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História Kurushimi: A Gueixa e o Samurai - Capítulo 23


Escrita por:


Notas do Autor


Atatakai: quente.



Nota da autora: ME DESCULPA, SASUKE-KUN! rs

Agradeço a ajuda da GabyTorraca no título do capítulo!

Kurushimi agora tem um grupinho de leitoras fofoqueiras e cadelas de Uchiha Sasuke, vem conversar com a gente:
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Boa leitura!

Capítulo 23 - Atatakai


 

-Fique.

Sua vulnerabilidade o deixara irracional.  

Egocêntrico, sequer ponderou as consequências se ela ficasse. O sol, sempre fugidio, não deixaria de esconder-se atrás das montanhas e a lua continuaria a reinar ao anoitecer. Ambos os mundos – o dela, tão frágil e o dele, tão violento – ainda cobrariam o preço por seus atos. Nada mudaria perante sua vontade.

Consciente de que a permanência de Sakura seria impossível, o ronin ousou, ao menos, testar uma nova aproximação. Afastou os dedos quase entrelaçados aos dela, deslizando-os pelo dorso de sua mão e envolvendo-a, admirado de como era tão pequena e delicada comparada à sua, áspera e tomada por calos devido ao anos manuseando espadas.

Jamais estivera tão ciente da distinção entre eles quanto naquele momento, parecendo-lhe o mais odioso dos crimes tocar um ser tão imaculado com a mesma mão que assassinava e desmembrava sem remorso. Compreendia que não era digno de tê-la e que sua mera presença a degradava, sendo ele o responsável por arrastá-la àquele submundo nefasto e contaminá-la com sua podridão.

Uma lágrima despencou do rosto da maiko e, sem saber como agir, o ronin pôs-se a sondá-la. Uma amálgama de remorso e compaixão inflamou dentro de si, afligindo seu orgulho que, até então, era inabalável. Acaso não houvesse falhado em combate, ela não lamentaria por seus ferimentos patéticos e tampouco seria obrigada a enfrentar o Murata sozinha.

-Me perdoe, Sasuke-kun – sussurrou – Eu, apenas... Sinto tanto.

Não havia por que sentir-se tão culpada. Até onde compreendia a dimensão de seus sentimentos por ela, desconfiava – para sua completa infelicidade – que continuaria a agir instintivamente para protegê-la sem sentir-se arrependido ou amargurado por tê-lo feito.    

-Chega, Sakura – O pedido soara como uma ordem.

Seu pragmatismo era incompatível às necessidades emocionais de Sakura naquele momento. Tão oposta à sua maneira austera e analítica de lidar com a vida, sua transparência o intrigava, sobretudo sua facilidade de rir ou chorar de uma hora para outra, sem qualquer pudor ou impedimento.  

Por que era sempre tão complexo lidar com uma situação que deveria ser relativamente simples? Qualquer outro em seu lugar saberia como fazê-lo; até mesmo Kenzo, com toda a imbecilidade que lhe cabia, seria mais capacitado para aquilo. Não deveria saber, ao menos, como acalentar a única pessoa que usufruía dos benefícios de ser adorada por ele?

Comparado a todas as vezes em que quase fora decapitado, desmembrado, queimado, perfurado, envenenado e morto por Sho em seus árduos treinamentos de combate e sobrevivência, ter um ombro costurado e dedos feridos não era nada além de um ínfimo estorvo. Algo que, àquela altura, sequer o incomodava.

Era ridículo que se preocupasse com seu bem-estar quando era a própria Sakura – inexperiente aos perigos do mundo – a merecedora de seu zelo e afeto. Mas ao contrário dela, não saberia colocar sua preocupação em palavras, preferindo sempre agir a expressar-se de qualquer forma, desconfiando que, fazendo jus à sua complexidade, a maiko continuaria a lamentar-se a menos que não fosse absolutamente claro em sua intenção.

Suspirou, sentindo o sabor amargo da derrota, concluindo que sua maneira de ser, afinal, a machucava. Ergueu a mão, limpando a lágrima que deslizava por sua bochecha. A maiko encolheu-se, surpresa devido ao toque gentil do ronin.

-Não chore mais, Sakura. Eu estou bem.

Ela aquiesceu, mordendo o lábio inferior para censurar-se.

Uma última lágrima deslizou de seus olhos verdes, seguindo o trajeto pelo polegar até desmanchar-se no pulso dele. Baixou a mão, deixando que as extremidades de seus outros dedos tocassem a pele macia antes de, finalmente, encerrar o contato. Sentiu-a estremecer com aquele movimento. Fora por um milésimo de segundo, quase imperceptível, mas que provocara uma terrível agitação dentro de si.  

Sondou-a cuidadosamente, indagando se seu repentino avanço a transtornara de alguma forma. Não parecia irritada com seu comportamento, mas tampouco estava em seu estado natural.

Orgulhava-se de ser um homem prático, mas tal característica não o auxiliava na árdua tarefa de decifrá-la ou abrandava suas inseguranças. Teria agido incorretamente? Céus, ao tratar-se de outros seres humanos, seus conhecimentos limitavam-se a apenas ferir e ignorar.

Aquele repentino desejo de cuidar e criar laços o assustava.

Ao que abrangia a existência masculina, toques físicos eram benquistos e almejados, sendo esse o único interesse em comum aos homens de qualquer casta e qualquer lugar do mundo. O próprio Uchiha flagrava pensamentos dessa natureza em momentos de monotonia, despindo a maiko apenas com o poder de sua imaginação.

Mas a que ponto isso se aplicava às mulheres? Seriam distintas em seus desejos e expectativas? Em que momento uma carícia tornava-se uma impertinência? Estaria ela tão ansiosa e sôfrega quanto ele ou, de fato, era polida demais para dizer-lhe que estava sendo desrespeitada?

Tais questionamentos seriam facilmente solucionados se apenas perguntasse, mas o ronin escolheria a morte antes de demonstrar suas incertezas a outra pessoa, principalmente à Sakura  e ainda mais após ser vergonhosamente ferido na frente dela.

Sendo assim, optou em retornar a sua zona de conforto, deslizando a mão para longe do calor da maiko e tornando a apoiá-la em seu próprio peito. Cerrou os olhos para ocultar a própria irritação e simular uma sonolência que, ante ao desejo, não mais existia.

-Sasuke-kun... – A julgar o início hesitante de sua frase, o ronin concluiu que Sakura tentaria trazer o assunto à tona.

-O que irá fazer quanto ao seu estado? – questionou, interrompendo-a.

-...Meu estado? – Gradativamente baixou a cabeça para examinar o yukata azul celeste, notando as manchas do sangue de Sasuke em múltiplos pontos. Ela torceu os lábios, envergonhada e, em menor grau, enojada e assustada. – Ah – lamentou – Talvez eu deva...Você se importaria se eu...?

O ronin não respondeu, parecendo imerso demais nos próprios pensamentos para ouvi-la, com seus belos olhos negros completamente cerrados. A maiko tomou um impulso para levantar-se, caminhando até o compartimento cheio de água perto do irori e abrindo-o para tentar se limpar dentro do possível.  

Embora estivesse imóvel, a agitação incapacitava Sasuke de entregar-se ao sono. Por lógica, deveria estar exausto a ponto de sucumbir; há dias trabalhava incessantemente e, quando chegara ao limite da privação de sono, fora obrigado a enfrentar oito inimigos enquanto perdia sangue e protegia a vida de Sakura.

De fato, tudo a seu redor o invitava para um profundo adormecimento. Sentia as pálpebras pesando e ambos os olhos arderem; ao fundo escutava o crepitar das labaredas na lenha, o som da água no tonel, o ruído da chuva fina no telhado e o farfalhar do kimono de seda sendo manipulado por Sakura.

Sakura.

Incapaz de esvaziar a mente, tão breve quanto tentou adormecer revivera os longos e insuportáveis minutos em que correra floresta adentro, ferido, irracional, amedrontado com a possibilidade de algo ter acontecido a ela. Temendo que o único fragmento de felicidade que lhe restava deixasse de existir. Reviver aquela sensação o fizera, inconscientemente, encolher os ombros e franzir a testa. Era irritante como se tornara suscetível à sua existência de forma tão repentina, dando-se conta de que havia sido subjugado por ela quando era tarde demais.

Engoliu a seco, fitando o teto de madeira. Por que, entre todas as coisas que poderia dizer para encerrar aquele dia, havia pedido para que ficasse? Sequer sabia como tocá-la, decifrá-la e como aproximar-se apropriadamente. Acima de tudo, sequer era merecedor de sua presença.

Contrariando toda a dolorosa reflexão do ronin, Sakura não estava insatisfeita e tampouco assustada com sua atitude, lamentando – tanto quanto ele – sua decisão de interromper repentinamente a aproximação. O fato era que, pela primeira vez em muitos anos, faltava-lhe as palavras certas para expressar o turbilhão de sentimentos que a sufocava e inquietava.

Como diria a ele que seu desejo de ser tocada era, simultaneamente, uma novidade e uma transgressão? 

Em Lótus Celeste, a espontaneidade era considerada digna das plebes. Uma gueixa não deveria sorrir a menos que fosse absolutamente premeditado, não deveria cair nas próprias armadilhas de sedução, não se importava com a fome, o frio ou ousava reclamar da dor. Abraçar a própria humanidade era um sinônimo de fracasso, pois tornar-se uma artista era, acima de tudo, ascender como divindade.

Como a herdeira de um reino, dedicara toda uma vida para tornar-se perfeita, sendo tão moldada às expectativas e condutas do karyukai que sequer tivera a oportunidade para descobrir quem era a verdadeira mulher dentro da figura imaculada de Yaeko Sakura, certamente enterrada sob as camadas de seda, joias e perfumes.

Fora Uchiha Sasuke a destruir seu pedestal e impulsioná-la àquela reflexão.

Ao momento em que surgiu para salvá-la de Orochimaru, inconscientemente introduzira um “talvez” em seu universo imutável, proporcionando a chance de trilhar um novo caminho naquela jornada que, até então, sempre tivera uma única estrada. 

Como se não bastasse resgatá-la de sua dolorosa sina, ousou tocá-la e despertar uma avalanche de emoções que a transportou para a beira de um abismo interminável. Aquela sensação, acima de tudo, a amedrontou,  pois fora ela a responsável por Hinata entregar-se ao homem misterioso, destituindo-a de sua posição de herdeira, arruinando a honra de Lótus Celeste e, consequentemente, transferindo o fardo insuportável para ela.

Ao contrário de sua onee-san, sua desobediência não acarretaria uma punição tão amena. Não quando Orochimaru continuava sendo, inegavelmente, seu patrocinador e futuro marido. Não quando toda capital movimentava-se para o triunfo de sua apresentação. Não quando o próprio imperador sentar-se-ia à sua frente para vê-la dançar. Não quando sua virgindade deixara de ter um significado social para se transformar em um acordo político.

O castigo seria inimaginavelmente superior, fazendo jus à sua importância para o okiya. Zelada como a mais inestimável joia, Mamãe não ousaria tocar em um fio de seus cabelos, temendo que qualquer ato físico pudesse deixar marcas em seu corpo. Isso não poderia ser dito quanto ao seu espírito que, após ser ameaçada, trancafiada e destruída psicologicamente, jamais seria o mesmo.  

Aquele desejo por Sasuke era inadequado. O mero impulso de demorar-se naquela casa, a sós com o ronin, cobiçando a inesperada aproximação, era condenável.

Então por que as consequências lhe pareciam tão ínfimas comparável ao arrependimento de nunca ter vivido por si mesma?

De todos os títulos que trazia consigo – filha de Haruno Kizashi, herdeira de Lótus Celeste e futura esposa de Orochimaru – havia apenas um, isento de glória e riqueza, do qual gostaria de possuir verdadeira e intensamente: mulher livre. E como poderia conquistá-lo se, a cada passo que dava rumo a seus sonhos, permitia que as amarras de seu mundo a sufocassem e amedrontassem?

Por que deveria entregar-se de corpo e alma ao general – acaso falhasse em sua vingança – antes mesmo de saber nomear o anseio inflamando dentro de si? Se acaso os deuses selassem seu destino como herdeira e esposa, não deveria ao menos saber quem era antes de abandonar-se para sempre?

E se todo o seu corpo lhe implorava para deixar-se guiar por Sasuke e experimentar as sensações que ele podia lhe proporcionar, por que deveria se privar? Por que deveria ser aquela parte moral e condenatória de sua mente a vencer o impasse?

Por quê?

A decisão de permitir-se, embora reconfortante, a encheu de uma inquietude dolorosa que fizera suas pernas tremerem. Ora, mas se tivera coragem o suficiente para encarar um homem armado, por que deveria temer a própria curiosidade? Acaso não gostasse do que o mundo real tinha a oferecer, poderia imediatamente interrompê-lo e Sasuke, tendo sua completa confiança, a entenderia. Não?

Tão tenso quanto ela, o ronin sentou-se, agitado demais para ficar deitado sobre o tatame. Quiçá, angustiado demais para ficar mais um minuto dentro daquele lugar com Sakura, tendo chegado ao limite de sua impaciência para lidar com sua complexidade e maneirismos. A ideia de levá-la até Yoshiwara rondou sua mente, parecendo o correto – para ambos – que retornassem à realidade assim que possível.

Ele retornaria à ninkyō dantai para reportar os recentes acontecimentos e ela teria de lidar com as mulheres de seu okiya.

Sempre cheia de sortilégios, a maiko se aproximara no mesmo segundo em que concluiu o pensamento. Abriu os lábios para informá-la de sua decisão, sabendo que, inteligente e – muitas vezes – sensata como era, concordaria imediatamente. Mas Sasuke esquecera-se de que Sakura, sendo um labirinto insolucionável, sempre discordaria de sua racionalidade, submetendo-o às suas decisões ilógicas e inundadas de sentimentalismo.

Fato confirmado quando sentiu o toque da mão gentil em suas costas desnudas, os dedos contornando as cicatrizes que o treinamento de Watanabe deixara em si. O gesto, à princípio hesitante, nublou o raciocínio de outrora, fazendo-o se esquecer da decisão que estava prestes a comunicar.  

-Sasuke-kun – sussurrou, próxima demais de seu ouvido – Quem fez isso com você? – Notando-o incerto ante a sua resposta, ela deslizou a palma de sua mão até o cós de seu kimono. – Dói?

Ainda confuso, o ronin franziu o cenho.

-Ninguém importante – retrucou – Foi há muito tempo.

-Há muito tempo... – refletiu – Sinto muito, Sasuke-kun.   

-Sakura, o que você está fazendo? – irritou-se, exausto do questionamento repentino.

Virou-se para olhá-la e, arrependido, sentiu o mundo a seu redor desaparecer.

O ruído da chuva, do crepitar do fogo, do vento e da própria respiração foram cessados. Fora engolido e carregado pela mais absoluta escuridão onde, como o sol, a mulher tornar-se seu foco de luz. O Uchiha piscou, aflito, esquecendo-se como respirar.  

Aquela peculiar peça de roupa, de uma brancura de neve, envolvia tão traiçoeiramente seu corpo que o ronin, prezando por sua integridade mental e física, precisou empenhar o resto de suas forças para manter os olhos acima de seu pescoço. No entanto – para seu martírio – os breves segundos em que admirou cada linha e curvatura de sua figura foram o bastante para atiçar uma chama irreverente em seu âmago.

-Sakura? – Sentiu a garganta insuportavelmente seca.

A maiko exprimiu um sorriso pequeno e inocente, denotando sua ignorância quanto ao sofrimento insustentável do qual submetera o Uchiha. Como se acaso estivesse  se divertindo com sua reação, indicou o kimono azul celeste pendurado acima do irori.

-Você se importa se eu ficar apenas de hadajuban*? – indagou.

Incerto se a maiko genuinamente achava a situação comum ou se era apenas mais uma de suas provocações, o ronin organizou os pensamentos para manter-se mentalmente estável.

Tentou (céus, como tentou!) não pensar em como o tecido fino marcava todas as suas curvas – impecáveis como se esculpidas pelo mais exímio artesão –, circundando-as tão minuciosamente que era capaz de ver a textura de sua pele sem precisar desnudá-la ou tocá-la. Ah, mas a possibilidade de fazê-lo sussurrou ao pé de seu ouvido e ele, resistente, calou-a.

Embora Uchiha Sasuke tentasse ser forte o suficiente para não cair na tentação, a maiko tornava a tarefa praticamente impossível. Trêmula de ansiedade, estendeu a mão até a sua, resvalando a extensão do braço tatuado com a devida paciência até que alcançasse o início de seu peito.

Compreendendo sua malévola intenção, Sasuke a deteu.

-O que pensa que está fazendo? – questionou-a.

A maiko não desviou o olhar, demonstrando estar envergonhada ou culposa como ele imaginara, mas sustentou os olhos nos seus até que fosse ele a ceder por vergonha. Ao sentir os dedos do ronin afrouxarem o aperto, ela tentou tocá-lo novamente e, como da primeira vez, fora retida.

-Sakura! – Censurou-a, certamente não pela falta de desejo, mas porque a desejava demais para ser tão maliciosamente torturado.

Em resposta, a maiko franziu o sobrecenho, parecendo ligeiramente magoada.

-Você não me quer?

A sugestão absurda dera um nó na cabeça de Sasuke.  

-Pare, Sakura – advertiu, rouco demais para soar convincente – Vamos embora.

A maiko apertou os olhos. Embora inexperiente na convivência com o sexo oposto, fora treinada o bastante na arte da sedução para decifrar que seu “pare” era, na verdade, uma clemência para que ela continuasse.

Impaciente, forçou a mão para trás, mas o ronin parecia decidido a não participar daquele embate no qual, certamente, seria o perdedor. Conhecendo o poder que Sakura tinha sobre si, Sasuke tinha a certeza de que não conseguiria resistir a seus impulsos mesmo que quisesse e, temendo machucá-la de alguma forma, escolheria recusar sua oferta até que encarasse a situação com a devida seriedade.

-Pare – ordenou.

Mas a maiko estava longe de obedecê-lo. A submissão não era um traço de sua personalidade, nunca seria, sendo mais fácil a ela quebrá-lo em fragmentos para que a obedecesse.

Oh, mas nem mesmo Uchiha Sasuke, que acreditara ter sido provocado por Sakura de tantas formas – muitas delas inconscientemente – estava preparado para a atitude que ela tomou a seguir. Como ela se atrevia? Por quê? Com que propósito?    

Porra, Sakura”, amaldiçoou-a.

Tortura. Ela era a epítome da dor. Nem mesmo a ninkyō dantai seria capaz de submetê-lo a tal castigo. Nem o treinamento de Sho. Nem mesmo o sádico Kutsuu atingira um nível tão repugnante. Nada, até então, fora capaz de causar-lhe tanto sofrimento físico. Céus, desejou que toda a família Murata entrasse por aquela porta e o fragmentasse em milhares de pedaços apenas para aliviá-lo do padecimento.

Liberta de seu aperto, Sakura decidira se deitar à sua frente, mergulhando o olhar no seu de maneira tão doentiamente provocadora que parecia implorar para que ele a experimentasse. Certamente estava desesperado para fazê-lo, especialmente agora que a fenda central de seu kimono, fino como papel, se afrouxara devido a seu comportamento, revelando – sem querer – o contorno dos seios e a dimensão de seu longo par de pernas.

Sem que notasse, Sasuke umedecera os próprios lábios quando o pensamento libidinoso de provar a extensão de seu corpo – dos pés à boca molhada – preencheu sua mente e sequestrou sua racionalidade.

Oh, que se foda seu auto controle! Nem mesmo os deuses resistiriam àquela mulher.  

Caindo de bom grado em sua armadilha, inclinou-se sobre ela, mantendo distância entre seus corpos, mas perto o bastante para que os sentidos aguçados elevassem-se a tal grau que fora capaz de enxergar as pequenas mudanças no comportamento dela: os lábios vermelhos que entreabriram alguns milímetros, escoando um suspiro contido, os olhos esverdeados que pareciam mais escuros, os seios subindo e descendo por baixo do kimono frouxo e os cabelos ainda úmidos, tão colados a seu corpo quanto a roupa pecaminosa.

Encaixou a palma de sua mão em seu rosto, deslizando os dedos para as mechas de seu cabelo enquanto o polegar, fixo na tez macia de sua bochecha, deslizou pacientemente para baixo, resvalando seus lábios para conhecer a textura que, até então, só concebeu em seus pensamentos. Diante de seu toque, a maiko abriu seus os lábios por alguns centímetros, o suficiente para que ele sentisse a língua úmida roçar a ponta do dedo.

Ao fazê-lo, Sasuke notou que não era o único sedento e cobiçoso para estreitar aquele contato, pois quando deslizou o dedo molhado por seu queixo, a maiko arqueou o corpo alguns míseros centímetros acima do chão, ganhando alguns tons mais rubros na pele leitosa.

Era impossível e absurdo que continuassem daquela forma.

Exasperado, Sasuke inclinou-se para mais perto, ousando tocar na lateral de sua perna exposta, dobrando-a e puxando-a para si. Se permitiu abandonar a suavidade de outrora, apertando com desejo a carne macia e perfumada, satisfazendo um desejo que fora refreado dentro dele por vários meses.  

-Sasuke...-kun - chamou-o inconscientemente quando sentiu seu toque alcançar sua cintura e apertá-la.

Fora contagiada por um calor lascivo, insuportável, queimando e umedecendo a cavidade entre as coxas de tal maneira que seria insanidade conter o desejo para si, tendo que unir as pernas e roçá-las uma na outra para, miseravelmente, tentar diluir a angústia que provocara em si mesma.  

“Se controle, Sakura”.

Sim. Deixou-se experimentar. Deixou-se vivenciar. Agora era hora de partir.

O gemido fatigado de Sakura fez o ronin estremecer, não mais aguentando manter-se distante, sôfrego por pressionar a própria ereção na protagonista de seu desejo e encaixar-se entre as pernas dela para finalmente tomá-la para si – como sempre quisera. Era quase involuntário que sua mente trilhasse um caminho obsceno ao olhá-la, projetando cenários no qual seu nome seria clamado entre aquelas mesmas paredes, repetidas vezes, ao pé de seu ouvido, em mesmo tom.

Angustiado, Sasuke se rendera, apoiando o peso do corpo no cotovelo esquerdo, sequer sentindo os pontos quase arrebentarem ao fazê-lo, ignorando o traço fino de sangue escapar do ferimento e deslizar por suas costas. Censurar todo aquele desejo acumulado fizera sua mandíbula se apertar violentamente.

A maiko admirou-o, letárgica, envergonhada, febril, sentindo o corpo inteiro queimar em uma mistura de desejo e adrenalina. Tão entregue aos toques de Sasuke, precisou inspirar profundamente o ar abafado da cabana para recuperar a consciência.  

Não.

Não podia.

Não podia arruinar tudo agora.

Os lábios dele desceram até os dela, mas ela se afastou, decepcionada consigo mesma por sequer poder vivenciar aquela dolorosa – e deliciosa – combustão queimando dentro de si.

O ronin franziu o cenho, sequer escondendo a confusão em seu semblante quando ela tocou em seu peito para afastá-lo.

-O que houve? – sussurrou.

-Eu não posso – lamentou, rouca. A respiração fatigada impedindo-a de falar apropriadamente. – Nós não. Não ainda.

Houve um instante de silêncio em que, quase colados um ao outro, tentaram recuperar a respiração, buscando a confirmação de que deveriam, enfim, interromper o que sequer começaram.

Mas Sakura parecia insegura demais para que ele insistisse.

Sasuke fora o primeiro a se mover, roçando a ponta de seu nariz no dela antes de, abruptamente, rechaçar o contato. A maiko cerrou os olhos, sentindo a consequência de sua provocação cobrar o preço, queimando-a, implorando que o prazer fosse, ao menos, momentaneamente alcançado ou que, pelo menos, deveria deixar-se ser beijada. Embora soubesse que, àquela altura, nenhum dos dois seriam capazes de interromper a sucessão de intenções que viriam a seguir.

Vislumbrou a figura de Sasuke e sorriu para si mesma, se perguntando se o ronin, assim como ela, tentava entender aquele contagiante sentimento multiplicando-se no peito.

Desconfiava que seu nome era amor.

Mas não contaria a ninguém.  


Notas Finais


-Hadajuban: um kimono fino usado por baixo do kimono principal.

Aguardo muitos xingamentos nos comentários, podem me processar.
HAHAHA

Próximo capítulo: Orochimaru.


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