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História Laço Inevitável - Capítulo 69


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Notas do Autor


Oie!

Boa leitura!

Capítulo 69 - Tome cuidado


Depois de passar um tempo abraçados, Boruto me puxou, deitando-nos sobre a cama. “Precisamos dormir. Podemos conversar melhor amanhã” foram as palavras dele após deitarmos nossas cabeças nos travesseiros. Sem afastar nossos corpos, fechamos nossos olhos e não demorou até que o sono nos pegasse. 


(...) 


Assim que acordei, fiz uma rápida higiene e mudei minhas roupas. Depois, saí de casa com pressa atrás de notícias. 

Ainda havia certo tumulto, mas nada comparado à madrugada. Tudo estava mais tranquilo, o que me gerou conforto. 

Imaginei, de imediato, que minha mãe não estaria em casa tão cedo, então resolvi ir até o local com maior garantia de sua presença: o hospital. 

As coisas lá pareciam pouco mais movimentadas do que pelas ruas, embora não fosse algo que fugisse do comum, havia uma parcela maior de tensão sobre os médicos e pacientes presentes. 


— Se não precisa de nada, suma daqui! — Ouvi a voz cínica de Inojin.


— Estou procurando minha mãe. 


— Ela está em cirurgia. Você está bem? 


— Estou, só queria vê-la... 


— Pode esperá-la em sua sala. A chave deve estar com os pertences dela fora da sala cirúrgica — disse ele. 


— Eu posso entrar lá? — perguntei.


— Não... mas eu posso. 


Revirei os olhos, achando graça do seu senso de humor mesmo estando semi-morto. 


— Deve estar cansado — disse a ele enquanto caminhávamos pelos corredores. 


— Eu estou, mas... vale a pena.

Sorri com sua resposta. 

— Chegamos. Sua mãe ainda está lá dentro, mas as coisas dela devem estar na parte de fora. Enfim, vejo você depois?


— Claro. Obrigada, Inojin. 


Ele fez uma breve reverência com a cabeça e saiu dali. Meio hesitante, entrei na primeira porta do local, onde localizei vários pertences diferentes. Minha mãe estava logo depois da segunda porta do local, e eu podia vê-la de onde estava, através de um vidro. Sua assistente estava ao seu lado, e uma enfermeira avisou-a de minha presença, então Sayuri logo veio ao meu encontro. 


— Sarada-chan! — sorriu. 


— Sayuri-san, há quanto tempo! 


— Realmente... Diga, você está bem? Precisa de algo? 


— A-Ah, estou sim, obrigada, eu só... vim pedir as chaves da sala da minha mãe — expliquei.


— Oh, claro, espere um minuto. 


Sayuri adentrou a segunda sala novamente, falando algo no ouvido de minha mãe. A mesma olhou através do vidro, provavelmente me procurando, e sorriu quando seus olhos me encontraram. Ela estava cansada, era notório; seus olhos continham pequenas bolsinhas de inchaço e o suor em sua testa era visível, além dos cabelos pouco desgrenhados. Ela não estava só cansada, ela estava exausta, mas enquanto estivesse de pé, continuaria ali. 


“Teimosa!”, pensei. 


(...) 


Fiquei esperando minha mãe em sua sala por algum tempo, até que finalmente ela apareceu. 


— Esse escritório combina com você — disse ela. 


— Eu discordo. Acho que você e eu sabemos que eu não levo jeito pra área médica. Por outro lado, o escritório de Hokage seria mais minha cara — brinquei, seguido de um riso por ambas as partes. — Você está bem? Se sente cansada? 


— Eu me recuperei quando vim para o hospital, não se preocupe. Inojin cuidou muito bem de tudo, mas não havia necessidade de deixá-lo sozinho, uh? 


— Você devia descansar — adverti, me levantando da cadeira.


— Vem aqui — disse ela, sentando-se no sofá, dando leves batidinhas no assento ao seu lado. 


Sentei-me ao seu lado, me inclinando até deitar em seu colo. Naquele momento, era apenas isso que eu queria, e obviamente ela já sabia disso apenas ao me fitar. Nunca entendi como ela podia me conhecer tão bem, mas era bom eu nem precisar dizer.


— Você quer conversar? — perguntou, acariciando meus fios.


— Não... Eu só queria ficar com você. 


— Entendo. 


No mais completo e tranquilo silêncio nós ficamos. Não lembrava quando fora a última vez que havia tido um momento daqueles com minha mãe. Seu carinho em meus cabelos renovaram as energias que haviam sido retiradas de mim naquela madrugada turbulenta. 


— Mama? 


— Sim? 


— Você tem notícias de Konohamaru? — perguntei, apertando os lábios. 


— Ele ainda não acordou, mas não se preocupe, ele continua estável e o corpo dele está respondendo bem. Ele não vai demorar a acordar. 


— Que alívio! — Expirei um ar que não lembrava de estar segurando. 


— É por isso que está preocupada? — questionou. 


— Também, mas saber disso já é o bastante, por ora — respondi, erguendo-me. — Obrigado por isso. 


— Sarada... — Ela sorriu. — Você e Boruto conseguiram descansar? 


— Sim — disse de imediato. —  Estamos bem. 


— Certo, eu...


Fomos interrompidas por Sayuri batendo à porta. Em seguida ela entrou, desculpando-se pela intromissão e anunciando que uma paciente precisava de minha mãe naquele momento. Recebi um olhar triste e uma leve carícia no rosto, mas consegui tranquilizá-la dizendo que passaria em sua casa mais tarde. Assentindo, minha mãe levantou para atender a paciente, e eu a segui para fora do escritório. 

Saí do hospital em busca de qualquer alma ninja que soubesse qualquer informação a respeito do que seria feito, ou se havia alguma novidade. Para evitar perda de tempo e quaisquer dúvidas, fui até o escritório do Hokage. Não queria admitir, mas eu estava um pouco ansiosa. 

Bati à porta e logo recebi a permissão de entrada. Não foi surpresa para mim a presença de meu pai e de Boruto naquela sala. Encarei-os, respectivamente, e perguntei, sem rodeios: 


— Nanadaime, alguma novidade? 


— Infelizmente não, mas foi ótimo você ter vindo até aqui — respondeu o Hokage. 


— Do que precisa? 


— Quero que você, Kawaki e Mitsuki investiguem um possível esconderijo dos inimigos. 


Atentei-me às palavras dele, que, em seguida, desenvolveram-se em uma explicação rápida de seu plano. Ele pedira também que eu reunisse os dois ninjas citados e explicasse a situação, e que partíssemos no dia seguinte. 


— Você não vem? — dirigi-me a Boruto. 


— Preciso dele aqui na Vila — interveio meu pai. — Boruto e eu trabalharemos em outra pista. 


— Vocês dois trabalhando juntos? Céus, isso é castigo! — Vi o Hokage gargalhar da minha fala, ao passo que recebia os olhares de repreensão de Boruto e de meu pai. 


— Certo — pronunciou o Hokage. — Sarada, posso contar com você?


— Hai! 



(...) 


Como fora pedido, reuni Kawaki e Mitsuki para a tal missão urgente. Ambos me questionaram do porquê aquela missão não contar com Boruto, então também tive de informar a eles a explicação da qual meu pai havia passado. 

Organizamos nossas coisas para partirmos logo no início daquela madrugada. O resto do dia eu passei ajudando os donos de estabelecimentos a reconstruírem seus locais de trabalho, devido aos acidentes da noite anterior. Não conseguia ficar parada diante daquela situação, então me esforcei para ajudá-los da forma que podia. 

À noite, voltei pra casa e tomei um banho rápido; ainda teria que ir até minha antiga casa para ver minha mãe. 

Bati à porta e a linda dona dos olhos verdes e cabelos rosas me recebeu. 


— Eu disse que viria, uh? 


— Você parece cansada, querida. Vem, entra — disse ela. 


— Cadê o papai? — perguntei.


— Ele ainda não chegou, mas logo deve estar em casa. Por quê? 


— Nada — respondi, sentando-me à mesa —, só queria passar mais um tempinho com você antes de ir.


Pousei meu cotovelo sobre mesa, em seguida, meu queixo sobre minha mão. Somado ao gesto, um sorriso gentil e cansado se abriu em meus lábios. 


— Ir? — questionou, retirando a atenção do chá que preparava na cozinha. 


— O Nanadaime pediu que eu fosse investigar um possível esconderijo do inimigo. Em princípio, é só uma suposição, mas todo cuidado é pouco, e como não temos muitas pistas, temos que ir atrás do que conseguirmos... 


— Ele mandou você sozinha? — perguntou ela, dando sinais de indignação. 


— Não, mama, relaxe. Kawaki e Mitsuki estarão comigo. — Não contive um riso baixo. — Você nunca vai deixar de se preocupar, não é? 


— Não, acho que nunca conseguirei. — Ela suspirou. — Deve ser intuição de mãe, talvez um dia você entenda. 


— Talvez... — respondi sem pensar. 


Fiquei alguns segundos observando o nada, enquanto alguns pensamentos invadiam minha mente. Mal percebi quando minha mãe se aproximou, colocou a pequena jarra e as xícaras sobre a mesa e sentou-se ao meu lado. 


— Hum — balbuciou —, Konohamaru está melhorando rápido. Há grandes chances dele acordar amanhã ou no dia posterior. 


— Oh, isso é ótimo. Fico feliz em saber. Caso ele acorde e eu estiver fora, por favor, peça para Denki entrar em contato, me avisando. 


— Claro — respondeu, servindo nossos chás. — Querida, você está bem? 


— Estou, mama.


— Eu só estou preocupada. Você parece cansada, mal se recuperou da noite anterior e já vai partir para outra missão... — Ela hesitou, refletiu e sorriu. — O que eu estou dizendo, uh? Na sua idade eu fazia a mesma coisa e achava tolice as preocupações da minha mãe.


Aquela reação me arrancou um riso sincero. 


— Acho que eu acabo dando motivo para as preocupações de todos, é compreensível. — Fitei-a, pegando em sua mão. — Mesmo que eu quisesse, você sabe que não podemos parar agora. Todo e qualquer ninja trabalhando dentro de Konoha ainda será pouco. 


— É, eu sei... Só... tome cuidado, Sarada. Eu não tenho dúvidas da sua capacidade. Sei que é uma kunoichi excelente, mas os acontecimentos da noite passada não deixaram ninguém sair impune. Todos os ânimos foram exaltados e eu tenho medo que isso interfira em seu julgamento.  


— Eu vou tomar cuidado, mama. Terei a frieza necessária para tomar qualquer decisão, assim como sempre tive... na maioria das vezes. — Dei de ombros, arrancando um sorriso dela. 


— Hai, hai. Beba seu chá antes que esfrie, sim? 


Acenei positivamente, bebericando o chá que fora servido. 


(...) 


— Boa noite, mama. Vejo você em breve! — disse, me afastando de seu abraço em seguida. 


— Tome cuidado, Sarada. 


— Eu sempre tomo. — Lancei uma piscadela. 


Assim que ela fechou a porta, senti outra presença. 


— Que bom que chegou! Também queria vê-lo antes de ir — disse. 


— Sarada... Está de saída? 


— Hai, hai. Fiquei um tempinho com a mamãe. Vou partir essa madrugada. 


— Como planejado... Precisa de algo? — perguntou. 


— Só de um abraço do meu pai antes de ir. Será que é possível? 


Sua sobrancelha arqueou, talvez estivesse surpreso com meu pedido repentino, mas aparentemente não foi um impedimento para ele. Apenas o tempo de eu sentir sua mão em minhas costas e me puxar para si foi o suficiente para eu entender que era possível. 


— Arigatou, papa. 


— Dê seu melhor. — Ele se afastou delicadamente, tocando minha testa com dois dedos. — Conto com você. 


— Hai — disse, em meio a um sorriso. — Ah... Você tem ideia de onde Boruto esteja? 


— Mandei ele ir pra casa. Ele insistiu em continuar trabalhando, mas eu disse a ele que não me adiantaria em nada tê-lo pela metade. 


— Entendo. Bom, boa noite, papa. — Fiquei na ponta do pé para dar-lhe um beijo em sua bochecha. 


— Boa noite... E Sarada... 


— Sim? 


— Tome cuidado.


Sorri singelo, acenando positivamente e balbuciando uma concordância. Por vezes eu achei exagerado todo aquele cuidado que os pais costumam ter, mas conforme os anos se passaram, eu pude entender um pouquinho mais o lado deles. 

Ao passo que cresci, perdi pessoas importantes para mim, pessoas das quais não consegui proteger, bem como consegui salvar boa parte dessas pessoas também. Obviamente não se pode comparar estes sentimentos de preocupação e proteção com os de pais com seus filhos, mas foi algo que pude aprender com o tempo e que me fez enxergar um pouco sobre o cuidado com quem se ama. 

Cruzei o portão que dava para minha antiga residência e fui até a casa de Boruto. Depois de alguns segundos do aperto na campainha, fui recebida. 


— O que você quer? — disse Kawaki, em entonação costumeira de tédio, o que me fez revirar os olhos. 


— Onde ele está? 


— Lá em cima. — Sem esperar por minha resposta, ele deu alguns passos para trás, puxando a porta consigo, me dando passagem. 


Passei por ele, projetando a cabeça em um aceno positivo e indo em direção ao andar de cima até o quarto do idiota. Bati na porta algumas vezes, mas não fui atendida. Irritada com a situação, empurrei a porta com brusquidão, entrando no quarto, que curiosamente estava vazio. 


— Que merda! — murmurei. 


— O que faz aqui? — Virei-me rapidamente. Boruto estava com uma toalha entornando sua cintura, enquanto usava outra para secar seus cabelos úmidos. 


— O que acha que estou fazendo aqui? — Devolvi sua pergunta, arqueando a sobrancelha. 


Ele fechou a porta atrás de si. 


— Acho que você está concentrada demais na minha toalha. 


Encarei seus olhos com tédio e sentei-me em sua cama. 


— Saiu cedo hoje... — disse, lembrando daquela manhã. 


— Seu pai apareceu lá de repente. Saí rápido antes que ele sentisse que estávamos juntos — respondeu, cruzando os braços e escorando-se em uma cômoda. 


— E se tivesse visto? — perguntei, sem que nossos olhos se encontrassem. 


— Aí eu não estaria falando com você agora, Sarada — disse ele, como se fosse algo óbvio demais para ser dito. 


— Meu pai não é tão irredutível assim — retruquei. — Enfim, não foi pra isso que vim aqui. 


— Por que você veio? 


Levantei-me, levando minha mão ao cotovelo oposto, hesitando antes de finalmente olhar em seus olhos.


— Vim aqui pra dizer que você é um imbecil e que eu não vou me desculpar por tentar salvar a vida de todo mundo! Só isso. Obrigada. 


Dei os primeiros passos em direção à porta para ir embora, mas fui segurada e, em seguida, puxada, sentindo uma mão em meus cabelos. Logo minhas costas estavam coladas ao corpo dele. 


— Não vou perdoá-la por isso. — Seu braço envolveu minha cintura. — No entanto... — Sua outra mão passou a procurar meu pescoço. — Por que você não admite que estava com saudade e veio pra acabar com isso? — Senti a pequena pressão induzida por sua mão. 


— Porque eu não sabia como você iria reagir — sussurrei, encostando minha cabeça em seu ombro, engolindo seco.


— Esse é o seu problema. — Deixou um beijo em meu pescoço. — Depois de todo esse tempo você continua agindo na defensiva. 


— Você foi quem me culpou pelo acidente de Konohamaru — estrilei.


— Me desculpe. — Senti seus lábios atrás de minha orelha. — Você só quis ajudá-lo. 


— Eu...


— Shhh. Sua irresponsável maldita... 


— Eu vou partir daqui a pouco — murmurei. 


Sua mão que estava em minha cintura, passeou pelo meu torço, me causando arrepios. 


— Prometa que vai tomar cuidado. 


— Eu prometo... 


— De novo. 


— Eu... — Virei meu rosto enquanto tocava o dele, aproximando nossos lábios. — Eu prometo. 


Deixei um selinho demorado em seus lábios, acariciando de seu queixo até seus cabelos. Lentamente eu girei meu corpo, levando minhas mãos ao pescoço do maior. Repetindo seus gestos anteriores, deixei beijos em seu rosto, trilhando caminho até onde estavam minhas mãos. 


— Não posso demorar, preciso sair daqui a poucas horas — resmunguei manhosa. 


Fui empurrada, caindo sobre  a cama. Em seguida, meus braços foram imobilizados. 


— Prometo que não vou demorar. — Boruto sussurrou.




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