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História La Follia - Capítulo 1


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Notas do Autor


Boa leitura~

Capítulo 1 - Il valzer della maschera della follia


Fanfic / Fanfiction La Follia - Capítulo 1 - Il valzer della maschera della follia

Por mais uma vez Feliciano Vargas viu-se andando apressadamente pelas ruas venezianas, lotadas por pessoas vestidas com fantasias espalhafatosas. Desde menino, o jovem de cabelos castanhos encantava-se com toda aquela cor e calor humano e com o mistério que as máscaras carnavalescas possuíam. Em seu rosto residia um sorriso aberto, jubiloso, enquanto seus olhos caramelados brilhavam com tamanha beleza. Não era o seu primeiro carnaval, muito menos seria o último, mas a sensação de estar em um mundo de fantasias jamais abandonava seu peito. O sol já estava poente e sua pele já suava por debaixo da roupa extravagante. A máscara de bico longo estava a um ponto de ser retirada, para que ele pudesse sentir o frescor do vento daquele fim de tarde.

Feliciano nunca gostou de ambientes simplórios ou muito vazios. Tudo tinha que ser brilhante, escandaloso, vivo — assim como sua alma o era. As pessoas iam e vinham, acompanhadas ou perambulando solitárias. Algumas máscaras cobriam somente a região dos olhos, outras ocultavam toda a face, tornando impossível que se soubesse as expressões que faziam. Aqui e ali havia foliões com garrafas de vinho e cambaleantes, deixando visível o estado de embriaguez — para a sorte do jovem italiano, sua resistência ao álcool era grande, o que lhe permitia aproveitar mais a enorme festa no coração de Veneza.

Mesmo não procurando ninguém em especifico — o irmão mais velho recusou-se a farrear junto a si e Feliciano não possuía outra pessoa para convidar —, passeou os olhos claros por entre as pessoas que ali estavam com suas roupas grandes e bufantes, chapéus extravagantes e movimentos frequentes de dança. Todos estavam tão alegres, flertando e se divertindo, ou cometendo pequenos roubos. Hora ou outra as pessoas esbarravam em Feliciano, passando sem nem ao menos pedir por desculpas. Contudo, um deles agiu diferente.

O baque foi contra seu ombro, quase fazendo-o cair devido a força do impacto; não era como se a pessoa estivesse com pressa, havia sido apenas pelo italiano ter uma estatura baixa. Sentindo a mão passar por debaixo de seu braço e os dedos rodearem em seu membro, Feliciano deu pouca atenção ao desconforto que sentia, vindo a erguer os orbes para poder mirar a pessoa. As roupas eram de tecido negro, que cobriam-lhe totalmente o corpo, ao redor de seu pescoço havia um lenço branco — impecável como as luvas que calçavam suas mãos — e em sua cabeça estava um grande chapéu, preto e de bordado dourado. O rosto era coberto por uma máscara branca, que ia até a região do nariz, impossibilitando que Feliciano visualizasse a feição do homem.

Contudo, mesmo que não visse a face do desconhecido, os olhos caramelados arregalaram-se diante a imensidão azulada. Os globos oculares do homem de preto eram intensos, brilhantes. Duas joias encantadoras. Feliciano viu-se hipnotizado, sentindo como se seu peito pulsasse de uma maneira estranha e um buraco fosse aberto em seu estômago, ficando com todos os sentimentos embaralhados quando um suave repuxar surgiu nas comissuras labiais do estranho, como se achasse graça de algo.

— Desculpe-me. — Falou o homem, em um tom um pouco elevado, para que assim pudesse ser escutado. — Não era minha intenção. Machucou-se? — de acordo com que as palavras iam sendo proferidas, foi-se possível notar o sotaque presente. Era forte, profundo.

Demorou um pouco para que sua mente parasse de divagar e prestasse atenção naquele em sua companhia. A mão ainda encontrava-se ao redor de seu braço. O sorriso retornou aos lábios do italiano.

— Não, estou bem — falou de acordo com que ajeitava a postura, notando que o toque entre eles desapareceu quando o homem estrangeiro afastou a mão. Encolhendo suavemente os ombros, franziu as sobrancelhas finas. — Foi apenas um leve esbarrão, eu que estava distraído com a celebração.

O desconhecido entreabriu os lábios, o que indicava que estava prestas a tomar a culpa para si, contudo Feliciano interrompeu-o antes mesmo que isso fosse possível.

— Perdoe-me se estiver sendo indelicado, mas — iniciou o italiano, vez por outra movendo-se de um lado para o outro, evitando se esbarrassem contra seu corpo novamente. — Você não é daqui, certo? Pelo seu sotaque, creio que é de fora.

No decorrer de dois segundos o homem manteve-se em silêncio — pela máscara, o jovem de cabelos castanhos não soube se era por ele estar analisando sua fala ou tentando compreender o que dissera. Não tardando, as boca do estrangeiro abriu-se.

— Alemanha — respondeu rapidamente. — Sou Ludwig. — E estendeu a mão enluvada em direção ao italiano, para que se cumprimentassem.

Seu coração estava acelerado e sua mão tremeu quando a ergueu para apertar a do alemão, informando seu nome. O que estava acontecendo? Pouco havia conhecido aquele homem e já estava tendo este tipo de reação? Apaixonava-se fácil, mas não em um período de tempo tão curto assim. Aquela era uma das maiores festanças do mundo, conhecida por todos, então ele não poderia deixar-se levar pelos encantos que aqueles olhos cerúleos trouxeram das terras germânicas. Acabar com o coração partido era tudo que ele menos queria naquele dia.

Quando escutou a voz de Ludwig chamando-o, convidando-o para perambular por aí, o cérebro do veneziano sequer raciocinou se deveria aceitar ou criar uma desculpa, para poder ir embora. Mais uma vez esticando as comissuras labiais em um doce e amigável sorriso, Feliciano aceitou, passando a acompanhá-los pelas ruas italianas. O homem estrangeiro dizia não gostar de aglomerações, preferindo assim um ambiente vazio e tranquilo, para que pudesse cuidar de seu trabalho e organizar os pensamentos. Contudo, mesmo preferindo o isolamento, afirmou que abriu uma exceção ao estar de passagem na Itália.

Enquanto as palavras adentravam seus ouvidos, fazendo seus tímpanos tremerem e seu cérebro entrar em êxtase, o moreno percebia que aquele homem possuía uma aura diferente das demais pessoas que ali se encontravam. Era fechada, misteriosa, mas ainda assim seduzente. Era semelhante às esculturas presentes em museus ou em monumentos históricos, que carregavam essa psique antes mesmo de tomarem forma.

Sem que percebesse, afastaram-se da multidão, caminhando em passos calmos. Mesmo com grande vontade, Feliciano não chegou a olhar para trás, por estar com todo o seu foco voltado ao alemão. Ludwig não era uma pessoa tagarela, pronunciando-se somente quando algo era perguntado ou informado para si. Isso não incomodava ao Vargas, que carregava dentro do peito o sentimento de calmaria, mas ao mesmo tempo também carregava uma sensação de duvida. Ele deveria estar mesmo acompanhando o alemão pelas ruas estreitas de Veneza, naquela tarde poente? Suas sensações pareciam banhadas em loucura, causando estranheza ao italiano, que, toda vez que desejava questioná-las, era forçado a tomar outra atitude.

Caminharam sobre a pequena ponte que dava passagem para o outro lado do canal, andando por uma ruazinha. Passeando os olhos, avistou que algumas pessoas de grandes fantasias andavam por ali, provavelmente fazendo o caminho para casa. Todo o ambiente estava silencioso, mas por algumas vezes risadas soavam, vindo de diversas direções. As pessoas abandonavam o carnaval, contudo ainda continuavam a se divertir. Mais uma vez olhando para o alemão de roupas negras, perguntou-se se ele sabia para onde estava guiando-o ou se apenas estava a dar voltas para continuar em sua companhia, sem ter total certeza de onde iriam parar. Contudo, sua duvida desapareceu rapidamente quando avistou novamente as águas do canal, que passava por de trás dos prédios residenciais.

— Eu acho fascinante como essas águas conseguem ser cristalinas, mesmo no tempo em que vivemos agora. — Comentou o alemão que mirava a água em movimento. — Bonito, não é?

— Sim, de fato. — Respondeu Feliciano, encarando o homem de máscara branca, em busca da chance de analisar sua feição e poder mirar com mais clareza os olhos azuis.

Por estar encarando-o, pôde reparar em como os lábios finos de Ludwig apertaram-se, como se ele estivesse tenso ou preocupado com algo. O italiano apertou suavemente os olhos, vindo a arregalá-los levemente quando arqueou as sobrancelhas, no momento em que sua companhia fitou-o.

— Perdão se isso que direi soar estranho — comentou enquanto chegava mais perto do italiano. — Mas, eu estive observando-o, e foi isso que ocasionou nosso desastroso encontro. Durante esse momento, eu estive desejando algo — Ludwig disse, mantendo a voz tenra.

— O que desejava? — questionou Feliciano com curiosidade, igualmente aproximando-se do homem desconhecido.

— Conhecer a pessoa que encontra-se debaixo desta máscara carnavalesca. — Sussurrou o alemão, fazendo um movimento automático e tocando a bochecha de Feliciano.

O coração do veneziano palpitou forte quando sentiu a fita que rodeava sua cabeça e segurava sua máscara ser puxada, tendo o nó desfeito. As mãos do italiano foram em direção ao acessório presente em sua face, segurando-o para que não caísse, retirando-o totalmente. Um brilho nasceu nos olhos azuis do alemão, que igualmente guiou a mão ao rosto e retirou a máscara que cobria-a até o nariz. Os lábios de Feliciano abriram-se diante a imagem que os olhos caramelados vislumbraram. Não só a aura daquele homem, mas também seus traços pareciam como das esculturas antigas, esculpida pelo mais perfeccionista dos artistas. Em um ato involuntário, o moreno soltou a máscara e levou as palmas à face de Ludwig, admirando como a luz do sol poente iluminava a expressão séria.

Segurando o rosto pálido com ambas as mãos, reparou em como Ludwig inclinava-se em sua direção, aproximando-se cada vez mais de si. Seu corpo começou a suar mais e sua mente começou a ficar enevoada, seus olhos cerrando-se gradativamente. Um amor folião não era o mais recomendado, seu coração acabaria despedaçado — isso era o que Feliciano dizia para si mesmo durante todos os anos, ao participar do carnaval. Contudo, daquela vez, seu coração e mente diziam para que ele não obedecesse a essa regra. Afinal, o que importava se teria o coração quebrado após aquilo tudo? O carnaval de Veneza era diversão e alegria. Amores vêm e se vão e este não seria diferente, por mais que fosse loucura.

Fechando completamente as pálpebras, começou a esticar-se um pouco para cima, ficando na ponta dos pés, encurtando assim a distância entre eles. Contudo, ao invés de sentir os lábios rosados do alemão sobre os seus, a dor alastrou-se pelo seu pescoço, deslizando como um lençol de cetim pelo restante seu corpo, quando sentiu dentes afiados perfurarem sua pele e atravessarem a carne. Os olhos de Feliciano arregalaram-se enquanto o jovem italiano sentia seu sangue sendo sugado e a língua do alemão por vezes passando por cima do local que abocanhava — misturando sua saliva ao sangue, para que este não coagulasse durante o ato.

A cabeça de Feliciano girou e o mundo começou a ficar embaçado, a dor estridente fazia o ar faltar em seus pulmões e seu corpo ficar fraco, impedindo-o de gritar por socorro. Com a boca ainda repousada no pescoço do italiano, Ludwig era capaz de notar como a pulsação ia enfraquecendo. O líquido escarlate que inundava sua boca era doce e quente, com o habitual gosto de ferro. Mesmo desejando continuar, bebendo até a última gota e embebedar-se com aquele licor vitalício, sentiu que o coração não bombeava mais, diminuindo assim o fluxo sanguíneo. Abrindo os lábios, afastou-se da região, retirando as presas da carne morta.

Segurando o corpo imóvel de Feliciano pelo pescoço, encarou-o por mais alguns segundos, admirando de sua beleza — agora mórbida. Olhando assim, era semelhante às estátuas de artistas famosos, porém tão branco e belo quanto. Entretanto, ao invés de continuar a vislumbrar a natureza morta do italiano, em um sutil movimento de braço, jogou o corpo sem vida em direção às águas do canal que corria ali ao lado, avistando-o ser levado. Segurando o lenço branco que envolvia seu pescoço, limpou o canto da boca e pegou a máscara que usava, fazendo novamente o caminhou que levou-o até aquele local.

E assim, até a manhã do dia seguinte, o corpo de Feliciano Vargas boiou nas águas cristalinas do canal, com a veste manchada em sangue, após uma loucura cometida durante o vivo e colorido carnaval de Veneza.


Notas Finais


Glossário:

La follia (A loucura): Ou Sonata nº 12 em D menor do follia RV 63, é uma sonata do compositor italiano Antonio Vivaldi (1678-1741). Esta décima segunda sonata de seus doze trios sonatas, op. 1 de 1703, são as primeiras e mais antigas composições conhecidas e preservadas de sua obra. É um conjunto de variações sobre o famoso tema "Folia";

Folia: É uma melodia e dança surgida no século XV, cujo esquema harmônico-melódico foi, desde então, utilizado em centenas de variações feitas por mais 150 compositores. É um dos mais antigos e recorrentes temas musicais europeus. O primeiro registro do termo "folia" aparece no Auto da Sibila Cassandra, uma das peças que compõem o teatro castelhano do dramaturgo português Gil Vicente, escrita por volta de 1513, na qual se menciona a folia como uma dança interpretada por pastores. Por sua forma musical, estilo e etimologia da palavra, supõe-se que a melodia surgiu como uma dança em meados ou no final do século XV, em Portugal ou no antigo Reino de Leão (zona de influência galaica) ou no Reino de Valência. Sebastián de Covarrubias, no Tesoro de la lengua castellana (1611), descreve a folia como uma dança portuguesa, rápida e confusa, na qual os bailarinos carregavam sobre os ombros homens vestidos de mulher.

Link das músicas que inspiraram a fic: https://youtu.be/7v8zxoEoA_Q
https://youtu.be/dUNOfNad59Q

Ah, sim. O Luddy é um vampiro que não morre em contato com a luz do sol :v

Espero que tenham gostado. Desculpem qualquer erro!

Bijins ❤❤❤😘


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