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História La belle de jour - Capítulo 2


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Capítulo 2 - Capítulo dois


Opaaa, tô sentindo o cheirinho de romance por aqui ou é só coisa da minha cabeça? — Gil pergunta, hesitante, segurando um sorriso que eu sei que rasgaria suas orelhas de tão esmagador. 

Ele se apoia na maçaneta, sem saber se entra ou se volta correndo pra piscina pra fofocar com Sarah. Isso é a cara de Gil, ele não controla a boca pra sair distribuindo informações do que acontece na casa pra galega do CSI. E vice-versa. 

São dois legítimos fofoqueiros. 

Quem pode culpá-lo? Qual outra atividade que temos nessa casa além de falar da vida dos outros e tentar beijar umas bocas? Thais que o diga, tá tentando a meio século trocar umas salivas com o Fiuk e tudo que tá conseguindo é uma palestra sobre como as almas deles precisam se conectar antes de partir pros finalmentes, e quando digo "finalmentes" é um beijinho pra lá de meia boca. Pobrezinho, deve tá achando que tem quinze anos ainda pra ficar nessa frangagem.

Bil sai de cima de mim e se senta na beiradinha da minha cama, ajeita o boné ao contrário e se apoia na minha mala. Isso me faz lembrar que amanhã um de nós vai sair dessa casa. Meu coração se encolhe no tamanho de um amendoim.

— A Ju tá carente de atenção — Bil explica. 

Encosto as costas no travesseiro na cabeceira da cama. Bil me encara passando a língua entre os lábios e sorri.

— Num sorria pra mim assim não, homem — Eu peço tentando me manter séria. — Olha Gil, tu tá vendo? Bil tá querendo me seduzir com esse sorrisinho barato aqui.

— Olhe rapaz, vou te dizer uma coisa, se você sorri pra mim desse jeito, eu dou uma laçada de coxa em você que não vai ter Boninho que me tire de cima — Gil gesticula extravagante na direção de Bil e então se joga na minha cama, deitando a cabeça nas minhas pernas — Vocês tão de trelelê mesmo é? 

— Que trelelê menino, tá doido é? Não quero mais barraco nessa casa com meu nome não, é capaz da mulher dele colocar eu e minhas malas dentro do confessionário pelos cabelos. 

Bil bufa. 

— Que mulher, Juliette? A única coisa que eu quero com a Karol é distância. 

— É, no máximo ela só te colocaria contra todo mundo e se faria de vítima corna — Gil se manifesta — Mas todo mundo sabe que ela é uma cachorra mal amada.

— Cachorra com K — Completo.

Gil gargalha.

— Aí amiga, você é má.

Sarah é a próxima a entrar no quarto e nos expulsar em menos de dois minutos só com um olhar metralhador de almas. Eu tenho que concordar com ela, o dia tá lindo demais pra ficar dentro de casa. Do lado de fora, com Bil do outro lado da piscina junto a uma porção de gente que eu não vou com a cara, eu me pego pensando no que aconteceu no quarto. 

Desde que nos conhecemos, há pouco mais de duas semanas, Bil e eu havíamos nos tornando bons amigos, debochados e libertinos, principalmente depois da primeira festa a qual eu praticamente implorei que ele fosse meu namorado falso pra causar ciúmes em Fiuk - coisa que até hoje eu agradeço por não ter funcionado.

Só nos distanciamos depois que a doida da Karol inventou que eu tinha vontade de ficar com Microbiano, aí a coisa ficou séria, juntando com mais algumas outras canalhices espalhadas, a casa em peso ficou contra minha pessoa. Mas graças aos bons céus, ela mesmo se mostrou que não vale bosta e Bil retomou a consciência de que estava se enfiando em um balde muito grande de merda.

Enfim, minha massa cinzenta agora tá dando tilt

Literalmente, eu não consigo pensar no que aconteceu dentro daquele quarto.

Já havíamos brincado de namorar.

Já havíamos nos abraçado.

Já havíamos flertado por pura diversão.

Mas os beijos se limitavam a bochecha e testa

Caceta.

Nossos lábios tinham se tocado mesmo ou eu tava alucinando? 

Ele tinha me olhado mesmo daquela forma tão doce enquanto falava algo que eu sequer prestei atenção por estar hipnotizada naqueles olhos? 

Meu querido Deus, não me julgue precipitadamente, eu só conseguia pensar que tinha um homem sem camisa em cima de mim, beijando o corredorzinho do meu pescoço, suspirando baixo, com a barba roçando por onde se encostava me causando inúmeros arrepios.

Se isso for uma provação para não cobiçar o homem alheio, eu reprovei bonito, o capeta vai vim me buscar pela mão para irmos em direção as chamas do seu lar.

Tá, Bil é solteiro, não é nenhum pecado capital, né? E um solteiro bonitão, pai amado, multiplica essa bença.

A noite logo caí junto com um tempo frio, o programa começa com um jogo da discórdia e logo após Tiago sumir do telão, todos se reúnem do lado de fora. Por mais que tenha saído muita baixaria no ao vivo, ninguém pareceu se importar muito e dez minutos depois estávamos todos reunidos cantando na varanda coberta.

Nervosa com o dia da eliminação, me disperso dos mais próximos e vou dormir. 

Deve ser tarde, muito tarde, estou no décimo sono sonhando em tomar banho como antigamente, sem roupas, quando sinto algo entrar no meu cabelo. 

É uma mão!

Minha Nossa Senhora!

E tem dedos!

Arregalo os olhos diante a escuridão tentando enxergar algo que não seja o breu, antes que eu possa sair em disparada pra algum lugar ou tenha tempo pra raciocinar o que fazer em seguida, uma voz rouca ressoa bem ao lado da minha cama.

— Ei, sou eu — Bil murmura.

— Você quer me matar se susto, homem?! Eu quase tenho um infarto agora! — Grito em um sussurro. 

— Pensou que era o que? Um sequestrador? — Sua voz é irônica.

Reviro os olhos por costume.

— Talvez, vá que eu esteja bem famosa lá fora e alguém queira me sequestrar.

Escuto a risada baixa dele.

A luz que entra pela fresta da porta me ajuda a ver uma silhueta grande ao lado da minha cama, de joelhos. Aperto os olhos sem enxergar um palmo à frente das minhas fuças. Ah Deus, porque me fizestes míope?

— Vai mais pra lá — Ele pede dando dois tapinhas no meu braço.

Ergo a sobrancelha. Me viro de lado, de frente pra ele, apoiando-me pelo cotovelo e impulsiono o rosto para frente como se pudesse enxergar algo a mais que um vulto.

— É o quê? Tu vai se deitar aqui comigo? — Pergunto, pasma.

— Vou.

— Mas tua cama tá bem vazia ali.

— Mas eu quero me deitar aqui. — Insiste.

— Homem, larga de pegar no meu pé e vá se deitar na sua cama. É só você virar a bunda pra lá e se sentar nela, nem tá tão longe.

— Juliette, cala a boca e vai mais pra lá. — Ele vai dizendo enquanto empurra o corpo pra cima da cama, me encurralando contra a parede.

No início é uma confusão de mãos, pés e troncos, mas em poucos segundos, as mãos de Bil me acolhem em seus braços. Uma passa por debaixo do meu pescoço e a outra se enfia na minha cintura, por debaixo do pijama, apertando-me. Ele nos cobre com meu cobertor. O corpo dele é pura brasa, quente como o inferno na terra. Talvez ele seja o estagiário do capeta que veio pra terra atentar o meu restinho de equilíbrio mental.

— Ô bichinho, tu não tem mais o que fazer não? Eu tava dormindo. — Protesto baixinho. 

Pelo o que percebo, as camas estão todas ocupadas com vultos sobre elas. Se me dizer que o Papa tá aqui dentro, eu acredito, merda, meu óculos ficou onde mesmo?

— Você não me deu boa noite — Se queixa.

— Boa noite, Microbiano, pode ir pra sua cama agora.

Ele ri.

— Eu quero um boa noite de verdade — A voz rouca próxima ao meu ouvido me faz estremecer por dentro. 

Minhas mãos ficam úmidas de uma hora pra outra. Bil se move ao meu lado nos deixando frente a frente, sua mão esquerda ainda está na minha cintura e eu não consigo deixar de ignorá-la. Ela está aqui, quente, agarrada em mim, desencadeando uma série de sensações indecentes.

Se ele souber o que isso causa em mim, não ficaria tão perto.

Mordo o lábio inferior.

— Como assim?

Sua respiração está mais próxima do meu rosto. Ele está cada vez mais perto.

 — Você quer realmente ignorar o que aconteceu hoje de tarde?

Parece que no instante seguinte eu sou um ratinho amedrontado dentro de uma gaiola com um leão, um leão atraente para um cacete. Meu coração bate erroneamente. 

— Eu pensei que tava alucinando… Eu… Aquilo aconteceu mesmo? — Pergunto, desajeitada.

Seu nariz encosta no meu, devagar, ele suspira.

— Aconteceu — Responde — E eu quero terminar o que a gente começou.

Meu Deus!

Meu corpo está em chamas e minhas mãos estão tremendo, não de nervosismo, e sim de ansiedade. 

Eu fico em silêncio por alguns segundos.

— Me diz que não só sou eu que tô sentindo isso que rola entre a gente? — Bil pergunta.

— Eu também sinto… — Digo quase sem voz.

A mão libertina percorre minhas costas, apertando-a, me trazendo para junto do seu corpo.

Estamos tão próximos que podemos virar um só a qualquer momento.

No segundo que nossos lábios se tocam, ondas pulsantes de prazer se espalham dentro de mim. Cada parte do meu corpo que está sendo tocado por Bil está fervilhando. Meus lábios se abrem por conta própria e Bil se aproveita, deslizando a língua para dentro, quando se encostam, um ruído rouco e baixo ressoa no fundo da garganta dele. 

É como se estivesse esperando por isso por um bom tempo. 

À medida que sua língua desliza pela minha, acaricio sua bochecha, o contato da minha palma com a barba áspera me trás parcialmente de volta a realidade. Talvez amanhã um de nós vá embora e uma sensação de desespero se instala em meu corpo. 

Eu preciso de mais. 
Eu preciso muito mais dele.

Com um gemido angustiante saindo da minha garganta, agarro os cabelos pequeninhos na sua nuca e aprofundo ainda mais o beijo. De repente minha perna está libertina demais, se encaixando entre as suas. Suas mãos grandes percorrem todo o meu corpo, desesperadas, assim como eu, provavelmente sentindo a mesma sensação de antecipação de perda.

Bil se move por cima de mim, enfiando-se no meio das minhas pernas. Seus lábios quentes se afastam dos meus e passam para a linha da mandíbula, descendo até o pescoço, beijando-o avidamente. Meus olhos se fecham momentaneamente até um gemido baixo sair de mim. Arrasto as unhas pelas suas costas por debaixo da camisa seguindo uma linha invisível que aponta diretamente para o abdômen definido, espalmo-o sentindo se contrair entre meus dedos.

Bil arrasta o tecido fino do pijama para o lado deixando meu ombro exposto. Ele o beija e como se esperasse uma aprovação minha, segue hesitante para baixo. Eu agarro seus cabelos e o puxo de volta para cima.

— TV, estamos na tv — Alerto, ofegante.

Bil encosta seus lábios nos meus novamente. 

— Eu vou tomar um ar e depois venho dormir — Me surpreendo com a rouquidão da sua voz. Com uma mão, ele procura a minha e assim que a encontra agarrada na sua nuca, Bil cobre sua mão por cima da minha e a arrasta deslizando por todo o percurso do seu abdômen definido até chegar a um ponto específico na virilha. — Eu vou tomar um banho também, posso vir dormir com você? 

Arfo.

Meu pai!

O que é isso?! 

Ronrono um "sim" quase inaudível impressionada com o tamanho do meu desejo por Bil, nos últimos cinco segundos, esse desejo só fez aumentar ainda mais. 

Valei-me meu pai amado.

Bil encosta os lábios no meu pescoço e eu me arrepio por inteira. Ele deixa o quarto e quando a porta se fecha, um suspiro baixo sai da minha garganta.

— Eita, Bil! — Sussurro.



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