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História Kurotama - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Capítulo I


Fanfic / Fanfiction Kurotama - Capítulo 1 - Capítulo I





                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                                         

 


 

Kurotama - Capítulo I

por KusanagiRaikiri

 


  
         O som de passos rápidos e pesados ecoaram por toda obscura floresta. O estralo ardiloso de ossos esmagados tamborilou pela escuridão assustando o bando de morcegos que repousavam sobre as altas copas, fazendo-os farfalhar e levantar voo de imediato sobre a densa relva. Ao pé das grossas árvores, o ser esgueirou-se com agilidade do ataque se apoiando em seus punhos firmes enquanto os olhos azuis celestes brilhavam intensamente naquela selvagem noite. Logo, a sua frente, o borrão negro em alta velocidade deu forma a um robusto homem cuja a pele pálida banhava-se do líquido azul-escuro jorrado de suas graves feridas no peito. Não havia pavor ou dor em suas expressões, muito menos pensava em recuar naquele momento, pelo contrário, embainhou-se do punhal de prata fino e avançou destemido ao seu alvo, os olhos rubros cintilando e as presas afiadas prontas para afundar na pele do meio-sangue. 


        – Você ainda quer brincar, Uh?! – A voz rouca soou em excitação, seguida de um sorriso diabólico. O vampiro meio-sangue esperou calmamente o avanço do inimigo, para então deferir-lhe um chute forte no alto do abdômen, o fazendo atravessar algumas árvores durante o percurso em que fora lançado. Com seu passo sobre-humano  alcançou o corpo ainda no ar, para então atravessar seu punho nas costas largas. O rosto trêmulo do vampiro se contorceu para trás vendo o meio-sangue murmurar suas últimas palavras num sorriso cruel. – Tolo. – Arrancou-lhe o coração tão rápido quanto havia chegado ali. Deixou que o corpo sem vida escorregasse para o chão umedecido pelo próprio sangue. – É o sexto de hoje, não é... Kakashi?


      – Aa. – O homem alto e bem vestido saiu de trás dos arbustos silvestres, sustentando o olhar do meio-sangue. – Você está ficando mole Naruto, desde quando deixa eles te arranharem? – Balbuciou tedioso, vendo o pupilo tocar a maçã do rosto sentindo o corte sobre os dedos frios, mas que rapidamente cicatrizaram. 


        – Se você não fosse tão preguiçoso e parasse de ler essas porcarias para me ajudar quando somos atacados, talvez não haveria acontecido. – Murmurou seco, abaixando-se diante do cadáver e especulando os bolsos do sobretudo bege sujo. – É, parece que você não estava errado. – Levantou a mão com a grande moeda prata com o símbolo de meia lua adornado com a uma cruz de espadas. –  A ordem está dando promissórias de sangue aos soldados. Isso quer dizer que eles logo irão mandar o alto escalão da cúpula em nossa busca. – Jogou o objeto em direção ao tutor que o guardou em seu terno. – Felizmente com isso podemos ter um mês livre da Kurotama. 


      – Sim, de fato. Vamos voltar para a estrada, ainda temos algumas horas de viagem antes de chegarmos ao nosso destino. – Kakashi comentou despreocupado, desaparecendo da visão do pupilo. O vampiro suspirou profundo antes de aparecer perto do carro parado na encosta da estrada. – Faz mais de trezentos anos que eles nos procuram, tenho certeza que não serão somente soldados que colocaram a nossa cola. 


       – Hum. – Murmurou por fim, entrando no porsche negro. Estava particularmente cansado aquele dia. Não somente pelas batalhas que veio cruzando desde que pegaram a estrada de Tóquio em direção ao litoral de Honshu, mas tecnicamente pelo fato de estarem mais uma vez destinados a mudarem para se esconderem das garras dos malditos da Ordem de Kurotama. Sabia que ainda não possuía poder suficiente para se igualar e conter todos, por isso, ao longo desses tantos anos ao lado de Kakashi, treinar suas habilidades não era opção, mas sim uma grande prioridade. E olhando para seu tutor dirigindo tranquilamente, foi impossível não recordar de sua cruel transformação. Compartilhava a imortalidade e o título daqueles que massacraram sua família, ou melhor, daquele. Sentiu sua cabeça latejar e as lembranças daquele dia lhe consumiram.

 


          "Em meados do século XVIII, o pacato vilarejo de Wirbeln no interior da Alemanha preparava-se para um descanso merecido após um longo dia de trabalho. A extração de madeira de suas florestas eram a principal fonte de renda das famílias que ali habitavam, sendo comercializada por todo o país, principalmente para a capital Berlim. A madrugada havia chegado fria e silenciosa junto a uma torrencial tempestade de neve. Porém o conforto dos habitantes locais duraram pouco aquela noite. Sorrateiramente, uma horda de criaturas encapuzadas que se esgueirava pela floresta escura invadiu Wilbeln. Naquela noite Naruto acordou atordoado, ouvira altos gritos e grunhidos. Esfregando a palma das mãos em seus olhos sonolentos, achou ser apenas um sonho. Porém, ao levantar a visão em direção a cama de sua irmã caçula Kurama Uzumaki, viu-a abraçada á seus próprios joelhos com o cenho choroso e assustado. Naquele momento, percebeu que havia algo de errado e que aqueles sons não eram apenas fruto de sua mente. Levantou-se devagar, fazendo um leve gesto de silêncio para a menor que acenou em positivo. Alcançou o velho machado de lenha ao lado da porta e o segurou firme enquanto avançava  pelo corredor de madeira. Conforme alcançava a porta do quarto de seus pais, os sons gradativamente se intensificavam e a bile invadia sua garganta junto a dose alta de adrenalina que lhe fazia suar o corpo trêmulo. Quando enfim se permitiu parar em frente da porta encostada, abriu-a lentamente. E o que viu a seguir, lhe marcou pela eternidade. Seu velho pai Minato estava deitado de costas sobre o assoalho perto da cama de casal, havia um buraco na lateral de seu corpo e uma poça de sangue a sua volta, os bonitos olhos azulados de quem herdara estavam opacos e agora sem vida. O estralo de algo se esmagando o despertou do transe para o canto escuro do quarto. Quando abriu mais a passagem, a luz das lanternas do corredor adentraram o comodo e iluminaram o ser de íris rubras que se deliciava com as presas fixas no pescoço de sua mãe. Kushina tinha terror em sua expressão, os braços haviam sido quebrados e se engasgava em seu próprio sangue. Ela olhou apavorada para o filho e com temor tentou dizer:


        – Naru...to, corra. –  Ouviu um farfalhar igual a morcegos e viu que o demônio agora lhe olhava como uma fera faminta prestes a devorar sua presa. O vampiro jogou o corpo de sua mãe na cama com facilidade e sem pressa encaminhou-se onipotente na direção do Naruto. O terror que antes paralisava seu corpo deu descarga a uma corrente elétrica de raiva e ódio. Com um grito forte de sua garganta firmou a mão no cabo maciço e avançou contra o ser sobrenatural com lágrimas a escorrer pelo rosto avermelhado. Não soube como e quando, mas a afiada lâmina atingiu em cheio o crânio e o monstro caiu no chão com o estranho sangue azulado escorrendo por sua face. Naruto aproveitou aquele momento para alcançar o corpo de sua mãe, confirmando seu falecimento ao não sentir mais sua pulsação.


      – Era melhor ter escutado sua mãe garoto. Você deveria ter tirado minha cabeça, isso não vai me impedir de mata-lo. – O vampiro intimidou rindo insanamente enquanto puxava o machado de seu crânio com dificuldade. Naruto não esperou mais um minuto sequer naquele lugar. Com toda a força restante nas pernas correu desenfreado para seu quarto, vendo sua irmã tremendo na porta. 


       – Corre Kurama! – Gritou a plenos pulmões enquanto arrastava a irmã para a janela lateral e pulava com ela em suas costas. Foi quando pisou os pés na intensa neve que o baque do mundo exterior lhe atingiu em cheio. As casas antes conservadas de madeira agora se desfaziam entre as chamas, havia histeria entre as pessoas. Crianças e adultos corriam desenfreados pelas ruas pintadas de vermelho brilhante e pelos corpos estraçalhados de amigos e parentes abandonadas ao relento. 
  
      – Hey, não fuja de mim humano. – Ouviu a voz rasgada dentro de seu quarto e despertou mais uma vez do transe. Com sua irmã ainda agarrada a seu corpo, avançou rapidamente para a frente da casa.


       –  Irmão, estou com medo. – A voz infantil de Kurama soou baixo, agarrando sua blusa ainda mais forte. 


     – Vai ficar tudo bem maninha. Eu vou proteger você! Vamos nos esconder nas cavernas. – Disse entre um sorriso amarelo, afagando os cabelos ruivos brilhantes. Observou ao redor, certo de que não havia mais seres como aquele nas proximidades e pulou para a rua correndo desenfreado em direção a floresta. Conseguia ouvir os batimentos do seu coração naquele momento, estava quase conseguindo quando sentiu o corpo ser jogado com tremenda força para longe, separando-se da irmã e atingindo a carroça em frente a sua casa a destroçando na queda. – Kurama! – Gritou mais uma vez ao vê-la indefesa no meio da rua. Tentou levantar-se entre os escombros, mas uma dor aguda o atingiu, percebendo então que sua perna direita estava completamente quebrada e fora do grau normal. Urrou atordoado. Quando parou para olhar sua irmã, um ser de presença esmagadora se revelou aproximando-se, vestido em armaduras negras e envolto por uma capa de tonalidade vinho, seu rosto e cabelo estavam cobertos por uma estranha mascara em formato de cobra, mas os olhos âmbares brilhavam com intensidade sobre a única abertura. As botas grossas pararam a sua frente e com uma única mão enluvada segurou-o pelo pescoço levantando seu corpo com facilidade até estar do seu tamanho.  – Por favor, não machuque minha irmã. – Disse com dificuldade pela falta de ar em seu peito, debatendo-se. 


      – Você está prestes a morrer e me pede para ter misericórdia da sua adorável irmã? – O vampiro murmurou rouco, a voz firme estrondou junto ao trovão no céu cinzento e logo a chuva gélida lhe banhou o corpo dolorido. 


      – Por... Favor. Deixe-a viver. – Sussurrou fraco pelo forte agarre. O monstro por sua vez não pronunciou mais nenhuma palavra. Viu-o levantar o pano que lhe cobria a face para apenas mostrar os lábios pálidos como de um cadáver e as longas presas como de uma serpente, as enfiando sem pudor em seu ombro exposto. Naruto gemeu pela intensidade da dor e Kurama que observava a cena com pavor correu em direção do irmão.


      – Solte-o por favor! – As lagrimas lhe rolavam a face delicada, enquanto tentava retirar o braço do vampiro do pescoço do irmão. Naruto tentou afasta-la, mas suas forças estavam se esvaindo conforme seu sangue era consumido pelo monstro. A menina entrou em desespero, viu um pequeno brilho preso a armadura do vampiro e para sua sorte momentânea era um punhal talhado em prata. Arrancou-lhe rápida do suporte para o deferir na perna da estranha criatura que retirou a boca do ombro para gemer de dor. O ser virou sua face a garotinha com ódio e então jogou Naruto mais uma vez no chão. 


      – Corra...Kurama! – O Uzumaki murmurou atordoado, seu pulmão ardia. Ela tentou correr, porém em menos de um segundo, o ser a ultrapassou e com uma simples puxada nos longos cabelos ruivos arrancou-lhe a cabeça pequena que rolou para próximo do irmão. – N...Não. Kurama. – O gemido doloroso veio junto a soluços e grossas lágrimas, gritos e socos no solo. 


     – Vejo que já brincou com minhas presas. – O vampiro que antes estava na residência dos Uzumaki apareceu ao lado do outro, já não havia mais o machado preso em sua cabeça e as feridas estavam completamente cicatrizadas. – Mas ele ainda continua vivo, deixe-me saboreá-lo capitão. – Murmurou excitado, lambendo os lábios. Naruto observava ambos com o cenho apavorado em misto de ódio e dor.


   – Deixe-o. Vamos embora, já matamos nossa sede. – O capitão virou-se, andando calmamente em direção contraria junto ao seu soldado entediado. O vento frio chicoteou a capa vinho e então Naruto viu a insígnia do número doze gravada nas costas largas. Apertou os punhos. Haviam matado sua família, seus laços, amizades, conhecidos e porque o deixaram vivo? Não havia sentido, quem eram aqueles seres? Monstros como aqueles realmente existiam?


     – Lamentar, Lamentar não vai me ajudar agora. – Sussurrou baixo. Os punhos se apoiaram firme contra o solo. – Quem são vocês, não importa. – Levantou o rosto vagarosamente. Os fundos olhos azuis já não choravam mais. – O que importa é que vocês malditos, levaram meus laços. E eu nunca vou perdoa-los. Eu vou mata-los! – Gritou. Ambos homens pararam sua caminhada para olha-lo, se surpreendendo com a audácia do simples humano. O vampiro maior riu, suas mãos se elevaram e retiraram a mascara negra lentamente. Os lisos e longos cabelos negros que antes presos rolaram por suas costas molhadas e um rosto muito delicado com leve olheiras arroxeadas nos olhos se revelou. Naruto nunca tinha visto uma aparência tão horripilante como aquela em toda sua vida.


    – Você é forte, mas é apenas um humano. O propósito de vocês é apenas servir de ração á nós seres superiores, vampiros. – Revelou friamente. – E caso você se pergunte o motivo de eu não ter lhe matado ou deixado que meu tenente o devorasse é simplesmente porque tive clemência pela sua petulância de me ameaçar. Eu deveria faze-lo implorar por sua miserável vida, mas tenho outros planos. Apenas durma, humano tolo. – O vampiro revelou calmo antes de intensificar seu olhar na direção do humano que desmaiou após o contato com as íris brilhantes. 


     – Clemência... Isso não combina nenhum pouco com você, Capitão Orochimaru. – O vampiro de cabelos platinados proferiu curioso vendo seu capitão acariciar sutilmente a cabeça de uma serpente esbranquiçada que saia de seus trajes. 


   – As pessoas mudam, Kabuto. – Disse apático. Porém o seu olhar intenso destinado a algum ponto da obscura floresta junto ao diabólico sorriso presente em seus lábios eram provas de que havia algo a mais naquelas palavras e decisões de seu mestre. – Vamos. – Em um piscar de olhos, a horda e seu superior deixaram a pacata vila de Wilbeln para sempre. 


      Ouviu suaves risadas cruzarem uma linha tênue. Adocicadas vozes chamaram seu nome repetidas vezes. A escuridão profunda que o envolvia se decepou em uma luz quente e dourada. Logo, três silhuetas se distinguiram entre a penumbra, dando espaço para que Naruto visse sua família. Sorriu, um tanto quanto aliviado. Seus pais e sua pequena irmã riam calorosamente, não havia a presença de sombras da morte em seus olhos e muito menos terror em suas expressões. Tentou se aproximar, inutilmente, já que uma parede de vidro translúcida o impediu. Tentou gritar os nomes deles, mas sua voz não emitia nenhum som. Deferiu socos contra a barreira e o eco seco de suas batidas finalmente chamaram a atenção dos três, que caminharam calmamente até ele. 


     – Não se esforce tanto meu amor. Estamos bem.  – Kushina disse delicadamente. Os olhos violáceos intensos demonstravam amor. 


       – Aa, não temos mais dor aqui, Naruto. – Seu pai murmurou em um sorriso reconfortante.  – Não se preocupe conosco. Você ainda não pertence a esse mundo. Se cuide, meu filho. 


        – Pai... Mãe. 


       – Agora acorde irmão. Há alguém te esperando.  – Kurama murmurou, sua voz ficando gradativamente mais longe.


       – Esperem!   – Gritou, mas era tarde demais. Aquela realidade explodiu em milhares de partículas enquanto o corpo era sugado para trás. As lembranças de quando era uma criança até aquele momento fatídico o preencheram e foi com a imagem do assolador vampiro que ele despertou em um grito sofrego. O ar frio cortou seus pulmões ardilosos e ele engasgou-se com sua própria saliva. – Mas que porcaria.  – Procrastinou em um sussurro baixo.


     O céu ainda estava acinzentado, porém os feixes de luz amarela que penetravam as escuras nuvens confirmavam que já era manhã na pacata vila de Wirbeln. Percebeu que continuava deitado próximo aos escombros da carroça ao relento. Seu corpo parecia tão pesado quanto rochas, tentou levantar-se, mas seus membros não respondiam aos  impulsos nervosos. Estava muito frio e o doloroso esforço que fazia para respirar o fez constatar que estava entrando em estado hipotérmico, já que, havia passado a noite naquele lugar encharcado pela chuva fria. Uma dor aguda o atingiu e ao olhar para sua perna esquerda, o conjunto entre a canela e o pé estava fora do eixo normal e extremamente arroxeado, talvez, entrando em necrose. Percebeu que havia muito sangue ao seu redor, foi quando lembrou-se das presas afiadas em seu ombro e o observando enxergou que ali havia uma terrível infecção e uma leve trilha de líquido ferroso. Fraco, debilitado e preste a morrer, era seu estado. – Acho que não vai ter jeito, logo verei vocês. – Sussurrou em um sorriso amarelo. Os olhos azuis fixados no céu decaiu sobre as ruas silenciosas e um pavor extremo o tomou ao perceber que não havia mais corpos ou rastros de sangue pela neve, muito menos o cadáver de sua irmã estava ao seu lado como antes. Era como se houvessem apagado os rastros de destruição e todos os vestígios da vila. Aquilo o deixou extremamente temoroso. 

 Um cheiro pútrido de algo queimado incendiou seu nariz e ele avistou uma longa e densa fumaça sair entre as copas das árvores na floresta.


    – Não se assuste, aquela fumaça vem da pilha de corpos que está sendo cremada.  – Uma voz rouca se fez presente e as batidas de seu coração falharam por alguns segundos. Não havia notado a aproximação ou a presença de alguém. Trêmulo, girou os olhos para trás e viu um homem vigoroso sentado próximo a calçada. Os cabelos eram platinados como a neve brilhante, os olhos negros e profundos, marcados por uma cicatriz que começava na testa e falecia na borda da mascara escura que lhe cobria a maior parte do rosto. Ele vestia uma armadura cinza-azulada, envolta por uma capa de pelos de animais branca e em seu peito, a insignia do número dez levemente gravada o chocou lembrando-se imediatamente da visão que tivera do vampiro anterior.


      – Quem é você? Mais um maldito vampiro? – Perguntou Naruto grosseiramente. O homem apenas o fitou surpreso. – Te mandaram terminar o serviço? – Cuspiu nauseado. 


      – Bom, eu posso afirmar que sou um vampiro. Mas... não estou aqui para mata-lo. Na verdade, foi pura sorte estar por perto quando vi a bagunça que ele deixou. – Murmurou em tom calmo, observando o nublado céu de inverno. –  Meu nome é Kakashi, e o seu?


     – Tcs... Isso não importa. Me mate de uma vez. – As palavras saíram mais melancólicas do que Naruto gostaria naquele momento. Kakashi que ainda olhava o horizonte caliginoso deu uma curta e breve risada. 


   – Que humano mais penoso. – Disse. Naruto teve a leve impressão que o vampiro sorria por debaixo de sua mascara. – Você me faz lembrar de alguém... Aliás, eu não mato humanos ou me alimento deles mais. – Comentou entediado, apoiando o rosto na palma da mão.


    – Não tenho motivos para confiar em suas palavras, mas, eu quero te perguntar algo... Então você conhece o monstro que fez isso? – Perguntou Naruto em tom sério. Seus orbes agora escuros o observando, esperando sutilmente uma resposta. – Meu nome é Naruto.


   – Bom... Naruto, não? É um belo nome. Respondendo sua pergunta anterior, sim, eu o conheço...Infelizmente. – O vampiro respondeu brevemente e o humano viu-o divagar para algum canto qualquer enquanto as sobrancelhas se uniam em uma expressão que ele não soube distinguir.


     – Eu quero mata-lo. – O Uzumaki revelou. Os punhos cerrados se apertavam com ódio, enquanto as lembranças percorriam sua mente. 


    – Não acho que isso será possível. Devido a suas atuais condições, posso ver que não tem muito tempo restante de vida. – Respondeu apático. 


   – Aa, eu sei disso. – Naruto simples redarguiu, tossindo logo em seguida. Kakashi silenciou-se, envolvido pelas expressões do garoto. Procurou algo em seu casaco e logo depois levou o cantil de couro a sua boca. Deu uma boa golada no vinho suave e limpou os cantos da boca pálida com as costas das mãos.


     – Sabe, eu posso ajuda-lo. Se você estiver disposto a arcar com as subsequentes consequências. – Declarou pensativo. Naruto arqueou as sobrancelhas levemente e mirou o vampiro. A brisa gélida balançava seus cabelos brancos e sua expressão demonstrava seriedade naquele momento.


    – Para vingar minha família eu pagaria por qualquer preço. – Afirmou o humano convicto, o encarando de forma sólida. 


   – Até mesmo se tornar o mesmo monstro que matou sua família e amigos? – O vampiro confessou, o vendo entrar em transe. 


    – O-O que? – Gaguejou. 


    – É isso mesmo que ouviu. Como humano, você não é capaz de detê-lo. E bem, Eu não sou um vampiro comum... Como posso te explicar isso? – Pausou.– Nas sombras deste mundo, existe uma ordem denominada Kurotama. Ela é regida por treze supremos, diferentes e poderosos vampiros. Todos, unicamente originais e filhos do primeiro ser das trevas, Hagoromo Otsutsuki. Nas lendas humanas, vocês o conhecem por Drácula ou Alucard. – Se conteve para observar se Naruto compreendia suas palavras e se surpreendeu ao vê-lo fixado. – Bom... Estes vampiros são a base e controle de todo o submundo, responsáveis por manter a ordem e cumprimento das leis de sangue. E eu sou um deles. Sou o décimo filho e capitão Kakashi Hatake Otsutsuki. E como um puro-sangue detenho o poder de transformar humanos em seres híbridos. – Relatou como se fosse algo simples. Naruto desta vez comprimia o ar pesado em seus pulmões com mais intensidade o causando dor. Agora entendia o significado daquele número em suas vestes e principalmente nas vestes do maldito vampiro. Estava estupefado e extremamente assustado com a confissão. 


     – Então, suponho que o vampiro que atacou Wirbeln pertence a essa mesma ordem. – A pergunta soou como uma afirmação cética e atônita. Kakashi acenou positivo com a cabeça.


     – Aa. Orochimaru Otsutsuki é o décimo segundo capitão original e meu irmão. – Afirmou, vendo-o ficar perplexo. – Mas não me entenda mal. Os laços de um vampiro puro-sangue não são como as de um humano, não nós foram ensinados os laços de amor ou para que tenhamos afeto uns pelos outros. Apenas somos ligados pelo sangue de Hagoromo, nosso pai. E seguir as regras deixadas por ele é o nosso principal princípio. Porém, Orochimaru é um ser desprezível, que somente se importa com sua sede de sangue e morte. Ele abomina humanos e abomina ainda mais Hagoromo. – Expressou com rancor, os olhos nublados. – Eu o odeio e já teria lhe matado se não fosse pela ordem. 


    – P-Porque você está tão disposto a me ajudar? – Naruto perguntou.  Absorver toda aquela conversa o deixou extremamente alarmado com o vampiro a sua frente, estava confuso e muito curioso. Se aquele ser a sua frente dizia a verdade, sendo um vampiro poderoso e parte de uma ordem das trevas porque ele se arriscaria por causa de um humano fraco como ele? – Afinal, eu sou apenas um humano. – Completou. 


    – De fato. Mas, já lhe disse que você me lembra alguém, cuja muito tempo tive um forte laço. Sendo este mesmo laço rompido por Orochimaru e olhando para você, também consigo me ver no passado. – Confessou simples e continuou. – Eu vivi por muitos anos Naruto. Pagando o preço da imortalidade e vagando pelo mundo cumprindo muitas ordens. Chegou um momento em que as rachaduras dentro da Kurotama me levaram a completa insanidade e por fim a verdade sobre tudo. Eu menti para você quando disse que encontrei Wilbern por sorte. Na verdade, já estava seguindo Orochimaru e sua tropa a dias, unicamente com o objetivo de mata-lo e enfim trair meu sangue. Então foi quando me deparei com você. A determinação de suas palavras diante dele chamou minha atenção. Eu sabia que ele havia sentido minha presença, por isso deixou a vila antes que eu pudesse interferir ou atacar. Fugindo da luta como um covarde. – Cuspiu as palavras com ódio. Naruto já não parecia tão surpreso e absorvia aquela conversa em seu intimo, ligando os pontos. – Naquele momento, quando senti que ainda estava vivo, eu decidi que iria ajuda-lo a ter sua vingança. Mas para que isso aconteça, você deve abandonar sua humanidade e mortalidade. E enfim, eu estaria rompendo uma das mais antigas leis da ordem e as consequências é ser exilado como membro da cúpula e certamente  condenado a morte. O que se aplicaria a você também.


      – Eu não me importo com as consequências. Muito menos com essa tal ordem. Eu assumiria todos os riscos para matar aquele monstro, mesmo que isso signifique virar um maldito vampiro. – Naruto o cortou firmemente. Kakashi arregalou os olhos negros por um momento, surpreso com a determinação do humano. Os olhos azulados em uma chama intensa. Então, sorriu animado. – Faça isso. Me transforme de uma vez. Agora! 


      – Que seja feito então, Naruto. – O capitão levantou-se. Naruto já não tinha muito tempo de vida, então precisava se apressar. Puxou uma espada mediana presa ao suporte de sua armadura e em um movimento rápido cortou seu pulso, logo o sangue azulado que o distinguia jorrou protuberante de sua ferida. – Tudo que deve fazer é beber meu sangue. – Aproximou o pulso da boca roxa de Naruto que não pensou duas vezes em sugar o líquido amargo de gosto ruim. – Você certamente irá desmaiar e quando acordar sentirá um estranho poder consumir seu corpo, principalmente uma sede sufocante por sangue. – Declarou vendo-o se afastar completamente sujo. A ferida cicatrizou-se em um piscar e não demorou muito para que Naruto sentisse espasmos alucinantes percorrer por todo seu corpo. Gemeu de dor, os membros contorciam-se deliberadamente e veias negras brotavam por toda sua epiderme. – Durma! – Pronunciou Kakashi. Como Orochimaru fez, os olhos rubros do capitão firmaram sobre os azulados e o humano desmaiou, preso a um sono profundo enquanto seu corpo se transformava."
 


     – Argh! – Gemeu. Uma pontada dolorida alcançou sua cabeça e ele apertou a palma das mão tentando amenizar. Aquelas memórias ressoavam tão nítidas e pesarosas como se tivessem acontecido hoje. Mas, já se fazia mais de trezentos anos que ele acordara ofegante, com os olhos de um vermelho intenso e com a tão insaciável sede de sangue. 


           No primeiro momento, sentiu-se invadido por uma onda imensa de poder. Seu corpo havia se curado completamente em poucas horas, porém podia sentir uma besta crescente dentro de si ganhar força toda a vez que perdia o controle em busca de sangue humano. Kakashi o prendeu na sala de sua casa, acorrentado por um ferro especial que o impedia de quebrar com a força bruta. Por três duras e longas semanas em Wilbern, treinou duramente suas compulsões e descobriu que poderia correr a velocidades inimagináveis. Alimentava-se basicamente de sangue de animais caçados na região por seu agora tutor. Mas quando Pakkun, o Husky Siberiano albino gigante e familiar do Hatake apareceu na porta, souberam de imediato que a Ordem já sabia das movimentações de seu ex-capitão e assinava suas sentenças de morte. Partiram rápido naquele mesmo entardecer, após Naruto se despedir das lápides de sua família, jurando que ia vinga-los aos quatro ventos. 


        – Au! – O latido forte de Pakkun o fez sair do transe das lembranças para a realidade. Olhando o esbelto cachorro, acariciou-lhe os pelos macios o vendo abanar o rabo feliz. Como explicado pelo seu mestre após interroga-lo, cada original possuía um servo familiar, ou seja, uma alma poderosa em forma de animal que estava ligado a ele pelo sangue; Na forma que se o Otsutsuki chegasse a morrer, certamente o cachorro faleceria  junto a ele. Apesar de não poder se comunicar por telepatia com o mesmo, já que esta capacidade só pertencia ao dono, Pakkun havia se tornado um bom amigo para Naruto, que invejava esta capacidade dos originais, ele também gostaria de um familiar. 


       – Eu também acho Pakkun! – Kakashi murmurou de repente, os olhos presos ao retrovisor que refletia o cachorro esperto. – Ele disse que você anda muito melancólico desde que botamos o pé na estrada. Eu sei que você estava pensando no principio...Mas acho que não é só por isso que parece tão abalado.


     – Estou preocupado com a Ordem. Eles estão aumentando o preço pelas nossas cabeças e agora oferecendo promissórias. Isso só pode significar que estão apostando a sua antiga cadeira para quem nos matar. – Naruto confidenciou, passando as mãos nos cabelos loiros rebeldes que voavam ao vento. 


     – Eu já sabia que isto iria acontecer e achei até que demorou. – O Vampiro respondeu amigável. Naruto então aquietou-se em seu banco pensativo.


    – Com toda essa perseguição, nós perdemos mais uma vez o rastro de Orochimaru. – Trincou o maxilar delineado e raivoso. Pakkun aproximou-se lambendo o rosto masculino desprevenido. – Pare de babar em mim Pakkun. – Praguejou se limpando.


     – Pakkun disse que vai se esforçar para rastrear Orochimaru. Obrigada Amigo. – Kakashi agradeceu observando o cachorro pelo reflexo do retrovisor e ele apenas latiu sereno. Naruto suspirou profundo, virando seus olhos ao seu mestre.


    – Afinal, porque uma cidade litorânea como Konoha? – O Uzumaki perguntou entediado, havia sido pego de surpresa quando Kakashi lhe avisou que se mudariam naquela mesma noite. 


   – Quando ouvi rumores sobre as promissórias, imediatamente pensei que os tenentes das treze divisões entrariam nesta disputa. Eu conheço muito bem a força de cada um deles e por isso tive que tomar esta decisão. – Pausou, vendo-o ficar curioso. – Há muito tempo atrás, ouve uma competição em cada divisão para que se escolhessem os mais fortes soldados para cada capitão. Estes treze vampiros escolhidos foram graduados a tenentes e como nossos braços direitos. Eles são extremamente poderosos e mesmo que venhamos treinando pouco a pouco, já que na maior parte do tempo estamos fugindo, você ainda não tem conhecimento e poder suficiente para ganhar essa luta. 


      – Mas o que Konoha tem haver com esta decisão? – Naruto questionou ainda intrigado.


     – Só existe um lugar no mundo para que possamos ter paz para treinar. E este é Konoha, o lar da maior concentração do inimigo ancestral dos vampiros: Os lobisomens. – Despejou o ex-capitão. O Uzumaki arqueou as grossas sobrancelhas loiras confusas. Durante sua jornada com o ex-capitão da Ordem, Naruto descobriu muito sobre o mundo e as criaturas das trevas que a habitavam. Claro que a história dos lobos gigantes já haviam sido lhe contada, como também, já havia presenciado uma luta feroz de seu mestre e um deles em suas viagens. Porém, aquilo sempre foi um mistério e Kakashi nunca passou do básico sobre este assunto. Tinha a extrema noção que lobisomens eram poderosos e muito destrutivos quando se tratavam de vampiros, afinal, partilhavam de um dilema oposto natural. Ao contrário dos sanguessugas, os grandiosos lobos protegiam a espécie humana. 


     – Mas se eles são seus inimigos naturais, porque motivo iremos para este lugar? Não seria uma própria assinatura de morte? Eu realmente não entendo você. 


    – Não esqueça que você é um vampiro agora, tecnicamente serão seus inimigos também. – Kakashi riu. – Há muito tempo atrás, eu salvei uma mulher das garras da morte. Está mulher, Karura no Sabaku, por acaso, também era a esposa do líder de um dos últimos clãs restantes mais poderosos e antigos de lobisomens desse mundo, digo que são os nobres desta casta... Rasa no Sabaku, o líder, é um homem de palavra e honra, mesmo que tínhamos nossas divergências naturais, ele me prometeu um favor quando eu precisasse como forma de pagamento. Por este motivo, estamos nos abrigando em Konoha. Eles iram nos proteger e garantir nossa segurança por alguns meses e assim poderemos treinar suas habilidades em paz. Afinal, nenhum membro ou soldado da ordem deve imaginar que estamos aqui em seu território.  – Naruto então sorriu aliviado. Finalmente teria um descanso da Ordem e poderia treinar mais afundo seus poderes. – Aliás, já te adianto que você terá que frequentar a faculdade. 


     – Mas que raios, mais uma vez? quantas faculdades e escolas terei que frequentar? – O Uzumaki gritou raivoso. Havia perdido as contas de quantos diplomas ele já havia recebido durantes estes anos. – Porque eu não posso simplesmente ficar em casa fazendo nada como você? – Murmurou e Kakashi colocou a mão no peito como se sentisse ofendido pelo comentário do garoto.


    – Mas que petulância. Se ainda não percebeu, você morreu com vinte e um anos, eu não quero que os humanos comecem a espalhar boatos sobre nós. Alias, eu não fico fazendo nada, estou sempre consagrando minhas leituras humanas. – Naruto suspirou forte e deu de ombros entediado. Ao longo dos anos, Kakashi havia juntado uma alta quantia de dinheiro humano para que se considerassem da alta classe da sociedade. Por isto, mudar e se esconder poderia ser considerado algo fácil para eles, afinal, para os humanos, dinheiro é sinônimo de poder. – Você entrará como transferido na academia de Psicologia de Konoha. Como já deve ser essa sua quarta faculdade do mesmo curso, será um completo gênio e tirara de letra. Aproveite as belas moças. – A face pervertida do mestre o deixou ainda mais entediado.


      – Eu te odeio Kakashi. – Comentou, olhando o céu estrelado daquela noite quente. 


     – Eu sei. – Respondeu. – Bom, parece que chegamos. – Murmurou o vampiro ao cruzar a última curva. Quando as luzes dos postes altos se fizeram presentes, os olhos felinos de Naruto foram surpreendidos pela visão do alto da colina sobre o mar azul-petróleo banhado pela lua minguante e iluminado pela costa. Era definitivamente uma cidade pequena, mas sua bela paisagem natural tiraria fôlego de qualquer ser que  por ali passasse. O olfato e a audição aguçada capturavam cada cheiro e som emitido pela região. A vida noturna parecia movimentada, já que o fluxo de pedestres e comércios o impressionou quando o Hatake seguiu em uma das ruas principais. – É uma cidade turística, a praia de Hokage é famosa. – Explicou Kakashi. Naruto havia esquecido da incrível e irritante habilidade do vampiro original de ler pensamentos. – Vamos parar e comer algo, precisamos socializar um pouco. 

 

– É sério isso? –  Naruto questionou irritado, mas Kakashi ignorou, já procurando com seus ávidos olhos um lugar seguro para estacionar seu carro moderno. Desde quando se tornou um vampiro e passou a se alimentar basicamente de sangue animal, o ex-capitão fazia questão de leva-lo para comer comida humana toda a semana sem que houvesse a minima necessidade. Mesmo com a desculpa esfarrapada de " Provar novos gostos" , Naruto sabia que ele apenas fazia isto para que o resto de sua humanidade não desaparecesse com o tempo, pois para ele próprio as refeições humanas eram horríveis ao paladar e somente por esse esforço dele, o vampiro não interferiria nesta decisão. 

 

Ichiraku Rámen, parece interessante e o cheiro é agradável. – Kakashi murmurou observando o letreiro do pequeno restaurante. – Pakkun, você está livre para rondar a região, espero que não me arrume encrenca. 

 

– Au!! –  O cachorro latiu animado, logo pulando do banco traseiro do porsche, Naruto o observou se afastar entre a multidão de pessoas. Aborrecido ajeitou o boné negro em sua cabeça e calado começou a caminhar ao lado do puro-sangue. O restaurante escolhido era realmente pequeno, mas sua decoração simples o tornava aconchegante para uma boa refeição. Ao cruzarem a porta de entrada, foi inevitável que todos virassem suas cabeças para os dois homens estranhos. Talvez pelo fato de serem muito pálidos, Naruto não soube distinguir, odiava ser o centro das atenções. Observou Kakashi sorrir maliciosamente embaixo da mascara típica e soube que ele escutava os pensamentos de todos, principalmente das mulheres, o que lhe fez procurar rapidamente uma mesa vazia e agradeceu ao ver disponível uma em um canto preservado e mais distante de todos.

 

Tcs... Será que nunca viram alguém diferente na vida, odeio isso. – Naruto praguejou baixo já sentado. Antes que Kakashi pudesse dizer um sermão, alguém sutilmente pronunciou: 

 

Eu sinto muito, Konoha é uma cidade pequena de mal educados. – Uma voz suave invadiu os ouvidos de Naruto. Imediatamente, os olhos azuis límpidos se chocaram com íris esverdeadas e brilhante. O rosto feminino e salpicado por pequenas sardas lhe pareceu muito delicado, era uma mulher de mediana estatura e cabelos incrivelmente róseos presos a um coque alto e bagunçado. Mas não foi a beleza exótica que chamou-lhe a atenção naquele momento, mas sim o odor adocicado e muito forte que ela exalava inibindo todos os sentidos de seu corpo. Sentiu-se encurralado. Como uma onda tempestuosa derrubando todas suas barreiras construídas ao longo dos anos. A cadeira parecia haver espinhos e o sufoque em sua garganta estava se tornando desconfortável. Como não havia sentido aquela presença e cheiro antes? – Prazer, me chamo Sakura Haruno, sou a garçonete daqui. Vocês gostariam de algo? – Ela murmurou divertida. 

 

    De você, do seu sangue. 
 

– Nós não lhe chamamos. Poderia sair daqui. – Naruto pronunciou curto e o mais frio possível, desviando seus olhos dos dela automaticamente. O que estava acontecendo com ele? O cheiro daquela garota o estava fazendo retirar a besta insana por sangue de dentro de si, estava sufocado demais para encarar aquela estranha.  – Kakashi, vamos embora agora! – O Uzumaki disse sério. O vampiro que não estava entendendo a situação até o momento se preocupou totalmente quando Naruto levantou o rosto para si e ele enxergou as presas ganharem forma e as mãos apertarem-se em uma tentativa de se segurar. Estava se transformando ali. 

 

– Sim, vamos. Me desculpe senhorita, chegamos agora pouco de viagem, creio que meu sobrinho está cansado e irritado, por isso a falta de delicadeza. – Kakashi murmurou com a expressão neutra. – Vamos Naruto, até mais.  – Levantou-se rápido. Sakura não conseguia dizer nada, estava perdida. Viu o homem grosseiro levantar-se e esbarrar raivoso em seu ombro e com passadas rápidas já estava para fora do estabelecimento, mas não sem antes cruzar seus olhos com os dela, ato esse que a deixou paralisada. 

 

 – Sakura! Você está bem? – Um homem alto e forte aproximou-se preocupado. As mãos grossas se apoiaram nos ombros finos e a garçonete que antes estava em transe balançou a cabeça e encarou o melhor amigo atordoada. – Ele fez algo a você? Sakura? – Perguntou mais uma vez ainda mais preocupado elevando seu tom de voz e a sacudindo levemente. 

 

– E-eu estou bem, Gaara. Preciso ir ao banheiro agora. – Não houve tempo para que o ruivo retrucasse. Sakura havia passado como um furacão por ele, batendo a porta do banheiro feminino. Os olhos verde-água contornados naturalmente se direcionaram ao porsche negro que cruzava rápido a rua e as duas pessoas dentro. Suspirou pesado e mordeu os lábios irritado. 

 

– Então vocês chegaram. – Murmurou seco. 

 

Sakura colocou as mãos no peito ofegante encostada a porta. A respiração descompensada e os batimentos cardíacos estavam rápidos o suficiente para que ouvisse. Aproximou-se nervosa da pia de mármore lavando abundantemente seu rosto com água, vendo sua palidez gritante diante do reflexo. O que acabara de acontecer? Por um momento achou estar imaginando coisas. Mas então porque quando cruzou seus olhos com o homem grosseiro, os azuis límpidos que vira pela primeira vez deram lugar a vermelhos malignos

 

– Céus, que porcaria era aquela. 

 

 


Notas Finais


PAI AMADO!
Eu nem acredito que finalmente coloquei no papel essa fanfic. Já peço desculpas pelo capítulo cansativo, mas eu precisava apresentar o Naruto antes de finalmente cair na história. Por favor, comentem o que acharam do primeiro e se devo continuar. A opinião de vocês são importantes demais.


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