1. Spirit Fanfics >
  2. Laços - Juliantina >
  3. Capítulo 14

História Laços - Juliantina - Capítulo 14


Escrita por:


Notas do Autor


Como podem perceber, eu não tenho uma boa relação com o calendário para me programar para postar os capítulos. Mas estou me dedicando o máximo possível.
Aproveitem enquanto estou desbloqueada.

Capítulo 14 - Capítulo 14


As luzes estavam foscas, não pela energia, mas pelo nevoeiro que cobria as ruas. Às vezes, um carro ou outro passava revelando as duas garotas andando pela cidade àquela hora.  As duas conversaram pouco durante o trajeto.

Depois de meia hora de caminhada, as duas finalmente chegaram à mansão Carvajal.

 

- Faz séculos que não chego tão tarde em casa. Preciso entrar sem acordar a chata da Eva ou o curioso do Guille. A Chivis deve estar me esperando toda preocupada também. Acho que vão se juntar e me matar! Que saco!

-Detesto concordar com você, mas eles vão mesmo. Mas se você usar essa cabeça oca, é só subir aquela escada do jardim dos fundos que dá diretamente para o sótão perto do seu quarto. Quando estiver subindo a escada vai ver que rente a ela tem uma janela que sempre está aberta, no corredor do seu quarto.  Passe por ela com cuidado para não fazer tanto barulho e pronto, caminhe até o final do corredor para chegar aos seus aposentos.

- Brilhante, Valdés! – Batendo palmas e debochando. – Mas... ei, como você sabe dessa?

- Eu já me imaginei fazendo isso algumas vezes...

- Invadir a minha casa? Como assim, trombadinha?

- Não era para invadir a casa exatamente... eu tinha outra coisa em mente.

 

Valentina fica um pouco desconsertada com a explicação de Juls, mas agora sentia algo diferente. Como se seus sentimentos estivessem sendo libertos, e ela queria apenas senti-los.

 

- Juls...

- Fala!

- Naquele dia... como você conseguiu me carregar até aqui?

 

Juliana ficou vermelha pois não queria dar detalhes nem nada. Tinha orgulho de tudo que tinha feito por Valentina, mas não ficaria se gabando.

 

- Bem, eu... Depois que te tirei do quarto e te arrastei pra fora da casa, eu chamei um táxi, e te levei até em casa. Fim! – Falou, resumidamente.

- Não! Eu sei que a história não é bem essa. Conta direito por favor! Como você aguentou me arrastar por aquelas escadas todas? E como me levou até meu quarto sem que Chivis ou mesmo a Eva nos visse? – Valentina era curiosa como um gato.

- Entrei no quarto, te levantei da cama e coloquei seus braços em volta do meu pescoço, e dei meu jeito. Seus pés arrastaram um pouco no chão até eu conseguir chegar a um local pra pegar um táxi. Às vezes dava a impressão que você iria acordar. Mas não aconteceu. Chegamos na sua casa e, obviamente, alguém me viu entrar. Era Jacobo. Ele sabia que você estaria em apuros se alguém nos visse, então me acobertou. Nos levou até o saguão e enquanto ele foi procurar por Chivis caso precisasse distraí-la, eu te levei até o quarto.

- Sem acordar os meus irmãos nem nada, o que é mais impressionante. Eu nunca consegui fazer isso...

- Estava tarde, imaginei que eles não acordariam e torci para isso não acontecer. Aí eu te levei para o quarto, dei uma ajeitada no seu visual, passei um remédio nos machucados, coloquei você na cama e te cobri.

 

Estava sendo uma tortura para Juls dar detalhes sobre aquilo. Ela não sabia como Valentina reagiria. Era preciso cautela ou do contrário perderia a chance de ficar bem com a amiga. Parou de falar na esperança de mudar de assunto, mas Val continuou.

 

- Mas antes de me colocar na cama ou passar os remédios, você tirou as minhas roupas, limpou os machucados, passou meu hidratante favorito, me vestiu, me colocou na cama, me cobriu... – Val mostra as mãos como se estive fazendo contas, elenca a série de ações feitas por Juls, pelo menos as que sua consciência se recordava agora. Dá uma pausa antes de soltar a última. – E depois disso ... você me beijou.

 

Juls não poderia ter ficado mais vermelha. O coração disparou com batidas dignas de uma escola de samba. De tão nervosa e encabulada, não sabia o que fazer com suas mãos trêmulas.

 

- Olha me...me  desculpa, eu...eu... é que... - Gaguejava sem parar. Porém, Valentina ria da cara de Juls.

- Você vai ficar rindo? Sério isso, Valentina? – Com cara de irritada.

- É engraçado! – Valentina mostra a língua.

- Não é não. Eu achei que você  não se lembrava de nada, nem de como chegou em casa.

- Algumas coisas eu me recordo, consegui lembrar aos poucos nesses últimos dias. Poucas coisas, mas as mais importantes eu me lembrei. Eu fiquei chateada com você.

- Olha se foi pelo beijo eu te peço desculpas...

- Para de pedir desculpas, Juls. Que coisa mais chata! Não foi pelo beijo que fiquei chateada. Foi porque você me beijou e depois foi embora...

 

Juls abre um largo sorriso ao ouvir a última declaração de Valentina. Ficou toda boba, e sem dizer nada mantém seus olhos fixos nos dela. Juliana conseguia avistar um oceano ali naquele olhar.

 

- Nossa! Que cara de abestalhada é essa, mulher? Falei alguma coisa errada?

- Não é nada disso. Eu só gostei do que ouvi. – Fala encabulada.

- Ah é? Gostou?

- Claro que sim!

- Isso é bom...

Um silêncio estranho tomou conta do ambiente. Valentina desviou seu olhar de Juliana e resolveu quebrar aquele awkward moment.

 

- Eu preciso entrar. – Disse incisiva. - E você precisa ir embora pois já está amanhecendo e você nem chegou em casa ainda. Sua mãe vai implicar contigo como sempre.

- Pelo menos é sábado, e eu não tenho que acordar cedo para ir a um culto!! – Juls começou a caçoar de Valentina.

 

O grupo Carvajal tinha feito uma parceria obscura com alguns pastores evangélicos e agora a família precisava comparecer a certos cultos para posar de fiéis da família tradicional.

 

- Ai, nem me fale. Mas eu bem que preferia ir agora para um culto, do que ter que resolver tudo o que preciso resolver. – A voz de Valentina fica embargada.

- Eu sei que tem muita coisa em jogo, Val, mas olha o dia extenso que você teve. Tanta coisa que você passou, a descoberta da gravidez, o imbecil do Lucho no seu pé. No momento, tente não pensar mais, por favor. Ao acordar você pensa nisso direito. Você precisa descansar. E além do mais, eu vou te ajudar a organizar essa desordem, está certo? Não vou deixar você sozinha nessa!

 

Valentina se emociona de repente e se atira nos braços de Juls, a apertando como se ela estivesse de partida.

 

- Obrigada por existir na minha vida. Eu não quero mais ninguém ao meu lado, nem preciso. Me sinto segura com você.

- Você não tem que agradecer, sua boba. Eu vou ficar aqui para sempre e tomar conta de você. Ok, bonitona?

- Ah, não, Juliana. Não me chama disso! – Indignadíssima com o apelido cafona.

- Mas foi você que inventou essa desgraça, ué. Atura ou surta, querida!

 

As duas ficam um tempo abraçadas. Não queriam se soltar, mas era preciso. Juliana desfaz o abraço.

 

- Val , eu preciso ir. Mas não quero te soltar...

- Então não solta...

 

As duas levantam a cabeça ao mesmo tempo, buscando os olhos uma da outra, e ,depois de se olharem profundamente, se beijam.

O beijo durou um longo tempo, como se ele valesse por todos os outros que elas nunca tiveram a coragem de deixar acontecer. Quando finalmente pararam de se beijar, as duas se olharam novamente, cúmplices, como se estivessem fazendo uma coisa errada escondida dos pais.

 

- Meu...eu devia ter feito isso antes. - Valentina falou, ainda um pouco encabulada.

 

- Eu também acho!  Mas foi bom e eu não me importo de ter esperado tanto por ele.

- Hum... foi melhor que os das suas outras namoradas?

- Como assim outras namoradas? Ficou maluca é? Eu não tenho ninguém na minha vida.

- E eu? – Valentina faz cara de brava ao ouvir aquilo.

- Só você e mais ninguém, poxa.

- Não adianta consertar. Já fiquei brava com você.

- Não fica brava. Você bem sabe que é a mais pura verdade. Você sempre me enrolou, sempre fugiu das minhas investidas e ainda assim eu to aqui na porta da sua casa toda entregue a você.

- Como assim fiquei te enrolando? Eu não mandei você parar de procurar ninguém.

- Mas você implicava com todas as garotas com as quais eu saia. Ficava falando dos defeitos delas e eu acabava concordando com você e desistindo delas.

- Porque você quis, ué.

 

As duas estavam descontraídas. A sensação era das melhores, como se nada de ruim existisse em suas vidas. Juliana se sentia a pessoa mais feliz do mundo e Valentina se sentia segura, disposta a enfrentar sem medo seja lá o que estivesse por vir pela frente.

 

- Bom, Juls. Agora eu realmente tenho que entrar e fazer aquela tal invasão que você me ensinou.

- Eu sei.... Vou te ver amanhã? – Juls falou com uma carinha de cachorro sem dono.

- Não sei, Juls. – Seu olhar ficou triste novamente. -  Vou tentar conversar com meus irmãos amanhã. Eva conhece um advogado criminalista que pode me orientar nessa história. Talvez eu nunca mais saia de casa depois de contar tudo pra eles.

- Não é pra tanto, Val .

- Você os conhece bem. Sabe que são conservadores... pelo menos com Eva será assim, difícil.

-Insuportável...

- Prezam pela imagem dos Carvajal....

- Insuportáveis...

- É. Eles são insuportáveis. Mas são minha família, tudo o que tenho desde a morte do meu pai. E o mais importante, eles me sustentam. E eu detestaria ficar sem eles. Imagina se eles param de conversar comigo depois disso?

- Gente, hoje você tá virada na Drama Queen heim!

- Juls, você sabe que tudo que eu disse tem um pouco de verdade.

- Eu sei, Val. Estou apenas tentando descontrair.... Vai dar tudo certo, você verá!

 

Juls dá um sorriso otimista para Valentina, que retribui um pouco tímida.

 

- Agora eu vou mesmo. Boa noite, Valdés!

- Boa noite, bonitona! – Juls dá uma gargalhada e Valentina se finge de brava.

- Repete isso e eu nunca mais te beijo!

- Calma ai, sem exageros, Carvajal!!

- Hmm. Gosto da sua obediência! – Arrogante. - Arrumei uma nova forma de te colocar em minhas mãos!!

- Chantagista de primeira mão, você!

- Eu sei disso! Bom, agora eu vou entrar, e você faça o favor de ir direto para sua residência!

- Valentina, onde é que eu iria a essa hora da madrugada?

- Não sei. Mas se arrumar algum lugar para ir, não vá! – Valentina piscou o olho e Juliana só conseguia rir daquele gesto. -  Agora eu vou entrar mesmo. Bye!

 

Valentina vai adentrando na mansão e ameaça fechar o portão quando Juls dá um grito:

 

- Hey! Nenhum beijo de despedida? – Juls faz uma carinha de cachorro sem dono e Valentina abre um lindo sorriso.

 

Valentina volta correndo e se atira nos braços de Juls, lhe tomando os lábios, enquanto os seus corpos se abraçavam, de uma forma quase febril. Havia muito desejo reprimido ali. Quando elas finalmente se separam, Valentina dá um beijo na ponta do nariz de Juls e sai correndo pra casa, feito uma criancinha envergonhada.

Juliana saiu dali com o maior sorriso do mundo. Caminhou pelas ruas vazias assoviando. Dançava ao redor dos postes e mexia com os cachorros de rua, que apenas a observavam cantarolar de alegria. Era para estar assim mesmo. Seu maior sonho se realizara.

Mas Juls era racional. Sabia que não seria só aquilo e pronto. Sua história com Valentina havia apenas começado. Agora a garota de seus sonhos estava grávida e metida numa trama grave de abuso sexual, com um ex namorado que poderia fugir de suas responsabilidades penais. E ainda tinha os irmãos de Valentina. Era impossível definir como se portariam diante da situação toda. Será que aceitariam a irmã se assumindo homossexual?

O destino tem dessas coisas. Traça linhas tortas para a gente caminhar, quase sempre impossíveis de seguir sem desequilibrar em algum ponto.   


Notas Finais


Eu dei tanto suspiro nesse capítulo que nem sei.
Gostaram?


Gostou da Fanfic? Compartilhe!

Gostou? Deixe seu Comentário!

Muitos usuários deixam de postar por falta de comentários, estimule o trabalho deles, deixando um comentário.

Para comentar e incentivar o autor, Cadastre-se ou Acesse sua Conta.


Carregando...