próxima ao seu pescoço se juntar com a que estava em sua nuca, deixando sua garganta totalmente exposta ao meu antebraço. Não havia mais saída. Então foi simples, só abaixei o cotovelo, estreitando nosso contato, e forcei o braço que estava em baixo para cima, e o de cima para baixo. O enforcamento foi imediato, não dava pra sair, e enquanto meu joelho precionava sua barriga limitando o ar que Daimaru inspirava, e eu o estrangulava, foi inevitável vê-lo bater rendido três vezes com a palma da mão no tatame. 

 

Levantei de cima do corpo suado e o observei tossir algumas vezes, regulando sua respiração. Meu sorriso era grande, vencer é sempre bom, não vou mentir quanto a isso. Mas talvez Kakashi tenha razão e eu deva controlar o meu ego, porque enquanto ouvia meus amigos gritarem meu nome na torcida, não pude evitar de buscar os olhos vazios de Haku, e encara-lo de forma afrontosa. 

 

Ele não se deu o trabalho de me mostrar qualquer expressão, mas não importava. Cheguei a semi-final. A próxima luta seria a de nós dois. Preparada ou não, minha única escolha era dar o melhor de mim. 

 

Já sai do octógono cuspindo o protetor bucal e jogando uma quantidade grande de água no rosto, secando com uma toalhinha que me estenderam. 

 

Kakashi tinha em mãos uma espécie de suco energético e barras de cereais. Aquilo tinha muito carboidrato. 

 

Peguei sem hesitar. 

 

-Vão prolongar o descanso por dez minutos pra vocês descansarem mais. 

 

-Está muito feio? O garoto que lutou antes de mim com Haku. 

 

-Muito. 

 

-Esse garoto parece até uma máquina. Já reparou que ele não tem expressão facial? É assustador.

 

-O treinador dele é a mesma coisa, acredite, tenho experiência com Zabuza. 

 

-Eles usam a mesma técnica? Kakashi, você poderia me aconselhar! 

 

-Não usam. O moleque é melhor. Ele é menor, mais rápido, perfeccionista nos golpes. Mas vou pensar em algo até sua luta com ele. - o homem repousou costumeiramente sua palma no topo da minha cabeça e sorriu. - Meus parabéns, foi perfeita a finalização, estou orgulhoso. 

 

-Obrigada. - murmurei mais emotiva do que gostaria. - Acho que vou ali ver o meu pai antes. Queria dar um "oi". 

 

Ele concordou levemente com a cabeça e se sentou junto com meus companheiros de equipe desclassificados. 

 

Dei as costas para eles e fui em direção a um pequeno grupo, um pouco afastado dali. Dava pra saber quem eram muito antes de me aproximar. A voz aguda de Naruto gritando era inconfundível. 

 

Cheguei por suas costas a passos leves. Se não fosse a lesão no pé do Uzumaki eu provavelmente pularia em seus ombros, mas me contentei em dependurar em Gaara, bagunçando com força os fios finos e avermelhados. 

 

-Viram como eu acabei com ele? 

 

-Essa é a nossa garota. - meu pai disse enquanto me puxava para um abraço apertado. 

 

Eu estava um pouco suada e com alguns fios colocados na nuca e na testa, mas isso não impediu nenhum dos meus amigos a se apertarem a nossa volta, me esmagando numa demonstração de carinho coletivo. 

 

-Eu ainda preciso estar viva para a próxima luta. 

 

-Testuda, você tem que ensinar aquilo. - Ino dava pulinhos enquanto enroscava seus braços nos de Sai. - Assim eu vou enforcar todos os babacas. 

 

Tenten sorriu, e negou com a cabeça. 

 

-Como se Jiu-jitsu fosse pra ser usado em briga de rua. 

 

-Não vou julgar. - Gaara deu de ombros. 

 

-Prefiro algo mais pesado. - Naruto levantou as mangas da blusa, mostrando os bíceps bem trabalhados. - Meu negócio é soco, sem paciência pra ficar relando em homens suados. - arqueei uma de minhas sobrancelhas enquanto o encarava. - Nada contra Saky. 

 

-Ridículo. - debochei e o loiro me mostrou sua língua. 

 

-O tempo passa mas vocês ainda parecem ter doze anos. - meu pai disse nostálgico passando um dos braços envolta do meu pescoço. Estava pronta para rebater, mas Kizashi foi mais rápido. - Os Uchihas vieram te prestigiar, estão mais ali para trás, acabaram chegando tarde… porque não vai lá comigo? Hum? Agradecer. 

 

Lhe lancei um sorriso mínimo, e falamos para o pessoal que não íamos demorar. 

 

Sinceramente? Eu preferia ficar entre os meus amigos por mais algum tempo. Mas meu pai não me pedia muitas coisas. Ir até os seus amigos não seria esforço. Principalmente porque eu gostaria de ver a senhora Uchiha, e saber que ela estava bem. 

 

Tirando Yuki que tinha o semblante amarrado, todos os três sorriam muito em nossa direção conforme nos aproximamos. Cada um usava algo cor de rosa: Itachi tinha uma espécie de bandana na testa, Mikoto vestia uma saia, Fugaku tinha um detalhe mínimo em sua camisa e o caçula usava um boné. Mas todos, de alguma forma, mostravam sua torcida por mim. 

 

-Querida, você foi incrível. - a matriarca Uchiha disse enquanto se colocava de pé e me puxava para um abraço. 

 

Mesmo perfumada, fez questão de me apertar em seus braços sem se importar com a minha pele melada pelo suor. 

 

-Mentira, ela nem ao menos entendia o que estava acontecendo Sakura. - Itachi caçou, descansando uma das mãos nos ombros da mãe. - Até que você não foi nada mal chicletinho. Achei que fosse apanhar. 

 

Sorri. Esse cara não sabia ficar quieto. 

 

-Parabéns querida. - Fugaku falou sem se levantar, mas ainda sim de um jeito gentil. 

 

-Eu disse pra vocês que ela era boa. 

 

-Deve estar orgulho Kizashi. - Mikoto me olhava de forma doce, com menos tristeza que antes. 

 

-Eu estou. 

 

Eles começaram a falar de algo que não me dei o trabalho de ouvir. A verdade é que eu gostaria de um sentar um pouco, comer alguma coisa, e descansar até a última luta. 

 

Íamos nos ver assim que chegássemos em casa. Morávamos juntos afinal. Então não me senti culpada por pedir licença e anunciar que teria que me retirar. 

 

A senhora Uchiha fez questão de beijar minha testa. Ela disse que isso trazia boa sorte. E bom, era inegável minha necessidade de sorte. 

 

Meu pai me agarrou mais uma vez, me apertando firme em seus braços, repetindo que deveria tomar cuidado. Prometi que faria. 

 

Prestes a dar as costas para eles, senti a palma quente de Itachi apertar levemente meu antebraço. Franzi o cenho e me virei para ele, esperando que falasse algo. 

 

-Eu preciso ir ao banheiro. 

 

-Interessante. 

 

-Pensei que pudesse me mostrar o caminho. - disse ignorando minha falta de paciência. 

 

-É só entrar pelo corredor do bloco A, bem ali. - Apontei com a cabeça. - E então você segue reto. Tá escrito banheiro na porta, não tem como errar. 

 

-Qual é algodão doce, você entendeu. 

 

-Me chamar assim não aumenta muito minha empatia por você, sabia? 

 

-Se eu não te chamasse assim não teria graça. - disse simplista. - E então, já podemos ir? 

 

-Eu realmente não sei qual é a sua. 

 

Suspirei, e o empurrei pelo ombro, indo em direção ao bloco mais próximo mostrar o bendito banheiro enquanto ouvia sua risada a minhas costas. 

 

-Viu meu irmãozinho hoje? Ele veio com uma camisa bem chamativa pra torcer por você. 

 

Cerrei os dentes e preferi não dizer nada. Talvez devesse chamá-lo de enxerido? 

 

-Sabe chiclete, uma vez minha mãe me disse algo para refletir. Ela falou que perdoar exige muito, mas que entender exige mais… Eu demorei para compreender a verdade por trás disso.

 

Encarei Itachi enquanto caminhávamos, estranhando suas palavras repentinas e sem sentido. 

 

-Você está muito estranho hoje. 

 

-Quando eu finalmente compreendi o que ela quis dizer, passei a aplicar esse conselho na minha vida. - ele deu continuidade, ignorando meu estranhamento. - Você consegue entender o que minha mãe quis passar com essa frase? - perguntou de forma retórica. - Ela quis dizer que o perdão é sempre pesado porque está cheio de passado, memórias. Normalmente se pede perdão depois de fazer algo errado ou ruim. Mas o difícil não é conceder essas desculpas, e sim entender os motivos pelos quais a pessoa fez aquilo. 

 

-Onde você quer chegar com isso? - parei subitamente no corredor comprido. Estávamos bem próximos ao banheiro a aquela altura. 

 

Encarei os olhos castanhos escuro meio incerto, e os vi desviar da minha desconfiança, focando em algo atrás de mim. 

 

-Vocês precisam disso. - disse por fim, me deixando com o coração prestes a sair pela garganta. 

 

-Itachi! - o chamei, ainda sem me virar. Mas ele não respondeu.

 

Praguejei até sua última geração, não acreditando que ele havia me levado ali pra isso. E com o peito subindo e descendo rápido numa respiração desregulada, girei meus calcanhares, dando de cara com aquele que fazia minhas pernas bambearem. 

 

O blusão rosa estava ali, destoando do restante de seu estilo, mas ele não pareceu ligar. Os cabelos negros, agora olhando de perto, pareciam mais curtos, e um arrocheado leve embaixo dos seus olhos contratava com o branco da sua pele. 

 

Não soube o que dizer. Da última vez que nos vimos foi tudo… Intenso demais. E agora estávamos ali, cara a cara, nos encarando enquanto o silêncio nos rodeava. 

 

Não fui capaz de abrir a boca, então, meio incerto, Sasuke passou seus dedos pelo cabelo espetado trasparecendo seu nervosismo e pigarreou. 

 

-Você… Eu… Você estava ótima hoje lá no ringue. 

 

-Octógono.

 

-Isso. Você estava ótima no octógono. Se saiu muito bem. 

 

Concordei silenciosamente, ainda intrigada. 

 

-Daquele dia… A gente precisa conversar. - sua voz saiu mais como um sussurro e ele ficou um passo mais próximo de mim. 

 

-Não acho que tenhamos algo para dizer. 

 

-Pois eu acho. Quero esclarecer as coisas, não é justo que pense o que não deveria. Você não entendeu Sakura! Quer dizer, entendeu errado. 

 

Eu tentava respirar mais devagar e normalizar minha respiração agitada. Mas Sasuke parecia sugar todo ar que havia ali, me forçando a puxar sempre com mais força. 

 

-Eu não presumi nada. Eu vi, vi com meus próprios olhos. Você e ela. Pensei que eram amigos. 

 

-Você está sempre presumindo coisas, somos só amigos sim. Foi uma bobagem minha, eu não queria, não queria de verdade, eu até mesmo te trouxe isso…

 

Minhas sobrancelhas finas quase se encontravam pelo excesso do meu cenho franzido. Sasuke enfiou a mão em um dos seus bolsos e tirou de lá um pequeno botão azulado. Vendo minha expressão confusa, ele virou levemente o rosto para o lado um tanto desconsertado. Vi seu pomo de Adão subir e descer, enquanto ele aparentemente engolia seco. 

 

-É o segundo botão do meu uniforme. - sua voz grossa pareceu até mesmo serena pra mim. Arregalei os olhos sem saber realmente o que dizer. Suas atitudes eram muito avulsas. 

 

-Porque está me oferecendo isso? - murmurei, sabendo o significado que aquilo tinha. Não consegui evitar de morder o lábio inferior.

 

-Eu… 

 

Sasuke começou, mas a frase morreu em sua garganta, e ele recuou a mão estendida para mim com o pequeno botão no meio de sua palma. 

 

Antes que pudesse questiona-lo mais uma vez, ouvi passos no corredor a nossa direita, e quando me virei para olhar, identifiquei rapidamente os cabelos ruivos vindo em nossa direção. 

 

Sasori nem ao menos se deu o trabalho de tirar o jaleco, e pareceu ignorar a presença de Sasuke, me abraçando assim que me alcançou. 

 

-Parabéns por mais essa vitória. Estava te procurando, queria te examinar antes da sua próxima luta. - falou baixinho, porém alto o suficiente para que o Uchiha escutasse. 

 

-Obrigada. - murmurei. 

 

-Então, vamos? - seu braço rodeou meus ombros numa intimidade que não me recordo de termos. 

 

Olhei para Sasuke, por alguns segundos. Ele me encarava sem expressão. Sua mão que levava o botão, agora estava dentro do seu bolso, bem escondida. 

 

Eu queria pergunta-lo sobre mais coisas. Talvez devêssemos mesmo conversar. Mas antes que pudesse dizer algo ou marcasse algum lugar para nos encontrarmos e encerrar de vez essa conversa, ele simplesmente se virou, saindo na mesma direção que seu irmão havia ido. 

 

Eu não estava surpresa. Sasuke sempre seria Sasuke. Com ele eu tinha mais perguntas do que respostas. 

 

-Vamos. - encarei Sasori, e sorri. 

 

 


Notas Finais




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