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História Kyungsoose - Capítulo 6


Escrita por: Prolyxa

Notas do Autor


MIGOOOOOOOOOOS HELLOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOUS

E aí, galero? Bom, pra não encher de linguicê aqui, vamos ao assunto: eu não ia atualizar hoje, porque queria terminar a fanfic e talz, porém, decidi que haverá mais um capítulo que será o the end (QUE É HAPPY, TÁ, PELO AMOR, É FINAL FELIZ, CALMA AE), daí cá está essa atualização que, perdoe pela demora, mas a faculdade me pegou pelos cabelo e me deu um trato de pedir arrego pra existência. Então tudo certo? Um capítulo pra matar a saudade, pra gerar a discórdia também e pra deixar no ar o fato de que o próximo cap será o final e pro final o açúcar vai estar presente transbordando pela bunda da minha inspiração.

ENFIM, agradeço pelos favoritos, pelos comentários que eu vou responder assim que tiver um respiro (mas li todos e ♥), pelo carinho lá na farofa do twitter e....

BOA LEITURA!

ps.: gente, paz no coração

Capítulo 6 - Como talvez quase perdi você


 

5. não sejais um tartaruga com os lances do coração, Jongin, porque se você não sabe, sentimentos podem morrer.

 

 

O tempo passa, o tempo voa”, foi o que ouvi numa música certa vez, música esta cantada por um Byun Baekhyun bêbado que tinha levado uns tabefes na cara bem doídos pelas mãos gentis de Luhan, e nem me pergunte o motivo, negócio de veado apaixonado e blá-blá-blá romântico. Mas fazendo a análise dessa frase por me encontrar desimpedido de afazeres como sempre, concluímos que a pessoa que escreveu essas palavrinhas estava fumada em monte de baboseira filosófica sobre o tempo passar depressa demais no bonde apinhado da vida.

Porém, na concepção estudada por mim, essa frase faz muita referência à cornice, porque é bom o tempo passar, e voar se possível, se tu ganhou uns ramalhos pesados no cocuruto. É a pura lógica, amigos.

No entanto, vendo por aquele outro lado mais complexo e cheio de burundanga emotiva − o lado abstrato-sentimental que Kim Jongin meio que desconhece e que sofre um tanto por ele, mesmo que negue de pés juntos −, todo mundo vai concordar comigo no ponto onde essa frase se mostra uma puta de uma mentira na maior cara dura, mano, porque quem escreveu isso certamente não sabia o que era experimentar um aperto no peito por simplesmente sentir falta de alguém sem motivo aparente, motivo aparente este que significa o indivíduo enfiado a sete palmos da existência, pois é praticamente regra sentir falta de parente morto, e só daquele que deixou herança ou que tenha te alimentado em algum momento da vida.

O fato é que o tempo não passa quando se tem uma pessoa futricando na sua cabeça, preocupando seus miolos de um jeito maldito como se fosse uma assombração, e o tempo muito menos voa se você estiver longe daquela criatura também, porque de todos os lugares existentes no mundo, o único que você gostaria de estar é naquele ao lado da pessoa que tu sente falta mesmo não querendo sentir e mesmo mandando aos caralhos do Judas essas coisas piegas que têm desestabilizado sua formação sexual. Infelizmente, essa é a verdade.

Sim, infelizmente. Não vou bancar o hipócrita, porque como disse um grande filósofo cuja licença poética foi caçada, “No meu coração não cabe sentimentalismo fodido, só infarto”, por Wu Yifan.

Logo conclui-se que o projeto de jerico que escreveu tal música era um tremendo mal-amado na vida do tipo que cantava música de solteiro num ritmo country e que dormia abraçado ao travesseiro.

E sinceramente, essa frase do início ao fim era uma completa mentira, porque a verdade é que quando se sente falta de alguém, o danado do tempo parece ter ido fazer a caminhada santa do destino lá em Jerusalém montado num jegue estropiado. Posso dizer isso por experiência própria, pois sei como é quando o infortúnio que a gente vive na realidade mostra as desgraças do tempo em câmera lenta, de bônus, em branco e preto versão terror.

Além do mais, eu não precisava ter nenhum estudo, doutorado ou conhecimento inútil nas burundangas emotivas pra saber que sim, eu, Kim Jongin, o maior leigo no quesito sentimentalista e variações românticas, estava − de alguma forma obscura pra não dizer trabalho de terreiro, oferenda do mar ou em última circunstância, causa do divino (o céu rindo da minha cara no instante momento) − me tornando de vez em um veado apaixonado por Do Kyungsoo.

O pior era que eu não me sentia incomodado com isso, pelo contrário, sentia saudades dele. Muita. E que mesmo depois de anos beijando gurias e endeusando algum par de peitos, a única coisa que me perturbava o espírito era a falta da boca daquela criatura miúda. Não só de sua boca.

A verdade é que a falta que eu sentia por Kyungsoo doía pra cacete.

Porra.

Eu estava apaixonado por um cara. Por um cara com um pinto no meio das pernas, mano. E sentia falta daquela droga de pinto também.

Minha existência estava inteiramente fodida. Agora só faltava o quê? Eu ser o passivo da relação que fazia depilação corporal pra agradar o outro? De passiva já bastava a minha vida, o c−, é. Era melhor não falar nada. Tinha dito a mim mesmo que nunca deixaria de ser hétero e olha hoje a minha situação. Não que Kyungsoo tenha cara de querer bancar o plantador de mandioca em mim, mas a gente nunca sabe, e eu era muito frouxo quando se tratava dessas coisas de coração pra confiar na minha resistência.

Tão ferrado que até pensando na minha integridade traseira eu estava pensando, e seria muito carapetão da minha parte se dissesse que não tinha ficado desse jeito por muito tempo. Todos os dias. Horas. Minutos e segundos. 

Durante os longos quatros anos que estive longe, só um nome aparecia até mesmo nos meus sonhos. Sim, o do miúdo de olhos avantajados e cabeça bagunçada. O que não fazia muito sentido, já que depois que saí da propriedade dos Do e tomei um trem de volta pra casa, dei um foda-se pra vida e disse a mim mesmo que deveria esquecer de tudo. Kyungsoo não era meu problema e eu estava lá só por coação. Okay. Foda-se, Jongin.

Não foi bem assim que as coisas tomaram rumo, porque na viagem de volta eu já estava pensando em Kyungsoo, me sentindo mal por ter ido embora sem mais nem menos. Frente a frente de Luhan e Baekhyun, contei tudo o que havia acontecido e me senti mal de novo. Queria saber como Kyungsoo estava, queria estar com ele quando acordasse, mas me lembrei das palavras de Chanyeol. O que eu estava pensando? Curtir não combinava com Kyungsoo, e se eu queria algo a mais com ele, que tipo de futuro ofereceria? Eu era um ex-presidiário fodido, sem carreira e aspirações futuras, nada além disso.

− Tenho um amigo numa cidade há três horas daqui que cuida de uma oficina bem irada – Luhan falou naquele dia. – Yixing disse que estava precisando de uma ajudinha, Jongin.

Horas depois, Kim Jongin e uma trouxa de roupas estava dentro de um ônibus a caminho de uma cidadezinha nos cafundós do Judas pra fazer alguma coisa da vida; afinal, quase 30 anos nas costas, era preciso tomar um rumo na cara larga. E assim que cheguei lá, não saí mais, com exceção dos dias que precisava voltar meio que às escondidas para os encontros jurídicos da minha condicional, evitando a todo custo de me encontrar com Kyungsoo. Por quê? Bem, porque... Porque apesar de querer vê-lo, de saber como estava, de ouvir suas conversas loucas apinhadas de números e possíveis catástrofes, não queria que ele me visse.

Não quando eu ainda era um imprestável de ficha criminal suja cumprindo pena condicionada. Quando eu não tinha um dinheiro guardado numa poupança pro futuro. Quando não tinha um carro só meu e precisava usar o busão e compartilhar da fedentina da espécie. Me faltava ainda certa dignidade. Chanyeol tinha razão quando disse em poucas palavras que eu não era um ninguém e que de alguma forma não daria futuro nenhum a Kyungsoo. Isso doeu lá no ego, sabe?

Quer dizer, não que eu pensasse em mim vivendo ao lado do Kyungsoo. Nada disso. Mas cara, às vezes baixava uns momentos de moleza e eu acabava pensando... em nós dois juntos. Normalmente acontecia depois de um dia corrido na oficina, ou até mesmo enquanto eu estava metido debaixo de um carro completamente manchado de graxa e cheirando a óleo velho. Kyungsoo detestaria me ver tão nojento assim, correria pra longe gritando pra que eu fosse tomar banho antes de colocar as mãos em si e de ousar beijá-lo fedendo gordura mecânica. 

Além do mais, a companhia de Zhang Yixing era boa, assim como dos outros caras. Jongdae era maneiro, curtia rachas de motos e não negava cortar pros dois lados. Durante a semana ele dava mole paras as colegiais que passavam em frente à oficina e no fim de semana se devotava ao peguete regular que tinha espírito de lutador de box, Kim Junmyeon, que vestia branco pra trabalhar no hospital da cidade. Havia Kim Minseok também, um cara calmo e gentil, porém calado, que possuía uma fetiche esquisito por café. Companhias excelentes pra uma cerveja gelada e frango frito em frente à televisão pra ver novela, eles curtiam uma novela.

Entretanto, ainda pensava em Kyungsoo e como tudo seria melhor se ele estive comigo.

Os momentos de moleza vinham com mais frequência, e com eles várias lembranças e ilusões. De manhã, quando eu me enrolava nas cobertas esperando que o despertador tocasse, lá estava ele. Deitado em meu braço com os olhos esbugalhados fitando minhas tatuagens, Kyungsoo me dava carinho do seu jeito, resmungando baixinho que os desenhos eram lindos. Na hora do almoço comendo algum petisco antes de voltar ao trabalho, eu me lembrava das vezes em que assistia Kyungsoo correndo pelo colégio com sua marmitinha separada por cores, ou das vezes em que ele ia jantar lá em casa e passava um tempão separando as ervilhas do milho enquanto ria das piadas sem sentido de Luhan.

Cheguei até à conclusão de que eu sofria de banzo. Sim, aquele sentimento específico dos escravos ao sentirem saudades ou a falta muito dolorosa de casa ou de alguém em especial. Um pouco exagerado da minha parte, mas era a verdade. Tudo bem que eu morasse junto de Yixing nos fundos da oficina, mas ele tinha uma noiva pra quem correr todas as tardes, Jongdae tinha Junmyeon no fim de semana, Minseok mantinha um relacionamento esquisito pela internet com um tal de Galaxy e eu... Bom, eu tinha o banzo.

Ele tá bem, Nini. – Às vezes eu ligava pra Baekhyun ou ele me ligava quase toda semana pra contar as coisas de casa e me passava alguma notícia de Kyungsoo. Eu não pedia, era um pouco cabeça dura e tímido nesses assuntos, mas meu primo falava mesmo assim, porque sabia que eu gostaria de saber. Precisava saber.

− De verdade?

Bom, um pouco adoentado.

− Por quê? O que ele tem?

Ele não tem você, Jongin, por isso ele tá doente.

− Baekhyun... – murmurei.

Quando você volta pra casa?

− Assim que a condicional terminar, você sabe disso.

Mas é muito tempo! Ainda faltam três anos!

− Eu sei – resmunguei. – Mas é o melhor.

Melhor pra quem, Jongin? Porque eu sei que você tá sofrendo aí e o pobrezinho do Kyungsoo também.

− É coisa de macho, Baekhyun.

Sério que vai dar essa desculpa? Nós todos sabemos que de macho nem o teu pinto se salva, Jongin. Para de ser orgulhoso e volta logo pra casa.

Eu nunca fui alguém da paradinha do orgulho. De verdade. Esse lance de soberba não era algo que eu me sujeitava, a não ser que se tratasse de alguma coisa referente à sexualidade naquela minha época do pseudo-hétero e tal, mas aí teve o negócio de não ser ninguém que bateu no meu autoestima e esculhambou a bodega por completo, coisa que feriu meu orgulho adormecido.

Então eu parei pra pensar na minha vivência e sim, de fato, eu não tinha nada do que me orgulhar. Desde pequeno, seguindo aquele ditado de que filho de peixinho, peixinho é, fui me formando num esboço de delinquente. Quando fiquei de maior, pouco me lixava pro futuro. Faculdade? Bobeira. Só comecei por culpa do Baekhyun com uma conversinha fiada de que nossa avó gostaria disso. Acabei não terminando, a velha estava morta mesmo.

Diferente de mim, Kyungsoo tinha todo um horizonte pela frente. Cursava algo recheado de números que com certeza lhe daria um bom salário capaz de lhe comprar um carro em formato de bolinha pra que não precisasse pegar ônibus da rede pública. Ele teria um cartão de crédito que usaria exata quantia a cada mês, onde todo dia à noite, depois do trabalho, passaria no mercado pra lotar um carrinho de produtos de limpeza e legumes coloridos para seu macarrão instantâneo de micro-ondas.

Agora, depois de anos causando o terror e agindo como um vagabundo do cacete, eu somente gostaria de ter um horizonte pela frente também. Um horizonte que, de preferência, seguisse pareado um pouquinho que fosse ao do miúdo.    

Você acha que Kyungsoo vai continuar gostando de você depois de quatro anos? – Luhan quem perguntou num outro dia, quando liguei para saber das boas-novas e fui atendido por ele. Como não obteve resposta minha, prosseguiu: − Ele não tranca as portas de casa, Jongin.

− Ele tem esses negócios de pensamento obsessivo-compulsivo, por que não tem trancado as portas?

Porque ele pensa que você vai voltar a qualquer hora. – O chinês suspirou. – E sabe, um dia ele vai cansar de te esperar à toa, e você não vai poder fazer nada, já que Kyungsoo vai ter trancado as portas de casa. E por casa entenda coração.

Teve uma vez que eu voltei pra ver o Kyungsoo, até mesmo me encontrei com ele, mas não seria uma memória da qual ele se lembraria; afinal, o miúdo estava mais bêbado do que mendigo de praça, apagou geral ao ponto de parecer um saco de batata vazio. Aconteceu no dia da sua formatura na universidade e Baekhyun praticamente me intimou a ir, mesmo que fosse por alguns minutos. Assisti tudo como um bom fantasma, ficando feliz ao ver Kyungsoo sorrir com seu diploma em mãos. Depois da cerimônia cheia de frufru universitário, rolou uma comemoração simples, de poucas pessoas, pela formatura do Kyungsoo no bar de Luhan e foi aí que a criatura encheu a cara.

Já vi a criança beber uma outra vez e confesso que é uma coisa engraçada de se assistir. Primeiro, porque ele fica bêbado facilmente com um simples copo e segundo, ele toma uns remédios que suspeito ser de tarja preta por conta da sua cabeça fumada pelo TOC, coisa que deixa ele meio doidão. Sim, mais doido do que já é.

Então imagine o indivíduo sentado em frente ao balcão de bebidas pedindo por algo que fosse doce e conversando consigo mesmo a respeito das bulas dos remédios, avaliando o risco de morte ou efeitos colaterais irreversíveis. Além do mais, Kyungsoo adora tomar uma com canudinho e guarda-chuvinha de cereja enquanto balança as pernas curtas pra lá e pra cá.

No dia da sua formatura não foi diferente. Kyungsoo teve força pra tomar cinco copos de batidinha de morango e daí se transformou num tagarela maligno que não fechava a matraca por um segundo sequer. Ele falou algumas coisas sem sentido, fez o pessoal que se encontrava por ali rir e depois ficou quieto, dizendo que ia ao banheiro. Como tinha nojo do banheiro do bar, Kyungsoo disse que iria usar o mais higiênico, que ficava na casa atrás do bar, lugar onde Luhan e Baekhyun moravam. Eu estava lá. Era pra ter ido embora após a formatura, mas quis matar as saudades que tinha do quarto que dormia quando morava com os primos.

Pensando que era Baekhyun ou Luhan entrando, saí do quarto e dei de cara com Kyungsoo cambaleante, cheio de um andar de tropeços. Quer dizer, ele deu de cara comigo. Literalmente. Evitando que a criatura se espatifasse no chão e virasse batatinha derretida, a segurei firme e tive seus olhos de peixe morto focados em mim. Por um segundo não degringolou nada, foi só um silêncio regado de um soluço e um arroto baforento de batidinha de morango.

− Jongin... – ele murmurou. Em seguida, Kyungsoo me cutucou na bochecha me encarando bem e depois balançou o cocuruto, discordando de qual fosse sua ideia, abrindo sem demora um sorriso. Um soluço escapou da sua garganta de novo e ele meteu as duas mãos na boca evitando que vomitasse. Isso foi minha deixa pra largar o cidadão e me afastar dele consideravelmente, não estava no clima de receber uma lavada de porqueira àquela hora da noite. Ele cambaleou um pouco e riu sem motivo enquanto olhava bem pra minha cara. – Você se parece com o Jongin, moço.

− Moço? – repeti baixinho. Ele não havia me reconhecido. – E quem é esse tal de Jongin?

Kyungsoo riu antes de responder.

− É um animal! – E continuou a rir.

Animal. Essa foi pra enterrar qualquer orgulho restante que eu tinha na vida. Francamente, era dessa coisa que eu às vezes me via sentindo falta.

E sem mais nem menos, Kyungsoo me encarou de novo, parou de rir e começou a chorar. Sabe chorar mesmo? Chorar alto, de tremer o corpo e se esgoelar como se tivesse matando a criança? Então! O moleque abriu o berreiro ao ponto de ter uma sessão de soluços sem parada e a meleca escorrendo do nariz em grandes quantidades. Fiquei um tanto que sem reação, quase gritando pra que alguém viesse me ajudar, quando ele se jogou no sofá e se enrolou como uma bola enquanto desmanchava a existência em bolhas salgadas. Fiquei ainda mais sem reação no instante em que ele passou a dizer meu nome em meio ao choro. Cara, suei frio, esse lance de lidar com gente chorona não estava no meu sangue; Baekhyun que o diga.

Porém, dominado por seja lá qual fosse aquele sentimento que se apossou de mim no momento em que ouvi meu nome ser chamado novamente, sentei-me no sofá ao seu lado e fiz um malabarismo até que tivesse o miúdo encaixado em meu colo, manchando minha camisa nova de ranho e baba. Não me importei, porque aquilo era minha culpa. Eu tinha abandonado Kyungsoo, destruído seus sentimentos o deixando sozinho. O mínimo que eu poderia fazer naquele instante era de enchê-lo de mimos até que pudesse voltar ao normal.

E a gente ficou assim, por bastante tempo. Tempo o suficiente pra que ele parasse de chorar e, do nada, voltasse a rir, contando umas histórias birutas do seu dia a dia. Aí ele teve um surto e me perguntou se eu tinha tatuagens. Minutos mais tarde, um Kyungsoo sonolento estava deslizando as pontas dos dedos gelados pelo dragão chinês do meu ombro.  

− Como é seu nome, moço? – sussurrou, quase com os olhos se fechando.

− Jongin – respondi em um cochicho.

Me fitando pela última vez, Kyungsoo resmungou meu nome de novo e abriu um pequeno sorriso enquanto se ajeitava em meu colo de forma que ficasse confortável. Daí o assisti perder as forças pra Morfeu, se jogando de vez ao mundo dos sonos. Acho que por impulso, aproximei minha boca da sua testa e deixei um carinho pelo local antes de levá-lo ao meu ex-quarto e deixá-lo dormindo ali.

Precisei ficar por algumas horas observando o sono profundo de Kyungsoo, porque ele se recusou a me largar quando o coloquei na cama; grudou na minha pessoa como um carrapato ou aqueles rabichos que ficam na roupa da gente quando se entra no mato. Uma parte de mim ficou feliz, pois fazia tanto tempo que não o via e pensava o quanto ele estava tão bonito, e que não podia ficar de bobeira sentimental ao assisti-lo dormir agarrado a mim, mas uma outra parte minha ficou triste, já que eu tinha que ir embora.

Ainda me faltava dois anos pra condicional terminar. Dois anos pra eu concluir aqueles cursos que estava fazendo lá na cidade em que trabalhava como mecânico, me dando assim uma profissão digna. Dois anos pra eu conseguir juntar um dinheiro bom onde eu pudesse comprar uma moto e pagar um aluguel decente de um apartamento só meu por algum tempo. Dois anos pra deixar de ser Kim Jongin, aquele caralhento de ficha criminal suja que não tinha porra nenhuma na vida. Dois anos.

Dois anos pra eu estar com Kyungsoo, se ele ainda me quisesse.

Por isso me permiti fraquejar e aspirei o aroma de sabonete antibacteriano da pele de Kyungsoo, roçando minha boca em seu pescoço num ato de quem sente saudade. Por isso descansei minha cabeça em seu peito e me comportei como um guri mimado, sem vontade de largar aquele brinquedo favorito. Por isso fiz aquele pedido num tom implorado antes de ir embora.

Soo – murmurei. – Dois anos. Só dois anos. Por favor, me espera. Só... me espera, tá?

Depois disso, sumi de novo. Sumi até que pudesse voltar outra vez, e que então fosse pra ficar.

Pra ficar com Kyungsoo por bastante tempo.

 

 

*

 

 

O ser humano é conhecido por ser uma criatura que se assusta facilmente. Qualquer coisinha e o dito cujo está morrendo de infarto, rogando misericórdia pro divino, se desesperando por bobeira e fazendo merda. Li no jornal certa vez, naquela parte mais sensacionalista das colunas do cotidiano que tendem a ser romantizadas por inutilidade, que uma moça estava andando por um bairro no meio da noite e um cidadão meio suspeito a abordou nesse tempo. A criatura, pensando que seria assaltada, se assustou e morreu, olha que morte mais medonha. E no fim das contas, o sujeito que abordou a guria só queria perguntar onde era o ponto de ônibus.

Nunca fui uma pessoa que se assustava com facilidade, precisava de muito pra me fazer tremer na base, muito mesmo. Precisava ser algo tipo como a vez em que mudaram meu parceiro de cela e colocaram um que havia saído da solitária, ou do dia em que eu estava consertando um carro na oficina do Yixing e chegou uma mulher com uma criança a tiracolo dizendo ser meu filho. Mano, só não morri porque morrer seria uma graça do divino concedida pra mim. No entanto, a minha existência chegou a broxar. E não, a criança não era minha, era do Jongdae, mas porque temos o mesmo sobrenome e usamos Kim nos macacões, a maluca confundiu.

E depois desses ocorridos, poucas foram às vezes em que eu ficava me gagando de medo. Porém, uma semana após minha condicional chegar ao fim, recebi um telefonema do Baekhyun que me desequilibrou a estrutura.

Você não vai acreditar no babado que eu fiquei sabendo agora! – gritou.

− O que foi, criatura?

O Kyungsoo está namorando!

Quase descansou em paz a minha alma.

Irmão, a pressão desceu lá embaixo praticamente fazendo dancinha na boca da garrafa do inferno, as pernas amoleceram e eu só vi o chão e eu indo de cara e tudo nele.

Eu gostaria muito de dizer que não passou de um exagero na narração, que uma parte da minha dignidade ainda permanecia intacta apesar dos fatos sentimentais já declarados por um homem, contudo, o ser humano era uma criatura que se assustava fácil e mesmo que às vezes eu achasse que era o diferente da espécie, coisas como essas aconteciam pra provar que eu fedia e cheirava como qualquer cidadão.

Baekhyun e sua notícia cagaram nos meus planos de voltar à cidade mais tarde e de tentar me encontrar com Kyungsoo adequadamente como vinha ensaiando há mais de dois, havia até mesmo decorado as falas pro momento, entretanto, eu não pensei duas vezes antes de pedir a Yixing a semana de folga para resolver o assunto pendente que estava prestes a desgraçar minhas chances pelo resto da vida. Montei na minha moto cujo nome era Chupacabra – não pergunte o motivo, tá bem óbvio −, e praticamente voei na pista correndo o risco de ser filé coreano.  

E eu não sei quem foi o mais burro da história, eu em acreditar no papo não tão furado assim de Baekhyun sobre namoro, já que não existia prova concreta, ele só viu Kyungsoo e o tal em uma joalheria escolhendo anéis, ou o Baekhyun em não me contar durante as ligações que Kyungsoo vivia enrabichado com aquele pernudo branquelo com ares de santidade celestial do seu trabalho.

Quer dizer, não dava pra afirmar que Kyungsoo estava namorando de fato ou não, mas o que vi enquanto ele saía do escritório da empresa chique em que trabalhava – sim, o desespero foi tamanho que precisei ver com meus próprios olhos e aproveitar pra fazer merda também – ao lado daquele garoto alto e de cabelo na cor da palha do milho, foi o bastante pra me fazer crer que cara, fodeu tudo.

Baekhyun me levou até a empresa que Kyungsoo era funcionário e nos sentamos no cafezinho cult que tinha em frente. Enquanto eu esperava para vê-lo, mil e uma coisas se passavam em minha cabeça. Como ele estava fisicamente, idêntico há dois anos quando o vi na festa de formatura? Roupas de testemunha de jeová, cabelo lambido e óculos no estilo Harry Potter coreano? E sua personalidade, ainda cheio dos não me toque, não me rele? Não tinha como saber, Kyungsoo não possuía rede social e mesmo depois que Baekhyun e Luhan o convenceram a criar um facebook, ele raramente publicava fotos e se publicava era do Pitágoras, seu hamster gorducho.

Minutos mais tarde, quase ao entardecer, Kyungsoo saiu e qualquer coisa que eu tinha em mente se calou com sua aparição; ele estava tão diferente ao ponto de me fazer questionar como uma pessoa poderia mudar tanto em dois anos.

O miúdo estava... Buchudinho. Não no mau sentido, seu corpo parecia mais massudo ou desenvolvido. Era fato que no passado Kyungsoo tinha uma estrutura corporal digna de um nerd sedentário, não era gordo, mas também não era a pessoa mais saudável do mundo, existiam uns focos de gordurinha aqui e ali, braços de palito, nada de mais. Agora, ele aparentava estar tão saudável com direito à camisa justa marcando o peito. E aquelas roupas? Eram a versão evoluída e cheia de estilo dos testemunhas de jeová de escritório? Tudo bem que ainda eram pretas, acho que nada mudaria tanto e tão depressa, mas vestido com elas Kyungsoo aparentava ser maduro, não aquele pirralho perseguidor que eu tinha o costume de querer despachar.

Seus cabelos escuros haviam deixado pra trás o corte tigela junto daquele penteado do boi que lambeu e dado espaço pra algo mais bonito; sua cabeleira se comportava maior em sua cabeça com algumas ondulações graciosas meio rebeldes apontando pros lados devido o vento. E lá estava o mesmo par de óculos redondinho em seus olhos esbugalhados, assim como aquele sorriso repleto de dentes pro estranho ao lado que tocava seu ombro com as pontas dos dedos. 

Kyungsoo só sorria daquela forma pra mim e só eu podia tocá-lo, ninguém mais. Aquilo não estava certo, não fazia sentido, mas eu queria o que também? Quatro anos longe sem dar notícia nenhuma e ainda queria que ele sentisse algo por mim? Que não namorasse outra pessoa? Que não fosse feliz como sempre mereceu ser?

Porém, mano, eu era egoísta por natureza, então não, não queria ver Kyungsoo feliz com outra pessoa que não fosse a porra do Kim Jongin que sumiu por quatro anos. Não queria que ele sorrisse daquela forma pra outro cara ou que deixasse qualquer cara o tocar. Tinha que ser somente e unicamente eu. 

− O Sehun é gay, Jongin.

A voz esganiçada do meu primo me tirou do transe com uma frase um bocado desnecessária.

– Baekhyun, saber que um cara é gay só funciona em relacionamento hétero, e aqui não temos nada de hétero, tá bom? – expliquei. − Se você disse na intenção de eu me sentir melhor, não funcionou.

− Mas eu não disse pra você se sentir melhor, disse pra você perceber que está ferrado, a não ser que não tenha ciúmes e que seja adepto ao poliamor. – Baekhyun terminou de falar, viu minha careta e riu. – Meu Deus, já basta ser viado, e aí vai ser viado ciumento também? Assim não dá, Jongin. Mas sente ciúmes com razão, o Sehun é, ó, um pedaço de mau caminho. Kyungsoo é um garoto esperto, que orgulho!

− Você é meu primo, deveria me dar apoio moral.

− A única coisa que eu quero é treta. – Fuzilei Baekhyun. – Que foi? Você sabe que eu adoro uma discórdia alheia e aqui eu tenho uma pra sentar com o pote de pipoca nas mãos.

Respirei fundo pedindo paciência aos céus.

− Eu vou falar com ele – falei.

− Não sei se é o mais adequado no momento, Jongin – Baekhyun contrapôs.

− Por que não? A gente ficou longe faz quatro anos, agora é mais que adequado.

− Você não sabe que o coração das pessoas é relativo? – expressou. – Uma hora gosta, outra, não mais.

− O que você tá querendo me dizer?

− Estou querendo dizer, Jongin, que se Kyungsoo estiver feliz agora, não é certo você vir estragar isso.

− Então por que me ligou? – perguntei. – Por que me disse que ele estava namorando?

− Toda situação merece um fim, sabe – esclareceu.

 − Porra, Baekhyun, você fode comigo assim... – resmunguei. – E você acha que ele está feliz?

− Com um Oh Sehun do lado, me diz quem é que não ficaria feliz? – falou.

Pronto, eu desabei naquele instante. Era tudo aquilo que eu menos queria ouvir na vida e lá estava a bosta do meu primo acabando com os resquícios de sonho que alimentava. No entanto, por causa da minha confusão sentimental, me esqueci uma parte bem importante a respeito de Baekhyun: uma criatura maligna dotada de maldade no coração. Ele fez todo aquele discursinho de romance lixo sobre felicidade alheia só pra me fazer sofrer, pra ver minha desgraça, pra rir internamente ou depois com o namorado também maligno que o primo dele estava de quatro e fodido por um outro homem. Como o próprio dissera, gostava de treta, não passava de um amante encubado das novelas mexicanas da realidade.

Só saiba que arderá no inferno, Baekhyun, porque sua existência anda causando males aos corações dos outros.

A parte que não sabia era que Byun já tinha deixado um sobreaviso a Kyungsoo de que “Jongin deu sinal de vida, prepare-se pra matá-lo”, e este estava à minha espera. À espera pra me fazer sofrer também, pra pisotear no resto de felicidade que eu ainda tinha de um dia ser capaz de, sei lá, manter um relacionamento consigo.

Como meu primo havia enchido minha cabeça de lorota, não fui falar com Kyungsoo, não naquele momento quando estava cheio de raiva − raiva de mim mesmo por ser capaz fazer nada certo na vida −, e capaz de talvez encher a cara daquele loiro de ares angelicais de sopapos tamanho o atrevimento em ficar se roçando no Soo, será que ele não se dava conta que estava sendo desnecessário?

Por isso dei uma acalmada nos nervos, fumei um cigarro pra passar o tempo e então dirigi até o prédio em que o miúdo morava. Cheguei lá de noite e esperei que ele também chegasse, já que ainda deveria estar na rua de risinhos com o ai-o-perfeito-do-Sehun.

Kyungsoo chegou uma hora mais tarde. Caminhava olhando pro chão, daquele mesmo jeito de antes, fixado nele extremamente atento aos formatos que tinha e às vezes chegava a pular algumas riscas como fazia antes, com a diferença de que agora resmungava algo, respirava fundo e continuava andando sem tentar olhar para baixo. Porém, me senti melhor ao ver que ele, apesar de ter mudado muito, ainda se mantinha quase o mesmo de antigamente.  

Passei bastante tempo imaginando como seria a vez em que a gente se reencontraria. Não ia ser como aquelas bostas de cenas que têm nos filmes românticos com chuva de fundo, música acústica pra acompanhar, o foco no olhar dos protagonistas, depois um silêncio profundo com nada além dos olhares seguido de um beijaço de tirar o atraso da vida e mais um punhado de baboseira que geralmente existia nisso. Não, não ia ser desse jeito, só que eu não ia reclamar se fosse, okay?

Na minha cabeça a coisa soava tal como a primeira vez que a gente havia se visto no colégio naquela seção de filosofia, quando Kyungsoo me avistou, eu o avistei, ele me olhou como se eu fosse o escondidinho que alimentava as negadas do xilindró e daí eu senti que estava completamente ferrado assim que ele abriu um sorriso enorme na minha direção. E de fato, o reencontro quase saiu dessa forma.

Quase.

Eu falei:

− E aí?

Kyungsoo estancou na calçada assim que me viu. Seus olhos esbugalhados iam de um lado pro outro sobre mim recostado no monstro estacionado em frente ao prédio que causaria comoção na grande população de gente idosa que morava por aquela região. Ele não disse nada, parecia que até tinha parado de respirar, então arrisquei me aproximar um pouquinho mais e dar um sorriso demonstrando que eu não era assombração nenhuma, que estava ali de carne e osso após anos de sumiço.

− Oi – respondeu.

Ele não sorriu em seguida, e muito menos disse alguma coisa.  

− Quanto tempo – murmurei, torcendo pra que ele respondesse.

− Só mil quatrocentos e sessenta e um dias – demorou para responder, e o fez apaticamente, sem emoção sequer na voz. − Só.

Engoli em seco, me amaldiçoando por ter fumado e enchido os neurônios de cigarro quando precisava de todos eles funcionando de acordo pra que conseguisse dizer alguma coisa a Kyungsoo que o fizesse sorrir ou demonstrar que estava, um pouco que fosse, feliz ao me ver. Se bem que, analisando a situação, se fosse eu em seu lugar e um filho imprestável de uma dama da noite viesse tirar um tanto da minha pureza, tocar meu corpo e me beijar como se gostasse de mim pra em seguida sumir do nada e depois voltar querendo que as coisas estivessem do mesmo jeito, juro que metia um tiro na cabeça dele e ainda chutava o traseiro morto do cidadão do lugar que tinha saído, lá do inferno. 

− Você está diferente, Soo.

− É, culpe os mil quatrocentos e sessenta e um dias pela mudança, além do mais, você também está diferente – terminou a frase me analisando de cabo a rabo. – Parece que esse tempo te fez bem. – Apesar de ter saído como uma observação, notei o tom acusador que viera junto.

Respirei fundo pensando no que dizer, eu teria que deixar de lado qualquer ínfimo orgulho e apelar.

− Eu senti sua falta – declarei.

− Percebi.

− É verdade, cara.

− Não disse que era mentira – contra-argumentou.

− Soo, eu senti tan−

Ele franziu o cenho e balançou a cabeça, erguendo em seguida uma mão pra me impedindo de falar.

− Escuta, Jongin – falou. – Estou feliz que tenha voltado, mas você não é obrigado a vir me ver ou coisa parecida.

− Mas Kyun−

− Não devemos nada um ao outro – disse. – Se você não lembra, há quatro anos, seu papel era só ser meu namorado de mentirinha na frente da minha família até que o fim de semana terminasse, e foi o que fez, agiu de acordo e então foi embora. Sou agradecido por isso, tá bom?

− Mas você e eu precisamos conversar – insisti.

− Conversar sobre o quê?

− Sobre a gente.

Kyungsoo abriu um pequeno sorriso que de felicidade e alegria não tinha nada, parecia mais inconformação e um tantinho de amargura; meu, eu estava ferradaço.

− Será que você ainda não entendeu, Jongin, que não nunca existiu, que não existe e que nem vai existir um nós? – perguntou. – Porque caso não tenha entendido, posso tentar desenhar a situação pra que os neurônios bons que ainda restam na sua cabeça compreendam a informação. 

− Engraçado, não era isso que você pensava quando eu te beijava ou dava carinho – acusei.  

Kyungsoo pareceu pensar e depois deu de ombros.

− Sabe como é, quando você não tem ninguém na vida e aparece uma pessoa que te trata com um mínimo de carinho, é normal você acabar se agarrando a ela – explicou. – Mas no fim ela vai embora. 

− Só que agora eu voltei.

− E daí?

Frase curta, mas que doeu lá no fundo ao ponto de desejar o colo da minha mãe.

− Você está ficando com alguém? – perguntei ainda soando calmo, mesmo que interiormente estivesse irritado e morrendo de vontade de jogar o Kyungsoo nos ombros e tacar ele num canto escuro pra beijar aquela boca que estava me deixando coisado.

− E se eu estiver? – provocou. – Afinal, você sumiu, o mundo girou, outras pessoas chegaram... E isso não lhe diz respeito também.

Que miúdo filho de uma mãe maligna, mas essa careta que ele fez de inocente dado a cruel merece prêmios. Na verdade, parando pra pensar agora, se ele fosse um presidiário ou irmão do gueto, faria da vida de muitos parças o sofrimento terreno, porque mano, ser impiedoso era algo que combinava bastante com suas feições virginais. E sei que ele adorou me ver queimar de raiva com aquele “outras pessoas chegaram”.

− Não acha que está sendo muito incompreensível? – Confesso que foi uma péssima escolha de palavras, visto que minha situação não era nada boa e parecia que nem ia melhorar tão cedo, mas pelo menos usei o termo incompreensível do que idiota.

− Incompreensível? Eu? Meu senhor, o sujo falando do mal lavado! – Riu. – Quem será que sumiu por quatro anos? Quem não ligou? Quem não deu notícias ou mandou um sinal de fumaça ou coisa parecida? Será que fui eu o incompreensível?

− Eu queria te ver, Soo – respondi. – Só não tinha coragem.

− Não tinha coragem ou vontade? – falou. – Talvez esteja confundindo uma com a outra. Aliás, qual das duas é agora? Vontade ou coragem?

− Só sinto saudade de você... – Sua pequena anta que não entende porra nenhuma.

Kyungsoo ficou quieto enquanto me encarava sério, talvez pensando em como me matar com a mochila que carregava transversalmente no corpo, ou pensando na melhor maneira de como me fazer sofrer pra depois vir me matar sem deixar vestígios, ou como se livrar de mim pra sempre. Se fosse pra escolher entre as quatro opções, a resposta se resumiria em todas, seria unânime.

Vi o modo como ele puxou o ar e passou a resmungar algo consigo mesmos; aqueles mesmos números ímpares. Vi também o jeito que seus olhos focaram-se nos meus, pareciam meio marejados, meio cheios de ira, e então o sorriso forçado que Kyungsoo colocou na boca quando fiz aquela pergunta.

− Você não sentiu minha falta?

− Saudade uma hora ou outra acaba, Jongin.  

Sua resposta baixinha me deixou plantado naquela calçada em frente ao seu prédio por um bocado de tempo. A frase ecoava em minha cabeça seguidas vezes e o olhar de Kyungsoo vinha junto, me fazendo perguntar o que diabos eu tinha feito com ele no fim das contas. Cara, a situação era uma bosta e eu era um bosta também, porque tudo apontava pro fato de que eu estava ferrado diante dos olhos do miúdo de um jeito que não tinha reparação.

Mas como Yifan havia dito uma vez, a vida era repleta de escolhas fodidas, e elas me foderiam dessa maneira, quase ao ponto de me fazer perder as esperanças e chutar o balde sem ao menos correr o risco da tentativa. Contudo, apesar dos apesares e negações, eu tinha escolhido gostar de Kyungsoo e esse era o preço. Se gostar dele significasse sofrer um tanto que seja, tudo bem, era válido, eu tinha sumido por mil quatrocentos e sessenta e um dias, que eu passasse pelo dobro, sobreviveria; era um cara com carreira no presídio, sangue nos olhos e conformado em ralar o cu na guia, por isso um coração rejeitado não me arregaçaria tão fácil. No entanto, não poderia deixar que as coisas terminassem daquela maneira.

E se houve um dia em que Do Kyungsoo gostou de mim, eu tentaria fazer com que ele relembrasse desses sentimentos e que então pudesse corresponder a paixão bandida que meu coração nutria por sua minúscula e mentalmente desordenada pessoa, e se eu não conseguisse... Bom, acho que eu não seria capaz de gostar de outro alguém na minha vida, porque Kyungsoo não era somente o primeiro e único. Pra mim, ele era aquela bobeira que existia nos contos de fadas.

Meu primeiro amor.

O meu para sempre.


Notas Finais


se eu sou o Kyungsoo, Jongin, te faço ralar o cu na guia, criatura, porque sumir quatro anos é pedir pra sofrer sim.

ENFIM! E aí, manas, gostaram? Eu espero que sim, de verdade! E aliás, não fiquem assustadas se perguntando se "aquela vaca vai cagar ainda mais nos dois?", "mano, você disse que é feliz, mas isso não é feliz nem do hell" ou similares, beleza? De fato, o Jongin merece sofrer, porque né, quatro anos, mas eu não tenho coração pra isso, minha religião is the fluffydão. Por isso paz e KaiSoo no coração, okay?

Bom, como sempre, não posso dizer que vou atualizar logo, porque minha segunda rodada de provas tá chegando e se eu saí esculhambada da primeira, imagina agora no round dois. Mas eu garanto que venho com o final o mais depressa que eu puder, daí peço um pouquinho de compreensão, tá bom? ♥

Acho que isso é tudo.

Até mais o/

XoXo


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