1. Spirit Fanfics >
  2. Knots (Fabrizio Moretti) >
  3. Presos no elevador.

História Knots (Fabrizio Moretti) - Capítulo 1


Escrita por: strokiszka

Notas do Autor


e aqui estou eu, com uma fanfic sem atualização, com uma short fic parada, cheia de ideias para novas fanfics, trazendo uma one shot com o meu amor da vez... ah, little fabrizio!!! como eu faço pra não ser apaixonada por ele? NAO TEM COMO!!!!
pois bem, eu comecei a ouvir the strokes recentemente e me apaixonei por alguns integrantes, é claro. e quando descobri que a @davexgrohl também tinha crush no fab, surtei né! e como eu gosto muito dela, e queria escrever algo com ele, decidi fazer essa one shot dedicada a ela! afinal, eu escrevi isso baseado no sonho que ela teve com o dave grohl kkkkkkkkkkkkk mas enfim, eu não sei se muita gente vai ler isso daqui, mas, quem ler, eu espero que goste muito!
E ESPERO QUE VOCE FIQUE MUITO BOIOLINHA COM ISSO DAQUI, MARIA <3 <3 <3

Capítulo 1 - Presos no elevador.


Fanfic / Fanfiction Knots (Fabrizio Moretti) - Capítulo 1 - Presos no elevador.

Eram por volta das oito horas de uma noite qualquer de outono. Victoria voltava para casa em passos curtos e preguiçosos, deixando os pés arrastarem no chão, vez ou outra passando por cima das amarronzadas folhas, sem intenção. O vento gélido que soprava em seu corpo a arrepiava, no entanto, ela não sabia dizer se o calafrio era provindo do sopro frio do clima ou dos seus pensamentos mais quentes.

Sentindo seu peito arder de emoção, ela suspirou e olhou para o céu, vendo a lua brilhando mas escondida atrás de algumas nuvens. Se alguém visse a jovem naquele momento, poderia dizer que ela estava parecendo com o satélite: brilhante, tão feliz por dentro que, mesmo que ela tentasse passar despercebida pelos outros, seria impossível para eles não se sentirem atraídos pela luz e energia misteriosa que ela derramava. Não que Victoria fosse do tipo misteriosa, escondendo parte de si apenas para instigar a curiosidade dos outros, afinal, ela era espontânea e aberta demais para tal coisa, no entanto, o sonho que ela acabara de ter dormindo no ônibus, era como um segredo. Um segredo brilhante e pesado que ela tentava esconder, mas era impossível. Todo o seu corpo estava sincronizado, o que fazia até seu dedão do pé suspirar de amores por Fabrizio, o vizinho bonito e talentoso da jovem, motivo de seus sorrisos fugazes e tímidos para o nada.

A jovem mulher ajeitou a mochila nas costas e empurrou a porta que dava acesso à portaria do prédio, entrando e indo até o elevador. Parou de frente a ele, esperando-o chegar. Aproveitou e olhou em volta, constatando que estava só; nem o porteiro estava ali. De repente, sentiu todo o seu corpo inflamar, imaginando como seria irônico se o destino a fizesse pegar o elevador no mesmo instante em que Fab. Logo em seguida, sorriu em e balançou a cabeça, envergonhada dos próprios desejos. Levantou o rosto sorridente assim que o apito do elevador soou e suas portas metálicas se abriram para a jovem entrar.

Dentro do claustrofóbico cubículo de aço, ela esticou minimamente o braço para apertar o botão do número dez, mas, assim que o fez, ouviu um grito.

— ESPERA, ESPERA, ESPERA!

Assustada, Victoria olhou para fora e viu Fab correndo pelas portas de vidro da entrada, em direção ao elevador que se fechava. Sentindo seu coração acelerado, ela olhou para os lados e rapidamente decidiu apertar o botão do térreo, para que as portas não se fechassem, contudo, não estava dando certo. Fabrizio foi mais rápido e para o susto da jovem, ele entrou no elevador bem quando as portas estavam quase se fechando, o que resultou no moreno preso, parte do corpo dentro do elevador e parte de fora. Victoria arregalou levemente os olhos e começou a apertar o botão do andar em que estavam desesperadamente, sentindo seu corpo tremer por dentro graças a adrenalina. Lentamente, as portas foram se abrindo e Fab fazendo força para que o processo fosse mais rápido. Ele finalmente entrou no elevador.

O moreno estava ofegante, segurando fortemente uma folha na mão esquerda, que obviamente estava amassada aquela altura. Seu rosto brilhava minimamente graças ao tímido suor que surgia na região da testa, realçando o vermelho das bochechas.

Vic, apesar de estar tímida, não pode deixar de externar sua preocupação.

— Você tá bem? — indagou ao rapaz, lançando um olhar fugaz para ele, mas logo desviando para o painel onde seu dedo apertou o botão do décimo andar.

O mínimo silêncio que sucedeu depois disso fez a morena questionar se sua voz tinha saído trêmula, expondo seu inquietamente por dentro.

— Tô, tô bem. — ele respondeu, balançando a cabeça enquanto via as portas se fechando e puxava o ar para se recuperar. — Só acabei amassando a droga do desenho. — disse com o seu habitual tom de voz calmo, e então amassou a folha de papel, colocando-a no bolso da jaqueta jeans, onde ele escondeu suas mãos. Não demorou para se achar um idiota por ter dito aquilo, julgou que ela não fosse querer saber, tinha apenas perguntado se ele estava bem.

O elevador começou a subir lentamente e Vic mordeu o lábio inferior para controlar a vontade de sorrir. Não bastando o sonho erótico e romântico que tivera com ele bons minutos atrás, seus pensamentos tinham também que se realizar.

— Obrigado. — Fab agradeceu depois de alguns segundos, olhando timidamente para a morena. — E desculpa pelo susto, eu... tava com pressa. — ele deu um sorriso que cativou a jovem a fazer o mesmo, já que ela não sabia o que responder. Na verdade, estava tímida demais para isso, afinal, quem não ficaria tímida ao estar lado a lado com o cara que se é a fim, num apertado elevador, sexta feira a noite?

Constantemente Fabrizio e Victoria se esbarravam pelo prédio, o fato de serem vizinhos de porta praticamente tornando isso uma lei. Porém, suas conversas nunca eram longas ou sérias, não passando de sorrisos e murmúrios baixos. Ambos eram tímidos e partilhavam do sentimento de interesse um pelo outro, verdadeiramente pensando que não adiantaria expor aquilo, já que seus lados inseguros faziam com que eles achassem que não tinham chances. Estavam totalmente errados.

Para a morena, não tinha nada pior do que subir dez andares com uma pessoa no elevador, pois a falta de assunto e o silêncio desconfortável a deixavam ansiosa. Contudo, com Fab, o nervosismo tinha uma face diferente. Todas as vezes que ficava sozinha com ele, perdia o controle de seus pensamentos e corpo. Logo começava a sentir seu coração bater agressivamente no peito, tão forte que fazia a roupa na altura de seu peito tremer. A pulsação forte em seu ouvido a desorientava, e junto com o frio na barriga, essas sensações faziam sua respiração tornar-se curta e rápida, quase como se estivesse correndo. E a maior preocupação dela era: aparentar estar normal. Mas claramente ela não conseguia, e sabia bem que Fab perceberia o clima "pesado" que estava no local. Porém, por estar sempre tão preocupada com as suas reações, raramente Victoria percebia que Fabrizio estava tão nervoso quanto ela. O rapaz automaticamente escondia as mãos suadas nos bolsos das calças ou jaquetas, pois caso não o fizesse, seria capaz de batucar nas paredes do elevador ou começar a esfregá-las nas roupas ou mexer em seu cabelo, se coçar, entre outras reações advindas do nervosismo.

E era exatamente assim que os dois estavam naquele exato momento.

Para Fabrizio, Vic não repararia nele. Normalmente ela aparentava ser uma garota séria, caseira e na sua, não dando a mínima para garotos como ele; que tocavam em uma banda, não tinham um emprego e claramente eram idiotas. Já ela imaginava que ele não fosse ligar para ela justamente por ser do jeito que era.

Juntando todas essas questões, eles nunca conseguiam de fato encarar um ao outro e conversar normalmente, no entanto, o destino quis dar uma ajudinha naquele dia, e foi o que ele muito bem sucedidamente fez.

Chegando ao oitavo andar, estranhamente o elevador deu um tranco; foi a sensação parecida de estar sendo segurada por uma corda, descendo, mas de repente ser puxada de volta para cima violentamente, o corpo quicando junto com essa mesma corda. Os dois jovens rapidamente se alarmaram, e logo em seguida ficaram no breu; o elevador parou, a luz apagou.

— Ah não... — Victoria murmurou, agarrando as alças da mochila. Se tinha algo com o qual ela não sonhava era ficar presa dentro de um elevador ridiculamente minúsculo. Às vezes, apenas imaginando aquela possibilidade, ela sentia seus pulmões se fecharem como se estivesse prestes a ter um ataque claustrofóbico, portanto, vivenciando aquilo, seria meio difícil não ter um.

A luz de emergência rapidamente foi acionada, iluminando o pequeno cubículo com menos intensidade.

— Sabe em que andar a gente tá? — Fab perguntou tranquilamente, nada afetado pela situação, indo em direção ao painel de botões e apertando um que interfonava para a portaria.

— Acho que o Jack não tá lá embaixo. — ela avisou de maneira repentina, percebendo que o baterista tentava se comunicar com o porteiro.

Fab olhou para a garota por cima dos ombros e depois retornou a posição inicial, deixando a cabeça pender para o chão enquanto apoiava a mão direita no painel.

— Droga... — resmungou, voltando para seu lugar inicial e sentando-se no chão. Ele não se importava de estar preso ali com a vizinha, a única coisa que o incomodava era saber que precisaria ficar parado por um tempo, o que ele não conseguia.

Victoria, tentando ao máximo não entrar na espiral de pânico por estar presa ali, o imitou, tirando a mochila das costas e colocando no meio das pernas cruzadas, seu joelho direito encostando no de Fab, o lugar apertado não lhes dava um espaço confortável, sendo inevitável ficar perto um do outro. Ela fechou os olhos, encostou a cabeça no aço da parede e soltou um longo suspiro, tentando manter sua mente vazia, caso contrário, em pouco tempo poderia dar margem a seus pensamentos, começando a imaginar as paredes diminuindo, tornando o lugar cada vez mais apertado de forma que despertaria em si o desespero para sair, o que a faria bater em tudo até provavelmente desmaiar de tanta agonia. Não eram coisas agradáveis de se pensar.

Fab sentiu a perna dela começar a balançar e tomou consciência de que a situação estava a afetando de forma ruim.

— Você tá legal? — foi a vez do baterista indagar. Sua voz soou mais baixa que o normal, não queria parecer insensível ou algo do tipo.

Vic abriu os olhos e encontrou o moreno a olhando com a cabeça pendida para frente do corpo, virada em sua direção. Os olhos castanhos estavam curiosos, mas algo neles, e na forma como Fab fez a pergunta, externou uma preocupação genuína em seu ato, e não apenas uma simples preocupação obrigatória, que qualquer outra pessoa sentiria-se compelida a ter por estar no mesmo ambiente que uma pessoa na situação de Victoria.

— Não se preocupa... — ela limitou-se a dizer, deixando seus lábios esticaram-se numa fina linha, transformado em um pequeno sorriso. Fab notou como suas maças das bochechas inflaram-se minimamente, e como os músculos ao redor dos olhos reagiram a ação de sorrir. Era um sorriso verdadeiro, ele sabia, mesmo que tímido. Vic tinha ficado tocada pela preocupação dele.

De repente, uma excitação tomou conta de todo o corpo de Fabrizio; ele tinha, ele queria, fazer a jovem de cabelos longos sentir-se mais relaxada. De forma estabanada, ele começou a explorar os bolsos traseiros da calça.

— Eu tenho cigarro... não sei se você fuma, mas pode te ajudar... — começou, tirando chaves, papéis de balas e moedas do bolso, atrás do cigarro. Sentindo que ainda tinham algumas coisas ali, ele decidiu tirar tudo de uma vez e quase xingou alto de vergonha quando a camisinha caiu no chão de elevador junto com o cigarro, isqueiro e outras sujeiras vindas do bolso. O moreno catou o preservativo rapidamente, sentindo-se um tarado, e Vic não conseguiu evitar a risada; uma parte sua estava rindo por realmente ter achado graça, enquanto a outra riu de nervoso por ter imaginado que eles poderiam facilmente transar ali dentro. — Desculpa... — ele murmurou, sorrindo e passando as mãos pelo rosto para disfarçar o constrangimento. — Não sou um tarado, ok? — ele se explicou apenas para descontrair a situação.

Victoria riu novamente, não podendo evitar de suspirar por ver Fab encostado com a cabeça na parede, a mesma pendida para seu lado, sorrindo lindamente com o rosto vermelho. O rapaz, no entanto, não deixou o brilho no olhar dela escapar de sua percepção.

— Tá tudo bem, Fab. — ela o acalmou, surpresa por perceber que momentaneamente esqueceu da situação em que estavam. — Eu não fumo, não... mas eu fico muito feliz pela sua preocupação. — disse, sincera, sentindo todo o seu estômago revirar por conta do olhar fixo que o moreno lançava para ela.

– Ah, ok então. — ele deu de ombros, catando os objetos. — Sabe... — começou, tendo em mente sobre o que iria falar, contudo, voltou atrás. — Não, deixa pra lá.

— Não, pode falar.

— Não, tô com medo de falar e... sei lá... — ele novamente deu de ombros, olhando para cima com um sorriso bobo no rosto. — Vomitar outra camisinha, talvez... — fechou os olhos e riu, os mesmos se espremendo.

— Isso seria estranho. — Vic comentou, rindo e internamente surtando com a tamanha fofura que o rapaz exalava.

— Tá, tá... — ele foi gradativamente parando de sorrir, ao mesmo tempo que mexia no bolso da calça, terminando de colocar os objetos de volta. — É só que... — ele suspirou, cruzando as mãos no colo e fitando a porta do elevador — eu acho... engraçado, que a gente só tenha se falado realmente hoje... — virou a cabeça na direção de Vic, que precisou se controlar para não sorrir.

— Em parte é culpa da minha timidez, acho... — ela disse, coçando a cabeça.

— Das nossas... — ele corrigiu, começando a tamborilar os dedos nas pernas. Em seguida, levantou o olhar e o focou na blusa de Victoria.

De início, ela se assustou ao pensar na possibilidade de o moreno estar olhando na direção de seus seios. Aquela possibilidade fez seu coração quase sair pela boca, os fortes batimentos fazendo com que um calor subisse por seu pescoço indo na direção do rosto.

— Você gosta de Beatles? — Fab perguntou, voltando a encarar o chão. Vic olhou para ele e viu seus lindos cachos caindo e tapando seus olhos. Sentiu vontade de tocar neles, contudo, era obrigada a se conter. — Você gosta? — ele questionou novamente, deixando uma pequena risada escapar de sua boca por estar sendo observado tão de perto por ela.

Victoria, abriu e fechou a boca, sem jeito, não sabendo o que responder. Não esperava que ele fosse perguntar aquilo, e mesmo não achando nada demais, sentiu vontade de morrer apenas para tirar aquela sensação de ansiedade e nervosismo, tão gostosas e agonizantes, quando fitava ele.

— Ah, olha, eu acho eles lindos... Fofos... — deu uma risada, balançando a cabeça com os olhos fechados. — Sempre achei esse tipo de cabelo muito lindo.

Fab, segurando um sorriso, entortou a cabeça, lançando um olhar confuso para a morena.

— O que você tá falando?! — indagou, seu tom de voz soando divertido.

Ela ficou levemente séria, estranhando a pergunta dele.

— Do seu cabelo... — respondeu cuidadosamente, cerrando os olhos. — Não foi isso que você perguntou se eu gostava? — ela rebateu, já sentindo toda a vergonha do mundo invadir suas entranhas, imaginando que provavelmente tinha falado besteira por entender a real pergunta dele errado.

Fab deixou a risada escapar e balançou a cabeça negativamente, os cachos definidos balançando em sua testa. Ele sabia que não era algo tão engraçado, mas estava tão nervoso que poderia rir de tudo.

— Eu perguntei se você gosta de Beatles.

Vic abriu levemente a boca e cobriu o rosto com as mãos, começando a rir, morrendo de constrangimento. Aos poucos a risada foi virando uma leve gargalhada.

— Desculpa... — ela pediu, cobrindo a boca com as mãos, ainda rindo. — Eu pensei que você tivesse perguntado se eu gostava do seu cabelo, porque me viu olhando pra ele! — explicou, não acreditando na sua lerdeza. — Meu Deus, que vergonha! — sem conseguir parar de rir, Vic olhou para cima como se realmente estivesse falando com alguém e depois voltou a cobrir a rosto.

— Não, não fica com vergonha! — Fab tentou acalma-la, ousando pegar a mão dela e afastar do rosto, ambos ainda rindo um do outro, conseguindo disfarçar extremamente bem o impacto que as mãos se tocando trouxe para cada um. — Eu nem sei porque tô rindo tanto, tô parecendo um maldito idiota! Mas é porque eu tô meio nervoso... E não chapado, ok?

— Tá... — ela balançou a cabeça afirmativamente, finalmente conseguindo se acalmar. — E sim, eu gosto de Beatles. — respondeu a pergunta, mal acreditando que estava finalmente conseguindo manter contato visual com Fabrizio, mesmo que aquilo estivesse exigindo muito dela, em sua opinião.

Naquele breve momento, Victoria sentiu que poderia ser capaz de escrever páginas e páginas discorrendo sobre o quão lindo, fofo, sorridente, simpático, adorável, perfeito Fabrizio Moretti era. Seu coração até doeu quando seus olhos e as orbes castanhas dele sincronizaram-se. Sua mão ainda estava sendo segurada pela dele, o que significava que ele estava sentindo o quão molhadas elas estavam.

Fab, naquele instante, sentia-se quase enfeitiçado. Toda a sua insegurança, vergonha e timidez sumiram, dando espaço para a admiração. Ele ficou parado, segurando a delicada mão de Victoria contra a sua, olhando para ela como se estivesse a enxergando pela primeira vez, vendo além de apenas um interesse físico. Deixou seus olhos caírem para a boca rosada da jovem, permitindo-se desejar provar daqueles lábios, sem importar-se que ela provavelmente estava lendo suas intenções.

Vendo como Fab a fitava; de maneira séria, fixa e penetrante, Victoria estremeceu visivelmente. Uma carga agressiva de adrenalina correu por todo o seu corpo como um trovão que acendeu e arrebentou tudo em sua corrente sanguínea, acendendo nela o desejo já existente no rapaz. Quando os olhos dele pousaram em sua boca, todas as borboletas no estômago dela caíram para um nível mais baixo, dando a ela a sensação de estar num lugar alto e pular de repente, sendo acometida pela sensação de vácuo na região do ventre. O frio em sua barriga era tanto que sua vontade era deitar naquele chão e agarrar sua barriga em posição fetal para aliviar.

— Eu quero te beijar... tem muito tempo. — Fab murmurou e Victoria jurou que podia desmaiar naquele instante. A voz dele parecia mais grave ou era apenas impressão sua? Não sabia dizer, só conseguia se concentrar na forte influência dele sobre seu corpo; um fogo subiu de sua região íntima até seu rosto. Sentiu-se patética ao notar que já estava molhada, desejando-o fortemente.

— Então por que não beija? — se a morena estivesse ""sóbria"", não diria aquilo, contudo, ver aquele rosto levemente anguloso, aqueles lábios finos e rosados, os olhos castanhos convidativos tão de perto a fizeram mandar suas amarras para longe.

Normalmente, Fab ficaria chocado com a resposta da morena, justamente por ver e saber que ela era tímida, no entanto, naquele instante, ele não queria saber de nada. Passou tanto tempo imaginando como chegaria nela, acreditando que não tinha chances, que obviamente não deixaria aquela oportunidade única passar.

Sem mais delongas, ele largou a mão da garota e enfiou as suas na nuca dela. Nem teve tempo de parar para admirar as expressões dela; faminto e desesperado, ele uniu os lábios. De início, Victoria ficou paralisada. Sonhou tantas vezes com aquele acontecimento que era difícil acreditar que estava realmente sentindo os lábios úmidos do rapaz contra os seus. Quando o choque inicial passou, a morena enfiou seus dedos entre os maravilhosos cachos e o beijou de volta, sentindo como se seu coração fosse explodir de tamanha felicidade e realização.

Logo começaram a mexer seus lábios com cuidado, como se avançar as coisas pudesse estragar o momento de exploração, como se fosse atrapalhar para sentirem a maciez das bocas, os narizes roçando de maneira fugaz nos rostos. Fab, delicadamente, acariciou toda a nuca da garota com as mãos, enquanto a mesma sentia na ponta dos dedos a textura dos cachos tão definidos. Ela sempre se perguntava como um cabelo poderia ser tão lindo, mesmo quando o dono dele não usava nada além de shampoo.

Mesmo que estivessem se beijando, o carinho e tranquilidade que os dois sentiam no momento poderiam ser comparados à sensação de se estar quase adormecendo. Contudo, isso não durou por muito tempo.

O baterista foi quem tomou a iniciativa para avançar as coisas, puxando o rosto da jovem contra o seu, logo pedindo passagem com a língua. Queria senti-la de verdade. Quase gemeu ao sentir a umidade e quentura da boca alheia, boca daquela com quem ele vinha tendo tantos sonhos acordado. Não demorou em explorar o novo território, sentindo todo o seu corpo reagir à excitação de se estar conhecendo algo pela primeira vez.

Victoria, por outro lado, sentia como se estivesse sendo beijada pela primeira vez, sendo tomada pela euforia, nervosismo e excitação, tudo de uma vez. Sentir a língua dele contra a sua deu a ela a sensação de ter uma pequena corrente elétrica passando do seu órgão para o dele. Sentiu vontade de rir ao constatar que o beijo do baterista tinha gosto de Coca-Cola. E não achou ruim, apenas inusitado. Inconscientemente, enquanto se deixava levar pelo ritmo dele, aproveitava para acariciar o rosto, o pescoço, a nuca dele, os braços, concentrada em aproveitar ao máximo aquela sensação.

Fab, desejando senti-la mais perto, a puxou contra si, os dois ficando mais próximos que antes, contudo, o fato de estarem sentados atrapalhava o desejo de sentir os corpo quase grudados de acontecer. Levou sua mão até a cintura dela, apertando-a por cima do tecido da blusa, suspirando conforme o beijo ia tomando um ritmo mais desesperado, como se apenas beijar não estivesse sendo o suficiente.

A jovem não pode evitar sentir-se surpresa. Fabrizio a beijava com tanta voracidade, que seu corpo inteiro piscava como os piscas-piscas da época do natal, e pode jurar que quase derreteu quando os dedos dele puxaram uma quantidade generosa de cabelos de sua nuca, o ato fazendo todos os seus pelos se eriçarem. Ela ouvia os suspiros que ele soltava contra seus lábios, e sentia-se excitada e nervosa, pois imaginava que o mesmo estivesse controlando-se e de alguma forma tentando por para fora toda a sua vontade de agarrá-la e avançar as coisas de forma verdadeiramente intensas. Afinal, ele tinha uma camisinha ali, ela recordou-se.

O moreno, sem fôlego, afastou minimante a boca dos lábios de Victoria, mordendo-os de maneira lenta e dolorosamente gostosa. A garota arfou, apertando a blusa dele contra seus dedos, sentindo seus cabelos sendo puxados minimamente, de novo. De repente, aquele elevador pareceu quente e pequeno demais.

Para a infelicidade de ambos, o elevador deu um tranco, e rapidamente a sensação de se estar subindo voltou, o que significava que ele tinha voltado ao normal, e não demoraria mais que alguns segundos para estarem em seus andares.

Com as testas grudadas e olhos fechados, eles acordaram para a “vida real”, suas pálpebras se abrindo quase ao mesmo tempo. E só então, Vic pareceu perceber o que tinha acontecido; não tinha sido um sonho, tinha sido assustadoramente real. Suas bochechas esquentaram e ela se afastou, vendo Fab a fita-la com um sorriso indecifrável no rosto. Sem pensar muito, rapidamente sendo consumida pela timidez, ela agarrou sua mochila e se levantou, vendo as portas metálicas se abrirem. Não demorou para sair dali e correr para dentro de casa.

Fab, como sempre muito racional, entendeu que ela estava sendo arrebatada pela intensidade da situação, portanto, era de se imaginar que fosse ter alguma reação impulsiva como aquela. E ele não ligava, estava feliz e bobo demais para se importar ou ficar inseguro sobre aquilo.

Quando bateu a porta do apartamento, a morena deixou seu corpo escorregar contra a madeira compensada, um sorriso apaixonado tomando conta de todo o seu rosto. Nunca, nunca imaginara que pudesse ter uma chance daquelas com Fabrizio, muito menos beijá-lo daquela maneira. Contudo, o que mais a deixava atônita era saber que sim, todos os seus sentimentos também eram correspondidos, o baterista sendo tão tímido quanto ela para expor aquilo. Seu coração batia tão depressa que ela jurava estar sentindo seu corpo mover-se por conta das batidas, porém, não se importava, ela estava no céu, desacreditada, curtindo todo aquele sentimento de fantasia pós-desejo realizado.

Depois de dar longos suspiros e repassar todos os mínimos detalhes em sua cabeça, a morena correu para o banheiro e tomou um banho demorado, deixando toda aquela tensão do dia acumulada em seu corpo ir embora junto com a espuma do sabonete. Ao terminar, vestiu um pijama confortável e parou em frente ao espelho, observando seu reflexo enquanto penteava os longos cabelos.

Estranhamente, ela não conseguia encarar seu próprio reflexo, já que sabia bem, quando fizesse isso, veria toda a sua emoção desenhada em seu rosto, assim como a vergonha por ter saído de elevador daquela maneira, como se fugisse. Quando começou a se questionar se Fabrizio falaria com ela depois do beijo, ou se eles teriam outra chance, ouviu batidas em sua porta. Tranquilamente, deixou o pente em cima da pia e foi andando até a origem do som, imaginando que fosse sua amiga, com quem dividia o apartamento, no entanto...

— Fab? — perguntou, nem tentando disfarçar a surpresa que a acometeu ao vê-lo parado ali, vestido com uma calça jeans surrada, uma blusa vermelha da Coca-Cola e com os cabelos molhados, os cachos caindo bem acima dos olhos. O moreno apoiou a mão direita na parede e sorriu, olhando para o chão e depois olhando-a.

— Onde foi que a gente parou mesmo?

 

E daí, vocês já imaginam onde tudo terminou...

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...