História Kissed by Darkness - Capítulo 15


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Categorias Marina Ruy Barbosa, Nathaniel Buzolic, Once Upon a Time
Personagens Capitão Killian "Gancho" Jones, Dr. Archie Hopper (Jiminy Cricket), Emma Swan, Henry Mills, Lacey (Belle), Mary Margaret Blanchard (Branca de Neve), Neal Cassidy (Baelfire), Personagens Originais, Regina Mills (Rainha Malvada), Robin Hood, Sr. Gold (Rumplestiltskin), Zelena (Bruxa Má do Oeste)
Tags Drama, Gideon Gold, Magia, Marina Ruy Barbosa, Nathaniel Buzolic, Robin Mills-hood, Romance
Visualizações 110
Palavras 4.914
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Crossover, Drama (Tragédia), Fantasia, Luta, Magia, Misticismo, Romance e Novela, Sobrenatural, Violência
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sadomasoquismo, Sexo, Spoilers, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Hello, people! Antes de lerem o capítulo, gostaria que vocês soubessem de algumas coisas:
1. Eu não sou a favor da violência contra a mulher nem estou fazendo apologia a mesma, apenas estou escrevendo uma história que (na minha cabeça) se passa na Idade Antiga e isso era "comum" ou não tinha a devida punição.
2. Os capítulos desta história têm sido grandes porque tenho o interesse de passar cada detalhe para vocês e também porque, como posto apenas uma vez na semana, acho legal que o capítulo "desconte" os outros dias.
3. Gostaria que vocês pudessem comentar mais. Lógico que não irei parar de escrever só porque não há muitos comentários, mas esses me incentivam a criar cada vez mais conteúdo e a me inspirar também já que eu sei que vocês estão gostando.

Espero que eu não tenha enchido o saco de vocês 😅 e vamos ao capítulo! 😜😜

Capítulo 15 - XV


Fanfic / Fanfiction Kissed by Darkness - Capítulo 15 - XV

"Meu coração está danificado pela veia que eu continuo fechando. Você me corta e eu continuo sangrando, continuo, continuo sangrando amor." Leona Lewis - Bleeding Love

A brisa da noite molhava o rosto pálido, assanhava os cabelos que se libertaram com o vento forte e tudo o que saía da boca de Robin era um grito apavorado que foi sufocado ao se chocar com braços fortes pertencentes a um corpo que se inclinou sobre ela. Robin imediatamente agarrou o peito dele, sentindo o calor e a segurança que precisava, percebeu também que tremia enquanto era erguida e acabou se prendendo ainda mais ao corpo dele sem acreditar que ainda continuava viva.

  - Abra os olhos, minha princesa. - ela obedeceu lentamente, onde enxergou as orbes negras tão brilhantes quanto a lua. - Estás viva, eu disse que te pegarias, não disse?

  - Sim. - sorriu abertamente enquanto arfava sem parar. - Tu disseste.

Robin, então, ergueu levemente a cabeça, procurando os lábios de seu marido com vigor, os encontrando da mesma forma despudorada, maliciosa e pecaminosa da qual se lembrava. Ela sentia o seu coração bater tão forte que pensou que pudesse realmente sair por sua boca, então colou ainda mais os lábios aos dele, apregoando a lateral de seu corpo nele.

  - Mon... sauveur... - balbuciou entre os beijos.

  - O que... disseste?

  - Não importa... - o fitou fixamente. - É melhor irmos, os guardas já devem estar descendo.

  - Certamente.

Gideon a libertou de seus braços e a conduziu pela mão até o seu cavalo, onde a ergueu e a depositou rapidamente sobre a cela, depois subiu também. Todavia, quando segurou nas rédeas, um homem alto de cabelos negros compridos, usando o uniforme que ele conhecia bem, calças e sobretudo brancos e botas negras, apareceu entre as sombras da lateral do Palácio.

  - Princesa Robin?

A ruiva tocou no seu rosto, notando que a sua máscara caíra com a queda e ficou paralisada ao ser reconhecida por aquele homem que ela se lembrava muito bem. Era Caspian, o guarda que vigiava os seus aposentos e a acompanhava em praticamente todas as suas caminhadas pelas proximidades do Palácio, o mesmo que a seguiu até o mausoléu dos reis antigos onde se encontrara com Gideon pessoalmente. Mas o que ele fazia ali? Pensou que talvez Caspian estivesse guardando o seu tio e tia naquele baile ou a Cavalaria Alva estivesse por perto. Outra vez.

Ela não conseguiu responder, apenas ficou a encarar o homem do modo petrificado enquanto era conduzida por Gideon floresta adentro.

O trajeto fora totalmente silencioso, tendo o som dos animais da floresta como fundo sonoro, a brisa fria da noite que se tornara violenta devido a alta velocidade com que Gideon cavalgava, rasgando ambos os rostos descobertos e a ruiva sentia a respiração pesada do seu marido em sua orelha, bem como o aperto severo em sua barriga que nada tinha de protetor.

Chegaram no alto das Montanhas em que, Gideon desceu rapidamente e a puxou de cima do animal brutalmente, algo que a fez reclamar, mas ele se encontrava em fúria pura. O que estava acontendo? Subiram as escadas velozmente e quando adentraram na casa abafada, Robin foi empurrada até a cama, quicando sobre o colchão.

  - O que foi isto? - indagou indignada e confusa.

  - Eu irei te mostrar o que acontece com quem me desobedece, garota. - ralhou gelidamente.

  - Gideon, eu pensei que já tivesses...

  - Não me chames assim! Eu sou o teu senhor, entendeste? - retirou o lenço do pescoço e a ergueu da cama.

  - Meu senhor, o que estás fazendo? Pensei que já tivesse tudo resolvido.

  - Bem, pensaste errado.

Ele retirou o vestido dela praticamente rasgando todo o tecido do busto, depois a levou até a árvore no centro do cômodo, prendendo as mãos dela com o lenço, a deixando de costas para ele completamente nua e vulnerável. Então, retirou o seu cinto da calça.

  - Isto está muito apertado. - choramingou com o queixo colado a madeira áspera.

  - Isto não é nada comparado ao que virá.

  - Aaaah! - gritou quando sentiu o primeiro golpe em suas costas. - Por que estás fazendo isto?

  - Esta foi por ter ido atrás de mim sozinha, correndo perigo na floresta.  - a golpeou mais uma vez. - Esta foi por ter pulado do meu cavalo e o deixado fugir. - bateu de novo.

  - Pares! - ordenou com a voz embargada. - Está doendo muito!

  - Isto é o mínimo que os Fühers fariam se a tivessem pegado na floresta! - a sua voz era de pura raiva e a golpeou mais uma vez. - Esta foi por ter debochado de mim no baile.

  - Por favor, meu senhor! - bradou em prantos. - Não há necessidade dist.... aaaah! - sentiu outro golpe queimar a sua pele.

  - Esta foi por ter me forçado a ir contra a minha natureza de matar o teu tio! - repetiu a dose desta vez nas nádegas.

  - Eu não te forcei! Eu pedi a ti! - sentiu outro baque que a fez gritar e chorar copiosamente.

  - Esta foi por ter sido reconhecida por duas pessoas das quais podem facilmente te achar. - golpeou novamente. - E eu sabia que isso iria acontecer, mas tu és uma teimosa insolente que não entende o quanto foi burra em ir àquele baile.

  - Eu só queria ajudar e... aaarrg! Pare, seu imundo! - sentiu outro golpe em que ela pressionou a testa na árvore. - Se não fosse por mim não terias conseguido pegar o raio desta adaga!

  - Eu estava conseguindo muito bem sozinho... não precisaria ficar me preocupando contigo a toda hora! - deu outro golpe nas costas pálidas que adquiriam a cor avermelhada. - Não teria me forçado a arriscar a tua vida ao pular aquela janela, não teria perdido o foco com toda a tua beleza ou não teria ficado furioso ao ver aquele filho da puta te reconhecer e que com certeza tentará te roubar de mim!

  - És louco! - berrou em lágrimas. - Esta adaga só transferiu para fora o que tu és. Um monstroooo! - gritou de dor com o choque nas costas. - Eu te odeio!

  - Ótimo! Odeie-me! - bradou enquanto investia mais duas vezes. - Não procures bondade em mim ou motivos para me amar! Eu sou uma aberração que não merece isto!

Robin sentiu instabilidade na voz dele ao falar as últimas frases, mas não parou para analisar, afinal, nem conseguia pensar com os golpes em suas costas que queimavam a pele e machucavam o seu coração. Não conseguia se libertar do aperto do lenço nem ele atendia aos seus pedidos de clemência, então só restava chorar e sentir a raiva se instalar em seu coração. Gideon realmente não a merecia, não era digno de ser amado, era um monstro inescrupuloso, certamente o odiava.

Depois de um tempo eterno, os golpes cessaram e um silêncio se instalou na casa em que, somente os soluços dela e a respiração pesada dele eram ouvidos. Ela ouviu barulho de água e pensou que ele tinha ido tomar banho. Bixo odioso! Iria se deliciar com a visão das costas machucadas enquanto se banhava.

Após alguns minutos, Gideon apagou todas as velas que ainda não haviam sido consumidas e ela ouviu o som da madeira da cama. Ele havia ido dormir sem libertá-la?

  - Gideon! - chamou raivosa. - Liberte-me, seu imundo!

  - Não. - informou com a voz cansada. - Irás ficar aí até eu decidir libertá-la.

  - Seu demônio! - rosnou, mas já sentindo o corpo fraquejar; fora um dia muito agitado. - Irás pagar caro por toda a maldade que me causas.

  - Não te preocupes, eu já estou pagando.

Aquele foi o último vestígio da voz instável e grave que ela ouvira durante muito tempo, então sentiu as pálpebras pesarem, bem como o corpo pedir para descansar, mas não conseguiu dormir devido as lágrimas quentes, apenas descansou os olhos enquanto o coração queimava de dor, raiva e decepção.

[ *** ]

Gideon acordou de seu breve cochilo em um salto, sentindo a cabeça doer e as veias latejarem, olhou para fora da pequena janela da casa, enxergando nada mais que a escuridão fria que trazia a brisa para dentro do cômodo, então rolou os olhos para frente, encontrando o motivo da sua fraqueza muscular.

Sentiu um bolo em sua garganta ao notar a pele pálida coberta por tiras avermelhadas, o corpo trêmulo pelo frio horripilante e os choramingos baixos que devido o silêncio da noite ele conseguia ouvir bem, latejando em sua mente como sinos estridentes.

Percebeu algo quente escorrer em sua bochecha e levou a mão ao local, sentindo uma lágrima triste e solitária na ponta de seus dedos que ele logo tratou de limpar. Continuou a observar a sua doce esposa que experimentava o lado mais amargo dele por simplesmente ser quem era, uma mulher gentil, pura e delicada que buscava encontrar algo bom nele e se afeiçoar.

Gideon não queria isso. Já havia a explicado de diversas formas que não desejava a misericórdia dela, não era digno de tê-la, mas Robin parecia não entender, ou pior, não queria entender, pois o modo como ela o tocara, o fitara e falara com ele naquela noite expressava o quanto ela desejava se aproximar dele. Então ele tratou de colocar a sua máscara contra a luz de sua esposa e se escondeu miseravelmente.

Porém, apesar daquele procedimento estar entranhado em seu ser, pois o usara com as crianças no Antro das Trevas, sentiu como se os golpes que dava em Robin sobrecaiam nele. A cada gemido de dor, soluço em meio ao choro e os gritos dela, Gideon sentia como se uma espada atravessasse o seu peito, o levando a ir contra a vontade dos seus músculos e continuar com aquela barbárie.

Gideon decidiu se levantar da cama sem fazer muito barulho, mas sentindo o seu corpo pesar a cada passo na direção dela e acabou arfando ao chegar perto o suficiente de Robin para ouvir o seu choramingo sofrido. Apertou os lábios com força como se quisesse impedir um grito de dor e procurou as mãos dela, a libertando do lenço apertado.

Logo que fez isto, as pernas da mulher fraquejaram, mas Gideon foi mais rápido, contornando o tronco da árvore e a amparando pelos braços em que, pôde ver o corpo marcado pela madeira áspera e o rosto horripilantemente pálido. Viu uma lágrima escorrer no rosto dela, porém não a pertencia; era dele outra vez.

  - Deixe-me. - balbuciou em delírio. - Já... chega.

  - Eu não consigo te deixar, Robin. - suspirou pesadamente. - Acho que nunca conseguirei.

Gideon a guiou com cuidado até a tina, esquentou levemente a água e a ergueu pelas pernas, a ouvindo grunhir com o toque em suas costas. Então a sentou dentro da tina de madeira, pegou um lenço bem fino e o encharcou, colocou os longos cabelos sobre o ombro dela e derramou a água lentamente na pele delicada, a observando arquear as costas.

  - Eu sei que dói, minha princesa. - roçou a ponta dos dedos nos ombros descobertos. - Mas sejas forte.

Após banhá-la durante eternos minutos, a ergueu da tina tão delicadamente como se ela fosse feita do cristal mais frágil e a depositou de bruços sobre a cama, a enxugando com o fino lençol em leves pressões. Então, procurou uma loção em seus pertences, revirando os seus vidros sempre bem organizados, deixando uma das porções cair ao chão de madeira devido o tremor de suas mãos, algo que ainda não tinha notado.

Voltou à cama, circundando o quadril dela com os joelhos, mas sem a tocar, afastou as madeixas escarlate e abriu a loção para ferimentos que não era muito adequada, mas serviria para aplacar boa parte da dor. Por fim, passou a especiaria cremosa vagarosamente na pele avermelhada, a ouvindo suspirar fortemente. Gideon sabia que qualquer coisa doeria se entrasse em contato com a pele machucada, ainda mais aquela loção que causava um certo ardor de início, mas depois se transformava em puro alívio.

Ele massageou com as mãos grandes as costas dela, atingindo o ápice das nádegas redondas, onde acariciou devagar a pele marcada por um tempo indeterminado. Sem perceber, o homem selou os lábios naquela região tão delicadamente que o fez se surpreender, pois nunca pensara que pudesse ser carinhoso e nada malicioso em contato com as nádegas de uma mulher. Todavia, não se tratava de qualquer mulher, era a sua esposa pura e doce que não merecia de forma alguma sofrer daquele modo.

  - Eu sou um miserável. - balbuciou enquanto a beijava.

Ele selou cada pedaço de pele das nádegas macias, subindo ao coccix, beijando a linha da coluna tão fracamente que quase não a tocava, beijou a lateral do corpo, uma pequena zona dos seios e subiu aos ombros. Afastou os cabelos da nuca, alcançando a região sensível com os lábios macios, depois com a língua quente, a aquecendo com o seu calor e a ouvindo suspirar audivelmente.

  - Gideon.... - murmurou num fio de voz rouca. - Por que fazes isto comigo?

  - Porque eu não quero que te aproximes de mim.... - a ergueu pelos braços e começou a desabotoar a sua camisa branca. - Eu sou muito feio por debaixo da máscara. 

Ele retirou inteiramente a camisa e a colocou sobre a mulher que mal entendia o que estava acontecendo, passou os braços por debaixo dos dela e começou a abotoar a peça lentamente enquanto acariciava a lateral do rosto dela com o nariz e o roçar dos lábios, inalando o aroma de amêndoas dos cabelos ruivos.

  - Como te sentes?

  - Quebrada.... por dentro. - roçou a bochecha na dele como uma gata manhosa.

  - Somos dois, minha princesa.

Eles ficaram mais um longo tempo apenas se acariciando com os rostos, tendo as mãos coladas e vez ou outra, selavam os lábios com um carinho ainda não experimentado por ambos até que Gideon percebeu a exaustão do corpo de sua esposa e a deitou outra vez sobre o colchão, ficando a selar cada pedacinho da lateral exposta do rosto dela e com uma relutância inimaginável de seu corpo, ele se afastou, a cobrindo com uma manta colorida.

Sentou na poltrona próximo a cama e se pôs a continuar a observá-la. O que ele tinha feito? Por que machucá-la lhe causava tanta dor se não se importava com ela? Por que uma raiva se instalara dentro dele ao perceber que poderiam roubá-la dele? Não, Gideon não poderia sentir aquilo, a sua situação não permitia, não dispunha de um coração para se apaixonar, não era capaz de sentir remorso, culpa ou compaixão, tampouco algo tão puro quanto amor. Todavia, se isto fosse realmente verdade, então por que ele se ouvia soluçar em meio as lágrimas quentes que molhavam o seu rosto de monstro? Por que o seu peito doía só em pensar que ela poderia ir embora depois do que ele fizera? Por que de repente o fato de afastá-la já não lhe fazia sentido?

Em meio a uma chuva quente de lágrimas e inúmeras indagações sem respostas, o homem adormeceu na poltrona sozinho.

[***]

Uma brisa morna atingiu o peito descoberto do homem que se esparramava no móvel escuro, o fazendo se remexer e sentir a coluna e os ossos doerem, bem como os músculos se estenderem. Abriu os olhos escuros enxergando o cômodo grande que chamava de casa com a visão imbaçada, levando alguns segundos para se acostumar com a luz do dia, então rolou os olhos à cama ficando imediatamente de pé ao não encontrá-la. Sentiu uma tontura que o fez se apoiar no braço da poltrona, apertando o móvel até ver a ponta dos dedos ficarem brancas.

Ela não o deixara... não poderia ter ido embora... ele não conseguiria respirar se fosse verdade. 

Procurou angariar toda a sua força restante, se equilibrou novamente e saiu da casa, descendo as escadas de corda. A sua inquietação era tão grande que se tivesse um coração poderia dizer que iria sair a qualquer momento pela boca; era angustiante a sensação de perda.

Quando montou sobre Pégasus pensando em cavalgar por todos os Quatro Reinos atrás de Robin, percebeu um movimento na água do lago e se pôs a observar. 


Primeiro as madeixas escarlate surgiram, trazendo um reflexo quase de sangue à água cristalina, depois o lindo rosto que o fez prender a respiração, o busto volumoso coberto pelos cabelos, a curva singela da cintura, o quadril e as longas pernas pálidas. Robin imergiu nua do lago demonstrando toda a sua leveza e sensualidade que nenhuma mulher teria aos olhos de Gideon e este acabou suspirando aliviado ao vê-la. Ela não havia o deixado.

Todavia, algo nos olhos castanho-claros o deixou em alerta, eles pareciam duros, gélidos e indiferentes ao fitá-lo e, mesmo temendo, desceu do cavalo caminhando até a margem do lago.

Robin observava o seu maldoso marido se direcionar a ela com a parte superior descoberta, deixando a mostra o peito definido que não mais tinha a cor esverdeada, mas brilhava como se quilos de purpurina fossem jogados sobre ele e à luz do sol, parecia um anjo com traços bem másculos que se fosse em outra hora ela teria se jogado em seus braços, porém o lobo em pele de cordeiro não a enganaria mais. Já chega. A ruiva alcançou vagarosamente ficar a centímetros de distância dele, sentindo o seu calor na pele fria.

  - Pensei que fos....

Robin esbofeteou a face dele tão forte que o barulho ecoou pela floresta e o formato dos seus dedos ficou marcado na pele pálida. Observou o homem virar o rosto com o ataque, depois voltar a sua atenção à ela, o que a deixou perceber uma gota de sangue escorrer do canto dos lábios dele, algo que a surpreendeu, mas não a fez se arrepender.

  - Não tinha noção do quanto és forte, minha princesa. - limpou a gota com os dedos, a enxugando na calça escura.

  - Eu o proíbo de me chamar assim. - rosnou entre dentes, tentando conter a raiva. - Eu não sou mais uma princesa, muito menos tua.

  - Achei que poderias ser quem tu quisesses, inclusive uma princesa sem um reino.

  - Exatamente, mas eu não posso mais ser uma princesa, não com todo este ódio crescendo dentro de mim. E tu és o culpado!

  - Não podes me culp.... - a sua fala foi interrompida por outro tapa, daquela vez, do lado esquerdo.

  - Eu ordenei para que falasses? Não! - rosnou como uma pantera. - Gostas tanto de falar, não é, meu senhor? Mas nunca te escutas, ou melhor, nunca tomas conta do que fazes!

  - Se te referes a ontem...

  - Eu ordeno que fiques calado! - bradou firmemente, tendo os olhos do seu marido arregalados com tal audácia. - Como ousas me bater? Como ousas me tratar como um burro de carga? Como te atreves a me usar como uma boneca de pano bem arrumada para depois me lançar ao chão e quebrar o meu rosto de porcelana? Como teves a audácia de compartilhar um momento tão lindo quanto aquela dança para depois me cortar os pés? Por que me deste um vislumbre de sonhos lindos se sabias que logo após me infectarias a mente com tanto ódio?

A mulher cessou o seu monólogo com falta de fôlego, parecia que o ar escapulia de seus pulmões a cada letra para nunca mais voltar, a fazendo sentir uma dor no peito. Ou seria a decepção outra vez? Observou o rosto inexpressivo de seu marido, com os olhos negros brilhantes a fitá-la fixamente por inúmeros segundos e o silêncio dele a estava matando.

  - Diga algo!

  - Pensei que eu estivesse proibido de falar.

  - Agora eu quero que fales!

  - O que queres que eu diga? Huh? Que eu sinto muito? Sabes que eu não sinto nada!

  - Não! Eu me recuso a acreditar que não sentes nada! - o empurrou com as duas mãos. - Não é possível que o modo como dançaste comigo, atendeste ao meu pedido de clemência para com o meu tio, o modo como me olharas enquanto dizias o quanto eu sou sensual ou como me beijaras quando eu pulei aos teus braços não significou absolutamente nada para ti!

  - Por isso que eu te bati! - bradou de volta. - Tu já estavas a imaginar que poderias ter um futuro comigo, que eu estaria passando por um momento de conversão e que começaria a amá-la, não é? Por isso foste ao meu encontro ontem? Quiseste prestar serviço e assim ser digna de ser amada, não foi?

  - Eu só queria ajudar! - o empurrou novamente, mais forte daquela vez. - Não consegues entender um ato de bondade sem procurar a intenção por trás? És tão paranóico assim? Eu só quero fazer parte desta nova vida na qual fui inserida!

  - Bem, faças isto sem te intrometeres nos meus assuntos ou me desobedecer! - agarrou as mãos dela com força. - Pares de procurar sentimentos em mim, Robin! Não já tivemos esta conversa antes?

  - Não, eu escutei um monólogo teu! - se remexeu tentando se libertar, mas sem êxito. - Mas eu posso te dizer uma coisa: tu és um medroso filho da mãe!

  - O que? - riu em escárnio. - Não tenho medo de nada!

  - Sim, tu tens! Tens medo de olhar para dentro de si e perceber que todo esse desejo de vingança é só uma desculpa para procurar amor desta tal Fada Negra. Ela tirou os teus amigos, não foi? Suponho que também os estimava muito e toda essa procura seja apenas para suprir a solidão que te cercas! Desejas ter alguém para viver o resto dos teus dias, mas tens medo dos sacrifícios que farás, tens medo de encontrar uma bondade em ti que o fará parar de buscar vingança e assim não terás mais um propósito de vida! És um covarde por renegar o que queres!

  - Não sabes o que falas, garota mimada que só procura ser amada, mas te esqueces que a outra pessoa tem que a querer. E eu, Robin, não quero te amar!

  - Eu nunca falei que queria ser amada por ti, sua aberração! -  cuspiu. - Eu não vejo a hora de tudo isso passar e eu me ver livre de ti, assim poderei achar o amor do qual preciso porque tu, Gideon Gold, nunca poderá me oferecer do jeito que eu quero. Eu te odeio! Desejo que morras!

  - Então, mate-me!

  - O que? - arregalou os olhos.

  - Isto mesmo. - invocou a adaga que apareceu na mão dele. - Queres tanto que eu morra, queres ficar livre de mim, huh? Então, mate-me!

Gideon entregou a adaga para ela que recebeu confusa, fitando a peça fixamente e a apertando entre os dedos com força. Levantou o olhar até encontrar os olhos nublados dele que estavam fundos e até um pouco inchados, parecia que não dormia há meses.

  - Andas! - exigiu com uma leve instabilidade na voz. - Mate-me! Não estás com ódio de mim? Não desejas que eu morra?

  - Quero me ver livre de ti, mas nunca serei baixa e sem escrúpulos como tu para tirar a vida de qualquer que seja! - bradou se sentindo vacilar pela primeira vez naquela conversa.

  - Então, eu o farei.

Gideon puxou a adaga de volta bruscamente da mão dela e a ergueu sobre o peito nu, tocando a ponta da lâmina que brilhava ao sol alto.

  - Não serias capaz de tirar a própria vida. - bufou e revirou os olhos.

  - Por que não? Não tenho absolutamente nada a perder. Como disseste, eu estou sozinho, perdi os meus amigos, não tenho família alguma nem o amor da minha vida, então a morte será um lucro para mim.

  - Se fosses fazer isto, terias feito bem antes.

  - Achas que não sou capaz? Eu já provei de diversas maneiras o quão maluco sou. Não será diferente agora.

Robin observou a lâmina rasgar a superfície da pele dele, deixando escorrer o sangue escuro como a noite pelo peito, tórax e calça, notou também a expressão sofrida do homem que geralmente não deixava nenhuma reação se externar e ela arregalou os olhos.

  - Estás surpresa? - indagou em pura dor.

  - O que estás querendo mostrar? - engoliu em seco.

  - Só estou atendendo ao teu desejo, senhora Gold. Não é... isso que... queres? - enfiou mais um pouco a adaga, sentindo a dor dilacerante lhe atingir bruscamente.

Robin percebeu que ele não iria parar, o lado insano dele estava mais do que aflorado e realmente ele não tinha mais nada a perder. Esta constatação deveria a deixar aliviada, afinal, finalmente ficaria livre dos maus tratos e dos abusos, poderia viver sossegada, respirar normalmente e ter paz, deveria se sentir assim. Mas não. Ao ver o sangue dele escorrer sem parar sobre a pele pálida, a expressão sofrida e os suspiros de dor, o seu coração congelou e ameaçou parar abruptamente como se ele só batesse se Gideon estivesse vivo. Pela primeira vez ela sentiu raiva por ter o coração tão mole. Diabos! Ela estava enlouquecendo junto com ele!

  - Diga que me quer ver morto. - vociferou fracamente, continuando com a tarefa árdua. - Diga...

  - Não!

Em um ato de desespero, a mulher empurrou a adaga para longe, observando o seu marido cair de joelhos na grama verdinha, ofegando em dor. Ela sentiu as mãos grandes apertarem o seu quadril de um modo desajeitado e o rosto repousar na barriga dela, a aquecendo com a respiração quente e pesada.

  - Ficaste... louca? Deverias ter me.... deixado... morrer!

  - Talvez eu realmente esteja. - engoliu em seco e passou os dedos pela massa negra.

  - Por que não... foste embora?

A dor na voz dele era tão forte que era quase palpável, a fazendo apertar o rosto dele contra o seu corpo, tendo a cintura abraçada.

  - Eu tentei correr, mas sempre há algo que me faz voltar para ti. - suspirou pesadamente.

Robin sentiu algo quente escorrer em sua barriga que a fez olhar para baixo, pensou ser o sangue dele, mas se enganara. A mulher estava tão confusa, o momento de dor já havia passado, então por que ele chorava? Ela pensava que Gideon nunca seria capaz de sentir culpa, remorso ou qualquer outro sentimento que não fosse ódio, mas estava errada. As lágrimas sofridas jorravam dos olhos como alívio, sendo amparadas pelos dedos dela que ele tratou de afastar e logo se levantou.

  - Porra! - xingou limpando o rosto bruscamente. - Eu prefiro morrer do que enfrentar essa dor de lutar contra ti!

  - O que?

  - Por que é tão difícil te manter longe? - pegou uma pedrinha no chão e a lançou com força no lago.

  - Talvez não queiras te afastar.

  - Não! - bradou em prantos, a fitando com uma dor visível que nada tinha a ver com o seu ferimento aberto. - Eu quero! Desejo mais do que tudo neste mundo.

  - Por quê? - bradou também completamente aturdida com a declaração. - Se não sentes nada por mim, então por que insistes em me manter longe?

Gideon estacionou na grama, tendo o rosto molhado a fitá-la com os olhos brilhantes pelas lágrimas e abriu a boca algumas vezes para falar algo, mas a voz não saiu. Ele parecia enfrentar uma grande luta interna e, para alguém que não dispunha de sentimento nenhum, Gideon enfrentava uma avalanche de emoções que o atingia em cheio com a dor compartilhada. O que estava acontecendo com ele? Ou melhor, por que de repente o fato de Gideon não poder amar incomodava a ambos?

As dúvidas continuaram na cabeça dos dois por um longo tempo até que Pégasus relinchou de repente, correndo por floresta adentro. Gideon se libertou do transe ao ver a movimentação do animal e se afastou fisicamente da mulher que o fitava confusa, magoada e curiosa.

  - Volte para casa e me espere. - pediu notando a contínua instabilidade na voz. - Aqui fora é perigoso.

  - Lá dentro também, especialmente se tu estiveres.

  - Obedeça-me! - exigiu, mas logo abaixou a guarda e suspirou. - Por favor, entres.

A mulher ficou tão atônita que não conseguiu falar nada, apenas anuiu com a cabeça e o homem saiu correndo pela floresta. Ela procurou as suas roupas jogadas próximo a árvore, ou melhor, a camisa da qual acordara usando que não sabia ao certo como fora parar em seu corpo, não se lembrava de muita coisa da noite passada.

Todavia teve um sonho muito estranho em que fora cuidada com todo o carinho por Gideon que beijara todo o seu corpo sem malícia, a fazendo se sentir segura com os braços grandes ao redor dela e os beijos singelos que demonstravam afeição, carinho e arrependimento. Mas óbvio que tudo não passara de um sonho, um lindo e doce sonho.

Vestiu a camisa branca, depois colocou a capa preta do seu marido por cima e caminhou até a escada de corda, porém sentiu uma presença atrás de si que a fez ficar em alerta, pensou em pegar a adaga, mas esta se encontrava à margem do lago, então resolveu se virar, se surpreendendo com a identidade da pessoa.

  - Vossa Alteza. - fez uma reverência.

  - Senhor Caspian?  


Notas Finais


E foi isso, meus amores! Espero que tenham gostado do cap. Me contem o que acharam nos comentários, ficarei muito feliz em saber o que se passa na mente de vocês 😍😍
Bjs!


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