História Kiss me, Mors - Capítulo 6


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Personagens Originais, Rap Monster, Suga, V
Tags Bts, Irene, J-hope, Jimin, Jin, Jungkook, Red Velvet, Suga, Taehyung
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Palavras 6.587
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Mistério, Romance e Novela, Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Spoilers, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Capítulo 6 - O Contrato


Fanfic / Fanfiction Kiss me, Mors - Capítulo 6 - O Contrato

TAEHYUNG

Abri meus olhos, o vento fresco da noite tocando a minha pele e o som distante da música chegando aos meus ouvidos. Eu havia voltado à noite do baile. Olhei à minha direita, meus 10 bilhões não estavam mais ao meu lado, mas sim um pouco mais adiante com o tal do Jungkook. Comecei a caminhar em sua direção com a intenção de evitar a fatalidade que havia ocorrido da última vez, mas logo após os dois primeiros passos, pude sentir algo vibrando em meu bolso.

Só podia ser J-Hope.

“J-Hope...” Eu atendi à ligação.

“Então conseguiu viver para aproveitar a festa, não é mesmo? Essa máscara fica bem em você.” O mesmo papinho.

“Obrigado.” Eu disse sorrindo, voltando a caminhar alguns metros atrás de Irene, meus olhos fixados em suas costas, mas de vez em quando olhava em volta para ver se não encontrava J-Hope em algum canto do jardim. “E, pelo visto, você também está aproveitando a festa, não?”

Silêncio.

“Como você...?” Sua voz demonstrava total incredulidade.

“J-Hope, me escute.” Eu parei de caminhar por um momento. “Não tente fazer nada idiota esta noite ou você vai se arrepender. Pode ter certeza que se tentar alguma loucura, você vai apodrecer atrás das grades, seu doente mental.”

Novamente silêncio.

E então um riso debochado.

“Você realmente não muda, não é?” Ele disse vagarosamente. “Eu não vim para te matar, Taehyung... Eu vim para tirar de você o que você tem de mais valioso.”

E após dizer isso, desligou. Ele iria atacar agora.

Comecei a correr em direção a Irene, ela se aproximava da entrada do salão. Pude ver então J-Hope saindo detrás de um arbusto, a faca em sua mão direita e, com a esquerda, retirava a máscara de seu rosto.

“IRENE!” Gritei para alertá-la ao notar que não chegaria a tempo de evitar que J-Hope a atacasse.

Ela se virou rapidamente, assim como Jungkook o fez, sobressaltados, foi então que em uma fração de segundos se depararam com J-Hope há alguns centímetros de Irene, seu braço um erguido para tomar impulso e acertar a lâmina da faca na pele de porcelana do pescoço da garota.

Mas Jungkook foi mais rápido. Por já estar alerta, em um rápido impulso, segurou com força o antebraço de J-Hope, e o torceu para trás – colocando em suas costas e forçando-o a soltar a faca – e depois passou um braço por seu pescoço, deixando-o assim imóvel. Cacete, esse cara sabia o que estava fazendo.

Irene soltou um grito agudo e levou as mãos à boca em choque. Logo, a cena chamou atenção de todos os presentes e as pessoas começaram a se aproximar. Os seguranças logo tomaram o lugar de Jungkook e seguiram mantendo J-Hope imobilizado enquanto chamavam a polícia, e este gritava palavras incompreensíveis, mas todas elas eram direcionadas a mim junto a alguns palavrões que eram entendidos de vez em quando em sua fala.

Wendy ao ver que era J-Hope quem tinha causado toda aquela confusão, ficou de queixo caído olhando toda a cena, mas logo se aproximou da amiga para perguntar se estava tudo bem. Foi então que o tal do Jin se aproximou de Jungkook e lhe sussurrou algo ao ouvido, tive um estranho pressentimento de que se tratava de mim, já que seus olhos logo se moveram em minha direção.

Alguns minutos depois a polícia chegava, Irene já tinha sido levada para dentro de sua mansão por Wendy a sua mãe, já que estava muito nervosa, mas pelo menos tinha saído ilesa dessa vez.

Ao ser colocado no carro, J-Hope gritou em alto e bom som que ele não tinha parado por ali, que ele faria da minha vida um inferno. Fiquei na dúvida se ele seria mesmo levado à prisão ou a algum manicômio. Enfim, foda-se.

As pessoas começaram a se dispersar, e já não havia mais a agradável música tocando ao fundo. O clima para a festa havia se desfeito com todo aquele pandemônio. Comecei a caminhar pelo jardim, tentaria entrar na casa para falar com Irene – afinal, eu tinha que fazer o meu papel de estar muito preocupado com o bem-estar dos meus 10 bilhões, não é mesmo? – mas fui interrompido antes de nem ao menos conseguir pisar nos ladrilhos que rodeavam a casa.

“Posso falar com você um minuto?” Virei para trás, o metidinho das artes marciais estava de pé com as mãos nos bolsos enquanto aguardava a minha resposta. Espelhei seu movimento e também coloquei as mãos nos bolsos enquanto o encarava.

“Diga.”

“Aquele cara que tentou atacar a Irene... Era seu amigo, não era?” Ele perguntou, mas seu questionamento não pareceu ter importância já que, na verdade, ele já aparentava saber a resposta. Aquele tal de Jin era realmente um linguarudo. Ele passou a língua por seus lábios e uma de suas mãos começou a massagear sua nuca. “Escuta, eu imagino qual seja sua intenção, e não acho que seja uma boa ideia você continuar insistindo em vê-la.”

Ele terminou em um tom de aviso, ou melhor, ameaça. Mordi as bochechas internamente – minha vontade era a de dar um murro naquela cara prepotente dele – e fiz uma sutil reverência.

“Desculpe por causar toda essa confusão, jamais foi minha intenção colocar em risco a vida da Irene.” Mordi meus lábios e engoli meu orgulho ao proferir essas palavras, e ao me levantar, Jungkook não parecia comovido com a minha atuação – talvez tivesse percebido – e não havia movido um músculo sequer.

“Não volte nunca mais a se aproximar dela.” Ele terminou, seu queixo um pouco erguido passando um ar de superioridade. Esse babaca... Rangi os dentes, mas antes que não pudesse mais segurar a minha língua e lhe falasse poucas e boas, ele passou por mim, indo em direção à mansão.

Continuei fitando suas costas enquanto descia pelo caminho do jardim. E então sorri.

Esse idiota não sabia com quem estava mexendo.

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NAHEE

De manhã, enquanto comia os ovos mexidos e o café que havia feito, peguei o jornal como de costume para ver as principais notícias. Aparentemente uma atriz – que eu não conhecia – iria se casar no mês seguinte e as suspeitas eram de que estivesse grávida. Ah, e também um garoto de uma escola particular de Seul havia ganhado um campeonato mundial de xadrez. A economia andava bem, e a filha de um empresário de uma grande rede de hotéis havia sofrido um atentado na noite passada, mas havia sido salva... Espera aí.

Aproximei o jornal do meu rosto para ver a notícia – pequena, no canto inferior esquerdo – mais de perto. Eu conhecia aquela garota... Ela tinha sofrido uma tentativa de assassinato de um host conhecido como J-Hope... Segui lendo a notícia, aparentemente, quem havia a salvado foi um amigo de infância, filho de um também empresário da empresa, Jungkook.

Então o tal de V conseguiu realmente evitar que a garota fosse atacada... Bem, pelo menos agora ele me deixaria em paz.

Após comer e me arrumar – saia e suéter, meia calça de lã e bota de cano curto, tudo negro, exceto o cachecol, que era vinho – saí para trabalhar. Desci as escadas e, no caminho, cumprimentei a doce senhora Kwon, que saía para regar as plantas como de costume. Ela era mãe da dona daquela pensão. Sua filha, Kwon Dahye, também era um amor, mas quase não tinha tempo de visitar a pensão, então muitas vezes eu a fazia companhia. Mas conversávamos apenas através de olhares e sorrisos, já que ela não escutava bem, e parecia estar sempre no mundinho dela. Ela me fazia lembrar muito da minha avó...

Abri a porta de entrada, o vento frio matinal indo de encontro ao meu rosto, caminhei pelo caminho ladrilhado com o rosto baixo, tentando cobrir pelo menos os meus lábios do vento congelante com o cachecol. Ao me aproximar do portão, o cheiro de rosas invadiu as minhas narinas – e não eram as rosas do jardim da senhora Kwon – levantei o rosto, do outro lado da cerca, um buquê de rosas vermelhas era estendido por alguém em minha direção, mas não consegui ver seu rosto, já que se encontrava atrás das flores. Porém, alguns segundos depois ele abaixou o buquê.

Droga.

“Bom dia, Nahee querida!” V exclamou colocando em seu rosto o sorriso mais galanteador possível. O olhei, meu rosto com certeza expressava choque com um misto de confusão. O que ele queria dessa vez?

“O que você quer?” Eu lhe perguntei secamente.

“Nossa, nem um ‘bom dia’?” Ele questionou, fingindo estar ofendido enquanto abria o portão para que eu passasse, mas não me movi. Ele seguiu me encarando, esperando uma resposta, seus dedos mexiam-se ansiosamente sobre o embrulho das flores – provavelmente esperava que eu as pegasse logo – mas depois do silêncio que se seguiu, ele continuou. “Sabe... Eu preciso de mais um favor seu.”

Eu sabia. Ele não apareceria aqui do nada – ainda mais com estas flores ridículas – se não tivesse uma intenção. E então, tudo fez sentido.

Aquela garota que ele salvou, eu já a tinha visto no clube de hosts. Esse babaca não queria ajudá-la como ‘amiga’, ele tinha segundas intenções com ela – ou melhor, muito provavelmente com o seu dinheiro – e agora queria voltar ao passado novamente para ser ele o grande herói da noite do baile de gala, e não aquele tal de Jungkook, assim, ele conseguiria sua atenção e admiração.

Após me dar conta disso, minha expressão mudou de confusão para raiva. Esse idiota... Sua ambição não tinha limites. Mais do que nunca eu sentia em meu peito o arrependimento por tê-lo deixado viver.

“Eu vi o jornal hoje.” Eu comecei, sibilando as palavras entre os dentes. “Você só quer ganhar o crédito por salvar a vida de sua ‘amiga’, não é mesmo?”

Terminei de falar e passei por ele esbarrando com força em seu ombro, ignorando completamente as flores e sua expressão espantada. Ele começou a caminhar a passos largos atrás de mim. Apertei o cachecol sobre meus lábios, dessa vez não para os proteger do frio, mas para os proteger de V, que poderia tentar me roubar um beijo como da última vez.

“Vai ser rápido.” Ele disse, no meio do caminho jogou as flores em uma das lixeiras da rua. “Só um beijo rápido, eu resolvo isso, e nunca mais voltaremos a nos ver.”

Continuei ignorando-o e, por sorte, ao chegar no final da rua e caminhar até o ponto, um ônibus que parava próximo ao meu local de trabalho passou e, sem pensar duas vezes, embarquei e torci para que ele não entrasse. Olhei pela janela, ele não havia entrado, estava na calçada me lançando um olhar de ódio, e logo o ônibus partiu. Deixei escapar um suspiro e descobri meus lábios.

Depois de um dia cansativo de trabalho, e com Yeri falando o dia todo sobre um host que ela conheceu e que era maravilhoso – de onde esses hosts estavam surgindo agora, hein? – me encaminhei para o vestiário e troquei de roupa, tirando meu uniforme e colocando a roupa de mais cedo.

Após me despedir de todos, saí pela porta, mas ao contornar a esquina, parei sobre meus calcanhares. Sério isso?

V estava encostado sobre um carro – um Porsche negro – usava óculos escuros, mesmo sendo noite, e roupas de grife enquanto um sorriso malicioso adornava seu rosto. Fiquei boquiaberta. Onde ele queria chegar com isso?

“Vim te buscar. Vamos dar uma volta?” Ele me perguntou, ainda com aquele sorriso ridículo no rosto, e então abriu a porta do carona para que eu entrasse.

Continuei o encarando, incrédula. E então, sem lhe responder, dei meia volta e fui embora.

“Ei, volta aqui!” O ouvi gritar, mas logo deixei de escutá-lo assim que atravessei a rua, mas juro tê-lo escutado gritar um ‘você tem noção do quanto me custou o aluguel desse carro?!’ antes disso. Não me importaria fazer um caminho diferente hoje.

E assim a semana seguiu. Todos os dias eu recebia flores no trabalho, boatos de que eu teria um namorado começaram a se espalhar, o que fez Yeri me encher de perguntas, que eu não respondi, obviamente. Ele me seguia para todos os lugares, chegou ao cúmulo de, enquanto eu olhava uma vitrine de doces com água na boca, aparecer do nada e pedir que me servissem uma torta de cada sabor. Já estava ficando farta de suas investidas, inclusive cheguei ao ponto de reconsiderar se não deveria beijá-lo logo somente para que me deixasse em paz, mas após alguns dias, milagrosamente, ele desapareceu. E eu finalmente pude respirar.

Não havia mais flores, nem encontros com ele em lugares inesperados.

Durante um dia em que trabalhei à noite, o chefe me passou o serviço de uma entrega em um luxuoso condomínio de Seul, o que mais estranhei era que, no endereço, estava bem especificado que eu deveria me dirigir até a piscina do local. Tive um mal pressentimento.

Quando finalmente cheguei ao local – uma enorme piscina coberta – notei que não havia ninguém lá a não ser uma pessoa que estava deitada sobre uma das espreguiçadeiras enquanto bebia soju. Como estava de costas não pude ver quem era.

Fui me aproximando, aquele mal pressentimento em meu peito cada vez mais forte. Mais dois passos e...

Lá estava ele, sorrindo vitoriosamente para mim; maldito V.

Ele ainda não havia desistido.

Meus ombros caíram pesadamente em derrota, mesmo assim, me dirigi cabisbaixa para cumprir o que havia ido fazer ali; coloquei a encomenda sobre uma pequena mesa circular de vidro que estava ao lado da cadeira dele. Durante todo esse processo, ele me seguia com o olhar, me analisando de cima abaixo com um sorriso de lado. Balançava os pés desnudos, e então desviou sua atenção de mim para ajeitar o nó do roupão branco que usava. O que ele estava fazendo aqui? Será que um host ganhava tão bem assim para morar em um condomínio desses?

Após ver que seu pedido estava na mesa, ele se levantou e abriu o pacote. Pude ver então que ele havia encomendado mais bebidas e duas porções de frango frito. Voltou então a olhar para mim.

“Acho que tem o bastante para nós dois, por que não fica para comer?” Ele disse, voltando a tomar um gole do soju que estava em suas mãos.

“São 15 mil won mais a taxa de entrega.” Não lhe respondi, apenas lhe passei a nota com os valores.

“Eu te pago o dobro se você ficar.” Girei os olhos.

“Eu estou trabalhando no momento.” Lhe respondi o óbvio, e então estendi minha mão para voltar a lhe pedir o dinheiro. “E tenho mais entregas para fazer, então se puder me pagar logo...”

V então pegou com força a mão que eu tinha acabado de lhe estender, não para me entregar o dinheiro, mas sim para me empurrar contra uma parede próxima. Arregalei os olhos.

“Posso te fazer uma pergunta?” Ele sussurrou, e estranhamente começou a afastar o roupão de seus ombros, revelando a parte de cima de seu peito. Desviei meus olhos e engoli em seco. O que ele estava fazendo? Tentei afastá-lo, mas ele me segurava com força. “Eu não faço o seu tipo?”

Voltei a encará-lo incrédula. O que isso tinha a ver? E não, ele não fazia meu tipo. Não por sua aparência, claro, ele era indiscutivelmente bonito, mas também não era nada demaaais, era só mais um cara com a aparência de um idol como tantos outros por aí, tipo fácil de se encontrar pela Coréia, principalmente por Seul.

Voltei a encará-lo para lhe responder com um alto e claro ‘não’, mas ao virar o rosto, notei que ele já tinha aberto o roupão todo, revelando estar apenas com uma bermuda por baixo. Passei – inevitavelmente – um rápido olhar por seu peito definido, e ele pareceu perceber meu deslize já que deu um meio sorriso. E então voltei a desviar, aposto que minhas bochechas estavam coradas naquele momento.

Okay. Ele não era tão comum assim.

A situação já estava ridícula o suficiente, então, em vez de lhe responder, apenas lhe empurrei, e dessa vez ele não resistiu.

“São 15 mil won mais a taxa de entrega.” Eu voltei a repetir, encarando o chão.

Ele se encaminhou até sua cadeira, pegou sua carteira e retirou a quantia que eu havia pedido de lá, e então me entregou. Olhei para seu rosto – evitando olhar para qualquer outro lugar com todas as forças do mundo – e ele parecia calmo.

“Sabia que eu não sei nadar?” Ele disse assim que eu me virei para ir embora, o encarei com os olhos semicerrados, demonstrando confusão. O que eu tinha a ver com isso? Ignorei-o e voltei a caminhar até a saída.

Então escutei o barulho da água se movimentando após ele mergulhar na piscina. Olhei brevemente para trás e pude ver o roupão agora jogado no chão, próximo à borda da piscina.

Continuei caminhando.

“Eu tô me afogando!” O escutei gritar enquanto batia os braços sobre a água. Nem me dei ao trabalho de me virar para olhá-lo.

“Aposto que se você esticar as pernas consegue encostar no chão da piscina.” Lhe respondi enquanto seguia caminhando. Mas então parei quando não ouvi resposta de sua parte e, logo em seguida, sons de engasgo.

Olhei para trás.

Não conseguia mais vê-lo.

Segui em direção à saída, dessa vez dando passos mais lentos e com os ouvidos atentos a qualquer outro som. Ele estava brincando quando disse que não sabia nadar, não é mesmo?

Parei e voltei a olhar a piscina. Não havia nenhum movimento.

Droga. Novamente eu estava no mesmo dilema de quando o conheci. Eu poderia ir embora e, se ele estivesse morrendo mesmo, eu me veria livre dele, se bem que, no fundo, eu sabia que aquilo era um truque dele. Só podia ser. Voltei a dar um passo até a saída. Mas e se não fosse um truque? Voltei a me virar em direção à piscina. Bem, de qualquer maneira, ele morreria por estupidez dele, pensei, e voltei a caminhar para ir embora. Mas e se ele estivesse realmente precisando de ajuda? Eu não suportaria saber que alguém – mesmo sendo esse a pessoa mais irritante que eu já havia conhecido –  morreu e eu me recusei a ajudar.

Voltei a caminhar em direção à piscina, dessa vez com passos mais firmes e confiantes.

Ao chegar na borda, pude ver sua silhueta no fundo da piscina, próximo à borda em que eu me encontrava. Abaixei-me para ver a profundidade da piscina e também para ver se não havia nenhuma movimentação de sua parte, mas antes que pudesse tomar qualquer ação, já era tarde demais.

Em um rápido movimento, V saiu da piscina, mordendo o lábio inferior em um sorriso travesso.

“Te peguei.” Ele disse, antes de esticar seus braços e me puxar para dentro da piscina. Tudo foi rápido demais, e em uma fração de segundos eu estava submersa – a propósito, comprovei que a piscina não era tão funda – por um breve momento V me olhou, mas eu logo fechei os meus olhos por não consegui-los manter abertos por muito tempo sob a água. Logo em seguida, o senti pressionando seus lábios contra os meus, e para ter certeza de que havia conseguido finalmente seu intento, ele mordeu meu lábio inferior levemente.

Silêncio.

Escuridão.

Logo abri meus olhos, eu estava em casa, sentada sobre minha cama lendo uma revista. E a única coisa que não saía de minha cabeça era o quão estúpida eu havia sido.

Que ódio.

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No dia seguinte, corri para pegar o jornal que era deixado sempre em frente ao meu apartamento. Com ele em mãos, decidi olhar as notícias antes mesmo de preparar meu café da manhã. Atriz que vai se casar possivelmente grávida, ok... Aluno campeão de xadrez, ok... Economia vai bem, ok... Filha de empresário de grande rede de hotéis escapa de atentado.

Filho da mãe.

Ele tinha conseguido. Logo abaixo da manchete, na curta matéria que informava sobre a terrível noite em que Irene Bae teria sido quase assassinada, havia sido detalhado como ela havia sido atacada por um psicopata enraivecido, entretanto, foi salva heroicamente por um rapaz de belíssima aparência, possivelmente um modelo – modelo, aham – que por instinto, ou um sexto sentido apurado, conseguiu imobilizá-lo e evitar que uma terrível tragédia acontecesse.

Deus. Que matéria sensacionalista e ridícula.

O pior era saber que, indiretamente, eu havia contribuído para que esse cretino conseguisse o que tanto queria.

Respirei fundo, jogando o jornal no lixo e tentando esquecer toda essa história enquanto começava a fazer o café.

Pelo menos agora ele finalmente me deixaria em paz. Ou era isso o que eu esperava.

Na noite seguinte estava de folga no trabalho, fiquei em casa então, finalmente assistindo a mais um episódio de um dos meus doramas favoritos enquanto arrumava algumas roupas no armário. De repente, ouvi três batidas na porta, me levantei do chão – onde estava dobrando algumas roupas sobre o tapete – e me encaminhei até a porta. A abri imediatamente imaginando que fosse a senhora Kwon me oferecendo um pouco do kimchi que sempre fazia. Mas não era. Na verdade, não o conhecia, era um senhorzinho magro de olhos pequenos que sorria para mim.

“Boa noite, senhorita Song. Vim buscá-la.” Ele me disse, foi então que notei em seu peito um crachá com o nome de uma empresa de transporte particular.

“Desculpe, acho que houve algum engano.” Eu comecei, olhando-o confusa, mas com um pouco de pena por ele ter vindo até aqui à toa. “Eu não pedi que ninguém viesse me buscar.”

Ele continuou sorrindo.

“Não a senhorita, mas o Sr. Kim.” Ele respondeu me entregando um pequeno envelope. Sr. Kim? Quem era esse tal de Sr. Kim? Abri o envelope, agora mais do que confusa. Dentro, havia um papel com um ‘thanks’ escrito e logo abaixo – ah, não – um V. Girei meus olhos. Então esse tal de Sr. Kim não era ninguém mais, ninguém menos do que aquele host convencido e egoísta.

“Sinto muito por ter vindo aqui à toa. Mas infelizmente eu não posso ir.” Respondi ao senhor, lhe entregando o envelope enquanto começava a fechar a porta.

“Mas, senhorita, o Sr. Kim parece empenhado em lhe agradar.” Ele insistiu, agora erguendo uma sacola de uma loja de grife na altura de meus olhos. “Ele também pediu que lhe entregasse isso.”

Segurei a sacola, notando que, no fundo, enrolado em muitos papéis de seda, havia algum tipo de tecido. Pedi ao senhorzinho licença para que fechasse a porta por um minuto, ele sorriu educadamente e disse que eu poderia tomar o tempo que quisesse.

Caminhei até minha cama, e abri o embrulho lá, o presente era um belíssimo vestido vermelho, mas que só de olhar já dava para perceber que ficaria justo no corpo, sem contar o decote um tanto considerável. Ele estava ficando louco?

Coloquei o vestido sobre a cama, sentindo o gostoso tecido em minhas mãos. Eu não iria. Nem pensar. Com certeza ele queria mais um beijo para voltar ao passado. Se bem que ele tinha conseguido o que queria, não é mesmo? Então qual seria a intenção dessa vez?

Não queria admitir, mas, no fundo, estava curiosa. Além do mais, seria uma boa oportunidade para, talvez, conversar e deixar claro que nós não deveríamos mais manter qualquer tipo de contato. Isso. Era isso o que eu faria.

Eu iria encontrá-lo com a única e exclusiva intenção de colocar tudo em pratos limpos. Mas não com aquele vestido.

Tomei um rápido banho e fui até meu armário; peguei um de meus vestidos pretos, uma jaqueta também preta, meias ¾ pretas, e botas pretas. Pronto.

O senhorzinho ao me ver pronta, sorriu, mas ao mesmo tempo pareceu um pouco preocupado ao ver minha roupa. Sinto muito, senhor, eu não usaria aquela roupa depravada.

Depois de entrar em seu carro, a viagem durou apenas alguns minutos até chegarmos ao nosso destino – até então desconhecido por mim – ele abriu a porta para mim, e em um educado gesto, apontou com as mãos ao local para o qual eu deveria me encaminhar.

Era um restaurante.

E – caramba – não era qualquer restaurante. Ao entrar, já pude sentir a atmosfera elegante do local. O piso era negro brilhante, eu quase podia ver meu próprio reflexo ali, e as paredes eram cobertas por belíssimos arabescos cor de vinho. No fundo, podia ver que por todo o lugar havia lustres de cristal, e as pessoas estavam super bem vestidas.

Agora eu entendi o porquê do vestido.

Vacilante, caminhei até o maître que se encontrava logo na entrada com o livro de reservas apoiado sobre um móvel de madeira. Ao me aproximar, ele me olhou de cima a baixo.

“Em que posso ajudá-la?” Ele perguntou, ainda sem entender o que eu fazia ali.

“Eu... vim a convite do V.” Ele me olhou confusa. “Quero dizer, Sr. Kim.”

Ele olhou no livro, procurando por seu nome, virou a página, e nada.

“Sr. Kim...?” Ele começou, indagando qual seria o primeiro nome do Sr. Kim. Eu não fazia ideia de qual seria o nome de V. V de Victor? Victor Kim? Não, ele não parecia ser estrangeiro. Ou talvez V de vadio. Isso, só podia ser isso, pensei enquanto deixava escapar um sorriso debochado, mas meus pensamentos foram interrompidos pelo pigarrear do maître, que ainda aguardava uma resposta minha antes de poder me mandar embora.

“Eu não...” Já ia começar a lhe explicar a situação, mas então encontrei V levantando um dos braços algumas mesas atrás para que eu o notasse. “Ah, ele está ali.”

Com olhos descrentes, o maître olhou para trás e se surpreendeu ao ver que eu dizia a verdade, à contra gosto, me encaminhou até a mesa.

Ao me aproximar, V me olhou com a mesma expressão do motorista e do maître.

“Que roupa é essa?!” Ele perguntou desesperado, olhos arregalados e boca semiaberta, notei então que ele usava mais um de seus ternos caríssimos e usava um brinco que brilhava tanto quanto os lustres do restaurante. “Cadê o vestido que eu te dei?!”

“Não gostei.” Respondi, não querendo lhe dar o braço a torcer. Sentei-me à mesa, a cadeira era de um veludo macio, e a toalha era branca e impecável.

Ele continuava a me olhar, incrédulo.

“Você só usa preto?” Ele perguntou. Sim, na maioria das vezes, pensei. Era a cor que mais me deixava passar despercebida.

“Você só faz perguntas idiotas?” Lhe respondi com outro questionamento. Ele contraiu os lábios e revirou os olhos, parecendo irritado.

Aparentemente ele já havia feito os pedidos já que logo um garçom se aproximou para nos servir vinho e um tipo de carne que eu desconhecia para cada um de nós. V logo começou a comer, mas meu prato se manteve intocado. Estranhando minha atitude, ele me olhou.

“Não gostou?” Ele perguntou, tomando um gole do vinho. “Eu posso pedir outra coisa se quiser.”

Girei os olhos.

“Você me chamou aqui só para jantar com você?” Lhe perguntei desconfiada, com certeza ele tinha alguma intenção por trás de tudo aquilo, e dessa vez eu deveria lhe dar um basta.

V levantou a vista de seu prato para me olhar.

“Te trouxe aqui como forma de agradecimento.” Ele disse depois de engolir a carne que mastigava. Seu tom de voz parecia até mesmo diferente do que eu já havia me acostumado. “Graças a você eu estou conseguindo o que eu sempre quis.”

O olhei mais do que desconfiada.

“E o que é o que você sempre quis?” Eu lhe perguntei, olhos estreitados.

“Ser bilionário.” Ele respondeu com simplicidade, colocando outro pedaço da carne na boca. Assustei-me com sua sinceridade; então esse cretino não tinha nem vergonha de demonstrar suas ambições. “E você? O que é que você sempre quis?”

Voltei meus olhos ligeiramente arregalados em sua direção; não esperava essa pergunta.

“A-acho que nada...” Respondi vagamente, vacilando um pouco no início. V me olhou incrédulo.

“Como nada?” Ele perguntou, tomando mais um gole do vinho. “Tem que haver alguma coisa. Aliás, como foi que você conseguiu esse poder? Foi atingida por algum raio ou algo do tipo?”

Sua animação ao fazer as últimas perguntas me irritaram um pouco. Para começar, aquilo não era um tipo de poder, era uma maldição. E eu não gostava de me lembrar do dia em que  descobri ter sido amaldiçoada, apesar de ser perseguida constantemente pelas lembranças.

“Não sei.” Respondi secamente.

Ele baixou os talheres sobre a mesa, deixando a carne um pouco de lado para voltar toda sua atenção para mim. Parecia estar ficando interessado.

“Bem...” Ele começou, apoiando seu queixo sobre uma de suas mãos. “Mas aposto que você já se apaixonou alguma vez, não é?”

Continuei o encarando, tentando entender onde ele queria chegar com isso.

“Quero dizer, para você ter descoberto que tinha esse dom, com certeza já se apaixonou por alguém.” Ele disse, agora me olhando no fundo dos olhos, como se estivesse brincando de algum jogo de adivinhação. Ao pronunciar a palavra ‘dom’ senti nojo, e quanto mais ele falava no assunto, mas doía a ferida.

“E...?” Eu o desafiei a continuar levantando uma de minhas sobrancelhas.

“E aí, após matá-lo, você ficou traumatizada e se afastou de tudo e de todos.” Bingo. Parabéns, V, parece que sua habilidade de percepção é um tanto quanto notável, mas o resto da história você com certeza não sabe. E nem saberá. Mordi meu lábio e encarei minhas mãos que mexiam nervosamente na barra da toalha da mesa. V largou os talheres na mesa por um momento e colocou suas mãos entrelaçadas apoiando seu queixo, tinha uma postura contemplativa. E então deu seu golpe final. “Com certeza você já se deu conta de que nunca vai conseguir ter um relacionamento normal com ninguém... Mas será que já percebeu o poder que tem em mãos com esse beijo?”

Assim que finalizou sua pergunta, meus olhos se encontraram imediatamente com os dele – os dele aguardando uma resposta ansiosamente, e os meus em fúria – e fechei meu punho, batendo-o com certa força sobre a mesa. Cada palavra sua doía, e muito, afinal, obviamente eu já tinha me dado conta de que jamais teria uma vida normal, não foi à toa que me distanciei de todos, eu não queria ansiar ter um possível relacionamento com alguém. Que dirá me apaixonar. Isso era um privilégio para muitos, mas não para mim. Jamais seria. E agora, esse idiota que eu – infelizmente – salvei estava sugerindo que o meu beijo na verdade seria uma dádiva?

Levantei-me, disposta a ir embora, mas V me segurou pelo pulso, seu olhar era confuso, então se levantou também.

“Quem você acha que é para entrar em minha vida e dizer o que bem quiser?” Eu comecei, falando entre dentes. V soltou meu pulso, e eu continuei. “Você não sabe quem eu sou, e eu não tenho interesse algum em saber quem você é, e mesmo assim você acha que pode falar o que quiser de mim! Eu tomei a decisão mais idiota da minha vida naquela noite em que te salvei, até então minha vida era tranquila e eu seguia muito bem caminhando sozinha, até que você apareceu e pisou em meu mundo com seus pés imundos, e desde então eu não tenho mais paz! Eu só quero que você desapareça!”

Respirei profundamente, e só então notei que tinha desabafado tudo aquilo sem nenhuma pausa para respirar. V me olhava assustado, talvez não esperasse uma reação tão exaltada de minha parte.

“As pessoas estão olhando...” Ele sussurrou, olhei à minha volta e, de fato, os outros clientes do restaurante tinham parado de comer e conversar e agora nos olhavam, os dois parados no meio do salão. Talvez eu tivesse aumentado um pouco o tom de voz...

Com vergonha, peguei minha bolsa e decidi que agora, mais do que nunca, era o momento de ir embora. Conforme caminhava com passos rápidos e pesados, percebi que minha visão estava turva; lágrimas que eu nem sabia que estavam ali se acumularam em meus olhos. As sequei com as costas de minha mão rapidamente, enquanto tentava normalizar minha respiração.

Ninguém nunca tinha me dito palavras como aquelas.

Ao passar pela porta do restaurante, além de sentir o frio ar noturno em minha pele, também senti alguém me segurar pelo braço. Ah, não. De novo não.

Lá estava ele, tão insistente quanto as lágrimas que teimavam em surgir nos meus olhos. V respirou fundo, parando na minha frente e soltando meu braço suavemente. Ele então colocou suas mãos sobre a cintura e encarou o chão por um momento. E eu fiquei lá, como uma idiota aguardando não sei exatamente o que.

“Desculpe...” Ele sussurrou, levantando o rosto para me olhar. Minha boca se entreabriu levemente devido ao choque de descobrir que ele tinha em seu vocabulário uma palavra educada e sensível. Só não sabia se ele realmente se sentia culpado ou se estava dizendo aquilo da boca para fora. “Mas não é justo você falar tudo aquilo e simplesmente ir embora. Agora é a minha vez.”

Fiquei confusa. Não tinha entendido o que ele queria dizer com aquilo, mas cerca de meia hora depois eu entendi.

V me levou para sua casa– e não, não era naquele condomínio luxuoso – que ficava ao lado de um restaurante chinês e em cima de uma lavanderia. A escada até lá era escura, e quando abriu a porta de seu apartamento percebi que lá dentro não era muito diferente; o local era um breu, e a única luz decente do ambiente provinha do aquário que ficava bem no meio da sala... aliás, sala, quarto e cozinha conviviam em um ambiente só – apenas o banheiro era separado – e tudo estava uma bagunça.

Ele pediu que eu aguardasse um pouco, entrando no banheiro, então me sentei no sofá – retirando uma de suas calças que estava jogada lá – e aguardei pacientemente. O que ele estaria aprontando dessa vez? E, afinal, o que eu estava fazendo ali? Mais uma loucura sua, Nahee...

Após uns cinco minutos ele saiu de lá. Mas aquele não era o V que eu conhecia.

V, o famoso host do clube Narciso, usava agora um conjunto de calça e blusa de moletom, um chinelo velho, cabelo bagunçado e óculos de grau. Meus olhos se arregalaram levemente, afinal, jamais esperei vê-lo assim algum dia, sem suas roupas de grife e sem sua expressão presunçosa de sempre. Ele estendeu a mão em minha direção, e eu fiquei o olhando sem entender o que queria.

“Prazer, Kim Taehyung. Esse sou eu de verdade, Nahee." E então entendi que ele estava fazendo uma apresentação, uma decente, desta vez. Ainda boquiaberta, retribuí o cumprimento lhe apertando a mão. Após, ele se sentou ao meu lado. “Agora estamos quites. Eu sei um segredo seu, e você sabe um meu.”

Estava confusa. O que ele queria com aquilo?

“Por acaso você está endividado...?” Eu comentei, sem pensar que aquela pergunta poderia parecer ofensiva, mas ela apenas escapou de meus lábios naturalmente ao observar o estado de sua casa e de suas roupas.

Ele riu, e pela primeira vez vi um sorriso genuíno seu, e – sem me dar conta – um fugaz pensamento passou por minha mente; ele conseguia ser mais bonito ainda na sua forma mais simples.

“Não...” Ele respondeu, seu tom de voz se apagando aos poucos e seus olhos fixados em algum ponto do chão. Um olhar que não consegui reconhecer. “É só que, por alguma razão, eu não consigo sair dessa vida.”

O que ele disse parecia ter uma profundidade que até então eu não conseguia compreender, então, sem saber o que responder, me mantive em silêncio.

“E assim como eu não consigo sair desse padrão de vida, eu tenho certeza que você também tem vontade de mudar a sua... Eu sei que você vê o seu beijo como uma maldição.” Assim que ele mencionou essas palavras, meus olhos voltaram a se arregalar, ele podia ser um idiota, mas talvez não fosse tão insensível quanto eu pensava. “Você e eu somos iguais.”

“C-como assim iguais?” Eu lhe perguntei confusa, eu não conseguia ver nada em comum com ele. Ele era egoísta e ambicioso, e eu só queria ter uma vida tranquila e no anonimato.

“Você e eu queremos aquilo que não podemos ter.” Suas palavras fizeram um certo sentido para mim por mais que eu não quisesse admitir. Tudo o que eu mais queria era ter uma vida comum, igual a de qualquer garota de minha idade, mas isso seria impossível. O sonho de um dia me casar e dar à minha avó os netinhos que ela tanto queria um dia era apenas uma ilusão distante. Eu teria de viver presa a essa realidade; eu ansiava por uma felicidade que eu sabia que nunca alcançaria, aliás, eu nem mesmo a merecia. Mas eu ainda não entendia o que ele não poderia ter, V – ou melhor, Taehyung – era o tipo de cara que tinha o mundo em suas mãos. Então estreitei meus olhos. Ele não estava fazendo este discurso à toa.

“Onde você quer chegar?”

Taehyung sorriu levemente, e dessa vez foi aquele sorriso malicioso que voltou a dar as caras.

“Se você me der seu beijo, eu vou conseguir realizar o meu sonho de ter os meus 10 bilhões.” Ele se levantou, ficando de frente para mim. “E é claro que eu vou te dar algo em troca por isso.”

Eu me levantei também, encarando-o enquanto escutava até onde ele iria com aquele papo de maluco. Continuei em silêncio esperando ele prosseguir, até que ele levantou seu dedo indicador.

“A cada beijo que você me der, eu vou realizar um desejo seu. Esse será o nosso contrato.”

Continuei o encarando. Ele tinha enlouquecido de vez, nada do que falava fazia sentido mais. Contrato? Que coisa mais absurda...

“Essa foi a coisa mais ridícula que já escutei...” Eu disse após dar um suspiro. Já tinha sido o bastante por aquela noite. Decidida, passei por ele indo em direção à porta para ir embora, mas ele foi mais rápido e bloqueou a passagem colocando um de seus braços sobre a porta.

“Por que nós dois não podemos ser felizes assim?” Ele questionou, aproximando seu rosto do meu com uma expressão séria. “Talvez seja esse o motivo dos nossos destinos terem se cruzado. Podemos completar um ao outro.”

Ele não poderia estar falando sério.

“Você é tão prepotente.” Eu disse olhando-o com desprezo. “Eu não preciso de você para ser feliz. Aliás, quer saber? Eu nem mesmo tenho essa necessidade de ser feliz. Agora, sai da minha frente.”

Taehyung arregalou os olhos, e eu aproveitei a oportunidade para retirar seu braço que estava bloqueando a passagem da frente – e ele não protestou – e abri a porta para sair do apartamento. Ainda assim, pude ouvi-lo caminhar atrás de mim. Como era persistente.

“Nahee! Vamos, pode pedir agora mesmo. O que você quer que eu faça?” Ele dizia em um tom desesperado. E eu precisava dar um basta nisso o quanto antes possível.

Virei-me pela última vez para lhe dar atenção.

“Eu quero que você suma da minha vida. Consegue fazer isso?” Inclinei minha cabeça levemente ao lhe fazer essa pergunta. Ele não me respondeu, apenas ficou me olhando com o queixo levemente caído, como se quisesse dizer algo, mas nenhuma palavra saísse.

Já sem paciência, o olhei uma última vez e lhe dei as costas. Dessa vez, do fundo do coração, eu desejava que ele desaparecesse da minha vida de uma vez por todas.

Mas o destino parecia mesmo estar brincando conosco.

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Talvez sejam almas gêmeas, já que frequentemente destroem um ao outro.


Notas Finais


Heey!
Voltei com mais um capítulo, antes do esperado, já que essa semana foi cheia, mas consegui escrever! \o/
Muito obrigada por todos os comentários~♥ (vou respondê-los agora). E quero dizer que, não sei vocês, mas eu estou amando escrever as interações entre a Nahee e o Tae, e é claro que o relacionamento deles será gradual, então tenham um pouquinho de paciência. =D

Saranghae~♥


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