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História L, um amor quase indesejado - Capítulo 73


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Notas do Autor


OLHA EU OLHA EU OLHA EU

Aposto que ninguém me esperava aqui antes da vacina pro corongus, né? Pois bem, cheguei (vacina, por favor, chegue também)

Vou me arrepender por postar esse antes de ter o próximo pelo menos na metade? VOU.
Ou não, vai que eu tomei jeito. Oremos.

Esse foi até bastante rápido de escrever. Acho que comecei a trabalhar nele... Segunda? Não lembro. Mas tem mais ou menos isso, 1 semana, no máximo. Virei essa noite porque não quis parar de escrever.

Tô bem feliz com esse cap., tá muito amorzinho, principalmente o primeiro narrador <3 E ficou enorme, não esperava kkkk

Boa leitura *-*

Capítulo 73 - Lua de mel


Naquela noite, deitei-me na cama do meu quarto na Wammys, sozinho pela primeira vez na última semana.

— Leonard está casado... — Falei comigo mesmo.

Era um pensamento engraçado, agora. Primeiro porque, durante anos, se alguém me perguntasse o que eu sentiria ao pensar isso, eu responderia algo como angústia, rancor, ciúmes; mas agora nada havia desses sentimentos. Segundo que, mesmo com quase seis meses em que eu acompanhava os dois, a concretização do casamento ainda era uma ideia um tanto estranha, sendo Leonard o noivo. "Quer dizer, como assim aquele cara achou alguém? Ele mal se comunica com pessoas."

Um lado meu temia que ele estragasse as coisas, com seu jeito infantil, sua total falta de experiência em se relacionar e seus hábitos doentios de sono e alimentação. O outro lado torcia para que o primeiro estivesse se preocupando à toa.

Mas, definitivamente, eu estava em paz. Mais do que em paz, eu estava orgulhoso e feliz por ele.

Fosse como irmão ou o que fosse, Lawliet sempre fora a pessoa mais importante da minha vida e a que eu mais amava. Eu sabia que Isane fora a melhor coisa que poderia ter acontecido na vida dele.

— Por favor, L. Seja tão bom marido como eu sei que ela será como esposa... Não estrague tudo. — Falava para o teto.

— Falando sozinho?

Ergui o pescoço e vi Near, na porta do quarto.

— Oi, amor. — Falei, erguendo o corpo e sentando.

— Já vai dormir?

— Ainda ia te dar boa noite. Deitei pra refletir um pouco.

— Hum... Então. Vai me dar boa noite agora? — Um sorriso singelo brotou em seus lábios, me fazendo sorrir de volta automaticamente.

Levantei, andei até a porta do quarto e o abracei, um braço envolvendo seus ombros e o outro dobrado, com a mão eu seu cabelo, acariciando os fios.

— Claro. Estava apenas esperando você se ajeitar. — Beijei o alto de sua cabeça levemente e senti seus braços envolvendo minha cintura.

— Bryan... — Ele começou, hesitante.

— Huu?

— Posso... Dormir com você hoje?

Minha mão parou o movimento em seus cabelos.

Naqueles 3 meses do nosso relacionamento, eu e Near nunca dormimos juntos. Algumas vezes, nas poucas ocasiões em que eu dormira na Wammy's em vez da casa dos meus pais, tudo que eu fizera fora acompanhá-lo até seu quarto e lhe dar um beijo de boa noite. Ele nunca pedira para eu dormir lá. Não que ele precisasse. Eu sabia, pela forma como seus dedos agarravam minha camisa por breves segundos, quando eu começava a me afastar após me despedir; mas nunca externalizamos o assunto.

"Tudo bem, não tem problema nós dormirmos juntos. Ele está emotivo pela conversa de hoje."

Respirei fundo e umedeci os lábios antes de responder:

— Está bem. Deixa eu pegar meu travesseiro.

— Ah... Não podemos dormir aqui? Tem travesseiros o bastante e a cama é maior.

Parei, respirando fundo novamente.

— Nate, eu... Vamos dormir no seu quarto, está bem? Esse quarto é mais do L que meu, mas mesmo Isane nunca dormiu aqui. Não vou me sentir confortável.

— Eu... Tá. Tudo bem. — Ele parecia um pouco contrariado.

— Podemos dormir no quarto do A, se você quiser mais espaço.

— Ah. Pode ser.

Fechei a porta do quarto e o acompanhei à porta A. Meu paletó ainda estava lá, do momento em que fui conversar com Isane. No mais, estava razoavelmente organizado. Não era como se uma noiva tivesse se arrumado ali dentro há algumas horas.

— A roupa de cama foi trocada hoje. — Comentei com Near, lembrando que ela acordara de um pesadelo naquela manhã e pedira pra trocarem os lençóis molhados do suor.

— Uhum.

Sentei na beira da cama e puxei Near para sentar ao meu lado, dando-lhe um beijo no rosto.

— Venha, vamos deitar. — Carreguei-o e deitei, colocando-o ao meu lado e nos cobrindo com um edredom grosso. — Está confortável?

— Sim. Obrigado. — Ele sorriu e eu o beijei suavemente.

— Nate.

— O quê?

— Eu te amo.

Ele olhou em meus olhos, sorrindo timidamente. Depois seu sorriso se abriu mais, antes de responder:

— Também te amo, Bryan.

Seus lábios vieram aos meus para um beijo que começou suave, mas foi aprofundando-se, e em pouco tempo senti aumentarem a velocidade e a pressão de sua boca na minha.

Não era como se fosse a primeira vez que nos beijávamos assim, mas meu corpo estava plenamente ciente de que estávamos sozinhos, numa cama, à noite.

Antes que eu formasse algum pensamento lógico, uma mão de Nate foi para minha cintura, enquanto a outra segurava meu rosto. Minhas mãos fizeram o mesmo, sem que eu pensasse a respeito, puxando-o para mais perto. Logo ele estava com o corpo quase todo sobre o meu.

Então o empurrei levemente, interrompendo o beijo.

— O que foi? — Ouvi sua voz levemente incomodada.

— Nate... Vamos dormir, está bem?

Ouvi seu suspiro de frustração.

— Achei que fosse por isso que não queria dormir no outro quarto.

— Não, Near. Foi porque aquele quarto é meu e de L.

Ele se ergueu e sentou ao meu lado.

— Ainda não entendo qual seria o problema, se você só quer dormir. É tão exclusivo de vocês dois assim? O que tem de mais?

— Nate... — Respirei fundo e levantei, também. — Sim, é exclusivo de nós dois. Foi nosso quarto por 13 anos e seguiu sendo de L por mais 6. Por favor, não crie caso com isso.

— Não estou criando caso, é só que...

— Que...? — Instiguei, quando achei que ele tinha desistido de falar.

— Você... Tinha uma paixão por ele na adolescência e até pouco meses atrás. E agora não quer que eu durma lá.

— Meu bem. Me escute. — Tomei seu rosto entre minhas mãos e olhei em seu olhos, na pouca luz que iluminava o ambiente. — Esse sentimento por L é passado. Por favor, não ocupe sua mente com ciúmes dele. Isso não é necessário. — Ele permaneceu calado, então prossegui. — Eu amo você, não vejo mais o L dessa forma há um bom tempo, antes mesmo de nós assumirmos alguma coisa. Então relaxa, tá bem? Mas, se temos opção, não quero mexer nisso. Em respeito à minha história com meu irmão.

Ele suspirou.

— OK. Eu entendo que não queira que eu durma lá. Tá. Que ninguém durma lá. — Ele acrescentou a última parte quando percebeu que eu ia contestar.

— Obrigado, amor. — Beijei sua testa.

— Mas...

— O que foi?

— Por quê? — Seus olhos deixavam claro que ele não se referia mais ao quarto.

— Você é muito novo, Nate.

Ele desviou o olhar. Contrariado. Estava ficando cada vez mais fácil perceber as emoções nele.

— Quê? Acha que eu não sei o que sinto por você? Que eu estou... Sendo um adolescente bobo apaixonado?

— Near... — Suspirei, fechando os olhos por um momento. — Eu sei que você não está confuso e sei que o seu sentimento por mim não é uma paixonite adolescente. Mas entenda meu lado, está bem? Eu sou quase 9 anos mais velho e você ainda nem tem 16. Não quero sentir que estou te influenciando ou apressando as coisas. Eu sou a primeira pessoa com quem você tem algum tipo de relacionamento. Vamos com calma.

— E eu quero que seja a única, Bernard. — Ele parecia irritado ao falar aquilo e por um momento meu coração derreteu. Apertei os lábios, mas o sorriso bobo não pôde ser contido.

— Lindo... — Disse, agora rindo levemente. — Como pode me deixar tão idiota?

— Não mude de assunto. — Ele corava, nervoso com o elogio.

— Está certo. Vou me esforçar para ser o único para você. Mas agora não, meu amor.

Ele suspirou.

— Pareço infantil pra você? Você não... Sente desejo por mim, é isso?

Suspirei novamente, erguendo as sobrancelhas e olhando pra cima.

"Vai ser uma longa noite."

— Não, Nate River. Não parece infantil. E, sim, eu quero você. — Peguei seu rosto e beijei ambas bochechas antes de selar seus lábios. — Não sabe como fico louco quando nos beijamos como fizemos agora há pouco. Nem como foi difícil pra mim resistir e te afastar. Mas estou tentando ser o adulto responsável em alguma coisa por aqui. Pode facilitar as coisas pra mim?

Ele torceu os lábios, depois assentiu levemente e tocou meu rosto. Eu sorri de lado e o beijei, abraçando-o e o puxando para deitarmos novamente. Eu o abraçava por trás, fazendo uma concha.

Um pensamento me ocorreu.

— Nate...

— Oi.

— Eu não te elogio o suficiente, não é?

Pude sentir seus olhos erguendo-se para me espiar de canto.

— Por que está falando disso?

— Desculpe. Não tenho sido um namorado tão bom quanto gostaria.

Ele permaneceu calado. Imediatamente me ocorreu que, mesmo tendo assumido meus sentimentos por Near para L, nós nunca havíamos declarado um status de relacionamento abertamente. Nós apenas estávamos juntos às vistas de todos, mas sem falar sobre.

— Hum... Não se preocupe com isso. — Ele falou após um longo período de tensão.

Silêncio, por uns minutos.

— Nate.

— Diga.

— Nós somos namorados?

Quase ouvia seus olhos revirando.

— Não houve pedido de namoro. Mas eu vou contar como se você tivesse me pedido no dia em que falou com o L.

— Me sinto cada vez pior.

Ele inspirou profundamente.

— Pare de se preocupar com essas coisas. Você não queria dormir? Hunf... Sim, somos namorados.

— Hum. Ok.

Após mais alguns minutos, lembrei do que ia falar antes.

— Nate...

— O que é agora, Bryan?

— Você é lindo. E muito inteligente. Eu tenho orgulho de você.

Podia sentir as bochechas dele corando.

— O... Obrigado, B...

— De nada.

Quando senti que Near quase adormecia, falei:

— Nate...

— Bernard Bryan, eu JURO que se você não me deixar dorm...

— Eu te amo.

Senti seu sorriso tímido se formando.

— Seu idiota. Eu também te amo.

— Boa noite.

— Boa noite...

 

Matt

 

As lágrimas escorriam para o travesseiro enquanto eu estava deitado de lado, após Cila sair do quarto.

Mello estava deitado atrás de mim, um braço envolvendo meu tórax, a mão pousada em meu ombro, num meio abraço. Seu rosto estava no espaço entre meu ombro e meu pescoço.

Eu chorava sem muito barulho, apenas lágrimas que insistiam em sair enquanto minha cabeça girava e meus olhos tentavam fechar. Mas a cada vez que eu permitia que eles fechassem, um flash de sonho com Henrik e Cila me assombrava e eu tinha um pequeno sobressalto.

— Eu estou aqui. É só um pesadelo. — Dizia Mello toda vez que isso acontecia.

Ele estava sendo bastante carinhoso e presente, coisa que não era muito comum de Mello, mas eu estava feliz por tê-lo ali.

— Mel... — Sussurrei, uma vez em que o sobressalto fora tão grande que eu despertara.

— Fale.

— Você já sabia, não é?

Ele tremeu rapidamente.

— Eu... Sim, Matt. Eu esbarrei com ele na festa e... Ouvi Isane comentando com Cila que...

— Que...?

— Que era melhor vocês não se encontrarem.

Assenti, respirando para tentar me acalmar.

— Matt, como você está sobre isso?

— Eu... Não sei. Não acho que importa mais pensar a respeito. Cila foi sensata numa coisa. Eu não vou procurá-lo. Não tenho motivos pra isso. Só quero tentar ignorar.

— Entendo.

— Isane me mandou mensagem. Ia falar, mas na hora Cila entrou. Eles chegaram em Paris.

— Ah, que bom.

— Obrigado, Mello.

— Pelo quê? — Ele indagou, sua voz confusa.

— Por ficar comigo. Por... Tentar me proteger.

Ele demorou alguns segundos.

— Não precisa agradecer, Matt.

— Pode pegar mais um lençol? Estou com frio.

— Ora... Você quem está na beira da cama, por que não levanta?

Ri, quebrando o clima tenso. Aquele era o Mel que eu conhecia.

— Está bem... Mas quando voltar vai continuar sendo a concha grande?

—... Matt, qual sua idade?

— Você é um porre, sabia? — Disse, levantando.

Quando deitei novamente com o lençol, porém, me virei para ficarmos de frente.

— Mihael. — Sussurrei, tocando seu rosto, o meu a três centímetros dele.

— Hum... O quê?

— Eu te amo.

— Eu... Por que esse romantismo agora?

— Nada. Só queria lembrá-lo disso.

Ele balançou a cabeça e revirou os olhos.

— Vamos dormir.

— Como você é insensível.

— Que foi? — Ergui uma sobrancelha. — Você sabe que eu também te amo, Matt.

Ri, um riso mais leve e tranquilo.

— Eu gosto de ouvir, assim mesmo.

— Hum, tá. Boa noite. — Ele se aninhou com o rosto no meu pescoço.

— Você está mesmo com sono? — Sussurrei em seu ouvido, mordendo o lóbulo da orelha levemente.

Sua pele arrepiou instantaneamente e ele tremeu por um instante.

— V-Vo... Você não está?

— Acho que estou muito atribulado para dormir agora.

Ele se afastou, apenas o suficiente para me encarar. Seus olhos mirando meus lábios, meu queixo, a linha do maxilar, enquanto as pontas dos dedos percorriam meu pescoço despretensiosamente.

— Quer fazer algo que te ajude a dormir mais tranquilo?

— Quero. — Eu estava me preparando para mais uma de suas brincadeiras me dando um fora. Talvez ele me mandasse ir jogar, ou tomar um porre de bebida.

Mas Mello sorriu, um sorriso que era ao mesmo tempo carinhoso e sexy, e me beijou de uma forma que conseguia ser lenta e ainda estimulante em poucos segundos. Não levou 5 minutos para que estivéssemos arfando, enquanto nos despíamos. Eu mordendo seu pescoço e ele puxando meu cabelo. Logo nossas roupas estavam no chão, Mello sob meu corpo e eu dentro dele. Ambos suados e totalmente tomados de desejo, numa ânsia que poucas vezes havíamos tido. Uma mão apertava sua coxa, suspensa até o tronco, ao meu lado. As unhas de Mello arranhavam minhas costas profundamente enquanto minha boca puxava a pele em seu pescoço e eu penetrava, às vezes com mais força do que planejava, de modo que olhei duas vezes para ele, preocupado que o tivesse machucado, mas ele só respondia tomando minha boca em um beijo que terminava com suas mordidas em meus lábios.

Naquela noite, rezei para que Bernard e Near, cada um em um dos quartos vizinhos ao nosso, tivessem adormecido profundamente antes de tudo começar.

E que não acordassem com o barulho que fazíamos.

 

Lawliet

 

No momento em que vi Isane indo com a Sra. Ione e Mello para dentro da casa, localizei Watari e lhe passei instruções básicas rapidamente.

— Consiga a custódia de Henrik Raske. É o primo de Isane que parece o Matt. Precisaremos investigá-lo. O crime foi há muitos anos e não há provas, então não será fácil. Vou passar instruções por email no caminho para o aeroporto. Converse com Cila e a mãe dela.

 

No momento, a melhor estratégia seria conseguir forjar um crime. Não era algo que eu estava muito inclinado a fazer e eu temia que fosse a única forma de não envolver Matt na história.

 

A não ser que...

 

No caminho para o aeroporto, Isane dirigia, enquanto eu estava concentrado em enviar mensagens e emails.

 

Estacionamos e reservamos a vaga para o período da lua de mel, antes de seguirmos ao salão de check-in, onde seu vestido claramente chamava muita atenção.

— Para quem tinha pavor de casamento, você está adorando ser noiva. — Disse ao vê-la tentando conter o sorriso quando as pessoas nos olhavam encantadas no salão de embarque.

— Não vou casar outra vez. — Ela deu de ombros. — Hoje, quando sair das vistas de todos e tirar este vestido, deixarei de ser uma noiva. Preciso aproveitar enquanto posso.

Sorri, olhando os seus olhos brilharem enquanto ela falava.

— Você é surreal, sabia?

Isane riu baixinho.

— Está tudo bem? Você veio o caminho todo digitando.

— Sim. Estava dando instruções das medidas a serem tomadas a respeito do Raske. — Vi seus olhos ficarem apreensivos. — Não se preocupe. Fiz tudo de forma que a chance de Matt saber qualquer coisa a respeito seja mínima.

— Pode me explicar que grande plano é esse que vai conseguir ser executado sem você? Ou... Bem, não me importo de adiarmos nossa lua de mel se for uma forma de garantir que isso acabe.

Sorri, entrelaçando nossos dedos e beijando as costas de sua mão.

— Não precisaremos. Já pensei em tudo. — Conferi o horário em que o embarque começaria. — Bem, dá tempo de te explicar antes de irmos.

 

Ambos dormimos todo o voo, de pouco mais de 1 hora. Registramos nossa entrada no hotel — Que não fora minha primeira opção, mas ela não quis me deixar pegar o que eu queria porque custava 8mil euros — e subimos para a suíte.

 

— Você não tem jeito... — Ela ria ao visualizar o cômodo, tirando a sandália. Eu fazia o mesmo com os sapatos, antes de analisarmos a suíte como um todo.

O quarto era maior do que a média dos que costumávamos ficar no Japão, com uma sala lateral de mesmo tamanho, um banheiro do tamanho dos quartos da Wammy's e uma varanda também bastante espaçosa.

— Vamos passar três dias em Paris. Se formos explorar a cidade, não dá tempo nem de ver o quarto direito.

— Ah... O que importa são os serviços. Aqui tem spa, banheira de hidromassagem, essas coisas todas...

— Lawliet. — Ela me encarou, sorrindo levemente, como quem duvidava. — Você? Num spa? No dia que isso acontecer eu tomo o trono da rainha da Inglaterra.

Abracei-a em torno da cintura, mordendo o lábio e encarando a abertura da varanda.

— Hum... Acho que vou me arriscar no spa, então. Estou curioso sobre como fará isso.

Isane riu, me envolvendo em seu abraço e deitando a cabeça em meu peito.

— Casados... Nossa.

— Sim. Casados. Já se arrependeu? — Questionei.

— Olha... — Ela reclinou para trás e segurou o queixo, pensando. — Vou ser sincera, eu...

Meu coração tropeçou e senti meus dedos gelando.

— Você...?

Ela sorriu lindamente e jogou os braços ao redor do meu pescoço, segurando minha nuca com os dedos entrelaçados.

— Não imagino que tenha tido tanta certeza assim sobre outra coisa na minha vida.

Suspirei, o coração voltando ao compasso normal.

— Não foi o que parecia quando Mello veio pedir socorro dizendo que você tinha desistido.

Seu sorriso dizia "culpada".

— Eu estava nervosa, foi só isso. Ficou tudo bem quando te vi me esperando no altar.

— Você andando até mim... Foi a cena mais bonita e inesquecível da minha vida.

— Foi muito fofo você chorando, sabia?

Pude sentir meu rosto em chamas pela vergonha ao lembrar.

— Boba...

— Há quanto tempo estamos casados, mesmo?

Olhei meu relógio, ainda com o fuso-horário do Reino Unido.

— São 23h30... Então foi há 6 horas. Esse vestido não pesa? Está com ele há tanto tempo. — Disse, sentindo-me aflito por ela, enquanto tirava o paletó e abria um botão da camisa.

— Um pouco. Mas como não tem alças não sinto tanto. Já vou trocar.

— Quer tomar banho agora? Ou prefere comer algo antes? Você mal conseguiu comer direito na festa e não comemos no voo.

— Talvez… Espere, vou só lavar as mãos.

— Também vou.

No banheiro, Isane aproveitou para lavar os braços, dizendo que se sentia suja, já que viajara com eles descobertos. Eu a observava, ainda impressionado com como ela me encantava em cada ação.

Aproximei-me por trás dela, abaixando para suspender a cauda do vestido o suficiente para que pudesse ficar de pé abraçando-a sem pisar no tecido. Quando a envolvi em meus braços, ela sorriu e me olhou através do espelho. deixando a cabeça pender suavemente para trás, recostando no meu ombro. Seus olhos fecharam e ela roçou a bochecha na minha, como um gato pedindo carinho.

— Minha tigresa… — Abracei-a mais perto, minhas mãos deslizando por sua cintura, enquanto a apertava junto a mim. Inspirei, captando o cheiro do seu cabelo e sentindo-me inebriado. Seus braços se cruzaram sobre os meus, as mãos os apertando de leve. Beijei suavemente a pele abaixo de sua orelha, descendo pelo pescoço até o ombro. Isane apertou um pouco mais as mãos em meus bíceps. Fiz o caminho de volta até seu rosto, ela virou levemente para trás, tocando os lábios nos meus. Ficamos parados por alguns segundos, apenas o mais leve roçar de nossas bocas, até movermos sincronamente para um beijo suave.

Após um breve momento, ela interrompeu o beijo, tornando a ficar de costas e afastando os cabelos das costas. Eu beijava sua nuca a cada botão do fecho do vestido que abria e podia sentí-la tremer levemente, arrepiando-se.

Quando terminei de fazê-lo, soltou as mãos do decote, deixando a peça cair até a cintura. Como a parte das coxas era justa, Isane a puxou para liberar e o tecido caiu como uma nuvem aos seus pés.

Por baixo do vestido principal, no entanto, estava uma peça mais curta, que delineava cada curva sua. Era igualmente branca, porém com detalhes de linhas curvas em um escuro verde brilhante.

— Uau… — Exclamei, apreciando a vista quando ela se virou. — Mello realmente não brinca em serviço. Não estava desconfortável usando tanta roupa?

— Não… — Ela balançou a cabeça. — O tecido é bem macio.

Isane desabotoou minha camisa, selando meus lábios enquanto o fazia. Suas mãos subiram do último botão para meus ombros deslizando pela minha pele e puxaram as mangas pelos meus braços. A camisa caiu no chão enquanto ela me beijava, segurando meu rosto com uma mão, a outra entrelaçada ao meu cabelo, na nuca.

Carreguei-a pela cintura, indo até o quarto e baixando-a de pé, novamente.

— Quer champagne?

— Sim. — Ela sorria, mordendo os lábios de um jeito provocativo. Respirei fundo, tentando ignorar, por hora, a pulsação em minha virilha.

Fui até o balcão, onde uma garrafa de Dom Perignón repousava em um balde metálico com gelo. Peguei o balde e duas taças de cristal e me virei para Isane.

— Venha. Vamos pra varanda.

— Espere, deixa eu pegar uns salgadinhos que minha mãe embalou.

Ela andou na frente após pegar a vasilha na mala e inspirou o ar noturno profundamente.

— Venha, deixe que eu abro.

— Não vá sacudir…

— Nunca. — Ela riu.  — Eu sei o preço disso. Sr. extravagância.

Dei de ombros e a observei desenrolar o arame com agilidade antes de começar a empurrar a tampa.

— Venha, segure para ela não voar. Quero guardar de recordação.

Guardei o objeto em meu bolso, quando a garrafa foi aberta, e estendi as taças para que ela as enchesse.

— Tome. — Disse, entregando-lhe a sua taça quando colocou a garrafa no balde.

Tomei sua cintura na mão livre e brindamos. Isane ria de leve e eu me sentia a pessoa mais feliz do mundo.

— Quero comemorar este dia com você por muitas décadas, ainda.

Ela selou meus lábios e tomou um gole.

— Trate de ficar vivo e eu estarei contigo em todos anos.

Sorri largamente.

— Minha esposa… Por você eu daria um jeito de voltar.

Seus olhos reviraram enquanto ela balançava a cabeça e comia um canapé, tomando o resto da taça. Enchi-a novamente.

— Meu marido… Se me deixar viúva, acho um jeito de te ressuscitar e te mato de novo, entendeu?

Ri alto, ciente da veracidade em suas palavras.

— Sim, senhora. — Terminei a taça, pondo mais uma para mim e completando a dela, antes de abraçá-la pelas costas e virar para contemplarmos os jardins.

— Consegue acreditar que faz pouco mais de 8 meses que tivemos nossa primeira noite juntos? — Ela disse, saboreando a bebida.

— É… Aconteceu tanta coisa nesse tempo. — Falei, bebericando da taça antes de prosseguir. — Mas sinto que você já desvendou cada detalhe meu.

Ouvi seu riso suave.

— Parece que te conheço desde sempre. — Um suspiro pesado, ao se virar para mim. — E eu amo isso.

Sorri, beijando-a. Ela se afastou após alguns segundos, pegando a garrafa e derramando o restante em nossas taças.

— Tomamos toda. Quer outra?

— Não, estou bem. — Ela terminou de beber e apoiou a taça na mesinha. Fiz o mesmo.

Observei-a se esticando na ponta dos pés, alongando o corpo.

— Não se desequilibre. — Falei nervoso, me aproximando para segurá-la, caso ela fosse cair.

— Por favor, Law. Me respeita. Acha que vou ficar bêbada com um pouquinho de champagne?

Ri, revirando os olhos.

— Esqueci da sua resistência.

— Com essa quantidade de álcool eu fico só um pouco mais… — Isane falava, erguendo um ombro.

— “Um pouco mais…”?

Sua mão esquerda se apoiou em meu ombro, enquanto a direita deslizava pelo meu abdômen até parar no meu peito, arrepiando minha pele. Seus olhos verdes fixados nos meus.

— Um pouco mais sedenta do meu marido.

Senti a pulsação voltar com tudo, impossível de ser ignorada. Apertando sua cintura, puxei-a para junto do meu corpo e tomei sua boca na minha. Seus braços me envolveram e eu me arrepiava com o toque em minhas costas e a mordida em meu lábio.

Carreguei-a novamente até o quarto e, tão cedo a pousei no chão, suas mãos desafivelaram meu cinto e puxaram a calça para baixo.

— Como tiro isso? — Perguntei, confuso com o vestido/lingerie, que parecia colado demais em seu corpo para ter alguma forma de abrir.

Ela sorriu e pegou minha mão, me mostrando o zíper lateral, próximo ao seio, que se estendia até a bainha, de forma que o vestido estava liberado em um movimento. Ela não usava outra roupa por baixo e logo minha cueca fazia companhia à calça, no chão.

Naquela noite, ambos desligamos qualquer autocontrole que vínhamos tendo na Wammy’s. Não tínhamos que ter o cuidado de ouvirem os choques entre nossos corpos, nem seus gritos. A cada arranhão em minhas costas e braços, a cada gemido de Isane em meu ouvido, em toda mordida que ela dava em minha pele e a cada momento em que ela me empurrava deitado na cama e deslizava por cima de mim eu sentia que, se o mundo explodisse naquele momento, eu nem perceberia. 

Depois de revezarmos no comando tantas vezes que eu não seria capaz de lembrar, senti, pela segunda vez na noite, a descarga de energia que convergia para a virilha. Isane buscava o ar, ofegante, em cima de mim. A cabeça tombada para trás e pequenos calafrios a fazendo tremer de leve, até que ela saiu e deitou ao meu lado. Puxei-a, beijando seu rosto antes de falar, com a respiração entrecortada:

— Deus, Isane… Já está tentando ficar viúva?

Ela riu alto e se enroscou em mim, beijando meu pescoço.

— Venha, vamos tomar banho. — Ajudei-a a erguer da cama e seguimos ao banheiro, onde tomamos uma ducha, exaustos demais para usar a banheira.

— Boa noite, meu marido. — Ela sussurrou quando nos deitamos, com os robes do hotel.

— Boa noite, minha esposa. — Tomei seu rosto nas mãos, observando seus olhos. — Sra. Yokoyama.

Seus lábios se curvaram em satisfação.

— Amo você.

— E eu te amo mais ainda.

E apagamos no segundo seguinte.

 


Notas Finais


EU VOU TENTAR SER RÁPIDA, TÁ? Mas não prometo nada. Mas não serão meses, podem ficar tranquilos.


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