História La Envers - Capítulo 1


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Categorias Miraculous: Tales of Ladybug & Cat Noir (Miraculous Ladybug)
Personagens Personagens Originais, Plagg, Tikki
Tags Miraculous, Plagg, Romance, Tikki, Universo Alternativo
Visualizações 49
Palavras 4.550
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Comédia, Esporte, Famí­lia, Fantasia, Ficção Adolescente, Literatura Feminina, Mistério, Policial, Romance e Novela, Survival, Universo Alternativo, Violência
Avisos: Heterossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Tortura, Violência
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, olá!!!
Bem vindos à primeira fic que escrevo para o Spirit, com todo carinho para vocês!
Tenho acompanhado algumas fics da categoria Miraculous, todas são di+ mas, em especial, eu queria mandar um salve para ~R31, que não apenas me inspirou a escrever "La Envers", como também me encorajou à seguir em frente e postá-la. Muito obrigada!!!

Espero que gotem!
Mas, antes... Algumas observações devem ser feitas:

>>> Equivalentes (dos personagens com o gênero trocado):

Marinette: Maicon Dupain-Cheng

Ladybug: Lordbug

Adrien: Adrya Agreste

Chat Noir: Chaton Noir

Nino: Nina

Alya: Alysson Césarie

Chloé: Claus Bourgeois

Sabrina: Sean

Félix: Felicity Agreste

Nathanaël: Nathanielle, apelido: Nathy.

Lila: Liam Rossi

Juleka: Jacke

Luka: Luna

><

>>> Outros Personagens (dos personagens sem o gênero trocado):

Mestre Fu;

Tikki (pertence ainda á Maicon);

Plagg (pertence ainda á Adrya);

Gabriel Agreste;

Emily Agreste;

Nathalie Saconeur;

Pais de Marinette (ou melhor, agora é de Maicon): Sabine Cheng e Tom Dupain;

Professores em geral;

Prefeito (ou presidente, nunca sei qual é o correto) de Paris;

Demais alunos;

Demais adultos aqui não citados;


><

Espero ter ajuda a terem uma melhor compreensão. Então, bora para o capítulo...

Capítulo 1 - Adrya Agreste


Fanfic / Fanfiction La Envers - Capítulo 1 - Adrya Agreste

Não é incrível como às vezes nossa cabeça fica totalmente em branco quando na verdade deveríamos estar pensando em coisas e questões importantes em nossas vidas?

Por exemplo, há um ano e dois meses, fui escolhida para ser portadora de um objeto místico mágico de mais de cinco mil anos chamado Miraculous. Além do meu Miraculous, que é representado pelo gato, existem outros 18 objetos e esses mesmos são representados por outros 18 animais que eu mal sei quais são, com exceção dos Miraculous tartaruga, portado pelo mestre Fu e o Miraculous joaninha portado por Lordbug.

Quando usamos nossos Miraculous, usamos joias - os meus é um par de brincos pretos com uma patinha verde os decorando, de Lordbug é um anel vermelho decorado por cinco pintinhas pretas - e os poderes que recebemos vem de criaturinhas fofas chamadas kwamis. Os kwamis são sugados para dentro das joias e nos transformamos em heróis, tão poderosos quanto os dos quadrinhos, só que NÓS somos reais. Cada portador recebe poderes conforme o animal de seu miraculous. Eu recebo de Plagg, meu kwami, os poderes de um gato e mais o poder de destruição e sou conhecida em Paris pela identidade de Chaton Noir. E ninguém, além de mim mesma, Plagg e de mestre Fu, sabe quem eu sou realmente por debaixo de minha máscara, nem mesmo Lordbug sabe e olhe que ele é meu amigo e parceiro nas lutas contra os vilões que aparecem quase que diariamente aqui, em Paris.

Mestre Fu é o guardião de todos os miraculous que não possuem portadores, e sendo um tanto velho de mais para sair combatendo vilões pela cidade, sobra sempre para mim e Lordbug deixarmos tudo o que fazemos em nossas vidas normais para nos transformar e ir à luta. Não que eu ache isso ruim, considerando a enorme liberdade que me transformar em Chaton Noir proporciona...

Vem então Lordbug, um cara que não levei muito a sério, devo admitir, quando pus meus olhos sobre ele pela primeira vez-não me culpe!-, pois quando isso aconteceu, ele caia de vários metros sem o menor controle, sabe se lá de onde, caindo diretamente sobre mim e foi somente com os poderes que Plagg me deu junto dos Miraculous que eu consegui aguentar e sobreviver ao impacto. Entretanto, depois de conhecê-lo melhor, de vê-lo lutando, devo dizer que fiquei impressionada, mais ainda com a tamanha confiança que ele demonstrava - se levar em conta que ele vestia uma roupa de combate vermelho com pintas pretas, como uma joaninha, com apenas os coturnos, luvas e máscara inteiramente pretas, ele me pareceu estranha e incrivelmente másculo, sensual e ousado. Acho que foi a primeira vez que me apaixonei por alguém que mal conhecia e venho arrastando essa paixonite desde então- sim um ano depois e tudo o que consegui foi tornar-me amiga do mascarado vermelho… E é por isso que já vou avisando que tenho a incrível capacidade de falar sobre ele por horas a fio… ah, e eu descobri recentemente que o… ou melhor, A kwami de Lordbug é chamada de Tikki…

E… Ah! Estou divagando aqui, excusez-moi

Fora isso, havia ainda outras questões a serem resolvidas em minha vida, como uma guerra que parece que nunca chega- mas que já sabemos que teremos de encarar- contra um sujeito chamado Hawk Moth - o infeliz que corrompeu seu poder como portador de um dos Miraculous borboleta e vive enviando seus vilões para bagunçar Paris-, esperar que os últimos três Miraculous desaparecidos sejam encontrados- sim, dos 19 Miraculous existentes, quatro tem portadores reconhecidos e outros três estão desaparecidos mundão a fora-, descobrir quem é o sujeito por trás da máscara de Lordbug, fazer os deveres do colégio, estudar para as difíceis provas do segundo ano do ensino médio, fazer ensaios fotográficos e entrevistas para as revistas teen de Paris e de outros lugares do mundo; aguentar Nathalie, a assistente do meu pai, e “Gorila”, o motorista -e nas entrelinhas, meu segurança não tão particular- da família tentarem controlar e cuidar de cada segundo da minha vida, isso enquanto meu pai vive trancado em seu escritório trabalhando nas duas coisas que ele faz de melhor: designer de roupas e me ignorar.

Desde que minha mãe desapareceu, meu pai mudou, e piorou depois da confirmação da morte dela.

Desde então, meu pai se confinou no escritório e Felicity, minha irmã mais velha, passou a ficar permanentemente na Inglaterra, mesmo depois de se formar na universidade e eu até a entendo, juro que entendo, mas não consigo deixar de pensar que ela foi egoísta, pois a sensação que ficou em mim foi que ela abandonou ao papai e à mim.

É por isso que eu amo a escola e amo ser Chaton Noir. São os únicos dois momentos que me sinto realmente feliz, primeiro por meus amigos na escola e depois por Lordbug nas batalhas…

Mas agora, não conseguia nem mesmo pensar a respeito de todas estas pendências em minha vida, tão pouco conseguia imaginar soluções para elas. A grande ironia era que minha vida parecia a mim exatamente como a prova que eu tento responder neste exato momento: por mais que eu tente, só consigo dar soluções evasivas para duas ou três questões mais fáceis, mas havia outras doze questões mais complexas em branco me encarando.

Eu deveria estar respondendo a uma prova de literatura inglesa, referente à Câmelote, mas em que vai me adiantar saber quantos foram os Cavaleiros da Távola Redonda?

De qualquer maneira, com ou sem todos esses problemas, eu não ia conseguir responder essas perguntas, por causa de uma semana cheia de ensaios fotográficos e lutas contra akumatizados- que são os tais vilões que eu citei mais acima-, não tive exatamente tempo para estudar sobre o tema, então, depois de quase quarenta minutos de prova, uma folha praticamente em branco na minha frente foi tudo o que consegui enquanto eu mordia metade da tampa da caneta que eu segurava e encarava o quadro negro sem ver ou pensar em nada realmente.

De um jeito estranho, eu também nem me preocupei com a nota, já que ela é tão pequena que seria fácil recuperar ou também nem fará falta em minha nota final… e sei que sou uma excelente aluna, portanto seria muito fácil contornar minha situação e meu pai nem chegaria, a saber…

-Alysson - de repente ouvi uma voz masculina sussurrar, e eu sabia a quem essa voz pertencia: à Maicon, o cara que se senta logo atrás de mim -, eu não estudei para essa prova! Eu não sei quase nada!

-Respira fundo, cara, você consegue… - Respondeu a voz de Alysson, o melhor amigo de Maicon, ambos dividiam a mesa bem às minhas costas, e ele, o Alysson, se senta bem atrás de Nina, a garota que se senta bem ao meu lado, dividindo a mesma mesa e que se tornou minha melhor amiga.

-Meu Deus, eu estou ferrado! -Exclamou Maicon num sussurro desesperado. Pelo tom de voz, pareceu-me que Maicon estava quase arrancando os próprios cabelos. Maicon Dupain-Cheng é o garoto que, apesar de eu nunca ter certeza se é recíproco, sempre o considerei um grande amigo, ele tem cabelos azulados escuros, olhos azuis incríveis, é uns dez centímetros mais alto que a maioria dos rapazes do nosso colégio, mas é magro e bem encorpado (nas aulas de educação física é difícil olhar para ele e não lembrar-me de Lordbug), e além do físico, ele é inteligente, engraçado, leal aos amigos e seus próprios ideais, e é até bonito. Apesar de ele só gaguejar quando fala comigo- o que me faz pensar que ele não gosta de mim-, acho ele muito charmoso. Se não fosse por Lordbug, acho que seria dele que eu iria gostar mais…

-Cara, respire fundo e se acalme - escuto Alysson murmurar. Pelo canto do olho, vejo Nina se controlando para não desviar os olhos de sua própria prova, eu sabia que ela estava louca para olhar para trás ver o que se passava. Acho que ela gosta ou de Maicon ou de Alysson, mas ela se recusa a me dizer por qual dos dois ela é apaixonada.

-Eu simplesmente não consigo!- Maicon realmente pareceu desesperado. Apesar de entender sua preocupação, eu sabia que ele é tão bom aluno quanto eu. Mordi a caneta e reprimi um sorriso, fazendo uma nota mental de sugerir à Maicon que nos encontrássemos depois das aulas para estudar essa literatura e mais tarde refazermos a prova para recuperar a nota perdida. Com apenas 16 anos, falo mais idiomas que qualquer um dos meus colegas de classe, assim, como estudo três idiomas diferentes além do meu idioma natal- ou seja, o francês-, tenho de estudar muita interpretação de textos o que me torna a parceira ideal em matéria de literatura… Além disso, eu meio que adoraria não ter de precisar ir direto para casa. Raramente terei compromissos nas próximas semanas, pois estamos numa época meio parada da moda. Ficar sozinha na minha casa agora seria a coisa mais deprimente para mim no momento… Infelizmente, quando o azulado acabara de pronunciar estas últimas palavras, ele não fora discreto o bastante.

-Algum problema, senhor Dupain-Cheng? -Perguntou a professora, que caminhava pela sala naquele exato momento. Olhei para trás, aproveitando a brecha e vi a professora parada bem ao meu lado, encarando Maicon que, por sua vez, olhava para a professora com os olhos arregalados de pavor e sua face estava muito pálida.

-Não! Q- quero dizer… e- eu… - gaguejou Maicon, todos na sala ergueram o olhar para ver a cena e eu me senti mal por ele. A professora olhou seriamente para a prova dele, pegando a folha sem nem lhe perguntar se ele havia terminado, e antes que eu me desse conta, era a mim a quem ela encarava, séria também e quando vi, a professora pegou a minha prova também!

Como se eu tivesse a moral de protestar…

-Senhorita Agreste, senhor Dupain-Cheng, por acaso estão cientes de que faltam cinco minutos para o final da prova? - Maicon e eu, sem querer, trocamos um olhar carregado de surpresa e apreensão, a professora olhava da minha prova para a de Maicon como se comparasse nossas respostas- se tivesse alguma…

-Sim. -Maicon e eu respondemos quase que ao mesmo tempo, num murmúrio envergonhado. Uma coisa era entregar uma prova quase em branco e ser questionado discretamente depois da aula, outra bem diferente era ser repreendido de forma tão humilhante ainda no meio de uma prova diante de todo mundo!

-Então também estão cientes de que, considerando pouco tempo restante de aula e suas respostas escassas, as provas de ambos estão desconsideradas?

Eu pensava que aparecer de biquíni numa revista foi a coisa mais constrangedora pela qual eu já passei… Agora vejo que eu não poderia estar mais enganada…

-Sim... - Digo num sussurro, em seguida meu amigo respondeu o mesmo. Eu não sabia dele, mas naquele momento senti como seu meu rosto estivesse em chamas.

-Pois bem, quero falar com vocês dois logo após a última aula de hoje.

-Tudo bem… - Digo, respirando fundo e vejo que Maicon se limitou a balançar a cabeça em concordância, envergonhado demais para falar algo. Assim, professora levou consigo tanto a minha quanto a prova de Maicon para sua mesa. Meus olhos e os dele se encontram e pude ver nas feições dele os mesmos sentimentos de constrangimentos que eu mesma sentia. De repente ele dá de ombros e dá um sorriso mínimo, como quem diz “Fazer o quê?”. Retribuí o sorriso, compreendendo isso e me volto para frente novamente.

Alguns alunos dão risadas discretas, mas ninguém falou nada, pois todos os demais estavam ocupados demais correndo contra o tempo para terminarem suas devidas provas. Suspirando, apoio os cotovelos na mesa, deixando minha caneta de lado e, apoio o rosto nas mãos, com a vergonha indo e vindo em ondas no meu peito. E depois de alguns momentos que se estendeu por uma eternidade, finalmente professora se levantou de sua mesa anunciando em voz alta:

-Muito bem alunos, abaixem as canetas, o tempo acabou.

No segundo seguinte o silêncio dos alunos deu lugar ao som de canetas batendo no tampo das mesas ao serem pousadas sobre as mesas.

-Está tudo bem, Adrya? –Nina se virou para mim assim que entregou sua prova para a professora.

-Está sim, Nina, por quê? –Pego minha bolsa e dentro dela, guardo minha caneta, o único material que usei até em então; não somente porque em alguns segundos bateria o sinal para o intervalo, mas também porque eu queria dar uma espiada em Plagg e saber se eu não iria precisar comprar mais camembert – o queijo mais fedido da França, mas que por alguma razão é o favorito do pequeno gatinho. Vi que o pote onde o queijo estava agora se encontrava vazio. Arqueio uma sobrancelha para o pequeno e o comilão se limitou a sorrir de forma malandra e a acenar de dentro da bolsa, com a barriguinha estufada e tentando segurar um arroto. Mas que comilão safado! Bom, pelo menos ele parecia satisfeito e confortável; talvez isso evite a fome dele mais tarde...

-Bom, você não costuma parecer tão aérea, principalmente em uma prova. –Nina diz, cruzando os braços e franzindo o cenho. –Aconteceu alguma coisa?

-Não, nada. –Digo, rapidamente fecho a bolsa. -Eu só não estudei para essa prova, só isso.

-Ah é mesmo? –Vi um sorrisinho malicioso se abrir no rosto de minha amiga. –Andou ocupada com o quê? Sonhando com algum gatinho por aí?

Revirei os olhos. Não, não era um gato que vinha tirando minha concentração, mas sim um... Hã, qual é o masculino de joaninha? “Joaninho”? Seria esse o termo correto? Vou experimentar chamar Lordbug de joaninho e ver o que acontece...

-Nada haver, Nina –respondo -, eu estava tendo vários ensaios fotográficos para umas revistas de Londres e de Nova York, nada além.

-Hum, sei... –Diz-me ela ajeitando o fone de ouvido no pescoço. Não sei como ela consegue usar esse treco todo dia, o dia inteiro. Quando uso os meus em casa, meu pescoço começa há doer um pouco mais de uma hora. –De qualquer forma, espero que você não tenha problemas em recuperar essa nota, não quero que você seja proibida de vir para o colégio de novo por seu pai.

Quando Nina diz isso, a primeira coisa que penso é que é uma ironia a minha vida, pois quase todos que eu conheço adorariam ser proibidos de tal coisa por uma ou duas semanas por seus próprios pais, e depois, sinto toda a minha confiança se escorrer por goela abaixo, pois agora, depois de ser repreendida daquela forma, a ideia de meu pai ser avisado me deixou em pânico absoluto.

-Ah, meu Deus! –Minhas mãos voaram para meu cabelo. Não arranquei nenhum fio, mas poderia ter chegado perto. –Nina, e se ligarem para minha casa e avisarem que eu mal respondi esse teste?! -Meu pai já me proibiu de vir à escola por muito menos!

-Ah, isso é um problema... –Nina murmurou.

Ao nosso redor, a barulheira de conversas paralelas se elevou enquanto todos guardavam seus materiais e a professora organizava as provas com a testa cheia de marcas de expressões.

-Está tudo bem, meninas? –Ouvi a voz de Maicon atrás de mim, me virei, assim como Nina e vimos o próprio junto de Alysson nos olhando.

-Na verdade... –Nina hesita, voltando seu olhar para mim. Olhei de Maicon para Alysson, para então meu olhar voltar para Maicon quando respondi.

-Na verdade, achamos que não. É obvio que eu não fui bem, nem um pouco bem nessa prova, mas se meu pai ficar sabendo, esta pode ser a última que farei ainda matriculada aqui!

Maicon e Alysson trocam um olhar preocupado e, naquele mesmo momento, o sinal para o intervalo toca, mas de nós quatro, ninguém se me mexeu para sair da sala.

-Bom, e- eu sei b- bem que eles não vão l- ligar para sua causa po- por causa de uma prova que mal chega á um ponto completo, A- Adrya. –Diz Maicon, apoiando o queixo na mão esquerda e inclinado para frente. –Você é uma excelente aluna e, e... E- eu sei que você recuperaria fácil essa nota.

-Você acha isso mesmo?

-Si- sim, claro... –Ele ri nervoso.

-Como você sabe? –Perguntou Nina, curiosa.

-Bem,- n- não sei se vocês recordam, mas ano passado o que não faltou aos professores foram razões para chamarem meus pais aqui... –Respondeu o azulado.

Alysson deu uma gargalhada.

-É mesmo! –Disse o amigo de Maicon. –É uma surpresa você não ter reprovado, Sr. Dupain-Cheng, o cara que chegava atrasado, dormia em sala, participava das atividades em sala meio disperso...

-Ok, ok, mas a questão é que eu sempre fui um ótimo aluno e minhas notas sempre foram tão boas quanto, se lembra disso também cara?

Não consegui evitar uma risada, pois aquilo quebrou definitivamente a tensão no ar e eu pude ver naquele momento como Maicon era charmoso á sua maneira.

-Enfim – diz Alysson, retomando o assunto. –Mesmo que Adrya não fosse tão boa aluna e não fosse tão inteligente, nós a ajudaríamos a sair dessa de qualquer jeito.

-Com certeza sim – sorrindo, Nina coloca uma mão sobre meu ombro. –Tudo para mantermos a Agreste aqui conosco! Assim, esse colégio terá de suportar nós, o quarteto fantástico até o fim de mais um ano! -Eu e os meninos caímos na risada. E ela me solta e fingindo-se de desentendida diz: - Estão rindo por quê? Eu estou falando sério!

-Além disso, todos não já fomos chamados para conversar depois das aulas com algum professor por razoes diferente –diz Alysson, cruzando os braços sobre a mesa e se inclinando um pouco mais o tronco para frente -, no entanto isso não significa que somos alunos ruins, mas apenas tem horas que algo nos tira do sério ou tomam nossa concentração, somente isso.

-É verdade –responde Nina–, e Maicon tem razão, Adry, você é uma excelente aluna, acho que a mais dedicada de todos nós, se pararmos para pensar, então não há razão para se preocupar.

Por um segundo, pensei no que eles haviam dito e se eu parasse para analisar, eles estavam certos, afinal essa foi a primeira vez que isso me aconteceu, sem mencionar que, se Maicon estava no mesmo barco que eu, e estava tão seguro de que isso tudo não daria em nada grandioso demais, preferi acreditar nele. Olhei para ele, respirei fundo e sorri, por fim.

-Se vocês estão dizendo... Tudo bem. Então vamos comer algo. Não sei vocês, mas eu estou faminta... –Sem querer, acabei dizendo a última frase sem pensar e soei mais como Plagg que comigo mesma. Sorri ao perceber isso, os outros três acompanharam meu sorriso, juntos nos levantamos e deixamos a sala já totalmente vazia.

Ao sairmos da sala, vou caminhando ao lado de Nina, ela falava algo sobre um novo DJ que ela vinha acompanhando enquanto os dois garotos vão conversando logo atrás de nós, Alysson vinha enchendo a paciência de Maicon com algo relativo à Lordbug e Chaton Noir estarem supostamente juntos em segredo.

O que não é segredo é o fato de Alysson ser o fã número um da dupla de heróis mascarados de Paris, mas chega a ser engraçado o fato de que a própria Chaton Noir estava ouvindo disfarçadamente sem que mais ninguém soubesse, sobre um assunto que me interessa sim. É verdade que entre mim e Lordbug o que existe são brincadeiras e provocações de todos os tipos, mas eu duvido que Lordbug desconfie do meu interesse amoroso nele, e tão pouco acho que ele sinta algo por mim, apesar da minha esperança e que um dia isso mude. A questão é que, por mim, já estaríamos completando um ano de namoro, mas como a realidade é um tanto dura, não posso ficar me atirando sobre o mascarado do mesmo jeito que certos rapazes se jogam sobre mim normalmente (espirro forçado- tipo Claus, outro espirro fingido- ou Liam, fungo de mentira...) e mais, tenho muito medo de me declarar e estragar nossa amizade, que só ficou mais sólida há tão pouco tempo...

Ouvi Maicon dizer que isso é mentira, mas ao menos ele acrescentou que Chaton é incrível demais para ser solteira e que deve ser por isso que Lordbug não se atreve a questioná-la a respeito... Será mesmo, meu caro Maicon?

Tudo bem, isso era algo em que eu podia pensar mais tarde, mas agora havia outras questões que eu deveria resolver e pedi delicadamente para Nina que terminasse de me contar a respeito do tal novo DJ mais tarde, ainda no meio do caminho até o refeitório e parei de andar.

-Tudo bem, mas... Adrya, o que foi? –Questionou minha amiga, mas antes que eu respondesse-a, volto-me para os rapazes que pararam também.

-Hum, Maicon, se importa de conversarmos em particular?

A reação de Maicon foi a mesma que se eu tivesse dado um choque, não feito uma pergunta á ele, pois o azulado empalideceu e começou a tentar se esquivar.

-E- eu? P- por quê? Do- do que você precisa? Tem m- mesmo de ser eu?

Não consegui evitar uma careta de confusão e olho para Alysson pedindo em silencio uma ajudinha ou uma explicação para a reação de Maicon, mas Aly se limita a um dar de ombros.

-Sim, você, por causa dessa prova. Querendo ou não precisamos pensar numa maneira de resolver esse assunto e recuperarmos essa nota. –Respondi ao azulado, pensando em acrescentar que talvez ele precisasse dessa nota tanto quanto eu, não sei... mas achei melhor ficar quieta quanto a isso.

-Ah, sendo assim, é melhor deixar que vocês conversem a sós mesmo... – Alysson diz e começa a puxar Nina com delicadeza em direção ao refeitório. No entanto Nina fica tão corada quando a mão de Alysson segurou a dela que a garota até travou, literalmente. –Vamos Nina – insiste o melhor amigo de Maicon e com isso, minha melhor amiga resolvera mexer os pés.

Logo, Maicon e eu ficamos a sós a no corredor, ele respira fundo.

-Então... –Diz ele, puxando assunto. Olhei para seu rosto enrubescido, como se mal esperasse para fugir de mim. Recordo-me que quando o conheci, no ano passado, eu não sabia como agir, não sabia do que ser amiga de Claus (o filho de prefeito, antes um querido e velho amigo de infância, mas que agora é um interesseiro cretino) representava, era a primeira vez que eu pisava num colégio e por isso, acabei num mal entendido que fez Maicon me odiar logo de cara, e somente no dia seguinte, debaixo de chuva consegui me explicar e pedir desculpas, até dei meu guarda chuva a ele como um sinal de que eu falava sério. Pensei que ele havia me perdoado, mas ele nunca reage a mim como aos outros. Quero que ele me trate normalmente como ele faz com todos, mas por alguma razão eu não consigo isso. Será que ele ainda me odeia?

-Maicon, você tem alguma contra mim? –Pergunto, sem conseguir me conter e ele me olhou surpreso.

-Não... Não, p- por quê?

-Bem... –Hesitei. –Você parece que leva um choque todas as vezes que tento falar com você. Você se esquiva toda hora, sabe? Então isso me fez pensar que, mesmo depois de um ano inteiro, você ainda se ressente comigo, por causa daquele mal entendido do dia que nos conhecemos.

-Ah é? Não! Não, eu não me ressinto por isso, A- Adrya, e- eu... eu só... –ele suspira –não conte para ninguém que eu t- te d- disse is –isso, mas... ás vezes eu não acredito n- na sorte de ter ami- da você...

-Desculpe – sorri de leve, no fundo achando uma graça a confusão dele-, mas eu não entendi o fim da frase. –Maicon enrubesceu de novo, mas pelo menos ele riu desta vez.

-Às vezes, e- eu não acredito na sorte que tenho de ter você como a- amiga, só isso. –Diz-me ele, com mais clareza.

Achei estranho que, mesmo tendo plena consciência dos meus sentimentos por Lordbug, quando Maicon diz isso, sinto uma pontada de decepção invés de alívio que eu esperava. Será que é só a isso que eu me resumo para os caras que eu mais gosto ou me importo? “Boa colega, boa heroína, boa modelo, boa amiga, péssima piadista”, mas só?

Devo não ter feito a expressão que Maicon esperava, pois ele franziu o rosto e perguntou:

-Adrya? Está tudo bem? E- eu disse alguma coisa errada?

Naquele exato momento, usei tudo o que eu sabia de técnicas de mascarar expressões, sorrir quando na verdade eu queria chorar tanto como modelo teen quanto como Chaton Noir, então foquei minhas energias em agradecer por ter Maicon como amigo, não seria pior se ele de fato me odiasse? Pelo menos já passei do patamar de “apenas uma colega de sala” para “tenho sorte de tê-la como amiga”. Já é alguma coisa.

-Está- sorri. –Já é um alívio saber que você não me odeia...

-Por que eu iria odiar você? –Diz ele, erguendo uma sobrancelha, e desta vez, notei, ele não gaguejou. – Você é a garota mais incrível que eu já conheci.

Foi a minha vez de arquear uma sobrancelha. Sou incrível, mas continuo sendo “só uma amiga” para o cara por quem eu me derreto, certo?

-Mais incrível que Chaton Noir? –Questiono sem pensar, mas afinal o que isso tem haver?! Não é de Chaton que Lordbug gosta! E no segundo seguinte eu desejei morder minha própria língua, por dar tamanha insegurança á frase e, para ajudar, vejo Maicon passar a mão pelo pescoço, enquanto uma leve coloração vermelha tingia sua face.

-Isso é ciúme por acaso Adrya? –Maicon sorriu, não com malicia, mas com curiosidade evidente. –Chaton é uma heroína, é claro que ela é incrível, mas de uma maneira diferente da sua.

Se fosse outra garota, talvez a comparação não fosse bem recebida, mas como a heroína Chaton Noir, a gata ousada, destemida e corajosa e eu, Adrya Agreste, a modelo teen, fofinha, alegre, confiante, mas mais contida, uma inteligente e boa amiga são o dois lado de uma mesma pessoa, ou seja, eu mesma aqui fiquei tentada a dizer “Obrigada”, feliz por saber que há pelo menos uma pessoa que, mesmo sem saber, gosta dos meus dois lados.

-Não é ciúme, mas sabe, sou uma grande fã dela e de Lordbug. Então, para mim, é legal saber posso ser tão interessante quanto ela.

-Ah sim... –diz ele, que em seguida olhando para um ponto qualquer que não fosse meu rosto, ele murmurou algo que foi muito difícil fingir que não ouvi: - Meu Deus, que páreo duro há entre essas duas...

O que ele quis dizer com isso?

-O que você disse Maicon?

-Hã? Não, nada... –Ele riu. Deve ter dado um lapso de fome nele, pois assim que ele diz isso, escuto um ronco de fome vindo de dentro dele. De repente ele passa o braço por trás dos meus ombros, com calma, acho que era porque ele não queria me assustar e me conduziu em direção ao refeitório. Fiquei surpresa, mas num bom sentido. –Por que não conversamos mais enquanto comemos algo? Estou faminto...

-Claro – dei risada, mais uma vez, algo que Plagg diria; o que me lembra de ter de comprar algo com aquele queijo fedorento que meu kwami tanto gosta.

Antes de atravessarmos as portas duplas que dariam para o refeitório, Maicon me soltou, deu um passo adiantado e abriu as portas, dando passagem para que eu fosse à frente primeiro.

Por alguma razão, essa atitude lembrou-me em cheio de Lordbug e eu não poderia sorrir mais. Eu estava tocada pelo gesto e no fundo, a vozinha da minha consciência suspirou dizendo: “O cavalheirismo ainda vive”.


Notas Finais


Espero que tenham gostado!!!
Até o próximo capítulo!!!


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