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História Laços - Juliantina - Capítulo 13


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Capítulo 13 - Capítulo 13


Após percorrer todos os lugares imagináveis, Juliana finalmente encontrou Valentina. Só que a amiga não estava sozinha, Lucho segurava o braço dela e ambos pareciam discutir. Lucho pareceu surpreso em vê-la, provavelmente porque Juliana estragaria seu mais novo e perverso plano.

 

- Você não parece muito feliz em me ver... Solta ela agora! – Juls estava muito nervosa, olhava para Valentina e via o desespero em seus olhos.

- Não seja patética! Isso é assunto de casal. Vaza daqui!

- Casal uma ova! – Gritou Valentina, cansada da situação. - Eu não tenho mais nada a ver com você. Me solta agora! E você, Juliana, pode ir embora daqui.

- Lá vem você com essa sua mania de me mandar embora! Não é hora para isso, Val. Eu vim te buscar, te ajudar. – Falou tentando parecer calma. - Solta ela, Lucho, ou eu não respondo por mim.

- E o que é que você vai fazer? Apanhar feito um cachorro como da última vez? – Lucho solta Valentina e se coloca na frente de Juls, como se fosse uma apresentação pré-luta UFC. - Não me faça rir, Juliana! Nem Valentina quer você perto dela, pare de se humilhar!

 

 Valentina ouve Lucho e mais uma vez fica sem entender aquelas conversas estranhas, estava na cara que eles tinham segredos e ela seria a última a saber.

 

- Do que ele está falando Juls? – Valentina pergunta intrigada.

- É, Juls! Conta pra ela do que estamos falando. – Lucho e seu tom sarcástico estavam deixando Juliana sem saída.

- Cala a boca, Lucho. Ela não tem que saber de nada. Vamos embora, Valentina!

- Saber do que, Juliana? Chega dessa covardia toda. Me diz logo porque ele sempre fala assim com você. Acha que eu sou  tapada assim pra vocês ficarem falando em código na minha frente? Acha que eu vou ficar aqui e continuar agindo como se não ouvisse nada?

- Eu não tenho nada pra dizer. Não insiste, Valentina!

- Ta certo, eu digo! – Lucho falou aquilo com voz de ameaça, rindo da cara de Juls que exibia um olhar de morte.

- Fica na sua, seu escroto, ou eu não respondo por mim. – O rosto de Juls estava vermelho de ódio.

- Olha, Valzinha, ela não quer te contar onde ela foi dar umas voltas há algumas semanas atrás.... Adivinha só, ela estava na mesma festa que a gente!!! Mas você não vai se lembrar porque estava bem ocupada comigo...

- Chega, Lucho! – Juls estava furiosa.

- Calma, vou contar a parte que você mais deve gostar! Então, Val, depois das nossas loucuras de amor... - Para de falar para dar suas risadas irônicas. – ... lembra que alguém bateu na porta? Isso foi pouco antes de você dar um piti e fingir um desmaio. Por isso não se lembra.

- Eu não fingi desmaio, Lucho. Onde quer chegar com isso? -Valentina se preparava psicologicamente para o que estava prestes a ouvir.

- Bateram na porta do nosso quarto e quando atendi, era essa drogada que estava lá nos espionando. – Apontando para Juliana.

- Chega! – Juls explode completamente e vai em direção a Lucho, querendo partir sua cara ao meio, mas Valentina se coloca entre os dois.

- É verdade, Juls? – Valentina pergunta com os olhos marejados.

Não havia motivos para que Juliana continuasse escondendo a verdade de Valentina. Quando começasse a falar, não poderia voltar atrás e não saberia a reação de Valentina.

 

- É. Bem, Val, eu estava lá e...

- Como você pode, Juliana? E ainda se faz de vítima? Você sabia o tempo todo o que aconteceu comigo e nem veio falar comigo? Você o deixou fazer aquilo tudo comigo, Juls? – Valentina caiu em prantos, e soluçava a cada palavra. – Cara, eu te odeio!

- Valentina, espera, você tá entendendo tudo errado. Quem você acha que te tirou de lá? Quem você acha que te levou pra casa e cuidou dos seus machucados?

- Quem você acha que tentou me enfrentar e acabou levando a pior? – Lucho começa a rir debochando de Juls, pois sabia que ela não faria nada com Valentina impedindo.

- Vocês se enfrentaram, Juls? – Valentina não sabia no que acreditar, estava perdida.

- Sim. Eu estava naquela festa e vi quando chegaram. Não acreditei que você estava lá naquele lugar com Lucho. Quando fui falar com você, os dois já tinham sumido. Perguntei pro dono da casa e ele me contou sobre os planos dele com você. Eu ouvi aquilo tudo e pirei. Procurei por todos os cantos da casa e nada. Até eu conseguir descobrir em qual quarto vocês estavam já era tarde demais...

 Juliana se comoveu ao relembrar aquela história, se sentia culpada desde o acontecido e parou de falar por alguns segundos para respirar. Valentina já não se continha mais e soluçava. Lucho apenas ouvia a história que queria esquecer, com seu ar de deboche. Depois de um breve suspiro, Juls voltou a falar:

 

- Eu cheguei no quarto onde vocês estavam, era o último quarto da casa. Bati na porta freneticamente, eu queria tanto que nada tivesse acontecido... Quando esse imbecil abriu a porta, eu vi você estirada na cama, sangue, machucados, roupas rasgadas...

- Chega dessa conversa, nós todos sabemos o que aconteceu e bláh bláh. Pule para a parte onde você apanha de mim, ou se esqueceu? – Lucho provocava sempre que tinha chance.

- Eu não me esqueci. Mas nós dois sabemos que você é covarde a ponto de bater em uma mulher, não é? Eu sabia o que aconteceria se eu entrasse naquele quarto. Mas eu não tive escolha. Quando eu te vi jogada lá na cama, Val , eu perdi a razão. Só queria te arrancar dali sem me importar como faria.

 

Valentina se lembrou de um fato que só agora fazia sentido e se encaixava totalmente na história.

 

- Aquele dia em que nos vimos na faculdade, tempos depois da festa, você estava toda machucada. Foi por ter brigado com o Lucho que estava daquele jeito?

Juliana estava agora calada, apenas se recordando daquele dia.

 

- Responde, Juliana! – Valentina queria acabar com todo aquele mistério de uma vez.

- Sim! Eu me machuquei durante a briga. Mas também não deixei por menos. – Lucho não queria admitir que havia apanhado de uma garota. – Eu pensei que aquele tempo em que fiquei afastada das aulas fosse o suficiente para as marcas sumirem. Mas depois que eu voltei você percebeu algumas. Eu não podia dizer o que realmente aconteceu. Eu não sabia como fazer isso.

- Era só dizer a verdade! – Valentina se exaltou e aumentou o volume da voz. – Era só ter dito que sabia de tudo que aconteceu na noite passada. Que você me viu ser estuprada e que me ajudou a sair de lá. Que me viu toda machucada e humilhada naquela cama suja, naquele quarto mofado e escuro...

 

A voz de Valentina falhou e ela se calou, apenas chorava. Juls via aquela cena que lhe partia o coração e não sabia como fazer os sofrimentos ruins de Val irem embora. Lucho era o único que não se importava com sentimentos naquele momento. Só queria convencer Valentina a ir com ele até a clínica de aborto.

 

- Já chega disso tudo – Disse Lucho, impaciente – Valentina, vem comigo que eu vou te levar até o meu amigo. Ele vai nos ajudar.

- Que amigo? – Juls queria saber.

- Ele quer me levar a uma casa de aborto. – Valentina falou friamente.

- Você está maluco? Como pode pensar numa atrocidade dessa?? Você é um monstro, garoto! Claro que Valentina não irá deixar isso acontecer, não é? – Juliana olha fixamente nos olhos de Val, que parecia estar perdida em algum lugar de sua própria mente.

- Ela sabe o que quer fazer. – Lucho queria insistir naquela história. -  Ela não seria burra de ter um filho agora, nessa idade, com tanta coisa pra viver...

- E o que você sabe sobre viver? – Valentina desperta de seus pensamentos- O que você acha que sabe sobre mim? Eu não vou a lugar algum com você, nem até a próxima esquina. Se você for para o céu eu faço questão de matar o papa, só para garantir que vou estar longe de você. Eu já te disse uma vez e repito: Suma da minha vida!

- Para de falar assim comigo, garota, ou senão... – Levantando o braço para Valentina.

- Senão o que? – Juls se coloca na frente de Lucho, ela o enfrentaria novamente se precisasse.

- Você não aprende né garota! A Valentina te chuta pra escanteio sempre que ela quer e você ainda vem se meter só pra protegê-la?

- Eu sei que ela não faz por mal. E eu a protegerei quantas vezes isso for necessário. Não vou deixar você colocar suas mãos sujas nela, nunca mais. Eu a amo e não vou mais abandona-la.  – Valentina conseguiu sorrir pela primeira vez na noite, ao ouvir aquilo.

- Patético. Vocês duas se merecem. Não vou perder meu tempo ouvindo essa coisa escrota que você falou. Valentina, eu tentei te ajudar, mas você se recusa a ouvir meu conselho. Enfrente as consequências então. E eu não quero saber nada dessa criança. Talvez a Juls – Fala com voz de deboche – possa ser o pai do seu bebê. Adeus.

Lucho dá as costas para as duas e some no meio da neblina. Já estava tarde e mesmo que ficassem o resto da noite conversando, os problemas não se resolveriam. Após alguns minutos caladas, Val quebra o silêncio.

 

- Obrigada, Juls. – Diz Valentina, sem conseguir olhar nos olhos de Juliana.

- Pelo que? Por te defender daquele traste? Eu...

- Não por isso. Obrigada por estar sempre comigo. Mesmo quando eu não mereço. Mesmo quando eu me comporto como um monstro com você e...

Juls interrompe Valentina colocando sua mão na frente da boca dela.

- Não precisa ficar se castigando, nem agradecer por isso. Simplesmente aceite esse karma que você terá por toda sua vida. Eu vou testar sua paciência até quando você já estiver bem velhinha!!

- Ah, isso não! Por favor, cresça! – O semblante de Val havia mudado. Pelo menos por fora ela estava bem.

- Pelo menos chata desse jeito eu te faço sorrir – Juls mostra a língua. Sempre quebra o clima ruim com seu jeito palhaça de ser.

- Eu preciso ir embora. Meus irmãos vão me matar por eu estar fora e vão me matar quando eu disser toda a verdade a eles. – O desespero começou a tomar conta novamente.

- Val ...você vai me perdoar?

- Como assim?

- Vai me perdoar por eu não ter dito nada? Por não ter te ajudado a contar toda a história para os seus irmãos para que eles pudessem te ajudar?  Eu devia ter ido à polícia naquele dia, precisávamos denunciar o crime e dar um fim no Lucho. Por favor, me perdoa por não ter tomado as melhores atitudes, eu nem sei...

- Juls! Chega! – Valentina não queria que Juliana se culpasse por nada. – Como eu vou ter raiva de você por algo que você nem fez? Contar ou não para os meus irmãos e pedir ajudar, eram decisões minhas. Eu deveria ter ido à delegacia fazer B.O., denunciar tudo aquilo. Que culpa você pode ter nisso? Eu só não te perdoo por ter sumido por tanto tempo, sem nem me ligar.

 

Valentina começa a falar com voz de criança mimada,  o que derretia Juls.

 

- Ah, não começa a falar desse jeito. Vamos falar sério, ta bom! Eu sei que errei sumindo da sua vida, mas te prometo que não farei isso jamais.

- Olha, não promete o que você não pode cumprir! Um dia você acha um bonitona ai e me deixa de lado.

- Bonitona? Não tinha um termo melhor não, Valentina? Sua boba, como eu poderia me cansar de você? Você sabe que eu te amo...

- Hum...

- Vai falar só isso agora? “Hum”?

 

Valentina ficou com as bochechas coradas. Ela ainda não sabia o que dizer sobre seus sentimentos e nem como aceitar o fato de que ela e sua melhor amiga eram completamente apaixonadas uma pela outra.

 

- Está frio, Juls... me leva para casa? – Valentina - Cortando o assunto novamente...

- Não seria melhor irmos a um advogado ou mesmo na delegacia da mulher faze logo a denúncia contra o Lucho? E se ele vier atrás de você e tentar algo contra sua vida? Também precisa pensar sobre o bebê. Você sabe que as leis permitem o aborto em caso de estupro, não é? Não quero te importunar com tudo isso agora, mas precisamos ser realistas e rápidas também. – Juliana deu um choque de realidade em Valentina. Era muita coisa a se pensar, muito a se fazer.

- Olha, Juls. Minha cabeça está uma loucura. Eu deveria ter feito algo contra o Lucho antes, quando entendi que tinha sido vítima de um estupro. Estou com muita vergonha de chegar numa delegacia agora e contar tudo o que rolou. E se não acreditarem? E se jogarem na minha cara que eu me ofereci, que eu bebi e me droguei? Eu me coloquei em risco, Juliana!

- Para com isso, Valentina! O único culpado é o Lucho. A única pessoa para quem a sociedade pode apontar o dedo é para o estuprador, nunca para a vítima. As delegacias da mulher são especialistas no assunto e não vão te intimidar e muito menos te incriminar. Você pode confiar que vamos fazer o que for preciso para ver aquele cara atrás das grades.

- Cadeia? Você acha que eu devo fazer isso para ele ser preso? Eu não sei se quero isso, Juls. Imagina o que minha família e a família dele vão falar. Nós somos sócios em vários negócios importantes. Tem que haver outro jeito.

- O outro jeito é a omissão e a impunidade de mais um criminoso, Val. Lucho pode ser o amigo da sua família, mas ele pode fazer com outras meninas o mesmo que fez contigo. É muito grave deixar ele passar ileso por isso tudo.

- Você tá certa. Eu não estou pensando direito. Vamos pra casa e lá eu penso em quais serão meus próximos passos, o que farei com essa gravidez.

 

 

Juliana queria poder fazer mais do que somente assistir os próximos passos de Valentina. Havia muita coisa em jogo, mas a justiça deveria vir em primeiro lugar. E ainda tinha a questão da gravidez. De qualquer forma, respeitaria as decisões tomadas dali em diante.

 

-Tudo bem, bonitona. Vamos embora. Vamos pedir um Uber?

- Prefiro caminhar. Preciso cansar a cabeça e espairecer, senão hoje eu não conseguirei dormir.

- Tá bem então. Vamos ver se você aguentará andar tanto assim.

- Escuta aqui, a senhorita vai me deixar na porta de casa porque isso não é hora de uma garota como eu andar por ai sozinha!

- Uma garota como você?... Ah é, você tem é medo de escuro. – Juliana ri alto da amiga. -  Admita isso ou eu não vou te acompanhar! – As duas pareciam crianças.

- Tenho medo sim. Admito. Agora vamos andando por favor, minha Heroína?

- Gostei!! Pode usar esse apelido mais vezes, por favor!!

- Idiota!

 

 

As duas foram embora. A casa de Juls ficava um pouco longe da de Val, mas preferiu levá-la pois assim passariam mais tempo juntas. E queria ainda ouvir mais uma coisa boa antes de dormir. Ela queria que Valentina admitisse o que sentia de verdade. Era apenas uma confirmação, pois Juls sentia o que era...


Notas Finais


Será que o Lucho vai mesmo deixar as duas em paz?


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