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História Kitbull - Capítulo 1


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Notas do Autor


oikkk

n to com a ilusão de q isso aqui vai ter muitos views, já q o ser humano só vive de putaria. então, já q n tem lemon e pouco romance mesmo, acho q n vai receber muita atenção.
mais uma vez, como sempre, tive essa ideia em um dos surtos q eu tenho qnd fico muito tempo acordada de madrugada e me inspirei totalmente no curta da Pixar, Kitbull, que inclusive tá concorrendo ao Oscar, q vai ser hj
ainda n revisei e n posso agr pq to roubando internet da casa da minha avó e ela tá me expulsando pra eu voltar pra casa pq ta escuro. depois faço isso

bem, fiz com muito carinho, tá um docinho e tem playlist lá embaixo
beijos

Capítulo 1 - Com você


Fanfic / Fanfiction Kitbull - Capítulo 1 - Com você

Jeno se mantém encolhido no canto do quintal repleto de entulhos e tralhas. Seu corpo treme dos pés à cabeça. Ele não sabe dizer bem se é de frio ou de medo. Talvez os dois.

Não mais do que um trapo velho aquece seu corpo, quase uma camiseta quatro vezes o seu tamanho, uma cueca e nenhuma calça. O vento gelado e seco do outono agride sua pele. Ele tenta se fundir ao colchão de cachorro que é o mais próximo que tem de uma cama. Suas orelhas brancas e pontudas estão coladas à cabeça, escondendo-se em meio aos fios também naturalmente brancos de seu cabelo, e um choro baixinho e sofrido escapa de sua boca. Não pode sequer tentar encontrar uma posição menos desconfortável pois sua coleira está presa naquela corrente que ele tanto odeia. Com o aperto em seu pescoço, não é capaz nem de tomar sua forma canina que, por mais que ele odeie - ou tenha aprendido a odiar -, ainda possui uma tolerância muito maior ao frio. Tudo sobre essa situação é extremamente humilhante.

Todos os dias em sua vida ele se pergunta: por quê?

Dentre tantos híbridos, tantas pessoas, por que ele?

Até hoje ele se lembra do dia em que fora adotado. Era apenas um filhote na época; suas orelhas caíam adoravelmente nas laterais de sua cabeça de fios branquinhos e macios e sua cauda balançava de um lado para o outro, feliz por finalmente ter alguém para lhe dar amor e carinho e uma vida digna de um bom híbrido.

Mas a primeira coisa que recebeu de seu novo dono foi uma galinha.

Ela tinha as patinhas amarradas com barbante, mas suas asas batiam desesperadas. Jeno conseguiu sentir o pânico do animal na sua frente antes de ouvir o comando daquele homem.

“Mate.”

E, bem, mesmo confuso e assustado, Jeno ainda queria receber o orgulho de seu dono e, talvez, alguns afagos atrás das orelhas.

E, bem, pouco tempo depois foi levado a um cirurgião plástico especializado na estética de híbridos. Naquele dia Jeno teve suas orelhas flácidas e adoráveis cortadas e costuradas para apontarem para o céu, além de sua cauda, que sempre abanava alegremente, deixando para trás não mais do que um pequeno nódulo.

A recuperação foi longa e extremamente dolorida, já que seu dono não via necessidade em lhe dar os remédios que o cirurgião recomendou para amenizar a dor e ajudar na cicatrização.

Ele era obrigado a seguir uma estranha dieta só de proteínas, comia carnes ainda sangrando - e Jeno sabia que elas não vinham do açougue do bairro. Aquelas eram frescas. Ele crescia e seu corpo ganhava mais e mais massa muscular. Em pouco tempo já era um pitbull forte, imponente e ameaçador.

Em alguns meses teve mais uma tarefa.

Mais uma ave foi colocada na sua frente, amarrada pelas patas. Mas o que o jovem não esperava era que a ave se transformaria em uma pessoa, o barbante fino agredindo a pele sensível dos tornozelos. Uma garota. Uma criança.

Uma híbrida.

“Mate,” seu dono mandou mais uma vez. Mas ele se recusou.

Aquela foi a primeira vez em que Jeno tomou uma surra.

Passou dias lambendo suas feridas, mancando e chorando baixinho pela dor aguda que fazia uma de suas patas pulsar. E em algum tempo ele percebeu que talvez nunca conseguisse ali o amor e o carinho que tanto almejava.

E agora, depois de anos, ele tem certeza. E mesmo assim ele se pergunta todos os dias: por que ele dentre tantos outros?

 

O máximo de tempo que ele consegue para se preparar para suas lutas são duas semanas e desde sua última luta, aquele período está quase se completando. Jeno sabe que a próxima está muito perto.

Apenas esse pensamento é suficiente para fazer seu corpo tremer mais violentamente.

Jeno sente-se fraco. Há dias não come direito, ou melhor: se recusa a comer. Os enormes bifes que chegam em sua tigela são completamente ignorados, atraindo moscas e mais moscas enquanto a carne apodrece e torna-se rançosa, obrigando-o a jogar tudo por cima do muro, para o terreno baldio ao lado de sua casa. 

Seus membros tornam-se rígidos e doloridos pela fraqueza e falta de movimento. Conforme fora crescendo, os humanos ali não se deram o trabalho de aumentar seu espaço para acomodar o corpo grande do híbrido adulto.

Ele está verdadeiramente fraco e não sabe o que mais deve temer. Afinal, o que seria realmente pior: ser morto por seu oponente no meio do ringue ou sofrer pela ira de seu dono quando perder a luta? Pois em sua cabeça não havia muitas opções; de um jeito ou de outro estaria perdido. 

Lee Jeno sabe que seus dias estão contados.

 

O pelo branco do pitbull está completamente coberto de sangue.

Inconsolável, ele continua ganindo em dor, implorando por uma ajuda que ele sabe que nunca virá.

Ao seu redor, atrás das cercas de madeira destruídas por arranhões do ringue improvisado, uma enorme roda de homens humanos se aglomera. Uns tentam ver por cima dos outros, gritando impropérios, comemorando ou chorando suas apostas nos dois híbridos ali no centro. Os dois cães.

Mas para aqueles homens eles não são mais do que lixo.

Jeno sente que suas patas traseiras estão prestes a ceder. Mal consegue se manter de olhos abertos, enfraquecido pela luta, ofegante, desnutrido e perdendo muito sangue. Seu oponente, um híbrido de pitbull preto e robusto, tem poucos arranhões em seu focinho, no máximo uma mordida em uma das pernas. Ele o encara com fúria, todos os seus dentes aparecendo, um rosnado grave e assustador soando enquanto a saliva pinga de seus enormes dentes.

E logo atrás de seu oponente está o seu dono, um sorriso nojento na direção de Jeno. 

Já completamente sem forças, o cão branco desaba no chão de terra do ringue, completamente esgotado. E mesmo quando ele percebe o outro avançando para cima de si, ele nada faz. Até que sente seu corpo sendo puxado violentamente pela coleira.

Seu dono o levanta pela enorme tira preta de couro, fazendo seus olhos esbugalharem, sendo enforcado. 

Prestes a perder os sentidos, acaba perdendo o controle sobre seu próprio corpo. No mesmo momento em que seu corpo canino é lançado para longe, para fora daquele lugar, o corpo que atinge a calçada imunda é o de um quase-humano maltrapilho.

Lágrimas escorrem pelo rosto de Jeno, incapaz de mexer sequer um dedo, a dor em todo o seu corpo e em sua alma absolutamente insuportáveis.

Ele não queria olhar para seu corpo destruído e contar todas as feridas horríveis causadas pelos arranhões e mordidas feitas para matar. Não queria pensar. Queria apenas finalmente se livrar de toda essa dor.

Mas quando seus olhos cansados estão se fechando, pesados pela exaustão, ele nota uma figura alaranjada avançando lentamente em sua direção.

A última coisa que Lee Jeno sente antes de apagar é um corpo pequeno e peludo aninhando-se ao seu, ronronando baixinho.

 

Jeno acorda com o cheiro de comida.

O híbrido abre os olhos lentamente, vendo um teto escuro e um espaço iluminado por uma luz alaranjada. Pelo crepitar, descobre ser uma espécie de fogueira.

Ele não morreu?

O Lee ainda sente a dor em todo o seu corpo, a fraqueza. Mas a camada de sangue seco misturado a terra que o cobria antes não está mais lá. Suas feridas estão limpas, algumas até parecendo fechar.

Felizmente, a regeneração dos híbridos é muito mais rápida do que a de humanos normais.

Mas onde ele estava?

Lentamente, o jovem se apoia em seus braços sentando-se com cuidado para não abrir nenhum machucado ou tornar a dor muito pior do que já está no geral. Olhando em volta ele percebe estar no que parece a sala de uma casa. Apesar de aparentemente limpo, todos os móveis são muito velhos, alguns até puídos ou comidos por cupins e traças. Em um lado há uma abertura para o que parece ser a cozinha, bem na sua direção há uma porta e logo atrás, uma escadaria para o andar de cima.

Próximo à fogueira há um gato ruivo enroscado em sua própria cauda, dormindo tranquilamente.

Inspirando profundamente, ele nota em seu faro aquele cheiro específico que caracteriza os híbridos. É um enorme esforço para Jeno não rosnar, visto que nunca confiou muito em desconhecidos. O que aquele gato queria com ele, afinal?

Provavelmente notando sua movimentação, o felino abre os olhos, seus orbes verdes e as pupilas em fendas estreitas refletindo o fogo, encarando diretamente o outro. Elegantemente ele se levanta, esticando o corpo e parando ao lado de uma panela quente, indicando-a com a cabeça.

Ainda desconfiado, o cão engatinha até a panela, abrindo e encarando uma sopa muito bonita e cheirosa. Imediatamente seu estômago ronca, faminto.

Não demora muito para finalmente atacar a refeição. Não conhece aquele híbrido mas, como não sentiu nenhum cheiro suspeito como um veneno ou algo parecido, não se preocupou demais. Quando terminava de comer, percebeu a aproximação do felino em direção às suas pernas. Involuntariamente, Jeno rosna fortemente na direção do outro, seus dentes com caninos pontiagudos aparecendo. Imediatamente o gato para, ainda com a pata esticada na direção de seu joelho, encarando-o.

A verdade é que Jeno não consegue controlar seus instintos boa parte das vezes. Não conviveu com muitos híbridos e, os que costumava encontrar, tinha um único propósito em mente: destruir. Além destes, teve contato com humanos crueis e impiedosos. Então, não, não confia naquele gato e esse continuará sendo o caso até que ele o prove o contrário.

O felino laranja, por sua vez, parece não se abalar pelo rosnado ameaçador do pitbull. Ele termina a aproximação, levando a patinha macia de encontro ao seu joelho, silenciando o cão. Curioso, Jeno o encara, as orelhas pontudas em alerta. Ele realmente não esperava ter o outro híbrido subindo em seu colo, acomodando-se em suas pernas, ronronando enquanto deita a cabeça felpuda em sua coxa.

E Jeno compreende, naquela forma silenciosa de comunicação que sua espécie adquire quando transformada, que aquela é a maneira do desconhecido de afirmá-lo que está tudo bem.

Ficará tudo bem.

 

 

Os dias se seguem dessa meneira. Jeno permanece desconfiado, mas aos poucos se abre à presença do gato, que respeita seu tempo e espaço, não ultrapassando seus limites, mas ainda assim se aproxima.

Naquele tempo, Jeno notou que o outro híbrido não tomou sua forma humana em nenhum momento. Provavelmente para deixá-lo mais confortável e permitindo que ele se acostume aos poucos a todas as suas formas. O híbrido de cão percebeu que seu novo companheiro é muito observador e Lee muitas vezes nem precisa externar o que pensa para ser compreendido pelo felino.

Aparentemente, as coisas na casa só se modificam quando Jeno está cochilando durante o dia e à noite. Jeno agradece mentalmente por isso. Nem mesmo ele sabe como reagiria a outra presença no mesmo ambiente, especialmente estando acuado e ferido como está. Cães têm a tendência de serem mais violentos e agressivos quando se sentem ameaçados e feridos. E, infelizmente, O Lee já havia passado por muitas coisas em sua vida.

Então, como não quer agredir quem o salvou, ele se sente grato.

Dia após dia, seus ferimentos melhoram, as mordidas profundas se fechando, os cortes horríveis se juntando. O híbrido de gato - cujo nome ainda não pôde descobrir, não tendo conversado diretamente com ele - passa todo o tempo ao seu lado, lambendo suas feridas, confortando-o com suas patas macias ou apenas deitado com ele.

Mas um dia isso muda.

“Eu quero conhecer você,” diz Jeno, encarando fixamente o gato.

Está sentado em um dos sofás puídos da sala na escuridão parcial da noite. Jeno segura um fio solto que arrancara de um ponto no estofado do móvel, utilizando-o para brincar com o felino, que tem as pupilas completamente dilatadas, saltando de um lado para o outro. Ele tenta agarrar o fio, sacudindo o bumbum adoravelmente antes de pegar impulso para pular em cima do fio.

Quando o Lee fala, entretanto, ele para de brincar, chegando pertinho do híbrido de cão e se apoiando em suas pernas para chegar seu focinho bem pertinho do rosto alheio. Parece perguntar se ele tem certeza antes de fazer qualquer coisa.

“Por favor,” pede Jeno. “Eu preciso conversar com alguém.”

Sua voz sai rouca pela falta e uso, mas parece surtir efeito. Piscando os olhos uma única vez, o gato se afasta e se senta no meio da sala, fechando os olhos. Logo, um brilho forte e amarelado toma a sala em um flash, fazendo os olhos de Jeno se fecharem com a ardência.

Quando os abre novamente um garoto de pele dourada e cabelos ruivos o encara. Seus olhos verdes brilham intensamente no escuro, apesar de estar em sua forma humana. Seu corpo é coberto por uma camiseta larga de manga longa bem folgada e um short. As orelhas estão visíveis, despontando entre seus fios brilhantes. E o garoto sorri para Jeno, um sorriso enorme e adorável, seus dentinhos pontiagudos como os de um gato aparentes.

Lentamente ele se aproxima, engatinhando lentamente até Jeno, que se encolhe no sofá, sentindo-se acuado. Ele leva as pernas ao peito, rosnando baixinho, tentando controlar seu medo, as orelhas colando à cabeça. Mas nem isso assusta o outro, que continua se aproximando.

Quando as mãos pequenas e macias do híbrido felino entram em contato com Jeno, apoiando-se em seus joelhos encolhidos, o rosnado para. Ele se aproxima mais e mais, tocando os narizes como fez em sua forma animal. E imediatamente o medo de Jeno passa completamente.

Seus músculos relaxam, o tremor passa e sua respiração aos poucos volta ao normal. Aqueles olhos verdes o encaram com carinho e compreensão, parecendo entender tudo que passa em seu interior e apenas aquilo já é suficiente para confortar o híbrido de pitbull.

“Eu me chamo Lee Donghyuck,” fala o garoto, ainda bem próximo de seu rosto, não parecendo se incomodar nem um pouco. Jeno gosta de sua voz. É aguda e doce, suave, e o acalma de uma forma incrível. “E você?”

“Lee Jeno,” responde o outro. “Mas também já fui chamado muitas vezes de imbecil, inútil, lixo e muitas outras coisas, se preferir,” ele completa com uma risada amarga.

As sobrancelhas do felino se unem em uma expressão triste ao notar o sofrimento de Jeno. Suas mãos se deslocam dos joelhos alheios para suas bochechas, fazendo-o lhe fitar. Os olhos escuros se levantam em sua direção repletos de lágrimas.

“É muito bom te conhecer, Jeno,” é o que o felino responde, enfatizando seu nome. “Agora nós temos um ao outro e eu não vou deixar nada de ruim acontecer com você de novo.”

 

O tempo passa e Donghyuck faz valer sua promessa.

Eles se tornam extremamente próximos. Jeno se sente grato por ter a presença alegre e vibrante do felino em sua vida. Cada sorriso branquinho que recebe dele cura mais uma de suas feridas invisíveis. Cada risada que ouve faz o mundo parecer um pouco mais colorido - mesmo que este se resuma àquela casa abandonada que, agora, ele também chama de lar. A aura cativante do híbrido menor aos poucos o transforma em algo melhor para ele mesmo. E ele não poderia pedir por mais.

Sua história não é tão violenta como a Jeno, felizmente, mas igualmente trágica. Era filho de uma híbrida. Entretanto, ela estava em sua forma animal quando foi adotada, depois de viver nas ruas. E quando foi levada para a casa dos novos donos, estava grávida. Deu a luz à sua ninhada - eram apenas três filhotes - ainda em sua forma animal. Viveu assim por muito tempo para manter seu papel. Mas, conforme mais meses passavam, sua preocupação aumentava, pois inevitavelmente os bebês começariam a se transformar involuntariamente com o tempo, sem controle sobre o poder. No fim das contas, o inevitável aconteceu e a híbrida foi abandonada com três filhotes na rua por um casal muito cruel. Um dos filhotes morreu atropelado pouco tempo depois. Sua mãe pegou uma doença e veio a falecer com alguns meses. Por fim, sobraram Donghyuck e o irmão restante, mas o outro fugiu certa noite e nunca mais deu notícias.

Donghyuck contou que um dia, quando tinha cerca de cinco anos, foi encontrado e levado para um orfanato, onde viveu até os dezoito anos. Ninguém nunca o quis. Então, com a maioridade, foi obrigado a abandonar o lugar. Vagou por semanas pelas ruas como gato, até encontrar aquele lugar. Ele mesmo arrumou e limpou tudo, tendo a surpresa agradável de encontrar o encanamento funcionando perfeitamente bem.

Desde então era ali que vivia completamente sozinho, mas nunca deixou o brilho em seus olhos apagar.

Agora, ambos estão sentados lado a lado no sofá da casa, apreciando a luz que adentra o ambiente pelas janelas abertas em uma tarde clara. Jeno ri baixinho de uma besteira que Donghyuck falou, brincando com os dedos das mãos pequenas do outro. 

“Jeno,” ele chama, de repente.

“Hm?”

“Em algum momento você saiu daquela casa?” - seu tom de voz é baixo e cuidadoso quando pergunta.

O coração do pitbull se aperta. Não gosta de relembrar aquele lugar e todo o sofrimento ao qual foi submetido ali. Mas frequentemente ele acorda chorando e ganindo, relembrando a dor em seu corpo em seus sonhos. Mas, assim que acorda, Donghyuck está lá acariciando seus cabelos com carinho e ronronando baixo. 

“Não,” ele nunca havia deixado aquele lugar. Nunca viu nada do mundo além do quintal cheio de entulho, os ringues improvisados e as enormes caixas de madeira nas quais era transportado de lugar a lugar. “Eu nunca saí de lá.”

“Sabe,” o menor começou em um tom manso, ronronando baixo e apertando a mão de Jeno entre as suas. “Eu quero muito que você consiga superar tudo isso que já sofreu. E quero muito te ajudar com isso.”

“Você já me ajuda muito mais do que imagina, Hyuck, acredite.”

“Eu quero te mostrar,” ele interrompe, agora encarando-o nos olhos, “que o mundo pode ser um lugar bom. Que a vida pode ser boa. E eu respeito o seu tempo o quanto posso, mas estou louco para apresentá-lo à vida de verdade.”

Eles ficam um tempo assim, apenas se encarando, Jeno aos poucos absorvendo as palavras alheias. Ele quer isso. Quer isso mais que tudo. Quer se poder ser o que sempre quis: livre. Livre como qualquer híbrido; ou cão, que seja.

E Donghyuck o faz acreditar que tudo aquilo é possível.

“Então me mostre o que é viver de verdade.”

 

 

Dias e dias passam e ambos descobrem pequenos hábitos um do outro. A rotina dentro da casa é monótona, mas não parece afetar muito nenhum dos dois, que sentem gratos apenas por terem um ao outro nesta nova jornada.

É uma noite fresca quando os híbridos decidem se deitar a céu aberto na grama do jardim de trás da velha casa, observando as estrelas e apreciando o silêncio e a calmaria.

Donghyuck tem sua cabeça apoiada no ombro do mais velho, que acaricia seus cabelos macios e suas orelhas bonitinhas. Em resposta, o ruivo apenas o abraça mais apertado pela cintura., afundando seu nariz geladinho na pele quente do pescoço do mais velho.

Jeno deixa escapar uma risadinha ao sentir cócegas na região, mas não afasta o menor e nem para o carinho.

“Hyuck,” ele chama, recebendo apenas um murmúrio em resposta. “Qual é o seu sonho?”

“Como assim?”

“Bem… Eu fiquei tanto tempo preso naquele lugar que, agora que saí, nem sem sei o que procurar para mim. Ainda somos novos e temos muitas coisas para experimentar e eu me sinto mal de pensar que agora eu não tenho um propósito?” Ele termina em tom interrogativo. Jeno se sente extremamente confuso e apreensivo sobre seu futuro agora que está completamente livre. “Mas eu não estaria nem aqui se não fosse por você! Eu estaria morto naquela calçada se você não tivesse me encontrado, então não quero parecer ingrato, porque não sou. Pelo contrário,” ele respira fundo, reorganizando seus pensamentos enquanto sua mão desce ao longo das costas do menor em um carinho suave. Por um tempo, o ronronar de Donghyuck é o único som entre eles. O ruivo parece atento a cada palavra sua, o aperto em sua cintura, constante. 

“Todos os dias, quando abro os olhos,” ele prossegue, “eu agradeço por ter você na minha vida. Sempre que te vejo, tudo ao seu redor parece brilhar, mesmo quando está tudo ruim você consegue fazer melhorar. Eu não sei qual poder você tem, mas você tem algum. E você também me torna melhor, faz eu ver as coisas com mais clareza. Vendo esse céu agora, com você, não consigo evitar lembrar todas as vezes em que eu encarava esse mesmo céu, todo acabado e sujo de sangue, e chorava, implorando pelo fim daquilo tudo.”

Jeno engole em seco, fungando e sentindo a ardência em seus olhos com as lágrimas que inevitavelmente surgem, borrando sua visão. Ele sente os lábios quentinhos e macios de Donghyuck em seu ombro e seu pescoço em um carinho cuidadoso e verdadeiro, mostrando-lhe que ele está ali, sem nem precisar de palavras. “E você surgiu que nem um anjo ruivo na minha vida,” Jeno diz com a voz embargada, arrancando uma risadinha do menor, que o aperta mais, as mãos pequenas e delicadas subindo por seus braços até seu rosto, acariciando suas bochechas e virando seu rosto para ele. “Isso não pode ser coincidência.”

Um longo tempo passa enquanto ambos se encaram na escuridão da noite, iluminados apenas pelas estrelas no alto. O felino se apoia em um cotovelo, ficando acima de Jeno, sua outra mão ainda acariciando a bochecha e os cabelos do mais velho com ternura. Mas algo em seu interior parece puxá-lo em direção ao outro. Os olhos em um tom profundo de azul do mais velhos carregam um brilho prateado pelas lágrimas. E seu rosto tão belo se contorce em uma expressão triste que faz o coração do ruivo se partir em milhões de pedaços. Parece para ele o pior crime do mundo magoar a pessoa doce e sonhadora que é Lee Jeno.

E, com todos esses pensamentos e, ao mesmo tempo, sem pensar em nada, aos poucos o rosto de Donghyuck se abaixa até o outro, colando suas testas e encarando-o nos olhos antes de finalmente descansar sua mão na lateral do belo rosto e colar os lábios.

O beijo é suave e extremamente inocente, apesar de estranhamente íntimo para ambos, que sentem seu interior esquentar em um sentimento gostoso. Quando seus lábios, os rostos param a centímetros de distância e Donghyuck admira os olhos brilhantes e as bochechas rubras do mais velho.

“Talvez não seja mesmo uma coincidência.”

 

O sol está alto no céu azul. Pássaros cantam do lado de fora e pequenos insetos voam com um zumbido característico. O dia é belo e tranquilo do lado de fora.

Um gato de pelagem laranja fofa e macia se adianta pela porta de uma casa bem antiga e um tanto mal cuidada. Ele parece agitado, suas pequenas patas mal parando no chão enquanto ele olha para o interior da casa, como se chamasse alguém. Ele mia agitado, sua cauda balançando suavemente de um lado para o outro.

Em seguida, com um pulo quase para o centro do jardim na parte da frente da casa, o felino se vira novamente para o interior da casa, abaixando-se e balançando o bumbum, pronto para dar o bote e brincar até cansar com a figura que seus olhos verdes encaram. Até que ela se revela.

De dentro da casa surge um cão. Um pitbull branco de pelo brilhante, com algumas falhas onde cicatrizes feias o marcam. Suas orelhas estão completamente abaixadas e seu corpo musculoso encontra-se encolhido o máximo que pode. Se ainda tivesse uma cauda, ela estaria totalmente enfiada entre suas pernas pelo medo. 

Mas o gato mia do centro do jardim, chamando sua atenção, e inicia uma corrida desenfreada pelo terreno, perseguindo pequenos insetos, mordendo os caules de flores e arrancando a grama com suas patinhas velozes. Um latido alto e forte, entretanto, o faz se assustar e o gato dá um enorme salto, rolando pela terra ao cair novamente no chão. Quando levanta a cabeça, vê o pitbull lhe encarando com a língua para fora e o bumbum para o alto, o pequeno nódulo restante de sua cauda balançando alegremente. Novamente ele late, imitando-o e começando a correr pelo quintal, tropeçando algumas vezes nas próprias patas, mas rapidamente se levantando.

Donghyuck se levanta de onde está no chão, acompanhando Jeno em sua velocidade, a língua balançando para fora da boca como qualquer cão feliz. O híbrido de cão se joga no chão, esfregando-se na grama. O gato, se pudesse naquela forma, estaria morrendo de rir do companheiro, contente por vê-lo feliz pela primeira vez na vida. Em vez disso, ele se aproxima do maior, esfregando-se na lateral de seu corpo forte ronronando muito alto. 

Jeno, ainda com a língua para fora e parecendo sorrir, derruba o gato ao seu lado, pondo-se em cima dele para enchê-lo de lambidas, fazendo o menor se contorcer abaixo de si, tentando fugir a todo custo do ataque de carinho do cão. 

 

Foi o primeiro dia em que Jeno finalmente se permitiu dar mais aquele passo ao lado de Donghyuck.

O híbrido de gato o falou que queria mostrá-lo a vida de verdade. E todos os dias desde então ele passou a fazer isso. Juntos eles não tinham medo de nada. Especialmente Jeno, que, sempre que demonstrava insegurança para alguma coisa, qualquer medo, as mãos suaves do híbrido acariciavam seus cabelos e orelhas, ou suas patinhas pequenas e macias subiam em seu colo com aquele ronronar alto característico. Tinham um ao outro e isso era o que importava.

Muitos meses já haviam passado lado a lado quando chegou mais um dia em que perambulavam felizes pelas ruas da cidade, brincando e descobrindo coisas em suas formas animais, quando chegaram a um parque e viram diversas crianças se divertindo, casais passeando e mais humanos com seus animais de estimação brincando pelo extenso gramado bem verdinho. Os amigos deitaram lado a lado, cheirando a grama fresquinha e dando um carinho um ao outro, ambos acabaram cochilando, embalados pela brisa fresca do lugar.

Entretanto, seu sono foi agitado ao ouvirem vozes próximas.

“... mamãe, aquele gatinho e o cachorrinho, que fofos!” Soa uma voz infantil.

“É mesmo, meu amor. Será que eles estão com alguém?”

“Mas o parquinho tá vazio,” a criança fala novamente, parecendo chateada. “Será que abandonaram eles aqui?”

“Não sei, meu bem…”

Um tempo de silêncio deixa Donghyuck alarmado, abrindo minimamente os olhos apenas para perceber a cara canina de Jeno parada a centímetros da sua, completamente adormecido e inabalado. O silêncio das pessoas é quebrado apenas pelo som de passos que se aproximam. O felino se assusta ao perceber uma pessoa parando bem perto dos amigos. Uma mulher de olhar doce se agacha ali e Donghyuck se encolhe minimamente, assustado e desconfiado. Ele vê quando o olhar da moça cai sobre o cão ainda adormecido ao seu lado.

“O que fizeram com vocês, hm?” A mulher fala baixinho, o mesmo tom suave em sua voz. Lentamente ela aproxima sua mão do felino, procurando conseguir um pouco de sua confiança até finalmente conseguir tocá-lo, fazendo um carinho singelo em sua cabeça.

Dondgyuck passou tanto tempo sozinho aprendendo a se virar que nem se lembrava da sensação de ser acariciado. A vibração em seu interior foi absolutamente involuntária e logo ele já está ronronando para a moça, pressionando a cabeça contra a palma quente e macia da moça.

Ela ri suavemente, brincando um pouco com o gato até a menininha - sua filha - se aproximar animada de ambos, brincando um pouco com o gato antes de se aproximar do cachorro.

“E esse aqui, mamãe?” ela pergunta baixinho.

“O que tem?” a mulher devolve, distraída.

“Ele está todo machucado, olha,” ela diz, passando suavemente os dedos pelo corpo macio do cão, que imediatamente acorda, sobressaltado. Percebendo a aproximação das humanas ele imediatamente se encolhe no lugar, as orelhas completamente abaixadas e um rosnado baixo soando, completamente aterrorizado. 

A menina se assusta, afastando-se rapidamente para perto da mãe, mas o gato laranja é rápido em se esfregar nas pernas do cachorro, atraindo sua atenção. Ele dá lambidinhas amigáveis na cabeça branca do cão, quando este se abaixa em busca de conforto. Em seguida, ambos olham para as pessoas diante deles.

“Oh! São amigos!” a moça fala, com um sorriso. Em seguida, tenta se aproximar do pitbull. “Está tudo bem, querido… Não vou te fazer mal” ela continua baixinho, se aproximando mais e mais.

E cada avanço da mulher, Jeno se encolhe, aterrorizado, mas a presença felpuda e morna de Donghyuck não permite que seu medo leve a melhor da situação. Seus olhos verdes piscam em sua direção, como se dissessem que está tudo bem.

“Está tudo bem…” repete a mulher, finalmente parando ao lado do cachorro, que a encara com a cabeça abaixada, ainda trêmulo de medo. Suas mãos macias lentamente vão para sua cabeça, esfregando ali com cuidado e carinho. “Parece que o mundo não foi muito bom com você, hm?”

As horas passam e os amigos se divertem com a menininha, supervisionados pela mãe e, mais tarde, um homem que descobrem ser o pai. Quando começa a escurecer, o homem as avisa que devem ir para casa, mas a menina protesta.

“Mas mamãe! Eu não quero! Quero brincar com eles!”

A mulher encara os olhos bondosos do homem, que dá um sorriso pequeno para a menina.

“Nas está ficando tarde, meu bem. Amanhã podemos voltar aqui para você brincar mais, que tal?” Ele sugere, bagunçando os cabelos da menina, que parece prestes a chorar.

“Mas amanhã eu não sei se eles vão estar aqui! Mamãe, podemos levá-los? Por favor!” A garotinha praticamente implora.

No mesmo momento as orelhas dos híbridos se levantam, atentas. Eles ouviram certo? Os olhares do cão e do gato se cruzam, procurando um no outro a confirmação.

A mulher e o homem parecem discutir baixinho entre si, debatendo se levariam ou não os animais para casa. Após breves minutos, que a menina aproveitou para brincar mais um pouco com o cãozinho e o gatinho ruivo, os dois adultos finalmente se voltam para os três com sorrisos no rosto.

“Vamos levá-los, sim, amor,” diz o pai, aproximando-se da filha para ele mesmo fazer carinho nos pelos macios do gato e na grande cara sorridente do pitbull.

Mas a fala do homem imediatamente sobressalta ambos os animais, que imediatamente se afastam do pequeno grupo de humanos. Se entreolhando, os híbridos de cão e gato parecem conversar em silêncio.

Esse definitivamente seria um sonho. Muito melhor e mais perfeito do que ambos jamais poderiam ter imaginado. Mas eles não são animais - não por completo, pelo menos - e, caso tentassem esconder sua verdadeira natureza, eventualmente algo daria errado e seriam descobertos. Jeno, encarando aqueles olhos verdes e brilhantes de Donghyuck, consegue perceber neles toda a angústia que ele secretamente guarda. A angústia pela sua própria vida e suas perdas, a história de sua mãe e seus irmãos perdidos. Mas também a angústia por querer, no fundo de seu coração, que quer aquilo mais que tudo em sua vida; o calor e conforto de um lar, uma família e todo o amor e carinho que pode receber. Mas tudo isso ao lado de Jeno.

E, ainda nessa troca de olhares que, apesar de silenciosa, deixa no ar as inúmeras palavras que ambos gostariam de jogar para o céu, eles decidem. Aproximando-se um do outro, eles unem as patas; as de Jeno - com as almofadinhas ásperas e cheias de pequenos arranhados antigos, uma unha faltando por tê-la perdido em uma das brigas, as cicatrizes marcadas por falhas em seu pelo branco e macio - encontram as de Donghyuck - adoravelmente pequenas e delicadas contra as do cão, com as almofadinhas macias e bem cuidadas e as miúdas garrinhas aparecendo. Ambos se encaram no fundo dos olhos, acenando minimamente com a cabeça antes de finalmente fecharem os olhos. 

Um brilho forte ilumina o parque, sobressaltando os humanos, uma mistura entre o amarelo da aura de Donghyuck e o azul de Jeno. E, de repente, onde antes havia dois animais, já não tem mais rastro. Apenas duas figuras peculiares, unidas na mesma posição.

Jeno e Donghyuck abrem seus olhos, os dedos se entrelaçando enquanto procuram um no outro forças para encarar os humanos que os observam embasbacados.

“São… São híbridos,” diz o pai, constatando o óbvio. Ele, mais do que as outras, parece verdadeiramente pálido e espantado.

“Querida,” chama a mãe, hesitante, quando vê a filha se aproximando lentamente do par que os encara com a cabeça baixa. Mas a pequena menina ignora completamente o chamado da mãe.

Os olhos da criança brilham para os híbridos, como se estivesse diante da coisa mais maravilhosa que já tivesse visto em toda a sua curta vida. Um lindo sorriso se abre em seu rosto.

“Vocês são lindos,” ela murmura, finalmente parada diante deles. Involuntariamente, seus bracinhos se levantam e ela logo está acariciando simultaneamente a cabeça de ambos os híbridos, fazendo o peito de ambos se aquecer com o carinho. Eles sorriem para a menina.

“Olá,” é Donghyuck quem fala, sua voz doce chamando a atenção da menina, que o encara feliz. “Qual é o seu nome?”

“Naeun,” ela responde, subitamente tímida. “Im Naeun.”

“Que nome lindo,” é Jeno quem fala, baixinho, se aproximando para bagunçar os cabelos da menina de forma brincalhona. “Perfeito para uma princesa.”

A movimentação dos adultos atrai a atenção do par, que imediatamente olha em sua direção. A mulher e o homem se aproximam. Porém, em vez de ver nojo ou apreensão em sua face, notam apenas carinho e compreensão.

“Quais são seus nomes?” pergunta a moça bonita, sentando-se ao lado de ambos, sem nenhum medo.

“Eu sou Lee Jeno,” responde o mais velho, bagunçando sua franja branca e sentindo suas orelhas colarem à cabeça com a apreensão.

“Lee Donghyuck,” o felino responde com um enorme sorriso, mostrando seus lindos dentinhos branquinhos e pontiagudos. Ele parece imensamente feliz enquanto a garotinha se senta em seu colo, brincando com seus cabelos macios e suas orelhas, seu ronronar soando alto para todos ouvirem.

“São lindos nomes,” diz a moça com um sorriso. “Assim como vocês.”

O elogio faz Donghyuck ronronar mais alto e os olhinhos de Jeno se apertam em um sorriso lindo. O homem se aproxima de ambos. Sua expressão é dócil.

“Vocês são híbridos adultos,” ele fala com calma, sentando-se perto de todos. “O que aconteceu com vocês?”

“Longa história,” responde o ruivo, revirando os olhos em tom de brincadeira. Não gosta de se lamentar por sua história de vida. Já Jeno parece hesitante antes de falar.

“Eu era um cão de briga,” ele diz baixinho, as orelhas novamente coladas à cabeça, tristes. “Um dia Donghyuck me encontrou largado na rua e me salvou.”

“Eu amaria conhecer mais da sua história,” diz a moça, piscando para ambos com um sorriso terno e mais afagos em seus cabelos. “Bem, Naeun vai ficar muito triste, mas já que vocês são híbridos adultos, não podemos simplesmente adotá-los sem o seu consentimento.”

Ela olha para o marido antes de este pegar no bolso de sua jaqueta um pedaço qualquer de papel e uma caneta, entregando-os para a mulher. Ela se abaixa para escrever algo rapidamente, estendendo em seguida o papel para Jeno, que o pega sem entender.

“Este é o nosso endereço,” explica o homem, apoiando uma mão nas costas da mulher. “Podem aparecer quando quiserem para conversarmos e nos conhecermos.”

“Naeun é filha única e sempre foi muito solitária,” a moça diz com um sorriso triste. “E eu não consigo mais ter filhos. Vocês estariam realizando o maior sonho dela se fossem conosco, mas vou deixar para vocês decidirem. Pensem com carinho.”

E com um último sorriso, ela se afasta com o marido, levando consigo a filha que parece devastada, mas ainda acena para ambos.

Naquela noite, Jeno e Donghyuck voltam para casa praticamente saltitando e adormecem juntos, enrolados um no outro na grama do jardim, aproveitando a brisa fresca.

 

 

Mais ou menos um mês se passa.

É uma manhã especialmente bela quando a menina acorda no início de mais uma semana.

Foi desperta com beijinhos em seu rosto e a voz carinhosa de seu pai, como de costume, tendo sua ajuda para se arrumar para mais um dia na escola. Ele escolhe sua roupinha; uma saia bem colorida, uma uma blusinha branca, meias estampadas nos joelhos e seu par favorito de galochas. Com todo o cuidado do mundo seu pai arruma seu cabelo, fazendo duas marias-chiquinhas pequenas e deixando o restante de seus cabelos ondulados soltos nas costas. 

Tomou o café da manhã como em qualquer outro dia, apreciando a comida gostosa de sua mãe em grandes porções e recebendo reprimendas de seus pais pela pressa. Neste dia, sua mãe seria a responsável por levá-la na escola, então, enquanto esperava pela mulher, decidiu sair na frente, aproveitando para tomar um pouco de sol na varanda ou brincar um pouco no jardim bonito que ela mesma cuida.

Contudo, quando seus pés atravessam a porta da frente, estacam no mesmo lugar, causando um rangido pelo assoalho antigo de madeira da varanda. Sentada na calçada bem diante da casa está uma dupla um tanto improvável, mas já conhecida.

Um gato ruivo e felpudo ronrona ao lado de um enorme pitbull branco coberto de pequenas cicatrizes antigas com um enorme sorriso com a língua para fora a encaram da calçada. 

Os olhinhos da menina se arregalam e, em sua agitação, ela joga sua mochila de abelha no chão, afobada com a visão dos bichinhos - que se transformaram em dois jovens de traços delicados e muito fofos - que, há tantas semanas, ela quisera adotar com todas as forças.

“Mamãe! Papai!” ela exclama, sorrindo de orelha a orelha e correndo para o par que ainda a espera sentado ali. Imediatamente ela os abraça com força, acariciando seu pelo e deixando beijinhos carinhosos em suas cabeças felpudas.

Quando os pais da menina aparecem afobados para ver o que está acontecendo, vêm sua filha abraçada nos dois animais, que parecem tão felizes quanto ela, o cão lambendo seu rostinho, arrancando risadas gostosas da menina, e o gato miando se esfregando em seus joelhos, pedindo atenção. Logo, os adultos se aproximam, abraçando a menina e puxando o cão e o gato no abraço.

Era uma noite quente quando um homem-gato ruivo prometeu a Jeno que o mostraria a vida de verdade. E todos as manhãs Jeno beija seus lábios macios e o agradece por tê-lo salvo.

Todo dia ao lado de Donghyuck é uma nova aventura. E agora, encarando os olhos verdes e brilhantes daquele gato ruivo em meio ao abraço apertado com sua nova família, Jeno constata que aquela será a maior e melhor aventura de sua vida.

E estará ao lado de Donghyuck.


Notas Finais


LINK DA PLAYLIST:
https://open.spotify.com/playlist/11qptd77vXEBzoiW6JPQMV
essa playlist é uma das minhas favoritas no momento
e aí, bbs? curtiram? um docinho, né?
é isso mores, bjs


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