História La sociére démon - Capítulo 5


Escrita por: e twohope

Postado
Categorias Bangtan Boys (BTS)
Personagens Jeon Jungkook (Jungkook), Jung Hoseok (J-Hope), Kim Namjoon (RM), Kim Taehyung (V), Min Yoongi (Suga)
Tags Bangtan Boys (BTS), Ficção, Hopesuga, Hoseok, Jhope, J-hope, Lemon, Namjoon, Suga, Sugahope, Taehyung, Taemon, Vmon, Yoongi, Yoonhope, Yoonseok
Visualizações 4
Palavras 4.660
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Ação, Aventura, Drama (Tragédia), Fantasia, Ficção, Ficção Adolescente, Fluffy, Lemon, Magia, Mistério, Misticismo, Romance e Novela, Shoujo (Romântico), Sobrenatural, Survival, Suspense, Terror e Horror, Universo Alternativo, Violência, Yaoi (Gay)
Avisos: Adultério, Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Mutilação, Sexo, Suicídio, Tortura, Violência
Aviso legal
Os personagens encontrados nesta história são apenas alusões a pessoas reais e nenhuma das situações e personalidades aqui encontradas refletem a realidade, tratando-se esta obra, de uma ficção. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos, feita apenas de fã para fã sem o objetivo de denegrir ou violar as imagens dos artistas.

Notas do Autor


voltei rs

Capítulo 5 - Quinto Capítulo: Detetizadores


[...] - às vezes, sonhos podem se tornar mais reais do que possamos compreender.

🍁

A noite se passou como se ela nem tivesse acontecido. 

Yoongi acordou na manhã seguinte com uma dor intensa nas mãos. Já murmurando pesado pela dor que sentia, ele se sentou em sua cama suspirando pesadamente. 

Ele não se lembra de quando dormiu. A única coisa de que se lembrava era das visões que teve, e após isso, contou elas para Alice - esta que dormia ao seu lado, toda bagunçada e desajeitada, numa posição nada favorável aos seus ossos. Yoongi se lembra que após contar suas visões, ele apagou e acordou ali, naquele instante em que estava sentado em sua cama, olhando para o nada. Parece até mesmo que horas não se passaram. Parece que levou um minuto para ele apagar e acordar ali, naquela manhã meio nublada e um pouco fria. 

Hm... — murmurou assim que se espreguiçou. Respirando fundo, Yoongi se levantou da cama e a contornou, indo para o lado de sua amiga. — Alice, acorda. — a empurrava na cama. Queria acordá-la pois logo iriam para a escola - mesmo assim, Yoongi não queria ir.

— Me deixa dormir mais cinco minutinhos... — pedia sonolenta. Ela se virou para o lado, ajeitando sua postura numa posição confortável de bruços e com os cabelos jogados em seu rosto.

Derrotado, Yoongi apenas se dirigiu ao banheiro para lavar o seu rosto que parecia estar todo torto - já que ele estava com marcas, todo amassado pela posição que dormiu. Assim que chegou no banheiro, parou em frente ao espelho e olhou no fundo dele, enxergando seus olhos caídos e fundos pelo sono tardio. Yoongi deveria parar de dormir de madrugada.

Ai! — exclamou ao sentir uma pontada nas mãos. 

Ao olhar para elas, notou que ambos os símbolos em suas mãos estavam brilhando. O Sol brilhava dourado e a Lua em prata; Yoongi sentia suas mãos formigarem e algo fluir entre suas veias. O sangue em seus braços corria como um rio serene e ele sentia algo forte vindo de dentro de seu coração. De repente, ele sentiu alguém tocar seu ombro. Voltou a olhar para o espelho, e então, percebeu um cenário embaçado de fundo e alguém segurando seu ombro esquerdo. Era uma mulher. Uma mulher branca, de cabelos longos e feições que pareciam com as de Yoongi. Ele se arrepiou, suspirando suas palavras em interrogação. 

Mãe? — perguntou num singelo sussurro. Sem resposta, ele apenas se virou, porém, tudo o que encontrou foi Alice. 

— Vamos nos atrasar para aula. Você estava olhando esse espelho faz dez minutos. — disse ela, preocupada. — Quem você estava vendo? Sua mãe?

Ele concordou calado. Suspirando, se virou para o espelho. 

— Tem alguma coisa passando batido. — Yoongi olhou para as próprias mãos. — Nós precisamos ir para a biblioteca.

— Mas e a escola? — perguntou ela, estranhando o comportamento de Yoongi. Ele nunca faltaria, ele não era disso, mas em seu olhar estava presente uma convicção que Alice jamais tinha visto. 

— Eu devo isso pela minha mãe. Eu devo isso para parar de temer. — olhou para o espelho, enxergando seu próprio reflexo novamente.

Yoongi estava cansado de se ver como um covarde. Ele não era isso, e ele sabia que no fundo de seu coração existia as mais puras chamas e faíscas ascendentes de coragem e bravura.

— Nós precisamos de respostas. — Alice pegou sua mão, ficando ao seu lado. — Começando por: quem invocará o deus Ixe'Él? 

[...] - o heroísmo tem um preço, um preço bem alto.

— Obrigado por ter me deixado dormir na sua casa ontem, tio Jeffrey! — Alice sorriu, estando ao lado de Yoongi pronta para entrar na escola. Sorrindo, ela olhou para Yoongi. — Vamos?

— Se cuidem! — disse Jeffrey, alto o suficiente para que Yoongi ouvisse já que ele já estava um pouco distante. O garoto se virou, acenando antes que os portões da escola se fechassem.

Jeffrey apenas acenou de volta com um sorriso pequeno, vendo os dois entrarem. O lenhador deu meia volta e entrou em sua picape, saindo dali com seu carro para iniciar mais uma manhã de trabalho pesado.

Assim que estiveram dentro da escola, notaram os alunos amontoados em filas desordenadas antes que o sinal de entrada soasse, o que não demorou muito. Assim que soou, Alice e Yoongi correram entre os alunos que os deixaram 'invisíveis' em meio a multidão, e dessa forma, eles puderam se esconder atrás de uma pilastra e de frente para um arbusto bem grande, onde ninguém poderia vê-los.

Era até estranho a forma como ninguém notava eles. As crianças agiam como se fossem robôs, eram o que chamam de alienados, mas Alice não faz ideia do porquê ela não ter nascido da mesma forma e seu comportamento não seguir essa risca de "alienação". Ela era diferente, assim como Yoongi também era.

— Não temos tempo a perder. Temos que dar um jeito de sair daqui. — Alice retirou sua mochila das costas, e dali, abriu e puxou seu caderno de anotações. Ela o abriu, lendo o que estava escrito. — Eu anotei o movimento que as inspetoras fazem na escola: nós entramos meio-dia, e elas só saem da secretaria meio-dia e meia. Agora nós temos quinze minutos até elas saírem da secretaria. E as câmeras são ligadas meio-dia e vinte. Temos cinco minutos, tecnicamente. — Yoongi suspirou.

— Isso não vai ser fácil. — falou ele. Alice riu, pois ela tinha várias cartas na manga.

— Por sorte, temos um atalho. — sorriu. — Venha comigo. — ela o puxou para fora do arbusto com forte cheiro de mato, seguindo escondidos escorados nas paredes como se tentassem se camuflar.

Ambos andavam em passos rápidos e silenciosos, até que chegaram na parte de trás da escola, perto da porta dos fundos da secretaria.

As paredes da escola possuíam uma grossa camada de folhagem e mato, por isso, era perfeito para camuflagem. Também, havia certos lugares que eram quase invisíveis a olho nu graças ao verde estonteante - era dessa forma que Alice burlava aulas: dentro do mato, literalmente.

— Tá vendo aquele bueiro? — Alice apontou.

Eles saíram de dentro do mato e se abaixaram perto de uma pilastra que ficava bem ao lado da porta da secretaria. Após a porta, tinha uma câmera dela que pegava bem aonde o bueiro estava, tecnicamente, ela ficava parada gravando o buraco escuro que dava aos canais de esgotos abaixo da escola.

Aquilo era uma porta para as ruas, tecnicamente. Acenando positivamente, Yoongi continuou escutando-a.

— Ele vive aberto, é ali que costumam jogar produtos vencidos. Mas, olhe aquilo... — Alice apontou para uma câmera que estava apontada para o bueiro, bem acima da porta. — A inspetora está vigiando pelas câmeras de dentro da secretaria. Ela tem olhos na escola inteira.

— Então, como iremos passar? — perguntou Yoongi. Se aquilo desse errado, eles estariam muito encrencados.

— Fácil: você vai usar os seus poderes. — Yoongi se engasgou.

— P-poderes? Mas eu não tenho poderes! Q-quer dizer... e-eu não sei.— gaguejou, mas Alice não estava convencida.

— Tudo bem, se você diz. — Alice saiu andando dali, e Yoongi foi atrás.

— Aonde estamos indo? — perguntou o garoto.

— Arrumando uma outra forma de sairmos daqui. — Alice parou em frente a um painel de energia, e ali Yoongi logo percebeu qual era seu grande plano pelo olhar quase macabro dela.

— Um apagão? — questionou inseguro.

— Olha, você pensou rápido. Alguém aqui ainda tem cérebro. — brincou ela, piscando sorridente. — Vai ser só por alguns minutos, até que a inspetora venha aqui girar a chave para cima novamente. — disse ela. — Mas nós temos que ser rápidos. Assim que girarmos a chave, temos que correr para o bueiro.

— Entendido. — Yoongi assentiu.

Alice pegou sua bolsa e a abriu, retirando dali de dentro uma alicate de ponta afiada, porém fina. Era um alicate de unha, alicate este que ela usava em situações de extrema emergência: retirar cutículas inflamadas de seus dedos da mão.

— Você é mesmo preparada. — Yoongi comentou.

— Garotas são sempre preparadas. — disse como se fosse óbvio. Yoongi riu, olhando-a de longe.

Alice enfiou o alicate nos parafusos que trancavam o painel. Nele, estava grudado um cartaz na portinha que dizia que era uma área de perigo ao choque, contudo, a garota era corajosa demais para ligar pra algo tão banal - em sua visão petulante e errante.

Girando o alicate, ela foi tirando parafuso por parafuso e abriu a portinha. Por sorte, as câmeras não pegavam muito bem aquele lado da escola, mas não seria tão legal abusar da sorte.

— Pronto. — guardou o alicate no bolso de sua calça, abrindo o painel e assim revelando três chaves de energia. A de cima poderia desligar as luzes de todas as salas da escola inteira, a do meio podia desligar todas as câmeras, e a última podia acionar o alarme assim que fosse girada. — Qual dessas é a certa? — perguntou-se mais do que perguntou a Yoongi.

— Eu não faço ideia. — Yoongi suspirou pesado, sua mente estava confusa. — A de baixo?

— Tem certeza? — ele negou. — Tudo bem... — respirando fundo, Alice começou a cantar. — Uni, duni, tê...

— É sério? — Yoongi perguntou incrédulo.

— O quer que eu faça? — revirou os olhos, continuando. Ela escolhia conforme a música mandava, mas quando ela acabou, ela terminou com o dedo sobre a chave de cima. — Mas como eu sou teimosa... — e continuou. Assim que terminou, seu dedo repousava sobre a última chave novamente. — É, parece que essa é a chave certa-- — antes de completar a frase, Yoongi espirrou, assustando Alice que mudou a mão de lugar pelo susto que levou. — Que susto, Yoongi! — reclamou ela.

— D-desculpe. — ambos ficaram em silêncio.

— Tudo bem... — ela suspirou, sem voltar a olhar para a chave que segurava. — No três? — o garoto assentiu, esperando pelo pior. — Um... — a tensão reinava no lugar. A situação parecia uma pedra enorme repousando nos ombros magros de Yoongi
Ele estava tenso. — dois... — a respiração descompassada parecia querer engasgar o menino. Suas mãos tremiam. Em sua mente só passava o fato de que ele odiava não ser tão corajoso como Alice. — três! — Alice girou a chave com rapidez e tratou de correr até o bueiro, puxando Yoongi pela mão. — Corre!

Viraram e seguiram para o mesmo caminho de antes. Naquela altura, Alice já tinha largado a mão de Yoongi e ambos corria o mais rápido que podiam.

Assim que passaram pela porta dos fundos da diretoria, ouviram a inspetora reclamar alto sobre as câmeras que desligaram do nada. Naquele momento Alice suspirou por ter desligado a chave certa.

— Estamos perto! — Alice disse, parando de frente para o bueiro completamente exausta. — Vamos! — disse assim que chegou perto do alçapão. Alice foi a primeira a descer, rapidamente sentando na beirada com as pernas para dentro do buraco.

Ela jogou sua mochila primeiro para que não pulasse com tanto peso. Jogou com cuidado e de maneira que não quebrasse nada, pois ali havia bastantes coisas que possivelmente poderiam quebrar. Após isso, pulou e caiu agachada, sobre a água suja do esgoto - que, por sorte, não passava nem de seus sapatos de tão rasa.

Ela olhou para cima, enxergando um Yoongi medroso com medo de pular. Não demorou para que ela pegasse sua mochila do chão e tirasse uma lanterna, ligando-a e apontando para cima, onde Yoongi estava.

— Vem logo! A queda não é tão alta! — disse tentando passar confiança, mas Yoongi estava assustado. — Vem logo!

— Droga! — suspirou. Ao olhar para a porta percebeu que ela estava sendo aberta. Pressionado, ele pulou de uma vez no bueiro antes que a inspetora saísse e o pegasse no flagra.

Yoongi caiu com os pés no chão mas se desequilibrou, caindo de joelhos. Alice o ajudou, dizendo a ele aos sussurros que não fizesse tanto barulho.

— Vamos, é por aqui. — o ajudou a levantar, e então, seguiram para direita num caminho mal iluminado e fedorento.

Ela apontou a lanterna para frente enquanto segurava sua bolsa com apenas um ombro. Yoongi também carregava sua bolsa, mas não tinha quase nada nela, apenas um estojo com poucas canetas e um caderno fino. Ele mal notava sua presença, já que o peso era quase nulo.

— Como pode ter certeza de que estamos indo para o lado certo? — perguntou meio inseguro.

— Digamos que eu... sei bem como são os esgotos dessa cidade. — suspirou e ficou em silêncio. Yoongi sentiu um leve clima tenso, mas não falou nada e nem perguntou mais nada, apenas seguia Alice.

— Tudo bem. — se limitou a dizer apenas isso.

O caminho seguiu silencioso. Os esgotos eram bem quietos, mas muito estranho. De alguma forma, Yoongi sentia que estava em um lugar que poderia morar, pois a calma daquele lugar não era tão habitual em sua vida. Era silencioso, levemente escuro e espaçoso.

Havia grandes corredores com dezenas de outros corredores levando para a esquerda, para a direita, para frente e para trás. Simplesmente Alice seguia por eles como se soubesse de cor o caminho, mas Yoongi sentia mesmo que aquilo era um labirinto.

Eles estavam andando sobre uma pequena calçada que os livrava de pisar sobre a água suja e insalubre do esgoto. O ambiente úmido cheirava mal, lembrando o cheiro de lixo, ou até mesmo de comida podre.

— Já estamos perto. — disse Alice. Ambos começaram a andar mais rápido, porém, de repente, Alice parou. — Silêncio. — sussurrou. Alice desligou a lanterna mais rápido do que Yoongi pôde perceber.

Ela parou e colocou a mão sobre o peito de Yoongi e o empurrou contra a parede, olhando um pouco através do canto da parede e enxergando o longo corredor que deveriam percorrer para chegar até a saída: eles não estavam sozinhos.

— O que foi? — sussurrou, mas mesmo assim tudo o que Alice respondeu foi um murmúrio para que Yoongi não falasse nada.

— Olhe. — mandou. Yoongi colocou o rosto bem devagar e espiou o corredor.

Dois homens vestidos com capuzes estavam com lanternas, procurando algo que os dois ali não faziam ideia.

— Quem são eles? — Yoongi perguntou. O garoto estava ficando com medo, ele não fazia ideia quem eram aqueles dois, ou o que eles pretendiam.

— São os 'Detetizadores'. São caçadores de órfãos. — disse ela. Alice estava tensa, mas não assustada. — Antigamente, crianças órfãs vinham e moravam nos esgotos da cidade, pelo menos é isso que os livros contam.

— Por que elas não iam para orfanatos? Não é melhor? — Alice negou.

— Elas preferiam morrer doentes e de fome do que serem abusadas. Eu entendo. — pegando a mão de Yoongi, ela espiou e viu que os tais detetizadores já estavam longe o suficiente para que ambos pudessem sair dali. — Eles são da igreja, e já tenho um palpite de quem está por trás disso. Eles são marionetes, eles seguem ordens.

— O que eles fazem quando pegam as crianças nos esgotos? Levam para algum orfanato? — Alice negou.

— Matam. — apenas disse isso, sendo o suficiente para Yoongi engolir seco. — Eles achão que matando os órfãos irão previnir que a próxima Bruxa, ou o Alvorada nasça, mas aqui está você. Somente um órfão pode ser uma Bruxa ou Alvorada. — Alice olhou para trás e sorriu confortante. — Mas você tem um pai. — pegou sua mão, dizendo confiante logo em seguida. — Vamos dar um fora daqui. — cansada, ela esperou os dois estranhos irem embora e saírem de vista para que eles pudessem continuar.

— Por que ninguém faz nada para impedir eles? Eles não acham estranho o fato de tantas crianças morrerem? — Yoongi perguntou meio ofegante. Ambos andavam rápido. Estavam com pressa, e se fossem pegos, iria ser um problemão.

— Alguém está por trás disso, como também está por trás de tudo de ruim que acontece nessa cidade. — ela suspirou. — As pessoas fingem que não vêem, se fazem de cegas. Alienadas... essa fé cega está matando esta cidade. — Yoongi não entendia como isso podia acontecer, mas ele continuava ouvindo atentamente. — Mas estes carrascos estão atrás de alguma coisa, ou alguém. E se eles pegarem, não haverá esperança de ver o Sol nascer, ou a Lua brilhar uma outra vez.

— Então, creio eu que estou em risco. — riu nervoso. — Legal. — Alice olhou o garoto de canto. Não falou nada, mas ela esperava que no fim das contas os Detetizadores estejam atrás de outra pessoa, e não de Yoongi - o garoto que ela acredita ser especial, e também, a cura dessa cidade cheia de erros.

Eles andaram sendo guiados pela lanterna no meio do enorme corredor, até que finalmente Alice pôde ver uma escada lá no final. Ela dava para um alçapão de aço que era redondo, provavelmente uma tampa de bueiro que dava para a rua da cidade - mais especificamente, de frente para a biblioteca.

— Nós chegamos. — ela sorriu aliviada. — Tome, segure. — deu a lanterna ao menino, e então, ela seguiu até a escada e a subiu com sua bolsa pendura apenas pelo ombro direito. — Aponte para cá, irei abrir este troço. — pediu enquanto tirava um canivete de dentro de sua mochila.

— Você é mesmo preparada. — sorriu ela de canto.

— Nunca pense o contrário de uma garota como eu. — ela usou o canivete para tirar lascas ao redor da tampa que emperravam a passagem.

Aos poucos, ela conseguia abrir os arredores da tampa. Já fazia uns dois minutos que ela estava fazendo aquilo e Yoongi não conseguia parar de olhar para trás. Ele estava com medo, ele estava com um pressentimento ruim.

— Alice, anda logo. — pediu assustado.

— Estou indo o mais rápido que posso. Relaxa, estou quase acabando. — quando conseguiu limpar todo o arredor da tampa com um simples canivete, ela colocou a mão sobre o metal e empurrou para cima com toda sua força, mas era bem pesado.

— Vamos... — Yoongi sussurrou suplicante.

Mais uma vez Yoongi olhou para trás, e quando olhou, viu de longe luzes de lanternas tremendo de um lado para o outro, como se alguém tivesse se aproximando.

— A-Alice. — Yoongi alertou.

— E-estou quase! — empurrava com força. A tampa se mexia bem devagar para cima, até que finalmente soltou.

— Hey! — uma voz grossa gritou de longe. Yoongi tremeu.

— Alice! Rápido! — Yoongi desligou a lanterna e correu até a escada.

— É muito pesada! — com esforço, ela afastava a tampa de metal. Ela apenas conseguiu abrir uma pequena passagem, mas já era o suficiente para eles dois passarem. — Eu vou primeiro, irei te puxar. — Yoongi concordou. Ela jogou sua mochila primeiro e depois subiu, virando para trás para que pudesse puxar Yoongi.

De longe, dava para ver as lanternas de aproximando cada vez mais. Yoongi pôde ver bem de perto os homens daquela vez; os dois possuíam a mesma roupa sombria: um chapéu pontudo e preto, com máscaras pontudas em formato de corvo e os olhos cobertos por lentes escuras, usavam botas pretas de couro e roupões pretos. Eles eram assustadores e estavam cada vez mais perto de Yoongi.

— Vem! — Alice estendeu a mão. Yoongi colocou a lanterna na boca e subiu as escadas.

Com a mão dentro do bueiro, ela rapidamente pegou a de Yoongi, mas assim que foi tentar puxá-lo para cima, sentiu o garoto apertar sua palma e, de repente, ser puxado para baixo. Alice o segurou firme.

— Me soltem! — gritava o menino enquanto se debatia.

Os carrascos o seguravam pelas pernas e o puxavam para baixo, mas Alice não o soltava de jeito nenhum.

A perna esquerda de Yoongi era puxada com força pelos dois mascarados, mesmo assim, ele segurava firme na mão de Alice - que o puxava com toda sua força.

— Droga! — esbravejou ela. — Não me dão escolha. — ela pegou o alicate em seu bolso, apetando-o com força por estar nervosa. — Soltem o meu amigo! — Alice se jogou dentro do bueiro e caiu sobre os detetizadores, e desse jeito, fazendo com que soltassem Yoongi.

Alice caiu sobre a água do esgoto em cima de um dos mascarados. Ela não perdeu tempo em esfaquear um deles com o alicate, e fazendo isso, ela gritava.

— Yoongi! Corra! Vá! — estava muito escuro para que Yoongi pudesse ver algo, mesmo assim, ele saiu pelo bueiro, deixando Alice para trás.

Sem nem pensar, Yoongi pegou a mochila de Alice e correu o mais rápido que pôde. Quando percebeu, estava atrás de um muro num beco sem saída. Ele estava perdido.

Recuperando seu fôlego, ele olhou para o céu e enxergou a claridão do dia escurecendo cada vez mais, de forma rápida. Faltava pouco para noite chegar, e ele nem mesmo notou o tempo voar.

O tempo corria estranho.

Mas o tempo não era o problema, o problema agora era a noite chegando. A cidade estava prestes a dormir e a noite era o horário em que o mal andava pelas ruas sem qualquer problema. Yoongi estava perdido, mas por sorte, a biblioteca ficava do outro lado da rua.

Yoongi correu até o outro lado e enxergou a entrada da frente trancada. É óbvio que estaria trancada, já que a biblioteca não é mais usada por ninguém da cidade - e proibida a entrada. Contudo, ele daria um jeito de entrar, já que Alice conseguia, ele também iria conseguir.

— Vamos ver... — olhou para os cantos, até que se lembrou de que estava carregando a mochila de Alice. — Ah, é claro! Deve ter algo dentro da mochila dela que fale onde está a entrada disso. — suspirando confiante, ele abriu a mochila da garota e pegou seu caderno de anotações, e logo na última página possuía um enigma com a foto do Sol e da Lua que ela mesmo tirou com uma câmera polaroid. Yoongi logo entendeu do que se tratava. — “A entrada fica aonde a luz do Sol não bate, mas ainda sim cria vida.” — confuso, ele recitou as palavras escritas. — Que lugar é esse? — se perguntou.

Olhou para os lados, mas não viu nada. O Sol da tarde batia em todos os cantos da cidade, aonde será que seria essa passagem?

Uh? — murmurou assim que percebeu que havia um beco do lado da biblioteca, e ali ele seguiu.

Ali no beco só havia um lugar com sombras, pois havia um grande poste tapando a luz do Sol sobre a parede úmida e cheia de musgo. No beco, as paredes eram úmidas e cheias de pequenas plantinhas esverdeadas, e até mesmo possuía flores cor de rosa.

— Vida... — observou as flores. — a passagem deve estar aqui. — tocou a parede sob uma densa camada de musgo sob sombras, e então, empurrou as pedras que pareciam estar soltas ao tato.

Assim que ele empurrou, notou que ali havia uma porta, e não pedras. Com um pouco mais de força, ele conseguiu empurrar a passagem que se abria lentamente, como uma porta de metal enferrujada.

— Nossa... — murmurou surpreso. — Alice é mesmo esperta. — disse, sentindo saudades dela. Ele estava ainda meio assustado, mas não se deixaria abalar. Não agora que estava tão longe.

Teve que se abaixar para poder entrar pela passagem bem estreita, mas não tão apertada. Fechou a porta atrás de si, e então, entrou.

Assim que entrou deu de cara com uma sala bem grande e várias estantes, e ele estava bem nas últimas, bem lá no fundo. O lugar era bem grande, mas só possuía um único andar.

— Que lugar mais... silencioso. — falou a si mesmo. — Queria que Alice estivesse comigo. — respirou com calma, tentando conter suas sensações de medo. — Eu consigo. — apertou suas próprias mãos, e então, pegou a lanterna de dentro da mochila.

Assim que a ligou, tratou de procurar algo que não sabia muito bem o que era - mas que possuía uma ideia do que fosse. Ficou andando entre estantes e mais estantes, percebendo que várias delas estavam vazias, mas possuíam um ou dos livros - que não pareciam estar em bom estado, ou até mesmo legíveis a leitura. Estavam todas as estantes bem empoeiradas, nenhuma se salvava. Yoongi nem ao menos sabe como Alice conseguiu resgatar os tais livros que ela diz ter escondido, contudo, ele tinha que achá-los.

— Acho que esse é o lugar. — disse após ver vários livros amontoados um em cima do outro por ordem de cor sobre uma estante menor do que as outras da biblioteca. — Alice resgatou estes livros, e eles falam sobre tantas coisas. — Yoongi lia rápido cada título e se impressionava. Tinha livro ali que falava sobre paradigmas sociais, e alguns até mesmo sobre amor e histórias de amores perdidos. A maioria parecia ser poesia, contudo, dava a impressão de que estes livros não poderiam ser do conhecimento de ninguém da cidade, pois eles espalhavam algo que muitas pessoas poderosas tem medo de que outras pessoas tenham: conhecimento.

Colocando a lanterna sobre os livros, Yoongi notou algo brilhar entre as capas grossas de cor azul. Não tardou para que o garoto afastasse os livros ali, visualizando uma caixa de madeira com uma chave do lado.

— Eu só espero que aqui dentro tenha algo que me ajude. — antes que Yoongi pudesse abrir a caixa, ele ouviu um estrondo vindo atrás de algumas prateleiras atrás de si, e então, uma voz grossa falou bem alto.

— Ele deve estar aqui! — eram eles, os detetizadores.

— Não! — exclamou num sussurro.

— Vá pela esquerda, eu vou pela direita. — ouviu eles dizerem.

Sem saber o que fazer, Yoongi correu até a última estante e resolveu que iria ficar sentado ali, escondido. Ele não sabia o que fazer, mas com certeza estava esperando um milagre.

Com as mochilas nas costas, ele se sentou com as pernas encolhidas e abraçou as próprias pernas, já sabendo que logo estaria, possivelmente, morto.

— Alguém por favor me ajuda. — implorou para qualquer que tivesse o ouvindo, chorando aos prantos.

Como se alguém realmente tivesse ouvindo seus lamentos, Yoongi sentiu um livro cair em sua cabeça. O garoto grunhiu de dor e olhou para cima, e então, viu um gato preto o olhando de cima da estante.

— Um gato?... — sussurrou. O gato pulou da estante e caiu em pé bem a sua frente, o olhando fixamente com os olhos amarelos e cortados ao meio por pupilas grandes e negras como a noite.

Com sua pata, o gato colocou a mão sobre o livro já aberto, e então, a lambeu. Yoongi olhou o livro aberto numa página aleatória, porém, que chamava sua atenção pelo título da pequena poesia que tinha escrita ali.

Magia de Translocação.

— Magia? — se perguntou. Olhou para o gato, e sorrindo, ele encarou o bichano que lhe olhava curioso. — Magia... — sorriu de lado, pegando o livro com as mãos e lendo as seguintes palavras com toda fé e alívio que conseguia sentir naquele momento. E então, ele fechou os olhos, sussurrando:

“No meu mais profundo sonho,
ao meu lugar eu retornarei.

No meu mais profundo sonho,
em meu leito descansarei.

As sombras abraçarei,
e aqui não mais estarei.”

E ali, já não estava mais Yoongi. Como num passe de mágica.



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