1. Spirit Fanfics >
  2. L - O apocalipse >
  3. "Operação catarro de mosca"

História L - O apocalipse - Capítulo 15


Escrita por:


Capítulo 15 - "Operação catarro de mosca"


L — Segunda-feira — Dia 8 

05:45 AM

Faziam alguns minutos desde que tínhamos acordado, todos fizemos uma seção de alongamento e alguns exercícios de aquecimento que fazíamos nas aulas de educação física. Pra já dar uma preparada, sabe? Bem, revisamos todo o plano e estávamos nos preparando para iniciá-lo. Como eu já tinha dito, o primeiro passo era roubar o máximo de equipamentos possíveis dos "guardas especiais do Cícero". Preferimos fazer isso cedo pois acreditávamos que possivelmente seria mais fácil fazer isso de manhã, além de que teríamos o resto do dia de sobra para aprender a usá-las. Com isso, já estávamos pronto para começar, e cada um já sabia sua função.

— Beleza, cada um aqui sabe o que tem que fazer, né? — perguntou, Matheus, cochichando agachado em frente a porta.

— Sim. Todos sabemos. — respondi, também cochichando.

— Okay, vamos com calma. Sem medo, todos juntos, como combinado. E de QUALQUER JEITO, NÃO SE SEPAREM! Temos que permanecer do início ao fim juntos! Entenderam? — disse, Matheus.

— Sim! — nós três respondemos.

— Beleza. Então a "Operação catarro de mosca" está sendo iniciada! Vai Brasil? — falou, Matheus, enquanto estendia sua mão direita para nós.

— VAI BRASIL! — respondemos. Enquanto colocavamos nossas mãos uma em cima das outras.

Era agora, a hora de verdade. O resultado de todo nosso treinamento nos últimos três dias. Era nossa única chance de escapar daquele lugar. Nossa única tentativa. Não poderíamos falhar, se não, estaríamos todos mortos. Mas bem, eu tinha fé. Fé em nós. Fé que tudo daria certo. Fé que nosso potencial e estratégias falariam mais alto. E que a sorte também estaria do nosso lado.

Por fim, iniciamos o plano. Em sua primeira etapa. Abrimos lentamente a porta da sala e fizemos uma checagem geral do corredor, avaliando as passagens, quantos zumbis tinham, como abate-los, etc.

— Okay, vendo daqui tem apenas três zumbis no corredor, eles três estão de costas para nós, o que é melhor ainda! Provavelmente deve ser por causa do horário. Vamos fazer o seguinte, eu vou na frente e conforme eu vou avançando vocês me acompanham, beleza? — disse, Matheus.

— Beleza! — respondemos.

Aquela era a hora. Era a hora de botar tudo em prática. A hora da verdade. Matheus foi avançando devagar até o corredor. E nós lentamente fomos o acompanhando. Estávamos levando conosco todas as armas que conseguimos quando J passeou entre as salas. Ou seja, a régua, que se encontrava comigo e o pé de carteira, que estava com Matheus.

Matheus foi avançando, e fomos o seguindo. O corredor era bem extenso. E tinha uma abertura no meio, bem grande. Uma que em frente levava até a sala do Cícero, que era onde queríamos chegar, e outra que levava até o pátio de cima, onde a esquerda ficava o refeitório e a direita os banheiros, e o pátio de baixo, onde ficava a direita cantina e a direta a porta principal, por onde entravamos e por onde iríamos tentar sair.

Matheus olhou calmamente entre a abertura que levava até a sala do Cícero, vendo que os zumbis "especiais" ainda não se encontravam lá. Provavelmente iriam aparecer logo, então, aproveitamos isso para avançar rapidamente, sem ser vistos, claro, e chegar até os três zumbis para abate-los.

— Rápido, rápido, rápido! — falou, Matheus. Enquanto passava rapidamente entre a abertura do corredor.

— Beleza, vamos fazer o seguinte: eu vou empurrar um deles para essa sala na nossa frente, aí depois vocês empurram os outros dois para lá também, okay? Tentem não fazer barulho nem na hora de empurra-los, nem na hora de mata-los! — disse, Matheus, cochichando.

Não deu outra. Fomos os quatro até os zumbis. Com Matheus indo na frente, abrindo a porta da sala de leve, e indo de lado do zumbi. Empurrando ele rapidamente para a sala.

— RHAAAG-

POW! — Matheus empurra rapidamente o zumbi para dentro da sala. Pulando em cima dele para mata-lo.

Nós fomos rapidamente para cima dos outros. Eu e Ricardo fomos para cima de um, e J para cima do outro. Eu tapei a boca do zumbi com uma mão para ele não gritar e chamar atenção, e com a outra segurei em seu peito o empurrando. Já Ricardo segurou sua camiseta rasgada por trás e foi o arrastando para a sala. E J fez o mesmo que eu. 

Em poucos segundo já estávamos lá dentro. Quando fomos entrar, eu e Ricardo jogamos o zumbi no chão e caímos em cima dele. J jogou o dele no chão também, e fechou a porta com pressa. Colocando uma carteira ali perto em frente dela.

Matheus já havia matado o outro zumbi, então ficou mais fácil para nós, já que ele iria nos ajudar. Com bastante facilidade, matamos rapidamente aqueles outros dois zumbis, tentando fazer o mínimo de barulho possível, para não chamar muita atenção. Por sorte, foi bem fácil.

BAM! — Termino de matar o último zumbi restante, socando sua cara com toda minha força. 

Foi bem nojento, admito, mas tínhamos que se acostumar com isso. 

— Ah, que nojo! Como esse bicho fede! — falei, após ter matado o zumbi. Fazendo uma cara de nojo. 

— É, sabemos como é. — disse, Matheus.

Depois de termos os matado, saímos depressa dali. Deixando seus corpos nojentos ali mesmo. Matheus novamente foi na frente. E percebeu entre o buraco uma movimentação na sala de Cícero. Vendo que os zumbis "especiais" haviam saído e ficaram ali fora, conversando. No total eram só dois. Eles usavam um cinto cheios de balas. Seguravam um machado, e era possível ver que perto deles também tinham mais armas. Shotgun's, pistolas, mais balas, canos, tacos de beisebol, granadas, etc. Aquilos para nós era quase como um paraíso. Mas ainda precisávamos pegar tudo.

— Hmm... Okay! Hora de executar o próximo passo! Todos já sabem o que fazer, vamos lá! — disse, Matheus, cochichando.

Matheus não tirou os olhos dos zumbis. Esperando o momento em que um virasse para o outro, assim, poderíamos avançar e nos esconder sem ser vistos. 

— AGORA! — falou, Matheus, enquanto corria pelo buraco e se encondia atrás de uma planta de vaso, bem grande.

Nós acompanhamos Matheus e corremos para a abertura, nós escondemos na primeira coisa que vimos e ficamos esperando o sinal de Matheus para avançar. Eu fiquei do lado de Matheus, atrás de outra planta, idêntica a dele. J ficou na nossa frente, abaixado no começo da pequena escada que levava até a sala de Cícero. E Ricardo ficou do lado dele.

— Beleza! Agora só esperem o meu sinal. — falou, cochichando, Matheus.

— Cara, como esse lugar fede... Que nojo! — comentei, fazendo uma cara de nojo.

— Nisso eu concordo. — disse, J, cochichando.

Não demorou muito para que os zumbis desviassem o olhar novamente do corredor. Nesse meio tempo estávamos averiguando os objetos que poderíamos nos esconder. Então, após Matheus dar o sinal, fomos correndo o mais rápido possível. Subindo as escadas tentando fazer o mínimo de barulho possível.

Matheus se escondeu embaixo de uma mesa de vidro que havia do lado dos zumbis. Que por causa de seu campo de visão limitado, não perceberam. Ele ficou ao lado das outras armas, e pegou o taco de beisebol que estava aí seu lado. E ficou segurando o pé de carteira com uma mão, e o taco com outra.

Eu, fiquei escondido do lado de Matheus, meio agachado segurando em cima da mesa. Ricardo e J ficaram atrás de mim, abaixados para não serem vistos.

— B-b-b-b-beleza... É agora... Tentem ser discretos. — disse, Matheus, cochichando deitado embaixo da mesa.

Depois que Matheus disse isso ele olhou para mim e balançou sua cabeça. Eu na hora balancei de volta, pegando seu sinal. Nós ao mesmo momento levantamos nossas mãos e fizemos o sinal.

— Três... Dois... Um... AGORA!

— HAYA! 

— RHAARGH?

POW! — Matheus bate com seu pé de carteira no pé de um dos zumbis. Fazendo ele cair e e acabar descendo de cara a escada.

BAM! — Eu me levanto rapidamente e dou um chute em um dos zumbis. Fazendo o bater de costas a uma parede ao seu lado, o que o faz cair.

BLOOOOOM! — Matheus corre até a escada e a pula, pegando impulso e caindo com tudo em cima do zumbi. O que fez ele explodir e morrer na hora. Espalhando sangue para tudo quanto é lado.

SWISH! BLAAAAM! — Eu pego o machado do zumbi que eu havia chutado e corto a cabeça dele com o mesmo. O matando instantaneamente.

Cara, isso foi épico! Épico demais! E bastante tenso. Tudo conforme o plano. Na verdade com um pouco de improviso. E antes que qualquer zumbi pudesse ver, pegamos tudo que conseguíamos carregar e saímos correndo imediatamente de volta a sala.

Quando chegamos lá, abrimos a porta, entramos e a fechamos. Mano, que loucura! Aquilo foi muito tenso. Que bom que tudo deu certo. Estávamos ofegantes, tensos. Já que tudo aquilo foi muito doido. Cada um estava levando uma coisa. Eu estava levando os dois machados, Matheus estava levando os cintos com as balas e uma das duas Shotgun's. Ricardo levava a outra, acompanhado do taco de beisebol. E J levava três granadas e dois canos, tipo aqueles de PVC.

— Meu Deus do céu! Que adrenalina! — comentou, Matheus, ofegante, suando.

— É... Foi muito irado! — disse, Ricardo, muito entusiasmado, sorrindo. Mas também muito ofegante.

— Que loucura! — comentou também, J. Bastante ofegante.

Naquele momento eu já estava me preparando para pular de alegria, até porque o primeiro passo do plano já tinha dado certo. Mas aí me veio uma coisa na mente... E os corpos? Quer dizer, quando matamos os zumbis que vagavam pelo corredor, fizemos tudo isso dentro de uma sala, e até irmos enfrentar o Cícero provavelmente ninguém ia perceber que eles estavam ali. Mas já os corpos de agora... Era outra história.

— P-p-p-p-pessoal... Mas e os c-c-c-corpos? — perguntei, ofegante.

Como assim? — disse, Matheus, sem entender nada.

— É que tipo, meio que os corpos ficaram ali, né? Na frente da porta do Cícero... E se ele sair e acabar vendo os corpos? — falei, com um pouco de medo.

— O que? Mas isso não tem problema. Até porque ele não vai cogitar que fomos nós. E mais, se ele imaginasse que fosse nós, ele nem saberia onde estam-

— HM!

Matheus, no meio de sua fala, ficou tenso, paralisado, pálido quando observou que quando estávamos correndo, havíamos pisado no sangue do zumbi explodido. E acabamos deixando um rastro de pegadas até a sala. O que nós entregaria se alguém percebesse. Ainda mais se fosse o Cícero. 

— N-n-n-n-n-n-n-n-n-não... Não.... NÃO! — disse, Matheus, enquanto olhava para o chão, cheio de pegadas com sangue de zumbi.

— I-i-i-i-i-i-isso n-n-n-n-n-n-não... E-e-e-e-e-e-e-e-eu não tinha pensado nisso! MERDA! MERDA! MERDA! AGORA FODEU! FODEU, FODEU FODEU! — Matheus estava tenso, ofegante, imperativo. Era visível o seu olhar de arrependimento e medo.

Já era. Tínhamos nós entregados e nem havíamos percebido. Provavelmente em poucos instantes alguém apareceria ali. Ou o Cícero, ou zumbis. E não deu outra. Alguns poucos segundos depois que Matheus comentou, nós ouvimos:

— RHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGGHHHHHHHHHHHHHHH!

Um rugido exorbitante que ecoou pela escola inteira. Parecia que era o Godzilla. O rugido foi tão forte que estremeceu toda a sala. O chão tremia. Foi intenso. Logo depois desse rugido, foi possível ver o chão tremendo, acompanhado de estrondosos sons de corrida, que pareciam que estavam afundando o chão. Logo depois, veio a surpresa.

BOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOM! — Cícero entra com tudo, arrombando e literalmente ESTRAÇALHANDO a porta por completo. Sua "investida" foi tão forte que seus pés afundaram o chão.

Naquele momento, vimos que o descuido que cometemos iria custar caro. Mais BEM CARO MESMO. Não conseguimos nos mexer. Nós ficamos pálidos, paralisados, TOTALMENTE CAGADOS DE MEDO. Cícero parecia um mutante. Tinha uns dois metros de altura, bombado, suas veias saltavam para fora. Com seu uniforme todo rasgado, monstruoso, com a cara e o corpo deformado. Como se fosse uma mistura de Hulk com Freddy Krueger. Naquele momento eu vi a morte passando nos meus olhos. Cícero mandou outro rugido, que foi tão forte que nos fez cair no chão.

— RHAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAGGGGGGGGGGGGGGHGGGHHHHHHHHHHHHH!

Acompanhado de seu rugido, foi possível ouvir barulhos de zumbis, nós estávamos tão travados naquele momento que nem conseguíamos raciocinar direto. Nosso suor era tão grande que inundou todo o chão da sala. Ninguém mechia um músculo. Ninguém pensava, ninguém conseguia acreditar. Nossa falha praticamente nos deu a sentença de morte. Nossa única saída daquele lugar era a enfrentar Cícero ou tentar correr e fugir pela tubulação. Quando estávamos fazendo o plano pensávamos que enfrentar o Cícero não seria tão difícil assim. Mas agora, vendo ele ali... Daquele jeito... Era TOTALMENTE DIFERENTE do que nós imaginávamos.

Cícero veio com tudo para cima da nós. Como se fosse um touro. Estava a 1340 quilômetros por NANOSEGUNDO. Ele vinha numa força e velocidade tão grande que a cada passo que ele dava um pedaço do chão tremia e quebrava. Pelo menos naquele momento nosso cérebro e corpo conseguiram responder e desviamos do ataque. Cícero deu de cara com a parede. E a rachou por completo. Não a quebrando por um triz. Ficamos no chão, tremendo, agonizando de medo. Suando. 

Eu naquele momento nem pensei em sequer tentar enfrentar aquele titã. Fui me rastejando o mais rápido possível até a tubulação, enquanto Cícero estava se virando de volta para nós. Não pensei em nada naquele momento. Não estava conseguindo raciocinar. Nenhum de nós estava. O medo tomou conta de todo nosso corpo. Eu consegui chegar e entrar na tubulação, e fui o mais rápido possível dentro dela para tentar fugir dali. Eu conseguia ouvir os gritos de agonia de meus amigos e os rugidos estrondosos de Cícero. Acompanhados de centenas de sons de zumbis. Pelo visto todos estavam vindo de UMA SÓ VEZ para cima da nós. Eu estava com tanto cagaço que já estava quase chegando no fim da tubulação. Quando algo aconteceu e eu conseguir ouvir a parede rachando. Ela desabou totalmente em cima da tubulação, que entortou o metal e me empurrou para baixo, fazendo ela rachar e eu cair de lá. 

Foi uma queda feia. Gritei como eu nunca gritei na minha vida. A esse ponto já estava até chorando. Agonizando, com medo. Eu caí de uma altura GIGANTE. Quando olhei para baixo vi quase que um oceano inteiro. Era um volume de água ENORME, totalmente marrom, suja, nojenta. Continuei gritando feito um filha da puta e dei de cara na água. Foi um impacto tremendo. A correnteza me levou para trás, fazendo eu afundar e subir, afundar e subir, afundar e subir. Não conseguia nadar nem respirar direito. Estava muito forte, não deu para fazer nada. Em poucos instantes já estava praticamente a quilômetros longe. Chegou em um ponto que eu só afundei direto, e nem consegui subir mais. Fui levado pela correnteza, que foi ficando mais fraca, e diminuindo o volume da água. Por fim, acabei parando de frente para uma "calçada" que tinha perto dali. Bati de costas com tudo para ela e sofri bastante para conseguir me levantar. Sai da água todo fudido, com dor, chorando, com medo, com frio, ofegante, imperativo.

Consegui me levantar mesmo todo dolorido e fiquei ali sentado. Encostei na parede e fiquei com as pernas cruzadas. Com medo, tremendo, agonizando e chorando. Com os olhos arregalados, ainda totalmente travado pelo que tinha acontecido agora. Não consegui raciocinar o que tinha acontecido agora. Eu simplesmente TRAVEI POR COMPLETO. Foi o momento mais desesperador e tenso da minha vida. Tão tenso que eu fiquei ali sentado, travado, tremendo, com medo por pelo menos uns quinze minutos. Até que meu cérebro e meu corpo voltaram a funcionar. E só um pensamento vinha na cabeça. Que até esse ponto os meus amigos provavelmente já tinham sido ESTILHAÇADOS pelo Cícero, e deveriam estar sendo devorados por centenas de MILHARES de zumbis.

Não consegui me conter, fiquei lá chorando e gritando desesperadamente. Cheio de feridas e machucados pelo corpo todo. Agonizando, com medo, com frio. E com um pensamento de culpa GIGANTE na minha cabeça. 

Continua...







 




Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...