1. Spirit Fanfics >
  2. Kojima! >
  3. Suados e desempregados

História Kojima! - Capítulo 2


Escrita por:


Notas do Autor


Textos entre aspas representam o pensamento de um personagem

Capítulo 2 - Suados e desempregados


Fanfic / Fanfiction Kojima! - Capítulo 2 - Suados e desempregados

O fogo baixou, e a dupla não notou mais nenhum sinal do supervisor ou dos seus homens nas redondezas, o que era um bom sinal. Os dois jovens estavam bem cansados de terem fugido quase a noite inteira, acompanhados do eterno calor de Mercúrio, e pra piorar ainda tiveram que entrar escondidos pelo muro que guardava o destino deles, mas finalmente eles haviam chegado no Distrito AA06

_ Despistamo os filha da puta? _ disse 91 enxugando o suor em sua testa

58 não respondeu de imediato, ele estava processando tudo o que havia acontecido, pois não teve tempo de fazer isso com toda a correria e sufoco que passou, mas logo que 91 pôs a mão sem seu ombro ele acordou de seus pensamentos e rapidamente respondeu.

_ Acho que sim, pelo menos por enquanto... _ respondeu 58 como se tivesse sido acordado de um sonho

_ Ótimo, precisamos de um lugar para descansarmos e limpar esse sangue seco no seu nariz. _disse 91 aparentando estar aliviado com o fim da perseguição

Eles continuaram andando por alguns minutos, sem se falarem, estavam cansado demais para dizerem qualquer coisa. As ruas de mercúrio a noite eram um local extremamente desconfortável de se passar, pois haviam muitos dos trabalhadores, que davam continuidade ao serviço sujo praticado durante o dia no ferro velho, era como se as pessoas não descansassem nunca.

"Como toda essa merda pôde acontecer, eu só queria sair desse planeta, eu não fiz nada de errado! Não foi culpa minha o 43 ter morrido, tipo, ele estava lá com a gente por vontade própria.." _ pensava 58 

Os corpos dos dois jovens deixavam claro todo o estresse físico e emocional que passaram nas últimas horas. A culpa de ter se colocado naquela situação unida com a fadiga, foi o suficiente para fazer com que 58 começasse a ficar cada vez mais nervoso, e a aparente calma que seu amigo demonstrava o incomodava, ele não aguentou mais ficar calado e disse:

_  Só tem algumas horas que nossa vida foi pro caralho... _ disse 58 quase tendo um ataque de pânico, algo que contrastava com sua natureza mais racional

_ É foda né. _ disse 91 não querendo demonstrar nervosismo para não desesperar mais seu amigo

_ Como você... _ disse 58 relutando _ Como você consegue estar tão calmo mesmo depois de ver seu amigo morrendo do seu lado?

A voz de 58 estava alterada, ele gritava e parecia segurar a imensa vontade de chorar.

_ Sossega o cu, esse nervosismo todo não combina com você! _ exclamou 91 tentando fazer 58 ficar mais tranquilo, mas causando o efeito oposto o deixando mais irritado que antes

_ Me acalmar!? Sério mesmo? _ berrou 58 apontando o dedo para seu amigo e chamando a atenção de alguns trabalhadores que passavam por perto _ Nosso amigo morreu na nossa frente, perdemos nossos empregos e o Supervisor o distrito quer comer o nosso cu por que estamos com uma coisa que pertence a porra de um  terrorista, como você quer que eu me acalme?

_ Convenhamos que a ideia de levar essa merda foi sua. _ disse 91 _ E sobre o 43, ele falou umas merdas pra mim antes de morrer, bem feito!

58 num ato de fúria e nervosismo foi dar um soco em 91, que facilmente recuou, fechou seu rosto e disse:

_ Eu sei que você ta puto, eu também estou, mas se descontrolar não vai trazer nossos empregos ou o 43 de volta! E segundo, se você tentar me acertar de novo eu vou bater com essa porra de espingarda no seu nariz!

Para a surpresa de 91, seu amigo caiu de joelhos e começou a chorar, todo o nervosismo e tristeza veio à tona e ele parecia não conseguir lidar com aquilo. Então o jovem sentou-se ao lado de seu amigo e disse:

_ Eu não posso falar que vai ficar tudo bem, por que não vai, nossas vidas antigas acabaram e não temos para onde voltar, não temos emprego, nem casa, nem porra nenhuma, estamos fodidos e você sabe tanto quanto eu que ficar se lamentando não fará com que as coisas magicamente deem certo pra gente, elas nunca deram de qualquer forma... _ disse 91 amparando seu amigo que chorava e depois de uma pausa em sua fala, disse _ Mas eu tenho uma ideia, vamos encontrar esse terrorista e ver se conseguimos alguma ajuda dele em troca da cápsula, talvez ele consiga levar a gente para fora dessa merda.

58 secou suas lágrimas e conseguiu se recompor.

_  Mas agora, como vamo achar esse cara? _ perguntou 91 ao seu amigo que agora estava mais calmo

_ Eu não faço ideia, mas se olharmos melhor a cápsula,  talvez possamos encontrar alguma coisa que nos leve até ele... _ disse 58 que parecia bem estável, como se não tivesse acabado de surtar à cinco minutos atrás _ Só, precisamos fazer isso em algum lugar fechado, na rua poderemos acabar levantando suspeitas.

_ Vamos tentar achar o barraco de alguém, se dermos algumas unidades pros moradores eles não devem fazer perguntas. _ disse 91

Enquanto andavam, eles ficaram com os olhos atentos na esperança de encontrar um local para passar a noite, mas eles estavam completamente perdidos pois não conheciam esse distrito. O calor sufocante mesmo durante a noite os deixava cada vez mais exaustos e desmotivados, apenas a vontade de não serem mortos os carregava pela cidade, como uma fina corda suspendendo um gigantesco piano prestes a desabar de um penhasco.

Ao virarem em uma esquina, eles se deparam com uma oficina de mecânicos com alguns ar condicionados distribuídos pela instalação de metal e madeira que era comum em Mercúrio, diferente dos ar-condicionados distribuídos pelo local, esse tipo de utensilio era considerado de luxo, 91 e 58 poderiam contar na mão o número desses exemplares que eles haviam visto em suas vidas inteiras, e sabiam que para que pudessem comprar um daqueles, deveriam ficar algumas semanas sem comer.

Em uma cena de satisfação pessoal, os dois amigos se olharam e gritaram ao mesmo tempo com empolgação:

_ Vai ser aqui!!!

Esse distrito deve pagar melhor que aquela merda, os filha da puta tem até ar condicionado, eu não tinha nem ventilador no meu barraco _ falou 91 enquanto caminhava na para dentro da oficina.

Quando entraram na oficina,era como se eles tivessem entrado em um universo diferente, era um local fresco, 91 sentiu pela primeira vez em sua vida  como se aquele calor que o perseguia por toda a sua vida, tivesse desaparecido completamente. O jovem pensou:

" É melhor que tomar banho frio"

Se essa oficina no meio de mercúrio fica tão boa com ar condicionado velho, imagina só o que eles fazem com toda a tecnologia em Marte ou em Vênus. _ disse 58 com um leve sorriso no rosto, mas 91 não ouviu, pois estava distraído apreciando o ar frio.

A dupla foi recebida por um homem branco, forte, com cabeça raspada, uma barba que cobria todo o seu queixo e que vestia uma roupa comum de mecânico, como um macacão de tecido vagabundo todo manchado de graxa. Ele se aproximou e perguntou com sua voz grave:

_ Boa noite, o que desejam à essa hora da noite? Daqui a pouco o Sol irá raiar e meu turno acaba, então sejam breves!

_ Queremos passar a noite aqui. _ disse 58 cujas olheiras denunciavam seu cansaço

_ Aqui não é motel, arrume outro lugar! _ disse o mecânico impaciente

_ Por favor, estamos muito cansa... _ disse 58

_ Foda-se amigo! _ disse o homem interrompendo 58 _ Eu to trabalhando desde das 4 da tarde, e tu não ta vendo eu pedindo p dormir na oficina dos outros.

_ Você não pode nos deixar assim... _ insistiu 58 tentando inventar alguma desculpa, quando se lembrou de que incêndios nas casas dos funcionários são eventos bem comuns, já que há um estranho fenômeno que ocorre em Mércurio que faz com que o calor do Sol se acumule durante o dia e se solta à noite, causando incêndios nos barracos de madeira _ Nossa instalação pegou fogo e precisamos passar alguns dias um lugar, por favor, temos unidades.

O homem olhou meio desconfiado e por fim disse:

_ 15 unidades por noite!

_ Faça por 10 unidades! _ disse 91 enquanto pensava:

"Vou conseguir um bom desconto desse tiozão"

_ 20 unidades! _ respondeu o homem mantendo a frieza no olhar

58 viu se obrigado a se intrometer

_ 15 está de bom tamanho _ disse 58 lançando um olhar de reprovação para 91 que sussurrou em seu ouvido

_ Ele estava quase cedendo! 

_ Percebi... _ respondeu 58 com ironia _ Enfim, quantas unidades nos restam?

91 checou em seus bolsos e olhou de volta para o amigo de forma preocupante.

_ 25 unidades, só da pra passar uma noite aqui, e se sobrar dinheiro pra comermos acho que estaremos com sorte. É pouco , mas acho que dá pra gente se virar _ disse 91 tentando se convencer disso

_ Vamos ter que dar um jeito de conseguir mais... _ disse 58 meio frustrado, que logo em seguida deu as 15 unidades ao homem que disse que os levaria para o quarto de hóspedes.

Eles o acompanharam e enquanto andavam eles ficaram conversando.

_ Qual seu nome companheiro?  _ disse 91 tentando ser amigável

Em resposta ele recebeu um olhar sério e até chegou a pensar que o homem iria ignora-lo, mas por fim o mesmo revela que se chamava "Butch". Eles caminharam pela oficina por alguns minutos e foram levados para um quarto nos fundos,  o local era pequeno, tinha um banheiro ao lado, e um cheiro de graxa mas eles já estavam acostumados a viver com pouco conforto, e o ar condicionado deixava o ambiente extremamente agradável. 

_ Esse quarto parece uma lata de sardinha. _ disse 58 após Butch deixa-los lá

_Foda-se que é apertado, pelo menos tem ar condicionado. _ disse 91 

_ Tem razão. _ disse 58 que embora houvesse detestado o local, apreciava a baixa temperatura

_ E vai lavar essa merda de nariz, o sangue seco ta nojento! _ disse 91 rindo

91 rapidamente pegou no sono, mas 58 depois de lavar o seu rosto e deitar-se na cama, ficou alguns minutos olhando para a capsula antes de dormir, ele passava a mão por ela enquanto pensava:

"Tudo isso por causa de um objeto tão pequeno, o que será que tem dentro disso? E se essa coisa foi responsável por colocar o Supervisor do distrito atrás dos nossos rabos, por que será que estava numa nave destruída no lixão?"

As perguntas tomavam a cabeça do jovem, que quanto mais se questionava, mais confuso ficava. Porém a fadiga finalmente o venceu e ele se rendeu ao sono, desfrutando do até então desconhecido conforto de um ar condicionado.

 

 

 



Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...