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História Klay e os oito mundos - Capítulo 70


Escrita por: Anaescreve

Capítulo 70 - Mãe?


•Gabriella on•

Pensava em quem poderia ser, já que todos estavam ali na sala, encarava a porta enquanto me preparava para ir em sua direção, mas de repente senti Klay pegar no meu pulso, olhei para ela e percebi seu rosto transbordando preocupação e confusão ao mesmo tempo

-Isso é estranho...-Sussurra fitando algum ponto na porta

-Eu abro-Diz Matheus chamando a atenção, tinha colocado o bolo em cima do balcão, foi até a porta com uma das mãos nas costas, com certeza pronto para pegar sua arma se necessário

Todos estavam apreensivos, mas o garoto parecia preparado para qualquer coisa, pegou na maçaneta e a puxou de uma só vez, revelando duas grande figuras por trás da porta

-Isso é uma festa?-Perguntou o homem, com uma das sobrancelhas arqueadas

-O que faz aqui?-Perguntou Lanne quase que rosnando para ele, essa que foi imediatamente segurada por Susie, que não tinha nenhuma empatia esboçada no rosto

-Eu acho que não te conheço-Falou se virando para a garota-E não estou aqui para falar com você-Respondeu entrando e dando sinal com a mão para o homem atrás de si, o qual ficou do lado de fora e puxou a porta para fecha-la-Temos assuntos para resolver-Anunciou, olhando para todos ao redor-Imagino que pedir para seus amigos sair não é uma opção...

-Não-Respondo ríspida, enquanto sentia Klay segurar meu pulso mais forte, parecia com medo de algo

-Não faz diferença de qualquer forma-Deu de ombros, puxando a pasta que segurava e a colocando na mesa, abrindo-a e tirando alguns papéis granpeados de dentro-Espero que tenha sido inteligente com a decisão...

Estava tentando me segurar, cada palavra que saia de sua boca não significava nada para mim, só o que podia sentir era raiva, puxei com força meu braço para que Klay o soltasse e fui em direção a mesa

-Será que tem algo te incomodando?-Pergunta sarcástico, com um sorriso de lado, parecia estar se divertindo com a situação-Pode recusar, mas não vai fazer diferença para mim, não sobreviverá dois meses sem meu dinheiro, sempre fiz suas vontades, acho que o mínimo é fazer uma escolha sensata...

-Parece que precisa mais de mim do que eu de você...-Respondo trincando os dentes, estava me segurando com a cabeça baixa, sabia que não iria conseguir me impedir mais se também tivesse que olhar para o seu rosto de merda

-Apenas para um acordo-Responde-Se eu tivesse outro filho, acredite, nem eu e nem você estaríamos nessa situação...

-Se tivesse, nem mesmo nessa escola eu estaria, estou errada?-Dizia apertando os punhos, podia sentir minhas unhas cravarem na carne da minha mão com o tanto que me segurava-Já teria me descartado a bastante tempo...

-E ainda dúvida disso?-Ironiza, me fazendo levantar a cabeça para encara-lo-Não tenho medo de você, seja lá o que for-Falava estralando a língua com um olhar afiado-Pode ser uma bastarda, ou me retribuir com todos os anos que tive que conviver com você, se casar com um bom rapaz, ter uma família, isso se ainda tiver esperança-Continuava soltando uma pequena risada no final

-Você realmente não tem a decência, não é?-Digo soltando um suspiro-Tudo o que você fez foi pelo menos o mínimo que todo "pai" deveria fazer-

-O mínimo?-Me interrompe, gargalhando-Não me faça rir Gabriella, o mínimo seria eu não ter contratado 5 moças por semana para passarem longe de seu quarto e não ter que comprar o silêncio delas e de qualquer outra pessoa que pisava o pé naquela casa e visse a criança estranha que você era, para não manchar meu nome, o mínimo seria não ter nascido, não ter matado minha esposa-Termina, ainda com seu olhar frio

Eu sentia a raiva claramente naquele momento, passava por todo meu corpo, eu o odiava mais do que tudo em minha vida, seu olhar sem qualquer pingo de sentimento ainda me cortava, e aquilo só me fazia ficar com ainda mais raiva, tendo que abaixar a cabeça para tentar me agarrar a um pingo de misericórdia que ainda tinha dele, sentindo o sangue pingar das minhas unhas

-Para com essa sua teimosia, assine e tente pelo menos uma vez na vida não me invergonhar-Terminou pegando uma caneta e a colocando na minha frente na mesa, apontando para onde eu devia colocar meu nome

Todo meu sangue fervia, percorrendo meu corpo como correntes de lava, eu também sentia o local ficar mais quente, e mesmo assim ele parecia não se importar, era seu jeito, era assim que ele era e sempre foi, e eu nunca tinha percebido
De repente tudo começou a tremer, eu não sabia o que era e não ligava, minha raiva parecia que apenas crescia a cada segundo, enquanto se passava pela minha cabeça diversas maneiras de acabar com aquele homem a minha frente
E então, como num passe de mágica, uma presença atrás de mim coloca sua mão sob meu ombro, e tudo pareceu parar naquele instante, naquela mão quente que me tocava, meu coração batia mais forte, eu conseguia sentir quem era

-Gabriella-Chama, me fazendo me virar, não conseguia acreditar no que meus olhos viam

•Gabriella off•


•Klay on•

Eu sabia que ela estava gritando de raiva por dentro, mas o quente da sala me fez ficar fraca demais para ir em sua direção, olhei para os outros preocupada, mas pareciam apenas suar enquanto se entreolhavam confusos
Eu ouvia o que ele dizia, aquele homem, todas aquelas palavras cruéis, eu conseguia senti-los como uma faca, queria poder ir até Gabriella, lhe dar minha mão e faze-la sentir que tudo ficaria bem comigo ao seu lado, e quando finalmente consegui mexer meu pé em sua direção, paralisei, e não era por causa daquele calor infernal que parecia querer me consumir, era outra coisa, outro sentimento
O local começou a tremer como um terremoto, o que me fez desequilibrar e quase cair no chão, mas por sorte Lanne me segurou antes, minha visão estava tremida e embaçada, mas consegui ver Gabriella na mesma posição, as garotas se seguravam umas nas outras e no balcão, e os garotos estavam agachados de frente aos armários que faziam barulho com as coisas que eram jogadas ao chão

E lá estava o piso, se abrindo a nossa frente, meus olhos arregalaram, era uma enorme fenda que se estendia por pelo menos três metros, rasgando o chão como se fosse nada, mesmo que o tremor já tivesse acabado, todos continuaram na mesma posição, encarando-o enquanto dele saia uma escuridão vermelha que arrepiava até a espinha, e de repente algo se moveu para fora, no mesmo momento eu soube quem era assim que pisou no chão, tocando no ombro de Gabriella

-Mãe?-Responde a avermelhada, se virando em sua direção

Seu rosto de raiva se dissipou no mesmo momento, eu podia sentir suas emoções, de felicidade, confusão, de querer abraça-la e se afastar de medo, era uma mulher considerada morta a sua frente afinal

-Clarinha...-Chamou passando a mão pela sua bochecha, a acariciando com um sorriso aconchegante-Está tão crescida...-Comenta, fazendo a garota embaçar a visão com lágrimas, finalmente a abraçando

-Senti sua falta-Falou quase em um sussurro, a mulher a puxou para si, passando a mão pelos seus cabelos com carinho

Ela era quase da mesma estatura que a avermelhada, um pouco mais alta, os cabelos eram longos e escuros, vermelhos sangue com pontas claras, estava com sapatos pretos fechados, sem contar seu vestido longo e colado vermelho vibrante, de renda caída nos ombros, como se tivesse saído de uma festa chique

-Tão crescida-Repetiu, se afastando um pouco da garota, com um sorriso enquanto a observava

-Como...?-Gabriella balançava a cabeça se afastando um pouco, a olhando de cima a baixo, mais confusa que todos nós

-É complicado-Desviava o olhar para o chão

-Patrícia...?-Chamou a atenção o homem encostado na mesa, olhando-a incrédulo, parecia invisível até aquele momento

-Cesar-Respondeu, sem um pingo de sentimento no tom de voz

-Como... Eu-

-Não-O interrompeu, encarando-o séria, voltando a atenção para Gabriella-Sinto muito por não te ver crescer, por não estar aqui quando precisou...-Dizia a olhando com tristeza e amor ao mesmo tempo

-Eu precisei-Disse pondo sua mão por cima da dela, que estava em sua bochecha-Porque?

-Como eu disse, é complicado, mas o que aconteceu é que eu estava desesperada para te ter, queria segurar um bebê em meus braços e sentir ser meu, agradeço a você por ter me proporcionado isso, mesmo que por pouco tempo...-Falava fechando os olhos-Eu sei do erro que cometi, mas não me arrependo de te ter, nem por um segundo parei de me sentir grata por poder te ver sorrir todos os dias, mesmo que isso significava que eu não estaria aqui...-Abre os olhos, dando um sorriso amoroso-Eu me vejo em você, alguém ainda melhor da pessoa que eu fui, corajosa, determinada, leal...-Dizia fazendo a garota derramar mais lágrimas, as quais percebi caírem no chão e evaporarem como água fervente

-Eu não-

-Muito melhor-A interrompeu-Não poderia ter mais orgulho de quem você é agora-Falou não deixando de a fitar-Mas o motivo pelo qual vim, é por causa dele-Disse se afastando e olhando para o homem que ainda não parecia acreditar no que via-Eu vi o que você fez Cesar, e não poderia estar mais decepcionada...

-Minha querida, eu-

-Não, você não tem moral para me chamar assim, deixei de ser sua no momento que pensou em abandona-la-Intemrrompeu ele mais uma vez, ainda com o tom sério-Eu admito meus erros, mas você apenas os acumula, ganancioso por dinheiro, me prometeu que iria ama-la incondicionalmente, assim como me amava, não importando o que acontecesse-Continuava chegando mais perto de si, ficando frente a frente a ele, mesmo sendo mais alto, era ela quem estava acima na situação-E agora, isso-Dizia pegando no papel em cima da mesa, segurando-o e o fazendo queimar em brasas, deixando que seus restos sumissem pelo ar-Não vai tirar mais nada dela, mais nada de mim, deixe-os em paz, a deixe viver sua vida, assim como eu queria, não fará diferença para você.

Ela terminou, o deixando sem fala nenhuma, se virou de costas e voltou para a garota, por um momento pensei ter visto seus ossos de rosto, sua pele pareceu ser transparente, apenas por um segundo, antes dos nossos olhares se encontrarem e ela sorrir amigavelmente para mim

-Para onde você... para onde você vai?-Perguntava Gabriella, segurando suas mãos, como se tivesse medo de perde-la

-Voltar para o meu lugar-Respondeu virando o olhar para o buraco no chão-Eu lhe dei minha alma, agora pertenço á ele-Falava voltando seus olhos para a avermelhada-Eu estou bem, não precisa se preocupar, não tenho mais vida...-Dizia tentando confortar a garota que não parava de chorar, a abraçando novamente-Eu tenho que ir, ele me deixou vir aqui apenas por um momento, mesmo que preferia mil vezes continuar ao seu lado...

-Eu...

-Eu também te amo meu amor, sempre estarei contigo, não importando onde estiver-Disse, dando-lhe um beijo na testa e passando a mão pelo seu brinco de cruz de um lado, percebi que seus dedos pareceram queimar ao tocar no objeto

De repente ela se virou para mim, estendeu sua mão na minha direção, Lanne já havia me soltado, então lhe dei a minha e a vi olhar no fundo de meus olhos, como se estivesse tentando me dizer algo, depois que apertou minha mão, a soltou e afastou-se de Gabriella, mesmo que relutante com aquela ação

-Eu sempre estarei te olhando lá de baixo, mas tenho certeza de que ficará bem com as pessoas que ama-Disse dando-lhe um último abraço, antes de se afastar e virar névoa, a qual foi puxada sugada para baixo, fazendo com que o chão tremesse novamente ao fechar aquela rachadura

Fui em direção a avermelhada, a qual escostou sua cabeça em meu ombro assim que a abracei, passando os braços pelo meu corpo, percebo que tinha algo na minha mão, era um papel, passo meu olhos por ele rapidamente e o enfio em meu bolso
Cesar tinha saído depois de alguns segundos, ainda parecia sem chão enquanto abria a porta e rapidamente se retirava com seu segurança que o olhou com estranheza antes de sair atrás
Todo o resto se juntou ao nosso redor, colocando as mãos no ombro de Gabriella ou abraçando uns aos outros, sabia que não era a hora para lhe contar o que sua mãe tinha me dado, não depois daquela montanha russa de emoções da qual tinha acabado de passar, o que ela precisava no momento era apenas de um abraço e apoio




Notas Finais


tomara que tenham gostado :))


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