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História Kyungsoose - Capítulo 4


Escrita por: Prolyxa

Notas do Autor


HELLOOOOOOOOOOOOOOOOOUS!

Duas semanas sem postar, olha só que maldade. Mas não pude escrever por enê motivos, então peço desculpas por causa desse pecado. Porém, já que demorei tudo isso pra atualizar, o capítulo tá maiorzinho \o/ Espero que me desculpem e que gostem do que irão ler. Além do mais, agradeço pelos favoritos, pelos comentários (tô indo responder os do cap passado) e pelo pessoal que às vezes aparece lá no twitter mandando um alou pra mim.

E por favor, não levem a sério todas as baboseiras que esse Jongin fala/pensa, okay? Sem mais blá-blá-blá...

BOA LEITURA!

Capítulo 4 - Como quase me tornei um veado apaixonado


 

 

3. não cobiçarás Do Kyungsoo para si, Jongin, mesmo que sinta vontade de protegê-lo de tudo e todos (e de dar uns pegas marotos também)

 

 

A vida é repleta de escolhas, Jongin, escolhas fodidas. Então opte por aquela que vai te foder mais rápido e que tem pau pequeno”, disse um grande pensador, meu ex-irmão de cela favorito, daquele tipinho que ouvia Bob Marley e que era meio aspirante a Jesus Cristo com aquela barba pra moradia de piolhos e insetos desconhecidos, juntamente ao par de chinelos de dedos nos pés com um prego segurando a correia estourada.

Gente boa esse Wu Yifan, uma figura interessante que lutava contra a forma de governo opressora da sua avó – a mulher espancava o cara, mano –, e que como fracassava constantemente nisso, bebia uns gorós e pedia pra ser preso, tudo pra não ter que voltar pra casa e levar uns esporros da simpatia pelancuda; um bundão que só. Cada gente nesse mundo. Enfim.

Mas o irmão tinha razão naquilo, a vida, de fato, sempre era repleta de escolhas. E todas de merda, vale lembrar, e havia gente que, francamente, gostava de ser fodido. Meu caso.

Kim Jongin era um tipo de prostituto que já tinha rodado em cada cacete existente na vida, isso não dava pra esconder de ninguém. O moleque manjava dos lances de garganta profunda com o sofrimento e malandragem, e se bobeasse, vish, ele ainda sabia descer no grau reto e cru sem soltar um piado. Só faltava bancar de falso convertido, o que de fato era, e escrever um livro sobre sua mocidade de raça negra pra virar um daqueles filmes que passariam na sessão vale a pena relembrar de novo pela terceira vez do mesmo mês.

E a peroba do momento que estava cutucando a bunda que era minha existência consistia naquele fim de semana na casa da família Do.

O mais engraçado nisso era que problema não se encontrava exatamente na parte do fim de semana com a parentaiada de olhos puxados saídos de uma versão de comunidade italiana onde o princípio fundamental se baseava em procriação. Velho, eu tinha vivido longos anos com presidiários fodidos, o que seria um fim de semana em família, certo? Mas o problema se achava naquilo que sustentava o motivo de eu estar ali: namoro. E um namoro de mentira.

Porque não bastava pegar o nego como bode expiatório, tinha que fazer a criatura esfregar o orgulho no milho.

Namorar alguém nunca esteve em meus planos de ofício, muito menos namorar alguém que carregava dois ovos entre as pernas. Afinal, antes, quando mais jovem, vivia fornicando com garotas, porque era o que homens deveriam fazer, não é? Homens deveriam pegar garotas. E lá estava eu, só na night, aproveitando enquanto não ia preso de novo. Então Kyungsoo veio com esse bagulho estranho pro meu lado de namoro. Sem condições. Não dava pra me imaginar namorando. Ainda mais fingindo uma coisa dessas.

No entanto, ao acordar de manhã com Do Kyungsoo enrabichado em meu peito com uma careta idêntica aos irmãos do xadrez que ganhavam condicional, e por, momentaneamente, eu gostar daquilo, percebi que dava pra me imaginar namorando outro cara e que ficava bonito na fita. Me perguntei se Luhan se sentia desse jeito ao acordar ao lado do Baekhyun todo dia. A droga que eu tinha fumado de madrugada pra pensar essas coisas era mistério, mas uma bem forte, só podia ser isso.

Afastando da cabeça essas descobertas cheias de veadagem logo cedo, empurrei o folgado do Kyungsoo que ousou babar em mim para longe, e me levantei pra tomar uma ducha fria; precisava gelar certas coisas e preparar meu mental para o casamento de mais tarde. Como ainda faltava muito tempo para a tal festança, decidi dar uma geral na casa e descolar alguma coisa pra forrar o estômago, de preferência um café bem forte no açúcar, ou até mesmo um copo de leite fresco com uma leve colherzinha de achocolatado, junto de um pãozinho com manteiga pra descer redondo.  

Não perambulei demais pelo lugar, porque era extremamente grande. Tu abria uma porta e parecia meio com Nárnia, levava a gente pra outro mundo. Além disso, tinha gente pra lá e pra cá arrumando os últimos preparativos do casamento que veja só, seria ao ar livre, bem na companhia daquele solzinho de fim de tarde que provavelmente me assaria gostoso no terno preto.

Para completar, eu chamava muita atenção. Se o plano meu e do Kyungsoo era de fazer com que não suspeitassem do meu histórico criminoso, a gente estava morrendo afogado na praia. Também, precisava se levar em conta que não é sempre que se vê desfilando pelos arredores um projeto ambulante de cartela de figurinhas e buracos. Por mais que eu fosse bonito, o pessoal ficava apreensivo com o tanto de tatuagens que escorriam pela minha pele cremosa, assim como pelo alargador na orelha e um piercing aqui e ali. É automático fazer a ligação de tatuagens à coisa ruim.

Por sorte, encontrei a velha da avó do Kyungsoo. Ela fez questão de espalhar pelos quatro cantos da casa que eu era da família, o que fez com que o pessoal aliviasse no julgamento. Porém, a coroa não largou mais do meu pé. Passeando com ela, soube que reclamava injustamente do Kyungsoo com seu falatório, ele até que ficava quietinho por alguns segundos se eu pedisse, mas a Nana não fechava a matraca um segundo sequer. Ficava fazendo um monte de perguntas sobre eu e Kyungsoo, perguntando da minha família e contando sobre as peripécias do neto quando pequeno.

Rezei pra que a dentadura da tia caísse ou, sei lá, desse um daqueles piripaques de memória que dão em velhos. Nada. O que me salvou de outra pergunta constrangedora de quem comia quem na cama foi a aparição desesperada de Kyungsoo totalmente descabelado, de pijama e olhos remelentos na cozinha agitada.

– Nana! – gritou. – Você viu o Jon– Ele ficou quieto em seguida, notando minha presença que bebericava um copo de leite ao canto. – Jongin!

E aliviado por descobrir que eu estava ali, veio correndo em minha direção pra me apertar num abraço. Menino impulsivo. Juro que se fosse em outro momento, tinha dado um murrão nele antes que chegasse a me envolver daquele jeito na frente de um punhado de estranho, mas a etiqueta pedia que eu agisse como seu namorado. Só me restou deixar que Kyungsoo me abraçasse e murmurasse um tanto de vezes que estava feliz por eu não ter ido embora.

Kyungsoo precisava entender que vontade de sair vazado daquele trambique não me faltava, mas por que diabos arriscaria meu pescoço quando o miúdo ainda tinha aquele vídeo e as fotos que me fariam perder a liberdade condicional e ser um xis nove no presídio por denunciar uma casa de jogos clandestinos? Eu não era tão otário assim.

Então, pra calar a boca dele e não estragar o nosso disfarce, o abracei de volta e obrigado pelas circunstâncias, tive que deixar uma espécie de beijo próximo da sua boca, o que deixou o moleque quietinho com meu gesto repentino.

– Cala a boca, Soo – murmurei em seu ouvido.

Fomos obrigados a fazer social no café da manhã com uns parentes do Kyungsoo. Tentei não ficar espantado com a quantidade de primos que ele tinha, mas foi difícil, cara. Ele me contou mais tarde que neto da sua avó só havia ele, o único. No entanto, Nana vinha de uma família grande de irmãos procriadores sendo ela a única sobrevivente. Ainda nisso, a vinícola empregava a grande maioria dos familiares para que os negócios continuassem na mesma irmandade. Por isso era muito comum a cambada se referir a Nana como avó daqui e acolá e de respeitá-la acima de tudo.

Kyungsoo também estava um pouco nervoso com a atenção que recebeu no café da manhã. Suas mãos tremiam ligeiramente e ele buscava afirmação em meu olhar toda vez que alguém perguntava se eu era mesmo seu namorado, o pessoal não parecia acreditar nele.

Qualé, tudo bem que o miúdo não fosse a pessoa mais normal na face da Terra, mas eu tinha passado muito tempo ao lado dele, tinha também me aproveitado do seu corpinho no meio da noite, e podia afirmar que Kyungsoo merecia mais crédito na vida. Ele podia ser neurótico, quer dizer, bastante neurótico; ter gostos e manias incomuns, curtir muito a tal da matemática e às vezes parecer meio infantil com os beiços e expressões que fazia, mas apesar de tudo isso, era um garoto que merecia confiança e também um pouco de carinho, meu. Ser tratado daquela forma não era legal.

E o que mais me perturbou naquela manhã foi o olhar cheio de descrença misturado a algo que não consegui descobrir ao certo, parecia ser ciúmes, que um dos primos do Kyungsoo jogava em nossa direção, especialmente pra mim. O rapaz estava me manjando torto, como se estivesse prestes a me tirar da mesa e me encher de porrada. Tirei de mim um autocontrole descomunal pra não chamar o parceiro na xinxa, porque só aceitava cara feia se fosse combinação genética, o que não perecia ser o caso dele. 

– Quem é o pau de sebo à direita? – perguntei a Kyungsoo.

Seus olhos vagaram para o lado indicado e voltaram pra mim. Em seguida, ele começou a rir baixinho, o que se tornou uma risada muito alta e cheia de descontrole onde precisou tapar a boca com as mãos.

– Certo, certo – chiei. – Quem é o Spock coreano?

Kyungsoo riu mais.

– Aquele é o Chanyeol – disse mais tarde. – Já fomos bons amigos na infância.

– E pelo olhar dele, suponho que não sejam mais.

– É – respondeu. – Ele meio que me odeia.

– Por quê?

– Sei lá. – Deu de ombros. – Uma hora ele era meu amigo e depois não me queria mais por perto.

Fiz um esforço em não chamar esse Chanyeol pra chegar junto, porque o cara naquela pose de pistoleiro armado do faroeste estava me deixando estressado. Tudo piorou depois da vigésima vez que aquela prima magrela do Kyungsoo, uma tal de Yoona, questionou de novo um “sério que ele é mesmo seu namorado?”, fiquei puto com o tanto de seriedade que a família dava a ele que mandei um foda-se a tudo e fiz o que foi preciso.

O café da manhã estava acontecendo na cozinha onde havia em frente uma espécie de varanda toda coberta com mesas e banquinhos de madeira distribuídos aqui e ali, já que se precisava acomodar o tanto de gente que ia de um lado pro outro enquanto enchia a pança. Puxei Kyungsoo para o canto da varanda, muito bem convicto do que faria em seguida, e aproximei minha boca da sua orelha pra perguntar algo.

– Você sabe beijar? – sussurrei.

– Quê?!

– Sim ou não?

– Por quê?

– Só diz sim ou não, cacete.

Kyungsoo aquiesceu rapidamente e sorri.

– O que vai fazer, Jongin?

– Aquilo que namorados fazem, ora – respondi.

Ele arregalou os olhos.

– Por que vai fazer isso?

Suspirei.

Uma pergunta justa que eu também me fazia em algum lugar bem distante da razão. Uma parte de mim não queria beijá-lo, porque não era algo que deveria fazer; meu alerta de hétero gritava em desespero. Mas a outra parte irritada pelo modo como a família estava tratando Kyungsoo, somada a minha curiosidade em experimentar aquela boca com gosto de calda de caramelo das panquecas, vencia qualquer coisa e dizia que eu podia ser sim hétero, só que metade de mim não escapava do desvio sexual, era veado sim senhor e queria muito beijar o miúdo de tico e teco afetado.

– É normal namorados se beijarem, sabia? – sussurrei em seu ouvido. – E você é meu namorado. 

– De mentirinha. – Kyungsoo engoliu em seco. – E é nojento – resmungou.

Quase ri. Ah, se ele soubesse que eu já tinha beijado não só sua boca ontem à noite, nossa, teria um ataque do coração. Entretanto, mesmo que Kyungsoo sofresse daquelas loucuras de gente esquisita, que às vezes sentisse nojo por causa de germes ou que então lotasse a mão de álcool em gel e os bolsos do jeans cheios de lenços antibacterianos, ele ficava confortável perto de mim, até havia dividido a cama comigo. O que era um beijo comparado a isso?

Soo – chamei rouco, causando uns arrepios nele.

Meio hesitante, Kyungsoo se deixou amolecer em meus braços. Antes de finalmente beijá-lo, me certifiquei de que estávamos em uma boa posição onde todos pudessem nos ver, então apertei seus pneuzinhos por cima da fina camiseta do pijama preto (preto era a roupa do fim de semana), e afundei meu rosto em seu pescoço ouvindo seus murmúrios de que aquilo era muito nojento. Mandei ele fechar a matraca e busquei sua boca.

Olha, se antes ainda tinha em mim uma metade hétero que estava sob ameaça de extinção, depois que senti a língua de Kyungsoo correspondendo a minha, ou assim que ouvi seus gemidos baixinhos em satisfação, mano, essa metade de cabra macho que me restava foi pro brejo descansar em paz sem chance de voltar à vida.

Naquele momento eu soube que quando Do Kyungsoo me beijava ou que quando me tocava tímido em busca de atenção, como fez durante o resto do café da manhã, tinha o poder pra me deixar meio que cem por cento veado.  E cara, dei graças ao misericordioso por estar ali apenas em um fim de semana, porque aí eu não correria o risco de, talvez, ser um daqueles veados perdidamente apaixonados.

 

*

 

Dando os últimos ajustes à roupa, parei em frente ao espelho para verificar se tudo estava em ordem. Acertei o cabelo escuro para que ficasse penteado para trás, tipo boi-lambeu, já que a ocasião pedia por algo mais formal; por sorte que aquele penteado ficava aceitável em mim. Resumidamente, aquele Kim Jongin que via através do espelho, ó, assassino. Cheiroso. Gostoso. Um pitéu dos bons, parça. Seria até um perigo aparecer no casamento tão tentador assim, corria o risco da noiva me roubar – autoestima é tudo na vida.

Saindo do banheiro, me deparei com um Kyungsoo lutando bravamente contra as forças da gravata. Fiquei observando a criatura com aquele beiço de frustração gigantesco tentando, inutilmente, dar o nó correto na bagaça, coisa muito simples de se fazer. Por alguns longos minutos, o que tenho certeza que Kyungsoo cronometrou mentalmente, continuei olhando sua figura em pé. Só depois que acabei rindo de uma expressão sua foi que percebeu minha presença, então me fitou com aquele seu par de janelas meio lacrimosas atrás dos óculos redondos e murmurou um “me ajuda, por favor?”.

– Você é bom nisso – murmurou.

– Sou bom em muitas coisas.

E foi uma resposta sem segundas intenções, só pra esclarecer. No entanto, Kyungsoo estava me testando, cara. Eu não era de ferro, ainda mais agora que esse lado veado tinha florescido sem minha permissão e se recusava a morrer enquanto estivesse na companhia da coisa miúda de olhos esbugalhados.

– Para de fazer isso – mandei.

– Isso o quê?

– Isso de morder o beiço com os dentes.

– É habito, desculpe – falou.

– Tá, tá, só para com isso.

– Isso te irrita?

– Sim, tá me deixando louco.

– Louco no sentido bom ou no sentido ruim? – perguntou curioso, me olhando.

– Louco no sentido de que se você continuar fazendo isso, vou acabar te beijando.

Apesar de ter arregalado os seus olhos de sagui com mutação genética para mim, Kyungsoo não tentou se afastar. E se tentasse, não daria certo quando eu segurava a gravata que estava em volta do seu pescoço. Mesmo assim, ele olhou para os lados e pensei que talvez estivesse buscando algum tipo de socorro, algo completamente inútil quando aquele quarto era o que dividíamos e não tinha ninguém além de nós dois ali.

Kyungsoo, porém, só estava envergonhado com minha súbita sinceridade. Até eu estava um pouco, admito. Mentira, estava uma ova. Um pouco surpreso talvez, mas envergonhado jamais.

Dei um leve puxão na gravata para que ele voltasse a me olhar e quando o fez, me xinguei mentalmente por achá-lo bonitinho. Aquele par de burcas negras, a boca levemente úmida, a pele cheirando bunda de neném... Que vergonha, Jongin, até dias atrás, ontem mesmo!, estava chamando o menino de chupacabra beiçudo e agora se encontra desse jeito? Chuta que é macumba, rapaz.

Antes que eu fizesse algo do qual fosse me arrepender amargamente mais tarde, lembrei do motivo de estar ali, tendo que me passar de veadinho na frente de um monte de gente desconhecida. O sentimento de raiva borbulhou no âmago.

– Não provoca, tá ouvindo? – avisei.

Kyungsoo e eu seguimos para o casamento. Na cerimônia, sentado em um lugar onde o sol achava que eu tinha cara de masoquista, estava tentando me lembrar da razão de nunca ter ido a tantos casamentos em minha vida e a resposta óbvia, além de eu passar grande parte do tempo na cadeia, se resumia ao fato de que casamentos eram um pé no saco, irmão.

Rezei pra que aquela merda acabasse logo e que a gente pudesse partir para a cena dos comes e bebes, compartilhar a ceia e manter a barriga longe da linha de miséria. E pelo modo como Kyungsoo cochilou bonito encostado em meu ombro, dava pra ver que compartilhávamos da mesma opinião.

Infelizmente, a prima de Kyungsoo não dividia do mesmo fio de pensamento que o nosso, porque a cretina pegou o microfone pra falar a porra dos votos e não largava mais. Por sorte que o noivo, aposto que mergulhado em desespero pra ir logo pra parte em que ele tira a roupa dela, apressou as coisas e deu fim no bagulho. Kyungsoo acordou nesse instante, perguntando pra mim quando a gente ia comer.

Quando finalmente a cerimônia acabou, pude suspirar de alívio ao lado de um Kyungsoo alegre em matar as verminosas famintas. Mas a felicidade, amigo, a felicidade é uma guria que gosta de fazer cu doce na cara da gente e que ainda banca a egípcia.

Por que me explica que titica de galinha a criatura que escolheu o buffet tinha na cabeça ao querer dar de comer aos convidados aquelas gororobas? Me diz o que essa criatura energúmena estava pensando? Por favor, quem é o cidadão que quer comer ova de peixe? Eu nem quis saber o resto do cardápio, só tinha nome estrangeiro naquela coisa. Corria um sério risco do pessoal estar me dando merda pra comer, então, mesmo que estivesse morrendo de fome, não ousei me aventurar.

Kyungsoo também não gostou. Fez uma cara de quem vomitaria o coração no prato quando trouxeram seja lá o que aquilo fosse; tivemos que matar a fome nuns pãezinhos com patê pra ver se tinha jeito de sobreviver até o fim da noite. Francamente, davam coisa melhor até na prisão, mano.

Falando sério, irmão, na minha opinião, festa que é festa tem coxinha e uma variedade de salgadinhos gordurosos, ou então alguns pedaços de carne suculentos na churrasqueira, tem pão com mortadela – isso em comemoração de pobre –, tem docinhos gostosos que tu passa a mão quando ninguém tá de olho, tem comida que dê pra engolir, sacou? Mas gente rica, né, vive nessa vibe de comi ovo frito e peidei caviar.

– Nunca pensei que sentiria tanta simpatia por fast food – Kyungsoo resmungou.

– Mataria por uns pedaços de frango frito, isso sim – respondi. – Isso tá muito ruim, cara.

– Se está ruim pra gente, imagina pra quem vai comer isso e ainda voltar com o ex.

Abri um sorriso imenso olhando para o mesmo canto que ele mantinha certa atenção especial; uma prima sua, até que bonitinha a guria, estava com uma feição de poucos amigos ao lado de outro primo. Kyungsoo havia contado mais cedo que os dois viviam um rolo mais complicado do que jogar pingue-pongue com um cego, o menino vivia chifrando a trouxa e aí se separavam, mas a besta sentia saudades da pica rodada e dava outra chance. Tsc. O incesto feelings era muito forte naquela família. Só os meus pobres olhos entendiam da gravidade dessa verdade por conta do que viram pelos buracos escuros dessa casa.

– Do Kyungsoo, tu fez uma piada? – perguntei. – Essa foi boa, viu.

– Jura?

– Uhum. Tão boa que eu não faria melhor. 

E talvez por impulso, acabei deixando um carinho bobo em seus cabelos. Assim como, também por impulso, puxei a cadeira de Kyungsoo mais próxima da minha pra que ficasse mais fácil de fofocar as coisas em seu ouvido, coisa que me deu o privilégio de sentir o cheirinho de bebê gostoso da sua pele.

Pra ser sincero, eu e ele passamos quase o restante da festa em um cosplay de Marias fofoqueiras comentando sobre a vida de todo mundo, mais eu do que ele, porque sim, sou desses. Teve uma hora, mano, que uma prima feia do Kyung, mas pensa em uma mulher feia pra chuchu, foi tentar dar em cima de um convidado ainda mais feio que ela que, graças aos céus, não tinha ligação sanguínea, mas imagina se os dos ficassem juntos e isso desse cria? Que filhotinho de cruz credo ia nascer? Eu e o Kyungsoo tivemos um ataque de riso bem louco nesse instante.

– E aquela ali? – apontou pra mim. – É até que bonitinha.

– Bonitinha se comparado a que, à menina do exorcista? – perguntei. – Cara, a beleza dela é igual ao Papai Noel: não existe.

Kyungsoo riu alto.

– Mas e a outra?

– Misericórdia, a guria é tão feia, mas tão feia que tenho certeza que ela gosta de postar foto duplicada pro pessoal brincar dos sete erros.

Nossa, teve outro momento, mano, que eu simplesmente me descontrolei de dar risada ao ponto de abraçar o miúdo ao meu lado. Uma prima do Kyungsoo chegou na gente e pediu pra ele tirasse uma foto dela comigo, disse que me achou bonito e uma baboseira toda. Depois que a foto foi tirada, a garota foi olhar o resultado e acabou soltando um “Ai, saí feia nessa foto”, mas imagina o que o Kyungsoo respondeu!

– Mas feia você já saiu do útero da sua mãe.

Chorei de rir, irmão. Principalmente do jeitinho doce que ele falou, sem maldade alguma, como se estivesse repetindo o resultado de uma conta matemática. Melhor momento da noite.

Além disso, descobri que Kyungsoo não tinha só uma cabeça boa pra matemática e seus problemas de transtorno obsessivo-compulsivo, o menino alimentava umas ideias loucas e umas teorias muito que divertidas sobre política. E sim, acabamos jogando fora umas horas de conversa sobre esse assunto. Por mais que eu negasse o lado de humanas em mim, quase concluí meu curso de história, gostava de discutir acerca da corrupção.

A única coisa, no entanto, que simplesmente me irritou ao extremo, foi aquele pau de se– quer dizer, foi aquele tal do Chanyeol que não parava de manjar a nós dois. Durante o almoço ele já tinha ido conversar com o primo e pelo modo como Kyungsoo ficou amuado pelo resto da tarde, já deixava claro que o outro não estava com boas intenções. Na festa até precisei acompanhar o garoto no banheiro, porque vi que a figura alta o seguiria pra fazer sabe-se lá o quê.

Só entendi um pouco dessa marcação quando, no início da madrugada, levantei pra beber um copo d’água e fumar rapidinho. Tive o infeliz prazer de encontrar Chanyeol na cozinha também. Decidi ignorá-lo, não estava no ânimo. Então bebi minha água e saí acender o cigarro pra fora da casa, mas foi impossível de fazer tal coisa com o cara praticamente me seguindo pra bater um lero.

– Então, quanto o Kyungsoo te deu pra bancar de namoradinho dele?

Sabia.

– Não saquei.

– Você entendeu muito bem.

Traguei uma, duas, três vezes o cigarro enquanto pensava na forma mais educada de responder. Cheguei a me xingar mentalmente por ter saído do aconchego daquela cama.

– Por que ele daria alguma coisa pra mim, além do amor, é óbvio, quando somos namorados?

– Por favor – Chanyeol disse ironicamente. – Eu conheço o Kyunggie, cresci com ele.

Kyunggie. Aquilo me irritou, sério. Me irritou também o fato dele ter dito que conhecia Kyungsoo. A família inteira dizia isso, como se soubesse cada coisinha sobre ele, mas não faziam ideia de quem Do Kyungsoo era de verdade.

Não sabiam que ele era um simples garoto cheio de problemas, assim como cheio de carência, desajustado no mundo que só queria companhia, que só queria um ombro qualquer pra dormir no meio de uma festa ou o calor de um corpo pra aquecê-lo no meio da noite. Do que adiantava ter tantos primos, tanta gente em volta, se ele ainda se sentia sozinho? Kyungsoo só queria alguém que o fizesse se sentir em casa. Por isso fiquei boladão e apenas me vi respondendo.

– Sabe o que eu acho, Chanyeol? – perguntei. – Acho que você está muito interessado no Kyungsoo e eu estou ficando puto com isso, cara – falei. – Odeio quando ficam se interessando meu pelo namorado, então acho bom que fique longe dele ou serei obrigado a tomar medidas drásticas.

– Medidas drásticas? – Chanyeol repetiu, meio descrente. – Por causa do Kyungsoo?

Apaguei o cigarro e sorri, respirando fundo logo em seguida. Não pensei duas vezes antes de ir em direção ao carudo que estava testando meu bom senso, e vale lembrar que essas merdas de bom senso faltavam em grande escala em mim.

Park Irritante Chanyeol era uns bons centímetros mais alto que eu, mas que se danasse, esse infeliz com cara de retardado estava me enchendo o saco, tinha que levar um tapa da realidade na fuça pra ver se acordava pra vida. E medo de um bocó desses nem tinha como ter. Afinal, na cadeia precisei lidar com carinha mais grande e mais monstruoso que qualquer um e aqui estava eu, vivinho e com duas pernas funcionando.

– Vou te mandar a real, cara, e vou fazer isso uma vez só – falei. – Fica longe do Kyungsoo.

– E se eu não ficar?

Ah, mano, o cidadão estava pedindo pra levar uns esporros no rabo branco dele.

– Não vou pensar duas vezes antes de acabar com a tua raça se mexer com o Kyungsoo de novo, tá ligado?

Saí de lá sem quebrar a cara dele por um milagre de força maior. Interiormente, eu fervia em uma raiva desconhecida só querendo esmurrar a cara do primeiro filho da puta que aparecesse na minha frente pra falar lorota. Eu mataria naquela noite. Dessa vez ia parar na cadeia com as mãos manchadas de sangue. Puta merda, o que diabos aquela família tinha? Será que eram tão burros assim pra não conhecer uma pessoa que levava o mesmo sangue nas veias?

Voltei pro quarto soltando fumaça pela chaminé, mas engoli a raiva quando encontrei Kyungsoo acordado, enroladinho na cama e resmungando números para si mesmo. Ele demoraria bastante tempo pra dormir, porque cochilou durante a cerimônia inteira do casamento no meu ombro. Segui pro banheiro e escovei os dentes pra tirar o bafo de cigarro. Por fim, me deitei.  

Como na noite anterior, vi Kyungsoo levantar diversas vezes pra checar a porta do quarto, então acender a apagar as luzes, ir ao banheiro, escovar os dentes de novo e organizar objetos tortos pelo cômodo. Isso era a rotina dele todas as noites. Esperei que ele voltasse a se deitar novamente e me virei, ficando frente a frente com ele.

– Vem cá – chamei, apontando para meu braço estendido. Kyungsoo se assustou um pouco com meu gesto. Deveria estar em conflito por causa de ontem à noite onde tinha dito que se ultrapasse os limites, estaria morto. Ele olhou bem em meus olhos em busca de algo, como não viu nada além de sinceridade, ficou hesitante, com medo de vir. – Vem cá, Soo.

Aproximou-se devagar e se ajeitou deitando em meu braço. Ficamos quietos por um longo tempo, desse jeito. Em determinado momento, senti seus dedinhos gelados deslizando pelos riscos da pele do meu braço, tentando acompanhar as formas das minhas tatuagens.

– Doeu?

– O quê?

– Doeu fazer essas tatuagens? – ele questionou.

– Hmm, não. Não muito.

– Eu queria fazer uma também – resmungou.

– Faz, ué.

– É que eu li uma vez que as chances são grandes de contrair uma doença enquanto se faz uma tatuagem.

 – Bom, se você fizer com o Yifan, garanto que não vai contrair nada – falei. – Ele é muito bom.

Kyungsoo continuou a roçar os dedos por minha pele, totalmente encantado com os contornos que iam de um lado para o outro. Enquanto ele estava fissurado com os desenhos, a minha ocupação se resumia em olhá-lo profundamente e de lembrar da noite passada, quando passei dos limites em praticamente tocá-lo sem permissão; um pecado terrível, porém gostoso. Me lembrei também do beijo que trocamos na varanda e de como gostei daquilo.

Acho que por conta disso e de outras coisas, talvez por estar levemente embriagado, chamei seu nome. Tendo seus olhos voltados somente para mim, a boca rósea tão próxima e seu corpo amolecido perto ao meu, quis beijá-lo de novo. E fui correspondido, simples assim. Kyungsoo não me afastou ou muito menos tentou, apenas entreabriu os lábios para que o beijo tivesse profundidade. Lentamente, minha mão foi subindo por debaixo do pano de seu pijama, dedilhando sua pele que se aquecia aos toques. Não fui impedido de novo. Em resposta, ele me puxou mais, me obrigando a ficar por cima.

– Você disse que beijar era nojento – murmurei em seu ouvido, depois de abandonar sua boca e descer por seu pescoço, sentindo o cheiro de colônia de bebê.

– E... é... nojento – respondeu devagar. – Mas quando faço isso com você, não acho que seja.

– Por quê?

— Não acho nojento porque... porque... – Kyungsoo não conseguiu concluir a frase, soltou um gemido manhoso quando que retirei sua camiseta e lambi seus mamilos.

– Porque...?

– Porque sempre que você me beija, Jongin, parece que gosta de mim – disse baixinho. – E meu coração fica feliz com isso.

Inebriado pelas emoções do momento, me vi sedento em busca da boca de Kyungsoo; tinha que senti-lo contra mim, à beira de se fundir comigo. Alguma coisa lá no fundo dizia que eu precisava parar urgentemente, cara. Precisava parar antes que algo de pior acontecesse, antes que eu me deixasse perder profundamente nas curvas e texturas daquele garoto que suspirava a cada beijo meu e que me deixava tocá-lo da forma que bem quisesse, seja forte, desesperado ou bruto. Ele não me impediu de apertá-lo em meu colo, praticamente nu, enquanto seus movimentos iam me deixando duro, com meu tesão roçando em sua bunda ao ponto de explodir.

– Pensei que você fosse hétero, Jongin.

– Eu também pensei – respondi entre um beijo e outro.

Culpei a carência ordinária pela vontade descabida de foder Kyungsoo que me envolveu quando puxei o elástico do seu pijama para baixo e invadi aquele lugar fazendo com que seu corpo se arqueasse com meu toque. Ah, irmão, fiz Kyungsoo gozar na minha boca. Fiz com que ele gemesse meu nome tão alto que aquela casa inteira deve ter escutado.

Tirando a parte que ele ficou muito cricri por beijá-lo com os resquícios da própria porra e que me fez ir buscar um copo de água morna e sal pra que gargarejasse, além de me passar um sermão gigantesco sobre germes e doenças transmissíveis através de beijos e boquetes, e é claro, de falar um punhado de números de mortalidade sobre isso, a noite terminou bem. Teria terminado melhor ainda se eu tivesse fodido o Kyungsoo, mas precisei acalmar as coisas batendo outra no banheiro, porque pra ele a leve menção de uma chupada básica em mim causava ataque cardíaco.

Roubando um beijo de boa noite, assisti Kyungsoo adormecer aos poucos muito bem acomodado em meus braços. Minutos mais tarde, eu ainda permanecia acordado olhando para aquela coisinha toda mole que dormia enroscada em mim sem problema algum.

Era até que adorável.

Bastante.

Aff, o baixinho era lindo mesmo sendo todo excêntrico.

Naquele instante eu soube que quando Do Kyungsoo se entregava para mim, ou que quando dormia daquele jeito, parecendo tão seguro ao meu lado como se nada mais no mundo importasse, também deixava meu coração feliz. E cara, não nego ter ficado triste ao me lembrar de que ficaria dessa forma com Kyungsoo em apenas um fim de semana.

Porque talvez eu não me importasse mais de ser um daqueles veados perdidamente apaixonados se fosse por Kyungsoo.


Notas Finais


que você fosse veado todos nós já suspeitávamos, Jongin auhsuhauhsuahshuau

MAS e aí? O que achou? Tô aqui torcendo pra que tenham gostado e se divertido também!

Antes que eu me vá, quero deixar uma explicaçãozinha básica pro caso de pensarem "mas o Jongin já tá no papo?" Levando em conta que a fanfic é curtinha, teremos mais dois capítulos ( uma breve tretinha vai acontecer, culpa do lindo do Chanyeol <3), não quero ficar me demorando. Além disso, o Jongin tá na companhia do Kyungsoo faz um tempinho, lembra? Com a perseguição toda pra cima do pedaço de mau caminho. OU seja, Jongin é um "bom observador" e já ficou mexido com a criança, mas só agora com essa aproximação maior que foi se dar conta dos sentimentos.

Pronto, expliquei!

De novo, peço desculpas pelo atraso e agradeço por todo esse carinho que dão à fanfic e pra mim ♥

A gente se vê em breve o/

XoXo


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