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História Know You Better - Capítulo 8


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Capítulo 8 - Sua lealdade é seu pior defeito, rapaz.


Fanfic / Fanfiction Know You Better - Capítulo 8 - Sua lealdade é seu pior defeito, rapaz.


Líbano 
Aproximadamente um mês atrás...
12h57min A.M

Destravo a porta metálica do convés superior, e sinto o cheiro forte exalar por todo o cômodo. Viver dentro de um navio de guerra não era nem de longe um lugar agradável e muito menos confortável. O cheiro constante de mofo, o frio congelante durante a noite e a água gelada no lavabo inferior me faziam sentir uma falta imensa de casa.

Abro espaço para Charles que passa por mim no pequeno espaço cúbico, caminhando em direção à cadeira da escrivaninha amarronzada estabelecendo seu corpo robusto ali.

— Como você está se sentindo? — digo, arrumando meu uniforme para dentro da gaveta envelhecida. Charles balança a cabeça aparentando cansado e empurra os pés descansando-os na mesa da escrivaninha.

— Estou bem. — Ele ajeita as costas na cadeira, balançando casualmente as pernas. — Só estou dolorido nas costas.

— Capitão Mark não pega leve mesmo, hum? — Eu tento sorrir, mas falho terrivelmente.

Esses últimos dias tem sido um tremendo de um inferno para nós, Subalternos do primeiro batalhão da Infantaria. Era um momento de bastante pressão, e todo mundo estava fervendo para conseguir se prover na cadeia de comandos.

O que significava que os marinheiros estavam atropelando uns aos outros para conseguir subir na hierarquia da Marinha. Era tudo uma loucura.

— Quem dera fosse apenas o Mark no meu pé. — Charles descruza os braços e retira um bilhete do bolso acochado de sua calça militar entregando-o para mim. — O Oficial Bruce quer que eu compareça ás cinco da manhã para especificações. — Eu franzi meu cenho. Especificações? Vindo de Bruce poderia ser qualquer coisa, menos isso. Charles bate a palma na perna esquerda com o semblante indignado. — Eu não sou idiota, cara. Ele quer que eu entre no jogo sujo dele, mas não vou fazer isso. Não de novo.

— O que você vai fazer? — Sem muito o que dizer, devolvo o bilhete para Charles. O homem de pele escura sentado na cadeira, prontamente se levanta e caminha até sua cama forrada do outro lado do cômodo e apanha uma mochila perfeitamente arrumada de baixo do colchão.

Inesperadamente, um incômodo me atinge em cheio, queimando no meu peito. Eu havia me esquecido que Charles estava com as malas prontas para ir embora e que em breve partiria. 

Disparadamente, eu me sentia com mais saudades de casa do que nunca.

— Bem, eu vou tomar um bom gole de café e ir. — Ele suspira pesadamente. — De qualquer forma, quais opções eu tenho? — Eu odiava esse cenário. Porque eu sabia que essa época era a brecha perfeita para que narcisistas como Bruce pudessem agir como bem quisessem sem ter nenhum dos seus superiores em sua cola. 

Charles retira uma cláusula do bolso de fora da mala esfarrapada e sinaliza com ela em suas mãos. Eu tinha uma breve noção que esses papéis eram sobre um acordo de paternidade e que em breve, Charles estaria em casa junto com sua esposa, Silena, prestes a dar à luz ao seu segundo filho. 

— Enquanto eu tiver isso aqui, nada disso importa. Eu vou estar em casa daqui a cinco dias, e você não tem ideia do quanto estou aliviado.

— Eu imagino. — Eu imaginava a ansiedade de estar de volta para casa em breve e longe dessa loucura toda. E isso era o que eu mais gostaria de poder fazer agora. Definitivamente. Estar com a minha família, Deus, como eu sentia saudades de Chloe. E como eu sentia falta de Annabeth, mesmo que estivéssemos mais distantes do que nunca. 

Mesmo que ela não estivesse me ligando mais como costumava fazer ou que não estivesse mais atendendo umas ligações minhas, meu cérebro persistia em continuar invadindo meus pensamentos com imagens dela, me acertando em cheio. Eu engulo seco e Charles parece me analisar quando nota a expressão alheia em meu rosto.

— Não se preocupe. Vou torcer para que você vá para casa em breve também.

— Só não torça demais. — Eu murmuro desajeitado e escuto a risada alta de Charles quando percebe o que eu realmente quis dizer.

— Cara, agora eu realmente quero que você volte pra sua casa logo. Você tem que se ajeitar com sua esposa, quem sabe vocês não trazem mais bebês pra esse mundo?

Eu não sei o que pensar sobre isso.

Uma parte de mim se sente afetada e confusa ao pensar no rumo em que meu relacionamento com Annabeth tomou, mas a outra parte parecia bem interessado no pensamento de ter mais bebês com ela. 

Mas o que eu estou pensando? Eu sabia que vendo como andava nossa relação que a parte dos bebês estava muito longe da nossa realidade.

— Se dependesse de mim, eu já estaria com cinco filhos, Charles. — Eu confesso e ele solta uma gargalhada. Percebo a atmosfera mudar do cômodo para algo mais leve. — Mas ela... é complicado.

— Bem, se ela é definitivamente a mulher com quem você quer passar o resto da sua vida, você deveria parar e pensar sobre isso. — Ele checa o relógio em seu pulso e dá um sorrisinho irônico. — Levantar sua bunda daí e quem sabe, ligar pra ela?

Na real, eu não tinha ideia se a mulher da minha vida gostaria de sequer ouvir a minha voz a essa hora da noite. Mas obrigada pelo conselho, Charles.

Eu rio balançando a cabeça. Mesmo Charles não sabendo da metade da minha história com Annabeth, ele agia como se nós conhecêssemos há milhares de anos. 

Era confortável conversar com ele sobre como eu notava que Chloe ficava cada vez mais esperta toda vez que eu a via. E também, sobre como eu me sentia distante (não só fisicamente) mas emocionalmente de Annabeth e que eu andava com as mãos atadas sem ter ideia do que fazer. 

Charles dava bons conselhos mas alguns eram simplesmente como receber um soco na cara.

— Eu já entendi, Charles. — Levanto os braços simulando uma redenção. Caminhei até a minha cama de aço sentindo ela mais congelante do que nunca. Como eu odeio essas camas. — É melhor você dormir, ou você vai acordar com o humor do cão para lidar com Bruce. — Charles maneia com a cabeça e se levanta rapidamente checando mais uma vez o relógio em seu pulso.

— Tenho uma ligação com Silena agora. Eu já volto.

Eu assisto Charles sair do dormitório e minutos depois minha mente se apaga. Eu adormeço mesmo em meio ao ambiente gelado que, infelizmente, eu havia me acostumado à tempos.

 

(...) 

 

As horas se passam e eu acordo com um barulho estrondoso da porta metálica batendo contra a parede. Duas pessoas adentram o cômodo discutindo. Demoro para assimilar as vozes que soam pelo alojamento e quando eu percebo os rostos familiares de Charles e Bruce, eu imediatamente me sento na cama irritado com a barulheira toda.

— Que merda é essa? — Exclamo alto e só assim os dois uniformizados conseguem se ligar que eu estava ali. 

— Fique fora disso, Jackson. — Bruce avisa prontamente como se eu fosse a porcaria de um nada e volta a olhar para Charles com o olhar absurdo de sempre. — Você não tem escolhas aqui, Beckendorf. Vai fazer o que caralho eu quiser que faça e se-

— Não, eu acho que você não me escutou direito. — Charles se aproxima para mais perto de Bruce e aponta o dedo em seu rosto. Eu já sabia que nada de bom sairia daquela briga — Eu não vou fazer merda nenhuma para você. Agora vaza daqui. — Eu suspiro passando as mãos pelo meu cabelo curto. 

Mas que diabos está acontecendo.

Como se tivesse mudado de personalidade em questão de segundos, Bruce arruma sua postura e levanta os braços em um sinal de rendição olhando para Charles com sarcasmo estampado no seu rosto pálido e arcaico. Mesmo que ele tentasse não demostrar, estava nitidamente ali, estampado em seu rosto cínico e desprezível. 

— Está bem. Está bem. — Ele assente devasso caminhando no espaço minúsculo do dormitório passando pela cômoda amarronzada avançando em direção a minha estante. Ele enruga a testa olhando para algumas fotografias que eu mantinha ali. 

Eu olho para Charles alarmado, o que diabos ele queria agora? 

— Jackson! — Ele exclama quando para em frente a moldura de uma das fotos. — Você nunca me disse que sua mulher era uma tremenda de uma gostosa. — Eu estremeço, minhas mãos se fechando em punho, e eu me levanto tão rápido da cama que quase a levo junto. — Com todo respeito, é claro. — Ele se afasta agilmente quando sente eu chegar perto. Meu olhar rapidamente vaga para a fotografia que Bruce apontou, uma foto minha e de Annabeth na praia anos atrás na primeira e última vez em que havíamos conseguido viajar juntos para a praia. Chloe tinha apenas um ano de idade naquela época. 

Um silêncio se instala no ambiente frio e eu tinha minha atenção toda voltada para Bruce que não parava de analisar a estante e meus itens. E eu fico enfurecido quando ele continua com sua provocação.

— Eu realmente estou impressionado com você, Jackson. Uma mulher daquelas-

— Já chega, porra!

Pronto. Era disso que eu precisava para minha paciência se esgotar de vez. Avanço em cima de Bruce e antes que eu conseguisse chegar nele, Charles estabelece o corpo robusto entre nós.

— Percy, não vale à pena cair na pilha dele. Mantenha a calma. — Charles avisa mas isso não foi o suficiente para eu parar de ferver de raiva. Desde o momento em que chegamos no Líbano, Bruce se demostrou um verdadeiro pé no saco, nos marcando sempre que podia.

Além de que Charles tinha um passado obscuro ao lado de Bruce e pelo pouco que me contou, e pelo o que eu ouvi de outras pessoas era que Bruce armou uma cilada das feias para ele, quando o mesmo era ainda novato na Marinha, sem muita experiência.

Ele se envolveu com umas merdas sem saber, porque Bruce é um tremendo dissimulado e quase conseguiu acabar com a carreira de Charles. Quando viu que não conseguiu, vem atormentando-o desde então. 

Além que Bruce estava envolvido com umas paradas  bem sinistras que ninguém sabia se era verdade ou não. Coisas envolvendo o desaparecimento de outros militares e as acusações que ele recebia das famílias desses oficiais me faziam acreditar que ele era capaz de estar envolvido numa merda dessa. Ele era frio o suficiente para fazer qualquer uma desses crimes.

— Saia daqui, Bruce. 

— Calma aí cara. Já estou de saída. — Bruce caminha até a escrivaninha de Charles e observa os papeis e cartas dispostos ali. — Parece que você vai ganhar uma boa folga, papai. — Bruce resmunga e eu consigo ver sua mente trabalhar, esse cara era estupidamente ligeiro e já estava pensando em outro plano de merda. — Vamos fazer uma troca, que tal? Eu fico fora do seu caminho se você fazer aquilo que eu gentilmente pedi. Caso ao contrário, você vai ficar trancado nesse inferno por muito mais tempo, Beckendorf. 

Bruce finalmente caminha para fora do alojamento e desaparece entre a pequena multidão do corredor barulhento.

Ele era um tremendo de um mentiroso, e só Deus sabe quanto que isso não cheirava bem. Charles estava de mãos atadas e eu não fazia ideia de qual merda Bruce estava tentando empurra-ló dessa vez. Eu me sentia impaciente e frustado por Charles.

— O que ele pediu para você fazer dessa vez, cara? Contrabando? 

— Algo assim. — Charles passa as mãos pelo rosto e eu me sintia terrivelmente angustiado. A saudade de casa e o sentimento de ficar preso nessa porcaria com Bruce me fazia ficar nauseado.
 

Horas depois

Durante a tarde, sou pego de surpresa quando noto uma movimentação esquisita na área superior do navio. Estava caminhando pelo corredor durante o horário de almoço e me estabeleci na borda da cabine quando escutei alguns jovens aspirantes me citarem. 

— É no alojamento de um tal de Jackson e Beckendorf. — O primeiro cara uniformizado fala gesticulando com a mão. O outro cara loiro vestindo o uniforme azul de guarda-marinha suspira preocupado passando as mãos pelos cabelos.  — É só eu entrar e plantar aquela coisa lá. 

— Você sabe o que dizem por aí, cara? Se você entrar nessa bagunça, não há como voltar. — O loiro sussurra alarmado e abaixa o tom de voz quando cita o nome de Bruce. — O Bruce vai te ferrar nessa merda. 

— O dinheiro é fácil. — O primeiro cara de cabelos escuros não parece preocupado quando tira um papel do bolso e mostra para o loiro. — E quando você ver, eu vou graduar para os Subalternos e você vai continuar como a porra de um Aspirante.

— Eu não vou subir de posto, plantando merdas de muambas no alojamento dos outros. — O cara do uniforme de guarda levanta a voz e aponta o dedo para o moreno que guarda o papel no bolso do uniforme branco. O iniciante bate o olho no relógio pendurado na cabine e suspira observando a hora.  — Vamos subir, está na hora do treinamento.

Eles caminham pelo cômodo e seguem em direção a saída, eu me afasto um pouco, fingindo estar andando no corredor e eles finalmente topam comigo na beira da porta. 

— Senhor. — O mais loiro mais jovem faz a continência rotineira e passa tranquilamente por mim em direção ao corredor. Espero o cara do bilhete fazer o mesmo que seu amigo, mas ele apenas me olha redundante evitando a saudação militar. 

Balanço a cabeça e faço questão de trombar com ele quando o mesmo passa por mim na porta. 

— Maluco. — Ele resmunga indiferente finalmente passando por mim e eu fico quase aliviado quando consigo apanhar o papel que estava no bolso de sua camisa quando, acidentalmente, colidimos.


(...) 

 

“Se tiver livre acesso, coloque a muamba dentro. Cabine 78 Superior.” 

Era óbvio que o autor desse bilhete é Bruce. Mas eu fervo de raiva mesmo quando eu consigo assimilar o que ele desejava fazer. Eu estava irado e ele estava fodido. 

Guardo o bilhete no bolso da calça militar e pego minha bolsa no armazém do armamento naval. Charles entra no cômodo alerta e eu simplesmente o ignoro. 

Apanho minha pistola e alguns cartuchos de .44 e caminho até o armário vertical metálico, pego e visto o coldre para a minha pistola e foco em manter minha cabeça no lugar.

Charles esta atento na minha movimentação agitada, e consigo perceber seu rosto alarmante quando ele agarra meu braço ao momento em que atravesso o cômodo em direção a porta.  

— Para onde você vai com tudo isso? — ele sinaliza para a pistola e os cartuchos enquanto as arrumo no coldre. 

— Eu não tenho tempo para explicar agora. — Eu me desvencilho de Charles, mas ele é persistente quanto não querer me deixar sair do cômodo.
 

— O que você está fazendo, cara? — Não estou prestando atenção em Charles, mas sei que ele está bravo por pensar que eu estou me metendo aonde não fui chamado. — É sobre Bruce? Percy, apenas... deixe ele para lá, está bem? Deixe que eu dou um jeito. Você não pode ficar se metendo em toda merda...

— Eu vou colocar um ponto final nisso, Charles. — Abotoo o coldre na minha cintura. — Ou você já se esqueceu que ele vai fazer você ficar aqui, em vez de ir pra casa e ver o nascimento do seu filho? E você sabe disso, então porque caralhos não está fazendo nada? — Acabo dizendo tudo alto compensando toda a raiva que eu sentia dessa situação ferrada em que nós dois nos encontrávamos.

— Percy, você não está entendendo. Se fizermos algo, a gente vai ter muito o que perder. Nós dois temos família, e ele tem o que? A porra de um cachorro? — Eu me sinto pesado como se algo estivesse caído em minhas costas. Mas eu não queria acreditar em Charles. Bruce estragava tudo por ser a merda de um sádico e só Deus sabe que ele teria que passar por mim antes de pensar em algo fodido para fazer contra mim de novo.

 Charles, de qualquer maneira, parece preocupado. 

— Eu sinto muito, mas não posso deixar você sair daqui sem me dizer o que está planejando. Você pode precisar de ajuda e...

— E eu preciso. — Eu digo rapidamente. Apanho às pressas o carregador cheio de cartuchos e o encaixo na arma. — Vá para a cabine e não faça nada até ter sinais de mim. Preciso que confie em mim, está bem? Faça isso e depois conversamos.

Charles resmunga quando percebe que não tem escolha, mesmo que esteja puto comigo agora. 

Mas ele sinaliza com a cabeça se afastando e me dando o livre acesso para eu partir pela porta. Sei que não está nem um pouco feliz em me deixar ir sozinho mas o faz mesmo assim. 

Eu o agradeço no momento em que eu finalmente saio pela porta do armazém de armas e consigo descer em direção ao subsolo do navio.

 

Subsolo do navio | 07h34min P.M.

Eu odiava ficar nesse estrondoso espaço cheio de tranqueiras militares, aqui era definitivamente um dos piores lugares do grande navio. Havia sempre um amontoado de caixas velhas e o cheiro nauseante daqui me lembrava de um porão podre e sujo.

Mas era aqui que Bruce estava, pelo menos foi o que seu colega de alojamento me contou ao ver o quão impaciente eu estava.

Quando finalmente desço as escadas metálicas e consigo ver mesmo através da escuridão, pequenas luzes brancas ao fundo, noto Bruce abaixado no filamento de combustíveis do navio. Vê-lo empurrando alguns barris, me desperta curiosidade e resolvo me esconder atrás das prateleiras empoeiradas antes que ele me avistasse.

Bruce se levanta e passeia as mãos no galpão que continha alguns sacos brancos. Me aproximo devagar atravessando até a outra prateleira da esquerda sem chamar a sua atenção, e consigo ter uma boa visão do que vejo em cima da bancada. 

Vários sacos de pó branco estão bem posicionados em cima de uma bandeja prateada ao lado de uma balança e de uma mochila aberta. Eram drogas prontas para serem entregues. 

Pelo jeito seu contrabando estava indo bem.

Ansioso era como eu me sentia naquele momento, ansioso para acabar com aquilo. De vez por todas. 

Mas antes que eu conseguisse pensar e agir, meus olhos não encontram mais Bruce em lugar nenhum no espaço e decido procura-lo entre as prateleiras do local, mas uma força absurda caí sobre meu corpo e eu sinto uma dor na lombar quando sou terrivelmente empurrado contra parede. Bruce está logo a minha frente, segurando a merda da prateleira que derrubou em cima de mim.

— Você não deveria ter vindo até aqui, Jackson. — O sorriso debochado de Bruce me faz empurrar a prateleira em sua direção mesmo que eu me encontre parcialmente imobilizado. Bruce rapidamente libera uma de suas mãos da prateleira metálica e coloca a mão em cima da pistola no coldre de sua calça. 

E é com essa brecha que eu consigo empurrar a prateleira em sua direção e sair do pequeno espaço em que eu me encontrava. 

Bruce vem logo atrás de mim com uma expressão sinistra que eu nunca tinha visto antes.

Ele consegue me empurrar para a parede e apoiar a pistola contra o meu pescoço. As minhas veias palpitam e minha mão consegue chegar até o coldre da minha calça, mas eu recuo. Um movimento em falso e ele explode minha garganta.

— Estava esperando por Charles vir atrás de mim... mas você? Qual é, Jackson, o que eu fiz para você? — Bruce aperta meu pescoço e me falta ar quando respiro.  — Foi porque eu falei da sua mulher? Ou foi por conta do que eu fiz para Charles? — Seu rosto está impassível e difícil de decifrar. Eu engulo seco sentindo o bocal da arma sendo pressionado na minha garganta. — Sua lealdade é seu pior defeito, rapaz. Ela vai te colocar em uma cova mais cedo do que você imagina.

Minha cabeça pesa com a dor excruciante mas tento ignora-la.

— Você é tão imundo, Bruce. Qual vai ser a mentira você vai contar quando eu te reportar para o oficial Mark onde esconde tanta droga? — A cara dele se contorce e eu me sinto enfurecido quando me lembro de seu jogo repugnante. — Plantar drogas na porra do meu alojamento, Bruce? Era esse seu plano? 

— Como eu disse antes, Jackson. Você não deveria ter vindo aqui. — A última coisa que consigo registrar é a expressão de escárnio em seu rosto pálido. Então, quando ele levanta o braço da minha garganta e bate a coronha da arma violentamente contra a minha cabeça, a escuridão me atinge em cheio e eu imediatamente apago.

Tenho certeza que acordo minutos depois, porque consigo visualizar Bruce de costas, empacotando as drogas enquanto cantarolava alguma música. Eu estava amarrado por uma corda, mas estava determinado a sair daqui ainda vivo.

— Finalmente acordou. — ele resmunga ao se virar brevemente para mim. — Pensei que Charles já estaria sentindo sua falta uma hora dessas. Parece que ele não é tão fiel a você quando pensa, Jackson. 

Lembro do que eu disse para Charles, talvez, horas atrás. Ele provavelmente deve ter feito o que eu disse para fazer. 

Eu tento me mexer mas a dor insuportável que sinto na cabeça e na lombar me fazem recuar um pouco. 

— Por que vocês sempre tem que dificultar as coisas, hum? — Bruce murmura ao se virar e consigo enxergar quando ele sinaliza uma seringa em minha direção. — Agora o que me resta é apagar você de vez, rapaz.

Quando ele volta a encher a seringa com um substância que eu desconheço, eu foco em não repetir o mesmo erro em alerta-lo, por isso, silenciosamente consigo apanhar a faca enrolada na parte de trás do meu coldre vazio que estava sem a pistola. Bruce provavelmente deve ter tirado-a de mim.

Por isso, quando finalmente consigo me livrar das cordas, os próximos segundos se tornam um completo de um borrão quando finalmente consigo alcança-lo com a faca. 

Bruce não consegue escapar da minha faca em contato com seu braço mas ele consegue se esquivar o bastante para que eu consiga esbarrar nos barris cheios de combustíveis o que resulta numa pequena explosão e chamas são espalhadas ao nosso redor. 

Em questão de segundos, Bruce encontra minha faca perto do balcão e consegue empunha-la no momento em que me levanto para a saída. Sinto a lâmina da faca perfurando minhas costas e eu imediatamente caio no chão. Bruce não perde tempo e aperta meu pescoço me sufocando.

Em um rápido movimento, consigo empurrado e subir em cima de seu corpo robusto, o socando-o no rosto. Bruce fica desorientado o suficiente para eu ganhar tempo e partir para fora do porão. 

Minha pele arde quando entra em contato com a chama ao momento em que atravesso o fogo que se alastra no subsolo. 

Quando olho para trás percebo as chamas se alastrando por todo o lugar, incendiando os barris, e tomando todo o espaço do subsolo do navio. Bruce está se levantando, quando me prontifico em subir as escadas metálica correndo para a parte superior do convés. 

— Que diabos. — Murmura algum guarda da Marinha quando atravesso o pavimento do pátio indo em direção aos dormitórios.

Quando chego na minha cabine, imediatamente abro os armários metálicos me lembrando da droga que estava plantada em algum lugar daquele cômodo.

Não se passa um minuto e Charles chega na cabine aflito.

— Percy, caralho, por onde você esteve? Eu comuniquei com o Capitão sobre seu sumiço, eles devem estar aqui em alguns minutos. — Charles parece finalmente perceber o corte nas minhas costas. — Por que diabos você está sangrando, cara? Porra, não me diga que você topou com Bruce.

Eu suspiro pesado e me viro com dificuldade por conta do corte em minhas costas e eu o olho desesperado. 

— Charles, precisamos achar a porra da droga que Bruce colocou aqui, agora! 

Ele arregala os olhos surpreso, mesmo aparentando exaltado por toda a situação e começa a procurar apressadamente em suas coisas mesmo não tendo ideia da onde possa estar. 

Penso melhor, e com a ajuda dele, consigo arrastar o armário metálico da parte esquerda de sua cama. Quando finalmente encontramos as sacolas brancas e eu suspiro quase que aliviado. 

— Puta merda, o Capitão está no corredor. — Charles está aflito quando olha para o corredor. O pânico toma conta de mim e meu rosto arde com a adrenalina vibrando no meu corpo.

Quando rapidamente consigo abrir a pequena janela da cabine e empurrar os pacotes brancos para fora, escuto a voz estridente de Mark quando o mesmo entra na cabine nervoso.

— Tenentes Jackson e Beckendorf se apresentem para Câmara do Almirante agora! — Capitão Mark esmurra a porta metálica da cabine e aparece três guardas da marinha atrás dele que nos guia até o convés superior do Almirante.

Eu estava fodido.


(...) 

 

No fim daquela noite agitada, eu já estava com as malas prontas para ir embora. Não avisei Annabeth, e nem Dona Sally, não queria preocupa-las.

Mas saí da Marinha com um afastamento indeterminado por ter deixado em chamas o subsolo do navio. Pelo menos, as drogas que eu achei foram todas queimadas e Bruce foi afastado assim como eu.

Quando me recuperei o suficiente para levantar da maca da enfermaria, eu me despedi de Charles que quase chorou, no entanto, o homem apenas soltou uns palavrões e me agradeceu por ser tão idiota. Ele falou que a gente se veria em poucos dias,  porque Bruce não conseguiu arruinar sua volta para casa. E eu fiquei aliviado e feliz por ele. 

Por fim, eu fui guiado rapidamente para o aeroporto do Líbano com alguns pontos nas costas servindo de lembranças. 

Apesar de tudo, estava contente por voltar para casa. E tudo o que eu precisava focar agora era na minha família.
 


Notas Finais


Olá! Tudo bem?
Atrasei um pouco por conta da loucura que está sendo meu curso. Sério, uma loucura.
Mas sobre o capítulo de hoje: Esta diferente, é um flashback por assim dizer, de como foi o acidente para os mais curiosos. Não sei se estou totalmente satisfeita mas acho que deu para contar bem como foi. O próximo vai ser de volta aos dias atuais mesmo, enfim.
Obrigada, obrigada pelos comentários do capítulo anteriores. Os comentários sobre o que estão achando são importantes e são a gasolina para a estória continuar.
Até logo!


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