História Kuro Devil - Capítulo 15


Escrita por: e sxturn

Postado
Categorias Alice Nine, The GazettE
Personagens Aoi, Kai, Nao, Reita, Ruki, Saga, Tora, Uruha
Tags Alice Nine, Aoi, Aoiha, Bio Punk, Biopunk, Cyber Devil, Ficção Cientifica, Kai, Kuro Devil, Lemon, Reita, Reituki, Ruki, Saga, Sci-fi, Sobrenatural, The Gazette, Tora, Uruha, Yaoi
Visualizações 52
Palavras 3.938
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Crossover, Drama (Tragédia), Ficção, Ficção Científica, Lemon, LGBT, Romance e Novela, Sci-Fi, Sobrenatural, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Canibalismo, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Nudez, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


E aí meus/minhas consagrados(as)! Tudo bom? Quase deixei as atualizações completarem um mês, agora que eu não tenho mais caps digitados, fica difícil quando o block vem. Eu mesma não consegui de jeito nenhum finalizar esse capítulo, mas depois de duas árduas semanas, aqui estamos.
Ah, e um aviso: adicionem a fic na biblioteca/lista de leitura ou me sigam porque o Spirit não notifica se você só favoritar. O pessoal anda perdendo as atualizações e aparecem nas minhas redes sociais cobrando e depois quando vão olhar, tem 2/3 atualizações. Então lembrem-se, pra não perder nada, me sigam ou adicionem na biblioteca. ♥

A partir daqui as coisas ficam legais, heh. Boa leitura!

Capítulo 15 - Iridize Dream


[ Abra suas asas e voe alto para o céu;

Aborreça o céu
Exponha a inundação de todos os seus sentimentos

Tudo bem se eles ficarem turvos ]


DEATHGAZE - Iridize Dream


~Matsumoto’s POV~


Acordei por culpa do meu estômago que roncava feito um monstro, Reita ainda dormia ao meu lado, os dedos entrelaçados aos meus e estávamos nus. Então as lembranças vieram, umas tão prazerosas e outras nem tanto, mas no fim, eu agradeci por tudo o que aconteceu não ter sido um sonho. Sentei na cama ainda sem separar as nossas mãos e mordi os lábios assim que senti uma dor fodida no traseiro, olhando para o meu corpo também, notei vários hematomas que provavelmente só sumiriam dentro de longas semanas.

Apesar daquilo, eu não estava arrependido. Era óbvio como eu corria perigo ao lado de Reita, eu tinha hematomas e cicatrizes em meu corpo que não me faziam esquecer desse fato, as memórias também estavam mais que frescas em minha mente. Reita poderia me matar em um piscar de olhos e mesmo assim eu não queria me afastar, talvez eu fosse retardado ou tivesse Síndrome de Estocolmo, às vezes ficava pensando nisso. Já cogitei me afastar e não foram poucas as vezes, mas tudo naquele filho da puta desgraçado era tão atrativo e agora que estávamos juntos como um casal, eu sequer pensava nisso.

Reita seria cuidadoso, eu sabia que sim.

Meus olhos percorreram cada centímetro do corpo adormecido ao meu lado e eu sorri, Reita era mesmo alguém que beirava a perfeição, nunca que um corpo como aquele seria feito por um casal, não mesmo. Humanos não tinham genes tão perfeitos para chegar naquele ponto. Eu era mesmo um sortudo por ter arrumado um homem gostoso como aquele para mim, ah, mas eu também era uma perfeição, o destino só quis unir as duas para ofuscar os reles mortais.

Ri com o meu pensamento e me debrucei sobre o seu corpo, selando seus lábios e quase me assustei quando ele abriu seus olhos de forma automática, rolando na cama e em segundos eu estava embaixo do seu corpo forte.

― Bom dia, Taka. ― Senti alguns selares em meu rosto e sorri com aquilo, envolvendo seu pescoço com meus braços. ― O que nós temos para hoje, hm?

― Infelizmente escola… ― Resmunguei e o sorriso que antes iluminava o rosto sem aquela faixa mudou para triste. ― Só que hoje vão dedetizar e eu vou sair mais cedo.

― Hmmm, isso é bom. ― Disse, roçando os lábios em meu pescoço, os dígitos apertaram minha cintura e eu senti meu corpo aquecer só com aquilo. Era melhor eu me arrumar logo ou nem sairia daquela cama, por hoje, já que Reita parecia ser insaciável. ― Daí podemos brincar mais um pouco, o que você acha?

― Nós podemos sim, mas você tem que ser mais cuidadoso porque eu, hm… ― Os olhos escuros me encaravam com uma intensidade que me fez corar, mas aquele olhar não tinha nada de sexual. ― Estou quebrado.

― Oh… Desculpe. ― Ele pareceu entender e se sentou na cama, pedindo desculpas sem parar e eu gesticulei para que ele não se importasse com aquilo. ― Pensei que humanos se recuperavam um pouco mais rápido. Quer dizer, eu gostei de ontem, é uma sensação tão boa, tudo o que eu penso no momento é só em como quero fazer isso de novo.

E eu não pude não achar a sua inocência adorável. A nossa tecnologia realmente era muito avançada para conseguirem criar um humano do zero e até mesmo implantar informações para que ele não tivesse a mentalidade de uma criança de dois anos, mas pelo visto certas coisas eles não puderam colocar na cabeça do meu namorado porque precisavam ser presenciadas e sentidas, como transar. No fundo eu estava feliz, ser desejado daquela forma fazia um bem e tanto.

― Eu entendo, Aki. Nós temos tempo de sobra pra isso, mas eu só acho que você precisa manter seus dentes longe de mim.

― Ok, sem dentes. ― Ele assentiu, deixando um suspiro escapar e logo seus olhos estavam sobre mim. ― Me desculpe por ontem, eu não consegui controlar todos aqueles sentimentos estranhos ao mesmo tempo. Precisamos inventar alguma forma de você escapar quando isso acontecer.

― Precisamos achar uma forma de descobrir o que é isso que acontece com você, Akira. Isso sim. ― Cruzei as pernas sobre o colchão, sem me importar com a minha nudez, o assunto era sério, eu não tinha tempo para ficar me escondendo como um virgenzinho. ― O cientista disse que não sabia explicar isso e muito menos aquelas asas e seus olhos negros. Eu lembro que quando te conheci de verdade, só as suas íris ficavam em um vermelho intenso como os olhos de um coelho… E eles mudaram depois daquele lance no… táxi.

Só de pensar no que aconteceu naquele maldito dia eu começava a tremer. Reita ouvia tudo calado e seus olhos agora estavam fixos na parede do quarto, quando ele se voltou para mim, estavam completamente negros como eu havia falado.

― Assim? ― Assenti lentamente e ajoelhei na cama, tocando o seu rosto, ele estava vidrado em mim.

― Como consegue mudá-los? Está com fome? ― Reita negou. ― Eles só escureciam quando você ia atacar...

― Descobri que posso mudá-los conforme a minha vontade, pequeno. Só que não consigo mudá-los para o vermelho de antes.

― Viu só? ― Me afastei e fechei a cara, cruzando os braços em frente ao peito. ― Será que se formos para os Estados Unidos e encontrarmos o outro cientista que roubou as informações do que criou você, ele tem uma resposta para isso? Ele é a nossa última esperança, Aki. Ou também nós podemos procurar o Cyber, ele deve saber bem mais!

Meu pulso foi agarrado e eu franzi o cenho, Reita negou com a cabeça, descartando ambas as idéias, eu queria poder entender! Por que ele não queria também? Será que tinha medo?

― Isso é arriscado, eu preciso aprender como dominar as asas e então irei sozinho em busca de respostas para nós dois. Não quero ver você no meio dessa confusão. O cyber não me parece tão receptivo a responder minhas perguntas. Eu já o encontrei duas vezes e ele está tão perto…

Perto?! O que ele queria dizer com perto?! Reita sabia onde o Cyber estava? Soltei a minha mão com raiva e saí pisoteando até o banheiro, ouvindo-o me seguir até o cômodo. Entrei no boxe e liguei a água gelada, Akira ficou do lado de fora, encostado na pia.

― Se sabe das coisas e quer me deixar seguro, não devia esconder nada de mim.

― Taka, é perigoso… Olha o que eu já fiz com você, o que aconteceu quando o levei até Amano… Eu não vou levá-lo e ver você morrer nos meus braços ou por minhas mãos.

― Mas onde o Cyber está você sabe, não é? ― Aumentei o tom de voz e bati ambas as mãos no vidro do boxe, atraindo a sua atenção. ― Eu sei lá qual a porra de relação que a gente tem agora, mas não esconder as coisas um do outro é o mínimo para que essa droga dê certo.

― Taka…

― Não precisa me levar e nem me buscar, hoje eu vou sozinho. Talvez eu vá sair com o Uruha para algum lugar e, provavelmente, vou dormir lá. ― Sim, eu estava chateado e queria que ele percebesse isso, esconder tudo de mim só ia piorar ainda mais as coisas.

O loiro continuou me encarando em silêncio e eu lhe dei as costas, decidido a tomar o meu banho em paz. Não demorei a ouvir a porta do banheiro ser fechada com um baque quando o loiro passou por ela.

― Está atrasado, Takanori.


~***~


~Takashima’s POV~


― Ah, Yuu… Deixa de ser chato, eu só quero que todo mundo se conheça e o Taka vai trazer o namorado dele aqui também!

Enquanto eu me arrumava, tentava fazer com que o moreno aceitasse a minha idéia de uma tarde com os namorados na nossa casa, seria divertido, mas ele insistia em dizer que não e usava a desculpa de não ir com a cara do meu melhor amigo. Fazia um bom tempo desde que Taka e eu saímos pela última vez, ele estava ocupado com o namorado e eu agora tinha o Yuu, então para não separar ninguém eu pensei naquilo.

― Você sabe que eu não gosto de visitas, Kouyou… ― Terminei de delinear meus olhos e cruzei os braços enquanto esperava a sua resposta. ― Aquele baixinho não me parece ser um cara legal, você devia se afastar dele…

― O Taka é o meu melhor amigo  estamos juntos há anos, Yuu. E você nem o conhece direito, esse é o momento perfeito para isso. O que pode acontecer demais aqui? Pensa com carinho, hm? Eu quero que todos possamos nos dar bem e fazer isso mais vezes.

O moreno pareceu pensar um pouco enquanto tomava o café da manhã sobre o colchão e assentiu, logo eu corria para os seus braços, beijando seus lábios várias vezes. Yuu tinha que entender que eu precisava socializar.

― Obrigado, Yuu. Você é mesmo um amor comigo. ― Selei seus lábios outra vez e me surpreendi quando ele me puxou para um beijo intenso, as mãos firmes em minha cintura, me levando para mais perto do seu corpo. Assim que nos separamos, seus lábios desceram pelo meu pescoço e eu agarrei seus braços. ― Yuu, agora não… Eu tenho aula…

― Hm… ― Ele resmungou. ― Quando vai trazer os dois aqui?

― Acho que… hoje à tarde. Vou sair mais cedo, então só preciso falar com o Taka.

― Eles não vão ficar por muito tempo, vão? Expulse-os cedo porque hoje a noite será nossa…


~***~


~Matsumoto's POV ~


Eu parecia um pinguim ao andar para dentro da escola. Quando saí do banho, Reita não estava mais em casa, mas o meu café da manhã estava na mesa, o tomei com alguns analgésicos e fui para a escola. Aquela fora a nossa primeira briga e eu esperava que Reita entendesse. Eu queria o nosso bem e ainda entender os espaços em branco que aquele cientista deixou. Meu humor não estava lá dos melhores e qualquer arrombado que fosse olhar torto para mim naquele dia ia levar um soco bem no meio da fuça. Brigar era uma das minhas habilidades e eu não tinha medo de demonstrar.

Uruha chegou atrasado bem depois de mim e não pudemos conversar durante a aula porque inventaram de querer sentar ao meu lado. Naquele dia em especial, eu sentia que tínhamos muitos assuntos a tratar. E foi só o sinal do intervalo tocar que praticamente corremos feito loucos até a praça de alimentação e nos largamos sobre os assentos.

― Você primeiro. ― Ele disse animado e eu revirei os olhos, apoiando os cotovelos na mesa, o rosto entre as palmas. ― Anda, Taka!

― Reita e eu transamos ontem. ― Bem, não era aquilo que eu ia dizer, só Deus sabia a minha vontade de contar para o outro que eu agora namorava um monstro, mas se ele ignorou aquilo e me chamou de louco mesmo quando me viu ensanguentado e mordido, não seria agora que ele iria acreditar. Às vezes eu me perguntava se o outro não tinha nenhum problema mental ou se fazia de desentendido. Uruha tinha o cérebro do tamanho de uma ervilha.

― Sério? Pensei que já tivessem feito isso antes porque pelo tempo que se conhecem… Mas foi um dia desses que ficaram mesmo juntos não foi? Eu lembro que me ligou todo apaixonado… ― Assenti. ― E como foi? Ele é bom?

― Bom até demais. ― Olhei para os lados e afrouxei a gravata do uniforme, expondo meu pescoço repleto de arroxeados e Kouyou fez uma careta, provavelmente por ter notado uma marca de mordida mais forte perto da minha jugular. ― Ele é tão grande e gostoso… Não fizemos todas as posições, mas eu acho que agora vai demorar porque brigamos.

― Brigaram? Mas por quê?

― Ele… Me esconde algumas coisas. ― Abotoei a gola da camisa social e coloquei a gravata no lugar, lançando um olhar mortal para a supervisora, que passou em frente à nossa mesa. ― E quer que continuemos nessa relação… Você lembra o que eu te contei quando você foi na minha casa e eu estava sangrando, não lembra?

Pensei que ele fosse fazer uma expressão surpresa, mas Uruha não esboçou nenhuma reação e ao que parecia, ele estava assimilando os fatos.

― Foi ele mesmo...? ― Assenti, sabendo que o loiro se referia ao dia e todos os meus ferimentos. ― Taka! Você tem que chamar a polícia e denunciá-lo! Isso é crime, você prec-

Não consegui me controlar e acertei um tapa estalado em seu rosto, atraindo a atenção de todos da praça de alimentação para nós. Uruha levou a mão ao local atingido pelo tapa e me encarou incrédulo, o mandei ficar quieto e o arrastei para outro lugar onde os olhos curiosos não ficassem sobre nós o tempo todo. O levei para as arquibancadas da quadra de esportes e assim que ele se acomodou em um dos bancos, com um olhar repleto de perguntas, eu suspirei.

― Olha, foi mal pelo tapa, mas eu precisava fazer isso ou você ia abrir a boca para a escola toda.

― Mas, Taka… Você estava cheio de mordidas e sangrando! Consegue se lembrar de quanto sangue tinha naquele lençol? Se você não lembra, eu lembro!

Ah, agora você se importa, né filho da puta?

― O Reita não estava numa fase boa da vida dele, agora ele está arrependido e até me pediu desculpas, isso não vai mais acontecer.

Se Uruha fosse capaz de denunciar Reita, eu não queria nem imaginar a merda que tudo viraria. Primeiro que eu seria interrogado, segundo que, se conseguissem pegar o loiro, iam descobrir de cara que ele não era humano e o levariam para longe de mim. Nunca se sabe se esses cientistas malucos não eram capazes de dissecá-lo para saber o que ele era. O meu dever era evitar que isso acontecesse.

Sentei-me ao seu lado e mexi nos meus fios descoloridos que agora quase passavam dos ombros, precisava cortá-los e retocar o permanente. Busquei a mão do meu melhor amigo e as apertei nas minhas, ficando calado por alguns segundos, tomando coragem para continuar a falar.

― O Akira não é nenhum assassino, naquele dia eu falei algumas coisas absurdas e você deve ter percebido. ― Ri, nervoso e Uruha assentiu, ainda atento ao que eu falava. ― Eu estava com raiva, mas depois conversamos e ele me pediu perdão. Ele é um cara legal, só se descontrolou essa vez e isso não vai se repetir, então não tem necessidade de chamar a polícia, hm? Estamos nos dando bem.

― Tá legal… ― Ele me olhava de forma desconfiada e eu até cheguei a suspeitar que o loiro fingia demência na maior parte do tempo. ― Mas ele devia estar bem louco de droga pra te morder feito um animal.

Ri alto demais e soltei suas mãos, agitando a destra no ar como se dispensasse o assunto. Uruha também riu.

― É, é. Mas então, o que você tem pra me contar?

― Eu queria fazer um programa entre casais! Sugeri ao Yuu e ele aceitou, mas agora você e o Reita estão brigados, né?

― Nahh… Isso eu posso resolver com ele, nossa briga não foi tão feia e ele deve ter entendido assim que eu voltar pra casa. ― Mordi o inferior, torcendo para que Reita fosse mesmo compreensível assim que eu retornasse. ― Não gosto do seu namoradinho, mas precisamos nos dar bem. Quem sabe o Aki não vai gostar dele, hm?

O sorriso de Uruha foi capaz de iluminar a minha manhã de merda e ele bateu palmas, completamente empolgado. Com certeza o namorado dele e eu ficaríamos com cara de bunda durante o resto da tarde, mas o que eu podia fazer? Desde que coloquei meus olhos naquele troço feio eu senti algo estranho. Yuu não aparentava ser o cavalheiro que Uruha sempre dizia.

Eu só esperava que a sua máscara fosse cair naquela tarde para que o loiro burro o largasse. Enfim, acertamos sobre a tarde e eu prometi que levaria Reita comigo e mais alguns filmes, no fim, eu estava tão empolgado quanto Uruha e voltamos para a sala de aula conversando sem parar sobre. Agora só me restava pedir desculpas ao meu namorado criado em laboratório e estava tudo bem.


~***~


Como o esperado, ele estava em casa.

Fechei a porta assim que entrei, sentindo os olhos escuros e intensos em minhas costas, mas o ignorei e deixei a minha maleta em cima do sofá, indo até a cozinha. Quando cheguei, ele estava encostado no balcão, imediatamente levei as mãos ao peito e gritei de susto.

― Já disse pra parar de me assustar assim, idiota. ― Abri a geladeira e peguei uma garrafa de chá gelado, entre outros ingredientes para um almoço simples. Meus olhos voaram discretamente para o loiro e reparei que ele não usava o seu típico pano na cara, seus cabelos também não estavam armados e caíam pelo rosto bonito, cobrindo um dos olhos. Reita não vestia nada além de um jeans justo e uma regata. Ambos pretos.

― Desculpe. ― Murmurou.

Juntei os ingredientes de um missoshiro em cima do balcão e deixei a alga de molho na água, me colocando atrás do mesmo para cortar o tofu em cubos. Não o respondi, era a primeira vez que o clima ficava daquele jeito e eu já estava odiando. ― Taka… Será que podemos conversar?

― Eu estou ouvindo você. ― Falei um tanto seco enquanto me ocupava com a comida, um pouco de drama era necessário, ainda mais com ele, que estava descobrindo as coisas agora. Lidar com Reita era como lidar com uma criança, ou quase isso e apesar de eu ser um colegial, me sentia muito velho quando conversava seriamente para com ele.

― Primeiro eu… Queria pedir desculpas. Quando você chegou, eu fui ouvir os seus pensamentos e estou fazendo o mesmo agora e… Desculpe, Taka. Eu não quis esconder as coisas de você, mas é para o seu próprio bem. Eu nunca tive nada valioso a não ser você, vê-lo irritado mais cedo doeu tanto no meu peito, mas tanto… Tudo o que eu faço é para o seu próprio bem.

― Para de ficar querendo saber o que eu penso sempre! Preciso de privacidade, sabia?!  ― Eu não queria olhar em seus olhos, porque sabia que se olhasse, a raiva tomaria conta de mim e em alguns segundos eu atravessaria aquele balcão só pra cortar aquela carinha linda, então, me limitei a picar aquele tofu e descontar todos os meus sentimentos negativos nele. ― Esconder a localização e quem é esse cyber é me proteger, Akira? Desde que eu te conheci, nunca escondi nada, nem mesmo as minhas intenções de ficar com você. Quando eu me apaixonei, comecei a ficar confuso, mas fora isso, eu nunca escondi porcaria nenhuma. A base de uma relação é a confiança, como acha que vamos seguir juntos se você joga na minha cara que não confia em mim?

― O cyber é perigoso, Taka. ― O notei se aproximar do balcão, mas não ergui o olhar. ― Eu o encontrei duas vezes, quase brigamos em uma… Eu posso sentir que ele é mais forte que eu, imagine o que essa outra criatura é capaz de fazer com você?

― Ok, foda-se se ele é perigoso! Eu não perguntei isso, perguntei? ― Bati a faca com tudo sobre a bancada e ergui ambas as mãos ao me afastar um pouco daquele balcão, finalmente o olhei de forma direta desde que passei por aquela porta e os olhos surpresos estavam sobre mim. ― Então é disso que tem medo? Não vai atrás dele porque acha que vai levar uma surra? Olha, eu vi o que você fez com aquele velho nojento dentro do táxi, eu preciso te lembrar das coisas que fez comigo também? Eu tenho certeza que "cyber" é só um título idiota e ele não é mais forte que você. Agora vamos atrás dele arrancar algumas informações, depois pode fazer o que quiser com ele, eu não me importo. Nunca me importei.

O silêncio tomou conta da cozinha e eu me encostei no balcão, levando ambas as mãos até meus cabelos, alisando-os de maneira nervosa. E ele continuava ali, parado feito uma estátua, processando as informações. Eu não queria que passássemos mais dias discutindo assim, não queria que tudo começasse a desandar e terminássemos… A possibilidade disso acontecer me apavorava. Reita se recusou a me encarar por longos minutos, os olhos vidrados nos cubinhos de tofu espalhados pela bancada e assim ficamos naquele silêncio constrangedor por longos minutos. Eu já estava prestes a me desencostar do móvel e abandonar a cozinha quando o loiro finalmente me encarou.

― Eu amo você, Takanori… Não quero perdê-lo, você é humano, é frágil… Será que não consegue entender? ― O seu tom de voz era choroso, só de imaginar que ele pudesse estar sofrendo com aquilo, sentia um nó se formar em minha garganta. Mas eu estava sofrendo tanto quanto ele! ― Se algo acontecer com você, eu sou capaz de morrer junto… Não quero viver em um mundo onde meu Takanori não exista. Eu juro que contarei sobre o cyber mais tarde, mas não podemos nos encontrar com ele, digo, você não pode. Por favor, me deixe aprender a usar as asas direito e eu volto com todas as informações que conseguir. Só não venha comigo, por favor.

Eu não sabia o que dizer e muito menos o que pensar, provavelmente isso estava estampado na minha cara já que Reita continuava a me encarar em expectativa. Ou talvez ele só estivesse escutando meus pensamentos, de novo. Olhei minhas mãos trêmulas e mordi o lábio inferior, finalmente cedendo e assentindo suavemente enquanto voltava para o balcão. Ele sorriu e se colocou atrás de mim, as mãos indo para a minha cintura, unindo os nossos corpos enquanto eu voltava a cozinhar. Não pude deixar de sorrir com aquilo, sentindo meu coração bater mais forte.

― Obrigado por confiar em mim, Taka… ― Continuou, me apertando contra si e voltei a assentir silenciosamente. ― Eu juro que mais cedo ou mais tarde vou te contar.

― Está tudo bem, Aki. Mas não pense que vai escapar de mim.

― Sei que não. ― Riu. ― Só eu sei como você é teimoso e irritante às vezes.

O clima mudou rapidamente de tenso para ameno e terminei o almoço um pouco mais rápido pelo fato do loiro estar me ajudando. Almoçamos um pouco depois e era a primeira vez que Reita comeria comida humana, então aquilo me rendeu boas risadas ao ver as suas mais variadas expressões quando experimentava um sabor diferente. No fim, ele achou gostoso, não era como sangue ou carne humana, mas eu podia me contentar com aquilo.

Assistimos qualquer porcaria enquanto ficávamos agarrados no sofá aos beijos e eu lhe falei sobre a tarde com Uruha e seu namorado, Reita pareceu um pouco desconfiado no início, mas foi só eu dizer que o outro loiro queria conhecê-lo melhor que ele aceitou. Dedicamos mais alguns minutos nos aprontando, ele não quis usar mais a faixa que cobria o seu nariz e até concordei com isso, Akira ficava bem misterioso com aquele pedaço de pano na cara, mas convenhamos que ele era mil vezes mais lindo sem. Tivemos que parar em um supermercado para comprar algumas besteiras para comer e alugamos alguns filmes, a empolgação do loiro ao comprar tudo me contagiava e eu só esperava que o meu ânimo não morresse assim que eu desse de cara com o namorado feioso do Uru.


Notas Finais


Quem aí tá ansioso pro próximo? Metade dos leitores esperaram por esse momento, né? Até eu. hsjsks Queria dizer que adoro ler as suas opiniões sobre a fic, então que tal deixarem aqui embaixo, hm?
Até mais. ♥


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