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História La lumière - Capítulo 6


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Notas do Autor


Perdoem a demora, mas não desistam de mim!!!! Essa história é meu bálsamo, e não abandonaria ela!

Capítulo 6 - You were worth it


♪ You - Petit Biscuit ♪

A luz que atravessava a cortina da varanda aconchegava toda a sala. Andy, que tinha acabado de encher sua caneca com cappuccino, deu um longo sorriso ao finalmente acordar. O relógio não batia na casa dos sete ainda, mas uma energia boa reverberou pelo seu corpo.

Andy ligou a música, e quando preencheu todo o ambiente, não resistiu a se entregar a um suave balanço. Embalando na música, no café quente e em como havia acordado disposta mesmo depois de tanto vinho. 

Abriu as cortinas, enrolou-se em seu roupão, e resolveu dar bom dia para mais um dia congelante em Paris. E, tentando se aquecer por aquela fraca luz solar, se manteve por alguns minutos de olhos fechados.

— Uh, está frio. — Reclamou baixinho, dando um gole no cappuccino já morno. 

E assim que se deu conta do tempo, olhou para baixo. O terceiro andar estava vazio, como se nunca tivesse tido presença alguma. Era sempre frustrante tentar entender seus sentimentos, e a sensação de cada momento com Miranda não passar de uma ilusão. Então, num suspiro desanimado, olhou para a rua. E lá estava ela.

Miranda estava andando de um lado para o outro, com um cigarro entre os lábios e envolta a uma roupa que seria pouco adequada ao clima. Havia uma angustia que mudava os ares, a cabeleira branca se perdendo de seu penteado com o vento frio e um olhar incomodado.

Andy torceu os lábios, segurando o impulso de a chamar e assim tê-la em seu apartamento para qualquer... conforto? Mas ela podia mais. Porque não era só sobre vinhos e varandas. Com isso, voltou para dentro e bebeu de gole grande seu cappuccino antes de dar início a sua grande e ridícula ideia.

Foi uma troca de roupa rápida com a escova de dentes na boca. Duas bolsas nos ombros foram sendo preenchidas enquanto ela passeava pelos cômodos e pegava tudo que achava necessário. E, em menos de dez minutos, ela estava com o carro parado ao lado de Miranda - uma impaciente Miranda.

O silêncio durou por um minuto, menos se fosse julgar pela paciência de Andrea, e mais pela impaciência de Miranda. 

A editora parou ao lado do Duster branco, observando a mais nova abaixar a janela e oferecer um ofuscante sorriso. 

— O que você espera com isso? — Questionou.

— Não acho que consigo ser mais clara. — Andy arqueou as sobrancelhas e bateu no banco ao seu lado. 

Miranda não olhou para os lados ou para trás. Não houve mais indecisão que a manteve do lado de fora daquele carro. Aparentemente, os cinco minutos que fixou em Andrea foram suficientes. 

Foi o silêncio, preenchido com uma música baixa e o aquecedor permitindo que ambas afrouxassem as golas, que confortou o peito de Andy. Quando pegou a estrada, observando como a neve já não estava tão forte como há uns cinco dias, pode observar um pouco Miranda.

Ela havia tirado suas luvas, as mãos estavam apoiadas em suas pernas, e tinha um foco especial em um anel na mão esquerda. O reconhecimento bateu em Andy, que entendeu o porquê aquela mulher estava em Paris nos final das contas.

O lábio torceu, seu coração desgrenhou, mas nada que não fosse administrável. Andy voltou sua atenção a estrada, antes da curiosidade atacar novamente e desejar entender o porquê o anel parecia estar sendo motivo de angustia para Miranda - se ela fosse levar pelo tanto que a editora a rodava no dedo. 

— Ele tinha preparado um jantar. — Miranda contou. — Ontem. — Esclareceu. — Eu cheguei e tinha um jantar frio me esperando.

Andy, que estava atenta a estrada a sua frente, apertou o cenho. — Oh.

Miranda revirou os olhos, com a nobre tentativa de Andy em esconder as engrenages que trabalhavam sobre aquele objeto valioso em seu dedo - que não estava na longa noite anterior. Andrea sentiu aquela mão tocar seu corpo, realmente tocar, pelo amor de Deus. 

— Suponho que não te salvei o suficiente. — Brincou.

— E o que te leva a acreditar que preciso de salvação?

— Você está num carro em movimento, do outro lado do oceano atlântico, com alguém que não tem a menor ideia para onde está indo, logo depois de ficar noiva. Então, sim, independente de qual seja o sentimento te movendo, não te prendi o suficiente comigo para salvar do que é que aconteceu na noite anterior. 

O silêncio que acompanhou mostrou a Andy que ela acertou, mas não sabia se isso, no fim, era a melhor coisa. A falta de voz de Miranda nunca significou boas coisas, e, por mais que conseguisse ler muito daquela belíssima mulher, sabia que podia ter cruzado um limite.

Então ela dirigiu por mais quase uma hora em completo silêncio, com esporádicos ruídos que mostravam a presença de Miranda naquele carro.

— Vire a direita. — Miranda ordenou, e Andy fez exatamente o que foi pedido.

— Sim, Miranda.

+

Étretat.

Acho que o destino pegou as duas de surpresa. Miranda, por ter dado a coordenada inicial. Andrea, por ter seguido as placas. A mais nova já esteve ali, mas, se fosse julgar pelos olhos correndo as janelas, diria que Miranda não e isso foi gratificante o suficiente.

Ela estacionou o carro e antes que Miranda saísse, pediu para esperar um momento. No banco de trás, ela pegou uma das bolsas que encheu em casa, tirando um par de botas e um cachecol, pegando também um casaco e entregando a Miranda.

A mulher arqueou as sobrancelhas, desafiando Andrea a realmente sugerir que ela calçasse aquelas botas de neve. Mas, quando a mais nova não disse nada, e apenas colocou um cachecol e uma touca, Miranda bufou e fez o que lhe foi sugerido.

Andy sorriu, guardando uma touca em seu bolso, porque sabia que Miranda não colocaria aquilo em sua cabeleira icônica tão cedo. Mas apreciou como o casaco de neve se atribuiu perfeitamente ao corpo da editora, mesmo não dizendo uma só palavra com o quão adorável havia ficado. 

— Nunca esteve aqui, huh? — Andy disse ao colocar os óculos de sol e fechar o carro. 

— São duas horas e meia de Paris... — Miranda reclamou, colocando também seus óculos e observando ao redor. 

— Quantos anos você vem para cá e nunca veio a Étretat? Sabia que Monet tem inúmeras pinturas daqui?

— É claro que sim. — Miranda zombou, como se não fosse óbvio ela ter o conhecimento dos movimentos e seus principais artistas. — O que você espera de um movimento artístico francês, é que tenha toda a França pintada em sua Belle Époque... 

Andy soltou uma pequena lufada de riso e guiou as duas para uma caminhada tranquila e assim terem a melhor visão para uma das falésias.

+

♪ Cold - Novo Amor ♪

Elas andaram por longos minutos, e quanto mais se afastavam, mais frio ficava. O vento cortava e ambas mulheres se encolhiam dentro de suas próprias roupas. Mas não havia nada que impedisse de alcançarem o destino final. 

Quando chegaram ao topo de Porte D’aval , que dava a melhor visão para a principal falésia Manneporte, Miranda ofegou. E como Andy não entenderia? Etrétat era um paraíso, e muito perto de Paris. Talvez, se ela fosse ousada, diria que era daqueles cenários que inspiravam suas escritas, que fugiam dos clichês - como Torre Eiffel - e se encontram fora da curva.

— Oh my... — Andy suspirou, voltando seu olhar para a belíssima imagem. — O pôr do sol deve ser incrível.

— E quer me convencer que nunca o viu?

— Não no inverno. — Andy deu os ombros. — Sei que nunca me perdoará totalmente por Paris.

Miranda então piscou, voltando seu olhar para a garota petulante e curiosa ao seu lado. Tentando entender o que a levou a seguir os passos de toda essa incerteza, e, por um segundo, não soube se agradecia ou se preocupava com sua própria falta de disciplina com alguém que a abandonou tão facilmente antes.

Mas curioso era o assunto solto à tona com certa banalização. Como se Miranda não tivesse se perguntado duas vezes sobre o abandono, porque Deus sabe que ela não se permitiu questionar mais do que isso, e não faria isso enquanto seu estômago retorceu. Não.

Étretat era um bálsamo para os olhos e se acalentou com isso. Talvez por toda situação que a colocou ali, Miranda diria que o sentimento provocado era absurdo e inovador. Nada como floral para a primavera, ou folhas secas para o outono. Era algo novo, fluido e liberto. Oposto ao que sentiu na noite anterior enquanto um anel deslizava pelo seu dedo.

Andy mordeu o lábio inferior ao se deixar deleitar da mulher ao seu lado. Não houve nenhum mantra repetido que a preparasse para aquela cena. Os cabelos brancos reluziam ainda mais naquela imensidão cinza, o preto de suas roupas contrastava fazendo com que a pele fosse ainda mais pálida que o normal.

A maça do rosto acentuada, a curva do nariz, os lábios franzidos. Céus, Andy nem poderia fingir que a beleza daquela mulher não mexia profundamente com sua mente.

— Eu faria de novo. — Continuou Andy, que se sentia sem controle algum de sua boca. E a editora continuou olhando para longe, fingindo que tal assunto era uma banalidade dos ventos. Nada mais. — Falharia de novo, mas você tem que saber que... valeu a pena. Você, digo, você valeu a pena.

Ela ofegou quando  recebeu os olhos azuis diretamente.

Porra. Andy segurou um gemido. Observou Miranda revirar os olhos, voltando para a falésia, e quase engasgou com a noção absurda de se sentir atraído por aqueles lábios, pescoço, ou... Merda, qualquer mísero detalhe que tornava Miranda Priestly única.

Então o silêncio preencheu novamente, e as palavras ditas pareciam nem terem existido no final. E depois de um tempo, Andy comentou sobre algumas falésias, sobre algumas histórias que rondavam a pequena região do norte da Normandia e isso pareceu levá-las de volta ao clima confortável e simplista que haviam se encaixado tão bem. 

— Sabe que seus olhos estão brilhando, não sabe? — Andy provocou, segurando uma risadinha.

— Não seja absurda.

Mas Miranda nem tinha voz para continuar uma negação firme. Ela estava realmente deslumbrada com toda Belle Époque a sua frente. E se fosse sincera consigo mesma, os últimos seis dias a cativaram mais do que gostaria de confessar. Mais do que qualquer ser humano comum tenha conseguido em sua solitária existência.

Absorta em sentimentos conflitantes, em uma névoa de incerteza com tudo que ainda podia viver, não percebeu novamente a câmera apontada em sua direção. Não notou o sorriso satisfeito de Andrea, nem mesmo como seus cabelos prateados batiam contra seu rosto - muito menos como a luz do Sol se abrigou suavemente contra sua escultura. 

— Vá, tome isso. — Andy estendeu a mão com a touca branca. — Por mais glorioso que seja vez essa pigmentação rosa em seu rosto, temo quando passar a mão a pele sair...

Miranda voltou ao momento e se deixou beber a imagem de uma jovem mulher em toda boemia romancista. Na verdade, era a primeira vez que realmente observava Andrea naquele chapéu de inverno, e não pode deixar de solta rum bufo divertido.

— Definitivamente, esquimó combina com você. — Disse ainda notando a ponta avermelhada do nariz, antes de cair para a touca na mão da escritora. — Obrigada, estou bem. 

— Prevejo as manchetes, “A Rainha do gelo morre em seu habitat natural”...

Quando observou o lábio franzir, Andy soube que chamá-la por um de seus apelidos desdenhosos provocou uma ira adormecida. E foi por isso que ela se atreveu a seguir o caminho mais óbvio de seu comportamento humano: quebrou ainda mais barreiras.

Segurando os ombros de Miranda, virou-a para si. Os dedos tocaram suavemente a franja icônica, protegendo-a o máximo possível de todo amassado que aquela touca provocaria, e deslizou o tecido macio por aquela cabeleira prateada. E, como se não bastasse, ajeitou o cachecol no pescoço pálido, cobrindo qualquer milimetro de pele exposta.

— Bom... — Andy sussurrou. 

Miranda estava atordoada, no mínimo. Nunca, em qualquer cenário que envolvesse o atrevimento de Andrea Sachs, ela imaginou que aquela mulher cuidaria tão explicitamente dela. Nunca, alguém ousou sugerir colocar nada em sua assinatura tão bem cuidada por anos - e ela nunca permitiria. 

Nunca.

Desconfortável, sim. Isso era o que Miranda podia lidar. A proximidade íntima, carinhosa e quente a incomodava, e ela precisava latir qualquer crueldade para se afastar. Mas antes que seu cérebro encontrasse palavras coerentes, Andrea sorriu brilhantemente.

— Você tem muita sorte que eu conheço um lugar que podemos nos esquentar com um bom vinho.  — Andy sorriu satisfeita. — E um Bouillabaisse... Céus, Miranda, sabe o que me motiva? Comida!  

— É claro que seria... — Revirou os olhos.

O O


Notas Finais


Vai, me digam!!! Conte-me tudo, o que tão esperando? IUSHGFIUDFHIDHSG o que tão achando tb né, aiai


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