História Knocked out (K.O.) - Capítulo 19


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jeongguk (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin)
Tags Bangtan Boys, Boxe, Drama, Jhope!capoeirista, Jungkook, Jungkook!aluno, Lemon, Luta, Park Jimin, Ships Surpresa, Sugakook, Trans!jimin, Yaoi, Yoongi, Yoongi!boxeador, Yoonkook
Visualizações 143
Palavras 4.058
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Luta, Romance e Novela, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Olar bbs
De novo, quarta foi um dia complicado, desculpa
MAAAAAAAAAAAS
se animem, estamos na reta final \o/
Esse é o penúltimo capítulo (embora ainda venham alguns bônus depois) e espero que vcs ainda estejam curtindo isso tanto qnto eu to <3

Serendipity foi a trilha sonora desse :3

(E bora dar views pra Epiphany <3 )

Capítulo 19 - Erase, restart.


Fanfic / Fanfiction Knocked out (K.O.) - Capítulo 19 - Erase, restart.

 

Dizer que Yoongi estava puto era apelido.

 

 Jungkook, esperto como era, havia usado a noite anterior e aproveitado como o hyung estava dócil pra contar sobre Taehyung, da tentativa de ficar com outro homem. O boxeador não conseguia fazer muito além de fechar a cara em desagrado (Jungkook havia literalmente secado suas energias antes do tatuado pedir uma pausa), e se segundos antes o rapaz de cabelos verdes parecia feliz demais por ter sido cavalgado pela primeira vez pelo dongsaeng, agora este parecia prestes a colocá-lo pra fora do quarto.

 

“Eu soube logo de cara que não ia adiantar, hyung. Só você me faz sentir essas coisas.” Usou sua voz mais angelical para justificar, brincando distraído com algumas gotinhas peroladas no próprio abdômen, fruto do seu último orgasmo. Em algum lugar lá pela quarta transa ambos desistiram da paranóia de limpeza. Sabiam que iriam perder tempo e água desnecessária com tantos banhos, tamanha vontade de sempre repetir a dose.

 

“E como foi beijar ele de novo?” A acidez era óbvia na voz dele, então Jungkook se aproximou, beijando o bico que amava tanto e pedindo com os olhos para que o mais velho deixasse aquilo pra lá.

 

“Ele beija bem.” Foi sincero, rindo ao ouvir Yoongi bufar de ciúmes. “Mas não me deixa louco que nem você.” Yoongi revirou os olhos e segurou uma risada, por pura birra. “Vai, hyung, para com isso… não quero estragar nossa noite por besteira.”

 

“Então pra que me contou?”

 

“Porque não quero mais segredos entre nós.” Explicou, e aquilo pareceu convencer o hyung, que permitiu que Jungkook lhe fizesse um cafuné com a mão que não estava suja. “Acho que esse foi o limite pra mim.” Comentou, sentindo como doía quando movia os quadris, e Yoongi pareceu entender.

 

“Te machuquei muito?” O loirinho deu de ombros, sorrindo pequeno.

 

“Eu nem sinto durante… sabe?” Levou a mão livre até lá embaixo, sentindo a pele sensível e um tanto inchada. Sentia vergonha de perguntar, mas pra quem mais tinha que perguntar isso, uma vez que nem sempre teria Jimin para guiá-lo naqueles assuntos. “Vai ser sempre assim? Quer dizer, sempre dói?”

 

Yoongi achava ele adorável quando este se permitia mostrar sua inexperiência, e não resistiu, virou logo de frente para o mais novo, respondendo sua questão com os lábios tão próximos do dele que quase não lhe permitia ouvir. Queria compensar o tempo perdido.

 

“Depois de um tempo dói menos.” Lembrou de quando passou por aquilo, de como foi difícil naquela época sem ter com quem conversar. “E também, é só não ter tanta pressa.”

 

“Doía assim quando você fazia?” Era um território minado, e Jungkook sabia, mas a curiosidade era bem maior. “Quer dizer, você é todo pequeno…”

 

 Virou de frente também, abraçando o mais velho e usando uma mão para acariciar a coxa marcada por uma tatuagem particularmente colorida. Amava cada uma delas agora que já havia praticamente decorado todas. Se arriscou a levar a mão para trás, sentindo as nádegas fofas e o modo como Yoongi parecia tenso com isso lembrou o dongsaeng da briga que causara. Sentia-se um pouco egoísta. E se Yoongi sentisse mesmo falta daquilo? Estava disposto a saciá-lo, mesmo morrendo de ciúmes daquelas lembranças?

 

“Uhum.” Decidiu omitir que a dor era maior principalmente porque Jung-sik não tinha a menor consideração de prepará-lo direito. Na época achava delicioso ser subjugado sem sequer o menor cuidado, mas sabia bem o quão caro pagava por aquilo ao cuidar das feridas depois. E não só as físicas. Eu gosto de você bem apertado pra mim. era o que ele dizia, e o que o deixava com tesão na época, agora lhe causava pura náusea. “Demorei um pouco, mas aprendi a diminuir o desconforto.”

 

“Você quer trocar?” Ofereceu, se atrevendo mais e descendo os dedos até o local mais escondido, se excitando com aquilo mais do que imaginara possível. Era um tanto complicado ver o hyung daquela forma em sua mente, considerando que sempre o enxergara como a figura dominante ali, mas estaria mentindo se dissesse que não sentia seu pau dando sinal de vida mesmo depois de gozar tanto, ao constatar que o mais velho era tão delicado e apertado quanto imaginou que este fosse. Nunca havia penetrado ninguém na vida, e pelos relatos de Yoongi, devia ser mesmo delicioso. “A gente pode tentar, se quiser…”

 

Sentiu um beijinho no queixo e depois outra sequência no pescoço e sorriu pequeno. “Outro dia.” Respondeu, grato pela sorte que tinha. Sabia que o garoto estava disposto a enfrentar os próprios fantasmas para lhe fazer sentir bem. “Eu não sei nem se consigo mais me mover  hoje.” Reclamou, mesmo que estivesse extremamente feliz, e dali pra frente simplesmente mergulharam no silêncio confortável, onde só a presença do outro já bastava.

 

De olhos fechados, sentindo o coração alheio bater contra o seu, cada um pensava em como haviam achado a pessoa certa, com a convicção que dali em diante, briga só em cima do ringue.

  

 

--x--

 

 

Jimin acordou como manda o script quando se trata de ressaca: querendo estar morta.

 

Sentia cada som e enxergava cada luz amplificada vezes cem, e sequer a ideia de se mover parecia absurda diante das reclamações do seu corpo.

Infelizmente, permanecer descansando não era uma opção. Sabia que precisava descer e ajudar na limpeza da academia, considerando que as atividades normais não podiam acontecer em meio à mesas de comida e sofás e caixas de som, então reuniu toda sua força de vontade pra se erguer, andando meio grogue até o banheiro e se enfiando embaixo do chuveiro gelado antes de sequer tentar vomitar. Seu ponto fraco é que era uma ótima alcoólatra quando queria, o que significava que demorava pra cair, mas quando caía, era de uma vez só.

 

 Sequer se secou direito antes de voltar pro quarto - nua pelo corredor mesmo, o mundo que aceitasse - e se enfiasse nas suas roupas mais confortáveis, mal se preocupando se estava apresentável para se mostrar lá fora. Reparou no volume dentro dos shorts cinzas e reprimiu o desgosto, cansada demais para sequer esconder algo, mesmo que soubesse que se arrependeria amargamente se alguém mais notasse algo ali. Em dias como aquele sentia-se motivada a ir até a cozinha, pegar uma faca e literalmente cortar o problema pela raíz, mas sabia muito bem que sangrar até a morte não era solução pra nada, então era obrigada a engolir seu asco e aceitar que não tinha jeito.

 

Como era tão apaixonada por aquela parte em seus homens e tão furiosa quando estava em si mesma?

 

E com estes pensamentos, seguiu pelas escadas, descendo meio sozinha, meio escorada no corrimão, até dar de cara com duas coisas extremamente incomuns ali embaixo.

 

Primeiro, nem resquícios da festa.

 

Aparentemente, o local havia sido limpo sem sua ajuda, o que era incomum (embora estivesse muito feliz por isso), e era difícil até dizer que havia acontecido uma festa ali, não fossem alguns balões ainda pendurados na parede onde estivera a mesa do bolo.

 

Segundo, um convidado não parecia ter achado o caminho de casa.

 

“Bom dia.” A voz grossa fez a menina questionar se estava dormindo, e esta se alarmou imediatamente ao entender que ele era de verdade, correndo pra se esconder atrás de um saco de pancadas, queimando de vergonha da própria cara de quem havia sido atropelada. “Ou boa tarde, eu acho.” O moreno da noite anterior estava tão lindo quanto antes, embora agora estivesse bastante bagunçado, e só então a garota reparou que este segurava uma vassoura.

 

“O que você está fazendo aqui? Porque não foi embora?” Sua voz estava rouca pelo sono, então tossiu com força, horrorizada.

 

“Ah, eu percebi que todo mundo ia embora e ia ficar uma zona. Como você me disse que morava aqui, eu resolvi organizar pra quando você acordasse.” E aquilo fazia sentido. Todos os donos do local estavam fora. Yoongi e Jungkook haviam se retirado para sua “lua de mel”, Namjoon estava viajando, Seok havia sido visto pela última vez com duas garotas que provavelmente (se considerassem a energia do capoeirista) ainda estavam disputando a pica de ouro no apartamento dele e com isso sobrava Jimin, que havia fugido do rapaz para ir dormir bêbada.

 

“Quem faz isso? Quem arruma a casa de um desconhecido?” Jimin não entendia as intenções dele, e se apavorou ainda mais quando este andou em sua direção, tirando o saco de pancadas da sua frente e rindo ao vê-la se cobrir encabulada.

 

“Mas nós nos conhecemos, lembra? A gente se beijou.” Como se Jimin pudesse esquecer. Amaldiçoou de novo a tequila e apertou ainda mais a barra da camiseta, a puxando para baixo quando o maior estendeu sua mão. “Tae.” Se apresentou.

 

“Jimin” ela disse baixinho, recuando até a parede quando este tentou se aproximar.

 

“Jimin” Repetiu o nome com um sorriso quadrado adorável. Parecia encantado com a garota, mesmo que esta se sentisse a pessoa mais repulsiva do mundo naquele momento. O cabelo loiro estava apontando para todo lado, a roupa amassada e com furos deixando seu corpo estranho e os olhos inchados de sono pra completar tudo. Pelo menos havia escovado os dentes e tomado o banho, constatou. “Você é sempre adorável, assim?” Usou uma mão (enorme, aliás) para acariciar os cabelos dela, medindo suas expressões procurando algum desconforto e mordeu os lábios antes de se curvar e beijá-la de novo, desta vez bem lentamente, um carinho preguiçoso que ela teve que ceder, derretendo contra o calor do mais alto. “Eu ainda devo estar cheirando mal.” Ele disse com as bochechas corando. “Desculpa.”

 

“Você tem noção do que eu sou?” Ela perguntou, ainda muito perto daqueles olhos que a observavam com devoção. Sentiu os próprios lábios tremerem e seus olhos encherem d’ água, desesperada por ter que se revelar e estragar tudo. Era bom demais pra ser verdade.

 

“Um anjo?” Ele sorriu de novo, provando mais um beijo e fechando os olhos a fim de pedir outro, se deliciando ao sentir a língua macia dela entrar na carícia, atiçando a sua. Chupou de levinho a pontinha rosada e estremeceu de desejo pelo ato. Sabia que a umidade que sentia em sua bochecha era fruto de uma lágrima, então a segurou mais firme. “Shh...porque tá chorando?”

 

“Eu não sou um garoto…” Disse em tom de confissão, esperando pela reação de nojo.

 

“Eu não ligo…” Que nunca veio.

 

“Mas eu tenho um pênis.” Ela explicou, aflita.

 

“Legal, eu também. Temos algo em comum.” Outro sorriso e mais um beijo, desta vez na ponta do nariz. Mesmo estando ali desde a noite passada, ele cheirava deliciosamente bem.

“Mas eu me visto como uma mulher...eu… eu sou uma…” Ela não entendia, não via ele desistir e isso era novidade para si.

 

“Eu já me vesti como uma também, mas acho que não levo jeito pra ser uma.” Ela reconheceu o tom leve de brincadeira, e não pôde evitar sorrir. “Vocês são fortes demais, e eu não sobreviveria um dia.”

 

“Tae, você não me entende, eu…”

 

“Jimin, você não me entende.” O tom sério fez a menina quase gemer em deleite. Ele sabia o que causava nos outros? “Eu sei do que você está falando e eu não ligo, ok? Pra mim você é só a pessoa que foi dormir e me deixou aqui sozinho a noite toda pensando num jeito de contar que eu fui besta o suficiente pra me apaixonar em poucas horas.”

 

“Mas você me rejeitou!” Ela acusou furiosa, achando aquilo uma brincadeira de mal gosto. Não aguentaria descobrir que estava servindo de piada.

 

“Eu não te rejeitei.” Ele uniu as sobrancelhas, ainda mais sério. “Eu só pedi um pouco de calma, sabe?” Ela nunca havia conhecido alguém que quisesse ir com calma ao ter as mãos sobre seu corpo. “Eu queria perguntar seu nome, dançar com você, te levar em casa.” Riu meio tímido. “Pegar seu telefone…” Se aproximou de novo, usando ambas mãos para segurar o rosto da menor. “Te beijar antes de dar boa noite…” Outro beijo, longo e enlouquecedor. “Te ligar de manhã… te convidar pra sair outra vez…”

 

“Eu achei que você quisesse me levar pra cama.” Ela constatou, envergonhada.

 

“Eu quero.” Ele corou completamente, desviando o olhar por alguns segundos. “Mas quando eu te levar, não sei se vou deixar você ir embora.” A sinceridade naquilo apaixonava e apavorava Jimin na mesma medida. “Pelo menos não até você me prometer que vai voltar pra ela pelos próximos cem anos.” Jimin não conseguia mais segurar o choro, e nem sabia de verdade o porquê estava tão emocionada com aquilo. Queria sinceramente acreditar que era apenas surpresa por achar um cara decente naquele mar de gente babaca que cruzava seu caminho, mas sabia que havia algo mais.

 

De repente, o buraco deixado por Yoongi em seu peito, parecia um pouquinho menos vazio.

 

“Se isso for algum tipo de brincadeira, por favor, não continua.” Ela ainda arriscou, e ele demonstrou tristeza pela primeira vez, notando como ela realmente não acreditava merecer o que ele queria oferecer, que para o maior, não passava do mínimo.

 

Ao invés de responder, ele apenas pegou a mão pequena da loirinha e a colocou sobre seu próprio peito, rindo bobo e mordendo os lábios diante da reação dela.

 

Jimin nunca havia sentido um coração bater tão rápido por sua causa.

 

“Vem tomar café comigo?” Ele convidou, estendendo a mão, e ela passou as mãos pelos cabelos, ainda meio desnorteada, antes de sinalizar para que este esperasse e correr para cima em segundos, como se demorando demais para voltar, o fizesse desistir e ir embora.

 

Sequer sabia o que vestir.

 

Revirou o próprio guarda roupa em busca de algo que a fizesse sentir realmente bonita, mas todas suas roupas favoritas eram extremamente provocativas, e pelo que havia ouvido do rapaz, essa não era bem sua vibe. A vozinha em sua cabeça lhe alertava e ria da sua cara com a frase vai mudar por macho? Mas tentava ignorá-la, enquanto escolhia uma blusa larguinha que sempre deixava um ombro à mostra, jeans justos e, pela primeira vez em anos, um par de tênis. Só usava aqueles para treinar, mas julgou ser uma boa escolha ao colocar seus brincos prateados e dar um jeito no cabelo para que este ficasse menos arrepiado. Já pensava em se maquiar, quando teve o pressentimento de que ele acharia aquilo exagerado, então apenas passou um pouquinho de brilho nos lábios, rindo da própria expressão tensa no espelho antes de correr pra baixo de novo, constatando de que ele ainda estava ali, e com um sorriso ainda maior.

 

“Uau.” Ele não conseguia evitar admirá-la, mesmo que a sensação de enxergar uma mulher daquela forma fosse nova para si, mas sabia que tudo se tratava da mulher que lhe encarava de volta, com uma expressão de expectativa. “Agora é que eu tô me sentindo mal vestido mesmo.” Ele arrumou o próprio cabelo, meio tímido meio brincando, e ela revirou os olhos, querendo xingá-lo por sequer tentar se diminuir.

 

Saíram da academia com os olhos apertados para a claridade ofensiva, e Jimin já estava lembrando da sua ressaca, quando o rapaz mais uma vez a fez chorar.

 

“Eu não entendo...você não para de chorar, eu tô fazendo algo errado?” Ele perguntou, vendo a menina desabar de novo ao sentir sua mão segura na dele, e ela apenas assentiu negativamente, envergonhada de dizer que ele era o primeiro homem (além dos seus amigos) a segurar sua mão ao andar na rua. Pra piorar, ele ainda parecia extremamente orgulhoso de estar ao lado dela, vez ou outra a puxando pela cintura, beijando sua têmpora ou simplesmente a colocando do lado de dentro da calçada, em um ato de proteção. Ela definitivamente lavaria o caminho até a cafeteria em lágrimas mesmo.

 

“Não se preocupa… eu vou parar.” Ela prometeu, sem imaginar o quanto aquele dia ainda seria louco.

 

Restou ao rapaz continuar explicando aos funcionários do estabelecimento e a alguns clientes que não estava fazendo mal a baixinha, e horas mais tarde, ao trazê-la de volta à academia, alimentada e de olhinhos inchados, colocar apenas uma regra para o próximo encontro, que ele já havia escolhido data e local.

 

“Nenhuma lágrima, ok?”

 

E ela concordou, embora, olhando para aquela carinha de apaixonado dele, não pudesse prometer absolutamente mais nada.

 

--x--

 

Seok e Yoongi estavam em uma guerra infinita de provocações enquanto tomavam café quando a garota chegou, compenetrada demais nas próprias ideias para sequer dar atenção a eles.

 

Passou pelos rapazes sem sequer dar bom dia (ou boa tarde) e procurou um copo para beber água, só então notando a presença de Jungkook, quando este se aproximou sorrateiro, a abraçando por trás e depositando um beijinho em seu pescoço.

 

“Acordou agora, Noona?” A voz do menino estava rouca como era de se esperar de alguém que havia feito escândalo a noite toda, e ela se encostou nele, pensando se deveria ou não contar sobre aquela manhã. Ainda não havia digerido os acontecimentos.

 

“Uhum” mentiu, só então se virando e erguendo a sobrancelha para a conversa dos mais velhos.

 

“Esse vermelho é da tatuagem.” Yoongi defendeu, apontando a pele do pescoço e só então Jimin reparou de verdade nos dois.

 

“Vocês dormiram com vampiros?” Inspecionou a pele dourada do capoeirista, constatando que havia mais roxo e vermelho que tudo, e então notou como Yoongi não parecia muito melhor, embora as tatuagens ajudassem a disfarçar. “Ou foram sanguessugas?” Tocou o próprio pescoço, tentando reprimir um Deus me livre, mas quem me dera  mas Yoongi já tinha uma resposta na ponta da língua.

 

“Ele que dormiu com as garotas lá e elas devem ter feito campeonato pra ver quem chupava mais.”

 

“Ah, mas você não tenha dúvidas.” Seok respondeu com um sorriso malicioso, e Jimin lhe deu um tapa na cabeça.

 

“Esse é um lar de família.” Avisou em tom falsamente sério.

 

“Então manda o coelhinho aí ir vestir uma calça por que eu tô vendo tudo daqui.” Indicou Jungkook que estava bem confortável desfilando de boxer, mas o garoto apenas ergueu uma sobrancelha, alisando o abdômen (que Jimin constatou: também estava marcado de chupões).

 

“Tá difícil manter a concentração, hyung?” Piscou safado, fazendo Yoongi arregalar os olhos para o flerte, mesmo que soubesse ser brincadeira.

 

“Tá vendo?” Seok chamou a atenção de Jimin, a puxando pro seu colo e a mantendo ali mesmo que esta tentasse levantar. “A vergonha foi embora com o cabaço.”

 

“Eu tô cercado de idiotas.” Yoongi abaixou a cabeça na mesa, dramaticamente, antes de levantar de novo, avisando que iria organizar a bagunça (e recebendo um olhar alarmado da menina, que sabia bem que não tinha bagunça alguma), não sem gritar do corredor alto o suficiente pra fazer Seok revirar os olhos. “E você é o que tem mais marcas sim!”

 

“Ah foda-se. Aposto que ele tá com o pau todo arranhado desses dentes aí!” Apontou pro maknae, finalmente o fazendo corar, e recebeu um beliscão de Jimin, o qual ele devolveu em forma de beijo, porque nem vingativo sabia ser. “E esse perfume de homem aí, hein? Alguém mais se divertiu aqui?” Alarmou a loirinha, que começou a se cheirar procurando o tal aroma, respirando aliviada ao ouvir Jungkook justificar, mesmo que não fosse a verdade.

 

“Noona tava dançando comigo ontem… deve ser isso.” Jimin concordou, agradecendo aos céus e à ingenuidade do mais novo, que pareceu satisfazer a dúvida do ruivo, que a beijou de novo, desta vez a abraçando forte antes de sussurrar para que só ela ouvisse que se precisar conversar tô aqui, viu? E anunciar que iria ajudar o boxeador. Jimin sabia que o capoeirista deveria estar achando que a garota estava se sentindo mal pelas demonstrações do outro casal, mas surpreendentemente ela mal se importava, tamanha imersão nas lembranças de Tae.

 

“Você tem certeza que não quer nada com ele?” Jungkook questionou, sentando para tomar o próprio café enquanto pensava o quanto os dois amigos podiam dar certo. O jeito descomplicado dos dois eram muito parecidos. “Vocês ficam lindos juntos.” Acrescentou, mas Jimin balançou a cabeça, roubando a xícara do dongsaeng e dando um gole no café apenas para provar. Lembrou do café que tomara mais cedo e dos resquícios dele na boca mais bonita que a sua já provou e de repente o café de Jungkook pareceu amargo.

 

“Eu ia endoidar na primeira vez que tivesse que brigar com outra menina pra ficar com ele.” Ela riu, embora fosse verdade. “Além disso, eu sempre enxerguei ele como irmão mais velho mesmo.”

 

“Você já me disse que vê como o irmão mais novo.” Jungkook acusou, deixando implícito a hipocrisia da baixinha de acordo com o que já haviam feito, mesmo que na brincadeira.

 

Ela não mordeu a isca, ignorando o comentário antes de perguntar.

 

“Mas e aí? Como foi a noite?” Ela sabia que havia sido boa pela quantidade de barulho, mas apesar de ainda se sentir um pouquinho mal pelo que sentia, tinha curiosidade de ouvir da boca do dongsaeng.

 

“Foi… ah, Noona, não sei descrever.” O garoto sabia provocar as pessoas sem corar, mas em momentos como aquele se parecia muito com uma criancinha, gaguejando e tudo. “Foi incrível, mas eu não consegui fazer nem metade do que eu achei que faria.” Jimin sorriu com carinho, pensando em perguntar se estava no plano tatuar Yoongi com chupões, mas desistindo ao ver a aflição de Jungkook.

 

“E o que você queria?”

 

Jungkook parou um pouquinho pra pensar, realmente se questionar o que esperava daquela primeira vez.

 

“Eu só…” Escolheu bem as palavras. “Eu sempre achei que ele seria diferente, sabe? Ele sempre me tratou com aquela frieza toda, sempre me colocou no meu lugar.” Viu a Noona ameaçar sorrir e semicerrou os olhos em aviso. “E isso… me excitava um pouquinho? Enfim, ontem foi bem diferente, ele me tratou com tanto cuidado.”

 

“Basicamente você queria que ele te fizesse de vadia na cama.” Jimin resumiu, finalmente rindo ao ver o menino ficar roxo de vergonha e assentir que sim. “Kookie, agora que ele descobriu que gosta de você , não vai te tratar de qualquer jeito, nem pegar pesado com você.”

 

“Mas e se eu quiser que ele pegue?” Jungkook tinha um bico adorável e a Noona sentiu vontade de apertar suas bochechas. Ela entendia bem como era amolecer diante do jeito firme de Yoongi, mas sabia também que o amigo era completamente carinhoso com aqueles que gostava. “Enquanto você estava com a gente na festa, tudo estava indo do jeito certo.” Viu Jimin torcer as mãos, meio agoniada com o assunto.

 

“É porque nesse trio você é a inexperiência, ele a sabedoria e eu sou o fogo.” Ela brincou pra disfarçar, piscando sedutora. “Mas você já tentou conversar sobre isso? Pedir pra ele agir diferente?”

 

“E como é que alguém pede isso?” O garoto parecia torturado, e embora Jimin quisesse muito ajudar, não havia como ensinar certas coisas.

 

“Sei lá, bebê. Você pode simplesmente falar? Ou talvez mostrar pra ele. Você é esperto, certeza que consegue.” Ela levantou, dando o papo com finalizado. Sentia-se egoísta por negar ajuda, mas pela primeira vez iria se proteger daquele sentimento que a envolvia quando ajudava o mais novo a conseguir algo que ela sempre quis e lhe foi negado. “Aliás, sobre aquele outro assunto, você tem certeza que quer fazer?”

 

Jungkook assentiu, um tanto pensativo.

 

“O outro assunto” foi algo que os dois haviam conversado há semanas, combinando entre si para poder realizar quando Jungkook se sentisse mais confiante. Jimin havia comentado com o dongsaeng que este deveria tentar recuperar seus pertences na sua antiga casa, especificamente seus documentos, uma vez que nunca recuperara os seus depois que fora abandonada e tivera que tirar todos novamente com a ajuda da influência do pai de Yoongi com algumas pessoas influentes, e ambos decidiram que fariam isto o mais rápido possível, antes que sua mãe desse fim em tudo.

 

Com isso, momentos depois, Jungkook se encontrou ligando para Seokjin, uma vez que sua mãe já havia se mudado da sua antiga casa para se manter longe do ex-marido. Só não esperava ouvir aquela notícia.

 

“Você tem que vir ainda hoje, Kookie. Estamos aqui recolhendo as últimas caixas da mudança. Depois disso, você vai ter que viajar pra conseguir pegar.”

 

Jungkook não estava pronto.

 

Mas se fosse esperar mais por aquilo, nunca estaria de fato.

 

“Estarei aí daqui a pouco.”

 


Notas Finais


<3 <3 <3


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