História Knowing - Capítulo 1


Escrita por: e MariMesmo

Postado
Categorias Got7
Personagens BamBam, Yugyeom
Tags Adolescente, Bambam, Friendship, Goals, Got7, Oneshot, Yugbam, Yugyeom
Visualizações 40
Palavras 8.036
Terminada Sim
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 16 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Comédia, Drama (Tragédia), Festa, Ficção, Luta, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Álcool, Drogas, Homossexualidade, Linguagem Imprópria, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Yo,

Essa é a segunda fic do conjunto de sides que eu e minha amiga, Dyonate, estamos fazendo.

^^

Capítulo 1 - Capítulo Único - Would It Go To The End?


Fanfic / Fanfiction Knowing - Capítulo 1 - Capítulo Único - Would It Go To The End?

 

 

Já dizia a Lei de Murphy: se algo pode dar errado, dará.

O jovem garoto tailandês de cabelos tão chamativos quanto às suas roupas extravagantes, pensou que o seu dia não poderia piorar, mas quando se está atrasado meia hora para o trabalho, pedalando contra um quase dilúvio que, claramente, não era para acontecer em tamanha intensidade no mês de julho e ainda teve a façanha de esquecer o guarda-chuva quando sua mãe o alertou para levá-lo, teve a certeza de que mais alguma merda estava por vir, e talvez fosse uma das grandes.

Não era comum atrasar em grande escala como neste dia, mas parecia que uma força maior estava jogando o mundo em suas costas. Pessoas dizem que, quando algo assim acontece, estão as impedindo de uma ação negativa. Talvez tudo ocorra ao contrário comigo, pensou Bambam enquanto lutava para tirar os fios molhados grudados à testa e manter o controle de sua surrada bicicleta, ao mesmo tempo.

Ao “estacionar” em frente ao brechó de luxo, New Custure, saiu aos tropeços correndo para a entrada dos fundos destinada apenas para funcionários. Nem conseguia pensar em uma desculpa decente que daria a gerente, mas entrar abruptamente e aos prantos foi a coisa mais sensata a se fazer para não perder o seu emprego.

 

“Me desculpe, eu acabei tendo um imprevisto e… a minha irmã... passou mal, ent…”

 

Bambam se atropelava com as palavras enquanto tentava controlar os soluços, porém interrompeu a sua desculpa esfarrapada, que nem conseguia convencer a si mesmo, quando mirou à mulher alta e de cabelos longos escuros parada ao lado da arara de roupas Valentino o olhando como se ele estivesse falando grego .

 

“Acalme-se, Bambam. Você não será penalizado pelo seu atraso, sempre foi tão pontual.”

 

A dona do estabelecimento ditava de uma maneira reconfortante com um sincero sorriso estampado no rosto bem conservado.

A situação pareceu se amenizar por alguns instantes, mas Bambam sabia que algo mais estava por vir. Não era comum a dona do brechó estar presente. Apenas a viu em duas ocasiões: quando ele foi contratado e agora. Então, significava que teria uma recepção para um novo funcionário.

 

“Ah, é incomum ver a senhora Kim aqui no estabelecimento.” Sempre tentava ser o mais formal possível com a chefe, apesar de não ser necessário, devido Bambam ser o queridinho dela.

“Presumo que já saiba o motivo de minha visita, e eu já lhe disse: não me chame de senhora.” Deu um leve sorriso para o seu melhor funcionário.

 

Apesar da feição rigorosa, era uma mulher bastante compreensível e acolhedora.

 

“Esse aqui é meu filho, Yugyeom. Ele será sua responsabilidade a partir de agora.”

 

Bambam não havia percebido a presença do outro ser até a senhora Kim fazer menção para o filho que estava poucos passos atrás e sentiu-se idiota por isso. Um garoto de quase dois metros de altura e cabelos extremamente ruivos; só não vê quem não quer.

 

“Não estou entendendo. Como, exatamente, isso vai acontecer?” Bambam ainda estava desconcertado com a presença alheia em seu local de trabalho. Não podia negar: o menino de quase dois metros era atraente.

“Simples: ele vai começar a trabalhar aqui e você irá supervisionar o trabalho dele. É um castigo.”

 

A senhora Kim falava como se, simplesmente, estivesse adicionando mais um prato à mesa.

Bambam não se atreveria a responder de maneira desobediente, mas não deixou de ficar curioso com a situação inusitada e um tanto engraçada. Resumindo: eu teria que ser babá de uma criança de dois metros que vai trabalhar no brechó de luxo da mãe por causa de alguma merda que ele fez e isso, no universo dos ricos, é considerado como castigo.

O tailandês estava desacreditado com o que foi imposto para ele, mas era aceitar ou contestar e acabar no meio da rua.

 

“Eu não quero trabalhar aqui e não quero que ele cuide de mim!”
 

A voz estridente e manhosa de Yugyeom se fez presente no recinto e, ao contrário de um tom de voz grave de motoqueiro que Bambam imaginava que o garoto teria, ele parecia mais uma criança de cinco anos apontando para ele como se o estivesse acusando de ter roubado seu brinquedo favorito.

Bambam foi obrigado a segurar a risada. Aquilo estava começando a ficar fora do roteiro.
 

“E ainda bem você chegou agora. Eu ia designar essa tarefa para outro, pois seu horário começa mais cedo e eu não o veria. Parece que você foi a luz que surgiu no meu caminho.”
 

Enquanto encarava o seu mais novo ajudante que se mostrava indiferente a sua presença e deixava isso bem claro com o seu olhar de desprezo e um bico clássico de criança que fica birrenta quando não consegue o que quer, a gerente apenas acompanhava a situação com uma expressão preocupada e desacreditada, e a mãe dele sorria vitoriosa como se tivesse finalmente achado o tesouro que tanto procurava e deu toda a responsabilidade de desenterrá-lo e limpá-lo para o pobre garoto tailandês que trabalhava de meio expediente.

Bambam tinha razão: seu dia acaba de ficar pior.

 

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“Essa bolsa vai aqui! E olha como todos os cabides estão desalinhados! Você não ouviu nada do que eu disse para fazer!”

 

Bambam quase gritava impacientemente com o outro e estava prestes a ter um ataque de nervos.
 

“Você está fazendo tudo ao contrário. A sua intenção é me deixar à beira de um surto?”

 

Naquele pouco tempo que ficaram juntos após Bambam passar todas as instruções, deu para ver que Yugyeom não era do tipo que seguia regras e, por isso, fazia o que bem entendia. Depois de quase ter derrubado uma arara de roupas, bagunçado todos os pares de sapatos, ter deixado cair “acidentalmente” algumas das decorações do brechó e dar em cima de poucas jovens moças que entraram naquela meia hora, Bambam era obrigado a chamar atenção do mais novo. Este, por outro lado, apenas debochava e imitava tudo o que o outro dizia. Não estava sendo nada fácil e era apenas o primeiro dia.
 

“Não vou te obedecer e nem me importo com você caso não consiga fazer a sua função de um mero vendedor. Agora, se me dá licença, eu vou tirar esse tempo para um descanso.”

 

Yugyeom andava tranquilamente até a porta dos fundos. Quando passou por Bambam, fez questão de mandar um sorrisinho irritante para ele.
 

“Eu ainda vou morrer jovem.” Reclamou sôfrego o pobre garoto tailandês ao sentar-se em uma cadeira de decoração perto ao balcão de pagamento e olhar para a gerente de meia idade. “Por que essa criança gigante é assim?”

 

A mulher mais velha era uma grande amiga de confiança da senhora Kime, com certeza, já ouvira falar ou viu Yugyeom ao menos uma vez na vida, além de ter sido ela quem conseguiu um emprego para Bambam, mesmo que todas as vagas já tivessem sido preenchidas.

Sempre teve paciência com ele em ajudar em tudo que precisava e era uma boa ouvinte nas horas vagas. Claro, teve vezes que ela quis matá-lo.

Bambam adorava mudar as roupas dos manequins, alegando que ficam muito melhor com o meu toque mágico. E resultava em ele correndo entre as bancadas de vidro de acessórios e ela atrás com um cabide na mão.

 

“Meu querido, o que posso dizer é que o filho da senhora Kim é um pequeno delinquente juvenil.” Bambam a olhou confusa, afinal, aquele garoto não parecia ser capaz de machucar uma mosca.

“O que estou querendo dizer é que: ele sempre se mete em diversas confusões, mas não se importa com as consequências, porque os pais, ou melhor, a senhora Kim, sempre arruma um jeito de livrá-lo. Mas dessa vez não conseguiu. Pelo que ela me contou, o garoto foi expulsos de uma dessas escolas de ricos, mas não entrou em detalhes.”

 

Bambam até conseguia imaginar vários cenários para a justificativa de uma expulsão e esses iam desde colar nas provas até se meter em brigas. O que esse garoto quer da vida? Será que ele fez algo tão grave assim? Era difícil pensar em algo. Eles eram quase da mesma idade e conseguiam ser de mundos tão opostos. De um lado, temos o estrangeiro da Tailândia que se dobrava nos estudos e no trabalho e, do outro, um problemático rico que não ligava para os outros. Como esses mundo acabaram se cruzando?

 

“Quero que tenha paciência com ele, Bambam.” O dito havia olhado desacreditado para a gerente como se ela estivesse pedindo para ajudá-la a roubar um banco.

“Ele pode ter inúmeros defeitos, mas é um garoto sozinho. Todas as pessoas que estão com ele, são más companhias. O próprio pai não se importa muito e desde que o filho nasceu, fez o possível para mantê-lo em escolas de períodos integrais. A senhora Kim é a única que realmente se importa. O único ato de amor veio dela.”

“Vou tentar então. Vai ser preciso muita paciência e horas praticando yoga, mas acho que consigo. Afinal, ele é praticamente uma criança fácil de contr…”

 

Um barulho de algo caindo no chão e se estilhaçando foi proferido dos fundos, cortando a fala de Bambam.

 

“Pois é, muita paciência.”

 

Rumou até a pequena cozinha e se deparou com cacos de vidro por toda a parte e um despreocupado Yugyeom sentado na ilha de mármore aproveitando seu refrescante picolé.

 

Tomara que você engasgue e não de tempo de te salvar, Bambam pensava enquanto olhava fulminante para o garoto a sua frente.

 

Aquele verão estava apenas começando.

 

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Sabe quando você faz de tudo para dar certo, mas o universo conspira contra você?

 

A semana passou se arrastando, não apenas por conta do calor que fazia o mês de julho, mas também de cada dia surgir uma discussão nova por algum motivo de pouca importância.

Bambam estava dando o seu máximo, mas nada parecia querer cooperar. A relação dele com Yugyeom não saia do zero, por mais que tentasse iniciar uma conversa qualquer ou até ficar em silêncio perto dele, o garoto o desprezava de todas as formas.

E Yugyeom, como esperado, nunca seguia suas ordens, além de sair antes do horário imposto para ele. Bambam sempre se perguntava o que ele fazia, porque era todo dia o mesmo horário, mas lembrava que não era da sua conta. Yugyeom era apenas responsabilidade dele na loja, dali para fora, ele não tinha obrigação nenhuma.
 

“Yugyeom, por favor, pode pegar nos fundos as caixas que acabaram de chegar?”

 

Bambam tentava a todo custo ser educado para ver se entrava alguma coisa naquela cabeça ruiva e oca do ajudante.
 

“Vai você, eu posso acabar forçando um músculo.” Yugyeom respondia de maneira petulante sempre que o impunham alguma tarefa e já estava acostumado quando a pessoa desistia e fazia tudo por conta própria, mas naquele momento, Bambam se encontrava no seu limite.

“QUAL É A PORRA DO SEU PROBLEMA?! EU ESTOU CANSADO E VOCÊ NÃO FAZ MERDA NENHUMA!”

 

Por um momento, Yugyeom ficou estático no balcão de pagamento. Ele nunca vira Bambam perder a paciência.

 

“Tenho que fazer trabalho dobrado aqui, já que você não me ajuda em nada. Nem me importo com este teu jeito de riquinho de merda, mas custa ajudar?”

“Cala a sua boca antes de falar um de mim. Não fale como se fossemos amigos ou fossemos alguma coisa!” Yugyeom quase gritava e se aproximava em passos rápidos para perto de Bambam, que agora parecia ter ficado intimidado, mas não se deixaria levar pelo tamanho de Yugyeom.

 

Antes, a feição de uma criança que acabara de aprontar alguma travessura deu lugar a uma expressão assustadora.

A esse momento, os três únicos clientes no brechó ficaram atônitos e a gerente tentava apartar a discussão, mas foi completamente ignorada.

 

“Eu não tenho a obrigação de ficar tomando conta de um mimado, mas estou fazendo isso porque minha chefe pediu e eu preciso desse emprego, diferente de você, que é só estalar os dedos e tem o mundo nas mãos.” Bambam estava eufórico e apontava o dedo para a criança adulta a sua frente. “Por isso seu pai nunca está presente e você não tem amigos.”
 

Parece que aquelas palavras afetaram mais Yugyeom do que as outras. Sua expressão se suavizou e deu lugar a uma serenidade. Poderiam achar que estava tudo bem, mas na verdade, não estava.

 

“Não fale com se me conhecesse. Aliás, por hoje chega. Vamos ver se você vai conseguir manter seu empreguinho sem mim aqui.”

 

E Yugyeom passou por Bambam quase o levando junto, saiu a passos pesados da loja pela porta da frente e deixando pessoas assustadas por tal atitude repentina e um Bambam inconsolável quase aos prantos.

 

“É hoje que perco meu emprego.”

 

O tailandês estava feliz por ter tomado uma atitude logo, mas triste por ver que acabara de assinar sua carta de demissão.
 

“Vamos dar um jeito nisso, querido. A senhora Kim irá compreender.” A gerente tentava de todo modo tranquilizar o garoto.

 

Sabia que não era fácil de conviver com Yugyeom.

 

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Era cerca de sete e quarenta da noite quando Bambam fechou o brechó. Se fosse dias atrás, ele e Yugyeom estariam discutindo para quem ficaria com as chaves e Bambam ganharia aquela discussão com um mísero argumento de sou o mais velho e tomariam caminhos diferentes sem se despedir.

Apesar de parecer pouco, era um momento rotineiro que Bambam já estava habituado.

Montou na bicicleta e rumou para o leste de Beverly Hills. Tinha pouco tempo até escurecer totalmente e, naquele horário, a região era tomada por gangsters.

Estava perto de pegar a principal, quando parou no sinal vermelho ao lado de um beco mal iluminado. Teria ficado com medo se não tivesse visto uma cabeleira ruiva conhecida.

 

O que Yugyeom faz num lugar como esse? Quem são aqueles caras mal encarados? Será que ele está envolvido com cartéis de drogas?

 

Viu o sinal ficar verde, mas sua curiosidade falou mais alto. Yugyeom e mais os três caras começaram a andar mais adentro do beco. Bambam os seguiu, mesmo morrendo de medo de ser assaltado ou morto. Afinal, um lugar como aquele atraía esse tipo de gente e o tailandês não saberia se defender.

Por um momento, pensou tê-los perdidos de vista após uma curva à direita, mas o único caminho aparente era uma porta caindo aos pedaços à sua esquerda.

 

“Já estou aqui, então não tem mais volta.” Sussurrou para si, como se alguém mais pudesse ouvir.

 

Entrou sorrateiramente pelo estreito corredor que continha várias portas.

 

“Se eu morrer, quero dizer que amo minha mãe, a gerente foi uma boa companhia, agradeço a senhora Kim pelo emprego, exceto aquele filho mimado dela, porque nossa, sem condições… e tamb-AAHHH!”

 

Bambam deu um grito ao sentir uma mão estranha em seu ombro. Na sua mente, sentia que sabia se proteger, mas não fazia nada além de se encolher, ficar imóvel e falar repetidamente a minha Prada não.
 

“Que caralhos você ta fazendo aqui?”

 

Não sabia se podia finalmente respirar ou não, mas ficou aliviado em ser Yugyeom que o encontrou. Quase pulou de alegria em cima do mais novo, mas se conteve ao lembrar que o odiava.

 

“Esse lugar é perigoso. Você me seguiu? Não pode ficar aqui.”
 

Yugyeom parecia mais ansioso quanto a presença de Bambam ali. Sabia que era perigoso, mas o que aquela criança em tamanho gigante estava fazendo ali também?

 

“E por que você está aqui?” Bambam não deixaria o outro vencer a discussão que estava por vir.

“Tenho coisas para resolver.” Yugyeom falava como se estivesse prestes a fechar um negócio, mas que foi interrompido por uma ligação.

“Drogas esse negócio, não é? A sua mãe não vai ficar muito contente quando souber e você pode ir preso se te p…”

 

O mais alto teve que tapar a boca de Bambam para não chamarem suspeitas. Aquele tailandês não sabia a hora de parar quando começava.

 

“Já te disse: você não é ninguém para falar de algo que não sabe.” Yugyeom ditava ríspido para Bambam e se aproximava ainda mais dele.
 

Os dois sentiram suas respirações se misturarem. Parecia que haviam entrado em um mundo só deles. Não falaram nada por alguns segundos até Bambam confirmar com os olhos que ele não abriria mais a boca grande dele para questionar como uma criança curiosa.

Yugyeom tirou lentamente sua mão da boca de Bambam, ainda temendo que o tailandês fizesse um escândalo.

Dando um suspiro, Yugyeom pensou que estava tudo resolvido e teria tempo de levar Bambam até a saída, afinal, mesmo que não gostasse dele, não o deixaria sozinho por aí. Se encontrassem seu corpo, teria problemas que nem mesmo sua mãe poderia resolver. Mas seus pensamentos foram interrompidos por uma voz animada se proferindo de um alto falante, assustando o garoto a sua frente.

 

“ESTÁ NA HORA, COMPETIDORES! O SORTEIO FOI FEITO! ENTREM NA ARENA E FAÇAM SUAS APOSTAS!”

“Merda! Eu não tenho tempo de te levar.” Yugyeom se amaldiçoou por ter ajudado o garoto.
 

Agora teria mais problemas e uma testemunha.

 

“O que está acontecendo? Competidores? Apostas? Pra que? De quem fuma um baseado mais rápido?” Bambam interrogava confuso.

“Quer saber, foda-se! Vem comigo, mas não fala com ninguém e fica no meu campo de visão.”


          O mais alto saiu puxando a o pulso de Bambam pelo extenso corredor até chegar em uma escadaria que dava caminho para um salão subterrâneo.

 

“Pronto. Vou morrer aqui e nem vão se dar ao trabalho de me encontrar.”
 

Bambam deixou-se ser guiado pelo outro. Aparentemente, Yugyeom era seu único porto seguro naquele beco estranho.

O salão, ou melhor, a “arena”, como era conhecida por aqueles que frequentavam o lugar, estava apinhada de gente e quase impossível de se caminhar por entre elas.

Algumas pessoas dali não aparentavam estar acima da maioridade permitida do local, mas como não havia nenhum tipo de segurança na entrada, deduziu que portavam de “fake id”.

Yugyeom abriu caminho e todos pareciam deixá-lo passar e o cumprimentava calorosamante, mas ele nem dava bola.

Por fim, pararam no que aparentava ser o começo de um palco.

 

“Você vai ter que ficar aqui. Me espere.” Ordenou Yugyeom.

“Mas… o que é tudo isso?” Bambam não estava afim de obedecer, mas também não queria arriscar, então ficou estático no lugar que foi colocado.

“Não me seguiu pra isso? Agora vai descobrir, por mais que eu não quisesse.”

 

Aquela voz do alto falante foi ouvida novamente, interrompendo qualquer tipo de diálogo que pudesse surgir.

 

“SENHORAS E SENHORES, ESTÁ NA HORA DA GRANDE BATALHA…”

“Ai, não quero nem ver o que vai acontecer.” O tailandês fechou os olhos como se aquilo o fizesse sumir do lugar e o teletransportasse direto para sua aconchegante casa.

 

Um cara qualquer, mas conhecido o bastante para papear com todos a sua volta, andava entre as pessoas segurando um surrado chapéu de rapper onde elas colocavam papéis dentro. Bambam identificou que aquele cara deveria ser quem recolhe as apostas com o próprio chapéu do DJ, tendo como experiência várias batalhas de rua já frequentadas.
 

“Vou ter que ir agora.” Yugyeom fez menção de sair, mas Bambam o puxou pela manga da jaqueta de couro.

“Você não é nem louco de me deixar aqui sozinho com essa gente estranha!”

 

Bambam não queria admitir nem para si mesmo, mas se sentia mais seguro com a presença do outro, mesmo que em uma briga ele não servisse de nada.

Yugyeom já estava ficando sem tempo para conversas.

 

“Sério mesmo, Bambam? O único estranho aqui é você com essas roupas chamativas e cabelo colorido.” Yugyeom até criticava o mais baixo com um certo afeto. “Nós já vamos embora, mas agora preciso subir no palco.”

 

Sem mais nem menos, sumiu de vista por entre a multidão.
 

“Yugyeom! Por que eu tenho que ser tão curioso. Agora isso pode me matar. E ele ainda tem a audácia de falar que eu sou o estranho? Olha essa gente: aquele cara parece ter sangue seco na blusa, eu sou o mais normal, com certeza.”

 

Bambam já se conformava em ter que esperar o mais novo para ir embora, mas não ficava de boca calada.

Olhou para o lado e viu um homem carrancudo alto como um poste de luz de óculos escuros e chapéu lhe encarando.
 

“Se encostar em mim, eu faço um escândalo.” Tentou dizer de uma maneira ameaçadora segurando sua bolsa firmemente junto ao peito, mas tudo o que conseguiu em troca foi uma risadinha debochada.

 

Um feixe de luz foi disparado na região central do palco e todos a volta de Bambam exalaram gritos eufóricos e ergueram seus copos. A tal batalha começou.

 

“NOS ENCONTRAMOS EM MAIS UMA NOITE EMOCIONANTE AQUI NA MAIOR BATALHA DE DANÇAS CLANDESTINAS DE LA!”

 

“Dança?” Bambam, que até então preservava sua segurança, ficou indignado ao saber que Yugyeom saia todo dia no mesmo horário para dançar. “Ele vai ver só uma coisa.”

“DE UM LADO, TEMOS NOSSO VENCEDOR INVICTO:  KIM JONGIN”

 

Todos gritaram eufóricos. Kim Jongin, mais conhecido como Kai, era velho na casa já. Foi um dos investidores que começaram o negócio clandestino, mas como era apaixonado pela dança, não pode deixar de participar das batalhas. Era dono de uma academia de dança no centro, mas não lhe rendia muito, então o dinheiro extra das apostas era um bom complemento para a sua vida luxuosa.

 

“DO OUTRO, NOSSA MAIS NOVA REVELAÇÃO: LIM YUGYEOM”

“Como assim Lim? Isso está começando a ficar interessante.” Bambam deixou-se levar pela adrenalina do local e decidiu aproveitar mais o momento único.

 

Claro que Bambam sabia que aquele não era o verdadeiro nome do garoto. Ele só podia ter entrado e participado das batalhas com uma fake id, como a maioria dos jovens ali presentes.

Bambam jamais imaginaria que Yugyeom saía mais cedo do trabalho para dançar. Era difícil compreender que aquela criança de quase dois metros de altura tinha alguma coordenação motora.

Os dois participantes anunciados subiram no palco enquanto a platéia ia a loucura com gritos animados e aplausos.

Ambos vestindo trajes pretos e estilosos, próprios para dança. Kai, com mais dois dançarinos de cada lado poucos passos atrás de si, estampava confiança, e Yugyeom, com seus outros dois “amigos”, como Bambam julgou, pareciam prontos para enfrentar o chefão da última fase de um jogo; determinação não faltava no mais novo.

O juiz se posicionou entre os rivais e levou o microfone à boca:

 

“DOIS DOS MAIS INCRÍVEIS COMPETIDORES QUE JÁ TIVEMOS O PRAZER DE RECEBER IRÃO SE ENFRENTAR NESTE EMOCIONANTE FINAL DE TEMPORADA!!!”

“AO SINAL DO DJ PODEM COMEÇAR”

 

Ao que parecia o começo de um remix de So Good do Big Sean, a equipe de Kai começou a dançar. Ele é realmente muito bom, estranho nunca ter ouvido falar dele antes, Bambam pensou admirado com os movimentos lentos, mas precisos de Kai.

A música em si era sedutora demais e suja demais, mas Kai conseguia personificar ela de uma maneira incrível. Seus dançarinos eram apenas um plano de fundo para enaltecer ainda mais seus movimentos, eles também eram bons, com certeza Kai os treinou muito bem, mas sem dúvida, ele era o melhor.

Quando chegou na segunda parte da música, o time de Kai foi finalizando sua coreografia, o que indicava que era a vez do grupo de Yugyeom iniciar a sua. Essa eu quero ver, Bambam ainda não acreditava no potencial do mais novo, mas iria dar com a língua nos dentes.

Em apenas os primeiros oito passos de dança, Bambam se deu por vencido e desligou-se do mundo. Yugyeom era realmente empenhado no que fazia.

A multidão do fundo ia empurrando as pessoas da frente a fim de conseguir enxergar melhor, acabou que, o homem carrancudo que encarava Bambam mais cedo, aproximou-se mais, assim esbarrando no garoto.
 

“Cuidado ai, cara. Estou tentando ver a apresentação do meu… amigo.” Bambam nem sabia de onde veio essa coragem para uma resposta afrontosa a um cara grande como aquele.

 

E, “amigo”? Quando ele e Yugyeom viraram amigos?

 

“Seu amiguinho vai cair, garoto. Descobrimos que ele é menor de idade e isso pode ruir nossos negócios, mas deixamos passar até o dia de hoje, a final. Depois, de Kai ganhar mais uma vez, iríamos dar uma lição naquele garoto.” Fez menção com a cabeça para Yugyeom, que estava simplesmente incrível no palco.
 

A atmosfera estava pesando, o lugar pareceu ficar menor, Bambam sentia-se tonto após o homem confessar seu futuro crime para ele. Ele pretende matar o Yugyeom? “Mas se ele contou tudo isso para mim, quer dizer que também sofrerei consequências?”

“O que está querendo dizer com tudo isso?” Bambam nem prestava mais atenção na coreografia de Yugyeom.

“Garoto, acha mesmo que eu ia deixar passar você? Te contei o que acontece com os menores de idade quando chegam na final e não posso deixar testemunhas.”

 

Bambam começou a entrar em desespero, mas não queria deixar transparecer para não chamar atenção.

Yugyeom, do palco, buscava disfarçadamente a figura colorida de Bambam. Antes de completar uma volta, ele estava lá, depois que voltou a sua posição inicial, ele conversava com um homem mais velho e parecia assustado, e, em uma piscada, Bambam não estava mais no seu campo de visão.

Tudo pareceu acontecer em câmera lenta.

Tentou parecer calmo, mas deixou-se distrair e se atrapalhou em alguns passos da coreografia. Em um piso em falso, escorregou e acabou caindo deitado de lado no chão de madeira do palco.

A música parou na mesma hora.

Maior parte dos presentes ficaram desapontados pelo seu competidor ter caído e, consequentemente, terem perdido as apostas. Outros vaiaram.

 

“PARECE QUE NOSSA REVELAÇÃO COMETEU UM ERRO!! ISSO O LEVARÁ A SUA DERROTA”

 

Afinal, fazia parte das regras: se um dos competidores da equipe adversária caísse, seria automaticamente desclassificado. Era como no xadrez: se o Rei fosse derrubado ou alguém o fizesse de propósito, a outra pessoa levaria a vitória.

 

“ENTÃO KIM JONGIN LEVA SUA SÉTIMA VITÓRIA INVICTO!”

 

Yugyeom estava desolado. Tinha confiança e estava crente de que ia levar o prêmio, mas só não contava com um detalhe, ou melhor, uma pessoa: Bambam. Este que tentava despistar o homem carrancudo e conseguir chegar vivo até Yugyeom, que descia as escadas.

 

“Ei, Yugyeom, sai dai agora. Tem um cara aqui que descobriu que somos menores de idade e pretende nos matar!”


           Bambam se aproximou sem fôlego já. Teve a intenção de tocar o ombro do mais novo para que assim ele despertasse do transe, mas o que conseguiu foi um empurrão.
 

“PORQUE VOCÊ TINHA QUE APARECER!?” Mesmo gritando, era impossível se ouvir com perfeição devido ao barulho da arena. “Estava tudo caminhando bem, mas você vem e aparece de surpresa na minha vida. Tá tudo uma merda e é tudo culpa sua!”

 

Bambam sabia que ele tinha razão, não devia ter seguido Yugyeom.

 

“Sei que você está irritado comigo, mas agora temos que vazar, depois te ajudo a liberar essa raiva, mas vamos por favor, eu não quero morrer!”

“Não vou me mexer, se quiser pode ir, mas vou ficar.”

“Para de ser uma mula teimosa!”

 

O homem, com mais dois capangas, surgiu entre as pessoas que comemoravam mais uma vitória de Kai e foi o bastante para o tailandês dar um grito e puxar Yugyeom pelo braço e sair correndo dali, esquecendo aquele lugar com as pessoas estranhas e Kai levantando o troféu de vencedor.

Bambam não lembrava exatamente o caminho da saída, mas passou pela multidão e entrou em uma das portas que dava vista para o palco. Seguiu o corredor extenso e precariamente iluminado. Yugyeom pesava e somando que ele não queria correr, dificultava muito as coisas para Bambam.

Estavam quase vendo a luz no fim do corredor, quando Bambam sentiu um zunido passar de raspão pelo seu ouvido.

Os caras estavam atirando nos dois.
 

“Puta merda, Yugyeom! É tiro! Vai logo homem, vamos morrer aqui!”
 

Esta foi a deixa para Yugyeom acordar e começar a correr com vontade. Ainda que estivesse com raiva de Bambam, não podia deixar aquilo acontecer. Então, pegou-o e o jogou sobre o ombro.
 

“Ahh finalmente a madame resolveu agir.” Bambam não deixou de ficar incomodado com o fato de ser carregado como um saco de batatas, mas era aquilo ou morrer.

“Cala a boca pelo menos uma vez na vida.”

 

Bambam era peso pena, mas, ainda sim, era um peso.

Sentiram mais balas passando perto deles, pelo menos os homens estavam longe de alcançá-los. Conseguiram cruzar a porta e a fecharam. Yugyeom finalmente desceu Bambam de seu ombro e procuraram pela bicicleta do mais baixo.

 

“Onde você deixou ela?” Yugyeom procurava pela bicicleta desesperadamente.

“Eu sei lá! Você saiu me puxando, não deu tempo de colocar ela em um lugar para transporte de fuga.”

“Olha ela ali, seu idiota! Rápido!”
 

Jogada no chão perto de uma caçamba de lixo, a bicicleta pareceu como um passe livre para sair daquele lugar.
 

“Sai da frente, eu que vou guiar a bicicleta. Ela é minha.” Bambam logo foi empurrando Yugyeom para o assento da roda traseira.

“Tá bom, só anda logo.”
 

Montaram na velha bicicleta de Bambam e deram no pé no mesmo instante que os homens mal encarados abriram a porta.

Quem visse aquela cena, acharia graça. Afinal, um garoto magrelo pedalando esforçadamente com um outro apoiado em seus ombros fugindo com se tivessem roubado um banco, era digno de risadas.

 

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“Que fique claro que é pra você nunca mais aparecer na minha frente.”

 

Depois que pedalaram por oito quarteirões, decidiram parar quando avistaram uma loja de conveniência genérica. Ao entrar, seguiram direto para as máquinas de raspadinhas.
 

“Você é que não deve mais aparecer pra mim. Lá é meu local de trabalho.”
 

Bambam achava um desaforo Yugyeom falar daquele jeito com ele. Tudo bem, ele teve sua parcela de culpa, mas aquilo era apenas uma batalha de danças, clandestinas ainda.

Os dois tomaram suas raspadinhas em silêncio sentados no chão gelado da loja. De vez em quando, um dos adolescentes tinha uma crise de cérebro congelado, o que amenizava o clima mórbido.
 

“Tá muito tarde e minha mãe deve estar preocupada.” Bambam apenas parou para pensar em qual seria a reação de sua mãe ao vê-lo chegar tão tarde em casa.

“Fique sabendo que eu não vou mais aparecer no brechó da minha mãe. Dane-se o seu trabalho. Não é da minha conta.” Yugyeom jogava na cara do mais velhos que eles só estavam naquela situação porque ele não soube cuidar da própria vida.

“Quer saber, foda-se também. Eu não ligo. Vou ter que sair de um emprego que eu gosto muito do que faço para voltar pro restaurante da minha família.”
 

Bambam se levantou, limpou a sujeira existente da calça e foi em direção ao caixa para pagar sua bebida, mas parou quando o mais novo se pronunciou.

 

“Sua família tem um restaurante? Que legal.”
 

Mesmo que Yugyeom tentasse ficar com uma raiva eterna de Bambam, era impossível. Como se aquele evento só tivesse acontecido para aproximar os dois.

Bambam, até uns dias atrás, devolveria a resposta a fim de começar uma conversa amigável, mas agora isso não é mais sua principal meta com Yugyeom.
 

“Temos sim, mas até onde eu saiba, isso não é da sua conta.” E foi sem falar mais nada e nem olhar para trás.
 

Não era certo fazer aquilo, mas ele estava cansado de ser tratado como um qualquer.

 

“Esper…”

 

Yugyeom tentou impedi-lo de ir, mas o outro já havia pagado a conta e saído apressadamente. Ainda ficou mais alguns minutos sentado no mesmo lugar pensando no tanto de coisas que ele perdeu em um só dia: a batalha e um possível futuro amigo.

Bambam seguia devagar para casa. Se não fosse tão tarde, iria dar mais alguma voltas para espairecer a mente, mas não pode dar esse luxo.

Aquela criança havia virado a cabeça do tailandês em tão pouco tempo, e se não fosse pela briga, Bambam arriscaria dizer que foi um dia inesquecível.

 

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Uma semana havia se passado desde aquele dia da loja de conveniência. Nesse período, Yugyeom nunca mais apareceu no brechó. Bambam achava que perderia seu emprego assim que pisasse na entrada sem o mais novo ao seu lado. Mas nada aconteceu.

Bambam estava se sentindo cansado. Querendo ou não, sentia falta do bebê gigante. A gerente até brincava que aquilo só podia ser amor, mas o tailandês sempre desconversava e sorria tristemente.

Até que lá pelo fim da tarde da sexta-feira, perto do horário de fechamento, uma cabeleira ruiva passou pela porta da frente, e o sininho acima dela anunciou sua chegada.
 

“Desculpe, mas estamos per… ah, é só você.” O humor de Bambam foi de mal a pior.

 

Queria muito evitar a surpresa por vê-lo depois de tantos dias, mas a sensação de felicidade completa era inevitável.
 

“Eu vim aqui para me desculpar pelo meu comportamento.” Yugyeom se curvou,
 

Mesmo que na América não fosse necessário, mas foi criado com os costumes coreanos antes de vir para os Estados Unidos.

Yugyeom parecia mais uma criança de cinco anos se desculpando com o coleguinha depois de ter derrubado seu achocolatado nele. Era algo fofo de se ver, mas Bambam não podia baixar a guarda.
 

“Pode poupar seu esforço. Já passou e não importa mais.” Bambam tentava a todo custo desviar a atenção do mais novo.

“Sério, eu pensei muito e fui injusto com você. Só estava preocupado.” Mesmo tendo se preparado por uma semana, Yugyeom ainda estava acanhado e o nervosismo era nítido.

 

Bambam não ia ganhar nada ficando com raiva do garoto. No curto espaço de tempo que ficaram juntos, Bambam percebeu que Yugyeom se tratava de um garoto solitário que não confiava em ninguém e fazia de tudo para chamar atenção dos pais.
 

“Olha, eu acho que d…”
 

Bambam foi interrompido mais uma vez pelo sininho da porta avisando a chegada de um novo cliente.

 

“Ora, ora, finalmente o peixinho caiu na rede. Estive rondando o lugar a semana inteira até esperar vocês dois dois ficarem juntos para finalmente terminar meu serviço.”

 

Yugyeom, que até então continuara curvado, se endireitou rapidamente e se colocou à frente de Bambam por instinto.

 

“Sai já daqui ou eu chamo a polícia!”

“Vai pagar de valentão agora, moleque? Sabemos que você é menor de idade. Vai ficar ruim para o seu lado e do seu amiguinho ai.”

 

O homem aproximava-se lentamente e, por impulso, Yugyeom mandou Bambam correr em direção a porta dos fundos e foi de encontro ao inimigo a sua frente. Mas, claro que ele seria mais forte que um adolescente de quatorze anos. Foi inevitável os socos proferidos pelo homem.

Bambam não queria deixar Yugyeom desamparado. Estava prestes a ajudar o amigo com o que quer que fosse quando foi surpreendido pelos outros dois capangas daquele dia, impedindo-o de se mexer.

 

“Yugyeom!” Bambam gritou em um pedido de socorro mesmo sabendo que não seria atendido.

 

Em um momento de distração, Yugyeom conseguiu dar uma cotovelada no abdômen do cara e com resultado foi solto dos braços dele. Correu até o balcão de pagamento e conseguiu acionar o botão de emergência.

 

“Seu filho da puta! Deixem eles aí e vamos antes que a polícia chegue!”

 

Os capangas logo soltaram Bambam que saiu com nenhum arranhão e seguiram para fora. Yugyeom não conseguia se levantar então Bambam foi correndo até ele.
 

“Meu Deus! Você tá bem? Diz que sim vai.”

“Calma, tô legal. Só estou um pouco dolorido.”
 

O mais novo estava encostado na parede com o braço envolta da barriga, tentando amenizar um futuro hematoma.
 

“Vamos, vou te levar pra casa.” Bambam ia o apoiando em seu ombro quando foi interrompido.

“Eu não posso ir para casa nesse estado. Meus pais vão me questionar e eu não vou saber o que falar.”

 

Bambam podia se arrepender da sua decisão? Talvez, mas não deixaria Yugyeom naquele estado deplorável e com um carinha de cachorro perdido.
 

“Ok, vou te levar pra minha casa, mas por favor, não comente nada com a minha mãe.”

 

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Nada podia chamar mais a atenção do que Bambam dando apoio para Yugyeom. O mais novo era visivelmente mais pesado que o tailandês. Quando chegaram a casa de Bambam, ele foi logo empurrando Yugyeom andar acima para não dar tempo de algum membro de sua família ver aquilo e começar o interrogatório.

 

“Então esse é seu quarto? É bem acolhedor.”
 

Bambam o colocou sentado em sua cama e foi logo atrás da caixa de primeiros socorros guardada no banheiro.

Yugyeom nunca foi convidado para ir a casa de nenhum amigo ou colega. Então não sabia como proceder, mas estava estranhamente confortável na casa do mais velho.

Demorou um tempo observando a simples decoração do quarto: poucas fotos penduradas em um varal na parede em que ficava a cama, um pequeno guarda roupa de madeira escura na parede oposta que Yugyeom apostaria todas suas fichas que estava repleto de mais roupas exóticas de Bambam, e a escrivaninha da mesma cor com desenhos de croquis e vários tipos de lápis e marcadores espalhados por cima dela.

 

Realmente, a cara dele, pensou o mais novo.

“Sei que esse não é o tipo de coisa que está habituado, mas é o que eu posso lhe oferecer… Achei.” Falou do banheiro.

“Não se preocupe, assim está ótimo.”
 

Bambam voltou com a caixinha de primeiros socorros e começou a passar o algodão molhado com água oxigenada nos machucados de Yugyeom.

 

“Cuidado! Isso arde.”

“Pare de frescura, eu ainda nem toquei em você”

 

Foram 10 minutos de longo silêncio até o anfitrião terminar os curativos. Nenhum dos dois se atreveu a iniciar um diálogo. Até que Yugyeom foi obrigado a quebrá-lo.
 

“Agradeço por tudo.”
 

Mesmo ainda sem jeito com a situação, deu um mínimo sorriso e Bambam queria pegar seu celular e registrar aquele momento tão raro, mas se conteve.
 

“Não sei se você faria o mesmo por mim, mas eu tive que fazer isso, mesmo que você tenha me tratado daquela forma.”

“Acho que a gerente falou pra você um pouco da minha vida. Ela não sabe da história completa e nem o que me levou a ser expulso.”

 

Yugyeom estava prestes a compartilhar um pedaço da sua vida com Bambam, que rezou aos céus para nada e ninguém interromper aquele momento.

 

“Desde criança, meu pai me mantinha fora de vista, mas sempre esteve lá para me criticar. Estudei a minha vida toda na mesma escola particular e em período integral. Com o tempo, percebi que, não importava o que fizesse, meu pai nunca olharia para mim de um jeito fraternal. Cometi várias infrações, mas minha mãe sempre conseguiu me livrar, mas quando a direção pegou meus colegas fumando maconha no banheiro do terceiro andar da escola, nos expulsaram imediatamente. Eu não consumi, apenas estava com as pessoas erradas... Nenhuma delas abriu a boca para me defender dizendo que eu não estava fumando. Minha mãe tentou a todo custo me livrar da expulsão, ela acreditava em mim. Ela foi a única que me dava amor.”

 

Bambam não conseguia prestar atenção em mais nada. Sentia-se tão íntimo do mais novo. Estava irradiando felicidade por dentro.

 

“Passei a conviver com um pessoal mais velho e barra pesada. Eles ficaram sabendo que eu gosto de dança e me propuseram um negócio: entrar em uma batalha de dança e se eu ganhasse, levaria o prêmio. Claro que quando comecei era peixe pequeno. Como a cada ano eu renovava minha fake id, não tive problemas em entrar. Primeiro veio as apostas, eu sempre apostava muito dinheiro e também perdia muito dinheiro. Minha mãe foi obrigada a cortar minha mesada, mas eu tinha dívidas a tratar com o pessoal da elite, então fui instruído a participar das disputas.”

“No começo, pensei que não fosse passar para a próxima rodada, mas consegui. Decidi então treinar duro. Foram três meses até conseguir chegar na final. E o dinheiro que ganharia serviria para sanar a dívida e, finalmente, ia me livrar daquele lugar. Mas, antes de você aparecer na minha vida, eu havia descoberto que sabiam que eu era menor de idade e só esperaram a última batalha chegar para lançarem a cartada final. Tinha noção de que eles me matariam se eu perdesse e não tivesse como pagar, mas tava tão cego. Já não estava mais competindo pelo dinheiro, eu realmente amo dançar.”
 

Bambam encontrava-se tão entretido que nem percebeu quando o mais novo derramou as primeiras lágrimas grossas. Mesmo contra sua vontade, ou nem tanto,  levantou-se e sentou do lado de Yugyeom na cama, passando confiança.
 

“Eu não queria ter que contar para minha mãe o perigo que corria, ela não ia conseguir me livrar dessa vez. Eu entrei sozinho no problema e tinha que resolver ele sozinho também. Mas você me seguiu aquele dia no beco. Não sei se a culpa foi sua ou eu que errei mesmo na coreografia, me distraí e fui desclassificado. Mas se você não estivesse comigo ali, eu não sairia vivo. Me desculpe pelo que falei de você e obrigado pelo que você fez.”

 

O tailandês olhando para aquela expressão de choro do mais novo, não se conteve e o abraçou fortemente.

 

“Não se preocupe com mais nada, eu te desculpo. Agora você tem um amigo com quem pode contar.”
 

Yugyeom retribuiu o abraço apertado, mas não durou muito pois a porta foi aberta com violência dando visão para uma mulher baixinha de mais ou menos quarenta anos que entrou gritando no quarto, assim assustando os dois garotos sentados na cama e fazendo com que se separassem rapidamente.

 

“Kunpimook Bhuwakul! Quero saber porque só chegou agora, espero que não tenha ficado vadiando pelo bairro ou… Ahh, temos visitas.”
 

A senhora, que Yugyeom supôs ser a mãe de Bambam, parou imediatamente de chamar a atenção do filho quando pousou seus olhos no garoto ruivo, e agora com as bochechas rubras.

 

“Mãe, esse aqui é o Yugyeom. Ele é filho da dona do brechó em que eu trabalho e veio passar o fim de semana aqui em casa.”

 

Bambam não pode deixar de ficar envergonhado por Yugyeom ter presenciado o escândalo de sua mãe.
 

“Ah, prazer em conhecê-lo, querido.” Era incrível como a mãe de Bambam podia mudar de humor de um segundo para o outro. “Por que não me disse que receberíamos visita?” E lá estava ela de novo.

“Me desculpe pelo incômodo. Foi meio em cima da hora a minha decisão, mas seu eu estiver atrapalhando poss…”

 

Yugyeom não podia deixar Bambam cuidar da mentira toda sozinho.
 

“Seu amigo é tão educado, deveria ter convidado ele antes.” Coitada, mal sabia do perrengue que passaram por causa de Yugyeom. “Não é incômodo algum. Eu volto daqui a pouco com alguns lanchinhos.”

 

Quando a mãe de Bambam fechou a porta, foi inevitável os dois não se olharem e rirem.
 

“Ai, sua mãe parece ser bem legal. Talvez eu me acostume em vir aqui mais vezes.”

“Você é muito abusado, criança. E não se acostume.” Bambam acabou jogando um travesseiro no rosto de Yugyeom, que gemeu de dor em resposta.

“Mas se eu vou passar o fim de semana aqui, que roupas irei vestir?” Não tinham pensado nesse detalhe, mas Bambam daria um jeito.

“Pode usar um dos meus pijamas e amanhã vamos na sua casa para você pegar algumas roupas.”

“Eu vou ter que usar uma das ruas roupas estranhas?”

“Dorme pelado, então.”

“Olha que essa ordem eu obedeço.”
 

Bambam acabou ficando vermelho sem intenção e ameaçou jogar seu sapato dessa vez, porém foi interrompido pelo celular do mais novo.

Yugyeom tinha se esquecido que seu celular estava no seu bolso. Pensou em tê-lo perdido no meio da fuga.

 

“Oi, mamãe.” Atendeu com a maior naturalidade do mundo como se não tivesse apanhado de um cara poucas horas antes.

“Filho, onde você está? Fiquei preocupada.”

“Estou na casa do Bambam. Ele me convidou para passar o fim de semana aqui.”

“Sério? Ah que bom que se entenderam. O Bambam é um bom garoto.”

“Sim, ele é.” Yugyeom respondeu sem perceber e isso acabou deixando os dois sem graça.
 

Depois de se falarem por mais uns cinco minutos e a senhora Kim pedir para o filho se comportar, desligou e o guardou no bolso novamente. Bambam foi o primeiro a cortar o silêncio.

 

“Então, mamãe? Por essa eu não esperava, Kim Yugyeom.”

 

Bambam sentiu que aquele momento era a deixa para debochar do mais novos depois de tanto tempo de ser alvo de suas piadinhas.

 

“Ahh cale a boca, idiota!”

 

A noite se passou emocionante. Yugyeom foi recebido calorosamente na casa de Bambam e nunca havia se sentido tão bem. Foi inevitável não rir dele quando usou o pijama de ursinhos rosas do tailandês, este que afirmava que combinava muito bem com a personalidade infantil do outro.

Bambam havia percebido que era apenas preciso entender Yugyeom para se aproximarem, mas seguí-lo até uma batalha clandestina e enfrentar bandidos, também possa ter sido um gatilho.

 

.

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“Está pensando em fazer o que agora?”

“Casa, talvez. E você?”

 

Na semana seguinte, os dois ficaram mais próximos do que nunca. Encontravam-se no meio do caminho e seguiam para o trabalho juntos. Não tiveram muito tempo a sós e Yugyeom queria mudar isso. Conhecer mais o tailandês estava em sua lista de afazeres. Logo quando Bambam fechou a loja, Yugyeom fez o “convite”.

 

“Tô pensando em te levar em um lugar legal que inaugurou há um tempo atrás. Você não tem cara de quem ouve música boa.”

 

Bambam não sabia se aquilo seria um encontro ou apenas um passeio entre amigos.
 

“Como assim eu não ouço “música boa”?”

“Apenas me siga, acho que você vai gostar.”

 

Poucos minutos de caminhada, chegaram em uma loja de discos. Bambam não esperava que o amigo gostasse desse tipo de coisa.

 

“Estou surpreso.”

“Vamos entrar, quero mostrar minha seção favorita.” Foi empurrando Bambam para dentro.

 

O ar condicionado os recebeu naquele quente verão. Seguiram pelo piso de porcelanato para a seção de hip-hop: que Yugyeom diz ser a sua favorita.

Disco atrás de disco, Bambam descobriu o que o artista favorito do mais novo era Chris Brown. Já estava para escurecer quando Bambam tomou coragem para falar o que tanto o incomodava.

 

“Sabe, quando nos conhecemos, naquele dia estava acontecendo muitas coisas negativas e eu pensei que conhecer você era mais uma delas.” Yugyeom o olhou confuso, afinal, foi a tanto tempo atrás. “Mas elas, justamente, aconteceram para para que eu conhecesse você. Você não foi uma das ações negativas. Você foi a ação positiva.”

 

Bambam estava ansioso demais contando aquilo e Yugyeom um tanto envergonhado demais em ouvir alguém falando assim dele.

 

“Tá dizendo que...?”

“Pensa só: se eu não tivesse me atrasado com a chuva, teria chego mais cedo e não iria ser seu supervisor no brechó e não estaríamos aqui agora. Mesmo que tenhamos nos conhecido com o pé esquerdo, tudo foi para nos aproximar.”
 

Yugyeom demorou para pegar a linha de raciocínio do amigo, mas compreendeu onde queria chegar.

 

“Eu não acredito muito nessas coisas, mas até que faz sentido. Só nos conhecemos por causa do trabalho no brechó e eu fico feliz por isso, porque agora somos amigos!”

 

A empolgação de Yugyeom foi tão grande que atingiu um atendente da loja atrás de si com o resto do seu chocoshake num movimento dramático com os braços.

 

“Me desculpe, eu não vi você ai.”
 

Os dois adolescentes ficaram intimidados com a expressão dura do jovem atendente.

 

“Eu acho que devo ter um lencinho aqui na minha bolsa e…”

“Relaxa, já está no fim do meu turno. Esse dia vai de mal a pior.” Saiu resmungando mais para si mesmo do que para os dois a sua frente. “Jackson! Para de dar em cima das clientes e fica de olho no caixa. Vou ter que trocar de camisa. Uma criança derrubou chocoshake em mim.”
 

E saiu deixando Yugyeom indignado e Bambam perto de um ataque de risos.
 

“Vamos embora. Os vendedores desse lugar ofendem os cliente.”

 

Foi difícil o mais velho segurar a risada assim que saíram. O caminho todo foi recheado de reclamações de Yugyeom e como ele poderia provar que não era mais uma criança. Realmente, Bambam não sabia onde havia se metido, mas não teria volta e nem queria voltar.


Notas Finais


Tradução do título:

Isso iria até o fim?


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