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História Kyungsoose - Capítulo 2


Escrita por: Prolyxa

Notas do Autor


Helloooooooooooooooooooous!

Olha só quem voltou beeeeeeeeeeeeeeeem antes da hora. Sei que falei que seria no fim de semana, mas postar antes uma vez não faz mal, certo? Aliás, eu tenho que agradecer pelo carinho que Kyungsoose recebeu em apenas um capítulo, tanto pelos favoritos, quanto pelos comentários que respondi agora mesmo.

E bom, uma pequena explicaçãozinha: falei que a história ia ser contada em terceira pessoa, certo? Não será mais. Eu não costumo postar prólogos nas fics, mas aqui foi necessário pra falar um pouco do passado do Jongin, já que, pra deixar a história mais engraçada, mudei tudo e fiz a narração em primeira pessoa, e ele não vai tocar muito na época que era miúdo. Daí encaixei cada coisinha. E mais, a fanfic não é angst, okay? kkkkkk Não precisa surtar que ninguém vai morrer aqui, a temática é romance e essas veadagens todas.

E por favor, não leve a sério tudo o que o Jongin fala, beleza?

BOA LEITURA!

Capítulo 2 - Como saí de um xilindró e fui pra outro


 

1. não deveis ser um cretino, Jongin, porque não terá como saber quando mil carmas cairão a tua esquerda e um Kyungsoo a tua direita, e sim, você será atingido.

 

 

Mano.

Na moral.

Na sinceridade.

Se esse lance de carma existia, maldita seja a mãe que o pariu e que não deu a devida educação pro moleque. Porque sério, nunca na vida que pensei que chegaria a uma situação tão esquisita barra fodida assim. E olha que, baseado naquilo que vivi, posso dizer que deixava no chinelo o tal Dante não sei das quantas em conhecer na marra os noves círculos do inferno, pois das esquinas do tinhoso eu conhecia bem e até tinha me aventurado a tomar chá da tarde com um projeto de capeta mor.

Mas sério, na moral, será que esse bagulho de carma não tinha coisa melhor pra ench–, espera, coisa não, será que ele não tinha uma pessoa melhor pra ir atormentar e fazer da vida dessa criatura azarada um apocalipse pessoal? Por favor, o viver em si já era difícil e aí o nego vem foder a existência inteira? Rala peito, rapaz, aqui não é a casa do caralho não.

A real da coisa aqui é a seguinte: Kyungsoo, exatamente Do Kyungsoo, um guri com o tico e teco mais afetado do que o cerebelo de qualquer usuário do cachimbo verde, chegou em mim com um papo bizarro meio do tipo fumei sim e foi além da conta, bicho. A criança simplesmente veio dizendo que eu deveria ser seu namorado. Olha a ousadia desse miúdo. Fiquei até tentando a responder um: “parceiro, maneira aí nas ervas”, mas me reservei em apenas ignorar e mandar a criança de volta pro berço, seu lugar de origem de onde jamais deveria ter saído.

Calma que vou explicar esse caroço direitinho.

Tudo começou depois que saí do xilindró pela quarta vez. E antes que alguém faça um julgamento e venha apontar o dedo da moralidade na minha fuça dizendo que sou um imprestável, um marginal, um perdido na vida, aquele que é dominado pelas forças malignas, um puto filho da mãe − nada de égua ou filho de uma vadia, porque é lei da vida: mãe e nem a tia da merenda se ofende, a não ser que não tenha um xingamento melhor na causa −, a escória da sociedade e um caralho a quatro, venho dizer que essa pessoa fez um julgamento correto e que está certíssima, continue assim.

Sou tudo isso e muito mais, não nego e nem tenho vergonha de negar. Eu não valho um centavo, não presto e acabou. Os incomodados que vão falar com uma central de reclamação de existência pra pedir reembolso pela minha pessoa e avisem se conseguir, porque aí eu mesmo vou lá pessoalmente.

Enfim, vamos voltar ao fato que saí da cadeia pela quarta vez.

A pena era de sete fucking anos por conta dos meus envolvimentos viciosos com uns esquemas de jogos clandestinos, aqueles bingos da vida (fica um aviso pra quem pensa que bingo de avô não dá cadeia). Eu ia mofar, no sentido mais literal da palavra, naquele presídio molambento sem direito a enterro decente. Mas sabe como é, aquela não era minha primeira vez sendo preso e por mais que o pessoal me visse como um analfabeto funcional, quando você está enjaulado, não tem muita opção de passatempo, então você lê, conversa com gente que entende do assunto, principalmente os advogados, gentinha que mais tem no xilindró, e assim vai fazendo as estratégias.

Depois de três anos pagos na pena, devido ao meu bom comportamento e requisitos da lei, consegui ganhar a liberdade condicional. Liberdade condicional que caiu nas minhas mãos com diversos poréns. Resumindo a papelada toda, eu precisava me manter longe de qualquer coisa que envolvesse jogos clandestinos; eu não podia ser pego perto de um lugar que estivesse acontecendo isso ou já era, ia morrer na cadeia. Além de me manter distante de brigas de bar, o motivo da minha primeira prisão, de cofres bancários, o segundo motivo da minha prisão e de rinhas, o terceiro motivo da minha prisão, porque o pessoal da proteção dos animais estava com meu nome na lista negra.

Fora isso, era necessário que eu desse um alô todo o mês para meu agente da condicional, assim como fazer uma visitinha mensal bem básica no fórum da cidade pra assinar uns papéis e ainda contribuir com um século de horas extras em trabalho comunitário. Era tudo o que eu precisava pra cair fora da cadeia e eu aceitei isso com as mãos erguidas pro céu; não dava mais pra viver naquela cela com um companheiro zarolho que vivia querendo me comer.

Mano, eu era hétero. Okay, um pseudo-hétero, então por favor, me erra, cara, e se fosse pra me relacionar com outro da minha espécie, porque tem uns carinhas no presídio que tu duvida da condição de origem do indivíduo, quem comeria alguém ali seria eu.

O mandamento que eu levava na vida era aquele: De passiva já basta a minha existência, o cu jamais.

E o que reforçou ainda mais o meu desejo de sair da cadeia foi o fato de me converter na palavra. E eu não estou zoando, cara, é sério. Lá estavam os pastores da vida, até mesmo padres, e você meio que se vê obrigado a rezar pra Deus e se deixar ser convertido quando o sujeito fica fazendo o sermão da montanha na sua orelha o tempo todo. De verdade, a Távola Redonda não era nada perto dos Doze Discípulos, ficava no chinelo. Daí me joguei nos braços do divino e fosse o que senhor quisesse junto da minha vontade insana de sair vazado dali. Então apenas concordei logo com os termos e me vi livre do antro de testosterona desviada.

Sempre que eu saía da cadeia, já caía de carão pro mundo fazendo um tour melhor que pomba gira. Enchia a cara, visitava as ninfetinhas da época, fumava até os pulmões decidirem me processar e causava o terror total. Era uma loucura gostosa, bem forte, doideira generalizada mesmo.

Porém, meio que não fiz isso quando deixei a cadeia pela quarta vez. Também, beirava os 30 e marginal com essa idade só combina se for de paletó de enterro e sapato lustrado com salto da largura do dedo mindinho. Só que isso não fazia o meu tipo, até porque eu tinha cara de guri de dezoito, corpo talhado de um mancebo mais de vinte cheio de veias e tal e mentalidade avançada demais pra qualquer um que passou tempo o suficiente enchendo o fígado de cerveja barata.  

Daí decidi aquietar o meu buraco numa boa, sem exceder nada ou sair de vez do meu estilo de vida; dedos cruzados no momento. É claro que não deixaria de lado o cigarrinho maroto ou umas geladas no fim da tarde, isso não tinha como deixar, mas ia ser sussa, algo bem brisa mesmo. No entanto, se pelo menos eu soubesse que seria nesse sossego que ia achar o meu gato preto do carma, teria bagunçado tudo e ainda fugido na clandestina pro México pra viver de burritos e me aventurar num romance meio que a Usurpadora.

Conheci o lunático do Kyungsoo pagando minhas horas extras de serviço comunitário em um colégio de gente saída de um Hogwarts da vida em uma edição da mansão Playboy com as vassouras e varinhas encantadas pra outro tipo de coisa. Os matinhos que o digam.

Basicamente, o ensino médio. E se tem algo que eu mais odeio nessa minha existência, isso se chama adolescente. Daí já viu, eu me encontrava bem no centro hormonal da coisa toda, respirava a podridão da TPM, a depressão pós-prova e pós-recuperação da recuperação, e arg, vou confessar que odiava matemática e eu estava numa escola que mano, pregava a matemática como o Cristo do novo mundo!

Veja bem, não que eu fosse burro, minhas melhores notas da escola eram em exatas, e sim, eu estudei para o espanto de todos, mas sério, matemática causava uns coisos assim na gente.... nossa, dava arrepio. E existiam umas pessoas que diziam se excitar com números.

Colega, como descobrir a raiz quadrada de um polimônio faz o pau subir? Na sinceridade, há uma coisa chamada sexo, ainda mais gostoso se for a três, bem divertido. Então pare de bancar o otário de ficar calculando o sol, o cosseno de uma equação diferencial ou o valor numérico do pi. Vai plantar mandioca e meter fundo que tu ganha mais, parceiro. Falo mesmo. Mas se gosta tanto assim da matemática, aproveita pra calcular a velocidade da pélvis sobre a circunferência apertada onde tu vai encaixar o eixo e acha o ângulo pra melhor ir com força, sacou?

Em suma, eu odiava aquele lugar, odiava quem estudava naquele lugar e quem trabalhava naquele lugar; ou seja, odiava a mim mesmo porque estava trabalhando lá gratuitamente. E Do Kyungsoo surgiu do nada, como se fosse uma erva daninha brotando bem no meu quintal bonito. Odiei esse moleque mais que tudo.

Aliás, antes que pensem que Kyungsoo era um colegial e que meu nível tinha decaído mais baixo ainda por me envolver com o projeto de criança, que fique avisado que, por mais que fosse excitante bancar um relacionamento menos dezoito, na cadeia isso se chamava pedofilia e o pessoal de lá não perdoava o sujeito que fizesse tal coisa − lembro até hoje do que fizeram com um cara, aquele nem Deus ajuda mais −, e Kyungsoo era um estagiário maior de idade.  

Meu trabalho se resumia a ser o faz-tudo. Ah, entupiram a privada por causa da gororoba de farinha do almoço? Manda o neguinho ex-presidiário manipular a merda como se fosse da raça do avatar. Tem uma casa de marimbondo perto da quadra? Manda o cara do xilindró.

O bom em tudo isso era que, não sei quem espalhou os boatos, o pessoal acreditava que eu tivesse matado alguém, então me evitavam ao máximo e pensavam duas vezes antes de vir pedir alguma coisa. No fim, acabaram me mandando pra biblioteca, um lugar afastado, sem muita gente e cheio de livros que me mantivessem ocupado em organizar. O maluco do Kyungsoo passava grande parte do tempo ali.

A primeira vez que a gente se viu foi na seção do hospício intelectual mais conhecido como filosofia. Ele estava lá no corredor silencioso, sozinho, usando o crachá com o nome, seu suéter preto de todos os dias e uma calça jeans escura, junto do cabelo boi lambeu no estilo testemunha de jeová. Sentadinho no chão da biblioteca como se ali fosse o melhor lugar do mundo, ele era todo miúdo, pequeninho, passando o ar de gente que não tinha comido o espinafre direito.

Com o óculos meio Harry Potter na ponta do nariz, Kyungsoo lia alguma baboseira marxista. Quando ele me olhou, soube que estava ferrado até o talo. Porque era o olhar dos caras do presídio quando anunciavam que a comida ia ser escondidinho de carne, onde você literalmente tinha que encontrar a carne no prato todo.

Foi um olhar meio saído do Senhor dos Anéis com o Smeagol avistando seu precioso.

− E aí? − arrisquei.

− Oi.

Ele sorriu em seguida.

Nossa, cara, não foi qualquer sorriso. Foi um sorriso que, na minha opinião, era do tipo que os diretores de filmes de psicopatas pagariam milhões pra ter, mas que muita gente dizia ser um sorriso lindo, todo infantil e meigo, meio que saído dos comerciais de pasta de dente. O escambau que era.

Tratei de dar meia volta e evitar qualquer seção de humanas pra escapar de ter encontros com gente maluca. Fui otário. O moleque parecia estar em qualquer lugar, mano. Na seção de exatas, na seção de autoajuda, na seção de ficção científica, na seção de horror. Oh, Deus, a seção de horror, ele gostava bastante daquela seção, costumava me observar dali e tramar seus planinhos hediondos comigo. Kyungsoo se agarrou tanto em mim que até descobriu o lugar que eu morava.

Naquela época, quando saí da cadeia, fui acolhido por Luhan, um amigo meu de longa data, e Baekhyun, o meu primo de um grau bem distante dado a ninfomaníaco com tara por chineses. Luhan administrava uma pensão gentil junto de um barzinho para universitários fodidos e como eu era da sua família, nos conhecíamos há muito tempo, consegui um teto e um trabalho noturno de barista. Era claro que morar com o seu melhor amigo que trepava com o seu primo quase todo dia não chegava a ser um paraíso, mas eu não estava em condição de reclamar. No entanto, eu me sentia observado o tempo todo.

− O que é que há com essa cara de defunto sem enterro, Jongin? − Luhan perguntou certa noite, depois que cheguei do colégio.

− Sei lá − respondi. − Só estou com uma sensação esquisita, sabe?

− Que tipo de sensação?

− De estar sendo observado − falei. − Principalmente lá no colégio. Hoje, quando fui mijar, senti que tinha alguém comigo no banheiro, nem terminei de expelir a causa por conta disso.

Luhan riu.

− Deve ser alguma admiradora ou admirador te amando de longe.

− Mas esse deve me amar muito pra ir me ver até mijando.

− Tem todo o tipo de gente estranha no mundo − Luhan disse. − A prova viva é o seu primo Baekhyun. Não conta pra ele que falei isso ou hoje a gente não namora.

De fato, não poderia existir alguém mais esquisito que o Baekhyun nesse mundo. Tínhamos alguma coisa de sangue nas veias, alguma coisa bem mínima, porém, não posso ser hipócrita e negar que o rapaz era doido, completamente. Ele cursou economia, cara. Certo que mais gostava de abusar dos colegas intercambistas de classe do que estudar alguma coisa, mas ele cursou algo que envolvia matemática e o malandro era bom nisso. Piorou de vez assim que apresentei Luhan a ele, foi amor à primeira troca de saliva. O charme chinês fez de Baekhyun um lunático, porque passou semanas, meses, e quase dois anos perseguindo Luhan até que este cedesse lugar em seu coração.

Contudo, Do Kyungsoo meio que extrapolava na esquisitice.

A segunda vez em que tive contato direto com ele foi em uma manhã normal de preguiça matutina. Estava me dirigindo à biblioteca como sempre depois de causar o burburinho entre as rodinhas de fofoca das guriazinhas que me achavam tesão com toda aquela altura e tatuagens, que fui abordado pelo miúdo.

Avistei Kyungsoo no final do corredor. Ele estava parado, com a pasta da papelada da secretaria colado ao peito, enquanto se balançava para lá e para cá e resmungava alguma coisa. Tinha percebido que toda vez que o via por aí no colégio, Kyungsoo sempre parecia resmungar o tempo todo alguma coisa para si mesmo, como se tivesse perdido em seu próprio mundo. Descobri mais tarde o que era isso.

Kyungsoo ficava contando números ímpares sem parar, e caso se perdesse, voltaria do zero e contaria tudo de novo.

Assim que me aproximei, seus grandes olhos de baiacu focaram-se em mim e ele sorriu igualzinho a outra vez na seção de filosofia. Mantive três passos de distância dele por precaução (quando se vive na cadeia com um bando de miserável, você aprende a ficar precavido instantaneamente).

− Oi − cumprimentou.

− E aí.

E não falou mais nada. Apenas colocou a mão dentro do bolso do jeans, e admito que dei mais dois passos para trás, talvez temendo uma faca ou arma, e vi Kyungsoo retirar dali um punhado de embrulhinhos amarelados e estender pra mim.

− São pra você − disse. − São balas de caramelo.

Por mais que ficasse desconfiado, porque lá no presídio um cara visitou o inferno mais cedo através de bombons, aceitei as balas. Achei legal da parte dele vir justamente me dar isso, principalmente quando o pessoal inteiro do colégio evitava o máximo de se envolver comigo. E bom, eu gostava de bala de caramelo, ainda mais quando fumava e precisava tirar o gosto de fumaça da boca.

− Valeu − respondi. − Gosto dessas balas. Você também?

− Bastante.

Então Kyungsoo sorriu, se curvou e caminhou apressado pelo corredor. O mais engraçado era que ele andava de um jeito infantil, evitando pisar nas riscas que existiam de um piso a outro, como a gente faz quando é criança e pensa que se pisar naquilo vai acabar morrendo ou coisa parecida.

A terceira vez tivemos contato direto aconteceu na biblioteca com Kyungsoo aparecendo por lá e me parando pra pedir que eu fosse seu namorado. Esse garoto só surpreendia. Primeiro ele me olhava como se fosse seu precioso, depois passava grande parte do tempo me observando e daí chegava com um papo lunático de namoro. Esse tinha excedido nos alucinógenos.

Aquele dia eu estava organizando a seção de romance adolescente, veja só a ironia, e Kyungsoo apontou no corredor meio que tímido, meio que nervoso, remexendo as mãos a todo momento até me dizer um baixinho:

− Seja meu namorado, por favor?

Despachei a criatura em dois tempos.

Para minha surpresa, naquela mesma noite, Kyungsoo apareceu no barzinho do Luhan e encheu a cara geral. Como ele fez a questão de me reconhecer e de ficar gritando meu nome toda hora, Luhan me obrigou a cuidar da criança. Tive que acompanhá-lo no táxi ouvindo seus murmúrios de “Namora comigo, por favor.... por que você não quer namorar comigo? Por favorzinhoooooo, Jongin. Vai ser de mentirinha, vai ser fingimento, mas por favor!”. Larguei o dito cujo bem na portaria do seu apartamento, deitado no chão frio, no relento mesmo; humanidade me faltava e eu estava pouco me lixando.

Pensei que Kyungsoo ia largar disso, ia estar um bocado envergonhado pela cena no bar, que não conseguiria me olhar na cara nunca mais, só que acredita que ele meio que quis fazer da minha vida um inferno pessoal? Todo o dia, todo o maldito fucking dia, lá estava ele me enchendo o saco com esse assunto de namoro. Pedia incansavelmente que eu fosse seu parceiro de mentirinha em uma reunião de família que ia ter ou algo do tipo; não prestei atenção direito.

− Se você não sumir da minha vista − avisei certa vez −, te dou um chute no traseiro que vai te mandar de volta pro útero da tua mãe, moleque.

Minutos mais tarde, lá estava ele de volta.

A gente ficou nisso por um bom par de tempo. A obstinação dessa criatura me deixava puto; o cara desconhecia a expressão “desista dessa porra logo ou te esfolo todinho, Kyungsoo”. Enfim. O que me levou à fatídica situação de atual namorado do miúdo baiacu ambulante foi minha burrice. Nossa, como fui burro e como me odeio por isso. Precisava estar metido naquilo? Não precisava.

Como disse no início, eu não valia mais que uma moeda de dez centavos; a marginalidade estava correndo no meu sangue, mano. Eu não prestava hoje, não prestava amanhã e continuaria sendo um puto cretino que não prestava no futuro constante. E acabei me envolvendo de novo com as drogas dos jogos clandestinos. Mas era só uma rapidinha, um joguinho pra matar a saudade, coisa leve.

O filho da mãe do Kyungsoo, com toda aquela sua perseguição em cima de mim, tirou foto e gravou. Usou isso para tentar tirar vantagem e veio todo machinho pro meu lado depois que terminei o jogo com a rapaziada num muquifo de uma zona barra pesada.

− Seja meu namorado de mentirinha ou levo isso pra polícia − foi a ameaça dele. − E nem pense que me bater, apagar o vídeo ou as fotos vai mudar alguma coisa, porque já mandei isso para meu outro celular e pro e-mail da secretaria da escola. Além do mais, se você me bater, bate pra matar, do contrário, se me deixar vivo, faço da sua vida um inferno.

E pensar que cheguei a achar a cria até fofa.

− Esse é seu ultimato? − perguntei.

− É.

Respirei fundo.

− Beleza. − E comecei a caminhar, deixando Kyungsoo para trás naquela rua.

− Aonde você vai? − gritou.

− Ora, me entregar pra polícia! − respondi. − Prefiro ir pro xilindró de novo do que te namorar, seu baiacu zoiudo.

− Ah, é? − continuou gritando. − Faz isso então. O chefão da casa vai adorar saber que você entregou o jogo todo. Boas férias na cadeia, Kim Jongin!

Ai.

Aí foi rude, Kyungsoo.

Aí pegou pesado, amigo.

Aí já foi demais.

O fato de ter me estrepado sozinho ao quebrar um dos acordos da condicional, o de bancar o canalha me envolvendo com jogos clandestinos de novo, não era tão importante como esse outro. Estávamos falando de um nível maior, não envolvia somente a mim. Se o barraco todo fosse entregue e me deixassem com a cara de um xis nove, eu estaria manchado pelo resto da vida, isso se não estivesse bagunçado até a morte e caído, totalmente pelado, em uma trilha de trem no fim da cidade. Dedurar os buracos de jogos clandestinos é uma coisa, agora dedurar A casa de jogos clandestinos de um traficante perigoso que tem olhos até dentro do presídio já são outros quinhentos.

− Kyungsoo, eu te odeio.

Ele sorriu ao me ver dando meia-volta e parando em sua frente.

− Acho que agora você é meu namorado, certo?

− Reze pra que eu não te mate dormindo, colega.

E a merda toda já estava feita.


Notas Finais


E aí, o que achou dessa vez? Espero de verdade que tenha gostado e talvez se divertido um pouco, amém. Vou torcer pra isso. Além do mais, Kyungsoo soou maléfico e tal, mas logo virá uma parte mais fofa que quero ver dele.

De novo, agradeço por vir ler e a gente se vê fim de semana que vem!

XoXo


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