História Krum - Capítulo 11


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Categorias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Krum
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Palavras 2.214
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Terror e Horror
Avisos: Bissexualidade, Canibalismo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 11 - Capítulo 11


 

Assim que todos os sobreviventes se acomodaram novamente aos seus devidos lugares, retornando à cumprir tarefas, Levi e Alisson permanecem trancafiados dentro do quarto de Levi. E sentados sobre o colchão recém-arrumado, Alisson estica os pés acima do colo do melhor amigo, que encostava a cabeça na parede para relaxar.

— Hoje, mais cedo… — Alisson contou, observando o olhar atencioso do menino. — Sean me contou sobre o que aconteceu com ele. Deu dó, porque foi horrível. Você tinha que ouvir, ele falou com tanta compaixão.

Levi concordou com a cabeça.

— Imagino. O Craig me disse que cada um nessa ilha tem algum defeito.

Alisson virou o seu rosto para o amigo, tentando compreender o quê tinha acabado de dizer. Então Levi continuou, sabendo que ela não tinha perguntas.

— Eu não entendi muito bem o que ele falou... Mas, pelo o que eu pensei, cada um tem um defeito na humanidade e blábláblá.

— Espere. — Alisson recuou um pouco as pernas. — Você falou com ele? De novo?

Levi negou com a cabeça.

— Não. No jogo em que eu participei teve uma transmissão em vídeo. Ele não parecia nada como o homem que tínhamos visto naquele restaurante…

E parou para pensar. Craig tinha HIV. Se aquilo fosse mesmo verdade, Alisson também teria a doença, ela participou do sexo.

Será que deveria falar? Isso a deixaria preocupada.

— Os olhos dele, o cabelo… Tudo nele era diferente, parecia que tinha vivido em um deserto e que precisava mesmo comer.

Alisson negou fracamente com a cabeça. Levi queria saber o que ela pensava.

— Eu to com fome.

Levi virou o rosto para ela.

— Mas você disse que não tava.

— Daquilo que chamam de comida. Eu quero é pizza, um sorvete. Quero lanche do McDonald's… Ah, como que faz falta aquela batata! E o catchup?!

Levi sorriu, descartando o pensamento. O seu estômago iria embrulhar e não seria legal. Porque ele sabia que não tinha nada ali comparado aquilo.

— Também estou com saudades. De tudo… na verdade.

Alisson parou de sorrir, olhando para o quarto. Eles estariam se arrumando para sair na cidade noturna, provavelmente  com a Alisson escolhendo roupa curta para vestir enquanto Levi permanecia na cama deitado devorando um livro nerd. Pouco se importando da vida das pessoas alheias. Ele só queria saber se o vilão da história do livro iria matar mais um personagem chato ou não.

Pois bem… Essa versão realista que está acontecendo é um chute certeiro bem no meio do estômago de Levi.

— Será que nós… Vamos conseguir sair daqui?

Levi capturou o olhar da garota. E deu de ombros, vendo que queria mesmo uma resposta.

— Sinceramente? Não faço ideia.

Alisson passou os dedos sobre os lábios rosados.

— Eu não quero passar nem mais um dia aqui.

— Eu também não. — E passou os dedos sobre a bochecha direita de Alisson. — O que pretende fazer, docinho?

Alisson olhou pra ele no canto do rosto e revirou os olhos. Por mais que ela achasse fofo quando ele a elogiava com apelidinhos ridículos como aquele, um instinto dela por dentro faz com que ela age grossa, quando na verdade ama aquele ato. Mas ela riu por dentro.

— Estou com fome.

Levi concordou.

— Então vamos procurar algo?

Alisson negou.

— Estou com preguiça.

Levi revirou os olhos. Alisson viu e deu-lhe um tapa no ombro.

— Não revire os olhos pra mim.

Levi recuou, rindo.

— Ué, e você pode revirar os olhos?

Ela não chegou a responder. A porta do quarto se abriu bem no momento em que ambos estavam próximos um do outro. Não por tentarem algo, mas porque ela precisou se aproximar para conseguir bater nele.

— Oh, sinto muito. Eu atrapalho?

Era Nate, olhando os dois sentados na cama. Alisson se acomodou na cama e tirou um sorriso do rosto, enquanto arrumava o cabelo percebendo quão embaraçoso aquela cena seria.

— Não. — Levi que comentou, olhando para Nate.

Nate concordou sem dizer nada. Então ficaram em silêncio, até que notou que ele deveria dizer algo.

— Ah, sim. Sarah quer falar com você, Alisson.

Alisson virou o rosto até Nate, tentando entender milagrosamente o que Sarah queria saber. Mas não foi assim, porque Nate virou seu rosto em direção à Levi, onde ele iria se levantar para, provavelmente, ir junto com a Alisson.

— Levi, preciso falar com você. A sós.

Alisson olhou de Nate para Levi, depois para Nate novamente.

— Eu já volto.

E desapareceu do quarto.

Assim que a porta foi fechada por Nate, este olhou para Levi, que voltou a se sentar na cama.

— O que foi?

Nate esfregava as mãos na calça, uma maneira de que conseguia aliviar a sua tensão.

— Ultimamente eu estive pensando… Vocês vieram aqui através de um aplicativo na internet, não é?

Levi concordou, sem saber se sorria ou não para o colega. Não tinha graça naquilo, e pensar o fazia se sentir tolo. Como ele pode fazer isso?

Mas não disse nada, porque sabia que nem teria desculpas para isso.

— E como aconteceu?

— Por quê quer saber?

Todos são cruéis.

A palavra em que Craig disse rondava  a sua mente. Não poderia ser verdade, poderia? Afinal era o Craig que era cruel naquele lugar, e não os sobreviventes.

Nate deu de ombros, olhando para a roupa de Levi. Ele estava sem jeito.

— Todo mundo aqui conhece todo mundo, sabe das coisas de todo mundo. Mas vocês dois são os… Que menos falaram, até agora. Então reuni coragem pra…

— Eu sou obrigado a falar sobre a minha vida?

Nate imediatamente ficou vermelho de vergonha. Iria protestar, mas Levi sorriu e se adiantou no ato.

— Desculpe, isso deve ter sido grosseiro. Acontece que ando muito com a Alisson.

— Ah, tá bem… Então, vocês dois são... namorados?

Levi fuzilou o garoto com os olhos, tentando entender onde ele queria chegar, mas descartou qualquer tipo de pensamento. Se fosse um maníaco querendo matá-lo, já teria feito. A essa hora Alisson já deve estar voltando.

— Éramos, há muitos anos atrás.

— Hum. E o que fez vocês terminarem?

Levi mordeu os lábios, pensativo. Ele demorou pra responder, precisou engolir à seco o ódio que sentia toda vez que se lembrava daquela noite.

— Ela me traiu… Com um dos meus melhores amigos.

Nate arregalou os olhos, sem saber o que dizer.

— Desculpe, eu não sabia.

Levi deu de ombros.

— Tudo bem. Faz três anos, já.

Nate concordou.

— Não sei como deve ser essa sensação, porque eu nunca namorei assim, desse jeito.

— Nunca namorou? Ah qual é, quantos anos você tem?

— Dezesseis.

— Já é uma idade boa pra começar.

Nate concordou, sem jeito.

— É… É que nunca encontrei alguém assim como eu… Me sinto estranho, sei lá.

Levi concordou com a cabeça. Mas não tinha raciocinado bem porque imaginava o que a Alisson estava fazendo, já que não voltava para o quarto. Será que ela ficou na sala? Ele queria se levantar, ir atrás para procurá-la. Não se sentia seguro ao saber que à qualquer momento o jogo poderia incluir ela e não ele. E se ela fosse escolhida e decidisse ir embora sem avisá-lo? Ela é ótima em assuntos relacionado à vingança, ninguém nunca tentava machucá-la.

Mas Nate não parava de falar.

— Hum. Bom… Em algum momento certo, quem sabe aparece uma linda garota na sua vida?

Nate riu, dando um passo para trás.

— E existe. Mas ela é a minha melhor amiga.

Levi arqueou as sobrancelhas. Qual era daquela maldita ilha? Pegar todos os que sofrem na zona de amigo para decidirem formar casal? Aquilo estava se tornando repetitivo.

— Isso soa familiar.

— Não, não… Não me entenda mal. Eu não sinto absolutamente nada… Nada, pela minha melhor amiga.

— Então quem é…

Nate fechou os olhos enquanto soltava uma respiração.

— Eu sou gay.

Levi parou de falar ao ouvir a palavra. A bendita palavra que ele tanto rotula com os amigos gostosos da Alisson. Mas naquele lugar nunca tinha lhe passado na cabeça que haveria uma outra pessoa homossexual em jogo.

Assim que viu a expressão de Levi, Nate deu meia volta e passou uma das mãos na testa, jogando a franja do cabelo sem cortar para o lado.

— Me desculpe. Sério. O que eu tinha na cabeça pensando que poderia vir aqui?!

Levi piscou os olhos, sem pensar.

— Tudo bem. — Nate se virou novamente para Levi, estendendo as mãos. — Não me entenda mal, de novo. É que eu pensei que, já como eu sou gay, e você também é…

— Espere, quem te disse que eu sou gay?

Levi usou uma voz até que grossa para dizer. Mas não que estivesse realmente bravo, pelo contrário. Ele queria rir, mas usou o momento para ver até onde aquele assunto iria.

— Ah… Ah, Dena, ela havia me falado que você tem jeito de gay. Nós dois éramos os únicos gays dessa ilha. Então pensei em criar coragem. Quem sabe nós podemos ser amigos? Já que somos gays e os únicos aqui, imagino que precisamos nos unir…

— E por que acha que eu iria ser o seu amigo, Nate? Eu posso muito bem ter um amigo hétero.

Nate engoliu em seco.

— Sim, é claro. Eu também tenho um melhor amigo que é hétero. O Cameron. Ele tinha me ajudado a vir até aqui falar com você.

Levi não sabia nem o que dizer.

— Okay, entendo se não quiser ser o meu amigo. Mas saiba que há integrantes nesse grupo que não gosta muito do nosso tipinho, e faria qualquer coisa para sabotar em um jogo, para que a gente morresse.

De repente Levi se sentiu interessado. As palavras de Craig voltava novamente em sua mente. As pessoas eram cruéis.

— Como assim?

Nate olhou para ele, querendo saber se contava mesmo para o menino ou não. Mas  ele deveria, não é? Foi ele sozinho quem buscou conversar, então é ele que tem que resolver tudo.

— Temos homofóbicos neste grupo.

Levi não tirou os olhos de Nate, que continuou.

— Eles farão de tudo para que a gente morra. O que vocês dois viram ao entrarem aqui é só fachada para o que realmente está por vir. Eles são uns doentes.

 

Alisson acabou encontrando Sarah no corredor que dava para o porão, sentada na escada sozinha. A garota olhava para o Hall enquanto esperava pela chegada de Alisson.

E assim que ouviu os passos da loira, Sarah virou o rosto e soltou a respiração. Ela estava querendo conversar a sós com Alisson já faz um tempo, mas Levi e Sean nunca deixam as duas meninas sozinhas, nunca. Aparentemente se sentem inseguros de que podem acontecer algo com elas, sendo que: a casa está totalmente fechada.

— Oi, queria falar comigo?

Sarah se levantou, concordando.

— Sim… Precisei arrumar um bom lugar pra conversar com você sem chamar a atenção de todos.

Alisson olhou em volta. Realmente não tinha como ninguém ouvir o que elas falavam.

Então virou o rosto novamente para a Sarah e assentiu fracamente. Provável que nem a Sarah tenha visto direito por conta da escuridão.

— Se não se importa... E sei que isso não é nada da minha conta, mas… Você já contou pra ele?

Alisson demorou alguns segundos para entender o que ela falava. Não esperava que iria ser tão direta assim, ainda mais em um assunto como aquele. Alisson precisou piscar algumas vezes para raciocinar.

— Não… Não, não tive coragem.

— Mas ele precisa saber…

Alisson concordou.

— Pensei que o plano seria não contar pra ninguém, que ninguém deveria saber. Seria arriscado…

Sarah concordou.

— Sim, mas já faz quanto tempo? Daqui a pouco isso daí vai crescer e não dará mais como esconder de ninguém, muito menos de Craig, porque imagino que não queira tirar isso de você o quanto antes esperado.

Alisson assumiu uma expressão horrível em seu rosto.

— Não vou abortar! Não aqui.

Sarah arregalou os olhos ao perceber que Alisson praticamente gritou no meio do corredor.

— E você quer fazer o quê, então?

Alisson negou com a cabeça. Ela estava suando frio.

— Eu não sei. Só me dê um tempo, está bem? Eu preciso criar coragem pra falar pra ele.

— É tão simples! Levi, você vai ser pai.

Alisson recuou um passo, constrangida em imaginar a cena.

— Não é tão simples assim quando eu, tanto quanto ele, estamos tão próximos da morte! E mesmo se isso acontecesse, seria impossível.

Sarah passou a mão no cabelo.

— Tudo bem. Daremos um jeito. O que tem em mente? O que seria impossível?

Alisson olhou da porta para a Sarah.

— Se eu te contar um segredo, promete não contar para ninguém? É sobre o Levi… Eu preciso que você me ajude a mentir.

Sarah prendeu a respiração.

— Mentir? Isso não é comigo. Sou uma péssima mentirosa. Você tem certeza? Não há outra maneira de fazermos isso?

Alisson negou com a cabeça… E então começou a chorar descontroladamente na frente da colega. E Sarah ficou assustada ao ver como ela reagia ao contar que:

— O bebê… O bebê não é do Levi, ele não é o pai dessa criança…

Sarah abriu a boca.

— Mas… Mas…

Sarah não conseguia usar as palavras, porque o tempo todo pensava que o bebê era do Levi, agora ela está dizendo que não é mais.

— Então… — Virou o rosto para Alisson. Conseguiu enxergar os olhos molhados de uma garota apavorada mesmo no escuro. E a entendia agora, porquê Sarah estava tão apavorada quanto ela. — Se não é do Levi… De quem é?

 



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