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História La Rose Hotel - Capítulo 1


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Capítulo 1 - Prólogo


Era uma noite fria nas ruas de Paris. Uma neblina pairava sobre a cidade luz e fazia com que os mais supersticiosos sentissem o clima soturno que todos aqueles prédios datados do século XVII conferiam às esquinas. Apenas alguns desavisados se arriscavam a perambular fora de suas casas numa noite sem lua como aquela. A apreensão de todos os habitantes era quase palpável e o ambiente que se instaurava era inexplicavelmente tenso. Era como se eles apenas soubessem que algo de estranho acontecia em noites como aquela. Um pacto coletivo e olhares cúmplices concordavam e levavam um por um a trancarem as suas janelas na hora de dormir. Por algum motivo que nem eles mesmos compreendiam, não era seguro estar sozinho em Paris até o sol os tocasse novamente.

— Você tá assustada? 

A pergunta foi feita por Trevor Eastwood, dentro de um carro enorme e vermelho sangue, provavelmente fabricado nos anos cinquenta. O rapaz estadunidense estava no banco do passageiro e não conseguia tirar os olhos do próprio reflexo no retrovisor. Sua postura era completamente relaxada e a sua mente estava na mais perfeita tranquilidade, contrastando com o clima pesado da cidade e o medo da garota sentada no banco do motorista.

— Não. Eu tô com essa cara horrorizada, mas é porque eu tô me divertindo muito.

Ele havia notado que a jovem estava segurando o volante com tanta força que seus dedos haviam ficado brancos e que sua mandíbula estava cerrada firmemente. Os olhos castanhos de Juliette Lion fitavam-no com um misto de raiva e terror que, de certa forma, o divertiam. 

— Ah, para de exagero! É um hotel como qualquer outro — Trevor garantiu, movendo-se no banco para encará-la. — Não vai ter nada demais hoje, eu prometo.

— Hoje — ela enfatizou a última palavra dele, nervosa e sentindo-se meio gelada, ainda sem largar o volante. — Realmente, você é péssimo para tranquilizar as pessoas. 

Trevor relaxou o corpo sobre o banco do motorista e encheu os pulmões, respirando cansado.

— Olha, se você quiser, eu posso te levar de volta e conversar com os seus pais.

Imediatamente, Juliette arregalou os olhos e soltou o volante, trocando o medo pela indignação completa.

— Claro que não. Tá doido? Eles não entenderiam. Iriam querer me deserdar e me botariam certamente pra fora de casa — ilustrou, quase bufando. Trevor era um cara legal, mas às vezes era irritante conversar com ele. — Vamos logo — decidiu, abrindo a porta e botando as pernas trêmulas sobre o asfalto sujo de Paris. 

Trevor fez o mesmo movimento e assistiu enquanto a garota ia para a calçada, olhando para o grande letreiro do La Rose Hotel com as sobrancelhas franzidas em receio. 

— Então é aqui que a minha vida termina — suspirou Juliette, fatalista.

O rapaz decidiu ignorar esse comentário, já que aparentemente não seria capaz de fazê-la sentir-se melhor e passou a ele mesmo encarar o letreiro. Foram anos e anos de trabalho e pesquisa árdua para que ele finalmente estivesse pronto para estar presente ali, no hotel La Rose. Tantas histórias sombrias cercavam aquele lugar, foram tantos relatos, tantas entrevistas… e ele finalmente estava ali. O seu peito se enchia de ar e o liberava de forma irregular e o seu coração batia forte contra sua caixa toráxica. A adrenalina e excitação corriam em suas veias e, se ele não entrasse logo no hotel, mergulhando em sua primeira aventura verdadeira, sentia como se fosse infartar. 

[...]

O hotel La Rose era personagem de uma série de teorias da conspiração ao redor do mundo. Uma grande e submersa comunidade de pessoas que acreditavam na existência de vampiros discutiam em fóruns secretos sobre os locais do mundo mais quentes para a presença dessas criaturas. E o hotel La Rose era certamente um dos que gerava mais polêmica. Sendo o único hotel seis estrelas de Paris e um dos hotéis mais famosos do mundo, seria possível manter às escondidas toda uma facção de vampiros? Os olhos do planeta estavam sempre voltados para o que os hóspedes ilustres do hotel faziam, seria realmente possível jogar para debaixo do tapete uma parte tão sanguinária do dia a dia daqueles corredores?

A resposta de um milhão de dólares estava no subsolo do prédio antigo construído na década de vinte. Uma enorme teia de corredores e salões luxuosos se espalhava por debaixo do que parecia ser apenas um hotel. Ali perambulavam as criaturas da noite. Vampiros de todo o mundo encontravam um espaço seguro para exercerem toda a força de sua natureza naquele lugar. Assim que desciam as douradas escadas, posicionadas estrategicamente para que nenhum hóspede humano as visse, estavam em seu um parque de diversões particular para aqueles que sentiam prazer em sorver sangue. 

E, parada no centro de um dos maiores salões, estava Mia Teissier, herdeira do hotel La Rose e também responsável por organizar toda a reunião anual do grupo Reddie de vampiros do mundo todo. Os seus cabelos loiríssimos caíam em suas costas como uma cascata ondulada e seu corpo estava perfeitamente parado em uma postura de invejar. A roupa preta de executiva e os saltos altos Louboutin de sola vermelha faziam todos aqueles funcionários que a serviam duvidarem que aquela mulher era a mesma garotinha que corria e brincava no saguão do hotel muitos anos antes.  

Os olhos azuis dela analisavam meticulosamente cada um dos rapazes enfileirados a sua frente. Em suas expressões, horror. Na dela, sede. Mia exibia um leve sorriso de lado, que deixava transparecer como o medo de suas presas a entretia. Os sete rapazes tremiam e nenhum deles era corajoso o suficiente para encarar o fundo dos olhos frios dela. O ambiente era de tensão completa e eles aguardavam, apavorados, o que ela faria no segundo seguinte. 

— E então, Mia? O que acha dos que eu escolhi? — o homem alto e de aparência de meia idade ao lado dela perguntou.

Ele tinha uma postura quase tão excelente quanto a dela e estava vestido em um terno preto que deveria ter quase duzentos anos de idade. Apesar do rosto judiado pelo tempo, ele era mais novo que a garota ao seu lado. Mia Teissier havia nascido vampira em 1789 e sido criada por seus pais como uma princesa até fazer 18 anos, quando sua aparência congelou e ela parou de envelhecer. Já Mathieu era nascido na década de quarenta, mas havia sido transformado em vampiro por Gaspard Teissier, pai de Mia, quando tinha cerca de sessenta anos, o que fez com que ele permanecesse com aquela fisionomia. Por isso, o respeito que ele tinha por ela e sua família era eterno. Assim como a maioria dos funcionários do hotel, Mathieu tinha sido salvo de uma vida miserável pelos Teissier e agora eram profundamente gratos.

— Eles parecem saudáveis… — comentou ela. — Quantos anos tem?

— Alguns têm dezessete, mas o restante já completou a maioridade — ele disse, olhando com orgulho para os meninos que tinha conseguido. 

— Hm… 

Mia finalmente saiu de sua posição impecável e deu dois passos ameaçadores para frente. Os rapazes, sem exceção, tremeram e ela pôde ouvir alguns corações errarem as batidas. O seu enorme sorriso branco abriu-se em total deleite pelo efeito que tinha neles. Se tinha uma coisa que a divertia era assustar suas vítimas antes do golpe fatal. Ao olhar com cuidado para cada um daqueles rostos angelicais, ela viu que alguns deles estavam quase derramando lágrimas. Pobres rapazes. Mia sentia cheiro de medo e se arrepiava apenas em imaginar o gosto metálico do líquido vermelho que pulsava nos pescoços deles.

— Deliciosos — Mia disse e, sem que ela pudesse evitar, o azul dos seus olhos se transformou em um vermelho aceso e as presas cresceram em sua boca. — Eu quero todos eles na festa de abertura.

Os rapazes sentiram uma onda de eletricidade passar por seus corpos. Estavam estranhamente atraídos por aquela garota linda e assustadora.

— Agora tire-os da minha frente, antes que eu mate um deles. 



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