1. Spirit Fanfics >
  2. Kiss The Devil >
  3. Capítulo único

História Kiss The Devil - Capítulo 1


Escrita por:


Notas do Autor


Como todas as minhas ones essa é baseada em uma música que se chama Kiss The Devil do Bel Heir. Link da tradução nas notas finais.

Capítulo 1 - Capítulo único


A música que antes tocava mais alto que os próprios pensamentos em minha cabeça agora mais parecia um sussurro.

  Eu havia ouvido algumas histórias sobre aquela mulher, de como ela só buscava uma boa diversão e apenas isso. Eu nunca me considerei uma pessoa melosa, mas nunca pensei que se envolveria com esse tipo de gente.

  Talvez tivesse sido a bebida, talvez tenha sido toda aquela conversa que desfrutaram…mas agora eu era incapaz de pensar em outra coisa a não ser o desejo que sentia por apenas ficar ali, não importando o que acontecesse entre nós.

  Eu poderia dizer que a única coisa que sabia de Fiona era o seu nome, mas sinceramente eu não me importava…

  Minha respiração ficou acelerada quando senti minhas costas bateram contra a parede. Fiona pouco menos de dois centímetros de mim

— Ivy…olhe para mim — apesar do nervosismo da situação eu fiz o ela pedia, seus olhos eram castanhos, mas no da esquerda havia um pequeno tom de azul, era hipnotizante — Você realmente quer ir além? 

  Eu já tinha a minha resposta para aquela pergunta antes dela ser feita, mas ainda sim eu queria verbaliza-la para que Fiona soubesse que não precisava se preocupar tanto com as minhas vontades…mas naquele momento as palavra não me pareciam tão confiáveis.

  Segurei seu rosto e a beijei, eu senti suas mãos descendo até a minha barriga, onde ela começava a desabotoar a camisa que eu usava. Quando ela nos separou ela “atacou” o meu pescoço, cada beijo ali me fazia arrepiar e simplesmente implorar por mais. Céus, essa mulher sabia das coisas…

 

 Quando acordei eu sentia como se qualquer luz fizesse minha cabeça doer, o gosto amargo da minha só me fazia mais a favor da teoria que beber não era para mim.

  Como eu esperava o outro lado da cama estava vazia, não havia mais nada ali que uma lembrança vaga. Suspirei, eu sabia o que esperar, sabia como aquela agia, mas realmente não esperava sentir falta dela tão prontamente.

  Eu ainda sentia o leve ardor das mordidas e arranhões que eu sabia que me marcavam. Me enrolei no lençol e caminhei até o banheiro, o lugar estava quente e o espelho embaçado. Porém ali havia algo diferente, pendurado em um dos ganchos para toalha estava um pingente em formato de coração.

  A noite em si não era clara em minhas lembranças, mas eu tinha certeza que a vista usando aquele mesmo colar na outra noite. Toquei o pingente com a ponta dos dedos, lembrei de como trazia arrepios sempre que tocava em minha pele, ele sempre estava tão frio…

  Me pergunto o que a fez esquece-lo, eu mesma não conseguia ficar muito tempo com colares ou anéis, não conseguia deixar de sentir um incômodo, por isso preferia as pulseiras. Creio que ela também sentia isso, lembro das vezes que nossos olhares se encontravam na outra noite, seus dedos sempre brincando com a corrente…

  Resolvi que pensaria mais sobre isso depois, naquele momento eu almejava um banho quente do que ficar ali, bolando teorias.

 

  Como o frio veio com força aproveitei para usar um casaco com gola alta, haviam marcas em meu pescoço que gerariam piadas que eu realmente não tinha a menor paciência para ouvir. Adentrei o Posto de saúde sendo recebida pelo calor do ambiente, quase fazendo o verão sentir inveja.

— Ingrid — chamei a recepcionista — sei que detesta o frio com todas as suas forças, mas cozinhar a todos não vai ser solução.

— É, quando sairmos teremos choque térmicos — Sophie sorriu para ela, ambas recebemos um olhar severo dela.

— Eu estou com o controle do aquecedor. Então vocês aceitam as minhas ordens.

— Tá — dei de ombros — podemos almoçar os que assarem primeiro. Se precisarem de mim eu vou estar na cozinha tomando café.

— Eu vou com você — Sophie correu para o meu lado. Caminhamos em silêncio até chegarmos aos corredores que levavam a cozinha. Você entrava em um, descia uma rampa, virava e repetia o processo pelo menos quatro vezes antes de chegar a cozinha — Então…você e aquela psicóloga…hum? Eu vi tudo.

— Refresque a minha memória, por favor. O que é que você viu?

— Vai me dizer que você acha que eu não vi vocês indo para o seu quarto? Eu sei que a festa foi na sua casa, mas eu nunca achei que você fosse do tipo que procurasse sexo nesses eventos.

  Pessoas normais ficariam constrangidas com essa afirmação de Sophie, mas quando se já está acostumado com ela dizendo isso…você passa a considera-la mais um livro aberto de putaria.

— Eu não busquei nada, simplesmente aconteceu.

— Eu sei, eu sei…só estou brincando com você. Você é realmente difícil de abalar — ela me cutucou nas costelas — bom, pelo menos você teve uma palinha do que aquela mulher é capaz de fazer. Sei que você já ouviu sobre ela e sabe que não deve tentar ir atrás delas duas vezes, não é?

— Sim. Mas é justamente o que eu vou fazer, tenho que devolver algo a ela.

— O que? A sua virgindade? Você já ouviu sobre ela, ela vai pisar em você se tentar algo. 

— Eu não quero namorar ela, apesar de não achar ruim se isso acontecer - dei de ombros —, mas falo sério. Só tenho que  devolver algo e então, talvez, nunca mais terei que falar com ela.

— Eu estou tentando te proteger de ter seu coração machucado por alguém que já dormiu com metade das mulheres daqui, mas se é assim…

— E o que tem? — parei no meio do último corredor, Sophie me olhou como se não tivesse entendido a minha pergunta — O que tem se ela já dormiu com todo mundo daqui ou só metade? Ela é apenas uma pessoa fazendo o que quer, quando quer. Ela não está fazendo nada de errado.

—…eu sei — Sophie suspirou — É que é difícil ver pelo seu ponto de vista, mas entendo. Não está mais aqui quem falou, tudo bem?

— Você é idiota, mas é minha amiga. Então te perdoou por ser idiota.

— Obrigada pelas palavras que me tocam — ela sorriu — agora vamos, aposto que ninguém fez o café ainda e você sabe como eu amo o seu café.

 

 O por do sol brilhava na linha do horizonte, minha cabeça doía pelo dia cheio da farmácia, mas eu me sentia bem. Gostava do que fazia.

  Por agora eu estava fazendo o meu ritual de todo o fim de turno, ficava na parte de trás do prédio e fumava alguns cigarros, era relaxante…

— Se importa de ter compainha? — e lá estava ela, Fiona. Ela vestia um vestido longo, o vestido era escuro e tinha estampa de flores. A saia rodada balançava quase loucamente pelo vento, me perguntava se ela estava com frio…

— O lugar é público — eu disse a ela, tenho absoluta certeza que não disse nada engraçado, mas ainda sim ela riu.

  Ficamos em silêncio por um tempo, eu a assistia de canto de olho enquanto ela acendia  de seis cigarros.

— Foi legal — ela disse após algumas tragadas.

— O que…

— Ontem a noite, com você…foi legal.

— Certo…obrigada. Eu também achei legal…— tudo bem, eu achei mais que legal, mas não precisava dissertar sobre isso, não é? — ah…tenho uma coisa para você.

— Uou. Passamos uma noite juntas e você já está me dando presentes?

— Presente? — arquiei uma sombrancelha — Eu estava apenas devolvendo o colar que você esqueceu — como se isso fosse um estalo ela levou as mãos ao pescoço, como se agora percebesse a ausência da jóia.

— Ah, céus — ela suspirou — preciso urgentemente me acostumar com ele, não terei tanta sorte de ter alguém como você para me devolve-lo na próxima, não é?

— Depende. Esqueça na minha casa mais vezes e eu irei trazer ele para você.

— Você está flertando comigo? É estranho ver você fazendo isso, normalmente você é tão seria…— sua expressão mudou de repente, como se uma lembrança triste tivesse surgido em sua mente — achei que você me acharia uma pessoa ruim. Sabe, por causa da minha “fama”…

— Eu ouvi histórias — suspirei e traguei o cigarro algumas vezes —, mas não ligo para porra nenhuma. Você é adulta, paga as suas contas. Que mal faz você fazer o que te da na telha? Se isso te faz sentir bem não precisa parar — por alguns instantes ela ficou me encarando, como se eu tivesse feito algo anormal, com o tentar fumar pelo nariz — Eu...eu disse algo errado?

— Não…não. Claro que não. Mas você é uma das únicas pessoas daqui que me disseram isso…obrigada.

— Não me agradeça. Eu só não vejo sentido em julgar ninguém. Apenas isso.

  Eu fumei ao menos mais três cigarros antes de decidir ir embora, o céu já começava a ser decorado com estrelas e eu sabia que minha visão era horrível a noite, por isso preferi ir enquanto dava tempo.

— Tem algum plano para hoje? — Fiona perguntou.

— Não…você tem?

— Esquecer o meu colar na sua casa conta? — ri levemente com a sugestão.

— Claro. Eu ficaria feliz com isso.


Notas Finais




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...