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História La Lettre !! sebaciel. - Capítulo 1


Escrita por: lwviathan

Notas do Autor


e aí gurizada, essa one shot foi feita para fins recreativos, de fã para fã, e todos os personagens citados são do mangá de kuroshitsuji. se você não gosta desse tipo de conteúdo, é só não ler, não venha encher meu saco por causa de personagem fictício.

é a primeira oneshot que eu posto, estão espero que você gostem, e me sigam pra mais conteúdo dos sebaciel!!

Capítulo 1 - Capítulo Único.


   Amar é nada mais que um sentimento hostil e horroroso. Uma sensação ridícula criada por mortais para explicar sua dependência emocional e física em alguém. O amor, tão falado e recitado por tantos anos, o que é, de fato, se não uma construção pessoal criada a fim de criar uma falsa sensação de preenchimento? O amor, o que é, além de uma opinião alegando motivos e mentiras no intuito de preservar a imagem criada por nossos cérebros, tão infantis e necessitados de atenção, e projetar nossos desejos e vontades em alguém? Amor, do latim 𝘢𝘮𝘢𝘳𝘦, em referência ao amor maternal e verdadeiro; o primeiro amor, o de uma mãe. Os órfãos que perdoem o palavreado mal educado, mas os mal-amados sempre foram muito mais céticos em relação a sentimentos amorosos; afinal, não é atoa que ela renunciam o amor eterno e misericordioso de deus. Em contrapartida, o que significa amar e ser amado? Se essa pergunta fosse-me indagada a boas décadas atrás, provavelmente essa resposta sairia com suavidade e convicção. Não se da para ter uma opinião concreta sobre aquilo que não se viveu profundamente, de certo seria leigo o suficiente para expor isso como conhecedor desse tipo de arte; amar. Mas, estava longe disso. 

   Amor, um singelo tocar de lábios na segunda sílaba, o doce estalar de língua no céu da boca, entornando o r. Amor, que aqueceu minhas veias e artérias, que correu cada órgão humano batendo descongestionado dentro de mim. Amor, que acelerou meu coração, e me fez tomar atitudes impensadas e desesperadas; fez-me cair de joelhos e implorar rente a luz da lua o perdão divino, para que eu tivesse de volta, aquele que fazia minha vida ter sentido, de volta aos meus braços. O amor, que fez-me não só refém, mas sim que mudou meus hábitos, minhas manias, meus trejeitos, que deixou-me, pela primeira vez, rezar a algum deus celestial que não fosse o meu. O amor, que me fez rir de doer os lábios, adormecer sorrindo abonado, e que também me trouxe uma das mais dolorosas angústias.

   O amor que mora em mim, e que me trouxe emoções tão humanas e passivas, foi causado por um detestável petiz de apenas quinze anos. Um contratante exigente e arrogante, sempre se achando dono da razão e metendo-me nas enrascadas mais complicadas de sair por conta da sua teimosia e malcriação. O amor se tornou, para mim, azul e roxo, as mesmas cores que cintilavam daquele olhar tão bonito e interpessoal. Era eu quem penteava e despenteava aqueles fios azul-acinzentado, e era eu quem beijava a pele caucasiana demais no pescoço e marcava com os dentes aquilo que me pertencia. Era naquele garoto tão pequeno, mortal e inteligentíssimo, que eu vi a minha ruína como demônio. 

   Ciel fazia eu me sentir pequeno e insignificante durante nossas brigas conturbadas. Vivíamos em pé de guerra, mesmo que a fachada de mordomo e conde perfeita nunca fosse desfeita, as discussões frequentes envolviam muito mais que ciúmes excessivo, medo ou dependência, era sobre o destino e os porquês. Todas as vezes em que a malcriação falava mais alto e o pequeno menino de 1,53 gritava aos ventos que eu deixasse-o em paz, uma parte minha se endurecia e raivoso, fazia todas as minhas atividades com frustrações e desapego. Lembro-me que, em uma das nossas discussões mais feias, afoguei-o na banheira com ódio e escárnio, e nesse mesmo dia, passei a receber o tratamento mais desgostoso e insatisfatório do mundo para um homem apaixonado. Lembro-me também do tanto que foi ouvido o choro, a dor, o sentimento amargo que seguia por toda a casa que exalava de Ciel; o gosto azedo da insegurança, do medo, da raiva. 

   Mas, ao mesmo tempo em que partilhamos do mesmo ódio, das mesmas dores e inseguranças, também compartilhamos o doce sabor do prazer e amor infinito. Da confiança e do respeito mútuo. Da dança calorosa de dois corpos apaixonados que esbarravam-se os pés descalços e riam alto pelo som de qualquer jazz barato que tocasse no toca-discos. Das gargalhadas intercaladas por beijos fervorosos e dedos entrelaçados como amantes separados. Compartilhamos do café da manhã dividido na mesma cama, do prazer carnal das ancas que se batiam violentamente em uma noite de amor árduo, das pinky promises e dos destinations prévues. Até mesmo me fazia falta os conhecimentos inúteis compartilhados após uma boa foda, onde, mais falante que o normal, Ciel agarrava os braços brancos e juvenis, finos demais pela magreza excessiva, porém macio ao toque como veludo indiano, e contava detalhadamente seu dia com êxtase, ainda atordoado pelas sensações lascivas que sentiu durante a madrugada, onde a fala embargada se perdia entre as sílabas e soltava um "sobre o que estava dizendo mesmo, Sebastian?", tão delicado como seus lençóis de mil fios. 

   Vivi, durante dois anos, os melhores momentos da minha vida, que sempre foi excruciante e maçante demais. São poucas as coisas capazes de prender a atenção de um demônio tão velho e desgastado como eu, as surpresas não são mais surpresas quando já se viveu mais de cinco mil anos, e tudo que é novo uma hora se torna arcaico. Porém, com Ciel não. Com Ciel, tudo que era novo, se tornava ainda mais surpreendente. Mais realista. Mais gostoso. Mais nós. 

   O amor que me foi apresentado, tinha 1,53 de altura, por mais que insistisse ter 1,55, tinha mãos frágeis e dedos delicados ao toque, que carregavam dois anéis, embora no fim de sua trajetória como mortal, carregasse um no anelar direto — o mesmo que carrego com tanto cuidado e afeição. O amor que me foi apresentado, foi tirado de mim na mesma intensidade que chegou. Bruto. Agressivo. Inesperado. De um dia para o outro, fui capaz de perder a alma de meu jovem mestre como se fosse areia escorrendo pelos meus dedos. Naquela altura, não era nem a alma perdida que me confrontava, e sim a perda daquele que fez eu me sentir mais humano do que qualquer um naquela odiosa Londres. 

   Poderia passar horas falando de todas as aventuras vividas com meu garoto e como estar ao seu lado fez com que tudo ao meu redor mudasse, mas prefiro prosseguir com nossa melhor lembrança, um dia antes de ser tomado de mim; em meio aos lençóis de cores brancas e azuis, o nariz vermelho e irritadiço evidenciava uma alergia passageira, aquela que tomei cautela de cuidar antes que nos deitassemos. O seu tom era manso e cordial, doce conforme a boca se sujava de leite e mel para dormir, e os olhos cansados brilhavam com olheiras claras e dignas de adolescentes; lembro-me de olhar para Ciel naquele momento como se a minha dependesse daquilo, de vê-lo sorrir para mim, com os lábios sujos de leite, os fios bagunçados, a voz serena, tudo nele era o suficiente para me deixar extasiado de amor, de orgulho. Era meu. Somente meu. Aquele pequeno e rude conde, de corpo delineado, personalidade questionável e caráter duvidoso era todo meu. 

   Era, de fato. Pois no dia seguinte, a notícia que perdi a minha melhor e maior parte me arrebatou tanto que não fui capaz de comer durante cem anos. Cem anos foi o tempo do meu luto, que sempre pareceu eterno, junto com aquele riso amargo quando era questionado, mas sempre amável quando eu o trazia para meu colo e lhe contava uma história qualquer sobre a mitologia grega. 

   Da mesma forma em que perdi o grande amor da minha vida, jurei não amar uma pessoa sequer que não fosse Phantomhive. Ainda fresca na minha memória, consigo me lembrar de como duas palavras me doeram mais do que tiros, e de quando ele, já adoecido demais pela doença, pediu perdão por todos os incômodos que causou em minha vida. 

   Incômodos? Ciel Phantomhive? Parecia, e eu até queria que fosse, uma piada de mal gosto. Passei os últimos instantes da vida dele desejando que acabasse logo. Que eu pudesse ser levado junto com ele, porque não sabia que a dor insuportável no meu peito ia ser capaz de me arrancar um choro tão desesperado. Chorei por três dias e por três noites, sem parar, não deixava que qualquer um disse capaz de falar comigo. Me revoltei com a humanidade e joguei não só uma, mas como duas guerras mundias, que levaram tantos amantes, como também tinha levado o meu anos antes. Quis, tão arduamente morrer, que pedi aos céus uma punição divina, que uma hora a dor parasse. Ora, que absurdo tal pedido, porque, mesmo após cem anos, ela ainda continua tão vivida quanto a imagem do sorriso dele após uma valsa improvisada no jardim.

   Amar Ciel Phantomhive foi o milagre mais gostoso que eu pude presenciar e fazer parte. Foi o motivo para eu acreditar que o amor não foi algo inventado pelos humanos, porque o senti, e o sinto, bem aqui em meu coração todas as vezes que lembro do meu amado conde, do meu jovem mestre, do meu pequeno príncipe. 

   E se eu pudesse ter dado minha imortalidade por apenas alguns minutos a mais com ele, eu teria dado, sem pensar duas vezes, pois apenas a memória do seu abraço no meu já era suficiente para me arrancar lágrimas de saudade e indignação. 

               Honestamente, Sebastian Michaelis.



Notas Finais


obrigado por ler até aqui (:


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