História La Vie En Rose - Capítulo 3


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Categorias Once Upon a Time
Visualizações 370
Palavras 3.967
Terminada Não
NÃO RECOMENDADO PARA MENORES DE 18 ANOS
Gêneros: Aventura, Comédia, LGBT, Romance e Novela
Avisos: Álcool, Homossexualidade, Insinuação de sexo, Linguagem Imprópria, Sexo
Aviso legal
Alguns dos personagens encontrados nesta história e/ou universo não me pertencem, mas são de propriedade intelectual de seus respectivos autores. Os eventuais personagens originais desta história são de minha propriedade intelectual. História sem fins lucrativos criada de fã e para fã sem comprometer a obra original.

Notas do Autor


Olá, meus amores! Estou muito grata pelos 104 favoritos e todos os comentários. Eu não esperava que com dois capítulos a fanfic já alcançasse essa quantidade de favoritos. Muito obrigada por tudo!

Aqui está mais capítulo para vocês. Desfrutem!

Capítulo 3 - The heart wants what it wants


Fanfic / Fanfiction La Vie En Rose - Capítulo 3 - The heart wants what it wants

 

Regina

Observava absorta a constelação constituída por pintinhas dispersas pelo corpo da mulher que adormecia de maneira serena ao meu lado. Ela possuía uma expressão angelical ao dormir, com os lábios semiabertos e a mão pousada abaixo do queixo. Já quando acordada, não poderia qualifica-la de tal modo. Umedeci os lábios deixando um sorriso malicioso evadir ao lembrar que eu a havia feito chegar à exaustão. A mulher era incontestavelmente atraente, isso eu não poderia refutar. Melhor sexo que tive há muito tempo? Não há o que contradizer. Poderia até repetir, talvez eu gostasse. 

Meus pensamentos foram interrompidos quando o toque abafado do celular em minha bolsa se fez audível.

— Dina? – Atendi em um murmúrio, franzindo o cenho em confusão.

— Senhora Mills, me desculpe incomodar. – Sua voz aflita misturou-se ao o som de uma música alta que tocava ao fundo, fazendo-me achar a ligação ainda mais atípica.

O que a Senhora Mendez, que trabalha como governanta em minha casa, fazia desperta a tal hora da madrugada em um local tão barulhento? Não que fosse de minha instância, mas ela era uma senhorinha baixinha e rechonchuda de cabelos acobreados que tinha o hábito de ir ao bingo da igreja aos domingos.

— O que houve? – Estiquei a cabeça em direção à senhorita Swan, assegurando-me de que ela permanecia adormecida.

— É a Eleninha! – A aflição de sua voz em conjunto com aquele nome fez o meu coração latejar em apreensão.

— Eu telefonei indagando se ela já se encontrava em casa e você disse que sim! – Caminhei até sacada do quarto de hotel – Me diga o que aconteceu?

— Senhora Mills, não sei o que fazer. Eu já estava dormindo quando o barulho dessas músicas de jovens me acordou. Ela está dando uma festa com coleguinhas na piscina. Não me deixa abaixar e nem desligar o som. O porteiro do condomínio já ligou cerca de seis vezes porque os vizinhos não param de telefonar, estou com medo de chamarem a polícia! – Dizia desesperada.

— A Elena o quê?! – Falei alto demais, comprimindo os lábios logo em seguida.

— Eu já havia me recolhido quando algazarra começou e...

— Em vinte minutos chego em casa. – A cortei – Desligue o som Dina! Puxe da tomada, desligue o gerador, mas acabe com isso agora! – Ordenei encerrando a ligação.

— Que merda, Elena! – Massageei as têmporas em uma tentativa falha de manter a tranquilidade. Uma festa em minha casa, sem o meu consentimento. Quando eu perdi o domínio sobre a minha própria filha?

Ao me virar para regressar ao quarto, dei um sobressalto ao me assustar com um homem loiro, de meia idade, que me observava da sacada ao lado com olhos de cachorro quando mira um frango assado na padaria. “Bela bunda!” O vi pronunciar em uma leitura labial ao piscar o olho e fazer um gesto de “okay” com a mão. Só então, notei que estava completamente nua. Filho da puta! Ergui o dedo do meio em direção ao homem com uma expressão enfezada e adentrei ligeiramente no quarto.

Muito bem Regina, você tem duas bombas. Uma está adormecida à sua frente e a outra de quinze anos em sua casa, prestes a fazer a polícia bater em sua porta. Tentei conservar a calma ao me aproximar de Emily Swan para acordá-la. Espera aí! Parei abruptamente franzindo o cenho. Emily Swan? Esse não é o seu nome, é?! Arregalei os olhos assustada. Por Deus, Regina! Levei as mãos à boca em perplexidade. Como você esquece o nome da mulher com quem acabou de transar? Apertei os olhos tentando buscar em minha memória o nome da loira gostosa, porém no momento a única coisa que tomava conta dos meus pensamentos era Elena. Merda! Acobertei a mulher e preferi não acordá-la, não até me lembrar de seu nome. Meus olhos pousaram em sua bolsa que estava na poltrona ao lado da minha. Não?! Nem pensar, é invasão de privacidade, eu sei... Minha consciência gritava. Procurava recordar o momento em que a Senhorita Swan se apresentou, mas só fui capaz de lembrar o quão atraente ela estava naquele vestido. Não é possível que eu saiba de cór grande parte das leis do país e esqueça o nome da mulher com quem eu estava transando agora há pouco. Estalava os dedos, pisando de um lado para o outro. Seu nome parecia estar na ponta da língua, mas não conseguia recordar. Meus olhos se fixaram novamente em sua bolsa, refleti por alguns segundos. Ah, quer saber? Paciência! Dei de ombros corri até a bolsa em busca de algum documento seu.

Emma! Isso, Emma! Suspirei em alívio ao achar sua identidade na carteira. A propósito, bela foto, quem fica bonito em foto de documento? Maneei a cabeça negativamente reprimindo o meu pensamento prescindível para aquele momento.  Guardei rapidamente o documento em sua bolsa e a depositei no mesmo lugar.

Rapidamente me pus a recolher minhas peças de roupas que estavam espalhadas pelo chão enquanto projetava os sermões inacabáveis que Elena teria de ouvir assim que eu chegasse e colocasse um fim naquela algazarra. Com qual autorização ela dá uma festa a essa hora da madrugada? Ela nem imagina o quão encrencada está. Estava terminando de abotoar o meu blazer quando Emma despertou, mirando-me com uma expressão ambígua.

— Já iria te chamar. – Disse casualmente ao terminar de abotoar meu blazer.

— Aonde você vai? – Sentou-se arrumando o lençol em seu corpo.

— Preciso ir embora. – Minha filha adolescente, a qual eu não sei lidar, está dando uma festa sem autorização em minha casa. Pensei observando-a sem esboçar nenhuma expressão. Técnica adquirida em anos de tribunais.

— Co...Como? – Ela balbuciou surpresa.

— Eu tenho uma conta nesse hotel, você pode ficar à vontade e pedir o que desejar, por minha conta. – Ignorei sua expressão de surpresa, no momento havia problemas maiores a serem resolvidos.

— Só para ficar claro, você está indo embora e me deixando aqui sozinha, no meio da noite, é isso?

— Se quiser posso chamar um táxi para você. – O que ela ansiava de mim? Calçava os meus sapatos um tanto apressada.

— Eu posso pagar a merda de um táxi – Disse irritada, mas sem alargar o seu tom de voz. Mimada e egocêntrica, tudo que eu havia notado em nosso primeiro contato, mas ainda assim optei por voltar atrás. E não que eu me arrependa, o sexo valeu a pena, no entanto às vezes mais vale a praticidade de meus próprios dedos do que uma dor de cabeça como essa.

— Escuta, Emma – Me aproximei após apanhar minha bolsa – Eu lhe falei que era só sexo. O que aguardava? Girassóis e café da manhã na cama? – Fiz alusão à tatuagem de girassol que ela possuía atrás da orelha. E lá estava ela, boquiaberta e provavelmente ofendida. Qual o problema da maioria das pessoas? Proporcionamos a praticidade do sexo casual, mas elas findam esperando por mais. E esse mais sempre, sempre resulta em um coração fraturado, muitas vezes de formas irreparáveis. Antes que a loira saísse do seu estado de inércia e possivelmente começasse a me objetificar com nomes não muito agradáveis, caminhei até a porta e destravei-a com o cartão que posteriormente joguei sobre a cama – Tenha uma boa noite, foi um prazer. – Comumente eu aguardava o dia amanhecer para falar isso, todavia não havia alternativa.

Dirigi o mais rápido que pude sem me valer das leis de trânsito. Já poderia figurar o alvoroço que resultaria caso acionassem a polícia, acoplado com a nota tendenciosa e sensacionalista dos jornais. Ao passar pela entrada do meu condomínio, ofereci um sorriso forçado seguido de desculpas para o porteiro que de modo cordial me informou do som alto vindo de minha residência.

Na entrada de casa estava Dina, calçando chinelos, um roupão marrom e com bobes no cabelo. De certo arrependida por passar sua folga de sábado em casa.

— Ela ainda não acabou com essa palhaçada? – Bati a porta do carro, marchando com os meus saltos de maneira raivosa para dentro de casa.

— Eu pedi para ela desligar o som, faltei implorar, mas a senhora sabe como a Eleninha anda... – Dina lastimou tentando acompanhar o ritmo de meus passos com suas pernas curtas.

— O que essa menina está achando da vida?! – Adentrei em minha sala de estar e logo dei de cara com dois adolescentes se agarrando de maneira quase obscena em meu sofá. Meu sofá italiano, arrematado em um leilão, há dois meses! A música estava tão alta que eles nem se quer perceberam a minha presença.

— Ei, vocês! – Gritei, fazendo o menino loiro com a franja de Justin Bieber pular assombrado de cima de uma morena de descendência asiática – Estão achando que a minha casa é motel para adolescentes cheios de hormônios à flor da pele? A festa acabou! – Gesticulei irritada, caminhando a passos largos em direção à área da piscina.

Eu poderia definir o local como um verdadeiro pandemônio. Com cerca de vinte caos adolescentes, copos de plástico vermelhos propagados pelo chão junto com garrafas de vodca. Vodca! Adolescentes com bebida alcoólica, em minha casa. Engoli a seco, contendo o mal súbito que eu teria a qualquer instante. Um casal praticamente fazia sexo na minha piscina. Trocar a água da piscina! Fiz uma nota mental. Localizei a autora dessa desordem dançando de forma despreocupada com um grupo amigos. A música extremamente alta que decorria de uma caixa de som enorme, a qual eu não fazia ideia de como havia brotado em minha casa fazia zumbido em meus ouvidos. Sentindo a raiva tomar conta de mim, caminhei em direção à caixa de som, puxando com toda força o fio da tomada, o que fez um eco reverberar por todo o lugar. Um intenso silêncio se fez presente e vinte pares de olhos se viraram para mim.

— Vocês têm cinco minutos para sumirem da minha casa, antes que eu chame a polícia. Começando de agora! – A minha ordem foi clara, pois em um sobressalto eles prontamente se puseram a recolher seus pertences da forma mais veloz que os meus olhos podiam acompanhar.

Olhos acastanhados, semelhantes aos meus, me encararam de maneira hostil. Jogando os seus longos cabelos castanhos, Elena veio em minha direção.

— Você acabou de destruir a minha vida social, espero que esteja satisfeita! – Ouvir aquele impropério autoritário fez o restante da paciência que eu buscava se esvair.

— E você esteve a ponto de assolar a minha carreira! – O meu grito ecoou tão alto e duro que fez um garoto tropeçar em suas próprias pernas ao correr para longe – Uma festa regada a bebida alcoólica, repleta de menor de idade, incluindo você! – Apontei para ela – Que diabos você pensa que está fazendo? Eu tenho um nome a zelar.

— Se for começar com a histeria seguida de drama, é melhor eu subir para o meu quarto. – Fez menção em sair, mas a segurei pelo braço.

— Eu não estou para hostilidades, Elena. – Murmurei entre dentes.

— Vai me deixar de castigo o resto do verão? Já sei, vai tirar o meu cartão de crédito como da última vez? Além de boa advogada, você é boa em estragar vidas. – Puxou o seu braço de forma ríspida e voltou a caminhar.

Um nó se formou em minha garganta e eu impeli todo o meu autocontrole para que as minhas lágrimas não viessem à tona. Cerrando minhas mãos em punho, dei meia volta a seguindo para dentro de casa.

— No meu escritório, agora! – A minha ordem a fez parar de costas para mim, no meio da escada – E isso não é um pedido. – Acrescentei.

Ela ponderou entre acatar ou não, mas no fim voltou a descer a escada.

— Cuidado, desse jeito vai acabar machucando as cordas vocais. – O seu tom escarninho junto com o olhar mordaz que lançou ao passar por mim despertou a minha ira.  

— Afinal de contas, qual é o seu problema? – Adentrei no escritório batendo a porta atrás de mim.

— No momento, é você me impedir de subir para o meu quarto. – Rebateu sem direcionar seus olhos a mim.

— Você estava bebendo? – Ela negou com a cabeça, cruzando os braços ao encostar-se a mesa.

— Eu quero a verdade. – Ordenei.

— Se você sabe, por que pergunta? – Murmurou.

— Eu não serei mais condescende com as coisas que você faz! – Ergui o dedo em sua direção – Acabou, Elena! Não vou mais admitir essa armadura de hostilidade que você tem usado comigo, nem se quer a sua brutalidade e estupidez. Essa foi a primeira e a última vez que você dá uma festa sem a minha autorização. Estamos entendidas? – Minha filha soltou o ar e se manteve em silêncio, com uma expressão que fazia questão de explanar que não se importava com as minhas palavras – Está me ouvindo?

— Acho que a rua inteira ouviu você, Regina. – Ela tinha pleno conhecimento do quanto me atingia quando me chamava pelo nome ao invés de mãe.

— Você está de castigo! Excursão de acampamento nas férias? Cancelado. Cartão de crédito? Cancelado. Qualquer atividade que envolva lazer nesse verão? Invalidada. – Disse de forma controlada e fria.

— Mas o acampamento é...

— A conversa acabou aqui. – Interrompi seu argumento – E a bagunça lá fora é você quem vai arrumar. – Seus olhos marejaram e ela finalmente me encarou.

— Eu odeio você! – Vociferou em meio as lágrimas que escorriam pelo seu rosto avermelhado.

Não era a primeira vez que eu escutava aquilo dela. A garotinha bochechuda, que tinha medo do escuro e corria para a minha cama no meio da noite, havia se convertido em uma adolescente que parecia não tolerar a própria mãe. Aquilo ainda doía profundamente em mim.

— Eu ando aprendendo conviver com isso. – Disse inexpressiva – Boa noite. – Me pus a sair do escritório.

— A culpa é sua por ela ter deixado a gente! – Vociferou com a voz falhada pelo choro – Eu nunca vou te perdoar por isso. – Aquelas palavras me atingiram como um soco no estômago. Permaneci estática, apertando a maçaneta de ferro tão forte ao ponto de meus dedos perderem a cor, minha visão tornou-se turva quando lágrimas grossas fluíram de meus olhos. Comprimindo os lábios para evitar que meu choro me denunciasse girei a maçaneta abruptamente, saindo a passos largos dali.

Apenas me permiti desmoronar ao trancar a porta do meu quarto. Talvez eu nunca compreenda o motivo e nunca seja capaz de perdoá-la, talvez essa dor que paira em meu peito a cada menção feita sobre ela nunca seja detida. Sentada no chão, com as costas escoradas na porta, não conseguia ter domínio sob as minhas lágrimas que escorriam copiosamente. Se havia no mundo alguma pessoa que possuía o poder de me deixar vulnerável, essa era Ruby. Há três anos, vi a minha vida retroceder em tons escuros quando ela me abandonou da forma mais ordinária possível. Meramente se enfadou da vida de mãe e dos mais de doze anos que vivemos juntas. Deixando-me sozinha com uma pré-adolescente, achou coerente sair pelo mundo à procura de algo que segundo ela, eu não era capaz de lhe proporcionar. É amargo demais ouvir de quem se ama que você não é suficiente. O sentimento de exiguidade era sufocante sempre que eu me indagava onde eu havia falhado na nossa história. Quando em todos os dias que passamos juntas, em meio a todas as crises eu oferecia o meu melhor. Contudo, nem sempre o nosso melhor é tão satisfatório para fazer a quem se ama permanecer. Lidar com isso foi ficando mais ameno com o passar do tempo, mas certos gatilhos como esse, me fazem ruir e reviver novamente toda aquela dor que me acometeu ao vê-la partir. Ao fechar os olhos, ainda sou capaz de escutar o som de sua risada, sentir o seu cheiro inebriante e ver a representação de uma família feliz, que um dia, em um passado não muito remoto, nós fomos.

 

***

Se adormeci por três horas foi bastante, e como dormir após uma noite abarrotada de angustias internas e uma enxaqueca que não cessava por nada? Tal noite me resultou em olhos inchados e olheiras profundas. Sentada na mesa de minha cozinha, eu lia as principais notícias do dia no meu Ipad, bebericando o meu café preto, bem forte e sem açúcar quando a campainha soou. Soltei o ar, derribando os ombros em esmorecimento, o que eu menos queria no momento era contato humano. Caminhei lentamente até o corredor de entrada, abrindo a porta para o verdadeiro contraste de mim.

Vestindo uma roupa de academia, a qual o top apertado fazia seus seios quase saltarem para fora e com as madeixas castanhas presas no topo da cabeça em um rabo de cavalo. Belle me distribuía um sorriso tão feliz quanto os de comerciais de pasta de dente. Ela era como uma integrante de um musical, e não me admiraria se a qualquer momento a mesma principiasse a dançar dando piruetas ao cantarolar uma música irritantemente animada. Isso era o que mais me irritava em minha prima, mas em contrapartida, também era o que eu mais apreciava.

— Credo, você tá péssima! – Ela franziu o cenho me estudando – Parece que um trator passou por cima de você.

— Sua divina sutilidade a essa hora da manhã me encanta. – Respondi com ironia.

— Eu estava correndo e decidi vir aqui te dar um “oi”, mas acho que não é uma boa hora. – Belle morava há duas quadras de minha casa – Quer que eu volte depois? – Ela era uma das raras pessoas que me conheciam genuinamente, a ponto de não consternar-se quando eu resolvia me enclausurar do mundo.

— Não, entra. É até bom, estou precisando desabafar. – Abri espaço para que ela adentrasse.

— Deixe-me adivinhar... O que a minha afilhada aprontou dessa vez? – Não era difícil pressagiar o motivo das minhas constantes enxaquecas nos últimos tempos.

— Ah, Belle! Por que os adolescentes são tão difíceis de lidar e praticamente impossíveis de dialogar? – Caminhava com ela pelo corredor.

— Simples, porque são adolescentes. O que a Elena fez dessa vez?

— Uma festa aqui em casa em plena madrugada, com bebida alcoólica e o som nas alturas. – Contei.

— Isso enquanto você estava na festa da tia Cora? – Ela me olhou espantada.

— Não, depois.

— Depois do quê?

— Depois de eu ligar para Dina, já que a Elena nunca me atende. Avisando que eu iria passar a noite fora de casa.

— A noite fora? Aonde, exatamente? – Questionou curiosa.

— Não vem ao caso. – Adentrei na cozinha – Quer café?

— Você tem canudo?

— Como?

— Canudo, de chupar. – Explicou.

— Não. – Franzi o cenho confusa com tal questionamento.

— Então, não quero. Fiz clareamento dental – Mostrou os dentes brancos – Só tomo café no canudo. – Explicou.

— Claro. – Belle era tão excêntrica em certos aspectos, que escolhi não interrogá-la sobre.

— Mas, então... – Sentou-se na bancada de mármore preta de frente para mim – Não acredito que a Elena fez isso.

— Ela extrapolou todos os limites, Belle! Dina me ligou desesperada sem saber o que fazer naquela situação. Quando eu cheguei, a casa estava um caos. Dei de cara com dois jovens se pegando em meu sofá italiano! – Disse irritada – Ela perdeu totalmente a consideração e respeito por mim e aparentemente pela nossa casa também.

— Você sabe que isso é só uma fase, não é? – Perguntou de forma compreensiva – Toda a história com a Ruby e tudo mais... Acho que é a forma que ela encontrou de mostrar como está sendo difícil pra ela.

— Ontem ela jogou toda a culpa em mim. Disse que me odiava e que jamais iria me perdoar. – Desabafei em um fio de voz quase contido pela dor que aquelas palavras proferidas da boca de minha filha me ocasionou.

— Ela o quê?! – Gritou levantando-se – Onde essa pequena encrenqueira está? No quarto dela? Ah, ela vai me ouvir!

— Não, Belle! – Pedi – Isso só vai fazê-la se revoltar ainda  mais contra mim.

— Eu espero que a Ruby nunca volte a colocar os pés em Los Angeles, porque se eu chegar perto dela sou capaz de... – Bufou gesticulando as mãos como se enforcasse alguém – Vagabunda!

— Não fale assim...

— Você vai defendê-la? Vai defender a mulher volúvel que abandonou você e a própria filha para viajar o mundo com a amante? – Aquelas palavras me alvejaram, fazendo-me recuar em silêncio.

— Desculpa. – Ela pôs a mão na testa – Eu não deveria ter falado isso, me desculpa. – Pediu arrependida.

— Tudo bem. – Apertei os lábios, soltando um ar trêmulo – Você só disse a verdade.

— Que inclusive, a Elena deveria saber. Ter conhecimento de que a mãe dela a deixou para ir atrás de outra mulher e não porque você estava ocupada demais com o seu doutorado. Ela já tem quinze anos, Regina! Não é mais uma criança. – Quando tudo sucedeu, Ruby deu a entender que a razão de ela ir embora era por eu não ter mais tempo para o nosso casamento. Como se eu tivesse posto a minha carreira profissional como prioridade a frente da minha família.

— Não quero que ela sinta raiva da mãe.

— E tudo bem ela sentir raiva de você? Tudo bem você passar por tudo isso, por que a sua ex-mulher foi covarde demais para admitir a verdade e preferiu te culpar? A mulher sumiu do mapa Regina, manda mensagem para filha só em épocas festivas, com uma promessa de que elas passarão as próximas férias juntas, sendo que isso nunca acontece. É fácil bancar a vítima e ser a mãe legal, quando ela não encara a realidade e as consequências dos próprios atos.

— E o que você quer que eu faça?! – Bati com as mãos cerradas em punho no mármore – Quer que eu faça com que ela se sinta descartável como eu me senti? Como eu me sinto? Não Belle, não farei isso com a minha filha.

Ela balançou a cabeça em desaprovação.

— Tudo bem, é a sua filha e você sabe o que é melhor para ela. – Assenti – Mas ainda acho isso um absurdo.

— Por que não foi à festa ontem? – Indaguei-a em um tom cordial, mudando completamente o assunto como sempre fazia quando queria me esquivar de algo que me incomodava.

— Rosas são vermelhas, o céu é azul e você é péssima em desviar de algum assunto.

— Você tem consciência de que não me faz bem remexer nessa história.

— Sabe o que te faria bem? Enterrar essa mulher a sete palmos abaixo da terra e conhecer outro alguém, que faça seus olhinhos brilharem novamente. – Meu estômago revirou somente em escutar a alusão de me apaixonar outra vez.

— Claro, até porque tudo o que eu preciso é de um relacionamento, seria possível até que isso salvasse minha relação com a minha filha. – Ironizei. Belle iria me responder quando o meu celular vibrou sobre a bancada, com o visor piscando um número desconhecido.

— Um minuto. – Pedi atendendo a ligação – Alô?

— Bom dia, Senhora Mills? – A voz masculina soou do outro lado.

— A própria.

— Quem fala é o David Collan, gerente do hotel Palace Hilton. – Informou.

— Pois não?

— Desculpe-me o incomodo, mas é que algo incomum aconteceu. A senhorita que a acompanhava ontem à noite, pediu quatro espumantes da safra mais dileta que temos. Como a senhora não está presente, achei melhor consultá-la antes de aprovar no cartão que tem cadastrado conosco.  – Involuntariamente soltei uma risada. Encarei aquilo como uma vingança por tê-la deixado sozinha no meio da noite. Justo.

— Sem problemas, senhor Collan. A senhorita Swan tem a minha autorização para pedir o desejar. – Avisei ainda achando graça da situação.

— Ah, claro! – Ele prontamente respondeu – Então, irei liberar o pedido, me perdoe novamente, mas é o protocolo usado nesses casos.

— Tudo bem. – Disse finalizando a ligação ao mesmo tem que soltava mais uma risada baixa, o que fez Belle me encarar confusa.

— Quem é senhorita Swan? – Perguntou arqueando uma sobrancelha.

— Rosas são vermelhas, porém nem sempre o céu é azul, sabia? – Me esquivei de seu questionamento, fazendo-a semicerrar os olhos para mim.

De certo, Emma Swan fez aquilo esperando com que eu me importuna-se. Mas, o que aquela loira não tinha conhecimento é que mesmo sem querer ela foi a razão do meu primeiro sorriso do dia.

 


Notas Finais


Comentem e me digam o que acharam do capítulo, deixem suas sugestões, o feedback de vocês é muito importante para o andamento da história.
Sigam o twitter da fanfic (@lavieenrosefic)

Até o próximo, beijos.


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