História Kospi - Capítulo 15


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Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Seokjin (Jin), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga), Park Jimin (Jimin), Personagens Originais
Tags Enemies To Lovers, Menção 2seok, Menção Taekook, Minimini, Sugamin, Suji, Yoonmin
Visualizações 1.013
Palavras 8.525
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Lemon, LGBT, Romance e Novela, Shonen-Ai, Slash, Universo Alternativo, Yaoi (Gay)
Avisos: Álcool, Bissexualidade, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Nudez, Sexo
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


Primeiramente, muito muuuuuuuuuito obrigada pelos 700 favoritos! Não sabem o quão feliz essa quantidade toda me deixa, de verdade. ;; <3

Agora, sem enrolar, perdoem qualquer erro que eu possa ter deixado passar, e boa leitura! <3

Capítulo 15 - Quinze Mil Dólares


Yoongi já estava com a porta da frente aberta, encostado ao batente, fazendo a luz automática do corredor acender de novo com uma mão preguiçosa que se esticava quando tudo ficava escuro. Ele olhava para o relógio na tela bloqueada do celular e se xingava por não ter visto a hora que Jimin chegaria, deixando que sua ansiedade com o jantar o fizesse ficar plantado esperando que o garoto chegasse a qualquer momento.

Estava prestes a esticar seu braço de novo quando ouviu o som do elevador chegando ao andar da cobertura, soltando um suspiro de alívio ao ver Jimin cruzar as portas de metal pesado já vestido para o jantar. Ele usava uma camisa social dobrada até os cotovelos, uma calça perfeitamente passada, e algumas pulseiras, bem como uns anéis, enfeitavam seus pulsos e dedos. O cabelo estava repartido ao meio como sempre, a franja jogada para os lados de forma que o deixava com a aparência de mais velho. Ele estava bonito, ao contrário de Yoongi, que poucos segundos atrás estava coçando seu saco e ainda usava o pijama que tinha usado o dia inteiro porque não quis ir para seu escritório. Era quase triste.

“Achei que já estaria pronto para o jantar.” Jimin o encarou de cima à baixo com a sobrancelha arqueada, abrindo um sorriso quando parou no rosto entediado de Yoongi. “Belo pijama.”

“Achou errado.” Yoongi pontuou sua frase com um bocejo e caminhou para dentro de seu apartamento, em direção ao seu quarto, esperando que Jimin o seguisse porque sabia que era o que faria. “Não sabia o que vestir, e acabei vendo que você viria então resolvi esperar para você me ajudar.”

“Eu não sou seu estilista pessoal, hyung.”

“Mas vai ser.” Yoongi se jogou em sua cama e apontou com uma mão para seu closet, ouvindo uma risada fraca de Jimin enquanto ele olhava para o teto e esperava que tivesse roupas jogadas em seu colo em poucos segundos. “Pelo menos hoje.”

A verdade era que Yoongi não estava com a mínima vontade de conhecer os pais de Hayeon. Tinha, no máximo, vontade de ver a menina de novo para assegurar de que ela manteria suas notas nas alturas e faria seu investimento valer a pena, mas aquele jantar estava em último lugar na lista de coisas que gostaria de fazer em uma sexta-feira. Preferia até mesmo passar algumas horas ao lado de Jimin, porque, depois das infelizes vezes que tiveram que ficar presos na presença um do outro, Yoongi já havia aprendido a ignorar seus comentários ou abstrair as grosserias que ele dizia, então seria mais fácil do que lidar com pessoas novas que ele não conhecia. Não tinha escolha, sabia disso, mas desejar que tudo fosse diferente não ia doer.

“Você gosta de preto, não gosta?” A voz de Jimin soou distante, vindo de dentro do closet.

Silêncio. Yoongi respondia à pergunta dentro de sua cabeça, na esperança de que não tivesse que elevar seu tom de voz para que Jimin o ouvisse, mas também como um teste para ver se ele estava lendo sua mente naquele momento. ‘Gosto’, ele repetia incontáveis vezes, e talvez Jimin já tivesse entendido seu recado e estava procurando por algo preto no meio do monte de roupas que tinha, mas o som da voz dele mais próxima do que estava antes fez Yoongi levantar a cabeça assustado.

“Hyung?” Jimin o encarou de cenho franzido. “Você não me escutou?”

“Ah,” Yoongi balançou a cabeça positivamente, sentindo-se estúpido por não ter respondido em voz alta quando teve a oportunidade. Jimin não estava lendo sua mente. “Gosto, gosto de preto. Aposto que tem um monte de camisas dessa cor lá dentro.”

“É, tem mesmo.” Jimin disse com um pequeno sorriso em seu rosto e voltou para dentro do closet, sua voz ficando mais distante de novo. “Em cinco minutos eu devo te dar uma roupa.”

Os passos de Jimin dentro do closet eram tão leves que Yoongi não conseguia ouvir sua movimentação, ouvia apenas a voz baixa do garoto cantando uma música que ainda não havia sido lançada e que tinha ficado presa na cabeça do mais velho enquanto ele trabalhava alguns dias antes. Era quase como uma canção de ninar porque, em pouco tempo, Yoongi sentiu suas pálpebras pesando e o sono que havia sentido o dia inteiro ficando ainda mais presente, por mais que tivesse lutado contra si próprio para não tirar uma soneca e passar a noite acordado depois. Aquela situação o lembrava um pouco de quando ele e Jungkook estavam indo para o canil e o guarda-costas ficou acompanhando as vozes que tocavam no rádio, mostrando que conseguia ser tão bom quanto os artistas mesmo que não estivesse se esforçando para soar como eles.

Quando estava quase pegando no sono, sentiu o tecido macio de uma camisa caindo em seu rosto e abriu os olhos, confuso, sentando-se na cama para ver a roupa que Jimin havia escolhido para ele. Era bem parecida com a que o garoto usava, mas a diferença era o fato de todas as peças serem pretas, exatamente do jeito que Yoongi gostava. Soltou um murmúrio em aprovação e se levantou da cama pronto para trocar suas vestimentas, mas foi surpreendido com uma mão em sua nuca o puxando um pouco para baixo, logo sentindo a ponta do nariz de Jimin tocando o topo de sua cabeça.

“Vai tomar um banho.” Jimin disse com a voz baixa e soltou a nuca de Yoongi, puxando as roupas de sua mão e colocando-as esticadas na cama para não amassar. “Ainda temos tempo até o horário marcado com Hayeon, eu espero.”

Yoongi concordou rapidamente e deu passos largos até o banheiro de sua suíte, coçando sua nuca sem parar, como se a mão de Jimin tivesse deixado sua pele irritada. Queria tomar aquele banho o mais rápido possível porque não confiava no garoto para deixá-lo sozinho em seu apartamento, mas assim que ligou o chuveiro e deixou a água quente bater em sua pele, decidiu que uns minutos de paz antes de ser obrigado a interagir com os pais de Hayeon não seria tão ruim, e se Jimin quebrasse cada móvel de sua casa enquanto ele estivesse ali, que pena, mas ele sabia que teria dinheiro para comprar tudo de novo. Deixou que o vapor cozinhasse os únicos neurônios que lhe restava e só arrumou coragem para sair dali longos minutos depois, quando as pontas de seus dedos já começavam a enrugar.

“Está cheiroso.” Jimin comentou assim que ouviu a porta do banheiro se abrindo, tirando a atenção da tela do celular, onde provavelmente tinha ficado durante aquele tempo todo. “Você não está saindo de casa para impressionar ninguém além dos pais da Hayeon, Yoongi hyung.”

“Foi você que me pediu para tomar um banho, só estou fazendo minha parte.” Yoongi caminhou até o closet com a toalha amarrada na cintura, e sentiu o peso do silêncio cair em seus ombros. Ele se sentia observado, mas preferia ignorar do que dizer alguma coisa. “Minha roupa ainda está aí?”

“Sim.” Jimin respondeu rápido, e Yoongi soube que ele estava só esperando que o silêncio se instalasse por completo para dizer algo que deixaria o mais velho constrangido. “Acha que dá para repetir a dose daquele dia no seu escritório agora antes da gente ir encontrar os pais da Hayeon?”

“Nem agora, nem nunca.” Yoongi bufou e colocou sua cueca por baixo da toalha, jogando o pano molhado para o lado quando tinha coberto devidamente suas partes íntimas e não se sentiria tão envergonhado deixando que Jimin o visse. “Esqueça que aquilo aconteceu. A gente só fez aquilo porque você tinha um objetivo, não precisamos mais ficar lembrando disso.”

“Mas você queria antes.” Jimin cutucou mais um pouco, querendo ver até onde Yoongi aturaria aquela conversa. Não demoraria muito para ele explodir se as coisas continuassem naquele ritmo. “Juro que foi sem querer, mas eu me lembro muito bem do dia que li sua mente por acaso enquanto você me homenageava no seu sofá.”

“Você usou a palavra antes muito bem, Park Jimin.” Yoongi comentou com a voz ácida, sentindo sua paciência ir embora de uma vez por todas. O garoto o encarava com um sorriso debochado nos lábios enquanto ele colocava suas calças com agressividade, mas preferiu fingir que não estava vendo aquilo. “Eu já falei, aquilo foi antes de eu descobrir que você era um merda manipulador e chantagista.”

“Seu amor por mim é tão grande que chega a doer.” Jimin disse com a voz um pouco mais grave, o deboche transbordando em cada palavra. Levantou-se da cama e caminhou com passos lentos até a porta do quarto, abrindo-a sem nem olhar para trás antes de completar seu raciocínio. “Vou te esperar lá fora. Arrume-se rápido, você demorou demais no banho, não quero deixar nem Hayeon nem os pais dela esperando.”

Os dedos de Yoongi tremiam enquanto ele abotoava sua camisa, tendo que desfazer tudo para começar de novo porque tinha deixado um buraco sobrando sem nem perceber. Ele tinha acabado de tomar um banho quente e o ar gelado de seu quarto o deixou com frio por alguns segundos, mas, de repente, sentia um calor inexplicável subindo por seu corpo. Quis se xingar porque sabia exatamente o que estava acontecendo, e sabia que tinha sido causado pelo comentário de Jimin sobre sua ‘homenagem’ para o garoto, porém sentia o último fio de sanidade em sua mente se rompendo. Precisava respirar fundo para não se perder em pensamentos da noite da festa da Forbes, ou então arrumaria um problema e, para piorar tudo, teria que lidar com Jimin o provocando depois por conta de um certo volume extra em suas calças. Seria o fim da picada.

Olhou-se no espelho e, depois de concluir que estava devidamente vestido, caminhou até a sala, onde Jimin o esperava com um sorriso travesso no rosto. Yoongi soltou um longo suspiro porque é claro que o garoto havia lido sua mente enquanto ele pensava naquelas coisas dentro de seu quarto, e já estava até pronto para ignorar cada comentário inconveniente que ele faria, mas tudo que ouviu foi um simples ‘vamos’. Acompanhou Jimin até a entrada, ambos calçando seus sapatos em silêncio enquanto Yoongi verificava se estava tudo desligado antes de finalmente abrir a porta para eles dois saírem e darem início à noite.

Yoongi apertou o andar da garagem e nem reparou que Jimin ficou quieto em seu canto, sem abrir a boca nem para respirar. Quando as portas do elevador se abriram, ele colocou os pés para fora sem nem olhar para trás, mas ficou surpreso ao ouvir o som dos sapatos do garoto batendo no chão de concreto e ecoando pelas paredes do mesmo material junto ao dele. Olhou para trás de cenho franzido e se deparou com Jimin com o mesmo sorriso de antes no rosto, as mãos presas atrás do corpo e um olhar nada inocente completando sua feição. Yoongi olhou pelas janelas revestidas com uma rede de proteção, dando a entender que Jimin devia estar se encaminhando para a rua, onde ele esperava que o carro dele estivesse. Ele tinha ido de carro até ali, certo?

Certo?

“Errado.” Jimin respondeu com a voz fraca, coçando sua garganta logo em seguida e se aproximando de onde Yoongi ainda estava parado com a expressão confusa no rosto. “O restaurante que eu reservei para nós é muito frequentado, e é difícil de conseguir vaga para estacionar lá perto. Como eu sabia que você se recusaria a ir no mesmo carro que eu, resolvi vir de táxi e fazer uma surpresa para você.”

“Ah, não.”

“Ah, sim.” Jimin deu uma risada fraca e cobriu sua boca com a mão, uma sobrancelha se arqueando como forma de desafio logo em seguida. “Nem pense em brigar agora, nós vamos juntos e acabou. Eu te ensino o caminho. Você vai ver, nem vai doer, hyung.”

A tentativa de Yoongi de esconder que estava com raiva foi falha, e, por algum motivo desconhecido por ele, causava um divertimento sem fim em Jimin, que não parou de rir nem por um segundo enquanto eles colocavam o cinto de segurança e o homem dava a partida no carro. Sabia que sua expressão não estava das melhores e sabia que se descontasse sua frustração no pedal, seria capaz de acelerar e causar um acidente nas ruas movimentadas de Seul, então tentou respirar fundo e se concentrar para não machucar ninguém por conta de seu ódio por Park Jimin. Assim que o portão da garagem se abriu, o garoto ligou o rádio e ficou passando pelas estações até parar em uma que uma música mais lenta tocava, murmurando satisfeito com sua escolha e depois virando sua cabeça para a janela para observar a paisagem.

Aos poucos, Yoongi ia relaxando, até porque Jimin não estava falando pelos cotovelos e o irritando como ele imaginava que estaria. A música da rádio era até mesmo agradável, e nada daquelas batidas repetitivas que pareciam que entravam em seu cérebro e socavam seus neurônios sem piedade. Tudo bem, ele precisava admitir, andar de carro com o garoto não estava sendo o pesadelo que ele achou que seria – mas ainda não queria pensar muito naquilo porque faltava um tempo até que chegassem ao restaurante, Jimin teria suas chances de ser irritante caso estivesse com vontade de dar alguns fios de cabelo brancos para Yoongi.

O que ele não esperava era sentir uma mão quente e atrevida passeando por sua coxa, um corpo se aproximando do seu quando eles pararam em um sinal vermelho, uma respiração pesada batendo em seu pescoço. Yoongi respirou fundo e encarou a luz que o impedia de acelerar o carro, tentando ao máximo ignorar a presença de Park Jimin quase se pendurando nele, mas ele devia ter aprendido desde a festa da Forbes que aquela era uma tarefa impossível. Fechou os olhos, contou até três e olhou para o lado, deparando-se com o olhar caído do garoto ao mesmo tempo em que sentiu seus dedos delicados deslizando pela calça, chegando, aos poucos, mais perto de uma área perigosa. Yoongi balançou a cabeça de um lado para o outro e voltou para a realidade com uma buzina sendo acionada atrás deles, indicando que o sinal já estava verde, mas ele estava ocupado demais olhando para um certo Jimin para reparar.

Afastaram-se como se tivessem tomado um choque, Jimin indicando com a voz fraca onde Yoongi deveria virar, e o carro caiu em um silêncio constrangedor enquanto o homem passeava pelas ruas de maneira lenta, rezando para que eles não parassem em nenhum outro sinal vermelho para evitar que algo daquele tipo acontecesse de novo. As forças do universo provaram que estavam contra ele naquele dia – ou quase sempre, pelo que Yoongi andava reparando – quando, em menos de cinco minutos, estavam parados de novo encarando os pedestres atravessando em cima da faixa de um lado para o outro, como formigas apressadas para voltar para casa depois de um dia cheio. Jimin não se aproximou dessa vez, mas Yoongi sabia que precisaria falar alguma coisa se quisesse que o jantar com os pais de Hayeon não fosse tão ruim por culpa deles dois.

“Há quanto tempo você não transa?”

“Você foi o último.”

“Agora entendi esse seu fogo.” Yoongi soltou uma risada debochada, olhando para outro carro pela janela. Os vidros escuros não permitiam que ele visse uma pessoa, mas até aquilo era melhor do que encarar Jimin durante aquela conversa. “Não vai rolar.”

“Vai dizer que tem medo de sexo sem compromisso?”

“Não tenho.” Yoongi se apressou em negar, e era verdade. Se tivesse, provavelmente nunca mais teria transado depois da faculdade, e aquilo com certeza não tinha acontecido. “Mas com você não vai rolar.”

“Eu deixo você me comer dessa vez.”

“Não quero.”

“Nem se eu te oferecer um boquete agora?

“Você é insistente, hein?”

“Eu estou desesperado, é diferente.” Jimin bufou, e Yoongi se permitiu olhar para o garoto por alguns segundos. Ele encarava o carro ao lado como o homem fazia alguns segundos antes, e nem reparou que estava sendo observado. “Não tenho mais tempo para sair e me divertir com essa vida, você é literalmente minha única opção.”

“Obrigado pela parte que me toca.” Yoongi murmurou baixo e viu o sinal ficar verde, finalmente, pisando o pé no acelerador e ignorando o murmúrio baixo de Jimin dizendo que ele poderia estar sendo tocado agora se não fosse tão teimoso. “Por que você acha que eu vou nessas festas de revistas? Por que é divertido? Não, a diversão fica quando você sai de lá. Você viu o que aconteceu entre a gente.”

“O que quer dizer com isso?” Jimin perguntou com a voz baixa, e Yoongi podia sentir que o garoto estava encarando seu perfil. Agradeceu aos céus por estar dirigindo e não poder dar atenção a ele no momento.

“Procure alguém lá dentro para transar.” Yoongi disse, simplesmente, porque era o que ele sempre fazia. Não tinha mais tempo ou privacidade para ir a boates, ou bares, qualquer coisa do tipo. Só tinha como ir para as festas chatas das revistas e jornais, então era lá mesmo que se achava. “E eu não serei mais sua única opção.”

Um homem alto com um sorriso simpático e um uniforme de aparência sufocante os desejou uma boa noite assim que eles saíram do carro, e disse que estacionaria o veículo para eles. Jimin sorriu, curvou-se para frente uma porção de vezes e quase quebrou a coluna de Yoongi ao tentar fazer com que ele fizesse o mesmo, isso tudo sem deixar de ser a simpatia em pessoa. Caminharam em silêncio pelo tapete vermelho que tinha na calçada até a entrada do restaurante, onde um homem vestindo um terno simples os levou até uma mesa para cinco que tinha uma placa escrito ‘reserva de Park Jimin’ à mão. Eles se sentaram, agradeceram, e logo estavam sendo forçados a olhar o cardápio, embora ainda estivessem esperando o resto de seus convidados chegarem.

Depois de quase uma taça inteira de vinho de Jimin ter ido embora, e metade do suco de melancia de Yoongi ter ido pelo mesmo caminho, uma Hayeon de olhos levemente arregalados apareceu andando apressada até a mesa onde eles estavam sentados, com um casal que tinha os traços do rosto muito parecidos com o dela logo atrás, olhando para todos os lados maravilhados com a decoração do restaurante. A menina praticamente se jogou na cadeira mais perto de Jimin e cobriu o rosto com um dos cardápios que ainda estava na mesa, e o garoto, confuso, levantou-se de seu lugar ao ver os pais dela se aproximando cada vez mais. Colocou seu sorriso simpático treinado no rosto e foi até os dois, um cumprimento suave saindo de sua boca como se socializar fosse a coisa mais fácil do mundo.

Enquanto Jimin fazia as apresentações aos pais de Hayeon, Yoongi encarava a garota, confuso, querendo saber o que tinha acontecido para ela ter feito uma entrada triunfal daquelas. Antes mesmo que pudesse aproximar seu dedo do braço magro da menina, ela tirou o cardápio do rosto e o encarou com uma careta no rosto, fazendo-o arregalar os olhos de susto. Yoongi arqueou uma sobrancelha e apontou discretamente na direção do casal que falava sem parar com Jimin, pedindo uma explicação para o que tinha acontecido sem proferir uma palavra, e a menina, ainda fazendo careta, balançou uma mão e sugeriu que seria melhor deixar aquilo para lá. O homem respirou fundo e agradeceu aos céus por não ser obrigado a ter uma conversa que não queria, bebendo mais um gole de seu suco em silêncio enquanto esperava que todos se sentassem.

O pai de Hayeon era um homem baixinho que falava alto demais às vezes, e era incapaz de calar a boca por um segundo. Sua preocupação com a filha chegava a ser um pouco exagerada, e não importava quantas vezes ele limpasse o suor da testa com o guardanapo dobrado em forma de triângulo que ficava no bolso de seu paletó, o brilho estava lá quase como uma parte dele que nunca sairia. A mãe era um pouco mais calma e seu tom de voz era muito mais agradável, mas ela também estava sempre falando de Hayeon, de como ela era frágil, ou de como uma vez ela tinha torcido o pulso por carregar muitos livros pesados de uma vez só. Yoongi e Jimin ouviam os dois falarem com os olhos arregalados, pensando onde diabos eles haviam se metido, e o garoto ignorou com vontade quando sentiu um beliscão do mais velho em sua coxa.

“Hayeon, meu anjo, você trouxe a cartela de remédios para dor de cabeça? Você reclamou mais cedo de dor, espero que não tenha se esquecido.” A mãe de Hayeon procurou algo dentro de sua bolsa, distraindo-se por mínimos segundos, mas que foi tempo o suficiente para a garota lançar um olhar desesperado para os dois milionários. “Você trouxe! Ainda bem.”

“Mãe, você e o pai não reclamaram que precisavam ir ao banheiro quando estávamos vindo para cá?” Hayeon perguntou com um sorriso grande demais, e Yoongi se questionou se era assim que ele ficava quando estava se forçando a ser simpático com as pessoas que Jimin o obrigava a conhecer. “Agora vocês podem ir.”

Às pressas, o casal se levantou da mesa e perguntou para o primeiro garçom que passava onde ficavam os toaletes, e assim que sumiram de vista atrás de portas de madeira de aparência pesada, Hayeon soltou um longo suspiro e deixou seu corpo relaxar na cadeira enquanto Yoongi e Jimin a observavam com os olhos arregalados e a descrença explícita em seus rostos. A menina não se deu muito tempo para relaxar porque sabia que em pouco tempo seus pais voltariam para a mesa e começariam um interrogatório insuportável com a dupla de milionários, então precisava deixar bem claro desde já que ela não era que nem aquelas pessoas, não concordava com o jeito invasivo de eles serem na maioria das vezes, e, acima de tudo, queria pedir desculpas por ter os pais mais surtados de preocupação do mundo inteiro.

“Não tem problema, Hayeon, eles só são preocupados.” Jimin disse com uma voz doce e uma simpatia invejável, enquanto Yoongi estava segurando a língua para não perguntar como a garota os suportava. “Nós vamos até o fim com isso, ok? Aposto que eles já estão a meio caminho de serem convencidos de que nós realmente queremos ajudar a pagar as despesas da faculdade.”

“Mas é melhor você manter suas notas altas, ouviu, Hayeon?” Yoongi disse com um tom acusatório, fazendo a garota assentir com os olhos arregalados na mesma hora. Jimin encarou o homem ao seu lado de cenho franzido, repreendendo-o por ter sido rude daquela maneira, e seu olhar irritado chamou a atenção dele. “O que foi? É verdade! Isso é um investimento, a Coreia do Sul é cheia de mentes brilhantes, se nós formos pagar pelos estudos dela, é melhor garantir que ela vai dar um retorno para o país.”

“Será que você pode parar de pensar com essa sua cabecinha oca de economista por dois segundos?” Jimin cutucou a testa do mais velho como se realmente não houvesse nada ali dentro, fazendo um biquinho se formar nos lábios de Yoongi com o que tinha acabado de ouvir. “Nem tudo é investimento, nós só estamos a ajudando a completar o curso, seu–”

“Park Jimin? Min Yoongi?” A voz alta do pai de Hayeon chamou a atenção deles dois, e, na mesma hora, ambos colocaram um sorriso simpático treinado no rosto e esperaram que o homem continuasse a falar. Nenhum deles viu, mas a menina voltou a se esconder atrás do cardápio para rir. “Acho que agora podemos conversar sobre os interesses de vocês dois, não é mesmo?”

Yoongi ficou aliviado ao perceber que o resto do jantar não foi o completo desastre que ele achou que seria, com o pai de Hayeon falando alto demais e atraindo a atenção não só dos outros clientes do restaurante como dos funcionários, que seriam obrigados a pedir para eles se retirarem do estabelecimento. Não, a conversa foi civilizada, apesar de terem demorado quase a refeição inteira para convencerem senhor e senhora Lee de que sim, eles tinham dinheiro para pagar o curso, e não, eles não queriam nada em troca, fosse um pagamento de dívidas ou trabalhos de procedência duvidosa de Hayeon. A garota soltou um suspiro aliviado quando o pai apertou a mão de Yoongi e de Jimin, aceitando a proposta, embora ainda estivesse um pouco receoso e tivesse muitas dúvidas. O jovem acionista garantiu que eles ainda se veriam de novo para colocar todos os pontos finais que ainda faltavam, e Yoongi quase chorou de desespero por conta daquela informação.

A primeira coisa que fariam seria pagar as mensalidades atrasadas de Hayeon, duas no total. Depois de Yoongi pagar a conta do jantar escondido de todos para evitar possíveis discussões, Jimin puxou um talão de cheque que ficava em sua carteira e anotou o valor sem nem piscar os olhos, sem nem sentir um aperto no peito ao fazer aquilo enquanto Yoongi sentiria como se estivessem levando uma parte de sua alma. Ele destacou o pequeno pedaço de papel e entregou na mão dos pais da garota, que agradeceram uma porção de vezes e até seguraram na mão de Jimin para dar ênfase em sua gratidão. Hayeon parecia querer se enfiar no chão de tão envergonhada que estava, mas enquanto seus pais falavam sem parar com o garoto, Yoongi olhou para ela e mostrou um polegar positivo, garantindo que tudo estava bem, e assim continuaria.

Já do lado de fora do restaurante, enquanto os pais de Hayeon aguardavam que o manobrista chegasse com o carro deles, a menina caminhou com passos incertos até onde Yoongi e Jimin estavam parados discutindo por alto como dividiriam as mensalidades. Era fato que o curso ficava mais caro à medida que os semestres iam passando, então eles ainda precisariam ver isso com calma. Limpando a garganta, Hayeon chamou a atenção dos dois, que se calaram na mesma hora e olharam para baixo na direção da menina que coçava sua cabeça enquanto pensava em uma maneira de começar o discurso que ela queria fazer, mas nem havia planejado como faria aquilo. Um suspiro pesado saiu da boca dela antes de começar a falar.

“Eu ia fazer um discurso cheio de blá blá blá para agradecer a vocês dois, mas eu não sou boa nisso.” Hayeon fez uma careta e deixou seu braço cair de forma desajeitada ao lado de seu corpo, olhando para o céu por alguns segundos antes de voltar a prestar atenção nos dois de novo. “Também não sou muito fã de abraços, então será que vocês entenderiam se eu desse um high five como forma de agradecimento?”

“Por mim, tudo bem.” Yoongi foi o primeiro a dizer alguma coisa, levantando sua mão e sorrindo quando a garota bateu, virando-se para Jimin logo depois, que tinha assistindo àquela cena toda com um sorriso no rosto. “Sua vez, Jimin.”

Jimin imitou a ação de Yoongi e deu uma risada quando os pais da garota a chamaram e ela fez uma careta, murmurando um ‘obrigada’ mais uma vez antes de sair correndo até eles, colocando cada braço ao redor de seus pescoços apesar dos protestos dos dois ecoarem pela rua. Yoongi conversava com o manobrista que prometia que seu carro estava chegando, e mal notou o olhar do garoto sobre ele, mas Jimin estava grato por isso porque geraria uma conversa que ele não queria ter, principalmente porque sabia que Yoongi negaria até o fim que gostava da menina, que estava gostando de ajudá-la e de ter certeza de que ela terminaria os estudos. Ele tinha ficado receoso com a ideia de ir até a antiga universidade do homem para ajudar algum aluno a pagar suas dívidas, mas tinha acabado de reparar que foi sua melhor ideia até então.

Nenhuma palavra foi trocada entre eles depois daquele dia. Yoongi deixou Jimin em casa, assistindo ao garoto passar pelo portão da frente com os passos tortos e um sorriso solto no rosto, fruto do vinho que tinha bebido durante o jantar. Ele imaginava que Hayeon trocava mensagens com Jimin porque tinha mais intimidade com ele, e porque Yoongi não dava muito a abertura para que ela se sentisse confortável para conversar com ele quando bem quisesse. Além disso, era Jimin que estava cuidando de toda aquela bagunça de ajudá-la a pagar a faculdade, ele que tinha pago as duas mensalidades atrasadas – Yoongi estava lá mais para ver tudo de longe do que tomar as rédeas do acordo deles, então não fazia muito sentido que ele ficasse íntimo de Hayeon.

Yoongi começou a reparar também que as visitas inconvenientes de Taehyung a seu escritório diminuíram, e, quando o garoto (homem, Yoongi, homem) aparecia por lá, não chegava nem perto de Jungkook. Mexia nas canetas do amigo, andava de um lado para o outro, comentava como tinha visto o preço do uísque que tinha no frigobar uma vez e ficou horrorizado, mas não chegava nem perto do guarda-costas, no máximo o inseria num assunto o qual ele nem estava prestando atenção para início de conversa. Yoongi estava estranhando, mas não faria perguntas porque, do jeito que Taehyung era, seria capaz dele voltar ao que era antes apenas para irritar o acionista. Não precisava e não queria aquilo, então se mantinha quieto e dava corda aos papos malucos que o mais novo iniciava às vezes.

Depois do silêncio que se instalou entre ele e Jimin por dias que pareceram bons até demais, Yoongi se viu colocando seus pés para funcionar em direção à única loja no shopping que ele sabia que atenderia aos seus gostos para terno, sendo acompanhado de Jungkook, que não tirava a carranca do rosto nem por um segundo. Ele cumprimentou a atendente que já o conhecia com um sorriso simpático, descrevendo o que planejava usar para a festa da The Economist. Queria fugir um pouco da gravata e do terno preto que eram sempre suas melhores opções, mas queria manter a classe, de um jeito que ainda mostrasse que ele tinha uma certa influência onde quer que ele fosse. A mulher não perdeu tempo em levá-lo para diferentes araras, pegando diferentes peças e o mandando provar tudo para ver se tinha gostado ou se precisava de alguns pequenos ajustes.

Era final de verão, mas ele sabia que a blusa de gola alta cinza claro que usava não o incomodaria porque as noites estavam começando a ficar mais frias gradativamente. O sobretudo, a mesma coisa. As roupas de aparência pesada eram realmente só aquilo: aparência. Não o esquentavam mais do que um terno que ele usaria naqueles eventos, e davam um ar diferente do que ele sabia que todos usariam. Era perfeito, fugia um pouco do padrão com o qual ele já estava acostumado, e era o que queria quando explicou para a atendente sua ideia. A mulher sorriu, contente em saber que tinha feito a escolha certa, e nem piscou ao ver o cartão ilimitado sendo colocado em suas mãos quando Yoongi pagava por sua compra. Jungkook, que tinha ficado o tempo todo sentado em um banco dizendo se aprovava o que via ou não, estava de pé mexendo nos dedos das mãos, ansioso para sair daquela loja o quanto antes.

Ao contrário do que achou que aconteceria, os dias passaram voando até que fosse sábado e o convite da festa que tinha recebido na porta de casa se tornasse válido. Yoongi se olhava na frente do espelho e tentava ajeitar seu cabelo de uma maneira apresentável, apesar de saber que o vento suave do lado de fora não demoraria dois segundos para arruinar todo seu trabalho. Soltou um suspiro. De repente, a roupa que achou que havia lhe caído tão bem não estava mais tão bonita assim, e ele estava detestando a forma como alguns fios rebeldes insistiam em se sobressair em relação aos outros. Céus, estava nervoso. Quando tinha sido a última que ficou daquele jeito? Ah, sim, na noite da Forbes alguns meses antes. Na noite em que sua vida virou de cabeça para baixo tudo por culpa de um certo Park Jimin.

Número Desconhecido [20:13]: já que está pensando em mim

Número Desconhecido [20:13]: por que não vamos juntos, hyung?

Assim que Yoongi ouviu o som das mensagens em seu celular, sabia que era o garoto mais novo invadindo sua mente e o respondendo através da tecnologia mais uma vez. Ele respondeu em sua cabeça que não, obrigado, já estava planejando ir com Seokjin, e o assunto acabou ali. Chegava a ser engraçado ver como ele tinha mandado pouquíssimas mensagem até então, a conversa parecendo unilateral em alguns pontos, e Jimin parecendo até um pouco maluco por insistir tanto em manter assunto quando quase nunca recebia nada de volta. Nada que os outros pudessem ver, é claro, porque Yoongi sempre acabava respondendo com palavras pensadas, mas nunca ditas. Ele se perguntava se algum dia teria uma conversa normal com o garoto.

Seokjin, como sempre, era um exemplo de simpatia com os fotógrafos chatos que, por algum motivo, insistiam em tirar fotos dele e de Yoongi enquanto caminhavam em direção à entrada do salão onde ocorreria a festa. Alguns outros acionistas tentavam puxar assunto com eles quando saíam de seus carros caros, e outros os faziam um favor enorme e simplesmente passavam reto, sem dar a mínima importância à dupla. Yoongi sentia como se a gola de sua blusa estivesse começando a sufocá-lo, apesar de não ter se sentido assim em momento algum. O sobretudo, que antes era tão confortável, começava a pinicá-lo nas áreas mais inconvenientes, onde não poderia coçar sem que chamasse a atenção de olhos curiosos. Mal tinha atravessado a porta principal e já estava pensando em sair dali correndo, talvez chamaria Jungkook para ir a um bar e desabafar sobre como detestava aqueles eventos, mesmo que seu guarda-costas não desse a mínima para o que ele dizia.

Enquanto caminhava entre as pessoas e cumprimentava sem entusiasmo alguns rostos conhecidos, Yoongi sentiu uma mão firme passar por sua cintura, e soltou um suspiro aliviado que ele não sabia porque havia saído que fez o dono da mão soltar uma risada fraca. Park Jimin o olhava com uma sobrancelha arqueada e o maldito sorriso que Yoongi não suportava dava a ele um ar de vitória que nem existia, mas que conseguia irritá-lo da mesma maneira. Seokjin os observava com o canto do olho enquanto ouvia com atenção alguém tagarelar em seu ouvido sobre uma empresa que tinham salvado da falência, sempre querendo se manter atento àqueles dois. Desde que Yoongi teve sua crise no escritório, ele não relaxava quando sabia que o amigo estava na presença do causador de suas maiores dores de cabeça.

“Você está bonito.” Jimin se afastou um pouco de Yoongi para avaliar a roupa que o mais velho usava de cima à baixo, sem tentar esconder a língua tímida que passeava por seus lábios enquanto ele o observava. “Seus ombros estão mais largos.”

“São seus olhos.” Yoongi respondeu de forma debochada, e quase não conseguiu evitar o sorriso que quis crescer em seu rosto quando Jimin deu uma risada alta, jogando seu corpo para a frente e se segurando nos ombros do homem mais velho. “Você está todo de preto. Resolveu me imitar?”

“Não é como se você tivesse inventado essa cor, hyung.” Jimin comentou a passou uma mão pelos cabelos, a língua voltando a umedecer seus lábios, fazendo de tudo para chamar atenção. “O que é isso, está flertando comigo?”

“Só nos seus sonhos.” Yoongi murmurou e começou a caminhar em uma direção qualquer, dando dois tapinhas no ombro de Seokjin apenas para dizer que estava saindo dali sem preocupar o amigo. Jimin o seguia, acompanhando seu passo sem ficar para trás nem por um segundo. “Estou sendo civilizado, já que homicídio ainda é ilegal. Eu preferia estar com minhas mãos em volta do seu pescoço.”

“Ah, eu também preferia que suas mãos estivessem em volta do meu pescoço, mas de um jeito nada homicida.” Jimin disse com a voz baixa, dando dois passos rápidos e ficando bem de frente para Yoongi, que mantinha a expressão serena apesar do que tinha acabado de ouvir. “Hoje é a festa, acho que vou seguir seu conselho.”

“Com outra pessoa, Park Jimin, não comigo.” Yoongi suspirou e parou de andar, olhando para os lados para ver se tinha uma opção de companhia melhor do que a daquele garoto. Não tinha, não foi à toa que soltou um suspiro de alívio de saber que logo Jimin tinha o achado naquela multidão de gente podre de rica. “Já te falei que comigo não vai rolar. Boa sorte achando outra pessoa.”

Dessa vez, quando Yoongi começou a andar em uma direção qualquer, não sentiu os passos apressados de Jimin o seguindo. Ficou aliviado de saber que teria paz por pelo menos alguns segundos, mas sabia que, tratando-se daquele garoto, aquilo não duraria muito, e até a metade da festa teria a presença ilustre dele ao seu lado de novo, insistindo em algo que não iria acontecer nem por cima do cadáver de Yoongi. Achou Seokjin sentado à uma mesa, sozinho, olhando em todas as direções com o pescoço esticado, e sorriu ao ver a expressão satisfeita que o mais velho fez ao achá-lo no meio da multidão de pessoas que transitavam entre as mesas, fossem convidados ou garçons. Antes mesmo de chegar à festa, Yoongi viu que não serviriam uísque onde ele estava sentado, mas pelo menos ainda teria o bar de opção caso não aguentasse o evento e precisasse relaxar seus membros um pouco.

O jantar servido estava saboroso, e a conversa entre eles dois surgia fácil. Yoongi sentia seu sorriso ainda mais largo por não ter visto Jimin por mais de uma hora, mas sua felicidade não durou muito, porque o garoto se sentou na cadeira disponível e começou a puxar papo com Seokjin como havia feito na festa da Forbes. O mais velho parecia um pouco mais receoso ao ter uma conversa com ele, ainda mais por saber o segredo de Yoongi, e sabia o que a descoberta de Jimin havia causado em seu melhor amigo, mas ele não deixava de ser a simpatia em pessoa nem por um segundo, respondendo a alguns comentários do mais novo com piadas ruins que faziam ambos quase rolarem de risada pelo chão sujo, enquanto Yoongi quase enfiava o rosto dentro do copo tentando não acompanhá-los no riso para provar algo – ele não sabia o que – para si próprio.

Talvez por ter se desligado da conversa animada que acontecia logo ao seu lado, Yoongi não entendeu muito bem por que estava ouvindo Seokjin falar de um interesse romântico, vulgo Hoseok, e entendeu menos ainda por que Jimin parecia estar tão empolgado com cada palavra que saía da boca do amigo. Um sentimento estúpido, que ele guardava a sete chaves dentro de seu coração toda vez que aparecia, surgiu em seu peito e ele deu um gole ainda maior no suco que um garçom simpático tinha trazido havia poucos minutos para ele. Ele sabia que Seokjin não tinha muitos amigos além dele e de Taehyung, seu próprio irmão, então não esperava que ele se sentisse confortável o suficiente para comentar com Jimin que estava quase namorando alguém. Era ridículo, sabia, mas já estava acostumado a ter sensações ridículas desde que Park Jimin entrou em sua vida. Quase tudo que ele sentia agora era causado por ele, bom ou ruim.

Principalmente ruim.

Como em um déjà vu do dia da festa da Forbes, Seokjin desapareceu do nada da mesa deles, e Yoongi ouviu o som irritante e alto de uma cadeira sendo arrastada em sua direção. Ele se perguntava se ultrapassaria os limites do mal-educado se levantar junto com o amigo para fazer qualquer coisa que não fosse ficar ali, e se perguntava de novo se ele ligava para aquilo, considerando que sua companhia agora era Park Jimin. Ficou calado por alguns segundos, soltou uma risada e comentou despreocupado dentro de sua cabeça que ele matava e morria por um uísque escocês, sem gelo, exatamente como tinha bebido no dia da festa da Forbes.

“Eu te acompanho até o bar, se você quiser.” Jimin disse com a voz baixa, mais grossa, uma tentativa clara de levar a ideia estúpida que ele tinha adiante. Yoongi devia dizer, estava impressionado com a força de vontade dele. “Hoje não preciso gastar nem um centavo para ir para sua cama, hyung.”

“Você não vai para minha cama.” Yoongi murmurou ainda sem olhar para Jimin, levantando-se de sua cadeira tão rápido que até ficou um pouco tonto. Olhou para os lados e sorriu satisfeito ao enxergar o bar ao fundo do salão. “Eu só quero um uísque, só isso.”

De tanto que ficava sentado nos bancos altos com os braços apoiados nos balcões de madeira dos bares daqueles salões onde geralmente aconteciam as festas, Yoongi já devia conhecer todos os barmen de Seul, mas sempre via um rosto diferente que o atendia com um sorriso simpático que com certeza não condizia com seus verdadeiros sentimentos. O pedido de Yoongi era simples: o escocês mais caro que eles tinham, sem gelo. O atendente andava com passos apressados ao decorrer da enorme prateleira que exibia incontáveis garrafas de álcool, e depois de fazer uma pequena pausa para procurar o que lhe havia sido pedido, pegava a bebida com a mesma expressão forçada no rosto e derramava uma pequena dose em um copo de boca larga. Os olhos de Yoongi eram tão treinados quanto os homens que faziam aquilo para sobreviver, para ganhar seu salário e tentar dormir tranquilo à noite.

Ao seu lado, Jimin o observava com o rosto apoiado na palma de sua mão, sem abrir a boca nem para respirar. Ótimo, Yoongi não iria reclamar porque já tinha ouvido a voz dele por vários minutos enquanto conversava com Seokjin, e ele apreciava bastante momentos de quietude. O garoto observava como o líquido pesado atravessava sua garganta, fazendo seu pomo de adão subir e descer, não tirava os olhos dos dedos longos de Yoongi que vez ou outra seguravam o copo para levá-lo até sua boca para apreciar a bebida. Jimin pensava que, se soubesse pintar, já estaria com uma tela em branco bem à sua frente para registrar aquele momento, mas não tinha esse tipo de talento então só teve a opção de puxar o celular do bolso para tirar uma foto, chamando a atenção de Yoongi, que o encarou de cenho franzido ou ouvir o som da câmera sendo acionada.

“Vai me agradecer por ter eu ter tirado essa foto depois.” Jimin deu uma explicação que Yoongi nem pediu, nem mesmo em seus pensamentos. Ele se virou para o barman, que atendia outra pessoa, e o chamou apenas com um dedo. Sorriu simpático para o homem e foi retribuído na mesma hora, de um jeito muito mais genuíno do que ele havia sido com Yoongi. “Traz o mesmo que ele, mas com gelo. Obrigado.”

Os bancos eram presos ao chão e não podiam ser arrastados – ainda bem, Yoongi pensou – mas Jimin arranjou um jeito de se aproximar de Yoongi com seu corpo mesmo assim. O mais velho já estava ficando cansado de rejeitar a proposta do garoto de repetir a dose do dia da festa da Forbes, mas estava determinado a dizer quantas vezes fosse necessário para ao menos tentar enfiar na cabeça de Jimin que não aconteceria. O barman voltou com o pedido dele e sumiu atrás do balcão, dando atenção a outra pessoa que o chamava, e, infelizmente, deixou Yoongi sozinho com o garoto e sua presença sufocante. A presença de Jimin era tanta que não dava espaço para nada além dele, ou talvez fosse a mente de Yoongi já com uma leve embriaguez o dizendo aquilo, sem contar tudo que ele sentia pelo mais novo que era sempre triplicado por conta das atitudes dele.

Novamente, nenhum sentimento bom.

“Hyung, eu até tentei procurar outra pessoa, mas ninguém parecia interessado.” Jimin disse baixinho enquanto brincava com o tecido do sobretudo que Yoongi usava, arrancando um suspiro profundo do mais velho em uma tentativa de se acalmar e não jogar as últimas gotas de seu uísque no rosto do garoto ao seu lado. “Ninguém retribuía o olhar, ninguém queria manter uma conversa... Acho que é para ser você mesmo, não acha?”

“Tente de novo.” Yoongi respondeu seco, virou o último gole de sua bebida rápido demais e fez uma careta, mas logo chamou o barman com um dedo para pedir outra dose igual. “Você consegue ler mentes, aposto que não é difícil.” Yoongi ajeitou sua postura e se espreguiçou em seu lugar de forma exagerada, mexendo sua cabeça de um lado para o outro e vasculhando o ambiente por poucos segundos para ver se alguém os observava. Jimin não sabia ver as coisas, porque ele achou alguém logo em sua primeira tentativa. “Tem um cara olhando para nós, atrás de mim, mais ao fundo do salão. Seja discreto, tente ver o que ele está pensando.”

“Hm,” Jimin murmurou depois de dar uma rápida olhada para o homem de quem Yoongi estava falando, voltando sua atenção para o copo em sua mão logo em seguida, tentando ser o mais discreto possível. “Ele só diz que um de nós é bonito, mas não especifica quem. Fica repetindo que quer que alguém olhe para lá...”

“Então olhe para lá.” Yoongi respondeu e deu de ombros, como se fosse simples. E era mesmo. O barman voltou com mais uma dose e sorriu, sumindo para atender outra pessoa novamente. “Sorria, beba um pouco do seu uísque. Não se esqueça de continuar lendo a mente dele, você tem uma arma poderosa que deixa esse jogo dez vezes mais fácil.”

Jimin assentiu discreto e fez o que Yoongi tinha mandado. Levou o copo até seus lábios com um pequeno sorriso que ele torcia para que aparentasse sedutor, virou seu corpo na direção em que tinha visto o homem poucos segundos atrás, e encarou sem medo de ser descoberto ou rejeitado. Ele precisou segurar o riso quando um ‘isso, ele olhou para cá’ ecoou com a voz do desconhecido em sua cabeça, logo voltando para a posição em que estava antes com uma expressão vitoriosa quase irritante. Yoongi deu uma risada fraca e depois um longo gole em seu uísque, um ar de ‘eu sabia’ o rodeando de uma maneira parecida com a expressão de vitória de Jimin. O garoto se recusava a dizer que o mais velho estava certo, mas o contato rápido entre copos, simbolizando um brinde, foi o suficiente para Yoongi saber que ele tinha acertado e que Jimin não o encheria mais o saco, pelo menos não naquela noite. Com um pulo, ele saiu de seu banco e foi andando com passos firmes até o outro lado do salão, onde sua companhia para a noite já o esperava ansioso.

Bastava que Seokjin aparecesse dizendo que queria ir embora, ou o mandasse uma mensagem dizendo que tinha ido transar com o novo namoradinho dele para Yoongi pular de seu banco também e ir para casa com um suspiro aliviado saindo de seus lábios. Talvez ele nem esperasse, estava tão entediado e com tanta vontade de se jogar em sua cama que seria capaz de deixar o melhor amigo sozinho na festa, sem se importar. Estava terminando sua terceira dose de uísque quando decidiu que não queria ficar mais ali, mas, antes que pudesse se levantar, uma presença ao seu lado o fez arquear uma sobrancelha e virar sua cabeça para dar maior atenção à pessoa que tinha parado ali para falar com ele, visto que o corpo dela estava virado em sua direção e não tinha mais ninguém por perto.

Era uma mulher, foi a primeira coisa que ele percebeu ao notar as curvas delicadas e o vestido vermelho enquanto subia seu olhar aos poucos para saber com quem estava falando. Seus olhos quase pararam no decote indiscreto dela, porém se apressaram a continuar o caminho até seu rosto, mas não antes de reparar como ela era magra e como suas clavículas estavam expostas de forma preocupante. Seus traços eram normais. Olhos com pálpebras duplas que provavelmente eram fruto de uma cirurgia plástica, nariz fino, também longe de ser natural, e lábios cheios pintados por um batom suave que quase não aparecia. Ela era bonita, Yoongi precisava admitir, e ele esperava que ela estivesse ali pelos motivos os quais ele quase necessitava que fossem.

Yoongi não precisou ver o futuro para saber que Jisoo, a garota do vestido vermelho, acabaria em sua cama. O jeito que ela o tocava, a voz mansa, o flerte descarado, tudo indicava para o mesmo lugar, e Yoongi estava disposto a deixá-la andar na direção onde ela queria chegar. Não demorou mais do que vinte minutos para eles cortarem o papo desnecessário e irem para o apartamento de Yoongi, a mulher segurando seus dedos e escondendo um sorriso que não saía do seu rosto com a mão livre. Os beijos eram ardentes e os toques indevidos demais para um elevador, e, entre risos, eles conseguiram passar pelas portas metálicas para chegar aonde queriam. Enquanto ela não tomava cuidado nenhum ao tirar as roupas de Yoongi, ele fazia questão de deixar a peça única que Jisoo usava inteira, mas ao mesmo tempo bem longe do corpo dela.

Duas horas depois, Yoongi sentiu o beijo de Jisoo pela última vez se segurando na porta, cansado demais para se manter em pé sem um apoio. A mulher sussurrou as palavras que ele mais queria ouvir, um ‘até nunca’ que até fez um peso em seu coração ir embora na mesma hora, e, assim que ela sumiu por trás das portas de metal pesado enquanto tentava arrumar seu cabelo e a maquiagem, Yoongi trancou tudo a sete chaves e caminhou com passos lentos até seu quarto, ansiando demais pelo momento em que finalmente descansaria ao mesmo tempo em que estava com preguiça de andar.

Sentiu seu corpo caindo por conta própria na cama macia, e apesar de saber que seria melhor trocar os lençóis e abrir as janelas para ter uma noite de sono melhor – e não nojenta –, estava cansado demais para mover mais um músculo. A única coisa que o fez se mexer foi seu celular tocando, o número não salvo, porém conhecido, estampado na tela e fazendo uma de suas sobrancelhas se arquearem, confuso.

“Como foi–” Jimin disse com a voz entrecortada, a pausa abrupta servindo para que Yoongi ouvisse como ele havia engolido um bolo de saliva antes de continuar falando. “Como foi a noite, hyung?”

“Boa.” Yoongi respondeu, curto e grosso. Não sabia o que estava acontecendo, e não sabia se estava com vontade de descobrir. “E a sua?”

“A minha, ah– A minha está sendo ótima.”

Yoongi desligou a chamada na hora, sem querer ouvir mais uma palavra dita naquele tom por Jimin.


Notas Finais


Antes que alguém surte (se alguém surtar), essa ligação do Jimin não tem nada demais. Ele só saiu com um cara de fetiches diferenciados, hehe. Nenhuma segunda intenção por trás, juro. Tô explicando agora porque na fic em si eles só falam sobre isso muuuuuuito mais pra frente, e não tem porquê esperar tanto.

Mas enfim, rs. Jimin ficou assanhado o capítulo todo, e o Yoongi... Yoongi queria, fala sério, mas ele ainda tem um pouco de amor próprio e sabe que ir pra cama com o cara que torra a paciência dele com frequência não seria uma boa ideia. Mesmo assim, eles estão mais civilizados. Pouco, mas estão.

Yoongi tá ou não tá melhorando? Jimin tá ou não tá caindo mais nas graças do Yoongi? Taehyung apareceu por dois segundos no capítulo todo, e ainda agiu meio esquisito. Hm.

Aliás, entusiastas de Taekook... Próximo capítulo é de vocês. ;)

Espero que tenham gostado do capítulo, qualquer coisa é só gritar nos comentários, no twitter (@/yunttai), ou no curiouscat (@/zettai)! E, mais uma vez, obrigada pelos 700 favoritos! Fica aqui meu cheiro em cada um de vocês. :D

Até semana que vem~ <3


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