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História La belle de jour - Capítulo 3


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Capítulo 3 - Capítulo três


Eu me sento na ponta da cama atordoada pela barulheira do despertador matinal do programa e não demora muito para as imagens da noite passada serem arremessadas na minha cara como uma bola de futebol enlouquecida para encaixar na barra do goleiro, no meu caso, enlouquecida pra acertar minha cara, me jogar no chão e me deixar estarrecida.

Bil e eu demos uns amassos na televisão, pra Deus e o mundo ver.

Meu pai amado.

Minha mãe vai me estrangular.

Meus irmãos vão matar Bil.

Falando no indivíduo, ele está na cama ao lado da minha cama coberto até o pescoço, imune ao alarme do programa, sem sequer mexer um dedo.

Talvez ele tenha morrido.  

Brincadeira.

Bil precisa me levar pra conhecer o paraíso particular dele antes de bater as botas. Eu posso não ser muito boa do juízo e bem ruinzinha de memória, mas eu lembro perfeitamente onde minha mão foi parar antes dele sair do quarto. E olhe bem, estou avisando, é um caminho sem volta. 

Como eu posso explicar sem ser grosseira com as palavras? Bil, pelo o que notei em míseros cinco segundos na noite passada, é o tipo de cara que, ou você sai correndo quando a bermuda for arriada, ou pode seguir em frente e depois pedir misericórdia enquanto estiver quase morrendo engasgada no caminho de um pronto socorro.

Não era brincadeira quando eu mendigava baixinho a Deus pra aquela toalha despencar da cintura de Bil, eu sabia que tinha algo muito aproveitável ali debaixo e ontem ele me provou que minha intuição é maravilhosa.

Eu sorrio abobalhada. Só de lembrar do que aconteceu, uma chama ardente começa a queimar meu corpo inteirinho.

Mas meu sorriso murcha assim que lembro que ele não voltou pra dormir comigo como havia prometido. Se bem que se ele voltasse eu não me responderia por mim, minha família querendo matar ele, Bil seria vítima de homicídio, mas eu estaria nas nuvens.

Ele pode ter se arrependido. 

Talvez aquele beijo tenha sido uma coisa só de momento, talvez uma carência momentânea pelo término recente com a Karol — se é que eles tinham começado alguma coisa pra se poder terminar.

Karol. Não tinha pensado nisso até agora. 

É inevitável não fazer uma careta de desgosto.

Ah, as consequências, a gente só a vê depois de fazer as merdas. Karol vai infernizar minha vida de uma forma que não tem nem como explicar. Não que eu tenha medo dela ou do gabinete do ódio, mas a situação na minha cabeça já é tão desgastante, humilhante e constrangedora que eu penso duas vezes antes de decidir se acordo ou não Bil pra fazer o raio X. 

Percebo que Gil o cutuca e eu saio rapidamente do quarto. Faço todas as minhas higienes matinais, Raio X e tomo café da manhã quase enfiando a bolacha goela abaixo com tanta pressa. Confesso que eu estou cagada em tá na cozinha onde a qualquer momento Bil pode aparecer. 

Como agiríamos na frente dos fiscais de relações alheias? E da Karol? E se ela abrir um barraco plena às nove horas da manhã? Mas será que Bil se arrependeu mesmo? Será que a Karol falou com ele ontem a noite? Ou o Projota fez minha caveira mais uma vez para o pessoal?

Eu consigo escutar o barulho do meu cérebro processando as milhares de dúvidas que me atormentam. Eu estou evitando Bil, não fugindo, deixo isso bem claro, são coisas diferentes. E sim, é uma decisão idiota, mas eu preciso ponderar os prós e os contras de uma relação que eu nem sei se vai pra frente ou não. 

Quando Bil vai pra academia, eu me enfio na jacuzzi pra tentar tirar a cabeça do estresse. Tá tudo silencioso. Todo mundo parece meio abatido essa manhã, dormindo pelos cantos da casa, a única que ainda tá revigorada é Sarah, ela dorme de cinco horas da manhã e se acorda às nove em folha parecendo que dormiu doze horas seguidas. Isso é o efeito da fofocagem no sangue. Vinte quatro horas com as anteninhas ligadas.

Eu amarro o cabelo em um coque, deito a cabeça no encosto da jacuzzi e com a mente ligada nas minhas ações daqui pra frente, o sono me atinge. 

A água se movimenta acima do meu peito e eu abro os olhos, sobressaltada. Meu coração despenca da caixa torácica.

— Você dorme de boca aberta — Bil afirma ao se sentar na outra extremidade da jacuzzi, de frente pra mim, há poucos centímetros dos meus pés. Encaro o corpo definido do homem à minha frente e me controlo pra não deixar o queixo pra não cair na água. Puta que pariu. De sunga não, Bil, aí me quebra. — Tirei até uma foto pro meus stories, tá ó, sensacional.

Semicerro os olhos.

— Tu num é doido de fazer um negócio desse, já basta ficar gravado essa minha cara pro pessoal de casa, tu ainda tira foto minha de boca aberta?

Ele dá de ombros imitando minha posição de antes, apoia a cabeça no encosto e fecha os olhos.

— Você fica bonita dormindo…  — Ele deixa escapar uma risada abafada, zombando. — Ainda mais com essa boca aberta aí.

Eu mordo o dedão do pé dele com força. Sem ter nenhuma reação imediata de surpresa, sem mesmo abrir os olhos ou parecer que tá fazendo um esforço muito grande, Bil simplesmente segura meu pé e o levanta, eu sou levada pra dentro d'água. Imediatamente ele o solta e eu submerjo procurando por ar.

— Você quer me afogar?! — Eu grunho tirando os cabelos molhados do rosto.

Bil abre apenas um olho.

— São quinze centímetros de água, não tem como se afogar.

Fito a água rasa. 

É, faz sentido. 

Mas não anula que eu tomei um belo de um caldo.

— Tu me aguarda, Bil, eu vou descascar o pau em tu…

— Já que você vai descascar o pau em mim, descasque também o porquê de você ter passado a manhã inteira me ignorando. 

Pigarreio.

— Eu não tô te ignorando — Minha voz oscila.

— Você não sabe mentir. 

— Eu tô… — Ergo o dedo indicador — Pensando no que aconteceu e no que pode acontecer com a gente aqui dentro… Você sabe, depois daquele amasso de ontem.

Ele abre os olhos e se desencosta da jacuzzi, sentando-se no meio. Nossos joelhos tocam-se levemente. 

— Você tá arrependida?

— Não, não, na verdade queria até mais… Aquilo de ontem não deu pra apagar o meu fogaréu não… — Eu digo, acelerada. — Eu achei que você tinha se arrependido, você disse que ia voltar lá pra cama e nem deu as caras… E também tem essa questão da Karol…

Ele me interrompe.

— Como é? — Pergunta, incrédulo — Eu te cutuquei por bem uns cinco minutos pra você me dar espaço na cama, o que eu ganhei foi um baita de um coice na perna.

Coloco a mão na boca, desacreditada.

— Mentira… — Solto baixinho.

— As câmeras estão aí de prova pra não dizer que eu tô mentindo.

— Meu Deus…

— É, meu Deus — Concorda com a cabeça — E que história é essa da Karol, ela falou alguma coisa pra você? 

— Até agora não, mas se ela descobrir o que aconteceu...

— Esquece a Karol, nós não temos mais nada e ela sabe disso, eu sei disso, todo mundo sabe disso, menos você — Ele diz sério — Você tá com medo dela? 

— E eu tenho medo lá dessa cobra venenosa — Retruco — Só que a gente precisa ter cuidado, isso pode acabar de vez com nosso jogo… Vocês ficaram, ela tem fãs lá fora, esse pessoal deve tá me odiando, odiando você e caso a gente continue… Eu… Bichinho, eu penso em nós dois, mas penso também na merda que isso vai se tornar aqui dentro e lá fora.

Bil leva três segundos pra processar minhas palavras.

— Você tá me dando um fora?

Eu nego com a cabeça.

— Só vamos esperar o resultado desse paredão e caso nenhum de nós dois passe por aquela porta hoje, a gente vê como fica.

Ele assente com a cabeça devagar.

— Eu acabei de levar um fora — Ele ri, descrente, esfregando o rosto com as mãos. 

— Eu não te dei fora nenhum, homem, pare de dizer isso — Repreendo-o — É só um tempo de um dia.

Bufa.

— Eu não sei qual o pior, um fora ou um tempo.

Eu tomo suas mãos pelas minhas e as acaricio com os polegares, em um pedido silencioso de desculpas. Ele desvencilha nossas mãos e prende meu queixo entre o polegar e o indicador, aproxima o rosto até nossos narizes se tocarem levemente, sem tirar uma única vez o olhar dos meus lábios.

Eu suspiro. 

Eu não consigo pensar desse jeito, Bil. 

Eu quero dizer alto pra se afastar, que estamos colocando tudo a perder, mas estou tão hipnotizada pela aproximação, pelo toque, pelo seus olhos sedentos de desejos, pela sua boca implorando pra encostar na minha, que eu fecho os olhos e me deixo levar. Inconscientemente minhas mãos alcançam sua nuca e eu me distraio brevemente em acariciá-lo com as unhas. 

— Posso fazer um último pedido? — Ele sussurra. 

Eu nego com a cabeça. 

— Você não precisa me pedir nada, Bil.

— Nem pra te beijar? 

— Nem pra me beijar — Sussurro tão baixinho que por um momento penso que ele não escuta, mas é só ver aquele sorriso que faz meu coração disparar pra saber que ele entendeu. 

Bil inclina o rosto e a mesma sensação de ontem volta com todas as forças quando seus lábios se juntam ao meu. Um formigamento gostoso percorre meu estômago e quando sua língua pede passagem, minha mente e meu corpo entram em curto circuito, eu vou ao inferno e volto. Eu sinto que sou uma bomba relógio prestes a explodir e a culpa vai ser somente do homem que está me beijando calmamente nesse momento. 

Tomada pelo desejo, aproveito a segurança de tê-lo apertando minha cintura e disparo meu corpo para cima do seu, colocando uma perna em cada lado do seu corpo, me acomodando melhor para beijá-lo. A água chacoalha a nossa volta, mas eu não importo. Infiltro os dedos entre os cabelos macios de Bil, apertando e puxando, fazendo com que nossos lábios se colem ainda mais. Nossas línguas se procuram com fome um do outro, explorando, saboreando os mínimos detalhes. 

As mãos dele descem da minha cintura e aperta minha bunda com força, impulsionando-me em direção ao seu membro, que venhamos e convenhamos, tá mais duro que as pedras do sertão. Em resposta, movo meu quadril lentamente sobre ele, acarretando um gemido baixinho e angustiante saindo de sua garganta. Eu tremo com o som. O atrito dos nossos sexos me faz sentir como se tivessem jogado gasolina no meu corpo e acendido um fósforo. Mordo seu lábio e repito o movimento com maestria.

Uma das mãos que estavam na minha bunda, volta para meu quadril e o aperta, incitando-me a ficar parada.

— Você não pode fazer isso comigo, Juliette — Ele murmura de olhos fechados — Eu sofro aqui, sabia?

Eu sorrio contra o beijo. 

— Desculpa. — Eu peço. 

— Eu só aceito suas desculpas quando você fizer isso de novo sem nenhuma roupa nos separando.

Eu engasgo com a respiração.

— Meu Deus… — Murmuro —  A imagem que veio na minha mente… Meu Deus, Bil… 

Bil entrelaça os dedos no meu cabelo e enfia o rosto no meu pescoço, beijando-o. Eu me entrego, gemendo baixinho. 

— É desse jeito que eu imagino você gemendo na minha cama… — Ele morde minha pele sensível — Você nua, entregue a mim... — Ele da outra mordida — Sem ninguém olhando... — Um beijo — Enquanto eu estou dentro de você...

— Você tá revirando minha cabeça, Bil — Respondo quase em delírio.

Ele deposita um beijo casto no meu pescoço, depois um na minha boca e então se afasta.

—  Bil, Bil, Bil... —  Eu cantarolo — Quando eu te pegar lá fora, tu vai ver visse, só saio de cima quando alguém me tirar a força.

Bil gargalha. A risada dele me contagia e em segundos, somos dois lesados rindo por uma besteira. 

— Nossa Senhora, que mulher selvagem.

— Tá bom, por mais que esteja tudo muito bom, muito legal, a gente pode acabar sendo pego por alguém — Eu digo observando os quatro cantos que nos rodeiam. Zero movimento.

Ele segura meus cabelos e me dá outro beijo, finalizando com um selinho terno.

— Eu quero você independente de jogo, aqui ou lá fora, eu quero ficar com você. — Ele confessa.

— Eu também te quero muito, bichinho. 

Eu saio de cima dele e me encosto na jacuzzi, afundando meu corpo na água pra ver se apaga minhas labaredas. Bil coloca as mãos por cima da virilha e tenta esconder o óbvio.

— Você tem que parar de ser tão bonito assim, me desconcentrar às vezes. — Eu digo de repente encarando-o minuciosamente.

Ele ri.

— Como se você fosse uma pessoa muito concentrada.

— Eu sou viu, muito. — Retruco.

— Eu vejo.

Bil arrasta o meu pé direito pra cima de seu peito e o massageia. Do nada, simplesmente do nada, Sarah surge e se senta em posição se índio no chão próximo a jacuzzi. Eu levo a mão ao peito.

— De onde você saiu, mulher? — Eu pergunto, assustada.

— Tava conversando com o João e Camila lá dentro — Ela responde, sincera — E vocês o que estão fazendo aí? 

Bil e eu trocamos olhares sugestivos. Ele ergue a sobrancelha e dá de ombros.

— Só conversando. 

— Sobre a noite de hoje — Complemento — Independente de quem sair vai ser muito doloroso viu, ave Maria, como eu queria que não fosse verdade.

Sarah suspira alto.

— Nem me fale, esse tá sendo um dos piores paredões.

Nós logo engatamos na conversa do jogo, mas meus sentidos não me deixam esquecer o toque de Bil no meu pé, ora massageando, ora acariciando.

Uma parcela muito pequena do meu consciente está começando a torcer pela saída de Gil essa noite. Eu não quero isso. Eu prefiro uma amizade do que um romance às escondidas, mas esse ser humano digno de um Oscar por ser tão gostoso está começando a mexer com todos os meus sentimentos, com minha cabeça, com minha vagina e tudo que pertencer a mim. 

É inevitável não pensar nisso. 

Eu sinto vontade de cair aos prantos.

Que merda de situação.

Porque eu tinha que me envolver com ele logo quando estamos juntos no paredão? Pelo amor de Deus, minha vontade é de mandar todo mundo ir pra casa do caralho.



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