História Kitsune Branca - Capítulo 9


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Kitsune, Lobo, Medieval, Romance
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Palavras 2.154
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Ficção, Ficção Adolescente, Luta, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Universo Alternativo
Avisos: Álcool, Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 9 - IX - Sacerdotisa sagrada


Fanfic / Fanfiction Kitsune Branca - Capítulo 9 - IX - Sacerdotisa sagrada

Dês de então, Amiraki esteve trabalhando em seu ferido; o aspecto inicial fora exageradamente assustador, mas, com o passar das horas, e conforme concentrava desesperadamente seus poderes de cura sobre aquele corpo, notara que ele não era um caso perdido, graças aos céus. Era difícil saber quantas horas haviam se passado ali, nos aposentos de Arimetert, no entanto, mantinha-se firme em seu trabalho, tendo a mão estendida sobre o ferimento que o macho sofrera em seu abdômen. Devido à espessura, podia concluir, sem sobra de dúvidas, que havia sido obra de uma adaga; as portas do quarto estavam abertas quando os guardas entraram no local, dando-lhe um perfeito panorama da situação; seu ferimento não era obra do mundo espiritual, foi causado no mundo dos homens e para o mundo dos homens, embora não pudesse imaginar um motivo para alguém quere-lo morto. A aliança lupina era algo que, a longo prazo, traria grandes vantagens ao seu povo, mata-lo não só destruiria as chances de firmarem-na, mas também atrairia a fúria selvagem dos lobos.

Quando a terna luz, a qual brilhava na palma de sua mão, deu uma fraquejada, ela soube que era o momento de um descanso, fechando o punho e suspirando com pesar. Era difícil olhar para Kráh naquela situação, com uma cor pálida em seus lábios, com uma respiração tão frágil que mal podia notar o mover de seu peito; deitado sobre aquele leito, nu, com um lençol de couro cobrindo-lhe da cintura para baixo; seus cabelos que outrora vermelhos como brasa, espalhavam-se pela pluma do colchão, quebrados e sem brilho, semelhante às penas de uma fênix morta.

— Senhora — um dos criados lhe chamou a atenção, chegando à porta do quarto

— Sim?

— Pretende sair para descansar?

— Bem, sim ... Ele não corre mais riscos de vida, devemos deixar que descanse um pouco também — havia sinceridade no que dizia, o corte já havia se fechado a um ponto seguro, embora soubesse que ele não poderia fazer movimentos bruscos até que estivesse completamente cicatrizado. Até lá, sentiria uma exaustão fora do comum, sua cura não exigia somente dela, mas também, daquele que a estava recebendo.

Quando deixou o quarto, olhou uma última vez sobre o ombro, reparando em como os olhos do macho se contraíam e seu cenho franzia, como se estivesse no meio de um sonho ruim... Desejou, como nunca, poder lhe confortar, pondo sua cabeça no colo, como faziam as esposas aos seus maridos, mas engoliu seu impulso, limitando-se somente a desejar-lhe, de todo o coração, um sonho mais agradável.

Dois dias se passaram, antes que ele pudesse abrir os olhos pela primeira vez. Durante a manhã, enquanto realizava sua cura e conferia a forma milagrosa com que o ferimento se reduzia a uma cicatriz; Kráh moveu a cabeça, abrindo os olhos e fitando-a fracamente, então, sorriu, exibindo seus caninos pontudos. Ela devolveu o sorriso, suspirando aliviada

— Como se sente?

No entanto, sem responde-la, ele apenas fechou os olhos e, retesando novamente a feição, retornou ao seu profundo estado de descanso. Amiraki alisou-lhe os cabelos, deixando que dormisse.

No dia seguinte, ele retornou a si. Nos primeiros minutos de cura, abriu abruptamente os olhos, encarando o teto por um instante, antes de volver o olhar em sua direção

— S...Sacerdotisa?

— Sim — ela sorriu gentilmente — Sou eu.

— Não... Estou morto? — ele perguntou, alisando a cicatriz deixada pelo golpe, com um aspecto de exasperação. Amiraki levou uma mão ao seu rosto, tirando uma mecha de cabelos da frente de seu olho esquerdo

— Está a salvo ... Eu estive curando você.

Depois de alguns segundos em silêncio, ele riu, um som suave e terno que, nesse momento, soou como música para os seus ouvidos

— O que foi?

— Achei que nunca mais fosse vê-la — ele respondeu, olhando diretamente em seus olhos. Amiraki desviou o olhar

— Achou isso?

— Fui proibido, pelo rei, de estar novamente em sua compainha ...

— E o que há de especial em minha Campainha? — ela sentiu suas orelhas aquecerem e soube que estava ruborizada

— Especial? Não sei do que está falando — ele respondeu com indiferença — Ela simplesmente me agrada.

Amiraki não respondeu, por um lado, sentia-se frustrada, por outro, profundamente agradecida pelo carinho que ele lhe demonstrara. Bem, as lembranças ainda eram perfeitamente vividas em sua mente, a sensação daquele beijo, ainda que dado inconscientemente, preenchia os seus lábios com a mesma intensidade com que podia senti-los, quando fechava os olhos, podia senti-lo ali, pertinho dela, como fora naquele dia ... Era um pecado, um pecado grave que, aos poucos, tornava-se tudo em que ela conseguia pensar

— Fico feliz que tenha se agradado de mim — ela se levantou — Vou avisar ao rei que finalmente despertou.

— Sacerdotisa.

— Hum?

— É... Amiraki, é esse o seu nome, certo?

— Sim, Amiraki é o meu nome.

Seus olhos se encontraram de novo, mas dessa vez, ela se assegurou de manter-se firme e encara-lo até o fim

— Obrigado, Amiraki, devo minha vida a você.

— Não deve nada a mim, a culpa que isso tenha lhe acontecido foi minha, eu ... Quem devo me desculpar.

O rosto dele se retesou, como se uma epifania imediata abrisse caminho por entre os seus pensamentos

— Não... Eu lembro bem o que ocorreu naquela noite.

— Tem certeza que realmente se lembra?

— Absoluta.

— Pois diga-o ao rei.

— S-sim, eu farei isso.

Amiraki saiu do quarto com o coração entre os dedos, e quando o primeiro criado foi aborda-la, pediu logo que fosse avisar ao rei sobre o despertar de seu lupino. Após isso, retornou para os seus aposentos para descansar, talvez, caso a lei ainda estivesse valida, ela não o veria mais a partir desse momento, então, essa última olhada que o deu, tão profunda como o fundo do oceano, foi, provavelmente, a sua silenciosa despedida

****

Kráh aguardou por duas horas, na solidão daqueles aposentos, antes que a pesada porta rugisse, anunciando a entrada de Patrem

— Jovem Kráh — chamou-o docilmente

— Majestade — ele fez um esforço para se sentar, sentindo todo o seu corpo protestar em várias pontadas que se distribuíram pelos seus músculos, fazendo-o gemer

— Por favor, não precisa se sentar — o rei veio com ambas as mãos erguidas em sua direção

— Só me deixe tentar — ele respondeu, mostrando o quanto esse ato era algo pessoal, então, em um último esforço, sentou-se, todo desconcertado, sobre a cama, puxando o lençol para cobrir suas intimidades

Patrem sorriu com admiração

— Dizem os boatos que os lupinos são guerreiros natos, agora eu vejo o quão verdadeiros eles são.

— Agradeço, mas o mérito não é meu; eu realmente não teria conseguido sem a ajuda da sacerdotisa...

— Certamente, ela desenvolveu um papel importante em sua cura; mas, antes de mais nada, devo pedir desculpas por isso, meu rapaz, esteve em uma situação terrível porque fomos negligentes com a sua honra; perdão.

Bem, não era como se ele se preocupasse com algo mais do que a maldita aliança, mas Kráh se limitou apenas a assentir

— Bem ... Aceito suas desculpas.

— Então, antes de irmos ao caso; posso pedir que essa história não chegue aos ouvidos dos seus superiores?

Ele ponderou por alguns instantes, fitado pelas orbes negras e nervosas de Patrem; se queria voltar a ver a sacerdotisa, deveria começar ganhando a simpatia do rei, céus, nem sabia exatamente o motivo de querer vê-la, apenas queria

Kráh levou uma mão ao peito esquerdo, em postura de honra

— Tem a minha palavra.

— Isso me trás um grande alívio — comentou o rei — Prometo que será muito bem compensado pelos seus danos e por sua consideração.

— Sou realmente grato — ele fingiu modéstia

— Bem, agora vamos ao caso — então, uma aura de seriedade e imponência se apossou de Patrem, de modo que, mesmo com suas caldas reduzidas ao formato mínimo, era como se estivesse sentado em seu trono, imponente e belo, com todas elas a mostra

— Você sabe quem foi que o atacou naquela noite?

— Naquela noite? Por quanto tempo eu dormi?

— Dormiu por três dias, Kráh.

Santos deuses, passara três dias em completa escuridão. Ele preciou de um tempo para se recuperar dessa notícia, mas, passado o susto, prosseguiu:

— Naquela noite, uma meretriz veio ao quarto e se aproximou de mim, dizendo ter sido mandada em nome do rei.

— Jamais mandei meretriz alguma aos seus aposentos — respondeu-lhe com veemência

— Eu imaginei isso, porque, no momento em que a rejeitei, ela me apunhalou com uma adaga.

Patrem se incliara em sua direção, mostrando o quanto estava atencioso para com a sua história

— E como era o rosto dessa meretriz, pode me descrever?

— Ela estava mascarada — ele respondeu

— Ah, entendo... Isso é estranho, os guardas me afirmaram que não havia ninguém nas proximidades.

Ah, claro, aquelas mulas, foram eles os principais responsáveis pela fuga da assassina, graças à sua burrice insuperável

— A meretriz se colocou atrás da porta, e no momento em que os guardas passaram, vindo em minha direção, ela saiu pelas suas costas e pulou a janela — disse, fazendo o possível para conter a fúria em sua voz — Isso é frustrante, mas não consegui falar ou mesmo apontar para ela, depois disso, apaguei completamente e, bem, estive vagando em pesadelos dês de então.

— Santo Ônix — Patrem sussurrou — Acha que existem motivos para alguém querer a sua vida?

— Acredito que não — Kráh apoiou os antebraços sobre as coxas, baixando o olhar

— Mas se há alguém atentando contra ela, certamente há um motivo.

— Bem, sim, talvez não seja algo com a minha pessoa, mas ...

— Sobre o que você representa — disse Patrem, com uma empolgação que indicava uma nova descoberta

— Como?

— Talvez haja alguém desejando um fim para a nossa aliança...

Essa afirmação lhe prendeu a atenção; se havia realmente alguém tramando contra a sua vida, se o motivo disso era a aliança, então, por que esse alguém desejava tamanha ruína? Que tipo de poder essa pessoa exercia na corte real? De repente, mais uma lembrança lhe rasgou a mente, lembrou-se da adaga que vira desenhada no papiro, de modo que volveu rapidamente o olhar na direção do baú; e ele estava exatamente como deixara

— Se as coisas serão assim, então eu devo mante-lo protegido por todo o tempo a partir de agora.

— Ficarei nesses aposentos por mais tempo?

— Sei que é pedir demais, mas precisa ficar aqui até se recuperar.

Kráh soltou um praguejo mental, óbvio que, caso a sacerdotisa parasse de trabalhar em seu corpo, ele levaria uns bons dias até poder caminhar normalmente como sempre fizera, até lá, estaria infurnado naquele quarto de pedra

— Bem ... Então; aquele baú — ele indicou — Existem papiros em seu interior; algum problema se eu os ler?

— Aquilo? — Patrem olhou para a peça de mogno — São as profecias amaldiçoadas de Arimetert, ninguém é capaz de decifrar o que está escrito lá e, para ser sincero, é melhor que ninguém saiba.

— Talvez eu possa tentar.

— Sinto muito Kráh, mas a minha resposta é não — Patrem disse com autoridade — Se quer ler alguma coisa, posso providenciar livros para você, caso não entenda a escrita dos kitsunes, também posso mandar alguém para ensina-lo.

Quando ia responder, Kráh sentiu uma forte pontada no interior de seu ventre, tão poderosa como a aguda perfuração que lhe fora causada naquele mesmo ponto; ele levou uma mão instintivamente ao local, gruinhindo de dor

— Jovem Kráh?

— Eu estou bem.

— Céus, seus lábios estão pálidos! — Patrem se aproximou, tocando-lhe os ombros — Eu sabia que era uma péssima ideia tentar se sentar.

Patrem se ergueu e saiu por um momento, provavelmente para conseguir ajuda; depois de alguns segundos, ele retornou

— Perdão, meu orgulho não me permitiu deixar que isso me derrotasse — Kráh disse entre os dentes, lutando contra a dor que lhe torturava sem piedade

— De que vale apostar o seu orgulho em um ato tão chulo? — Patrem questionou com exasperação

— É habito de lupinos.

— Bem, se acalme agora, sim? Eu já pedi que chamassem a sacerdotisa.

Por algum motivo, diante daquela podoresa onda de fadiga, seu coração palpitou com alegria; talvez o tratamento mágico durasse um pouco mais do que previra, Amiraki ... Ela voltaria por aquela porta, céus.

— Agora que me lembrei, a sacerdotisa é uma das melhores escritoras que temos em nossa corte — Patrem comentou, depois de um longo tempo em silêncio; talvez, apenas para conferir se ele ainda estava consciente

— Mesmo?

— Sim, digo, ela seria uma ótima mestra, se é que tem vontade de aprender sobre nossa escrita.

— Tenho! Céus, tenho vontade.



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