História Kitsune - Capítulo 5


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Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 5 - 5. O Diário


Oito anos antes.

O leilão do navio de Nim foi de emergência e apenas algumas pessoas estavam. Loris foi o primeiro a chegar.

- você agora vai ser meu, não tenho dúvidas disso.

O leilão iniciou e as pessoas não se animaram muito em dar valores altos. O último lance foi de Loris, um valor acima do comum. Mas garantiu que Orion fosse dele.

Ele exigiu que seu nome ficasse em anônimo e logo em seguida mudou o nome do navio.

- qual é o novo nome senhor?

- kitsune.

- Está registado mas o dono permanece em anônimo.

- obrigado.

- esse navio tem história. O senhor sabe o que aconteceu com o dono anterior?

- não, eu não sei. - na verdade ele não estava interessado.

- a dona dele foi presa em flagrante por contrabando. O que os jovens não fazem por dinheiro não é.

- Dessa vez a justiça foi feita - disse ele - na cadeia ela vai ter tempo de se arrepender não é? - sem vontade alguma de continuar com a conversa agradeceu e saiu.

Loris se dirigiu ao navio que estava ancorado. Olhou, parecia não acreditar que ele havia conseguido enfim comprar o navio que seus pais moraram nele por tanto tempo.

- pai, estou com ele de volta, vou honrar seu nome e me vingar daqueles que me afastaram de vez de você e de minha mãe.

Loris estava muito longe de Morfos para participar  leilão em que Nim comprou Orion e ficou obcecado por te-lo de volta. A ideia era propor a venda ao novo dono oferecendo o valor que fosse mas por sorte o navio foi a leilão novamente e ele pôde comprá-lo.

Ele entrou, até que as coisas não haviam sido tão modificadas. Uns cabos novos, uma balança eletrônica, alguns sacos novos de ráfia. Loris olhou para a cabine.

- meu lugar preferido nesse mundo.

Ao abrir a porta o cheiro do passado inundou seu cérebro e memórias da sua infância tão feliz o fizeram chorar.

Entrou devagar, seus passos rangiam a madeira do piso. As cortinas haviam sido trocadas, na mesa uma caneca e um caderno.

- achei.

O caderno era o diário de bordo do navio. Ali teria alguma dica do paradeiro do dono do circo.

Ao abrir o caderno Loris viu uma letra feminina narrando sua última viagem:

"Maravilhoso pôr-do-sol. Uma vista incrível da entrada da enseada de Morfos. Ao longe vejo meu abrigo nas montanhas. Em casa novamente.

Às vezes penso por que fico tão feliz de chegar. Não tenho ninguém me esperando, ninguém para contar sobre minha viagem, sobre os golfinhos que vi e sobre o arco-íris no horizonte. Mas a vida é assim. Somos só nós dois. Eu e Orion. E isso me basta.

Por hoje vou descansar. A carga que entregarei me renderá um bom dinheiro. Ficarei tranquila por algum tempo.

Que novidades o dia de amanhã me trará? Estou disposta a vencer meus desafios diários com tudo de bom que posso ter em meu coração.

XOXO

Nim"

- Então foi essa a moça que escreveu e foi presa logo após.

Loris não sabia o que pensar a respeito, esperava por outra narrativa, mas a sensibilidade da autora o prendeu. Sua curiosidade foi tão grande que dedicou o resto daquele dia para ler o diário. Ele ria, se emocionava, ficava com raiva dessa capitã chamada Nim. Uma mulher que parecia ser determinada e feliz mas com aquele espaço temporal de tristeza e solidão. Nim narrou todas as suas viagens, os lugares, suas impressões, as experiências e além disso uma contabilidade exata da logística de toda a carga que levava. Ele teve tempo para sanar sua curiosidade a respeito de Nim. Cada página do diário afirmava que aquela mulher era alguém interessante demais para deixar de lado.

Ele precisou fazer alguns reparos no navio e se dirigiu para a costa sul onde deixaria Kitsune no dique de manutenção por algumas semanas.

- vou ao presídio conhece-la. Não. Não vou. Ela vai me odiar, eu comprei o navio dela. Obviamente não vai estar disposta a conversar comigo por causa disso.

A dúvida perdurou por um ano até então ele decidir que iria.

Ao chegar no presídio Loris solicitou a visita.

- Senhor, esta pessoa não pode receber visita alguma pois é prisioneira de alta periculosidade. Ela divide o quarto com mais uma senhora e não tem acesso a pessoas externas.

- Esta senhora do quarto dela pode receber visita?

- Pode sim.

- Pois então, quero falar com ela.

O funcionário do presídio o dirigiu a uma sala com duas cadeiras e uma grade as dividindo. Em alguns minutos o policial traz a senhora e ela olha com curiosidade mas não diz nada, apenas senta.

- A senhora divide a cela com a Nim não é? Eu sou conhecido dela e gostaria de saber como ela está.

- Seu nome?

-Loris.

- Você me lembra alguém. Ouça Loris ela é uma mulher forte, está obstinada a rever o tal navio que foi a leilão. No dia em que soube disso ela passou a noite inteira olhando para a pequena janela que tempos na cela. Falou baixo algumas coisas, parecia nomes de estrelas e planetas. Eu achei que ela havia surtado mas hoje acredito que ela tem uma força de vontade muito grande. Mas por que solicitou a minha visita e não a dela?

- Ela não pode receber.

- Moço ela não sabe disso.

- Ouça, eu quero saber mais sobre ela, eu poderia visita a senhora mais vezes? Então me contaria como ela está e mais alguns detalhes dela.

- Sim, e o que vou receber em troca?

- Podemos negociar. Apenas confirme que irá fazer o que eu pedi.

- Sim. Farei. Caso queira saber sobre algo específico me fale que perguntarei.

***

E assim foi. Os anos se passaram e a senhora da cela de Nim era uma espécie de espiã levando informações de Nim a Loris. Ela mantinha isso em segredo por exigência dele.

Ele estava obcecado por Nim, havia sondado um advogado para tentar solta-la mas foi em vão.

O navio já estava a pleno vapor na área de entregas. Loris estava trabalhando muito e ainda não havia tido muito tempo para organizar seus pertences. Até que um dia tirou todos os livros da caixa e os encaixou na estante e na gaveta da mesa do comandante, nessas arrumações ele encontrou um caderninho muito bonito de capa de couro uma caneta encaixada nele.

Outro diário?

Loris abriu e seus olhos não conseguiram se desviar do que estava escrito. Ele não podia acreditar no que lia.

"Ele é muito compreensível e amoroso. Me acalma, faz companhia, imagina se eu contar sobre ele a alguém? Vão me internar. olha lá a louca que fala com um espírito de raposa!" Nem quero pensar nisso, não seria justo comigo e muito menos com ele. Tentei pesquisar seu nome mas inexplicávelmente não há nenhum registro de Tomoe em cartório e nem no cemitério."

- Pai. Porque ela?

Os anos foram passando devagar e Loris visitava frequentemente o presídio, de acordo com o que a senhora o informava Nim estava bem. Ela não falava muito e em noites limpas ela falava as mesmas coisas. Rotas de navegação. Isso destruiu o coração de Loris que já havia percebido seu amor por ela, já não se achava tão sortudo assim por ter o navio de volta e nem tinha tanta convicção se queria ficar com ele ou devolvê-lo a Nim. Estava muito confuso  mas de uma coisa ele tinha certeza: ela não sabia da carga que a levou presa e nem era contrabandista. Era uma mulher doce, amavel, otimista e linda. Loris encontrou algumas fotos de Nim no seu diário. As fotos eram de lugares que ela havia passado. Sempre sorrindo, de cabelos negros soltos e olhos cor de mel tão claros que pareciam o raio do sol. Ele escolheu uma das fotos e guardou eu sua carteira.

- capitã, seu sonho é o mesmo que o meu, quero muito lhe contar isso mas como posso encontrar com você sentindo tudo isso dentro de mim? Você não vai entender e vai me odiar por estar com seu navio, estou apaixonado por você e você não me conhece e quando conhecer vai me odiar. Acho que minha vida está um pouco mais complicada a partir de agora.



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