História Kyuu - Capítulo 1


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Categorias Histórias Originais
Personagens Personagens Originais
Tags Caído, Circulo, Demonios, Inferno, Lucia, Lucifer
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Palavras 1.297
Terminada Não
LIVRE PARA TODOS OS PÚBLICOS
Gêneros: Ação, Aventura, Fantasia, Romance e Novela

Aviso legal
Todos os personagens desta história são de minha propriedade intelectual.

Capítulo 1 - Bem vindo ao inferno


Às vezes você acha a bondade no meio do inferno”

Charles bukowisk


Estava sentindo muito frio, parecia queimar dentro de mim, meus olhos ainda estavam fechados, já que os meus sentidos estavam lentos, abro-os e uma fraca luz fez com que eles ardam por alguns instantes, tentei lembrar onde eu estava, mas sem sucesso. Do teto desciam estalactites gigantescas que pingavam constantemente.

— Cara, onde eu estou? — resmunguei, estremecendo de frio.

— Bem-vinda ao inferno — disse uma voz grossa e melodiosa.

Virei a cabeça de modo que eu o visse o dono da voz, o gelo estava em todos os lugares por onde meus olhos pousavam, e ali preso com correntes tão negras que pareciam sugar toda a luz, havia um homem sentado, parecia não sentir frio algum, ele sorria amplamente, acabei, sem querer, reparando o quão bonito ele era, dentro dos seus olhos tinha um céu inteiro, naquele instante eram azuis escuros como o céu no final do dia, mas eu tinha certeza que na claridade eram da cor do céu numa manhã ensolarada. Ele tinha cabelos pretos feito o breu noturno, e um sorriso que parecia iluminar o espaço em si.

— Quem é você? — perguntei.

— Lúcifer, ao seu dispor senhorita — Sorriu ele.

— Lúcifer? Tipo o Diabo? — Pedi confusa.

— Sim, eu mesmo, em pessoa, divindade e correntes — Deu ombros.

— Isso só pode ser uma brincadeira de mal gosto — bufei — Aliás o diabo não deve ser tão bonito.

— Só uma dica mocinha, o diabo não é tão feio como se pinta — riu alto — e estamos sim no inferno, e não, não é brincadeira, aliás, como você veio parar aqui?

— Como raios eu vou saber? Se eu viesse por vontade própria eu não estaria passando frio — bufei.

— Olhe para si mesmo, e veja o porquê sentes frio, senhorita — disse olhando para mim.

Fiz o que ele me disse e bufei irritada, alguém muito sem noção colocou em mim uma calça extremamente colada, uma bota e enfaixou meus seios com uma faixa amarelada, e nada mais que isso.

— Mas quem foi o filho da puta? - cuspi irritada – Juro que irei matá-lo quando sai daqui.

— Você não pode sair — disse indiferente — Eres uma alma estanha.

— Alma? Você só pode estar brincando — bufei novamente — Eu estou viva, não lembro de morrer.

Procurei uma saída, mas não conseguia encontrar, o desespero já começava a bater, eu bati nas paredes buscando algum ponto oco, mas só consegui queimar minha mão com as paredes geladas, Lucífer apenas me olhava sem emoção alguma.

— Não adianta, não há como sair daqui, acredite eu tentei muitas vezes quando podia, agora prenderam até minhas asas — disse ele com um tom de voz tristonho.

Só depois dessa “revelação” que observei onde ele estava preso, as imensas algemas vinham de algum lugar onde eu não podia ver, e na parede atrás de si havia um par de asas brancas pregadas com pregos de aparência enferrujada, sangue escorria dos buracos e faltavam muitas penas, aquela outrora deveria ter sido uma asa esplêndida, mas agora estava parecendo um lixo angelical.

— Que coisa horrível — falei enquanto as minhas mãos voavam automaticamente até minha boca, eu quase podia sentir a dor que ele passava, quase dava para ver na sua expressão a dor que aquilo lhe causava, uma lágrima solitária escorreu lentamente pelo meu rosto, enquanto ele a seguia com o olhar — Quem fez isso com você?

— Meu pai, fui acusado de traição, então jogaram-me aqui — comentou.

— Que desgraçado, mas me diga o seu nome e o dele, deixe o resto comigo — pisquei para ele.

Dito isso ele começou a rir alto, o som era incrível, eu poderia ouvir aquela risada por muito tempo.

— Você ainda não acredita que está no inferno?

— E tem como acreditar? Acho que fomos sequestrados por pessoas malucas, que nos enfiaram em um congelador gigantesco e prenderam você desse jeito — comentei tentando me fazer acreditar no que eu dizia, já que algo me dizia que ele não estava mentindo.

— Você não deveria estar aqui, não mesmo, eres inocente demais para este lugar imundo, o que meu pai está fazendo com você? — disse mais para si do que para mim.

— Este é mesmo o inferno? — refleti aflita.

— É sim, o último círculo do inferno, o mais fundo, tão longe de Deus que é gelado, já que ele detém o calor — respondeu suspirando.

— E você não deveria reinar aqui? — perguntei me aproximando.

— É isso que dizem na superfície? — riu ele.

— Lucífer, eu não acho que você seja ruim como todos insistem em reafirmar — falei sentando na sua frente e olhando no fundo daqueles olhos azuis.

— Você me conhece a poucos segundos, não podes dizer algo que não saiba.

— Permita-me que eu lhe conheça — pedi sorrindo — Mas não ficaremos por muito tempo aqui.

— Já não lhe disse que não há saída? — brigou ele em um rompante de raiva, seus olhos adquiriram um brilho avermelhado, e em um ato de reação eu cai para trás quando ele veio para frente, ouvi um grunhido de dor e um som de algo rasgando.

Olhando suas asas novamente eu precisei segurar um grito, os pregos fizeram um imenso corte a partir de onde estavam, sangue escorria rapidamente de cada um, mais penas caíram ensanguentadas no chão.

— Me perdoe — eu tinha feito aquilo.

— A culpa foi minha, não se preocupe, mas entenda que não há saída deste lugar — falou com a voz embargada e dolorida.

Decidi naquele instante que eu iria ao menos liberta-lo dos pregos malditos, apenas caminhei sem dizer nada até às asas dele.

— O que você está fazendo? — pediu.

— Eu não aguento ver isso — grunhi enquanto puxava o imenso prego, depois de muito esforço ele saiu, joguei perto dele e disse novamente — Eu não posso ver o seu sofrimento e ficar parada, um já foi, faltam nove.

— Porque está fazendo isso? Eu sou o Diabo, o mal encarnado — disse confuso.

— Você é o que é, quem diz isso sobre você não vê, um anjo, e acredite em mim, eu vi coisas nos seus olhos que nem você vê — falei suavemente enquanto retirava mais um prego, e outro e outro.

Ao fim dos dez pregos a minha mão estava em frangalhos, algumas unhas saíram completamente da carne, arranhões e cortes vertiam sangue, e apesar de doer, eu estava feliz.

— Espere um pouquinho e resolveremos as algemas — comentei com uma careta.

— Você não precisava ter feito isso — disse sorrindo tristonho.

— Eu precisava sim — sorri.

— Você não pode ficar aqui, você é pura demais para este lugar — disse novamente.

— Nós não podemos, por isso vamos sair daqui, e já que não podemos descer, vamos subir — comentei olhando paras inscrições que havia onde estavam suas asas.

Eu não sabia o que significavam, talvez Lucífer conhecesse a linguagem, entretanto ele não conseguia se virar e eu não tenho nenhuma noção de como recitá-la para que ele a traduza. Eu tinha que dar um jeito naquelas algemas estranhas, mas por agora eu precisava descansar, os pregos pareciam ter sugado minha energia.

— Preciso descansar um pouco, e então daremos um jeito nessa porcaria que te prende aí — falei apontando para os seus pulsos, de repente o lugar começou a girar e girar, cada vez mais rápido, minhas pernas fraquejaram e eu ia cair, mas Lucífer me segurou e me aninhou nos seus braços quentes antes que eu desmaiasse.



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