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História Labirintos - Capítulo 7


Escrita por:


Notas do Autor


Oi amigas, tudo bem?

Sei que demorei mas ando com problemas pessoais que estão bloqueando muito a minha imaginação, então espero que entendam.

Agradeço muito a cada uma que votou nessa fanfic que ocupou o top 9 da TOP MELHOR FANFIC DE SUPERGIRL feito pela page @lenaluthorbr



Espero que gostem!

Agradecimentos a minha amiga Jess: @marcal_jess que me ajudou a editar. Obrigadinha linda ;*

Capítulo 7 - Amanhã não se Sabe


Fanfic / Fanfiction Labirintos - Capítulo 7 - Amanhã não se Sabe

National City: 2 de Maio de 2021- Atualmente


Um zumbido chato acordou Kara de repente. Os olhos estavam pesados e abri-los foi uma tarefa difícil, mas o barulho irritante do aparelho de celular logo ao seu lado na cama, estava incomodando demais para ignorar. Sem sequer conseguir abrir os olhos, ainda deitada de bruços, sentia o peso de um braço por cima de sua cintura, esticou o próprio braço e alcançou o objeto que vibrava sem parar, apenas atendeu por instinto, mas logo a voz feminina, desconhecida, a fez perceber que aquele não era o seu telefone.


– Lena, meu amor! Até que enfim. Onde é que você estava? Estou te ligando a noite toda… 


Os olhos da loira abriram em um susto e a primeira coisa que fez, foi tentar desligar a chamada, algo tão simples que parecia impossível em meio ao desespero. 

Agora, só de olhar para o aparelho, percebeu que não era o seu. Ainda era muito cedo, cerca de seis da manhã, e ela não fazia ideia de quantas horas havia dormido. Instantaneamente o coração acelerou como se estivesse fazendo algo de errado. Não havia feito nada demais, apenas atendeu o celular sonolenta, pensando que era o seu. Simples. Porém, diante do que havia escutado, se arrependeu amargamente. Não sabia o que pensar, já estava totalmente desperta e muito incomodada. 

Se virou com cuidado para não acordar a mulher que dormia ao seu lado e, quando conseguiu, tirou o braço dela delicadamente de cima de si. A morena parecia estar em um sono profundo, Kara não a olhou por muito tempo porque o primeiro sentimento que teve foi raiva.  

Raiva de si mesma por se sentir tão idiota, raiva dela, por fazê-la se sentir daquela forma. Virou-se para o lado oposto e tentou voltar a dormir, afinal ainda estava muito cansada, embora sua tarefa fosse em vão. 

Por outro lado, Lena não costumava acordar tarde, mas os últimos dias haviam sido tão estressantes e desgastantes, que se permitiu dormir um pouco mais. Seu único compromisso seria a Lua de mel, a viagem, e elas não precisariam partir tão cedo. Quando acordou, em seu horário matinal costumeiro, as 5h da manhã, ficou um tanto surpresa em ainda sentir a presença de um corpo nu e quente embolado ao seu. Mal sabia a que horas haviam adormecido, ou como elas acabaram emboladas daquele jeito. Talvez apenas tivessem adormecido exaustas depois de tudo que haviam feito naquela cama. Apagou por cerca de mais duas horas, não conseguia dormir até muito tarde.

Não sabia porque, mas a loira dormia agora enrolada num roupão de banho, com um travesseiro no rosto, achou estranho, não havia ouvido barulho do chuveiro nem nada disso. Ela parecia estar desmaiada. Lena se levantou, foi até o banheiro e depois foi até seu celular, precisava saber as horas, elas tinham um plano de voo marcado. 

Quando pegou o aparelho não acreditou no que viu, apenas esfregou o rosto indignada. Havia mais de cinquenta chamadas perdidas em seu celular, fora as incontáveis mensagens e, ainda pior, o mesmo número estava ligando de novo naquele exato momento. Sabia que continuar ignorando não iria adiantar, foi até o banheiro e atendeu, tentando falar baixo para não acordar a loira. 

Falou no telefone o mais rápido que pode e voltou para o quarto, procurando de pressa as roupas que vestia na noite anterior, não tinha tempo para abrir a mala e procurar outra, se vestiu correndo e saiu. Voltou da mesma forma, abrindo e fechando a porta com cuidado para não acordar a loira, mas quando se virou após fechar a porta, se assustou com a presença de Kara de pé, parada atrás de si.


– Kara! Que susto!  Colocou a mão no peito. 


– Onde você estava? Perguntou séria.


– Eu fui pedir o nosso café da manhã. 


– E por que não pediu pelo telefone?


– Eu não quis te acordar. 


– Ah, é mesmo? Perguntou parecendo incrédula, e Lena percebeu que ela parecia estranha. 


– Sim, imaginei que estivesse cansada. Disse tranquilamente enquanto passava pela loira. 


– Você não me parece o tipo de pessoa que sai assim. A loira se virou novamente em sua direção, tentando manter a naturalidade.


– Perdão? Lena estava nervosa, mas não sabia ao certo do que ela estava falando. 


– Assim, com essas roupas amarrotadas e toda desarrumada. Disse apontando para as roupas dela, fazendo Lena perceber o quanto estava realmente desarrumada. 


– Bem, como eu disse, só fui pedir o café da manha e não quis fazer barulho, para não te acordar… Disse um pouco envergonhada da forma como se apresentava.  


– Não seja por isso, da próxima vez, não saia assim por minha causa, eu sei o quanto você gosta de estar sempre engomadinha. Disse um tanto irônica, saindo e caminhando em direção ao banheiro, fazendo Lena se sentir ofendida. 

Engomadinha? Foi o que Lena ficou pensando depois que ela saiu, estava indignada. Algo nela parecia diferente, mas a morena estava com a cabeça cheia demais para notar naquele momento. 

Mal havia tido tempo para pensar como as coisas seriam quando acordassem e ela estava lá, tomando banho sozinha, algo que beirava a eternidade. Abriu a pequena mala e escolheu uma roupa, depois ficou esperando, olhando a vista da janela do hotel. 

Quando a loira saiu do banheiro, e Lena se virou para acompanha-la com os olhos, por um momento se sentiu paralisada. Como ela poderia estar ainda mais linda naquela manhã? A pele incrível envolta por aquele roupão, os cabelos finos molhados e agora, sem a maquiagem, pôde ver perfeitamente as sardas no rosto e no nariz. 


– Vou secar meu cabelo aqui, pode tomar banho se quiser. 


– Ah sim, tudo bem, obrigada. Lena apenas se sentiu tímida novamente e desviou o olhar, pegou as roupas que havia separado e foi tomar seu banho. 


Embaixo do chuveiro, recordava os momentos da noite passada. Parecia que os efeitos daquela espécie de “droga”, estavam começando a afetar seu organismo, era como se ela já precisasse urgentemente daquilo. Como poderia ser possível se sentir daquela forma com tão pouco? Em apenas uma noite com ela?

Desta vez, porém, mais calma, percebeu que ela estava séria demais, de uma forma que ainda não havia visto. Ela estava diferente da mulher fofa e brincalhona que estava morrendo de fome e com vontade de bater em uma certa cerimonialista durante o casamento. Nem todos acordam de bom humor, poderia ser isso apenas, não iria forçar nada. 




National City: 1 de Maio de 2021- Na noite anterior


Logo após a saída das noivas, Saskia permanecia sentada da mesma forma, ignorando tudo e a todos a sua volta, até que uma voz suave a tirou de seus pensamentos. 


– Tentando decifrar a idade do vinho? Disse Lucy se aproximando dela, visto que ela olhava fixamente para o liquido na taça. 


– Oh não, isso costumamos fazer sentindo o cheiro e o sabor. 


– Como eu não pensei nisso antes? Droga!


– E então, veio marcar a data do nosso casamento? Disse com uma sobrancelha arqueada. 


– Sinto muito, mas apenas vim lhe devolver. Jogou o buquê na direção dela e Saskia o agarrou. Apenas achei deselegante jogar de volta e te dar um fora na frente de todos. 


– Fico lisonjeada, obrigada! Então decidiu vir me dar o fora pessoalmente? Saskia estava adorando aquele jeito audacioso dela.


– Desculpe, sou jovem demais para casar, ou talvez simplesmente não queira. 


– Além de me dar o fora ainda me chamou de velha, acho que a noite já acabou para mim. Fingiu-se indignada e Lucy gargalhou. 


– Acho que você está sendo dramática demais. 


– Quem é que não gosta de fazer um drama para chamar a atenção de mulher bonita. 


– Não creio que isso seja necessário para uma dama de vermelho. 


– Xeque! Disse lhe dando uma piscadela. Sente-se, por favor.  


Lucy se sentou ao lado dela, e elas começaram a conversar. Saskia não era só linda de morrer, era inteligente, com um humor elevadíssimo e sexy, tudo nela era interessante e Lucy não estava nem um pouco preocupada com o fato de estar flertando descaradamente com ela.


– O que está bebendo?


– Piña Colada.


– Argh! Como consegue tomar bebidas com leite no meio? Não consigo entender. 


– Assim como eu não entendo como gente rica adora uísque, será que eles realmente gostam ou é por status? Saskia gargalhou. 


– Talvez apenas por ser uma bebida cara? 


– Provavelmente! Cadê o seu copo de uísque?


– Eu não sou muito fã.


– Ora, que tipo de rica é você?


– Não conta pra ninguém. Saskia a chamou para mais perto e cochichou quando ela se aproximou. Eu sou adotada! Disse fingindo seriedade, mas Lucy era tão debochada quanto ela e entrou no personagem.  


– Oh meu Deus! Eu não imaginava, me desculpe! 


– Tudo bem, dá para notar a quilômetros que eu não pertenço a essa família. 


– Com certeza, você não tem semelhança com nenhum membro dessa família!  


– Sim! Já imaginou o escândalo que seria se as pessoas descobrissem? Eu seria deserdada dos Luthor’s!


– Acho que você precisa segurar um copo de uísque para disfarçar!


– Acho que uma taça de vinho já ajuda, não?


– Talvez… Você gosta de vinho ao menos?


– Bem, eu diria que sou uma amante dos vinhos…


– Amante dos vinhos… Repediu as palavras dela parecendo tentar decifra-las. 


– E você, é uma amante de que?


Dessa vez, foi Lucy que a chamou para mais perto com o dedo indicador, e quando Saskia se aproximou, ela não foi até seu ouvido, ao contrário, permaneceu na mesma posição, olhou nos olhos dela, depois abaixou para sua boca coberta de batom vermelho, se aproximou ainda mais e lhe deu um selinho, depois se afastou. 


– Damas de vermelho. Lhe deu uma piscadinha, alcançou de volta seu copo e tomou um gole. 


– Xeque-mate!




National City: 16 de Abril de 2021- 2 semanas atrás


Lena estava na enorme sala espelhada, esperando por Kara, checava a caixa de e-mail no celular distraída quando ela chegou. 


– Oi…


– Olá, por favor, entre. Pode deixar sua bolsa ali junto com a minha. 


A loira pendurou a bolsa e tirou o casaco, depois caminhou até ela. Estava impressionada no quanto ela estava elegante, sempre com aquelas camisas sociais perfeitamente passadas e ajustadas ao corpo, como se tivessem sido moldadas a ela. A calça social, igualmente ajustada ao corpo, e um salto alto como de costume. 

Kara chegou a se sentir mal ao tirar o casaco e estar com uma roupa de ginástica por baixo e um tênis nos pés. Era uma aula de dança, não era? Só queria estar confortável, não imaginou que ela estaria com suas roupas habituais de mulher fina e elegante.


– Pronta?


– Sim, eu acho. 


– Você sabe algum tipo de dança?


– Não, nadinha, sou péssima nisso.


– Sem problemas, valsa não é muito difícil.


– É só aquele vai e vem igual ao dos filmes? Acho que consigo! Lena riu. 


– Mais ou menos isso, essa é a parte fácil!


– Ah não… E tem parte difícil?


– Claro, como tudo na vida. Posso? Disse se aproximando e fazendo menção de colocar as mãos em sua cintura. 


– Claro, fique à vontade. 


– Certo, você pode segurar nos meus ombros. 


A loira colocou os braços nos ombros dela e segurou com as duas mãos.  Aquela proximidade era tensa, e pela diferença de altura, ela estava com o rosto bem próximo do queixo e da boca dela. Kara já estava nervosa pela dança, e agora aquela proximidade a estava deixando inquieta, enquanto Lena parecia calma e tranquila como sempre. 


– Essa primeira parte é bem simples, como aquela que você já conhece. Vamos devagar para você se acostumar com os passos. 


Kara apenas concordou e Lena tirou um controle do bolso e deu play em uma musica clássica que começou a tocar no som. Os primeiros passos foram muito simples, mas Kara parecia muito dura, ou ela simplesmente poderia estar tensa, foi o que Lena pensou. 


– Simples, certo?


– Acho que sim…


– Nós só precisamos abrir um pouco mais, alongar os passos. Assim… 


– Aham…


Lena tentava demonstrar o que elas precisavam fazer e Kara já estava perdida em seus pensamentos impuros, no quando desejava de fato se abrir para aquela mulher. 


– Entendeu?


– Sim. 


– Certo, vamos tentar.


Nas primeiras tentativas, Kara não conseguia acertar o passo, sempre se perdia ou errava a direção. 


– Me desculpa… 


– Tudo bem, é sua primeira vez, está indo bem. Só acho que você está muito tensa.


– Estou um pouco nervosa, com medo de pisar no seu pé…


– Não se preocupe com isso, esquece todo o resto. Você precisa relaxar, respira fundo e fecha os olhos, imagine-se dançando. Me deixa te conduzir… Não abra os olhos, apenas sinta a melodia… 


– O que? Como? E se eu cair?


– Não vai, Kara. Eu estou aqui. Apenas confie em mim, eu não vou deixar você cair. 


– É muito difícil não saber para onde estou indo…


– Eu sei… Assim, você pode se imaginar indo a qualquer lugar, fazendo o que você quiser. 


A melodia era calma e a voz de Lena era suave. Sem ao menos perceber, Kara já estava dançando, sem errar os passos, sem se perder, apenas deixava que ela a levasse para onde quisesse, era o que sentia. 

Tudo estava indo perfeitamente bem, a música, a melodia, os passos da dança, o perfume dela que aos poucos se misturava ao ar que entrava em seus pulmões. A sensação de flutuação cessou quando Kara pisou no pé de Lena, a fazendo grunhir com a dor, mesmo que disfarçadamente. 


– Aí, me desculpa. Você está bem? Eu te machuquei?


– Não, não foi nada. Não se preocupe. 


– Eu sabia que isso iria acontecer, eu sou muito desastrada mesmo…


– Está tudo bem, relaxa, você está aprendendo, é completamente normal. Além do mais, você estava indo muito bem, não há com o que se preocupar. Podemos continuar?


– Sim… Você parece saber muito bem o que está fazendo, você já fez aula de dança? 


– Sim, fiz balé durante toda a minha infância. 


– Que incrível, não sabia. Você ainda dança?


– Não. 


– Por quê? Você não gosta? 


– Sim e não.


– Pensei que quem fizesse balé, era apaixonado por isso. 


– Na minha família a gente faz para aprender a ter disciplina.


– Credo! Parece até o exército! Lena riu. 


– Não é bem assim… Bem, eu não fui obrigada, mas é quase como se fosse uma tradição entende? 


– E o que isso tem a ver com disciplina?


– Tudo! Bem, o Balé Clássico consiste de basicamente três elementos: Técnica, Música e Atuação. Esse conjunto te ajuda a criar a disciplina do corpo, mas não só isso, também da mente e do espírito.


– Nossa que profundo. 


– Bastante… 


– É por isso que você tem gestos tão delicados e ao mesmo tempo tão firmes?


– Sim. Isso se chama postura. Essa postura é adquirida com anos de treinamento, e mesmo que você pare de praticar, quando você se apropria disso, é difícil esquecer. 


– Há quanto tempo você não pratica balé? 


– Muitos! 


– Realmente funcionou.


– Obrigada? Eu acho. 


– Para ser uma Lady Luthor é preciso saber dançar assim? Então eu já comecei errado! 


– O que? Disse gargalhando. Não tem nada a ver. 


– Claro que tem! E eu que pensei que vocês já nasciam com essa fineza toda! 


– Claro que não. Na realidade nascemos todos iguais, são os processos que nos mudam, nos moldam. 


– Vou ter que fazer aulas de Balé Clássico para me casar com você? Mais uma vez Lena gargalhou, enquanto Kara parecia falsamente preocupada. 


– Claro que não, que absurdo! Bom, de etiqueta, talvez? Dessa vez foi Kara quem riu. 


– Você acha que em quinze dias eu consigo aprender tudo? Ei, espera! Está dizendo que eu não sei qual garfo usar na mesa? Dentre todos aqueles?


– Não! 


– Ah, porque eu não sei mesmo! 


As duas riam divertidas e Lena tomou outro pisão no pé.


– Aí! 


– Me desculpe! 


– Não, não. Está tudo bem. Acho que você já aprendeu essa parte, só se distraiu. 


– Sim, fiquei preocupada com as regras de etiqueta.


– Aposto que sim! Vamos descansar por hoje e podemos tentar amanhã de novo?


– Por mim tudo bem. 


– Certo, você pode amanhã esse horário?


– Poderia ser de manhã?


– De manhã eu não posso, estou ocupada com a minha pesquisa. 


– Poderia ser na hora do almoço? Nós ensaiamos e depois podemos almoçar juntas se você quiser. É que eu estarei de plantão amanhã logo depois do almoço. 


– Tudo bem. 


– Ok, ótimo! Combinado. 


– Perfeito!




National City: 2 de Maio de 2021- Atualmente


Ao sair do banheiro, Lena observou a loira já arrumada, sentada na cama e mexendo no celular, parecendo ignorar as batidas na porta. Ela foi ate lá e abriu, era o café da manhã delas, mas Kara pareceu não notar. 


– Kara? O nosso café da manhã… Você não está com fome?


– Ah sim, eu já vou, obrigada. 


Lena sentou-se à mesa onde o serviço de quarto havia arrumado o café da manhã e apenas serviu uma xícara de café preto. Esperava pela loira, que parecia ignorar completamente sua presença naquele quarto, estava começando a se incomodar com aquele jeito dela. 


– Nós temos horário marcado para a viagem, você não vai vir comer?


A loira virou os olhos e foi até a mesa, sem sequer olhar para Lena que estava achando ela uma criança emburrada e mal educada. 


– Pensei que o jatinho fosse seu. Disse enquanto comia a coisa mais doce e menos saudável naquela mesa. 


– Da família Luthor. Corrigiu. E mesmo que seja, existe um plano de voo programado e seria melhor se respeitássemos ele. 


– Sim, Senhora! Estou pronta, Capitã! Nem estava com fome mesmo. 


Se levantou bruscamente, quase assustando a morena com o gesto nada delicado. Lena não estava entendendo nada do que estava acontecendo. 


– Nós não vamos sair agora, só daqui uns quarenta minutos… Disse calmamente. 


– Ótimo! Minhas coisas estão prontas, eu vou tomar um ar, volto na hora de sairmos. 


A loira saiu batendo a porta com força e Lena apenas suspirou, não sabia o que havia feito de errado ou se ela simplesmente estava arrependida do que elas tiveram na noite passada. Estava ferrada, aquela lua de mel mal havia começado e as coisas já estavam tensas daquele jeito. Já imaginava o quanto os dias seriam longos dali pra frente. 

Lá fora, na área de lazer do hotel, Kara ficou na varanda, apenas sentindo a brisa lhe bagunçar os cabelos. Estava com raiva, mas acima de tudo, sentia-se estúpida. Estúpida demais para acreditar que se deixou levar tão facilmente por aquela mulher. 

Era óbvio que aquilo era apenas um contrato. Ela sabia daquilo desde o início e mesmo assim se deixou levar por suas emoções estúpidas. O pior de tudo era que se sentia usada. Se ela queria apenas sexo, poderia ter deixado claro antes que aquilo acontecesse. Lena Luthor poderia simplesmente ter sido sincera com ela. 

Tudo estava perfeito demais. Perfeito demais para ser verdade. É claro que ela tinha uma pessoa, uma mulher como aquelas não poderia estar simplesmente sozinha por ai. 

Queria ligar para sua melhor amiga, mas saiu tão de pressa que esqueceu o celular no quarto e não queria voltar. Precisava aproveitar seus últimos instantes de liberdade até ter que entrar num avião com a mulher que não queria sequer olhar na cara. 

Tímida? Kara riu sozinha. Como ela poderia ser tão cara de pau? Tão boa atriz em fingir tão bem que nada estava acontecendo? Tudo não se passava da droga de um contrato e elas não tinham compromisso algum uma com a outra, então por quê? Por que ela estava mentindo tão descaradamente? Seria um plano da família Luthor para que ela não desistisse do acordo? Baboseira. 

Não sabia quanto tempo havia se passado, então decidiu ir antes que ela viesse procurar por ela. Tomou uma decisão, iria aproveitar aquelas “férias”, com ou sem ela. Era só ignora-la e estaria tudo certo. 

Voltou pra o quarto e pegou o celular, os empregados do hotel já estavam levando a pequena mala delas e Lena estava à sua espera. O motorista já estava esperando na porta do hotel, elas entraram no carro e todo o caminho até o aeroporto foi um silêncio pesado e constrangedor. 

Mesmo sabendo de todo o império daquela família, Kara não deixou de se espantar com o luxo daquele jatinho, mas virou os olhos quando viu o nome Luthor escrito na ponta de trás do avião, achou quilo extremamente brega. 

Mesmo deslumbrada com todo aquele luxo, não consegui afastar seu nervosismo, odiava voar. Sentou-se em um dos bancos e Lena a acompanhou sentando-se ao seu lado e percebendo que Kara estava um tanto agitada. 

A primeira coisa que a loira fez foi procurar o cinto e apertá-lo de pressa, depois começou a olhar pela janela e respirar fundo, estava ansiosa demais e era difícil controlar a respiração. 


– Kara? Você está bem?


– Si-sim… Falou com dificuldade. 


O avião estava prestes a decolar e a falta de ar só aumentou. Agarrou forte a lateral do assento, fazendo os dedos ficarem vermelhos. 


– Kara, está tudo bem mesmo? Porque não parece… Colocou a mão em cima da dela, mas ela a tirou bruscamente sentiu o toque. 


– Já já passa. 


Lena se sentiu péssima, agora sim teve a certeza de que o problema era mesmo com ela. Apenas respirou fundo para não se estressar ainda mais. Iria deixá-la em seu canto se era aquilo que ela queria. 

A decolagem foi rápida e Kara pareceu se acalmar da mesma forma, até soltou o cinto depois. Lena estava com a cabeça inclinada no assento e com os olhos fechados, estava sentindo umas pontadas leves na cabeça. 

De repente a loira parecia inquieta, não parava de se mexer e não ficava quieta. Começou a bater as unhas em algum lugar, fazendo um barulho irritante, deixando Lena louca. Ela não parava quieta e o ruído estava aumentando ainda mais a sua dor. Em pouco tempo, ela já estava conseguindo tirar sua paciência. 


– Você não consegue ficar quieta? Disse impaciente abrindo os olhos e olhando séria para ela. 


– Desculpe, eu não sabia que não podia me mexer! Disse extremamente ofendida. 


– É claro que você pode se mexer, mas poderia, por favor, parar com esse som irritante, porque eu estou com dor de cabeça! 


– Eu estou entediada, odeio voar, o que você quer que eu faça?


– Não sei, coloca um fone de ouvido!


– Como é? Desculpe atrapalhar a sua viagem!


– Não foi isso que eu disse, só disse que estou com dor de cabeça, mas quer saber? Esquece!


– Está estressadinha por quê?


Lena fechou os olhos novamente, cruzou os braços e se recusou a responder àquela provocação. A loira parou com o barulho irritante, mas ainda se mexia freneticamente.


– Eu estou com fome! 


– Há meia hora você disse que não estava com fome. Disse sem sequer abrir os olhos ou sair da posição em que estava. 


– Mas agora eu estou, não posso?


A morena apenas suspirou e chamou pela aeromoça que logo estava ao lado delas. 


– Fer, poderia trazer algo para a Senhora Luthor comer, por favor? Obrigada. 


A mulher saiu e voltou trazendo uma bandeja com uma espécie de café da manha para a loira e ela finalmente pareceu sossegar. 


– Para onde nos estamos indo? Disse ainda de boca cheia e Lena se surpreendeu. 


– Como assim? 


– Ora, para onde estamos indo?


– Você não sabe?


– Não, e você? 


– Também não… 


– Como assim também não?


– Ora também não, só me disseram que estávamos indo para um lugar que você havia escolhido e eu saberia no caminho, mas você estava tão irritada que fiquei até com medo de perguntar. A loira virou os olhos. 


– Mas que mentira. Me disseram a mesma coisa!


– O que? Como assim? 


Antes que Lena chamasse pela aeromoça novamente, ela já estava vindo com um envelope e lhe entregou, dizendo que eram ordens e que tudo que elas precisavam saber estava ali. 


– O que é? O que está escrito? Kara estava quase eufórica.


– Calma, eu estou abrindo. Parece uma carta.


– Então leia! Eu tô curiosa. 


– Calma! Quer ler ou eu leio em voz alta? 


– Tanto faz, anda logo!



Lena pegou a carta e começou a ler em voz alta.


“Queridas, esperamos que estejam aproveitando o voo. A esta hora devem estar curiosas e se perguntando para onde estão indo, mas não se preocupem, logo irão descobrir, mas antes vocês precisam saber de uma coisa. Nós, as pessoas que mais conhecem vocês, montamos um pequeno plano de viagem, para que vocês possam visitar e conhecer os lugares que vocês têm mais vontade, por isso nos reunimos e preparamos essa surpresa para vocês. Claro que vocês só saberão para onde estão indo, quando já estiverem no avião. Não se preocupem com roupas e outras coisas, nós já fizemos as malas de ambas, vocês não precisam se preocupar com nada, tudo o que vocês precisam está no avião. 

Que vocês possam aproveitar cada momento da melhor forma, preparamos tudo com muito carinho. Dentro do envelope haverá sempre um cartão postal do lugar para onde vocês irão. 


Abraços, 


Lillian, Eliza e Lucy.”


– Olha dentro do envelope, o cartão deve estar aí dentro!


– Eu sei, acabei de ler. Calma, vou pegar!


Lena enfiou a mão no envelope e retirou um cartão postal, não gostando muito da imagem que viu. 


– Ah não, você tinha que escolher um lugar quente!


– Desculpe, mas não sei se você entendeu o que estava escrito nessa carta, mas não fui eu quem escolheu, foram elas!


– Claro, com base no que você gostaria de conhecer. 


– Ora, mas que culpa eu tenho?


– Tem razão, nós duas fomos enganadas! A loira apenas deu de ombros 


– Ao menos uma notícia boa, praia, aí vou eu!



Notas Finais


Amigas é isso por hoje, espero que tenham conseguido matar um pouquinho da saudade!

EU DIGO FOGO E VOCÊS...

Aposto que quem tava pedindo att já se arrependeu kkkkkkk

Meu tt: @Caammylla

Que Rao nos ajude!


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